UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
SA^Í\ÍTA
CATARINA
CENTRO
SOCIO -ECONOMICO
ACURSO
DE
GRADUAÇÃO
EM
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
OPROCESSO
DE
ABERTURA
DO
MERCADO
DE
-
SEGUROS
Anair
Marlise Grassi
Maycá
OCENTRO
SÓCIO
ECONÔMICO
O
DEPARTAMENTO
DE
CIÊNCIA
DA
ADMINISTRAÇÃO
COORDENADORIA
DE
ESTÁGIOS
O
PROCESSO
DE
ABERTURA
DO
MERCADO
DE SEGUROS
Anair
Marlise
Grassi
Maycá
PROFESSOR
ORIENTADOR:
Prof.
João Rogério Sanson
ÁREA
DE CONCENTRAÇÃO:
MICROECONOMIA
Monografia
submetida aoDepartamento
de Ciências
Econômicas
para .obtençãode carga horária
na
disciplina CI\H\/I5420
-
Monografia.
FQLHA
DE
APROVAÇÃO
A
Banca
Examinadora
atribuiu a nota alunaANAIR MARLISE
GRASSI
MAYCÁ
na disciplinaCNM
5420
-
Monografia, pela apresentação deste trabalho.Banca
Examinadora
fa
[ÇProfessor J
o~
Sanson
Presidente
Professor
Newton
C. Affonso da Costa JúniorMembro
Professor Roberto
Meurer
Aos
meus
pais, pela sabedoria de fornecer a oportunidadedo
estudo que éum
dos melhores presentesda
vida.Ao
meu
esposo, Ingo, pelo amor, dedicação e forçaem
finalizar mais esta etapado
nosso caminho. '
Ao
meu
orientador, professor João Rogério Sanson, pelo apoio à monografia, pelointeresse e orientação, e pela atenção dedicada à
minha
pessoa.Agradeço, ainda, a todos os colegas, pela
amizade
e incentivo,que
indiretaou
RESUMO
O
presente trabalho parte da análise da estrutura,comportamento
e relações entreagentes seguradores e segurados
no mercado
segurador brasileiro.Teve
origem pelanecessidade de se avaliar a evolução
do mercado
de seguros e resseguros, apoiando-sefirmemente
na
teoriada
informação assimétrica.Determinados
conceitoscomo
risco eincerteza,
o
contrato de seguro, a lei dos grandes números, o pool,o
perigo moral, a seleçãoadversa, assimetria de informação,
o
resseguro ,e etc.foram
apresentados paraum
melhor
entendimento
do mercado
de seguros.Este trabalho é elaborado
com
baseno
estudo de técnicos especializadosno
ramo
de
seguros, efetuando-se
uma
apresentação das principais característicasda
evolução históricado
mercado
de seguros. E,em
seguida, é analisado aconfiguração
atual destemercado
com
as possíveis tendências da abertura
do mercado
segurador para ospróximos
anos.Observou-se, ao final
do
trabalho ofim
do monopólio
do
resseguro, obstáculoprincipal para
o
plenofimcionamento
do mercado
de segurosem uma
economia
globalizada. primeiramente apresentado
o
Instituto de Ressegurosdo
Brasil ( IRB),órgão responsável pela regulamentação
do
resseguro e ,seguro brasileiro, é descrito suafiindação, seu funcionamento e por
fim
sua privatização.É
feito a análisedo
papeldo
Estado
como
principal intervencionistano mercado
de seguros, o Estado sempre foi, eainda é hoje, fator de
suma
importância, paraque
asmudanças no
setor concretizem-se deCAPÍTULO
1-
o
PROBLEMA
... .. 1 1.1 Introduçao ... ... ... .. 1 1.2Fonnulação
da Situação-Problema ... _.2
1.3 Objetivos ... ._ 3 1.3.1 Geral ... ..3 1.3.2 Específicos ... .. 3 1.4 Metodologia ... ... .. 3CAPITULO
II-
OS CONCEITOS
BÁSICOS
DO
SEGURO
... .. 52.1
Noções
de Seguro ... ._ 6 2.1.1O
Contrato ... ... .. 62.1.2
A
Lei dos GrandesNúmeros
... .. 72.1.2.1
A
Definição
de¶Pool .... ... ... _. ... ... ... .. 72.1.3 Classificação Simplificada dos
Ramos
Gerais de Seguro ... _. 8 2.1.4 Sinistro ... ... .... .. 82.2 Risco e a Incerteza ... ..9
2.3 Pulverização
do
Risco ... ... ... .. 102.3.1
Definição
de Cosseguro, Resseguro e Retrocessão ... .. 102.4 Imperfeição
no
Mercado
... ... ... .. 12 2.4.1 Assimetria de Informação ... .. 12 2.4.2 SeleçãoAdversa
... ._ 13 2.4.2.1O
Perfildo
Segurado ... _. 14 2.4.3 PerigoMoral
... .. 14 2.4.3.1AFranquia
... .. 15 2.4.3.2O
Bônus
... .. 16 2.5 Conclusão ... .. 16CAPÍTULO
III -ESTRUTURA
DO MERCADO
SEGURADORVBRASILEIRO
.... _. 18 3.1 Trajetóriado
Mercado
Segurador Brasileiro ... .. 183.1.1 Primeira Fase
do
Mercado
de Seguros ... _. 18 3.1.2Segunda
Fasedo
Mercado
de Seguro ... ..20
3.1.3 Terceira Fase
do
Mercado
de Seguros ... ._ 3 .2O
Quadro
Atualdo
Mercado
Segurador Brasileiro ... .. 3.3 Conclusão ... ._CAPÍTULO
Iv
-o
MERCADO
DE RESSEGUROS
... _.4.1 Criação
do
Instituto de Ressegurosdo
Brasil (IRB) ... ..4.2
O
Processo de EstmturaçãoDo
Institutode
Ressegurosdo
Brasil (IRB) ... .. 4.3A
Influênciado Monopólio
de Ressegurosno
Mercado
Segurador Brasileiro4.4
O
Fim
do Monopólio_do
IRB
... ... ... .. 4.4.1O
Processo de Privatizaçãodo
[RB-BrasilRe
... ... ._4.5 Conclusão' ... ..
