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Modelo de decisão para a destinação de safras agricolas : a nivel de produtor

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(1)

D EPARTAMENTO DE E N G E N H A R I A DE PRODUÇÃO E SISTEMAS

MODELO DE DECISÃO P A R A A DESTINAÇÃO DE SAFRAS AGRÍCOLAS A N Í V E L DE PRODUTOR

-DISSERTAÇÃO SU6 M E T I D A A UNIVE R S I D A D E FEDERAL DE SANTA C A T A R I N A P A R A A OBTENÇÃO DO GRAU DE M E S T R E E M E N G E N H A R I A D (D 1L D ROGÉRIO BELLOTTI SANTA C A T A R I N A - BRASIL N O V EMBRO DE 1988

(2)

ROGÉRIO BELLOTTI

E S T A DISSERTAÇÃO FOI J U L G A D A A D E Q U A D A P A R A A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE

"MESTRE E M ENGENHARIA"

ESPECIALIDADE E N G E N H A R I A DE PRODUÇÃO E A P R OVADA E M SUA F O R M A FINAL PELO P R O GRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

B ANCA EXAMINADORA:

A \

Prof. Álvaro G. Rojas Lezana, M.Sc. .. . C o - O rientador

(3)

*

Aos meus pais

N í v i o e T e r e s i n h a Ao meu irmão

Renato Aos meus tios

(4)

A G R A D E C I M E N T O S

Expresso meus sinceros agradecimentos às seguintes p e s ­ soas e instituições:

- Ao Professor Bruno H a r t m u t Kopittke, pela eficiente e eficaz orientação dada no transcorrer de todo este trabalho;

- Ao Professor Álvaro G. Rojas Lezana, p e l a co-orienta- ção decisiva no desenvolvimento teórico deste estudo;

- Ao professor Antônio Sérgio Coelho pelos valiosos c o ­ m entários e sugestões, permitindo aperfeiçoar este trabalho;

- Aos colegas, p rofessores e funcionários do D e p a r t a ­ mento de Engenh a r i a de Produção e Sistemas da UFSC, pelo apoio

demonstrado;

- À CAPES e à Univer s i d a d e de Passo Fundo, pelo apoio financeiro;

- Á EMPASC, ACARESC E CESA/RS, pela colaboração de seus técnicos e pelo acervo b i b l iográfico posto à disposição, em e s p e ­ cial, meu tio, João Flávio Bellotti;

- Aos amigos Carlos R i cardo Rossetto, J a l i l a Patussi, Ana C r i s t i n a Bellotti, M a r c o A. Lorenzoni, L ú c i a Palma e C l á u d i a Bellotti M o u r a pela colaboração, incentivo e amizade;

- Á todas as pessoas que, de uma forma ou outra, con- tribuiram para a realização deste trabalho.

(5)

RESUMO

O presente trabalho visa dar subsídios às decisões de agricultores sobre a destinação de safras de grãos, a partir de um m odelo de p rogramação m a t e m á t i c a implantado em micro-computa-- dor. O modelo leva em conta as diversas opções de c o m e r c i a l i z a ­ ção e armazenagem de grãos e, apresenta uma análise de a l t e r n a ­ tivas considerando, entre outras variáveis, o custo de capital, as restrições financeiras, as estimativas de preços e custos de armazenagem.

Posteriormente, é feito uma aplicação p r á t i c a do m o d e ­ lo proposto, objetivando verificar sua aplicabilidade e, i d e n t i ­ ficar suas principais dificuldades e limitações operacionais.Tal aplicação é d e s e n v o l v i d a em duas situações-problemas distintos, confrontando-se os valores ocorridos e os planejados.

Os resultados obtidos p e r mitem aprofundar as análises sobre a carência de estoques reguladores da p r o dução agrícola. Nos casos estudados a armazenagem de grãos, por parte dos a g r i ­

cultores, geralmente não é financeiramente rentável, c o n f i g u r a n ­ do-se uma situação de pouco incentivo à construção de novos a r ­ mazéns.

Finalmente, são apresentadas as sugestões para novos trabalhos obtidas em finção do desenvolvimento e da aplicação do m odelo proposto.

(6)

The present study aims to support decisions of farmers, referring to the destination of grain crops, starting from a m a ­ thematically set p r o g r a m w h i c h is implante’d in a micro-computer. The model considers diverse options for grain trading and sto­ ring and presents an analusis of alternatives considering, among others, the cost of capital, the financial restrictions and p r i ­ ce and storage estimates.

Subsequently a pratical application of the p r o p o s e d model is offered w i t h the purpose of examining its applicability and identifying the m a i n difficulties and operational r e s t r i c ­ tions.

The achieved results allow for a profound study on the need for regulating supplies of farm products. The studied cases reveal that grain storage, on the part of the farmers, is g e n e ­ rally not financially profitable, and therefore a situation d e ­ velops whichs does not stimulate the b u i l d i n g of n e w storage fa­ cilities.

Finally suggestions are given for news activities, o b ­ tained, by following the development and application of the p r o ­ posed model.

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SUMÁRIO L I S T A DE Q U A D R O S ... ... xii L I S T A DE T A B E L A S ... ... ... xiii L I S T A DE V A R I Á V E I S ... ... xiv CAPÍTULO I 1. INTRODUÇÃO ... ... 1 1.1. Ori g em e importância do t r a b a l h o . ... 1 < 1.2. Objetivo do t r a b a l h o ... ... ... 2 1.3. E s t r utura do t r a b a l h o . . . ... ... 3 CAPÍTULO II 2. A A R M A Z E N A G E M DE G R A O S ... 5 2.1. I n t r o d u ç ã o ... 5 2.2. As funções da a r m a z e n a g e m ... 6 2.2.1. Funções intrínsecas da a r m a z e n a g e m ... 6 2.2.2. Funções extrínsecas da a r m a z e n a g e m ... 9

2.3. C a r a cterização e disposição atual das instalações a r m a z e n a d o r a s ... 12

2.3.1. Tipos de unidades armazenadoras de g r ã o s ... 12

2.3.2. Tipos de equipamentos de u m sistema de armaze n a g e m 15 2.3.3. Capacidade de armazenamento e x i s t e n t e ... 18

2.4. A p o l ítica agrícola nacional face ao armazenamento 20 2.5. Políticas de armazenamento p ú b l i c o ... ... 23

(8)

2.6. Políticas de comercialização a g r í c o l a ... 25 2.7. R e visão b i b l i o g r á f i c a ... .... 27 2.8. C o m e n t á r i o s ... .... 30 CAPÍTULO III 3 * O M ODELO P R O P O S T O . . ... .... 31 3.1. I n t r o d u ç ã o . . . ... ... .... 31 3.2. Descrição do p r o b l e m a . . . ... .... 31

3.3. D e l imitações para a aplicação do p r o b l e m a ... .... 36

3.4. Técnica de a n á l i s e ... .... 38 3.5. . O m o d e l o m a t e m á t i c o ... .... 42 3.6. O custo i n c r e m e n t a l ... ... ... .... 47 3.7. C o m e n t á r i o s ... ... 52 CAPÍTULO IV 4. ; APLICAÇÃO DO M O D E L O ... .... 5 3 4.1. I n t r o d u ç ã o ... .... 53 4.2. Aplicação 1 ... ... .... 55

