íiwm.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIENCIAS DA SAÚDE
_ ,
- ,
I
DEPARTAMENTO DE CLINICA MEDICA
HANsENíAsE Em sANTA cAfAR1NAz AsPEcTos EP1DEM1oLÓc1cos - MEDICINA - Florianópolis, novembro de 1988. _ fii.-É 4
L
. . Ú1
_ -4.
~~.L.'._¡.| . Al ILLI' . . ä ; x I I .ÍUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA cENTRo DE CIÊNCIAS DA sAÚDE
DEPARTAMENTD DE CLÍNICA MEDICA
HANsENíAsE EM sANTA cATARINAz AsPEcTos EPIDEM1oLÓcIcos
PETER CARLOS KUHR
ANTONIO FERNANDO NASTRI NOGUEIRA orientadores; Lúclo José DDTELHD
MARIA ERNESTINA MAKDWIECKY
- MEDICINA _ 12ë Fase Florianópolis, novembro de 1988. T l T T Í Ô Í š Ê š z 5 .-¬-.¬.-v`.‹-›`...._ É T ... _. .. __v .-...›.-¬.. Ê -..\-.»-š É 1 T
que é dos outros e ficou preso dentro de
nós. Aí está uma das descobertas funda-
mentais do ser humano.
Descobrir e ocupar o próprio espaço é encontrar a verdade existencial: no bom e no ruim que tenhamos. E ocupar com material próprio tudo o que somos e fa-
zemos. É encontrar e seguir o próprio destino _.. Não o destino no sentido fa- talista. Mas o destino no sentido da des tinação profunda do que somos, fazemos
e queremos."
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a todas as pessoas que colaboraram na realização
deste estudo:
- Ao professor e amigo LÚCIO JOSÉ BOTELHO, pela orientação.
- A sra. MARIA ERNESTINA MAKOWIECKY, Chefe do Serviço de Der
matología Sanitária do Departamento Autônomo de Saúde Pública(DSP) pela co-orientação e disponibilidade, bem como pelas preciosas ig
formações a respeito do Programa de Controle da Hanseníase em San
ta Catarina.
- A ROSEMARY,analista de sistemas da Secretaria da Saúde,pe-
lo fornecimento dos dados referentes ao Estado na série histórica.
- Ao pessoal da Secretaria do Planejamento (SEPLAN),pela dis
ponibilidade e auxílio na obtenção de dados referentes a popula-
çao.
- A sra. MARLY DE OLIVEIRA PIAZZA, assistente social da e-
quipe do Serviço de Dermatologia Sanitária, pela visão real de-
monstrada a respeito do fenômeno estigmatizante representado pela
_ Ao Professor CARLOS EDUARDO PINHEIRO, pela disponibilidade
e atenção.
- A MARIA HELENA JAEGER pela atenção, disponibilidade e da-
tilografia.
- E a todas as pessoas que de alguma forma contribuiram oara
a realização deste trabalho.
I
I II III IV V VI VII VIII ÍNDICE RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . .. MATERIAIS E MÉTODOS . . . . . . _. REsuLIAOOs . . . . . . . . . . . .. OIsOussAO . . . . . . . . . . . . . . .. OONOLUSOES . . . . . . . . . . . . . .. ABSTRACT . . . . . . . . . . . . . .. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .
Os autores realizaram um estudo descritivo-analítico a res-
peito da situação epidemiológica da Hanseníase no Estado de Santa Catarina, no período de 1977 a 1987.
Os dados necessários para a análise foram obtidos no Serviço
de Dermatologia Sanitária (SDS) do Departamento Autônomo de Saúde Pública (DSP) e avaliados conforme alguns indicadores epidemioló
gicos preconizados pela Organizaçao Mundial da Saúde (OMS) para o
estudo da Hanseníase.
A prevalência da doença no Estado foi de 0,62/1.000 hab. O
maior valor foi encontrado no 19 Centro Administrativo Regíonalde
Saúde (CARS) (1,U6) e o menor no 79 CARS (0,29). A forma clíni¢ap“
_ z ' f '
._._.__.."-.. \;
mais freqüente no Estado foi a Virchoviana, com 58,46% dos casos.
Os indicadores epidemiológicos analisados, sugerem que a
doença apresenta tendência estacionária no Estado. A situação re-
velada no 79 CARS sugere que nesta regional deva ser feita uma in
vestigação epidemiológica mais apurada, pois pode haver subnotifi cação importante. Já no 29 CARS observou-se uma tendência progres
siva de declínio da endemia, talvez por migração para o vizinhoes
8
05 autgres sugerem que sejam intensífícadas as atividadesde
controle da Hanseníase, em todos os níveis de atuação do progra-
ma, no Estado. z ó | Í l â | x r
Hanseníase ou lepra é uma doença infecciosa de evoluçao crõ nica, cujo agente etiológico é o Mycobacterium leprae, bacilo al-
cóol acido resistente (pela coloraçao de Ziehl-Nielsen) demonstra
do por Hansen em 1873.
Seu periodo de incubaçao pode ser de até 8 anos. Seu curso
clínico depende da resposta imunológica do individuo infectado,seu
comprometimento se dá principalmente a nivel de sistema nervosope
riférico, produzindo lesões cutâneas de caracteristicas anestési-
. . (4 14)
cas e deformantes, preferencialmente em extremidades. '
E uma doença conhecida desde os primórdios da humanidade, ha
vendo relatos a seu respeito que datam de 2.000 a.C., bem como na
. . (14) , . . _ . .
Biblia. A doença e associada, ate os dias atuais, com impureza
e castigo divino, conferindo-lhe caráter estigmatizante,levando ã
. . . _ . . (17)
incapacidade em niveis psicosociais e fisicos em alguns casos.
0 M. leprae é um parasita intra-celular obrigatório (macró-
fagos, células de Schwann) de reprodução lenta (10 a 14 dias), o
que justifica a evolução crônica da doença.(m)
A transmissão se dá por contato direto, através de gotículas
I | I I i I « I I › i É
10
de saliva, secreção de mucosa nasal, lesões ulceradas de pele,lei te materno e secreção sebácea, atingindo pele com solução de cog
. _ . . . (4.
tínuídade e mucosas (principalmente nasal) do individuo sadio.
