FERNANDO
JOSÉ
DE SOUZA TERNES
OTITE
MÉDIA SECRETQRA
Trabalho apresentado
à Universidade- Federalde
Santa Catarina
para
a conclusãodo
Curso
de
-Graduação
em
Medicina
Florianópolis
_Universidade Federal
de
Santa Catarina
OTITE
MÉDIA
SECRETORA
Trabalho apresentado
àUniversidade
Federalde
Santa Catarina
para
a conclusãodo
Curso
de
Graduação
em
Medicina
Presidente
do
Colegiado:
Prof.
Dr.
Edson
José
Cardoso
Orientador:
Prof.
Dr.
Paulo Arlindo
Philippi
'
Florianópolis
Universidade Federal de
Santa
Catarina
'
~
Temes, Fernando José de Souza
_Otite Média Secretora / Fernando José de Souza Ternes -
Florianópolis, 2002
35p.
Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) - Universidade Federal de Santa Catarina - Curso de Graduação
em
Medicina.AGRADECIMENTOS
À
minha
família,em
especial aosmeus
paisELINOR
PAULO
TERNES
eMIRIAM
DAS
DORES DE SOUZA
TERNES
que muitome
incentivaramna
realização deste trabalho.Ao meu
orientadorPAULO
ARLINDO
PHILIPPI
pela atenção e ajuda dispensada.Aos
funcionáriosdo
Centro Cirúrgico eSAME
do HIJG,
não poderia citar todos, pelapaciência, simpatia, dedicação e ajuda,
tomando
este trabalho mais fácil e agradável.AGRADECIMENTOS
... _.SUMÁRIO
... ..RESUMO
... ..SUMMARY
... .. 1INTRODUÇÃO
... .. 2OBJETIVO
... .. 3MÉTODO
... .. 4RESULTADOS
... .. 5DISCUSSÃO
... .. óCONCLUSÕES
... ..NORMAS
ADOTADAS
... ..REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
.... ..APÊNDICE
... .. VRESUMO
z-""'“'íF _, . . . . ~ . .
A
o
š
U) àz.C
a afecçao frequentena
infânciaque
causa hipoacusia,com
repercussoes sociaisç,
m
e possível evolução para colesteatoma.
As
teorias a respeito de suas causas são controversas, etambém
o é seu tratamento, principalmente o clínico. Este estudo transversal de caráter descritivodescreve o perfil dos pacientes tratados para
OMS
atravésda
colocação de tubo de ventilaçãona
me
a frequênciana
ocorrência de reoperações.Foram
levantados os prontuários de 150~ ~
pacientes submetidos a colocaça o de
I
xV,,no H , _§ Hospital Infantil Joana deGusmao
(HIJG) entre osanos 1997 e 2001,
buscando
sexo, idade, queixas, otoscopia e impedanciometria pré-operatórias,cirurgias concomitantes e reintervenções subsequentes. Obteve-se
64%
dos pacientes masculinos,com
média
de idade de 5 anos e 5 meses,com
80,5%
das impedanciometrias tipoB
e16,6%
tipo C.Apenas
22%
dos pacientes queixavam-se de hipoacusia,13%
de
otitemédia
de repetição e46%
foram
diagnosticados ao procurar omédico
por sintomas respiratórios obstrutivos.Em
67%
das crianças a
MT
apresentava alterações da corou
brilho,mas
apenas5%
apresentavamaumento
da vascularização da
mesma.
A
adenoidectomia foi associada ao tratamentoem 92%
dospacientes, e somente
13%
foram
reoperados.O
número
de pacientes masculinos é predominante.Há
um
decréscimo das cirurgias a partir dos 7 anos.Os
sintomas respiratórios obstrutivos são osmais
comuns porém
a hipoacusia destaca-se entre as queixas otológicas.As
alteraçõespredominantes
no
tímpano se relacionam à corou
ao brilho.A
adenoidectomia éamplamente
usada
como
tratamento auxiliar.A
reoperaçãolí
é necessáriaem
um
pequeno
número
de pacientes.Otitis
media
with effusion(OME)
is acommon
disease in childhood that causes hearing loss, with social repercussions and possible evolution to colesteatoma. Theories about its causes arecontroversial, and so is the treatment, mainly the clinical one. This study of descriptive nature
shows
the profile of patients submitted to treatment forOME
by
myringotomy
with insertionof
tympanostomy
tubes, and the frequence of reoperations.One
hundred and fifty patientswere
submitted to insertion of
tympanostomy
tubes at Hospital InfantilJoana
deGusmão
(HIJG)
between
1997 and 2001, seeking for sex, age, complaints, preoperative otoscopyand
tympanometry, associated surgery and posterior surgical interventions. Sixty four percent
of
patients
were
male, themean
agewas
5 years and 5 months, with80.5%
of timpanometries typeB
and16%
type C.Only
22%
of the patients complained about hearing loss,13%
about recorrentotitis
media
and46%
were
diagnosed during a visit to their physician due to obstructiverespiratory symptons.