4.2.1. C a r a c terização do produtor e da região em análise 56 4.2.2. Defin i ç ã o do p r o b l e m a ... ... .... 57

4.2.3. D e f i nição do questionário de levantamento de dados 57 4.2.4. Processamento do questionário e formulação do PPL. 58 4.2.5. Conclusões e c o m e n t á r i o s ...66

4.3. Aplicação 2 ... ...69

4.3.1. C a r a cterização do produtor e da região em análise. 69 4.3.2. Definição do p r o b l e m a ... ...70

(9)

4.3.3. Definição do questionário de levantamento de dados 71 4.3.4. Processamento do questionário e formulação do PPL 71

4.3.5. Conclusões e comentários. .... ... 76 , 4.4. C o m e n t á r i o s ... ... 77 * CAPÍTULO V 5o C O N C L U S Õ E S ... ... ... 79 5.1. C o n c l u s õ e s ... 79 5.2. R e c o m e n d a ç õ e s ... . ... 81 REFERÊNCIAS B I B L I O G R Á F I C A S ... 83 ANEXOS Anexo 1 - Questionário de levantamento de dados para a A p l i ­ cação 1 - Problema 1 ... o ... . 86

Anexo 2 - Processamento do questionário da Aplicação 1 Problema 1 ... ... 94

Anexo 3 - Questionário de levantamento de dados para a A p l i ­ cação 1 - Problema 2 ... ... 97

Anexo 4 - Processamento do questionário da Aplicação 1 P roblema 2 ... 105

Anexo 5 - Questionário de levantamento de dados para a A p l i ­ cação 1 - Problema 3 ... ... 108

Anexo 6 - Processamento do questionário da Aplicação 1 ... Problema 3 ... 116

(10)

Anexo 7 - Relatório do PPL da Aplicação 1 - Problema 3.... 119 Anexo 8 - Questionário de levantamento de dados para a

A-plicação 2 ... „•.... ... ...1 2 2 Anexo 9 - Processamento do questionário da Aplicação 2 ___ ___130 Anexo 10- R e l a tório do PPL da Aplicação 2 ... ...133. Anexo 11- M o d e l o do questionário de levantamento de dados. 136 Anexo 12- M odelo de processamento do q u e s t i o n á r i o ... ...144

(11)

L I S T A D E F I G U R A S

F igura 1 - Fluxog r a m a para a tomada de decisão sobre a a r m a ­

zenagem e comercialização da p r o d u ç ã o ... 33 Figura 2 - 0 processo de comercialização da p r o d u ç ã o ... 36 Figura 3 - Seqüência de operações para a aplicação do modelo

(12)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - O f e r t a total por classe existente no estado do

Rio Grande do S u l . . ... 18

Quadro 2 - Oferta total por setores existentes no estado do Rio Grande do S u l ... ... 19

Quadro 3 - Evolução histórica da capacidade de armazenagem do estado do Rio Grande do S u l . . . . ... 19

Quadro 4 - Dispo s i ç ã o geral dos lucros e prejuízos u n i t á ­ rios p o s s í v e i s ... 40

Quadro 5 - Dispo s i ç ã o geral dos investimentos analisados... 41

Quadro 6 - C omposição dos custos incrementais por opção.... 50

Quadro 7 - O r i g e m da produção c o l h i d a ... 56

Quadro 8 - Custos totais u n i t á r i o s ... ... ... 59

Quadro 9 - Custos totais u n i t á r i o s . . . ... 60

Quadro 10 - Custos totais u n i t á r i o s ... 61

Quadro 11 - Result a d o s unitários na data z e r o ... 62

Quadro 12 - O r i g e m da produção c o l h i d a ... ... 63

Quadro 13 - Custos totais u n i t á r i o s ... ... 72 Quadro 14 - Resultados unitários na data z e r o ... 7 3

(13)

Tabela 1

LISTA DE TABELAS

(14)

1 -2 - 3- 4- 5-6 -

7-8

-

9-10

-11

-12 - 13- 14- 15- 16- 17- 18- 19-20 -21 -2 -2- 23-C A = Custo de A rmazenagem

CB = Custo do Beneficiamento da safra CCU = Custo Incremental Unitário

Cl = Custo do Investimento C M = Custo de M anutenção

CPU = Custo de Produção Unitário CTU = Custo Total Unitário

D = Depreciação

d = Período em que o produtor d everá vender d e t e r m i ­ nado volume de sua safra para pagamento de c o m ­ promisso financeiro qualquer

D t k = D e s p e s a total respectiva a cada período k D V = D í v i d a do produtor com a cooperativa

Ij,k = Investimento específico da opção j no período k J = Juros sobre o capital fixo

j = Variável que estabelece a opção em análise k = Variável que estabelece o período em análise LU = Lucro ou Prejuízo U n i tário resultante do Ij,k m = N u m e r o de meses analisados pelo modelo

n = N ú m e r o de períodos analisados pelo modelo P = Produção total

pj = Fração da produção perdida relativa à opção j PVU = Preço de V e n d a U n i tário

S = Seguros sobre sinistros de qualquer natureza ST = D e spesa adquirida na contratação de serviços ,de

terceiros

(15)

24- 25- 26- 27- 28- 29- 30- 31- 32- 33- 34- 35- 36- 37-38 39

TE = Custo do Transporte para o escoamento da safra TMAk = Taxa M í n i m a de Atrativ. ‘ respectiva ao período k ts = Taxa de seguros sobre sinistros de qualquer n a ­

tureza

TVPk = Fator de Atualização do Valor Presente r e s p e c ­ tivo ao período k

V d = Volume mínimo que deverá ser comercializado até período d, para pagamento de d eterminada dívida Vi = Valor inicial que corresponde a b e n f e i t o r i a n o ­

va

VmO = V o lume de colheita m áximo até o período zero Vml = Volume; de colheita m áximo até o período um Vm2 = Volume de colheita m áximo até o período dois Vr = Valor residual que corresponde ao valor da b e n ­

feitoria vendida como sucata Vua = Vida útil da b e n f e i t o r i a em anos

VvO = Volume máximo possível de ser comercializado a- té o período zero em função da disponibilidade de equipamento

Vvl = Volume m áximo possível de ser comercializado a- té o período um em função da disponibilidade de equipamento

Vv2 = Volume máximo possível de ser comercializado a- té o período dois em função da disponibilidade de equipamento

Vz = Volume m áximo possível de ser armazenado na o p ­ ção j para o período k

X j , k = Quantidade X da safra total alocada na opção j pelo tempo k

(16)

C o m meu braço O m e u v i v e r . .. "

(17)

1 . I N T R O D U Ç Ã O

1.1. O r i g e m e Importância do Trabalho

t

Entre os desafios que sempre e x i s tiram desde que o ser h umano começou a p r o duzir para consumo próprio e de terceiros, podem-se destacar: o de Armaz e n a g e m e o de Abastecimento. Esses desafios, além de i n t e r - r e l a c i o n a d o s , influenciam d i retamente o b e m estar da população na m e d i d a em que, dão o rigem à escassez de estoques reguladores no mercado de comercialização agrícola.