1U
O contato domiciliar é considerado importante na transmis-
são da Hanseníase, sendo que a incidência é de 5 a 8 vezes maior
neste tipo de contato do que no extra-domiciliar.(4nhJ6)
O tratamento dos doentes e o exame dos comunicantes (princi-
palmente familiares) devem ser os principais elementos utilizados
_ .
'
(12)
na profilaxia da doença.
A doença não se desenvolve em todos os individuos que entram
em contato com o M. leprae, mas apenas naqueles com resposta imu-
nológica alterada. Esta susceptibilidade é geneticamente determi-
nada, variando individualmente, e pode ser avaliada pelo Teste de
Mitsuda.
W"
Este teste consiste na inoculação intradénmca de bacilos de
Hansen mortos, sendo a leitura feita 21 a Bürfias após. U Teste de
Mitsuda permite ainda avaliar o prognóstico da doença caso ela se
. (4 14 16)
manifeste. ' '
A Hanseníase foi classificada em 1953, no VI Congresso ln-
ternacional de Leprologia, realizado em Madrid, em dois tipos "po lares" (Virchoviana e Tuberculóide) e em outros dois grupos (In-
determinado e Dimorfa [Borderline]); considera-se multibacilares
ou contaminantes as formas Virchoviana (V) e Dimorfa (D) e pauci-
bacilares as formas Tuberculóide (T) e Indetermínada (I).(M
São fontes de infecção os doentes com baciloscopía (+) para
1 z I 1 š › ú ‹ É ‹ 4 v i Í
a.A.A.R. ‹mu11;iba¢i1a1~es>.“')
Indivíduos Mitsuda (-) (resposta imunológica insatisfatóriaL
ao adquirirem a infecção, desenvolverão formas multibacilares.Por
outro lado, indivíduos Mitsuda (+) (resposta imunológica satisfa-
tória), se adquirirem a doença, esta se manifestará em formas pau
cibacilares. Se o resultado do teste for duvidoso, o individuo po
, _ , , (4 11 14 16)
dera desenvolver formas multi ou paucibacilares. ' ' '
Considera-se que a doença se propagou a partir de dois focos
primitivos (India e Egito) para o restante do mundo}4) Manteve-se
em alta prevalência na Europa durante a Idade Média, decaindo aos
poucos a medida que nos aproximamos dos dias atuais. Atualmente a
.r _ . _ . (14)
doença se concentra em regioes tropicais e equatoriais dormmdo.
A Organização Mundial de Saúde (0MS) considera como de alta
prevalência as áreas com valores acima de 1 caso por 1000 habi-
tantes. Como de média prevalência, entre 0,2 e 1,0 casos por 1000
habitantes e como de baixa prevalência, abaixo de 0,2 casos/1000 habitantes. Areas com prevalência superior a 10 casos por 1000 ha
. - . . . . (4 6 10 14)
bitantes sao consideradas hiperendemicas.
"
'Existem no mundo cerca de 10 a 20 milhões de indivíduos afe-
tados pela Hanseniaseƒw)¡\Europa e América do Norte são áreas de
baixa prevalência, com exceção do México, onde há áreas de média
e alta prevalência. A Asia é área de alta prevalência, havendo lo
cais de hiperendemicidade como Birmânia, Bornéu e Estados Malahm. A Oceania é também região de alta prevalência com áreas de hiper- endemicidade, com exceção da Austrália.(4) Na América Central,tam
bém área de alta prevalência, a maioria dos casos se encontram em
Salva-12
_ (4)
dor e Porto Rico.
Na América do Sul, as Guianas são áreas de alta prevalência, Argentina, Bolívia, Venezuela e Colômbia são de média prevalência
(M
-0 Brasil é o A9 país do mundo em número absoluto de casos(x
14% 239 328 casos em registro ativo em 31 de dezembro de1987,sen-
do área de alta prevalência: 1,64/1000 habitantes em 1985h4) e
1,7/1000 habitantes em 87.u5) Há uma tendência de aumento da en- demia, com aumento do número de casos em menores de 15 anos, prin
cipalmente na região Norte “A)e Nordeste, e menor acometimento,
desta faixa etária na região Sul, Também a prevalência obedece á
variações regionais (0,2 a 12,9/1000 hab.§M'B)
A maior prevalência verifica-se na região Norte (4,6/10m¶mb.L
~
sendo que Acre e Amazonas sao estados hiperendêmicos: (11,2 e12,9
por 1000 hab.) respectivamenteƒóflonhns)
A região com o maior número de casos da doença é a Sudeste,
(44,8% do total de casos do pais). Porém nesta região a população , _ . .S (5 14 15) . . .
e muito superior a da regiao Norte. ' '
A menor prevalencia e
_ . , , ( ) _
verificada no Nordeste(91” (Paraiba = 0,21/1000 hab.13) seguidape ia região sui (Rio Grande ao sui z o,à2/iooo nan. (8'15)
Em 1987 foram registrados 19.685 novos casos da doença no
país (incidência de 14,2/1ml000rmb), sendo que as maiores taxas são da região Norte (42,27/100_000 hab.) e Centro-0este (35,27/
100.000 hab.). A região Sudeste contribuiu com 35% dos casos no- vos do país. Na região Sul, a incidência foi de 6,31/100.000 hab¬
sendo que a do Rio Grande do Sul foi a menor.“5)
É 1 É Í ‹ 1 T a 1 I š 2
A endemia apresenta uma taxa de crescimento anual de 5,06%,
principalmente as custas da região Nordeste, (10,27%). As menores
são encontradas nas regiões Sudeste (3,31%) e Sul (3,78%).“hn5)
Santa Catarina é um estado de média prevalência (O,65/1000 hab.)“4{ sendo a distribuição da doença irregular nas regiões do
estado. O estado é dividido em Centros Administrativos Regionais
de Saúde (CARS). A
O objetivo deste estudo é verificar a situação epidemiológica
da Hanseníase em Santa Catarina, procurando observar a realidade
regional. ' 4 ‹ r 5 X z . É 1 Í l É
111 _ MATERIAL E
Mámoos
Ds autores realizaram um estudo descritivo-analítico, a res-
peito da situação epidemiológica da hanseníase no estado de Santa Catarina, no período de 1977 a 1987.