About
67%
of the childrenhad
changes attympanum
color or brightness,but just
5%
presented an increased vascularization.Adenoidectomy was
associated to thetreatment of
92%
of the patients, and only13%
of
them
allwere
reoperated.The
number
of
male
patients is predominant, with reduction of surgeries after the age of seven years. Obstructive
respiratory
symptons
are themost
common
ones, although hearing loss stand outbetween
otologic complaints.
Changes
attympanum
color or brightness are themost
frequent.Adenoidectomy
is widely used as an auxiliary treatment. Reoperation is necessary in a shortnumber
of patients.1
INTRODUÇÃO
1.1
Anatomia
O
sistema auditivo é divididoem
três porções, ouvido externo,médio
e intemol.O
ouvidoextemo compreende
o pavilhãoda
orelha e conduto auditivo externo, até amembrana
timpânica(MT),
sendo cartilagíneono
terço externo e ósseo nos dois terços internosl.O
ouvidomédio
constituium
espaço delimitadoextemamente
pelaMT
eintemamente
pelasjanelas oval e redonda,
formando
uma
caixa contendoem
seu interior a cadeia ossicular (martelo,bigoma
e estribo) (figura 1)1. Apresentaem
sua parede anterior o orifícioda
tuba auditival.O
ouvido intemoou
labirinto divide-seem
segmento
anterior, a cóclea,com
função auditiva, esegmento
posterior, o aparelho vestibularcom
seus canais semicirculares, relacionado ao equilíbriol.1.2
Otite
Média
Aguda
Constitui
um
processo inflamatórioagudo do
ouvidomédio
quasesempre
desencadeado poruma
infecção bacteriana, sendo traduzido por otalgia, hipoacusia, plenitude auricular e por vezesperfuração timpânical.
Ao
exame
otoscópico o tímpanopode
apresentar-se hiperemiado,edemaciado, abaulado e
com
perfuração'.Pode
evoluirem
alguns casos para cura espontânea e 0tratamento é baseado
no
uso de antibióticosl.1.3
Otite
Média
Secretora
A
otitemédia
serosa(OMS), também chamada
de otitemédia
secretoraou
otitemédia
com
efusão, é
uma
entidade caracterizada pelainflamação
crônicado
ouvidomédio
acompanhada
poracúmulo
de líquidosem
sinais de perfuração timpânicaou
deinflamação
aguda'““. Este líquidopode
ser basicamenteou
seroso,com
baixo teor protéico, semelhante aum
transudato,ou
mucoso, espesso e
com
elevado teor protéico,como
um
exsudato1`3.A
importânciada
OMS
se deve a sua alta prevalênciana
infância, sendouma
das causasmais
comuns
de hipoacusia, muitas vezes bilateral,em
idade pré-escolar e escolar (entre 3 e 10 anosprincipa1mente)1'2. Para se ter
uma
idéia damagnitude
dessa entidade, estima-seque
ela cause nosEstados
Unidos
um
gasto anual de cerca de 2 bilhões de dólaress.Como
seu principal sintoma,hipoacusia, não desperta a atenção de imediato e até muitas vezes
nem
é percebido,não
recebendo dos pais a
mesma
importância que otalgiaou
otorréia, sintomas raros nessa entidade, odiagnóstico
pode
ser adiado pormeses ou
até anos3.O
resultado final é ocomprometimento do
desenvolvimento da linguagem e do aproveitamento escolar,
com
uma
repercussão socialnegativa considerável2`4'6.
