NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Nova de Lisboa
Relatório Final de Estágio
Mestrado Integrado em Medicina
José Alberto Fernandes Cabral
Nº de Aluno: 2013239
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ... 3
2. ESTÁGIOS PARCELARES ... 4
2.1. ESTÁGIO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA ... 4
2.2. ESTÁGIO DE SAÚDE MENTAL ... 4
2.3. ESTÁGIO DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR ... 5
2.4. ESTÁGIO DE PEDIATRIA ... 5
2.5. ESTÁGIO DE CIRURGIA GERAL ... 6
2.6. ESTÁGIO DE MEDICINA INTERNA ... 6
3. ELEMENTOS VALORATIVOS ... 7
4. REFLEXÃO CRÍTICA FINAL ... 7
1.
INTRODUÇÃO
O Estágio clínico profissionalizante integra a estrutura curricular do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da Nova Medical School da Universidade Nova de Lisboa, sendo uma unidade curricular constituída por 6 estágios parcelares, em sistema de rotação (Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Medicina Interna). Os referidos estágios pretendem complementar a formação médica pré-graduada, proporcionando ao médico recém-formado, aptidão para exercer medicina, o que implica que este seja capaz de demonstrar o seu conhecimento das ciências básicas e clínicas e as suas aptidões, necessários ao exercício da medicina e na análise e solução de problemas clínicos comuns.
Neste sentido, no início do ano letivo defini como principais objetivos para o estágio profissionalizante, de forma a assegurar a boa qualidade da formação pré-graduada: 1) Comunicar com os profissionais de saúde, de forma a ser integrado na prática clínica e desenvolver competências de trabalho em equipa; 2) Adquirir conhecimentos e aplicar os já adquiridos sobre as situações clínicas mais comuns em cada área do estudo, estabelecendo a abordagem mais adequada a cada uma, desde a obtenção da história clínica ao pedido de meios complementares de diagnóstico e instituição de terapêutica; 3) Comunicar com os doentes e seus familiares, valorizando as suas expectativas e preocupações; 4) Ganhar autonomia e segurança necessárias ao exercício da profissão médica; 5) Conciliar os estágios com o estudo para a Prova Nacional de Acesso.
O presente relatório pretende reunir e descrever, de forma sucinta, o trabalho e as atividades desenvolvidas ao longo do estágio profissionalizante do 6º ano do MIM, bem como apresentar uma reflexão crítica sobre este percurso formativo. Assim, o relatório encontra-se estruturado da seguinte forma: uma breve Introdução, onde descrevo a unidade curricular e apresento os objetivos estabelecidos, um corpo de trabalho que contém um resumo dos Estágios Parcelares, uma descrição sumária de elementos valorativos, uma Reflexão Crítica Final sobre o Estágio Profissionalizante e, por fim, os Anexos referentes às atividades extracurriculares desenvolvidas no decorrer do presente ano e anos anteriores, bem como trabalhos apresentados no presente ano letivo.
2.
ESTÁGIOS PARCELARES
O Estágio Profissionalizante decorreu entre 10 de Setembro de 2018 e 17 de Maio de 2019, com interrupção das férias de Natal e da Páscoa, distribuído em 4 semanas de Ginecologia e Obstetrícia, 4 semanas de Saúde Mental, 4 semanas de Medicina Geral e Familiar, 4 semanas de Pediatria, 8 semanas de Cirurgia Geral e 8 semanas de Medicina Interna.
2.1. ESTÁGIO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
O Estágio de Ginecologia e Obstetrícia, sob a regência da Professora Doutora Teresinha Simões, decorreu no Hospital de São Francisco Xavier, sob orientação da Dr.ª Alexia Toller, no período de 10 de Setembro de 2018 a 4 de Outubro de 2018.
A atividade clínica foi dividida em duas semanas de Obstetrícia e duas semanas de Ginecologia. No início do estágio, estabeleci como objetivos gerais no âmbito da Saúde da Mulher, sedimentar e alargar os conhecimentos já adquiridos, nomeadamente no que se refere à capacitação prática para a realização de rastreios em Ginecologia, Planeamento Familiar e vigilância da gravidez normal e de risco.
Ao longo do estágio, participei nas diversas vertentes da Ginecologia e Obstetrícia (Internamento, bloco de partos, bloco operatório, ecografias ginecológicas e obstétricas, serviço de urgência e consultas de ginecologia, obstetrícia, patologia do colo e gravidez de alto risco), as quais foram maioritariamente observacionais.