D estado é dividido em 7 Centros Administrativos Regionais
de Saúde (CARS), com sedes nas seguintes cidades:
19 29 39 49 59 69 79 CARS CARS CARS CARS CARS CARS CARS - Florianópolis . _
Af-
/“A7 - Joinville »«/ `“I¡ 1P'/*gp
1 . .,fv`\“”"^
f\\ *-”`i - Criciuma ¿É.`“
“\ v11 1 , v1 v \ , I ¿ . /_* \ x - L 8 Q 8 S L/_\/`^\z-\f›\ fl I ' \` \, 'M I V ` .Ã ' _ ` - Joaçaba \Yf z s\»~_ - Chapecó“--/
111/ z /' - Blumenau 2 ,f HA,Ds dados necessários à realização do estudo, foram obtidos
no Serviço de Dermatologia Sanitária (SDS) do Departamento Autô-
nomo de Saúde Pública de Santa Catarina (DSP), através da Unidade
de Documentação e Informática da Saúde (UDIS), e consistiram de:
a) Número de casos em registro ativo (1987), por CARS e sua
1 Í 1 1 z l 1 A z 1 Í Â É I ! › 1
distribuição por forma clínica;
b) Número de casos novos descobertos por ano, CARS, se×o,fqr
ma clinica e idade superior ou inferior a 15 anos;
c) Modo de descoberta de casos novos por ano.
Para análise destes dados utilizaram-se alguns indicadores epidemiológicos para hanseníase, preconizados pela OMS e Ministé-
, ( . .
rio da Saude, IM que consistiram de:
a) Modo de descoberta de novos casos da doença, que pode ser:
por transferência (casos transferidos de outros estados), por exame de contato (vigilância epidemiológica), por no-
tificação (o médico diagnostica e comunica, por notifica-
ção, ao Serviço de Saúde), por consulta (o paciente pro-
cura diretamente o serviço de dermatologia sanitária) e
por outros meios (encaminhamentos);
* I n u
b) Prevalencia = numero de casos em registro ativo ×1U00rmb.
População em 31 dezembro de 1987
cuja utilidade é medir a magnitude do problema.
c) Coeficiente anual de detecção de casos novos (incidência D/100.000 hab.)
** Eúmero de casos novos descobertos no ano ×1OU.mI)hab.
População 31 julho de 1987
Utilidade: determinar a tendência e medir a intensidade
das atividades de detecção.
d) Proporção de casos novos da forma T em relação aos casos
* Casos em registro ativo: casos existentes em registro nesta data, saldo dos casos vindo do ano
anterior, mais os casos que deram entrada, menos os que sairam (curas, óbitos, transferências, altas estatisticas, erros de diagnóstico e múltiplos registros), no ano de referência.
** Casos novos são aqueles incluidos no registro pela primeira vez.
z 1 Í ‹ 1 \ I I v } Ê « ‹ x 1 i v
16
V -+ D -+ T = Casos novos da forma T x 100
Casos novos das formas V+D+T
Utilidade: determinar a tendência da endemia. e) Proporção de menores de 15 anos =
Qasos novos em menores de 15 anos × 100
Total de casos novos
Utilidade = determinar a tendência da endemia. Foram ainda utilizadas as seguintes relações:
- Relação entre os casos novos das formas baciliferas (V+D)
e não bacilíferas (T e I).
- Distribuição por forma clínica.
0 passo seguinte foi consultar os Anuários Estatísticos do
IBGE (1,2), através dos quais chegou-se ã população por CARS em
31 de julho de 1970 e 1980.
Para chegar-se à população de cada CARS, por ano no período
de 1977 a 1987 utilizou-se uma fórmula para cálculo de projeção
da população:
Pn + 1 = Pn (1+R), onde:
- P (n+1) = população do ano a ser obtido
- Pn = população do ano anterior ao ano desejado
- R = um valor constante, calculado para cada CARS, sendoque
/ía»
foi obtido pela fórmula: R
=\ÚV Pao- 1 Pvo 1 É I 1 Í . . A . 1 s › \ Â 1 Ê ¡ I
P80 = população do CARS pelo censo de 1980
P70 = população do CARS pelo censo de 1970
Obs.: Para o cálculo da população nos anos de 1977, 1978 e
1979 por CARS, utilizou-se o seguinte artifício mate-
mátíco: Pn + 1 : Pn (1 + R)
-à
Pn = Pn + 1 (1+R) Assim exemplifícandoz P802 P-,9 P79 = Pao Í1+R5Para o cálculo da população em 31 de dezembro de 1987 (para
encontrar a prevalência), projetou-se a população para 1987 e198&
utilizando a fórmula já referida e dividiu-se por 2 a soma dos
dois valores encontrados, pois seria a metade do tempo para a
~
qual foi projetada a populaçao.
Foi então possível realizar o cálculo dos indicadores epide-
miológicos e das relações deste estudo, que estão representadas
em gráficos e tabelas.
Os resultados encontrados foram então analisados na discus-
IV - RESULTADOS
Neste estudo observou-se, no decorrer da série hístórica,que
54,75% dos casos ocorreram no sexo masculino, enquanto que 45¿M%
ocorreram no sexo feminino
A distribuição dos casos novos oor ano segundo 0 modo de des
coberta está descrito na T
ó
6
abela I.