Em
sua maioria, os portadores deOMS
não apresentam tipoalgum
de alteraçãoou
hábitoque
pode
ser apontadocomo
causa da doença, entretanto, alguns fatores predisponentes jáforam
reconhecidos3. Destacam-se os defeitos anatômicos
ou
funcionaisdo
palato (úvula bífida, fissurapalatina completa
ou
submucosa), alterações imunológicas (alergia,SIDA,
entre outras),anomalias craniofaciais, tumores de rinofaringe e hipertrofia de adenóidesuó.
Nos
dadosda
3
amamentação,
este últimopodendo
ser explicado pela perda das defesas do leite materno e alergiaao leite de vacal'2'4.
A
etiopatogenia daOMS
não
estácompletamente
definida, sendo considerada aindacomo
oresultado de diversos fatores”.
A
obstrução da tuba auditivaque
pode
ser causada principalmentepor hipertrofia adenoidiana (a adenóide
tem
seutamanho
máximo
namesma
época damaior
prevalência da
OMS, em
tomo
dos 3 anos de idade) e/ou sua infecçao, leva auma
pressãonegativa
no
ouvido médio, hiperemia ex-vacuo damucosa
e transudação serosa"3'°.No
adulto aobstrução
da
tubapode
ser causada pordoença
expansivada
rinofaringe2'°.A
mucosa
da tuba auditiva e porçao anteriorda
caixado
tímpano é do tipo respiratório,ciliado e
com
glândulasmucosas”.
Estapode
tomar-se hiperplásica e hiperativa,com
aumento
do
número
de glândulasmucosas
e transformação das células epiteliaisem
célulascompletamente
mucossecretantes, as “globets cells”,
com
alteração dosmovimentos
ciliares e até paralisia”.Essas alteraçoes metaplásicas
podem
ser consideradascomo
resultado deuma
hipoventilaçãodo
ouvido
médio
com
aumento da
taxa deCO2,
o quepode
ser causadoou
pela obstruçãomecânica
já descrita,
ou
por disfunções da tubacomo
a diminuiçao de seu calibre por ingurgitaçaoinflamatória, diminuição
da
quantidade de surfactante, colabamento de suas paredes poruma
pressão negativa já instalada (efeito ventosa) e principalmente por disfunção do
músculo
dilatadorda
trompa
(tensordo véu
palatino)1*2. Essa idéia é reforçada pelos pacientescom
fissura palatina,com
disfiinção muscular óbvia e clara tendência a desenvolver OMS"2'°. Essa disfunçãodo
tensordo véu
palatino é muito frequente nas crianças, as quais apresentam a tuba colocadamais
abaixo,no
plano horizontal da basedo
crânio,com
seusmúsculos
incompletamente desenvolvidos”. Essa metaplasiapode
ser explicadatambém como
sendo o resultado deuma
resposta damucosa
auma
infecção aguda, mantida por antibioticoterapia insuficiente e mediadores químicosprovenientes das células inflamatón`as1'2'6. Isso justificaria
também
a diminuição de sua incidênciaapós os 10 anos, época
em
que
se completa a maturidadedo
sistema imunológicodo
organismol.I __ ,, , ___.. -‹..'...\.- ___ »-- --3--_-' -_‹-_..~.v ___,.“,. __ * , "-...^': . . f A .'. »¬›,z “_” A ,, z, _
_;w
ló ' c Ii Í , O V V ' `“:«""'¢fil › C*"¬›>›-~»\li4'‹¬--i"*"'-'zx¢“"d v 'Sl .' -;""§'u I O
fator desencadeante
ou mantenedor do
quadro deOMS,
principalmente nas criançasem
usoprecoce de leite de vaca, causa frequente de alergia nessa faixa etária”.
Tem-se
observadosmu
o ,z.oz cj..
«H
~l*HL.~;w=. »¿.‹›p.._=zze..‹.~'‹11;â~ê,:wâai,_ tO
espectro clínico dessa entidade varia desdeuma
forma
de progressão silenciosa atéuma
. . . _ _ . 3 z . . . “VV .V .divã
sintomaoa
¿_¡ z __;ente t.. .ir U _ 'J 1 |z -‹ '
V›;iâ¿;‹¿ié~,z:ízfëi:â==e:”íP“ëf§â¬~i~‹fi..-»ié;z;iEiii
~_Qibuiçgo¿“de~`a~
ciol
I fator desencadeante
ou mantenedor do
quadro deOMS,
principalmente nas criançasem
uso1
recoce de leite de vaca causa fre uente de aler ia nessa faixa etária”.