2.2. ESTÁGIO DE SAÚDE MENTAL
O Estágio de Saúde Mental, sob a regência do Professor Doutor Miguel Talina, decorreu na Unidade de Psicogeriatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa – Hospital Júlio de Matos, sob orientação da Dr. Pedro Branco, no período de 8 de Outubro de 2018 a 2 de Novembro de 2018.
A Unidade de Psicogeriatria presta especial atenção às especificidades do doente idoso, desde depressão e outras perturbações do humor do idoso, os problemas relacionados com o fim de vida, aspetos comportamentais associados aos défices cognitivos e demências, de forma a cuidar com segurança e qualidade da mente daqueles que serão tendencialmente uma proporção cada vez maior e mais importante da população nos países desenvolvidos.
Nos seminários teórico-práticos foram apresentadas e discutidas situações psiquiátricas comuns no serviço de urgência, bem como o estigma da Saúde Mental. No estágio clínico, com uma componente maioritariamente observacional, acompanhei as diversas atividades de enfermaria,
sessões de intervenção clínica individuais, de grupo e com familiares, consultas externas e semanalmente, assisti às visitas clínicas na Unidade de Psicogeriatria. Ao longo do estágio, frequentei também o serviço de urgência do Hospital São José e realizei a colheita de dados e elaboração de uma história clínica, permitindo o aperfeiçoamento da comunicação com o doente psiquiátrico, bem como melhoria do raciocínio clínico para doenças do foro psiquiátrico.
2.3. ESTÁGIO DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR
O Estágio de Medicina Geral e Familiar, sob a regência da Professor Doutora Isabel Santos, decorreu na Unidade de Saúde Familiar (USF) Ars Médica, sob orientação da Dr.ª Cláudia Antão, no período de 5 de Novembro de 2018 a 30 de Novembro de 2018.
Para este estágio tracei algumas metas pessoais no sentido de desenvolver e prestar especial atenção à relação médico-doente. Em particular, por ser uma especialidade em que o título de médico de família tem elevada preponderância e relevância, conferindo segurança e confiança ao doente. De notar que o nutrir desta relação médico-doente ultrapassa a esfera individual do paciente e visa integrar não só a sua individualidade, mas também o seu estado social, familiar e profissional no tempo reduzido de consulta.
Destaco a importância de ter realizado este estágio numa área geográfica com um relativo baixo nível sócio-económico e de instrução, o que me possibilitou cumprir os meus objetivos de identificar situações de risco individual e social e de empregar estratégias de prevenção.
Assim, participei ativamente em diversas valências (Saúde de Adultos, Saúde Infantil, Saúde Materna, Planeamento Familiar, Diabetes, Consulta Aberta, Vacinação), sendo que em diversas consultas conduzi a entrevista clínica e realizei procedimentos médicos de forma parcialmente autónoma.
2.4. ESTÁGIO DE PEDIATRIA
O Estágio de Pediatria, sob a regência do Professor Doutor Luís Varandas, decorreu no Serviço de Infeciologia do Hospital Dona Estefânia, sob orientação da Dr.ª Catarina Gouveia, no período de 3 de Dezembro de 2018 a 11 de Janeiro de 2019.
A Pediatria engloba um estadio muito particular do ciclo de vida e como tal estabeleci alguns objetivos específicos, tais como: aperfeiçoar práticas de medicina preventiva, bem como entender melhor o binómio pais-crianças indissociável enquanto unidade terapêutica, as repercussões da doença na criança e na família; aprofundar o contato com as patologias pediátricas mais frequentes,
os métodos de história clínica num doente pediátrico e acima de tudo, a comunicação com o doente pediátrico.
Neste contexto, integrei a equipa de Infeciologia da minha tutora e participei em diversas atividades (Internamento, Consultas externas, Imunoalergologia e Serviço de Urgência), podendo assistir às diversas sessões clínicas, colher e elaborar histórias clínicas, realizar diários clínicos, notas de admissão e alta.
2.5. ESTÁGIO DE CIRURGIA GERAL
O Estágio de Cirurgia Geral, sob regência do Professor Doutor Rui Maio, decorreu no Hospital CUF Descobertas sob orientação do Dr. Nuno Pinheiro, no período de 21 de Janeiro de 2019 a 15 de Março de 2019.
Destaquei ao longo do estágio objetivos principais, tais como: ser capaz de avaliar as situações clínicas mais prevalentes e determinar prioridades de atuação, bem como distinguir situações clínicas com indicação cirúrgica eletiva ou urgente.
Este estágio pode ser repartido em 3 componentes: sessões teórico-práticas, que incluiu o Curso TEAM (Trauma Evaluation and Management), ao longo da primeira semana, as atividades clínicas de Cirurgia Geral e o último dia de estágio onde se realizou o Mini-Congresso.