TABELA I
DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DOS CASOS NOVOS POR ANO SEGUNDO O MODO DE DESCOBERTA
AIQO MODOS DE DESCOBERTA (%) 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1986 1985 1986 1987 N0T1F1cAçA0 E×AMEs os c0N1AT0 c0N5uL1A 0u1R0s M5105 1RANsFERENc1A _ REc101vA _ 0u1RAs RE1NcLusDEs _ NÃ0 EsPEc1F1cAo0 _ 12,24 19,80 27,18 14,28 9,24 11,56 9,89 8,72 6,59 2,50 7,69 10,20 17,82 18,44 20,87 19,52 19,72 21,87 20,80 22,52 15,62 26,57 51,02 58,61 56,89 57,56 52,10 51,70 52,60 49,66 55,84 62,50 49,65 26,55 25,76 17,47 27,47 19,52 17,00 15,62 20,80 15,95 15,75 5,49 0,52 5,62 12,58 0,52 _ _
FONTE: Unidade de Documentação e Informática (UDIS), Secretaria da
Catarina (SS-SC), Foolis-SC - 1977 a 1987.
coberta mais freqüente em todo o decorrer da série histórica 01 Analisando a tabela anterior, observamos que o modo de des-
8 CONSULTA.
Na Tabela II observa-se a prevalência por CARS:
TABELA 11
PREVALÊNCIA Poa cARs
(D/1.000hab )
REGIAO N9 DE cAsos EM PREVALÊNCIA
REGISTRO Arrvo (P/1.000/HAB )
19 29 39 49 59 59 79 CARS CARS CARS CARS CARS CARS CARS 657 441 549 165 194 461 232 TOTAL DO ESTADO 2699 1,06 o,55 0,88 0,53 o,ú2 0,61 0,29 0,62
FONTE: UDIS, (SS-SC), Fpolis-SC - 1977 3 1987.
A prevalência total do Estado foi de 0,62/1.000 hab. A maior
prevalência foi encontrada no 19 CARS, com 1,06/1.000 hab
menor no 79 CARS, com 0,29/1.000 hab.
O maior número de casos em registro ativo foi encontrado no
20
No gráfico I observa-se o coeficiente de detecção anual de
casos novos, por CARS e por ano.
Na Tabela III observa-se a distribuição percentual dos casos
de Hanseníase em registro ativo segundo a forma clínica, por CARS
TABELA III
DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS CASOS DE HANSENÍASE EM REGISTRO ATIVO
SEGUNDO A FORMA CLÍNICA, POR CARS
F0RMA
cLIN1cA (2) v1RcH0v1ANA 01M0RFA TUBER- 1N9ETER- “A0 ESPE- TOTAL
CULÓIDE MINADA CIFICADA (%)
REGIÃ0 EsTA00 `|9 29 39 A9 59 69 79 TOTAL DO ESTADO CARS CARS CARS CARS CARS CARS CARS 66,21 58,95 55,50 45,05 50,51 57,26 65,79 58,46 6,08 5,48 5,6ú 6,66 8,24 8,45 2,15 5,7A 18,a1 22,22 17,85 2321 21J5 12,79 27,15 19,08 8,52 12,69 25,55 28,48 18,55 21,25 6,89 16,19 0,76 0,68 0,18 0,60 1,5ú 0,21 0,56 1OO TOU 1OO 1OO TOO 1OO 1DO 1OO
F(I¶TE: uors, (ss-sc), Fpúlis-sc _ 1977 a 1987.
A forma clínica mais freqüente, em todas as regiões do Esta-
do foi a Virchoviana. No total do Estado, a proporção entre as
formas Tuberculóide e Indeterminada, se aproximam.
No 19, 29, 59 e 79 CARS, a 29 forma clínica mais freqüente
foi a Tuberculóide, enquanto que no 39, A9 e 69 CARS foi a Inde-
terminada. 1 I › 1 E t s í J E 1 1 1 1 I É 1 1 1 1
0 79 CARS foi a região com maior proporção de casos da forma
Tuberculóide, em registro ativo.
Na Tabela IV observa-se a proporção de casos abaixo de 15
anos entre os casos novos por CARS e por ano.
TABELA IV
PROPORÇAO DE CASOS ABAIXO DE 15 ANOS ENTRE OS CASOS NOVOS
POR CARS E POR ANO
ANO DA SERIE HISTÓRICA (%) 1977 1978 1979 1980 1981 1982 19831986 19851986 1987 REGIÃO DO ESTADO
m
29 39 89 59 59 79 101AL oo Es1Ao0 6,34 1,68 3,96 CARS CARS CARS CARS CARS CARS cÀRs 7,69 - 5,88 - 10,00 16,20 13,60 13,04 _ _ spo 255 1311 _ _ 9,09 20,00 - 25,00 n,n 293 9 7 7 758 52 555 75a _ 75a Jú _ 12,82 8,92 ,69105o 5,92 6,63 7,89 - - 3,33 3,33 _ _ _ 352 759 _ 3,57 12,0 4,56 15,38 zoo _ 252250 _ 1666 2,30 2,A3 656 558 256 354 3,68 _ 2900 _ 350 450 _ 256 555FONTE: UDI5 (SS-SC), Fpolís-SC - 1977 a 1987.
~
0 maior valor na proporçao de casos abaixo de 15 anos entre
os casos novos foi de 6,63% em 1982, enquanto que o menor foi de
1,68% em 1978.
De 1980 a 1982 observa-se um pico neste valor proporcional (5,93% em 1980, para 6,63% em 1982), apresentando uma brusca que
da em 1983, com 2,30%, que continuou até 1987.
1 1
22
O 79 CARS foi a regional com maior proporção de casos novos
abaixo de 15 anos, chegando a 16,66% em 1974.
No 29 CARS, observa-se uma queda progressiva e regular
~
da
proporçao de casos novos abaixo de 15 anos, que passou de 14,20%,
em 1978 para 0% em 1983, valor no qual se manteve até 1985.
~.
Na tabela V observa-se a proporçao de casos novos da forma T
~
em relaçao as formas V + D + T, por CARS e por ano.