Tem-se
observados -1'P ›
,
daldvmëe-im@fl@fda~s:ôøm
a@hSúmm'm~-1-~1;a
O
espectro clínico dessa entidade varia desdeuma
forma
de progressão silenciosa atéum
V. . , . . ,, . 1_3
Na
grande maioria das vezes o quadro encontrado e hipoacusia e ausencia de dor . Essahipoacusia
pode
ser percebida pelos pais e professores queobservam aumento
exageradono
volume
da televisão, desatenção emau
aproveitamento escolar2'3`6. Outros sintomascomo
hiperatividade, plenitude auricular, autofonia e alteração
da
audiçãocom
amudança
da posiçãoda cabeça
podem
aparecerm.Na
otoscopia (figura 2)podemos
encontraruma
membrana
timpânica mais opaca, amarelada,com
nível líquido, bolhas de ar quepodem
deslocar-se pelamanobra
de vasalva, trama vascularaumentada, atrofia e bolsas de retração nos casos mais antigos e
com
diminuiçãoda
mobilidadez z - -3 7
ao
exame
com
um
especulo pneuinaticol ”6' .5
A
audiometrianonnalmente
mostrauma
hipoacusia decondução na
faixa de20
a40
dB,proporcional à consistência da efusãom.
A
timpanometria,também
chamada
de imitanciometriaou
impedanciometria, revela geralmenteuma
curva tipoB
de J erger, característicada
presença desecreção
no
ouvido médio,podendo
ocasionalmente mostraruma
curva tipo Cl*2”6”8.O
reflexo
, . . . _2 . ,_
estapedico na maioria dos casos se encontra ausente' . Esses
exames pemiitem
aconfirmaçao
diagnóstica, a avaliação da perda auditiva e o planejamento da terapêutica
adequada”.
A
grande maioria dos casos deOMS
apresenta tendência a curaem
semanas
ameses”. Os
casos prolongados
podem
evoluir para atelectasiado
ouvido médio, bolsa de retração, otitemédia
crônica
(OMC),
otite adesiva, tímpano azul (figura 3), perda da audição condutiva variável e até. , . . , . 1,2 .
mesmo
neurossensorial e colesteatoma (as duas ultimas graves e de dificil tratamento) _Por
issoo tratamento visa a resolução
da
hipoacusia e a não evolução para as complicações inerentes aoquadroz. Entretanto, o tratamento da
OMS
ainda é bastante controverso, principalmenteno que
serefere ao
manejo
clínico da doença.Figura 3: Tímpano azul
Os
medicamentos
mais prescritos são os antibióticos, anti-histaminicos,descongestionantes, gotas nasais e coiticóidesmó.
Descrito inicialmente por
Annstrong
em
1954, o tratamento cirúrgico seimpõe na
falha1.4
Otite
Média
Colesteatomatosa
O
colesteatoma éuma
bolsa císticacomposta
de lâminas epiteliais sobrepostascomo
num
bulbo de cebola, limitada por
uma
matriz de epitélio pavimentoso estratificado, ceratinizado ecomificadol.
O
colesteatomapode
serou
congênito(em
meninges, ossos da face e do crânio, raro)ou
adquirido (no ouvido médio)1.
Existem duas modalidades clínicas de colesteatomal:
1- Colesteatoma
com
perfuração póstero-superior marginal;'¡§;_,';É_Colesteatoma
com
perfuração epitimpanal ao nível damembrana
de Shrapnell,com
integridade2
OBJETIVO
Descrever o perfil epidemiológico e clínico dos pacientes tratados cirurgicamente para otite
média
secretora atravésda
colocação de tubo de ventilaçãona
membrana
timpânica, e descrever3.1
Delineamento do
estudo
Estudo transversal de caráter descritivo baseado
em
registros de prontuários hospitalares.3.2
Casuística
150 pacientes submetidos a cirurgia para colocação de tubo de ventilação uni
ou
bilateralmente
no
Hospital Infantil Joana deGusmao
(HIJG)com
diagnóstico de otitemédia
secretora
ou
suas complicações, não importando seforam
submetidos a cirurgias associadas.3.3
Procedimentos
Foram
levantadosno
serviço de arquivosmédicos
(SAME)
do
HIJG
todos os prontuários dospacientes submetidos a cirurgia para colocaçao de tubo de ventilação entre 1997 e
2001 conforme
banco
de dadosdo
centro cirúrgicodo
mesmo
hospital.3.4
Protocolo
Os
prontuários obtidos foram submetidos aum
protocolo que buscava o sexo, idadedo
paciente, principais queixas, otoscopias e timpanometrias pre' e pós-operatórias (quando
9
3.5
Cirurgia
A
anestesia utilizada nas crianças foi a geral.O
localda
membrana
onde
foram feitas as miringotomias variou entre os pacientes enão
terárelevância nesse estudo.