Assim sendo, na Cirurgia Geral, de uma forma tutelada, realizei várias atividades e em diversos contextos: consulta externa, bloco operatório e sala de tratamentos, participei em diversas cirurgias como 1º e 2º ajudante. Atividades estas que tornaram possível uma familiarização com as diferentes técnicas cirúrgicas e de assepsia.
Por fim, no último dia de estágio, decorreu o Mini-Congresso no Hospital Beatriz Ângelo, onde foram apresentados e discutidos pelos alunos, diversos casos clínicos.
2.6. ESTÁGIO DE MEDICINA INTERNA
O Estágio de Medicina, sob regência do Professor Doutor Fernando Nolasco, decorreu no Serviço de Medicina II do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental – Hospital Egas Moniz, no período de 18 de Março de 2019 a 17 de Maio de 2019.
Os objetivos principais que estabeleci previamente foram: integrar a equipa médica, consolidar e aplicar na prática as competências adquiridas ao longo do curso, desenvolvendo confiança, autonomia e responsabilidades progressivamente.
O estágio dividiu-se em duas componentes: uma componente teórica, sob a forma de seminários que se realizaram na Nova Medical School, e a componente prática no Serviço de Medicina II, que
consistiu maioritariamente em atividades no internamento.
Assim, ao longo do estágio, observei vários doentes diariamente, de forma autónoma, elaborei notas de admissão e os diários dos respetivos doentes, participei na discussão diagnóstica e terapêutica, elaborei pedidos de exames complementares de diagnóstico, prescrição de terapêutica e notas de alta. Além disso, foi ainda possível realizar alguns procedimentos médicos e observar a realização de alguns exames complementares de diagnóstico. No serviço de urgência, participei no atendimento de situações de carácter urgente e emergente, promovendo a melhoria do raciocínio clínico, com a formulação de hipóteses de diagnóstico e tomada de decisões imediatas, bem como aumento da aptidão para o reconhecimento de critérios clínicos de gravidade.
3.
ELEMENTOS VALORATIVOS
Além do plano curricular do MIM, procurei aprofundar outras competências com a realização de algumas atividades. Destaco, em anexo, as atividades que considero tiveram mais influência e relevância na minha formação.
4.
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
Um projeto só tem sentido se para ele forem definidas metas verdadeiramente exigentes e exequíveis, pelo que relembro que foi com grande expectativa que iniciei este ano letivo, percebendo precocemente a importância das situações clínicas vivenciadas na minha formação médica.
O 6º ano do MIM é o culminar de um longo percurso formativo que permitiu aprendizagens e aumento contínuo de competências, a aplicação e consolidação dos conhecimentos adquiridos teóricos dos anos anteriores, bem como aquisição de autonomia e capacidade para responder às responsabilidades inerentes à prática clínica. Sendo por isso, um verdadeiro ponto de viragem decisivo para o exercício da profissão médica.
Finalizados os 6 estágios parcelares considero que, de uma forma geral, os objetivos propostos inicialmente foram cumpridos, com plena consciência que a aprendizagem é algo que terá sempre um lugar presente na minha vida quer pessoal e profissional. Em relação a todos os estágios, considero que desenvolvi a capacidade de perceber de forma integrada a complexidade das diferentes situações observadas, sendo que neste sentido fui capaz de adquirir conhecimentos, capacidades de diagnóstico e habilidades de intervenção clínica.
dificuldades, quer em relação a conhecimentos de foro teórico como também a procedimentos de carácter mais prático, tentando sempre ultrapassá-los da forma mais competente e profissional com um apoio rigoroso por parte da equipa do serviço onde estava inserido.
Posto isto, analisando mais detalhadamente cada estágio, alguns destaques devem ser mencionados.
O Estágio de Ginecologia e Obstetrícia, dividido em duas semanas de Ginecologia e duas semanas de Obstetrícia permitiu o aproveitamento máximo nas diversas valências da especialidade, o que considero um aspeto positivo. No entanto, apesar de ter sido um estágio meramente observacional, tentei participar ativamente nas consultas, no internamento, no bloco operatório e na urgência, tendo consolidado conhecimentos e melhorado as aptidões para a prática clínica nesta especialidade. Mais uma vez saliento que o ponto que considero menos positivo em relação a este estágio foi de facto, a pouca autonomia que me foi dada.