Ao se b u s c a r e m as soluções para estes problemas, verifica-se que eles decorrem, principalmente, da inadequação e n ­ tre a produção e a capacidade de estocagem. Resumidamente, o c o n ­ sumo da m a i o r i a çlos produtos agrícolas não sendo constante d u r a n ­ te o ano, mesmo que a produção total supra a demanda, não se c o n ­ segue distribuir racionalmente o volume de produção durante o ano, devido a carência de adequadas unidades armazenadoras. Isso faz com que expressivas parcelas da safra sejam perdidas, d e t e r ­ minando, invariavelmente, sérios prejuízos aos produtores e à p o ­ pulação.

Por ser indispensável, a Armazenagem de Produtos A g r í ­ colas é vista como um benefício social e econômico; no entanto, para que esta "armazenagem" seja efetivamente utilizada, é n e c e s ­ sário que os produt o r e s e intermediários sejam levados a fazê-la.

(18)

Ora, n u m sistema de livre iniciativa, a única m a n e i r a de fazer com que investidores u t i lizem um serviço, é tornando-o l u c r a ­ tivo. De modo mais específico, para que os produtores estoquem seus produtos por algum tempo, é essencial que os ganhos ou r e ­ tornos marginais, no tempo, sejam superiores aos custos m a r ­ ginais.

Em função da política agrícola nacional, da disponibilidade de recursos técnicos para o armazenamento, da disponibilidade de recursos próprios para investimentos, da oferta de recursos governamentais a juros subsidiados no setor agrícola, e e m função dos demais fatores que i nfluenciam o mercado agrícola, é que o produtor assume o papel de um investidor. Esse, obviamente, procu r a r á subsídios suficientes que lhe p e r mitam definir a m elhor alternativa de investimento para a sua produção.

Enfim, este estudo originou-se da necess i d a d e de se possuir um M odelo de Decisão, baseado na Programação Matemática, que possibilite ao produtor agrícola determinar a m elhor alternativa de investimento, selecionada a partir de um conjunto de opções viáveis, envolvidas no processo de armazenagem e c o ­ m e r cialização , resultando na M a x i m i z a ç ã o de seus ganhos.

1.2. O b j etivo do Trabalho

Este trabalho tem como objetivos:

(19)

ótima" do volume de produção em quantidades diversas, tal que resulte na m a x i m i z a ç ã o do lucro do produtor. A l é m disto, esta c ombinação ó tima deve respeitar a disponibilidade de capital e a taxa m í n i m a de atratividade do produtor, a tecnol o g i a existentè no setor de armaze n a g e m de grãos, o mercado de c o m e r cialização a- g r ícola e a p o l í t i c a agrícola nacional;

. adaptar o m o d e l o desenvolvido aos programas existentes em m i c r o - c o m p u t adores, buscando, com isto, a automatização do processo de aplicação do modelo;

. coletar dados de agricultores e testar o m o delo sob diferentes situações.

Como os objetivos são interativos, h a v e r á uma re- alimentação dos mesmos, o que p e r m itirá testar o m o d e l o com dados reais em micro-computadores, corrigindo eventuais falhas.

1.3. E s t r u t u r a do Trabalho

Este trabalho está estruturado em cinco capítulos.No primeiro deles, tem-se a o r i g e m do trabalho, sua import â n c i a e seus objetivos.

N o segundo capítulo, é denotada a atividade da Armaze n a g e m de Grãos no Brasil. São descritas as funções da a r mazenagem de grãos, a situação das instalações armazenadoras e,

(20)

também, as políticas agrícolas face ao armazenamento. São também examinados os modelos existentes na literatura voltados ao equacionamento dos problemas de armazenagem.

O modelo proposto é desenvolvido no terceiro capítulo Inicialmente, apresenta-se o p r o blema a partir da identificação das variáveis que estão envolvidas no processo de tomada de decisão do agricultor. São definidas as variáveis e i d e n t i f i ­ cadas as restrições. A "função objetiva" é formulada a partir da análise de m ú l t iplas opções, ou alternativas de investimentos, que interagem entre si. Finalizando este capítulo, apresentam-se os "softwares" básicos de micro - c o m p u t a d o r e s utilizados na a p l i ­ cação do modelo.

O quarto capítulo trata da aplicação do m o d e l o a uma propriedade agrícola. Os dados de entrada do m o d e l o são l e v a n ­ tados a partir de um questionário específico, executando-se, p o s ­ teriormente, o p r o cessamento e a análise dos dados gerados pelo modelo.

O último capítulo apresenta as conclusões obtidas d u ­ rante o desenvolvimento e aplicação do modelo. São, também, f e i ­ tas recomendações acerca de possíveis temas para dar continuidade deste trabalho.

(21)

2. A A R M A Z E N A G E M DE GRÃOS

2.1. Introdução

P r e t e n d e - s e , f u n d a m e n t a l m e n t e , neste capítulo, e s c l a r e ­ cer alguns aspectos resultantes da atividade da a r mazenagem de Produtos Agrícolas, para que se determine, posteriormente, uma a- nálise global dos investimentos no setor. Essa análise deve c o n ­ siderar, também, os fatores não conversíveis em dinheiro, já que esses fatores, ditos imponderáveis, p o d e m afetar p r o fundamente a seleção da m e lhor alternativa de investimento.

Este capítulo descreve, inicialmente, as funções da armazenagem e os seus benefí c i o s sociais e econômicos. E m s e g u i ­ da, após caracterizar os diferentes tipos de unidades armazenado- ras b e m como, os diferentes equipamentos u tilizados no beneficia- mento e no controle do produto estocado, resume-se um l e v a n t a m e n ­ to da capacidade estática de armazenamento do estado do Rio G r a n ­ de do Sul.

Finalizando este capítulo, apresenta-se um breve h i s ­ tórico da política agrícola nacional quanto ao armazenamento, com alguns temas abordados pelas Políticas de Armazenamento Público e pela Política de Comerc i a l i z a ç ã o Agrícola.

(22)

2.2. As Funções da A rmazenagem

M a r i a n o Jr.-*- classificou as funções da a rmazenagem em dois grandes grupos. As subdivisões desses grupos são tratadas separadamente nos itens 2 .2.1 e 2 .2 .2 .

. Funções intrínsecas - relativas aos procedimentos que a compõem e seus efeitos sobre a produção agrícola e r e l a t i ­ vas a atividade de produzir;

. Funções extrínsecas - relativas aos efeitos da e- xistência de armazéns sobre o sistema produtivo agrícola, aos seus processos de m o v i m e n t a ç ã o e comercialização e relativas a e- conomia do país.