A
aspiração das secreções foi feitaconforme
necessidade avaliada pelo médico.O
tubo mais utilizado foi o de curta duração (figura 4), ocasionalmente sendo colocado o delonga duração
em
casos recidivantes. Neste trabalho o tipo de tubo de ventilaçãonão
foiconsiderado nos resultados.
Os
pacientes e familiares foram orientados a evitar a entrada de água na orelha durante apermanência
do
tubo.Foram
consideradoscomo
curados os pacientes que não necessitaram denova
cirurgia.Figura 4:
O
tubo de ventilação na membrana timpânica3.6
Imitanciometria
Potenmiômeho Aum- fialame /-»'-\*Q
_.>\ 4-í Bomba de ar ~O
A1‹-
ponte e etruacusticaCimuim
da
impedanciumetriaFigura 5:
A
imitanciometriaConsiste
em
avaliar as condições de funcionamentoda
unidade timpanossicular e consequentemobilidade
da
membrana
timpânica atravésda
emissão deum
som
de baixa frequência emedida
da
quantidadedo
mesmo
refletida,em
graus variados de pressão aérea obtida atravésda vedação
do
conduto auditivoextemo
(figura 5).O
resultado é transportado paraum
gráfico
pressãoX
complacência (figura 6)
em
que, de acordocom
a classificação de J erger, três padrões principaismerecem
destaque:Tipo
A
Timpanograma
normal. Possui mais duas variações:A-s:
O
pico de complacência continuaem
0
mmHzO,
mas
com
amplitude reduzida.É
encontradoem
casos de rigidezda
cadeia ossicular;ll
A-d:
A
complacência apresenta-seacima do
normal, algumas vezesnão
sendo possível medi-la (maior mobilidade). Encontrado nos casos demembrana
timpânica delgada, atrófica, roturada cadeia ossicular e ruptura da
MT.
Tipo
B
Curva
plana e deslocada para pressões negativas. Encontradona
OMS,
otitemédia
atelectásica.Tipo
C
Curva
deslocada para pressões negativas. Encontrado nas disfunções tubárias.Neste trabalho o perfil timpanométrico foi classificado de acordo
com
Jerger, considerando-seDos
150 pacientes estudados96(64%) eram do
sexo masculino e54(36%) do
sexo feminino.A
média
de idade dos pacientes operados foi de 5 anos e 5 meses, distribuídosconforme
atabela 1.
TABELA
1 -Distribuição
dos
pacientes
conforme
idade
Idade i
N°
de criançasPorcentagem (%)
0 - 3 anos 5134
4
- 6 anos58
38,62
7 anos 41 27,3 Total _ 150 100Fome;
SAME
do HIJG, 1997 - 2001.7o A ze 60 ntes U1O Número de pac e N C» -B O O O 10 0 . . . .