~ ~
CAPÍTULO
V
-CONCLUSOES E
RECOMENDAÇOES
FINAIS
... _.TABELA
1-
Participação estrangeirano
mercado
segurador brasileiroFLUXOGRAMA
CAPÍTULO
1-
o
PROBLEMA
1.1
Introdução
O
mercado
segurador brasileirotem
aumentado
sua participaçãona economia
nosúltimos anos, consequentemente,
também,
tem
aumentado
as participações decompanhias
estrangeiras
no mercado
nacional.Com
a globalização, as empresas estrangeirasquerem
investir
num
mercado que
tem
potencial de crescimento,como
o
mercado- de segurosbrasileiro.
No
mercado
nacional as parceriascom
empresas estrangeiras trazem parao
Brasil novas opções de seguros. Esta
movimentação
éum
fatonovo no mercado
seguradorbrasileiro.
Alguns
anos atrás, os estrangeiros sópodiam
se associarcom
companhias
brasileiras
como
acionistas minoritários, nãopodendo
detero
controle das empresas.Desde
a Constituição de 1988,
há
proibiçãodo aumento
de participações estrangeirasno
setorfinanceiro.
Mas,
o presidenteFernando
HenriqueCardoso
facultou disposições transitóriasque permitem
a entradade
empresas estrangeiras, desdeque
a autorização seja concedidacom
baseno
chamado
“interesse nacional”.A
aberturado
setor de seguros foi consideradaprioritária. Junto desta abertura e a estabilidade econômica,
o que
ocorreu, desde então, foicentenas de milhões de dólares
em
investimentos diretos entrandono
setor.Contudo, para a globalização
do mercado
de seguros ficar completa, falta terminarcom
o controle demonopólio do
ressegurono
Brasil, exercido peloIRB
há 60 anos.O
resseguro é
uma
operaçãoem
que
uma
seguradora, após assegurarum
valor muito alto,protege-se
do
risco, diluindo o risco entre outras empresas.No
Brasil,o
Instituto de Ressegurosdo
Brasil (IRB) foi criadoem
1939,no
governo
de Getúlio Vargas,como
uma
sociedade deeconomia
mista,com
uma
posição monopolistano
mercado.O
IRB
foi criadocom
a finalidade de ofereceraumento da
capacidade ido
mercado
nacionalde
seguros, para buscar maiornúmero
de negóciosna
economia
brasileira. Antes da criaçãodo
IRB
as seguradoras brasileiras recorriam aospaíses estrangeiros para efetuar o resseguro.
Até
os dias de hoje continua funcionandoum
regime de controle exclusivo exercido2
privados
em
partes iguais.Em
função de ser o operador únicodo
resseguro,o
IRB
assumiu,também,
funções normativasno
mercado,em
termos de obrigatoriedade de consulta dasseguradoras, de resseguro, cosseguro
ou
retrocessão. Essa situação de única resseguradorabrasileira
deu
aoIRB
um
volume
de negócios,que
o coloca entre as 30 maioresresseguradoras
do mundo,
hoje o[RB
ocupa
35° posiçãodo
ranking mundial, dos 100maiores grupos é
o
únicodo
continente Latino-americano.O
govemo
brasileiro pretende privatizaro IRB,
para isso preparou aempresa
para aabertura
do
mercado,mudando
a estrutura administrativa, vai viabilizar acompra
das açõesà disposiçao
da
iniciativa privada.1.2
Formulação da
Situação -Problema
No
Brasil, a discussão sobre ofim
do monopólio do
setor de ressegurotem
seuimpacto sobre a privatização de
uma
empresa
pública e,também,
sobre asmedidas que
serão necessárias ser
tomadas
para que omercado
de seguros não sofracom
o
fimdo
protecionismo exercido pelo
govemo.
A
preocupaçãoda
discussão, sobre a definiçãode
novas regras, parte
do
princípio que as empresas seguradoras brasileirasnão
estãoacostumadas
com
um
mercado
aberto e competitivo, principalmenteem
relação àparticipação das empresas estrangeiras
no
Brasil.As
companhias
nacionaistêm
pouca
experiência
com
resseguro, porque estão habituadas a passaro
risco parao
IRB
analisar,viabilizar e buscar
um
resseguradorcom
recursos financeiros.A
aberturado mercado
tantopode
trazer beneficios quanto riscos para a sociedadebrasileira.