2.2.1. Funções Intrínsecas da A rmazenagem

a) Conservação do produto agrícola

A produção agrícola, destinada ao consumo dos homens e animais, necessita ser conservada por ser p e r e cível ao longo do tempo, ou seja, se não for objeto de cuidados relacionados com a umidade e a temperatura, nao h a v e r á condições de se m a n t e r e m suas propriedades. Esses ambientes, onde são m a n t i d a s ou criadas c o n ­ dições adequadas de temperatura e umidade, são propiciados por construções prediais, cuja conceituação será v ista adiante.

MARIANO Jr. , João., "A armazenagem de grãos no Brasil"., CENTREI - NAR, Minas Gerais, Viçosa, UFV, 1979, pp 5-12.

(23)

Nas lavouras - O armazém, p a r a uma propriedade r u r a l ,significa um eficaz instrumento de redução das perdas que o c o r r e m i m e d i a t a m e n ­ te após a colheita, porque:

. permite colher as safras nas épocas mais adequadas c o n s i ­ derando-se o ponto de maturação e os teores de umidade que p o s s i ­ b i l i t e m maiores rendimentos e m e l h o r e s perspectivas de c o n s e r v a ­ ção;

. reduz, ou até elimina, as possibilidades de o c o r r e r e m perdas por deteriorização dos grãos, em razão de excessos de u m i ­ dade associados à elevação da temperatura;

. reduz, ou até elimina, as perdas decorrentes da ação p r e ­ datória de insetos, fungos, roedores e pássaros.

N o m a n u s e i o da produção - O armazém, de um modo geral, além das vantagens que traz quando implantado na lavoura, serve como i n í ­ cio do transporte final da produção, que se estende das zonas de produção até os grandes centros de consumo ou indústrias, e até às zonas portuárias na m e d i d a em que:

. permite, ao concentrar consideráveis volumes de d e t e r m i ­ nado produto, a racionalização d o s .métodos, de m a n u s e i o e p r o c e s ­ samento, que v i s a m evitar perdas e m anter as condições ideais de conservação;

(24)

idênticos resultados:

. estabelece as condições básicas para o d esenvolvimento dos programas de pesquisa, de desenvolvimento de técnicas de construção de novos armazéns, de m o v i m e n t a ç ã o e conservação dos grandes estoques de produtos e de controle de qualidade dos p r o ­ dutos agrícolas.

c) E s t o c a g e m dos excedentes agrícolas

A produção, agrícola tem duas destinações principais: a primeira, é atender ao consumo próprio de quem a produz; a outra, é formar excedentes, ou seja, p a r cela da produção destinada ao comércio.

d) Preservação ambiental

E s t á é a finalidade mais recentemente i d e ntificada na armazenagem, sendo também considerada de grande importância. N a proporção em que se desenvolve a tecnologia de c onstrução e se a- perfei ç o a m os equipamentos, o aumento do grau de segurança na conservação dos produtos permite que, ao m e s m o tempo, não só se­ jam obtidos aumentos na produt i v i d a d e agrícola, sem o conseqüente aumento no uso de fertilizantes, como também m e l hores índices de conservação, sem o emprego de produtos químicos, poluidores do m e i o - a m b i e n t e .

(25)

2.2.2. Funções Extrínsecas da Armaze n a g e m

a) Compor a infra-estrutura

Os armazéns, por sua localização, capacidade e a d e q u a ­ ção técnica, c o n s t i t u e m um importante componente da infra - e s t r u ­ tura de comercialização dos excedentes agrícolas.

b) Racion a l i z a r os fluxos de transporte

O desenvolvimento tecnológico experimentado pelos t r a ­ tos c u l t u r ais-mecanização agrícola, preparo do solo, uso de se­ mentes selecionadas, empregos de fertilizantes e pesticidas, não

só elevou sensivelmente os volumes das safras, como também r e d u ­ ziu significativamente os períodos de colheita, concentrando o transporte de volumes cada vez maiores em tempos cada vez m e n o ­ res. De outra parte, a expansão das fronteiras agrícolas e as m o ­ dificações no uso dos solos localizados nas p eriferias dos g r a n ­ des núcleos populacionais, aument a r a m as distâncias a serem p e r ­ corridas pelos produtos agrícolas. A p r e s e n ç a de armazéns e s t r a ­ tegicamente localizados e adequadamente construídos, é i n d i s p e n ­ sável para a ordenação e racionalização do uso dos meios de transportes, p ermitindo a o p e racionalização eficiente dos fluxos de produtos das zonas de produção para os centros consumidores.

c) Servir de suporte para a atividade de c o m e r c i a l i z a ­ ção

A concentração de m assas de produtos para a guarda e conservação em pontos estratégicos, definidos segundo c o n d i c i o ­ nantes de transporte, proximidade de centros urbanos, de

(26)

comple-xos industriais e de portos, faz dos armazéns valioso .instrumento de apoio e facilitação das funções de comercialização, na m e d i d a em que p r o p o r c i o n a m m e l hores condições de m a n u t e n ç ã o de qualidade dos produtos transacionados, de mensur a ç ã o de suas qualidades, de intercâmbio entre compradores e vendedores e de m o v i m e n t a ç ã o de quantidades variadas sob diferentes m eios de transporte.

d) Servir de suporte à formação e utilização de e s t o ­ ques reguladores.

Ao poder público tem sido reservada a responsabilidalde da formação de estoques reguladores. Os objetivos gerais desses estoques são resumidos em:

. sustentar os preços pagos ao produtor, de modo a m anter os níveis de oferta primá r i a de produtos agrícolas, em épocas de abundantes safras, em valores que remunerem adequadamente a a t i ­ vidade agrícola;

. regularizar a oferta de produtos agrícolas, realizando vendas quando a escassez dessas m e rcadorias venha a representar fator de p erturbação do m e r c a d o ;

. proporcionar condições para uma participação constante e d iscip l i n a d a no m e rcado internacional, garantindo um a p r o v e i t a ­ m ento das melho r e s o p o rtunidades para a realização de exportações

e) Servir de suporte às políticas governamentais para a agricultura

(27)

de políticas agrícolas que v i s a m proporcionar, entre outras, a g a r antia de:

. preços mínimos - a utilização de preços m í n i m o s para a execução de uma política de aumento da o ferta agrícola não pode prescindir da e xistência de armazéns para a guarda e c o n s e r v a ­ ção dos volumes que serão acrescidos à oferta;

. aumentos de produt i v i d a d e - analogamente, os programas voltados para os aumentos de p r o dutividade agrícola, através de m e l horia de sementes, agilização de crédito, mecanização, insu- mos básicos e outros, terão o seu sucesso relacionado e s t r i t a m e n ­

te c o m a disponibilidade de armazenagem para os produtos;

. racionalização agrícola - a racionalização do cultivo de determinados produtos requer a construção de armazéns adequados aos m é t o d o s específicos de m a n useio e conservação desses p r o d u ­ tos;

. otimização de investimentos - a ocupação racional das terras disponíveis para a agricultura, com a otimização de sua u- tilização de forma a obter maiores rendimentos com a m e n o r a p l i ­ cação viável de capital, insumos e máquinas, prese r v a n d o ao m á x i ­ mo as áreas de vegetação nativa, é tarefa para qual é i n d i s p e n ­

(28)

2.3. C a r a cterização e Disposição Atual das Instalações Armazenadoras

Atualmente, no Brasil, são encontrados vários tipos de unidades armazenadoras e de equipamentos necessários ao b e nefi- ciamento e estocagem da produção agrícola. As dimensões e as c a ­ racterísticas técnicas desses equipamentos v a r i a m de acordo com o tipo de produto, com o volume total desse produto e com o grau de qualidade exigido p a r a os grãos, ao longo do tempo de estocagem.