TABELA V - PROPORÇAO DE CASOS NOVOS DA FORMA T EM
RELAÇA0 As FoRMAs v+0+T, R0R CARS E P0R AN0
ANO DA sÉR1E HISTÓRICA % REGIAO DO ESTADO 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 VM 19 CARS 29 CARS 39 CARS 49 CARS 59 CARS 69 CARS 79 CARS TOTAL DO ESTADO 15,58 25 20,00 50,00 25,00 56,56 - 50,00 66,66 71,42 25,00 21,42 55,55 20,00 28,57 29,89 17,64 75 25,07 25,52 58,88 51,57 55,29 55,55 47,56 _ 42,85 25,00 57,50 55,55 18,18 18,75 15,55 7,69 40,00 55,55 25,24 55,41 25,55 12,50 40,74 16,66 54,54 19,04 17,02 20,00 25,41 51,51 25,00 25,00 18,75 5,88 25,52 57,50 28,55 24 52 57 28,57 14,28 22,22 40,74 40,00 25,80 11,11 21,75 22,22 25,00 40,00 62,50 55,55 12,50 46,66 55,55 55,55 15,79 55,55 9,52 17,59 45,45 47,82 60,00 44,44 20,50 55,10 56,56 50,84 51,06 ,51,94 27,07 51,99 54,54 18,25 59,58 28,65
FONTE: uors, (ss-sc), Fpolíâ -sc _ 1977 a 1987
VM - Valor médio da proporção de casos T sobre V+D+T na série História,
l
d .. d. _
calculado pela soma das proporçoes de todos os anos a serie, 1v¿
didos por 11.
A proporção de casos novos da forma T em relação as formas V+ D+T variou de 20,30% em 1984 a 36,56% em 1986, sendo o valor médio
proporcional da série histórica 28,63%.
1 Í 1 1 r ¡ 1 r 1
No 79 CARS ocorreu o maior valor médio proporcional da série
histórica com 39,58% aumentando regularmente de 9,09% em 1981 oa-
ra 60% em 1986.
No Gráfico II observa-se a relação entre as formas bacilífe-
_R®®F Q >N®_ I ©W|mHJO&m _^QW¡mWV WHO: "WPZou <UHZOFWHI <QHIo%WHI WHZw@ OZ< NQ W® @® QQ ÊQ NQ F® QQ QN ®N HF WHIwW ímfiwüí WO fiw ¬, A ` ` _ _ 4 ` _ _ _ _ WF_MHE> QQ ÉS Nm PQ OQ GF GN ñ” &_Ê NÊ_@ A N_Ê _ NN_? N ?m_w í É Q @N_< NN_@ %©_W _m_N _ _ <®_N Fm_m Ê NN_Q"E> N®_m}JwA¬|I|h _@ Pfl_fi FO_ 3% _ O _ § OD_ ® @_H | HH WK<Q _ Q ‹ ^_DmC QOQ_OO_V ®C>QZ W©®<Q‹ ^_DmC OOO_OO_V mQ>QZ mOW<U OZ/1` ãn_ É/Õ NÊ :QI gqã “Ê _8äZ ggõ '
H
Sšš @®_Q i H WKQU _ N É Q Ú w > ® M_W®®_ < N§®_ I QW|WHJQ&k _^Q%|@WV WHQD HNPZQL <QHZOPWHI WQ ÚQ QQ ÊQ NQ _® QQ GN QN NNW WHImW <D OZ< NQ WG ÚQ QQ ÉQ NG PQ OQ MH QR NN T _ . Q _ mo; ÉN_N OQÚ N_ flQ_Ê W©_ _Q¿ W®_W §®_< €O_ Q_H I >H WI<Q Í . 4
A
DMC QDO DQ_V WO>DZ WGm<@ ?¿N QF_Q"Z> \ mig _ ÚW; N®_N Wfl_Ê ñ®_< @W_Q NN_ ` NQ_@ §N W Ni Q_% | %%% mm<U ^_Dmfl ODO_QO_V WO>O2 WOW<U_N®®_ < NN®_ I UWIWHJQQL _^Um|mWv WHOD umbzol <UHIOPWHI WHEwW <QHIohmHI <O OZ< N® QQ ÉQ Gm ÊQ NQ _® Q@ ®ñ Q5 55 ‹ _ _ _ * _ WN_@"Z> <D_Q ©¢_W NW; _ Qwâ NOK @_¿ WN_W
`
ñ®_W N <N_® L_H | H> mI<O @fi_® _ _ ‹A
Dmfl COD OD_v WQ>OZ WQW<Q WHINW <Q QZ< BQ WB ÊQ ¢® ÊQ NO PQ OQ %N ON 5% T Ó _ __ _ ` 4 b Í ñw O ®@_O _N NQ; NN; N: mW_N“Z> ®N_ñ N®_N _m_n Ofl_Ú ®ñ_® W_H | > mI<Q ^_DmC OOO_OO_V WQ>QZ WQWGQWHKNW GQHZOFWHI WM GQ QQ ÊQ Nm _® OQ MN ®§ NN _§®&_ < B%@_ I Q®|WHJQmL _^QW|WWV WHQD umbzch _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ mm; @N_M N¢_ _ Hph fi -_ ¡N ¡ M Ê : Q _ flW_Q NMK mim ®O Q OQQPWW QD J<hOh ^_Dm£ QOD_OO_V WO>©Z WOW<Q iq im 'w IN im tm ._ Wgmm ¶uQZ< QQ NG WQ ÚQ QQ ÉÊ NQ PQ QQ MN QP NF ÉS N|Z> . F _ _ ,V _ _ Q À _ 1 1 _ ` t BW _ QQ_O _ wq; mn; _ i F__ _ Wqä @m_ QN NÊ_@ QD É _N Q_H | HH) WI<Q l 1 À _] ' _
H
^
Dmfi ODO_OO_V WO>Qz mOW<UO Z< D2 O 0. z-× ›-‹
1-V
U7 <t EJ: UJ Lu. u-‹ _] ›-o O <£ 03 O FEZ L.|.| /Â O + > tl) CE II LJJ Lu. O-1 _] ›-1 U <I GJ U) <IZ E EE C) L¡. LD < L|.I K |-Z L|..I O |=E L) < _1 uJ DC ›-‹ ›-‹ C) (_) ›-‹ LL v<£ CE CJ Ok{\\\\\\\\\\\\\\\\\ñf*
N IJJ ›-4 (I '4.|J LD OZ y <Z{
h\\\\\\
\\\\\\\\\f
8{
R
V zwol>\
\\\
\
\
\
\\\\\\\\\
Í`{ |§\\\\
\
\
\\\L\
\\\\
\
\
\ \\\\*ä
R<\X<\\\\>\\¡\\\\\\\\\\\\\\\\\“*`°
Ê“{Iš\\\Í\\\\\\\\
K\\
\
\
\\\
\
\\\\
\
\*
N (D F'\ Lñ U1 O U7 <Z L) UJ D ZL\\\\\\\ \'\\\
\
\\\
\\\\\°°
,_ O Í“{L\\
\\\\\\\\\\*g?