0 - 3 anos 3 - 6 anos > 7 anos
Idade
Os
motivosque
fizeram
com
que
os pacientes procurassem atendimentomédico
estãoresumidos
na
tabela 2.O
mesmo
pacientepode
apresentarmais
deuma
queixa.TABELA
2
-Queixas que levaram
os pacientes
ao
médico
Queixas
N°
de pacientesPorcentagem (%)
Hipoacusia
Otite
média
de repetiçaoSintomas Respiratórios
~
43
26
84
Outras infecções respiratórias de repetição 19
Otalgia Otorréia Outros 8 6 7 22,27 13,47 43,52 9,84 4,14 3,10 3,62 Total 193 100
Fonte:
SAME
do HIJG, 1997 - 2001.100 tes Número de pac en H'poacus
a
Ot te méd'a de repet ção S'ntomas resp`ratÓr'os Outas `nfec. resp rat. de repet ção Otag
a QueixasFigura 8: Queixas que levaram o paciente ao médico
Otorré'a
~
TABELA
3 -Alteraçoes encontradas
na
otoscopia
Aspecto
da
MT
N°
de otoscopiasPorcentagem (%)
MT
ambar
179 67,54Aumento
da
vascularização Retraída BrilhanteNormal
Outros 1446
124
10 5,28 17,35 4,52 1,50 3,77 Total265
100Fonte:
SAME
do HIJG, 1997 - 2001.op as Número de otosc 200 _\ U1Ô _; QQ 50 0 MT ambar Aumento da ar zação Retra 'da Bri hante VHSCU Aspecto da
MT
Figura 9: Alterações encontradasNorma
no otoscopia
l5
Entre os pacientes
em
que
foi realizada imitanciometriaforam
obtidos os seguintes resultados,descritos
na
tabela 4.TABELA
4
-Achados
à
imitanciometria,
em
número
de
orelhas,considerando
classificação
de
Jerger:Classificação
N°
de
orelhas Porcentagem(%)
Tipo
A
TipoC
1 2,7 TipoB
29
30,5 ó 16,6 Total36
100Fonte: SAIVIE do HIJG, 1997 - 2001.
35 Número de ore
h
35 30 I\J U1 I\>O _\ U1 _\@ 5 0Tipo
A
TipoB
TipoC
Classificação
TABELA
5 -Procedimento
cirurgicorealizado
Procedimento cirurgico Quantidade
Porcentagem (A)
TV
apenasTV
mais adenoidectomiaTV
mais
adenoamigdalectomia 12 8 85 56,6 53 35,3Cautenzação
decometos
associada auma
das 10 6,6duas anteriores
Fonte
SAME
do HIJG 1997 2001Quant dade TV apenas 1 . TV + ade ectom a TV + denoam gda ectom a Cauter zação de cornetos assoc a uma das
2
a nt. no`d 3 Procedimento cirúrgico17
A
cura dos pacientes foi obtidana
grande maioria dos casos (86,66%), tendoum
número
pequeno
de pacientes sido reoperado,conforme
tabela 6.TABELA
6
-Resultados
das
cirurgiasResultados
N°
de pacientesPorcentagem (%)
~
Nenhuma
reoperaçao 130 86,6Uma
reoperação 17 1 1,3Duas
reoperações 3 2Total 150 100
Fonte:
SAME
do HIJG, 1997 - 2001.140 120 Número de pac entes _\ OO 80 60 40 20 0 zz . . 6
Nenhuma reoperação 1 reoperação 2 reoperações Resultados
A OMS
constituiuma
afecção -muito frequentena
infância.A
procurade
um
tratamentoeficaz
se deve ao fato damesma
ser apontadacomo
uma
das causasmais
comuns
de hipoacusia,sendo consequentemente associada a dificuldade
no
aprendizado escolar,além da
possibilidadede evolução para
um
colesteatoma.Os
dados contidos nesse trabalhopennitem
tuna visão geraldo que
iremos encontrarna
prática clínica, edo que
normalmente
é feitoem
resposta.Com
relação a distribuição por sexo,Camacho
et al não encontraram predominância dealgum
gênero”. Já Franche et al encontraram
62%
dos pacientesdo
,sexo masculino, resultadosemelhante ao de Filizzola et al
que
encontraram58%
dessemesmo
sexo e deSouza
et alque
novamente
referiram60%
dos pacientesdo
sexo masculino”`“.Em
2001 oMRC
Multi-Centre OtitisMedia
StudyGroup
vem
a encontrarçnovamente igualdade entre os sexosna
prevalênciadessa doença”.
No
nosso trabalhoforam
encontrados64%
dos pacientesdo
sexo masculino, oque
está de acordocom
amaior
parteda
literatura.No
entanto, não foi encontrada explicaçaológica para o fato, sugerindo a falta de estudos especificamente a esse respeito.
Na
distribuição por idade Chinski et al encontraram66%
dos pacientes entre 3 e 5 anos,Camacho
et al encontraram30%
entre 2 e 4 anos e46%
entre 5 e 6 anos“'16.Em
1998 Franche et al encontraramuma
idademédia
dos pacientes de 6,02 anos e Filizzola et al 4 anos e 4 meses,contrastando
com
os 8,4 anos encontrados porSouza
et al,que
ainda assim apresentavauma
mediana
de 5 anos”`“.Em
2001 oMRC
Multi-Centre OtitisMedia
StudyGroup
descreveuque
amaioria dos pacientes operados tinham idadeentre 3 e 7 anos”.