Com
a internacionalizaçãodo
resseguro, é fato que, oaumento
de empresasestrangeiras participando
no mercado
brasileiroaumenta
o risco, assim,como
o seguradorcumpre
com
as obrigaçõesda
apólice de seguros, é primordial que o ressegurador seresponsabilize pelos sinistros cobertos, estabelecidos pelas condições acordadas
no
contratode resseguro. Várias resseguradoras estrangeiras já estão instaladas
no
país. Estas estãoapenas esperando
o
“sinal verde” para vir a efetuar ,negócios nesta área.Quanto
maisdemora
a privatização .do IRB, maisdemora
,parao mercado
nacionalde
seguros virnegociar e desenvolver
novos
segmentoscom
as grandes resseguradoras estrangeiras.A
aceitação maiores
do que
os praticados nos dias de hoje,tem
tecnologia de ponta e asparcerias
com
empresas fortesdo mercado
mundial.As
parceriascom
asempresas
estrangeiras,
também,
traz a oportunidade deaumento da poupança
intema nacional,viabilizando investimentos de longo prazo
sem
a necessidade de recorrer a_empréstimosde
longo prazo e
sem
a necessidade de recorrer a empréstimosextemos ou
com
juros elevados.1.3 Objetivos
1.3.1
Geral
«
O
objetivo geral, neste trabalho, é traçarem
linhas gerais a evoluçãodo mercado
deseguros, dada a forte presença
do
Estadocomo
regulador dessemercado
e a relação aofim
do monopólio
de resseguros.1.3.2 Específicos
Os
objetivos específicos pretendem:O
Apresentar conceitos relacionadoscom
o
seguro para fiindamentar a pesquisa;O
Observar a estruturado mercado
de seguros e as diferenças comportamentaisconforme
a evolução desse mercado;O
Examinar o
nivel de influência exercido pelomonopólio do
resseguros,no
mercado
de seguros, e a polêmica da privatizaçãodo
Institutos de Ressegurosdo
Brasil ( IRB).
1.4
Metodologia
.O
estudo analisaum
importantesegmento da
economia
brasileira, omercado
segurador brasileiro.
A
participação desta indústriana composição do
ProdutoIntemo
Bruto (PIB),
no
ano de 1999, foi de 2,4%, e, estemercado
dá fortes indícios, de nospróximos
anos, elevar sua participaçãono
PIB
atravésdo aumento
de parceriasinternacionais e
com
a. privatizaçãodo
Instituto de Ressegurosdo
Brasil (IRB).Num
primeiromomento
pretende-se expor, ao leitor,em
linhas gerais,um
4
fundamentar a análise
do
estudodo
mercado
de seguros. Este referencialtem
como
conteúdo conceitos importantes da
microeconomia
relacionadacom
o seguro, taiscomo, o
conceito de escolha sob incerteza,
tomada
de decisão, redução de riscos, valorda
informação, a lei dos grandes números,_inforrfnação assimétrica e risco moral.
Baseado
em
leituras, de autores especializados nos
ramos
de seguros, foram apresentados conceitosespecíficos
do
setor de seguro,como
o
contrato de seguro,o
sinistro, a bonificação e outrasespecificidades de seguro.
Também,
baseadoem
importantes livros sobreo
ramo,foram
traçados,
na
segunda partedo
trabalho, a evoluçãodo mercado
segurador brasileiro e o seumomento
atual.Na
exposição da terceira partedo
estudo,que
trata dasmudanças
ocorridas desde acriação
do
IRB
no
govemo
de GetúlioVargas
até asmudanças
estruturais recentesno
governo de Fernando
Henrique Cardoso,mudanças
como
o
fim
do monopólio do
IRB
e asmudanças
institucionaisdo
setor, baseiam-se nas leituras de periódicos,como
jornais erevistas especializadas
no
setor de seguros.CAPÍTULO
11~
os
coNcE1Tos
BÁSICOS
Do
SEGURO
O
estudodo
seguro é importante na análise deuma
das formas utilizadas pelosagentes
econômicos
para gerenciar riscos.Os
agenteseconômicos
freqüentementetomam
decisões nas quais existe a imprevisibilidade
da
ocorrência de acontecimentosdesfavoráveis, isto é, a incerteza quanto ao futuro.
Conforme
descrevem Pindyck
eRubinfeld (1994, p.187),
temos
três maneiras deo
agenteeconômico
comportar-se dianteda
imprevisibilidade quanto ao futuro:“
O
indivíduo
que
prefereum
retorno garantidopara
um
valor determinado,em
vezde
um
investimentode
risco cujo retorno correspondaao
mesmo
valor, édenominado
avessoa
riscos.O
valormáximo
em
dinheiroque
uma
pessoa avessaa
riscos
pagaria
para
poder
evitar ter de assumirum
determinado risco é ochamado
preço
do
risco.Aquele que
semostra
indiferente entre investimentosde
risco eo
recebimento garantidodo
retorno esperadopara
tal investimento édenominado
neutroao
risco.E
o consumidor
apreciadorde
risco prefeririaum
investimentode
riscocom
um
determinado retorno esperado,
em
vezdo
recebimento garantido de tal quantia. ”u
Geralmente, os agentes
econômicos
demonstram-se avessos ao risco, sendoque
estefato os
conduzem
a aplicar recursos para gerenciar riscos. Pindyck e Rubinfeld (1994, p.193)
examinam
maneiras pelas quais os agenteseconômicos normalmente reduzem
seusriscos.