U m sistema de armazenagem básico consiste de:

. M o e g a de recepção;

. Equipamento de transporte; . M á q u i n a de pré-limpeza; . Secador;

. U n i d a d e armazenadora.

Apresenta-se, abaixo, a conceituação diferencial de unidades armazenadoras, segundo Mersch^.

2.3.1. Tipos de U n i dades Armazenadoras de Grãos

U m a unidade armazenadora de grãos caracteriza-se por ser uma edificação especialmente construída e organizada

funcio-MERSCH, Raul F . , "Conceituação diferencial de unidades a r m a z e ­ nadoras" , CENTREINAR, M i n a s Gerais, Viçosa, UFV, 1979, pp 1-5.

(29)

nalmente para reunir, b eneficiar e preservar a integridade quali- quantitativa de uma d eterminada produção vegetal, sob regime a m ­ biental.

A m e t o d o l o g i a em que estão baseados os conceitos a b a i ­ xo, leva e m consideração o estabelecimento de p a drões para as di<-

ferentes unidades, através de requisitos próprios (prescindíveis ou imprescindíveis) consubstanciados em delineamentos técnicos (graus de adequação). Esta m e t o d o l o g i a é utilizada pela Companhia Estadual de Silos e Armazéns - C E S A / R S 3 .

a) Silos

Co nceitua-se como unidade armazenadora de grãos, c a ­ racterizada por células ou compartimentos estanques e herméticos que p o s s i b i l i t a m o m ínimo de influências do meio externo com o ambiente de estocagem;

Of erece condições técnicas de conservação do produto estocado mesmo por um período de tempo mais p r o l o n g a d o (4 anos ), face aos requisitos disponíveis.

É dotado funcionalmente de equipamentos automatizados e semi-automatizados que p e r m i t e m a simultaneidade de operações, inclusive a t r ansilagem em circuito aberto ou fechado, além da b aixa utilização de mão-de-obra. As células,, em geral, v a r i a m de tamanho e número, dependendo das necessidades quanto à concepção construtiva.

CESA/RS. "Unidades armazenadoras do estado - X", Porto Alegre, 1982, 4 1 3 p 0

(30)

A e s t o cagem desenvolve-se no sentido vertical ou h o

-*

rizontal, que varia em função da relação base/altura. A base da célula é, usualmente, em f orma de cone, o que p e rmite o total e s ­ vaziamento. Preferencialmente, os silos são construídos em c o n ­ creto armado ou protendido, com isolantes térmicos.

b) A r mazém graneleiro

C o nstitui-se em unidade armazenadora cuja estoc a g e m desenvolve-se em sentido horizontal, através de um ou mais c o m ­ partimentos. N o r m a l m e n t e os fechamentos laterais são construídos em concreto armado ou pré-moldado, sendo o fundo e m forma p l a n a ou e m talude. A movime n t a ç ã o é g ranelizada nos circuitos básicos, possuindo equipamentos automatizados, instalados em uma central de recebimento-beneficiamento.

c) Armazém convencional

C o n stitui-se numa unidade a r mazenadora de fundo plano e compartimento único, adequado a e s t o cagem de p r o dutos em sacos. A e s t o c a g e m se p r o c e s s a emblocada em lotes individualizados que reúnem as mesmas características da espécie agrícola. São c o n s ­ truídos em concreto, alvenaria, estruturas, m e t á licas ou mistas, devendo apresentar boas condições de ventilação, movimentação, d r e nagem e cobertura. O armazenamento em sacos apresenta b a i x a cadência operacional em v i rtude do .alto índice de m ã o - d e - o b r a n e ­ cessária. O s armazéns convencionais, também denominados de c e l e i ­ ros, oferecem condições à conservação do produto por períodos não m u i t o grandes.

(31)

d) Depósitos

Não chega a constituir-se em uma unidade armazenadora , organi z a d a com finalidade específica, pois, normalmente, se d e s ­ tina à guarda de produtos diversos. É ocasionalmente utilizado para e s t o cagem de grãos, por não dispor de equipamento próprio instalado para processamento regular, impossibilitando, dessa forma, a estocagem por prazos maiores.

e) Baterias

Constitui-se em um conjunto de células n ormalmente m e ­ tálicas, individualizadas e agrupadas em torno de uma central de recebimento-beneficiamento. Apresenta-se em capacidades v a r i a ­ das, possiblitando adequar-se modularmente às necessidades do produtor.

2.3.2. Tipos de Equipamentos de U m Sistema de A rmazenagem

O b e n e f iciamento (expurgo e secagem) e a armazenagem da produção constitui-se na operação, .mais importante após a c o ­ lheita. O agricultor poderá tirar vantagem, na época da c o m e r ­ cialização, se o seu produto apresentar b o a qualidade. Essa q u a ­ lidade só será m a n t i d a se o beneficiamento for executado dentro dos padrões técnicos recomendados. Para armazenar os grãos de forma correta, é necessário reduzir sua umidade até uma p o r ­ ce n tagem que paralise sua respiração (vida latente), impedindo,

(32)

Enfim, quanto mais secos e frios os grãos forem armazenados, maior será o período em que conservarão sua qualidade original. Condições de armazenamento que p r o v o c a m um aumento da velocidade de respiração dos grãos ou dos organismos a eles a s ­ sociados são prejudiciais porque p r o d u z e m m u d anças nas suas p r o ­ p riedades físicas e químicas, eventualmente tornando-os i n ú ­ teis ao consumo humano ou para a industrialização.

Desde o recebimento até a estocagem f i n a l , os grãos p a s s a m por várias operações (fluxo padrão dos grãos) dentro do sistema de armazenagem, e estas operações d e p endem exclusivamente dos equipamentos disponíveis. Assim, quanto mais b e m d i m e n ­ sionados esses equipamentos, menor será o custo final da a r m a z e ­ nagem.

Os equipamentos básicos que compõem um sistema de a r ­ m a z e n a g e m s ã o :

a) m o e g a de recepção

É uma abertura que se faz no piso, junto ao, secadd.r e à m á q u i n a de limpeza, para receber o produto transportado. N o r m a l ­ m ente tem a forma retangular e o fundo é inclinado como uma p irâmide invertida.

b) m á q u i n a de limpeza

Antes de p a s sarem pelo secador, os grãos sofrem uma p ré-li m p e z a com o objetivo de reduzir o percentual de impurezas.