R í Í"`{
LXQ\\\\\\\\\\\\\\\R
N\\{\\\\\
\
\\\
\
\f°@ O\ NKíšív
C) O O C) P'\ N '_ O «- v- v- «-I C) O O O O O O\ CD I" \O \l\ <|' Í Í I L C) O O |*'\ N P- <EDCDC
)- U1 <Z (_) ›-‹ ›-‹ I É KD f\ (D O\ v- <Z |\ |\ L) U7 I U) ›-0 .J O D.. LL. z` L) U7 I U) U1 \./ U7 ›-‹ D3 LU F-2 O U.0 Ministério da Saúde, baseado na 0MS, utiliza determinados critérios para a verificação da situação epidemiológica da hanse-
níase nas Unidades Federadas do Brasil.
Neste estudo (Tab. I), o mais freqüente modo de descoberta
de casos de hanseníase foi a consulta em toda série hisuhica, prin
cipalmente a partir de 1980. 0 trabalho é baseado no médico gene- ralista, sob supervisão de dermatologistas, estes em número muito reduzido.
Quanto à prevalência, observou-se neste estudo (Tab. II), o
valor de 0,62 por 1.000 hab. para o Estado, o que 0 coloca, den-
tro dos critérios da
0MSf4§J0nÀ›como
área de média prevalência.Esta varia conforme as regiões do Estado, sendo o maior valor o
encontrado no 19 CARS (106/1.000 hab.) e 0 menor no 79 CARS (0,2%/
1.000 hab.). Há de se ressaltar que todas as regiões são áreas da
no minimo, média prevalência.
A situação do 19 CARS pode ser atribuida á presença, nesta
região, do Hospital Colônia Santa Tereza, que recebe, desde sua fundação, pacientes encaminhados de todo o Estado, sendo que, pe-
30
na região. Neste CARS, ainda, encontra-se a capital do Estado,que
atua como oolo de atração de doentes, em busca de serviços médi-
cos melhor qualificados.
O coeficiente anual de casos novos (incidência o/100.000hab.L
devido ã características próprias da hanseníase, avalia a caoacida
_ (14) .
de de serviço na descoberta de casos da doença. Portanto, servi
ços melhor estruturados, na área da hanseníase, tendem a detectar
maior número de casos da doença.
Observa-se no Gráfico I, que ocorreu um aumento na descober-
ta de casos novos no oeríodo de 1981 a 1984, de maneira geral .no
Estado, o que coincide com um conhecido incremento das atividades
do serviço, neste período.
Neste estudo, o coeficiente médio de detecção de casos novos
no Estado foi de 3,85, sendo o maior valor médio o encontrado no
69 CARS (5,76) e o menor no 79 CARS (2,U3).
Verifica-se que melhorias estruturais eoisódicas no serviço,
acompanham-se de aumento da descoberta de casos novos,como o ocor-
rido no 69 CARS, onde houve um trabalho educativo no oeríodo aci- ma referido.
Já a realidade encontrada no 79 CARS Dode não refletir a si-
tuação real da doença, devido a conhecidas dificuldades estruturam
do serviço.
Analisando a distribuição por forma clínica (Tabela III), ob-
serva-se no Estado, o predomínio da forma Vírchoviana (58,46% dos
casos), seguido pela Tuberculóide (19,08%), Indeterminada (16,19%)
I Í s 1 I 1 1 I t Í 1 Í i L z 1 ‹ I z
a Virchoviana foi a Tuberculóide no 19, 29, 59 e 79 CARS, e que
no 39, 49 e 69 CARS a forma Indeterminada foi a mais freqüente a-
pós a Virchoviana. Assim nestas três últimas regiões, os serviços
de saúde parecem estar detectando casos da doença em fase mais inicial, sugerindo uma melhor estruturação do serviço nestes
CARS.
~
A proporçao de casos em menores de 15 anos, entre os casos
novos, quando superior a 8% é compativel com alta endemicidade,iQ
dicando que uma parcela importante da população é infectada pre-
(14)
cocemente.
E fato conhecido que até os 14 anos, os casos da doença são
descobertos predominantemente pela vigilância sanitária.(” Desta maneira o autor questiona se há um menor preparo dos pediatras pa
ra o diagnóstico ou um comportamento real da doença, que se mani-
festaria predominantemente em adultos. Já o autor(8)reforça a i-
déia de aumento progressivo do rísco de adoecer com a idade.
Neste estudo (Tabela IV) observa-se que, no decorrer da sé-
rie histórica, o maior valor encontrado na proporçao de casos a-
baixo de 15 anos foi de 6,63 em 1982 e o menor 1,68, em 1978.
Observa-se ainda que no periodo de 1980 à 1982 houve um pico
deste valor (6,63% em 1982) para a seguir declinar bruscamente em
1983 (2,30%), apesar da incidência deste ano ter sido a maior re-
32
A partir de 1984 observa-se menores incidências, o que con-
tinuou até 1987. Porém neste ano, apesar da queda da incidência, observou-se um aumento na proporção de casos abaixo de 15 anosdia
gnosticados.