São
elas: diversificação, obtenção de informações adicionais à respeito de opções edesfechos e aquisição de seguro.
A
diversificação éum
modo
onde o
indivíduopode
evitar situações de risco, atravésda
alocação de investimentos e esforçosem uma
variedade de atividades, cujos resultadosnão estejam relacionados entre si,
conforme
mostra Pindyck/Rubinfeld_.(19_94, p. 194).O
valor
da
informação, segundo Pindyck/Rubinfeld (1994, p. 198), refere-se a importância,
'\.
6
escolha, quanto mais completa for a informação maior é o valor
da
informação completa eos indivíduos pagarão por ela, para prevenirem- se contra os riscos.
Neste presente trabalho é desenvolvido
um
dos mais usadossegmento de
aversão aorisco,
o
estudo sobreo
seguro.Souza
(1997):“Ainda
que o
seguronão
sejauma
únicamaneira de
proteção contrao
risco, ele éescolhido principalmente
pela
suaoperação
econômica, isto é,o
seguro atua sobreunidades
do
sistemaeconômico
no
que diz respeitoa
gerência de riscoseconômicos
através
da
segurança jinanceira idealizada cobrindoo
riscodo
patrimônioindividual
ou
coletivodos
agentes econômicos.A
característica essencial destamodalidade de
obtençãoda
tranqüilidade individual e social dentrodo
sistemaeconômico
éa
sua necessidade constantedo
ponto
de vistada
realidade atual.”Neste capítulo serão apresentadas quatro seções
onde
se discorrerá sobre asespecificidades
do
seguro.A
primeira seção refere-se às noções básicas de seguro,como
contrato de seguro, a lei dos grandes números, a definição
do
pool, a classificaçãodo
seguro e o conceito de sinistro.
A
segunda seção apresentao
conceito de risco e incertezano
ramo
de seguro.A
terceira seção é apresentado a pulverizaçãodo
risco através dosconceitos de resseguro, cosseguro e retrocessão.
A
quarta seção refere-se as imperfeiçõesno
mercado, efetuando-seuma
exposição sobre a assimetria de informação, seleçãoadversa e o perigo moral.
2.1 -
Noções de Seguro
2.1.1-
O
Contrato
O
segurotem
a finalidade de transferênciado
risco deum
indivíduo parao
segurador.
O
seguradorassume
uma
obrigação peloprêmio
pago
pelo indivíduo (osegurado).
O
contrato de-seguro..é conhecidocomo
apólice de seguro, isto é,uma
transaçãofirmada
através dedocumento que o
segurador emite após a .aceitaçãoda
cobertura de riscoseguradora referente a
uma
determinada cobertura,podendo
ser elas, cobertura deautomóvel, casa, condomínio, empresa, vida, previdência, seguro de saúde, etc.
2.1.2
A
Lei dosGrandes
Números
Com
onúmero
crescente de contrato de seguros realizados entre indivíduos eseguradoras, as
companhias
seguradorastêm
a possibilidade de formar e aumentar seufundo
comum,
isto é, seu recurso financeiro capaz de cumprirpagamentos
diante dossegurados. Esta capacidade
das
companhias
seguradoras de operarem
larga escala,conforme Pindyck
e Rubinfeld (1994, p.195), leva ascompanhias
seguradoras adefrontarem-se
com
riscos menores.A
definiçãoda
leidos
grandesnúmeros têm
a função de prever atravésdo
grandenúmero
de operaçõeso
quanto é provávelo
acontecimento deum
determinado evento.A
relação entre
o
número
de casos verificados eo
número
de ocorrências prováveistêm
atendência de ficar constante, pela persistência
do
número
de acontecimentos regularesem
relação aos acontecimentos não previstos.
Como
observa Pindyck e Rubinfeld (1994, p.210);
“A lei de grandes
números
possibilita àscompanhias
seguradoras oferecerem seguros atuarialmente razoáveis,para
os quais osprêmios
,pagos
sao iguaisaos
valores esperados
dos
prejuízos contra os quais tais seguros são feitos.”2.1.2.1
A
Definiçãode Pool
Conforme.