(33)

c) secadores

O secador tem como função deixar os grãos numa umidade e temperatura conforme os padrões recomendados. E x i s t e m vários tipos de secadores, os quais são escolhidos em função do produto a ser secado e da velocidade de secagem.

d) transportadores

São os equipamentos encarregados de fazer a m o ­ vimentação vertical (elevadores) e h orizontal (esteira) dos grãos, de uma operação a outra.

e) aeradores

O objetivo principal da aeração (ventilação forçada) é o resfriamento uniforme da m a s s a de grãos, reduzindo ou impedindo a m i g ração de umidade, a atividade de fungos, a infestação por insetos e danos devido às altas temperaturas. A aeração também tem sido usada para se efetuar uma secagem parcial dos grãos.

f) equipamentos auxiliares

Alguns equipamentos complementam um sistema de a r m a z e ­ nagem, facilitando sensivelmente o controle do produto estocado. Entre eles, cita-se o Sistema de Termometria, com leitura à d i s ­ tância, sendo muito útil para se controlar a t e mperatura no i n t e ­ rior da unidade armazenadora e para se detectar focos de .a- quecimento antes de atingirem valores nocivos.

(34)

2.3.3. Capacidade de Armazenamento Existente

A capacidade instalada de armazenamento atualmente, no Brasil, segundo a C o m p a n h i a B rasileira de A r m azenamento - C IBRA- ZEM, é de 60 milhões de toneladas, sendo que, deste local mais de 28 % pertence ao Rio Grande do Sul, ou seja, aproximadamente 17 m i lhões de toneladas.

Os quadros a seguir foram determinados no levantamento quali-quantitativo de unidades armazenadoras, organizado pela CESA/RS, em dezembro de 1982^. Oferta Classe em ton. Total em % N umero de Unid. silos ^ 1.373.111 armazéns convencionais 4.954.485 armazéns graneleiros 6.684.232 depósitos 1.605.279 . baterias 420.960 9 ,1 33,0 44, 4 10,7 2,8 235 1.605 426 857 88 Total 15.038.067 1 0 0 , 0 3.211

Quadro 1 - O f e r t a total por classe existente no estado do R i o !Grande do Sul

Fonte: CESA/RS

CESA/RS. "Unidades armazenadoras do estado - X", Porto Alegre, 1982, 413p.

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Classe Oferta em ton. Total ém % Nú m e r o de Unid. C E S A - RS 666.500 4, 4 44 armazéns oficiais 264.424 1,8 43 cooperativas 6.662.181 44, 3 668 particulares 7.448.762 49,5 2.456 Total 15.038.067 1 0 0 , 0 3.211

QUADRO 2 - O f e r t a total por setores existente; no e s t a ­ do do Rio Grande do Sul

Fonte: CESA/RS

Era dezeraòro de 1982, o p o t e ncial de a r m a z e n a g e m do Rio G r ande do Sul e stava distribuído entre os terminais portuários (10,4%) e as zonas de produção (89,6 %), incluindo-se, neste ú l ­ timo valor, as zonas intermediárias, isto é, locais considerados intermediários entre os centros de consumo e zonas de produção.

O quadro abaixo reume a evolução h i s t ó r i c a da c a p a c i ­ dade armazenadora do R i o Grande do Sul nos últimos 15 anos.

Período Crescimento O f e r t a Total

1972-1973 13,9 % 6.600.006 1973-1974 30,4 % 8.603.523 1974-1975 7,4 % ... 9.236.888 1975-1976 15,4 % 10.654.449 1976-1977 8 , 6 % 11.568.298 1977-1978 3,9 % 12.020.258 1978-1979 18,9 % 14.293.529 1979-1980 1 ,4 % 14.498.064 1980-1981 1,8 % 14.761.217 1981-1982 1,8 % 15.038.067 1982-1988* 13,0.% 17.000,000 * J a neiro/1988

QUADRO 3 - Evolução h i s t ó r i c a da capacidade de a r m a ­ zenagem do estado do Rio Grande do Sul Fonte: CESA/RS

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U m erro m u i t o comum é supor que a capacidade de a r ­ m a z e n a g e m existente no Brasil á suficiente para atender á p r o ­ d ução brasileira. Apesar d a safra 86/87 chégar a 55 m i l h õ e s de toneladas, sendo, portanto, 5 m i l h õ e s de toneladas abaixo da capacidade existente no mesmo período, esta afirma t i v a não é verdadeira p r i n cipalmente porque:

. p arte da capacidade.de uma unidade armazenadora é d estinada 'a movime n t a ç ã o interna (transilagem) , ou seja, é n e ­ cessário m o v i m e n t a r os grãos periodicamente a fim de serem l o ­ calizados focos de fungos, calor e umidade em limites não r e c o ­ mendados;

. produtos diferentes não p o d e m ser estocados no mesmo ambiente, por isso, 'as vezes, pequenas quantidades de algum produto de safra anterior, o c u p a * setores inteiros de uma u n i d a ­ de armazenadora;

. h á situações em que a safra anterior ainda não c o n ­ sumida continua estocada, ocupando, dessa forma, locais de . a r m a ­ zenamento destinado 'a próxima safra que está. sendo colhida, isto. é, não existem condições de se e s t o carem duas safras . c o n s e c u t i - : vas.

2.4. A P o l ítica A g r ícola N a c i o n a l Face ao A r

(37)

pres-soes por parte dos produtores agrícolas, começou a estudar o sis­ tema nacional de armazenagem. As discussSes decorrentes r e s u l t a ­ ram na decisão governamental de investir com o objetivo de am- Ü a r e qualificar a infra-estrutura armazenadora e x i s t e n t e 5 .

E m 1974, o éntão C o n selho N a c ional do A b a stecimento - CONAB, através da resolução n? 2 de 17 de Julho, instituiu o Cadastro N a c i o n a l de U n i d a d e s Armazenadoras e conferiu à C o m p a ­ nhia Brasileira de Armazenamento - C I B R A Z E M condição de órgão

central do sistema nacional de armazenagem, c o n s t i tuindo-se no marco inicial de uma transformação que estava a se processar na condução dos problemas de armazenagem de produtos agrícolas no Brasil. Tratava-se da p r i m e i r a grande iniciativa da atualidade tomada pelo governo federal e destinada a fornecer um detalhado l e v a n t a m e n t o , intensivo e dinâmico, da infra-estrutura a r m a z e n a ­ dora do país.

Como c o n seqüência dos estudos que, já v i n h a m sendo e m ­ p reendidos pelos orgaos técnicos da CIBRAZEM, e com os. primeiros dados informativos fornecidos pelo Cadastro N a c i o n a l de unidades Armazenadoras, pode este órgão federal propor e obter a aprovação p residencial p a r a o Programa N a c ional de A r m a z e n a g e m - PRONAZEM,

criado pelo decreto n? 75.688, de 25 de M a i o de 1975.

Os quatro anos seguintes de o p e racionalização m o s t r a ­ r am que o P R O NAZEM v i r i a a se constituir no primeiro instrumento de ação nacional que, realmente, conseguiria produ z i r efeitos

con--jr : --- —

---MARIANO Jr, J o a o . , "A armazenagem de grãos no Brasil", C E N T R E I - NAR, Minas Gerais, Viçosa, UFV, 1979, pp 13-20.