No Estágio de Saúde Mental, a passagem pela Unidade de Psicogeriatria permitiu-me entender e combater o estigma associado à doença mental em particular na população idosa, percebendo também a importância de uma abordagem especializada, à consideração no contexto biopsicossocial do doente, através de uma abordagem direcionada em todas as áreas de carência da sua vida, desde o funcionamento psicológico à identificação das situações sociais de risco. O contacto com situações agudas e com determinadas patologias só era possível no serviço de urgência, o qual tentei frequentar o máximo de vezes que me foi possível. Neste sentido, sinto que uma das lacunas da minha formação na área da Saúde Mental foi nunca ter contacto com doentes em fase aguda da sua patologia psiquiátrica.
O Estágio de Medicina Geral e Familiar teve um papel mais preponderante em relação aos restantes pela proximidade e prestação de cuidados, sendo que considero que este foi um dos estágios que mais contribuiu para o meu desenvolvimento pessoal e profissional enquanto futuro médico. Ao longo do estágio participei ativamente em diversas consultas com autonomia parcial, onde pude principalmente aperfeiçoar em muito as minhas competências sociais e de comunicação, e que de facto se deveu a um enorme apoio e disponibilidade por parte da minha tutora, tornando este estágio bastante enriquecedor quer a nível de conhecimentos teóricos, quer ao nível do exercício prático.
O Estágio de Pediatria permitiu uma visão mais específica e profunda das patologias infeciosas quer na infância e adolescência por ter ficado numa unidade de internamento de Infeciologia e pela frequência do serviço de urgência. Tornou-se mais claro o papel fundamental da Pediatria na educação da criança e da família na promoção da saúde e prevenção da doença. Ao longo do estágio foi-me possível aperfeiçoar o fator comunicação com o doente em idade pediátrica e seus
familiares, assim como aperfeiçoar técnicas de avaliação física consoante a idade, lidar com diversas patologias e prática de registos clínicos.
O Estágio de Medicina Interna foi, sem dúvida, um dos estágios mais marcantes em termos de aprendizagem e autonomia. Destaco a integração e o papel bem definido que me foram proporcionados numa equipa excecional, num contexto de verdadeiro trabalho de equipa e de promoção de minha autonomia. Tive por isso, mais oportunidade de desenvolver o meu raciocínio clínico, a aplicabilidade de conhecimentos, habilidades e atitudes. Destaco apenas como aspeto menos positivo os elevados tempos de internamento, que impossibilitaram a observação de um elevado número de doentes e diversidade de patologias, no entanto, também me permitiu um contacto com outro ripo de situações, nomeadamente de cariz social.
O Estágio de Cirurgia Geral foi um estágio extremamente prático, em que nos dias de bloco operatório participava ativamente nas cirurgias como 1º ou 2º ajudante, facto que se deveu a uma imensa disponibilidade, paciência e motivação demonstrados pelo meu tutor para comigo, sem dúvida um pilar essencial para retirar o máximo de proveito do estágio. Permitiu ainda relembrar muitos conhecimentos anatómicos e a familiarização com as diferentes técnicas cirúrgicas.
Cada um dos estágios, à sua maneira, permitiu que eu desenvolvesse o lado mais humanista da Medicina, que não vem nos livros de texto e que treinam muitas vezes, unicamente, a nossa capacidade de memorização para os exames. Cada um deles ensinou-me a valorizar as expectativas, receios e vontades dos doentes e familiares.
Por fim, considero que, de maneira global, encerro este capítulo do meu percurso académico com sensação de dever cumprido, e que de facto ao longo destes anos foram-me facultadas as ferramentas necessárias para agora vigorar no futuro enquanto profissional de saúde e cidadão. Em jeito de conclusão, agradeço a todas as pessoas com quem contactei nos diversos locais de estágio e Faculdade, que contribuíram de alguma forma significativa para a minha formação, onde incluo, em particular, professores, médicos e enfermeiros. Como não poderia deixar de ser aos meus familiares, amigos e colegas, um agradecimento pelo apoio contínuo
.
ANEXO I –
Trabalhos realizados no âmbito do estágio profissionalizante
Estágio Parcelar
Tema
Autores
Medicina Geral e Familiar Folheto informativo – “Mini-Guia
da Gravidez” José A. Fernandes
Pediatria “Vegetarianismo em Pediatria”
Inês Caetano Joaquin Gorrisen José A. Fernandes
Rita Ferreira
Ginecologia e Obstetrícia “Afamin: an early predictor of
preeclampsia”
José A. Fernandes Margarida Gomes
Cirurgia Geral “reGISTo não previsto”
Inês Santos João Catanho José A. Fernandes
Medicina Interna “Pancreatite Crônica: a propósito
de um caso clínico”
Carina Almeida João Catanho José A. Fernandes