s definição de. Pindyck e. Rubinfeld, (1994, p.195), ascompanhias
seguradoras realizam
um
pool,quando
combinam
um
volume
alto de recursos para atender8
2.1.3
-
Classificação Simplificada dosRamos
Geraisde
Seguro
O
seguro abrangeuma
enonne
gama
de atividadeseconômicas
expostosempre
aaumento
de ocorrência de riscoque
formam
a base de suas atividades, constituindouma
variedade de
ramos
de seguros classificados, principalmente, por dois grandes grupos dedestaques: os seguros de
ramos
elementares e seguros de pessoas.Os
seguros deramos
elementarescobrem
as responsabilidades, os danos e as perdasde prejuízos materiais
ou
patrimoniais e,o
seguro de pessoas cobre morte pordoença ou
acidental, invalidez por doença
ou
acidental e despesas médicas e hospitalares.As
principais modalidades de seguro são: Seguro de Responsabilidade Civil,Aeronáutico, de Automóveis, de Cascos Marítimos (Embarcações), de Crédito à
Exportação, de Fiança Locatícia, de Incêndio, de
Lucro
Cessantes, Seguro Obrigatóriode
Automóveis
(DPVAT),
de Obrigações Contratuais, deRenda
ou
Previdência Privada, de Riscos de Engenharia,de
Riscos Diversos, Seguro Saúde, de Transportes, deVida
em
Grupo
e Individual, etc.2.1.4
-
SinistroQuando
algum
acidente acontececom
obem
ou
pessoa seguradona
apóliceou
no
certificado de seguro e o risco está coberto pela apólice, é
definido
como
sinistro.À
partirdeste
momento
entraem
ação o papeldo
segurador edo
segurado.O
papeldo
segurador, éo
de regular e cumprir .com aiobrigação assumidana
apólice de seguro e, o papeldo
segurado é o de avisar
o
segurador sobre a ocorrência de sinistro,conforme
constano
contrato de seguros.
Compromete-se
a cooperar para a regulaçãodo
sinistro,comprovando
a ocorrência
do
mesmo
e apresentandodocumentos
necessários para a sua regulação.O
sinistropode
ser total,quando
ocasiona a destruiçãoou o
desaparecimento porcompleto
do
objeto seguradoou
parcial,quando
atingesomente
paitedo
objeto segurado.Conforme Alvim
(1999, p.393):“Sinistro é
apenas
a
realizaçãodo
acontecimento previstono
contrato,A
seguradora atua deforma
a reparar,compensar
e satisfazero
prejuízode
determinado
bem
ou
pessoa, após a ocorrênciado
sinistro através da indenização.A
indenização é a importância que a
companhia
seguradora deverá pagar ao segurado,no
casoda efetivaçao de
um
risco cobertono
contrato de seguro,conforme
o valor estipuladona
apólice.
A
indenização geralmente épaga
em
dinheiroou
com
a própria reposiçãodo
bem.2.2 -
O
Risco ea
IncertezaO
conceito de risco éum
dos elementos mais importantes para o conceito de seguro,é
um
dos conceitos básicos parao
equilíbriodo mercado
segurador.A
ocorrênciade
acontecimentos
que
interferemem
operações econômicasque não foram
previstospodem
provocar desequilíbrios
no
sistema, portantoo
risco éum
fenômeno
especial parao
universo econômico. O. conceito de risco é
na
maioria das vezes definidocomo
um
acontecimento
que
não
se está certo de sua ocorrência eque não depende
da vontade dosagentes a sua ocorrência
ou
não.Conforme
publicado porAlvim
(1999, p. 215):“Pode-se conceituar, então,
o
risco segurávelcomo
o
acontecimento possível,futuro e incerto,
ou de
data incerta,que
não.depende
somentedas
vontadesdas
partes. ”
O
risco éuma
possibilidade futura de algo acontecer, influenciada por outros fatosjá realizados e_ não
um
fato concretoque
já tenha acontecido.Outro ponto importante para
o
entendimento da importânciado
seguro é o conceitode incerteza.
A
incerteza é a dúvida quanto à ocorrência de determinado evento seconcretize
ou
não, esta incertezapode
acarretar o desequilíbrio deum
sistemaque
leva àutilizaçao de
meios
de obter tranqüilidadeem
relaçao ao fiituro.A
incerteza diferedo
risco~
à partir
do
conceito de quena
incerteza os indivíduosnão
têm noçao
da probabilidade de10
“Risco é enfrentar
uma
variável aleatória cuja distribuição de probabilidade éconhecida. Incerteza é lidar
com
outra variável aleatória cuja distribuiçãode
probabilidade se desconhece. ” ›
Estas duas abordagens interferem
no
equilíbriodo
mercado
segurador, pois são elasque
definem
a existência dademanda
e oferta dos produtosno mercado
de seguros.É
através
do
risco que seobtém o
cálculodo
seguro, baseadona
lei de grandes números,conforme
observadona
primeira seçãodo
presente estudo.O
seguradorpode
obter aprobabilidade de
uma
ocorrência acontecer e, através da incerteza ocorre a busca pelosagentes
econômicos
de se proteger contra determinado evento quevenha
a representaruma
perda significativa
no
futuro.2.3 - Pulverização
do
RiscoA
pulverizaçãodo
risco é a divisãodo
prêmiopago
pelo risco e pela distribuição edivisão das responsabilidadesçdo risco, assumido pelo principal segurador e os demais
seguradores, isto é, os resseguradores.
A
pulverizaçãopode
ser efetivada através doscontratos de cosseguro, resseguro e retrocessão.