(38)

eretos sobre o sistema nacional de armazenagem.

O PRONAZEM-é um m e i o de se atingirem os objetivos da Política Agrícola N a c ional para a armazenagem de produtos a g r í c o ­

las, a qual pode ser resumida em:

. manter, os níveis de oferta de armazenagem, 'dentro do p o s ­ sível, em condições de atender à demanda composta pelos volumes agrícolas produzidos dentro de um determinado período;

. adequar estes serviços às necessidades dos segmentos e c o ­ nômicos abrangidos pelo processo de abastecimento, compreendendo a produção, o transporte, a comercialização e a industrialização de produtos agrícolas;

. prover os meios necessários ao desenvolvimento tecnológico e científico do setor, estimulando a implantação e a consolidação do parque nacional de construção, fabricação e aparelhamento de unidades armazenadoras e propiciando os meios de aperfeiçoar os recursos humanos n e s s a área de especialização.

Apesar das iniciativas tomadas pelo Governo Federal, o Brasil, responsável por uma das maiores dívidas externas do m u n ­ do, p e rdeu durante décadas seguidas consideráveis parcelas de sua produção agrícola. Segundo Arruda^, o País colheu no período 86/87 uma safra recorde, e corre o risco de ver mais de 20 % d e s ­ ta produção apodrecer ao ar livre pela falta de sistemas de a r m a ­ zenagem adequados. Trata-se de uma perda e s t imada em 3 bilhões de

ARRUDA, Ariovaldo F., "Uma safra recorde ao relento", R e v i s t a VEJA, São Paulo, ll/fev/1987, p . 114.

(39)

dólares.

Além disto, o Brasil, perdeu, em 1986, 20 % do arroz-; que produziu, 40 % do feijão, 25 % do milho, 10 % da soja e 10 % do trigo. Isso ocorreu principalmente pela ineficiente d i s t r i b u i ­ ção de estabelecimentos armazenadores nas zonas de produção. A r ­ ruda conclui ainda que, somente com um abastecimento equacionado e com uma rede armazenadora eficiente e racional é que se c o n s e ­ guirá o equilíbrio entre a produção e o consumo.

2.5 - Políticas de Armazenamento Público

É de grande i mportância e também necessário que seja estabelecida pelo governo uma p o l ítica de armazenagem, visando à administração e à o p e r a c i onalização dos estoques públicos.

A situação do tomador de decisão referente à a r m a z e n a ­ gem p ú b l i c a é realmente complexa por apresentar uma série de v a ­ lores controláveis e i n c o n t r o l á v e i s , tornando a definição de e s ­ toques reguladores uma atividade de grande risco.

E m primeiro lugar, a e x periência i n d i c a que os d e s l o ­ camentos anuais da curva de o ferta dos produtos agrícolas tendem a ser maiores que os deslocamentos da procura e, ao.mesmo tempo, a se c omportarem erraticamente. Isto se deve, em parte, ao fato de a produção agrícola estar sujeita às condições c l i m á t i c a s ,s e n ­ do essa uma razão muito importante, já que m uitos economistas e n ­ fatizam o p r o blema do armazenamento...pelo lado da oferta. O b v i a ­ mente, dois vetores de variáveis são relevantes na análise de

(40)

deslocamento da oferta: variáveis climáticas, que afetam p r i n c i ­ palmente os rendimentos por hectares; e variáveis econômicas, que afetam o uso da terra.

E m segundo lugar, o número de anos b o n s ou ruins c o n ­ secutivos, assim como seus níveis de produção, são difíceis de serem estimados e introduzem ainda mais um outro elemento de i n ­ certeza, face a restrição da capacidade de armazenamento.

As principais políticas de armazenamento . encontradas na literatura estão dirigidas a:

. lograr uma quantidade constante de armazenamento; . m a x i m i z a r uma função de ganho social;

. estabilizar os preços agropecuários; . estabilizar a renda agropecuária;

. maxim i z a r os ganhos dos consumidores ou dos produtores.

E x istem ainda outros objetivos, como, por e x e m p l o m a n ­ ter um estoque plurianual com fins de ajudar países em d e s e n v o l ­ vimento; de p r oporcionar uma m aior segurança nacional para o caso de uma eventual guerra; de aumentar a posição de b a r g a n h a do país no comércio internacional.

N ã o cabe, neste trabalho, apresentar e analisar as propostas de Políticas Agrícolas existentes, pois foge ao o b j e t i ­ vo do mesmo.

(41)

2.6. Políticas de C omercialização Agrícola

Segundo B r a n d t ^ , dois dos principais instrumentos de comercialização agrícola, utilizados no País são a garantia de preços mínimos e a concessão de crédito subsidiado à produção e à comercialização. A p r i meira é coordenada pela Comissão de F i n a n ­ ciamento da Produção - CFP, e a segunda, pelo Banco do Brasil. As duas são implementadas com a cooperação do sistema bancário, e n ­ volvendo as instituições privadas e públicas. Tanto a polít i c a de preços como a de crédito tem contribuído para a expansão da p r o ­ dução agrícola e exigem a participação do sistema n a c ional de a r ­ mazenamento.

Para a garantia de preços mínimos, os financiamentos obedecem a certas normas fixadas pela CFP. A g a r antia oferece dois tipos de operação:

. pelas Aquisições do G o verno Federal - AGF, que se c o n s t i ­ tui em vendas imediatas a CFP, via agência do Banco do B r a s i l , p e ­ los preços líquidos oferecidos anualmente;

. pelos Empréstimos do Governo Federal - EGF. Este tipo de financiamento tem duas modalidades; sem opção de venda, em que, vencido o contrato, o produto não é transferido a CFP, devendo o mutuário liquidar o financiamento, podendo, caso julgar c o n v e ­ niente, fazer a operação de AGF; e a segunda, com opção de venda,

7 " " '

BRANDT, Sérgio A . , "Papel do armazenamento na polít i c a de c o ­ mercialização" , CENTREINAR, Minas Gerais, Viçosa, UFV, 1980.

(42)

ou seja, o produto é transferido automaticamente a CFP caso o d é ­ bito não for liquidado no final do empréstimo.

Ao se conceder subsídio ao crédito de comercialização- objetivou-se fornecer ao produtor rural recursos a taxas de juros concessionais, para que pudesse estocar sua produção na espera de conseguir melhores oportunidades de mercado ao longo do ano. E n ­ tretanto, com o passar dos anos, na m e d i d a em que a o ferta de crédito tornou-se relativamente mais abundante, principalmente na década passada, uma p a rcela substancial desses recursos foi transferida para a indústria e para o setor de intermediação c o ­ mercial na agricultura. Mais da metade dos recursos do crédito de

comercialização foi aplicado, em anos recentes, no financiamento da matéri a - p r i m a e nas transações comerciais no setor não-agríco- la8 .