Nesse
estudo a idademédia
encontrada foi de 5 panos e' 5 meses, compatível
com
ada maior
parte da literatura, eque
pode
serexplicada pelas infecções de vias aéreas, hipertrofia de adenóides, disfunção tubária e alterações
imunológicas, todas mais frequentes nesta época
da
vida”.A
discrepância encontradaem
relaçãoa
Souza
et alpode
ser explicada pelo fato desse último incluir não apenas pacientes pediátricos,utilizando
no
estudo pacientescom
até' 84 anos, oque
eleva a idademédia
etoma
amediana mais
19
No
que
se refere às queixas apresentadas pelos pacientes ao procurar o serviço de saúde,Endo
et al encontraram
58%
dos pacientescom
um
ou mais
episódios anteriores de otite,10%
entre osdemais
com
queixa de otalgia e48%
com
queixa de obstrução de vias aéreas superiores”. JáChinski et al
em
seu trabalho encontraram a hipoacusiacomo
sintoma mais frequente”.Nós
obtivemos
também
43,5%
dos pacientescom
sintomas respiratórios obstrutivos, entretantoencontramos queixa de otite
média
de repetiçãoem
apenas 13,4%, baixa se considerarmosque
OMA
é fator para ocorrência deOMS”.
Essa baixa frequênciade
otitesdocumentada
poderia serexplicada pela dificuldade de acesso
da
população aum
serviço de otorrinolaringologia, sendo ospacientes
com
otitesem
geral tratados porum
pediatra.A
obstrução de vias aéreas superiores, detratamento
mais complexo
eem
geral cirúrgico, seriamais
prontamente encaminhada.Com
relação à hipoacusia, a relativamente
pequena
quantidade (22,2%) de pacientescom
essa queixapoderia indicar
uma
falhana
detecçãodo
sintoma por parte dos pais, professores e atéprofissionais da saúde.
Chamam
a atenção ainda 6 pacientesque
procuraram o serviçocom
queixa de otorréia e
que na
consultaou
posterioracompanhamento
tiveram selado o diagriósticode
OMS,
mostrandocomo
sintomas característicospodem
passar despercebidos.Com
respeito à otoscopia, os dados encontradosna
literaturaforam
bastante divergentes.Chinski et al encontraram
mais
de86%
dos pacientescom
alteraçãona
corou
brilhoda
membrana
timpânica, vascularizaçãoaumentada
em
75%,
líquidono
ouvidomédio
em 91%
eretração
em
apenas 5,3 %*°. Filizzola et al por sua vez encontraram17%
dasmembranas
normais,23%
retraídas,17%
opacas,7%
hiperêmicas e3,9%
com
nível líquido”.Em
2001 oMRC
Multi-Centre Otitis
Media
StudyGroup
encontrou12%
de seus pacientescom
retração timpânica”.Em
nosso estudo encontramos alterações
na
cor e brilho(67%)
compatíveiscom
o primeiro destes eretração
(17%)
eaumento
da vascularização (5,2%) compatíveiscom
os dois últimos13'15'26. Essasvariaçoes por vezes bastante significativas
da
literaturacomo
um
todo e desta por sua vezcom
este trabalho
poderiam
significarum
víciona
descriçãodo
exame
por parte dos médicos,que
documentariam
apenas as alterações mais significativas, ignorando outros dadosou
alteraçõessutis
do
exame. 'A
imitanciometria mostrou-seum
exame
de grande valiano
diagnóstico deOMS.
Chinski etal encontraram
93%
de seus pacientescom
curva tipoB
de J erger, e7%
com
curva tipoCm.