2.3.1
-
Definiçãode
Cosseguro,Resseguro
e RetrocessãoUma
característica desuma
importância na estratégia empresarial das empresasseguradoras é a transferência de riscos,
conforme definido
por Galiza (1997, p.52):“
No
mercado
deseguros,
há
doismecanismos
principaisde
transferênciade
riscopara
as seguradoras:o
cosseguro eo
resseguro. ”O
cosseguro é efetuadoquando
se pratica contrato de seguros vultosos.Quando
determinado risco .assumido é muito grande, esta operação é distribuída entre mais de
um
seguradornum mesmo
contrato de risco.Cada
seguradorassume
uma
quota, isto é,uma
prêmio
pago
é repartidona
proporção da quota de cada segurador.No
contrato de cosseguroo
líder é o segurador responsável pela divisãodo
cosseguro, o segurado tratadiretamente
com
ele e, geralmente, é eleo
responsável pela maior partedo
cosseguro e pelaadministração
da
operaçãodo
cosseguro. Galiza (1997, p_52) observa:“No
cosseguroo
segurado entraem
contatocom
a
empresa
cosseguradora,podendo não
aceitar determinada empresa. ”Os
seguradorestêm
a sua disposição outra operação para repartir entre eles asobrigações
assumidas que
ultrapassem a sua 'capacidade de retenção,o
resseguro.O
resseguro é a operação de transferência
do
excesso de responsabilidade deum
seguradorpara
o
ressegurador.O
segurador efetua esta operaçãoquando o
risco é maior queo
limitede sua capacidade
econômica
de indenizar.No
resseguro o segurador é o responsável pelorisco
assumido
diantedo
segurado, apesar de dividir a responsabilidade pelo risco.O
segurado
não
tem
relação diretacom
esta operação.Quando
ocorre o sinistro a seguradorapaga o
sinistro parao
segurado e depois reembolsa o prejuízocom
o
ressegurador, seusegurador.
A
ordem do
procedimentodo
resseguroconforme
descrito está representadono
Fluxograma
1.O
ressegurotem
a finalidade de facilitar operação para as seguradorasno
que
.serefere a_ maior poder de absorver riscos para garantia de resultados, preservando a
12
Fluxograma
lClassificação
do
Procedimento
do
Resseguro
SEGURÂDÚ
_¡,COMPANHIA DE
_¡,RESSEGURADDR
SEGUROS
J.
¿
Rlsco
Rlsco
Risco
ToIAL
_*
RETIDQ
RESSEGURADO
PELO
"P
SEGURADUR
O
ressegurador,também,
trabalhacom
um
limite de retenção de risco,quando
osvalores envolvidos nos contratos são tão altos
que
mesmo
o resseguro necessita decobertura, existe a ocorrência da pulverização
do
risco entres resseguradores.A
pulverização
do
risco é feita entre resseguradoras internacionais e nacionais, achamada
~
retrocessao.
Quanto
maioro
valordo
contrato,mais
necessário é o. envolvimento deum
grupo maior de empresas seguradoras.
2.
4
- Imperfeiçãono
Mercado
2.4.1
-
Assimetriade Informação
A
informação assimétrica éuma
característicado mercado
de seguro e nela estáfundamentada 0 comportamento do mercado
de seguros.A
informação assimétrica deve-seao fato de
que
os agenteseconômicos não conhecem
perfeitamente todas as informaçõessobre
o mercado
e sobre os seus parceiros comerciais.Por
exemplo,o comprador de
um
serviço
tem
menos
informação sobre a qualidadedo
serviçodo
que
o prestador domesmo.
No
ramo
de
seguro ocorreuma
situação específica, pois geralmente os seguradosexemplo, e sobre
o
fato de ocorrência deum
determinado evento,do
queo
segurador(mesmo
que
a seguradoratome
as precauções cabíveis).Nesta seção será analisado a
abordagem
sobre a teoria de assimetria de informação,expondo
deforma
sintetizadao
processo e os motivos desta estruturano
ramo
de seguro.2.4.2.
~
SeleçãoAdversa
Aqui
cabe observaruma
imperfeiçãodo
mercado
decorrenteda
assimetria deinformação, a seleção adversa.
As
seguradoras ao verificarque
os indivíduostêm
taxasde
riscos diferentes,
têm
dificuldadeem
definir a taxa correta a ser cobrada dos segurados.Conforme
Pindyck
e Rubinfeld (1994, p. 806):“As seguradoras
por
teremmenor
informação queo
consumidor,defiontam
com
segurados de níveis de risco diferentes, se estas
empresas
presumem
que
indivíduoscom
maior
probabilidade de ocorrência de sinistroprocuram
fazer seguro, isto fazcom
que as seguradoras elevem os preçosdos
prêmios dos
seguros,podendo
perder
mercado. Afastando os indivíduos
que
tema
informaçãoque
dificilmente ocorreráum
fatonão
previstopor
ele,mas
se asempresas
seguradoras oferecerempreços de
seguro
com
base nestes indivíduos, enão
temcomo
zƒastar os seguradosde
maior
risco de adquirir
o
seguro, correráo
risco de, ter prejuízo. ”O
seguradoquando paga
uma
determinada quantia ao segurador pela garantiada
cobertura de determinado risco, está
pagando
a quantia correspondente ao prêmioque
forma o
preçodo
risco.O
cálculodo
prêmio é baseadona
funçãodo
risco, quantomenor
aprobabilidade da ocorrência
do
risco,menor
seráo prêmio que o
segurado deverá efetuarpara ter o risco coberto.