Assim, analisando a situação global, através da prevalência,
~ ~
incidência e distribuiçao por forma clinica, nao se evidencia nem
aumento, nem declínio da endemia neste periodo, sugerindo que a
~
variabilidade encontrada na proporçao de casos abaixo e acima de
15 anos, não está diretamente relacionada ã variações na história
natural da doença, mas sim ã oscilações na estrutura do serviço e
~
na procura deste por parte da populaçao.
No 79 CARS observa-se uma situação particular. Sua üxfidência
se mantém baixa durante toda a série histórica, o que pode ser de
vido a dificuldades estruturais lá existentes, já referidos ante-
riormente. Porém, foi a regional com maior proporção de diagnós-
ticos abaixo de 15 anos, chegando a 16,66% em 1984, o que sugere
uma tendência à alta endemicidade, apesar dos baixos coeficientes
de detecção de casos novos. Assim, fica reforçada a idéia já refe
rida de que a situação da endemia não é real, inclusive devendo -
se realizar esforços no sentido de melhorar as atividades de de- tecçao, pois esta pode ser uma regiao de alta endemicidade, des-
conhecida, onde pode estar ocorrendo grande subnotificação.
Outra situação particular ocorreu no 29 CARS. A incidência
Ê
companhou a tendência estadual, com pico das atividades de detec-
ção no periodo de 1981 a 1984. Porém a proporção de casos abaixo
de 15 anos declinou regularmente de 14,20% em 1978 para 0% em 1983, valor no qual se manteve até 1985. Considerando que o ser-
viço detectou número razoável de casos, principalmente no periodo
1 1 « › 1 v 1 1 ‹ ! Í 1 1 . l I 1 1 i 1
acima referido, esta diminuição progressiva pode significar uma
~
tendência a declínio da endemia na regiao, talvez devido à migra-
ção para o Estado vizinho (Paraná).
A análise destes indicadores ratifica a necessidade de cam-
panhas de divulgação da doença à nível médico, paramédico e popu-
lar em geral, cujos resultados podem ser avaliados ao se analisar
o 69 CARS.
A proporção de casos novos de forma T, em relação aos casos novos V + D + T, quando maior que 40%, indicam que mesmo as
pes-~
soas imunocompetentes estao sendo acometidas, possivelmente por
. - » . . . . )
exposiçoes frequentes ao bacilo, em meio de alta endemicidadefu
Analisando a situação do Estado (Tabela V), observa-se que a
›
‹
¡
`. z ` z , I
proporção se manteve proximo a media da serie (28,63%), variando
de 20,30% (1984) a 36,56% (1986).
Estes dados sugerem que a endemia no Estado apresenta ten-
dência estacionária, em comparação com o restante do Pais, além
do nivel endêmico ser de menor magnitude.
.
A nível regional, verifica-se que no 79 CARS, a média da sé-
rie histórica foi de 39,58%, aumentando regularmente de 9,09% em 1981 para 60% em 1986. Este dado mostra novamente a necessidadede
investigação epidemiológica criteriosa nesta região, pois a ende
~
mia pode estar em expansao.
A proporção entre casos das formas baciliferas (V+D) e não
bacilíferas (Gráfico II) mostra que houve predomínio das primei-
ras durante toda a série histórica. Observa-se que houve um
au-1
3a
mento da demanda no periodo de 1980 a 1984. Em 1985 foram diagnos
ticados muito maior número de casos das formas não baciliferassig
nificando um aumento na procura em fases iniciais da doença, oque demonstra os resultados do trabalho dos anos anteriores, fazendo
com que a relação numérica caísse de 1,82 em 1984 para 1,08 em
1985. Assim, em 1985, quase metade dos casos diagnosticados o fo-
ram em fase inicial da doença.
A análise de todas as regionais, à luz dos indicadores ante-
riormente referidos, mostra que na área da hanseníase, os melho-
res resultados foram obtidos pelo 39 e 69 CARS. Já no 59 e 79
CARS, o desempenho foi inferior, sugerindo que, nestas regionais,
há necessidade de uma reestruturaçao no serviço de controle da
hanseníase.
Acredita-se que exista uma "endemia Paralela" (oculta), que
retrata a realidade da doença que não aparece nas estatísticas o-
ficiais, devido a subnotificação de casos, aliado a falhas em to-
da estrutura de detecção e controle da doença.(m
›
~ ~
A 0PAS (Organizacao Pan-Americana de Saúde), órgao da OMS,
aplica fatores de correção sobre o número de casos de hanseníase,
em registro ativo. Estes fatores variam de 75 a 300%, segundo o
estágio de apuro dos programas de controle da doença em cada Pais.
Assim, a GMS recomenda que os valores conhecidos oficialmente de-
vem ser acrescidos de 75% quando os programas de controlesãotmns,
de 150% ou mais quando houver razoáveis programas de controle e
de 300% quando forem deficientes, o que é realidade na maioriados
estados brasileiros. Para o Brasil, é estabelecido o fator de cor
Assim a investigação da doença teria como meta uma diminui-
ção na diferença entre a endemía "oculta" e a registrada nos da-
dos oficiais. Em Santa Catarina esta diferença também deve exis-
tir, de maneira mais importante no 79 CARS, devendo-se, portanto, intensificar as atividades de controle da doença em todo o Estado
v1 - CONCLUSÕES
1 - Santa Catarina é um Estado de Média Prevalência da Han-
seníase, segundo os critérios da OMS. O 19 CARS é área de alta
prevalência, segundo os mesmos critérios, provavelmente devido a
presença nesta regiao do Hospital Colônia Santa Teresa e da Capi-
tal do Estado.
2 - A análise dos indicadores sugere que a endemia apresenta
tendência estacionária no Estado. As oscilações encontradas nos
indicadores, refletem a instabilidade no Serviço de Controle da
Hanseníase.
3 - O declínio progressivo da endemia no 29 CARS pode repre-
sentar uma migração de doentes para o vizinho estado do Paraná.