Camacho
et al e Isaac et al encontraram todos os seus pacientescom
efusãono
ouvidomédio
C8'“'“. Esses dados,
confirmados
em
nosso trabalho(2,7%
tipo A,80% B
e16%
C),mostram
a importância da imitanciometriana
confirmação
diagnósticaquando da
dúvida à otoscopia,justificada pela maior sensibilidade e especificidade
da
primeira,além
de seu valor prognóstico ena
avaliação do sucesso cirúrgico”. Suas desvantagens são a necessidade deum
conduto auditivolimpo,
sem
perfilração timpânica e de colaboração da criança, aindaque
em
graumenor
do que
aaudiometria,
tomando
ainda a otoscopiaexame
de escolha e suficiente para o diagnóstico deOMS,
principalmentequando
realizada por profissional experiente7.Dentre as operações analisadas por
Souza
et al,69%
cursaramcom
adenoidectomia associadae
13% com
adenoamigdalectomia associada, sendoque
apenas16%
cursaramsomente
com
a colocaçãodo
tubo de ventilação, estas últimasem
pacientes adultosou
com
adenoidectomiaprévia”. Essa alta frequência de adenoidectomias associadas se repetiu
em
nosso trabalho(91%)
ese justifica pela importância atribuída às adenóides
como
fatorque
causa obstrução,mantém
infecção
ou
bloqueia adrenagem da
tuba auditiva”.A
adenoidectomia é, então, fundamentalpara melhorar os resultados
da
intervençao, independentedo
tamanho da
adenóide9.A
cura foi obtida porSouza
et alem 76%
dos pacientes,com
os demais necessitandode
atéseis reoperações“.
Em
nosso trabalho foi alcançada a curaem
86,%
das crianças,com
asdemais
precisando de
uma
ou
duas reoperações.Apesar
de apenas ligeiramente superior aoda
literatura,esse nosso índice de cura
pode
estar sendo superestimado pelo nosso conceito de cura,que
serefere a todos pacientes
que
não -foram reoperados, incluindo dessafonna
pacientesque não
foram
acompanhados
por esse serviço. após a cirurgiaou que
ainda estavamna
fila parauma
reintervenção.
De
qualquerfonna
o fato de esse ser o único serviço públicona
nossa região arealizar esse procedimento e a semelhança
com
a literatura falamem
favor de nossos resultados.Por final, gostaríamos de ressaltar que
algumas
variações encontradas entre a literaturaestudada e nossos resultados
poderiam
ser explicadastambém
por diferenças de raça, etnia,fatores de risco, disponibilidade de serviço de saúde,
métodos
diagnósticos, frequência deexames
6
CONCLUSÕES
Há
predominânciado
sexo masculino entre os casos operados.Há
decréscimo das cirurgias a partir dos sete anosde
idade. 'A
hipoacusia é a queixa otológicamais
frequente.Os
sintomas respiratórios obstrutivos são omotivo mais
comum
de procurado
serviço.-_
Ao
exame
otoscópico as alterações de cor e brilhoda
membrana
timpânicaestão presentes
na
maioria dos pacientes.A
A
adenoidectomia éamplamente
associada à colocaçãodo
tubo deventilação
como
método
auxiliar de tratamento.A
grande maioria dos pacientesnão
necessita de novas intervenções cirúrgicas.Foi utilizada a nonnatização para os trabalhos de conclusão
do
Cursode Graduação
em
Medicina,
conforme
RESOLUÇÃO
n° 001/2001 do Colegiadodo Curso
deGraduação
em
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theUK
trial (Target). Clin Otolaryngol 2001; 2ó(5)z 417-20.APÊNDICE
Tabelas
com
os resultados detalhados.TABELA
2
-Queixas que
levaram
os pacientes
ao
médico
Queixas
N°
de pacientesPorcentagem (%)
Hipoacusia
Otite
média
de repetiçãoSintomas Respiratórios
Outras infecções respiratórias de repetição
Otalgia Otorréia
Défict
atenção/aprendizagem Prurido Nasal Rinolalia Plenitude Auricular 43 522,2726
13,4784
43,52 19 9,84 8 4,14 6 3,10 3 1,55 2 1,03 1 0,51 1 0,51 Total 193 100Fonte: 'SAME do HIJG, 1997 - 2001.
Aspecto da
MT
N°
de otoscopiasPorcentagem (%)
MT
ambar
179 67,54Aumento
da Vascularização Retraída - BrilhanteNormal
Abaulada
Nível líquido Secreçao Perfurada 14 5,2846
17,35 12 4,52 4 1,50 4 1,50 3 1,132
0,75 1 0,37 Total265
100TCC
N-ChaimTCC UFSC
CC
0377UFSC
Autor:T
emes, FemandoJCC
Título: Oti_§e pgšgia secretgra..IIIIII IIII IIII ll
EX ` 1 972800969 Aó. 253199
E×.1 UFSC Bsccsm