A
seguradorapode
buscar diversas maneiras de diminuir o risco,como
efetuarexames médicos
nos segurados, pesquisar hábitos dos segurados e efetuaro
perfil
do
segurado.Mas,
ascompanhias
seguradorasnão
têm
como
prevero
eomportamentodo
.segurado :no dia ,a dia, se este seguradotem
a pretensão de efetuar .oseguro e passar a
nao
ter mais a precauçao de preservar os seusbens ou
seu estado jáque
14
2.4.2.1
-
O
Perfildo
Segurado
As
companhias
de segurosna
busca de diminuir a incerteza quanto ao risco,implantaram mais
um
aliadona
informaçãodo
indivíduoque
está contratando o seguro, operfil.
O
perfil é direcionado para informações sobreo
contratante titulardo
seguro e sobreseus hábitos diários.
Por
exemplo,no
seguro de automóvel as perguntas maiscomuns
sãosobre
o
sexodo
principal condutordo
veículo, idade, grau de escolaridade e se viajafreqüentemente
com
o
veículo.As
seguradoras utilizam o perfil, principalmente, na buscado melhor
preçodo
prêmio de
risco, porquedependendo
das informaçõesdo
perfilo
prêmiodo
segurotoma-se
mais caro
ou
mais barato.2.4.3
-
PerigoMoral
Outro tipo de deformação
do
mercado
de seguro é o perigo moral, que ébem
usualdo mercado
de seguros.O
perigo moral ,refere-se aocomportamento
dos consumidoresno
mercado
de seguro após adquiriruma
apólicede
seguro.As
empresas de segurosquando dispõem de
limitadas informações sobre seussegurados correm o risco de determinado segurado passar a ter mais incidência de sinistros
após adquirir a apólice de seguro. Esta maior incidência
de
sinistros acaba alterando aestatística de probabilidade de eventos e interferindo
no
preço dos prêmios das apólices.Para evitar
o
risco de_ perdermercado
ascompanhias
de segurostêm
,queimpor
regras paraa comercialização de seus produtos, cláusulas estas que
tenham
a função de limitaro
comportamento
de seus segurados, isto é,o
abusodo
usodo
seguro por parte do seguradopara beneficiar-se
em
causa própria.O
perigo moral éum
risco constante para ascompanhias
'de seguros, pois este controledo comportamento
individual dos agenteseconômicos
não é muito viável pela assimetria de informações, conforme ressalta“O
problema do
riscomoral
surgeporque
se torna difícilpara
a
companhia
seguradora
o monitoramento dos
hábitos individuaisde
utilizaçãodo
automóvel;o
prêmio
do
seguronão
é calculadoem
virtudede
milhas percorridas. ”As
principais formas de prevenção contra o risco é a exigência de vistoriado
localdo
riscoou do
objeto segurado, a participaçãodo
seguradono
risco (franquia), o direito abonificação, etc.
2.4.3.1
-
A
Franquia
Uma
característicado
prêmio é a franquia, que corresponde a participaçãodo
segurado
definido de
modo
contratual e legalno
risco.A
fianquia
éum
valor inicialda
importância segurada, pelo qual
o
seguradofica
responsávelcomo
seguradorde
simesmo.
Existem
dois tipos de franquia segundo Galiza (1997, p. 50):“
A
franquia simples,a
seguradoraou o
seguradopagam,
a
seguradorapaga
integralmente os prejuízos desde
que
estesnão
ultrapassema
franquia estabelecida.A
franquia dedutível,o
seguradoou o
segurado ea
seguradorapagam,
isto é,o
segurado se responsabiliza integralmente pelos prejuízos até
a
franquia e,para
osvalores
acima
dela,a
seguradorapaga
os prejuízosmas
deduz
o
valorda
franquia.Através desta assimetria, intenta-se
a
prevenção
contra fraudes.Caso
o
segurado,na
franquia dedutível, perdessea
responsabilidadepara
valoresacima
da
fianquia,
ele poderia ser “tentado”
a
sempre aumentar
os seus prejuízos,não
participando entãonunca
com
alguma
despesa. ”A
franquia éuma
forma
de diminuiçãodo
risco contra a imprevisibilidadedo
comportamento do
segurado e.dos acontecimentos, afranquia disciplinao comportamento
do
seguradona
medida
em
que
estetem
uma
participação,em
algum
acontecimentonão
16
2.4.3.2 -
O
Bônus
A
bonificação éum
direito adquirido pelo seguradoquando
efetuaum
contrato deseguro, à partir
do
momento
que o segurado passa a renovar seu contrato de seguro eapresenta durante
o
períodode
vigênciauma
experiência satisfatória passa a ter descontoespecial,
em
cada renovaçãodo
contrato de seguro. Determinadascompanhias
de segurosconcedem, ainda,
com
a bonificaçãoo
desconto fidelidade, isto é, se o seguradoalém
de~
nao
ter utilizado as coberturas contratadas passa a renovaro
contrato de segurocom
amesma
seguradora, eletem
o
direito a mais descontosno
prêmiodo
risco. 2.5 -Conclusão
A
teoriada
informação assimétrica ofereceum
referencial substancialno
entendimento dos fatores
que
compõem
as relações contratuais dos agentes econômicos,referente a aquisição de
um
contrato de seguro, namedida
em
que
permite analisar sob aótica
do
risco as dificuldades e relevâncias ocorridasno
processo decompra
evenda de
seguros.