A operação de comercialização dentro do ano implica a transferência de estoques para a entresafra. Esta operação tem custos elevados (deficiência da infra-estrutura e custos f i n a n ­ ceiros), riscos também elevados devido a erros de i n f o r m a ç ã o ( p r e ­ cariedade do sistema de estatística agrícola) e a incerteza i n e ­ rente à política de intervenção do governo no setor a g r í c o l a . M e s ­ mo que se elimine o último componente, existe um papel importante a ser desempenhado pelo crédito de comercialização, no sentido de facilitar a transferência do produto das mãos do produtor para o

ARRUDA, Ariovaldo F * , "Uma safra recorde ao r e l e n t o " , R e v i s t a VEJA, São Paulo, ll/fev/1987, pll4.

(43)

comerciante (ou indústria), sem que isto implique no rebaixamento excessivo do preço pago ao produtor na colheita. Para tanto, é preciso que o produtor tenha acesso ao crédito e à infra-estrutu- de armazenagem.

s

2.7. Revisão Bibliográfica

Estudos realizados até hoje, concernentes à Armaz e n a g e m de produtos agrícolas, baseia m - s e em teorias isoladas e d i r e c i o ­ nadas, principalmente, às empresas públicas, beneficiando, assim, aos intermediários e não aos reais usuários dos serviços de esto- cagem, que são os produtores rurais.

9

Parte desses estudos deve-se a M o u r a , que se propôs a: . estimar funções de custo médio de estocagem, analisando os efeitos de volumes de operações, taxas de utilização, período de estocagem e tipos de tecnologia sobre os custos m édios de e s t o c a ­ gem;

. determinar os períodos de estocagem que m i n i m i z a m custos e m a x i m i z a m lucros para a empresa fornecedora de serviços de a r ­ ma zenamento ;

. determinar volumes ótimos de operação, que m i n i m i z a m c u s ­ tos e m a x i m i z a m lucros para a empresa que fornece serviços de estocagem.

MOURA, P . A . M . , "Eficiência econômica de e s t o cagem em armazéns gerais", Dissertação de Mestrado, C A S E M G , Minas Gerais, Viçosa, UFV, 1978, 64p,

(44)

Brandt afirma que, para o empresário que investe em infra-estrutura ou serviços de armazenamento, visando a obtenção de lucro com o aluguel de serviços, a eficiência econômica p r e c i ­ sa ser examinada de outro ângulo, já que os custos incorridos e os retornos alcançáveis são diferentes. Para o usuário, por e x e m ­ plo, a tarifa é um custo, ao passo que, para o empresário que a-, luga serviços, a tarifa é uma m e d i d a de retorno.

Por outro lado, para a empresa pública que não visa l u ­ cro, mas sim praticar tarifas mais reduzidas, então o seu o b j e t i ­ vo é a m inimização de custos médios de estocagem.

Existem, enfim, pontos de conflito potencial entre a- quilo que os fornecedores de serviços desejam e o que é melhor para os usuários desses serviços. Contudo, estudos mais d e t a l h a ­ dos e complexos, que consideram as diversas questões envolvidas no processo de comercialização e armazenagem, tais como:

. disponibilidade de capital próprio para investimentos; . recursos técriicos disponíveis no setor de armazenagem; . retorno mínimo de subsistência do agricultor;

. rendimento associado às soluções viáveis;

. comparação de culturas com ciclo de produção diferentes; . limitações impostas pelo m e r c a d o de comercialização a g r í ­ cola;

. política agrícola vigente;

BRANDT, Sérgio A . , "Papel do armazenamento na p o l í t i c a de c o ­ mercialização" , CENTREINAR, Minas Gerais, Viçosa, UFV, 1978.

(45)

. produção total esperada pelo produtor,

nao sao desenvolvidas na sua totalidade, e r e s t r i n g e m — se apenas a alguns produtores. Dessa forma, em nível bibliográfico, são quase inexistentes os estudos que se relac i o n a m a formulação de modelos matemáticos, envolvendo a análise de investimentos n a A g r i c u l t u ­ ra, especificamente na área da Armazenagem.

C a s a r o t t o 11 apresenta alguns modelos de análise de i n ­ vestimentos que, dentro da complexidade do m u n d o atual, se faz necessário o conhecimento e o uso de técnicas especiais de E n g e ­ nharia Econômica, concebidas pela M a t e m á t i c a F i n a n c e i r a que, por sua vez, descreve as relações do b i nômio Tempo-Dinheiro.

1 o

T o v a r x cita que, segundo K u t c h e r e Norton, o problema político agrícola é inerentemente complexo. Envolve a tentativa de influenciar a produtores e consumidores, e o desem p e n h o do s e ­ tor está sujeito às instabilidades da natureza.

Esta complexidade e ainda maior quando são considerados os diversos e conflitantes objetivos do governo, c o m o , por e x e m ­ plo, o de prover alimentos para a população a preços acessíveis, e o de gerar níveis de emprego e de renda satisfatórios aos fa­ zendeiros e trabalhadores rurais. Os autores m e n c i o n a m que Gaugley e T h o r b e c k concluem não existir respostas fáceis e nem

TI :

:

- ---- :---

---CASAROTTO, N e l s o n F.; K O P I T T K E , Bruno H. ,. "Análise de • i n v e s ­ timentos", E d i tora d a U F S C , Florianópolis, 1985, 225p.

12 . . . .

TOVAR, O l g a H.P., "Planejamento da p r opriedade a g ropecuária u- sando um m odelo de programação linear fracionária", D i s serta - ção de Mestrado, Florianópolis, UFSC, 1985, 156p.

(46)

ótimas. Sendo assim, a função adequada da análise de políticas agrícolas é assistir à tomada de decisãq, levando em .conta todas as conseqüências das alternativas possíveis. N e s s a s c i r c u n s t â n ­ cias, tem-se, em geral, usado m o d elos de P r o g r a m a ç ã o M a t e m á t i c a e, em especial, de Programação Linear, no sentido de assessorar este tipo de análise de políticas agrícolas.

Segundo Butterworth, a Programação L i n e a r é uma t é c n i ­ ca de otimização que, na agricultura, vem sendo utilizada para encontrar dietas de custo mínimo, para a formulação de rações para animais e também, para o p l a nejamento e seleção de a l t e r n a ­

tivas para m ú l t iplos investimentos em propriedades rurais .

2.8. Comentários

Percebe-se, finalmente, que as conseqüências d e t e r m i ­ nadas pela A r m a z e n a g e m de Produtos Agrícolas â nação são muito abrangentes, influenciando desde a i nfra-estrutura de transporte para escoamento das safras até as questões de segurança n a c i o ­ nal.

Contudo, a infra-estrutura armazenadora é deficitária e está carente de novos investimentos. N e s t e caso, estudos de viabilidade econômica e social d e v eriam ser desenvolvidos para subsidiarem às decisões sobre os investimentos privados no setor de armazenagem de grãos.

O m odelo apresentado no capítulo seguinte, v e m.reduzir a d i ficuldade de obtenção desses subsídios.

Referências

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