A - O melhor desempenho na área de Hanseníase, pela análise
dos indicadores epidemiológicos neste estudo foi encontrado no 39
e 69 CARS.
5 - No 79 CARS, pela análise dos mesmos indicadores epidemio
lógicos pode estar havendo tendências à expansão da endemia, tal-
vez mascarada pela subnotifícação e pelas dificuldades estrutu-
rais lá existentes. 1 I V š s r s 2 ›
Os autores sugerem: ›
1 - Que sejam íntensificadas as atividades do programa de Controle da Hanseníase,em todos os seus níveis, no Estado de San-
ta Catarina.
2 - Que o 79 CARS seja analisado criteriosamente, pois a si-
tuação demonstrada nos valores finais parece não corresponder a
realidade, podendo estar ocorrendo subnotificação.
‹ w \ z \ n ! l ¡ É 3 --... . l
VII-ABSTRACT
The authors realized an analytical-descriptive study concer-
ning to leprosy's epidemiological situation in the state of Santa Catarina, in the period of 1977 to 1987.
The necessary data for the analisys were obtained from the
sanitary dermathology service of the public health department and
evaluated according some epidemiologíc indicators preconized by
the World Health Organization for leprosy's study.
The leprosy's prevalence in the state of Santa Catarina was
0,62/1.000 inhabitants. The greatest index was found in the 1st
Regional Health Administrative Center (RHAC) (1,06) and the lower
in the 7th RHAC. The most frequent clinical form was the Virchovi
ana leprosy, with 58,46% of the cases.
The epidemiologíc indicators analisys suggest that the disea
se shows stationary tendency in the state of Santa Catarina. The
situation revelated in the 7th RHAC suggest that in that region a
more accurated epidemiologíc investigation has to be made because it could have important incomplete notification. On the other si
de a progressive tendency of leprosy decline was observed in the 2nd RHAC perhaps due to migration to the neighbour state of Para-
T 1 i Í 1 r É Ê Ê
flâ.
The authors suggest that the leprosy~'s countrol in the state
VIII - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANUARIO ESTATÍSTICO DO IBGE - SANTA CATARINA, Rio de Janeiro
Ministerio de Planejamento. Fundação IBGE, 1973.
ANUÁRIO Esrnrisrrco oo race - SANTA CATARINA, Rio de Janeiro
Ministerio de Planejamento, Fundação IBGE, 1983.
ASSEIS, E.A., TORNERO, N. et alii. Alguns Aspectos Sobre a
Hanseníase na Região de Londrina-PR, 1968-1978 - 1. Carac-
terísticas Gerais. HANSEN INT., 6(1):55-62, 1981.
BECHELLI, L.M. Leora. In: VERONESI, R. Parasitárias. 7. ed. Rio de Janeiro,
cao. 41, D. BA1-363.
Doenças Infecciosas e
Guanabara Koogan,1983
BELDA, W. Aspectos da Hanseníase na Area Urbana do Municíoio
de São Paulo - Hanseníase Indiferenciada, 1963-1977. W%BEN
INT., 6(1):25-50, 1981
BRITTO, R.S. Perfil da Hanseníase na região Norte, Biênio
1981/1982. HILEIA MEDICA. Belém, 7(1): 49-62, ago 1985.
CARTEL, J.L., NAUDILLON, Y. et alii. Eoidemiologia de la Le-
`ora en Guadalupe de 1970 a 1983. BOL. OF SANIT. PANAM. 98
(6), 585-547, 1985.
FERREIRA, J., BERNARDI, L. et alii. Controle da Hanseníase
num Sistema Integrado de Atenção de Saúde. BOL OF Smflí PA-
NAM , 95(6): 507-515, Dez, 1953,
FONSECA, P.H.M. Situação da Hanseníase em Alguns Estados Bra
sileiros - Uma Revisão da Literatura. ARO. BRAS. MED., 59
(2): 107-108, 1985.
GONÇALVES, A. Epidemiologia e Controle da Hanseníase, Brasil
Bor. or SANIT PANAM., 1o2(3)z 246-256, 1987.
JAWETZ, E. & GROSSMAN, M. Leora (Hanseníase). In: KRUPP, M. CHATTON, M.J., WERDEGAR, D. Diagnóstico e Tratamento. 25.
ed. São Paulo, Atheneu, 1987. Cao. 24, o. 1163-1164.
MESQUITA, A.P. A Educação Sanitária em Hanseníase. HANSEN. INT., 8(2): 148-149, 1983.
1
- MORAIS, J.A.C. & FERRER, A. Situação da Endemia Hansênica a-
pós a Implantação do Programa de Interiorização das Ações
de Saúde e Saneamento no Estado da Paraíba. HANSEN. INT., 8(2): 124-32, 1983.
- OLIVEIRA, Më. L.W.D.R. e colab. Hanseníase - Versão Prelimi-
nar. s.d., s.ed., U1› I-' , 170o.
_ RELATÓRID coNsDL1DADD Dos ENEDNTRDS MADRDREGIDNAIS DE AvA-
LIAÇAD DE DESEMPENHO, 1987 DA D1v1sAo NACIDNAL DE DERMATD- LDGIA sAN1TAR1A. Brasília. Ministério da saúde, 1988.
- SHEPARD, C.C. Lepra. In: HARRISON, T.R., PETERSDURF, R.G. et
al. Medicina Interna. 10. ed. Rio de Janeiro, GuanabaraKo-
ogan, 1984. v. 1, cao. 175, D. 1160-1163.
- TEIXEIRA, L.A.N., MANHAES, L.F. et alii. Avaliação Epidemio-
lógica da Hanseníase no Período de Agosto de 1937 a Dezem-
bro de 1980, no Serviço de Dermatologia Sanitária no Cen-
tro de Saúde de Campos-RJ. HANSEN. INT., 8(2): 131-139, |
1983. I I | ! i r 1 Í â . I Í
TCC UFSC
CM
0078 Ex.l NCIHHII TCC UFSC CM 0078Autor Kúhr Peter Carlos
Titulo Hansemase em Santa Catanna