A
análise dos fatores que,em
conjunto, sustentam acomposiçao
das transaçoesnas organizações
do
seguro,além
de avaliar o_ procedimentodo
seguro tem,também,
afunção de expor táticas estratégicas, relacionadas à competitividade das empresas
seguradoras.
A
questão sobre os limites de informações e a especificidadedo
riscoenvolvido sao determinantes para a natureza da transaçao considerada eficiente,
ou
seja, ade
menor
risco.Pindyck e Rubinfeld (1994)
mostram que na medida
em
que
os agentesconseguem
estabelecer informações, se reduz e elimina
comportamentos
oportunistas dos agenteseconômicos
e, as operações se realizamem
níveis elevados de eficiência. Paraque
istoocorra é necessário
que
os riscos sejam talvez até compartilhados eque
o graude
interdependência seja conhecido pelas partes,
como
ocorreno
resseguro.Quando
atingido,este grau de maturidade
na
operação, as empresas seguradoras estarãocom
maior graude
eficiência e experiência,
podendo
até desenvolver outros. tipos .de seguros, ,além .dosmais
utilizados, tendo maior sucesso
em
relação as empresas seguradorasque não desenvolvem
Mas
o que se pretende não é efetuar análises sobre estratégias competitivas e simefetuar
um
parecer. sobreo
desenvolvimentodo
segurono
Brasil,bem como
a alavancapara o seu desenvolvimento, abertura
do
mercado
atravésdo
fim
do monopólio
do
18
CAPÍTULO
III -ESTRUTURA
DO MERCADO
SEGURADOR
BRASILEIRO
Este capítulo
tem
como
objetivo apresentar a estruturado mercado
seguradorbrasileiro,
bem como
sua trajetóriaao
longo dos anos e sua tendência à abertura demercado.
O
O
mercado
segurador brasileirotem
sidomarcado
porum
longo período deintervenção
do
Estado,com
a finalidadede
proteger asmargens
de
lucrodo mercado
segurador e de estabilizar oq mercado.
Após
este longo período de intervenção,com
aocorrência de graves crises
na
economia, omercado
segurador foi obrigado a reformular asestratégias de operação
no
mercado. E, hojeem
dia, sua ,principal característica é aglobalização.
O
desenvolvimento da aberturado
mercado
segurador brasileiro écomposto de
~ ~
quatro elementos básicos: a diferenciaçao competitiva, a prestaçao de serviço,
novos
canaisde comercialização e reorganização
no
mercado. Esta análise,em
tennos de operação,envolve especificamente as seguradoras e as resseguradoras. Cabe, aqui, ressaltar
que
ointuito deste capitulo é relacionar a evolução
do
segurono
Brasilcom
a análise de relaçõesentre agentes econômicos, hoje
em
dia, eda
necessidade de reformulação das operaçõesdo
seguro para
o
acompanhamento
com
o
mercado
de segurador mundial.3.1
-
Trajetóriado
Mercado
Segurador
Brasileiro3.1.1
-
Primeira
Fase
do
Mercado
de
SeguroslO
inícioda
práticado
segurono
Brasil émarcada
pela independênciado
Brasile pela vinda
da
família real portuguesaem
1808, neste período o príncipe regenteDom
João
VI
assina o decreto que permite a abertura deuma
seguradorano
Brasil e,posteriormente, foi seguido pelo funcionamento de outras seguradoras.
'
A
regulamentaçãodo mercado
nesta época era regida pelas leis de Portugal,representado pela
Casa
de Seguros de Lisboa instaladano
Brasil.A
principal atividadedo
setor
do
seguro erao
seguro marítimo e os contratos decâmbio
marítimo feitos peloscompradores
de produtos coloniais. Assim, assinalaAlvim
(1999, p. 50):“Não há
notícias sobre operações terrestres,nem
existênciade
seguradorasnas
principais praças; tudo leva
a
acreditarque
suas operaçõeseram
limitadasao
seguro marítimo. ”
Após
a independênciado
Brasilem
1822, asCompanhias
Seguradoras,também,
poderiam
ser regulamentadas por outras leis, de outros países,além
de Portugal.Em
1850,acontece a promulgação
do Código
Comercial Brasileiro,que
inicia a regularizaçãodo
seguro marítimo brasileiro.
Em
1853 é fiindada a primeira sociedade de seguros terrestres,chamada
de “Interesse Público”, eem
seguida foram fundadas outras sociedades de seguroscomo
as de vida. -No
ano de 1855, passaram a entrarem
funcionamento outrascompanhias
seguradoras estrangeiras.
Nessa
época asCompanhias
Seguradoras desenvolveram,principalmente, os seguros marítimo, incêndio e vida.
O
crescimentodo
setor de seguro fezcom
que,no
Segundo
Reinadoem
1860,o
governo passasse a regulamentar o setor. Entre1860.e 1913 entraram
no mercado
várias seguradoras internacionaisno
Brasil. Este fatomarcou a
diversificação de investimentono
seguro e a diversificação deramos
de seguros assimcomo
a regulamentação denormas
contratuais nestesnovos
ramos.Em
1889,com
apredominância
das seguradoras intemacionais,o
govemo
passou
aregular a entrada de seguradoras estrangeiras
no mercado
brasileiro, passando até a proibira entrada de algumas
Companhias
de Seguros.Nos
anos seguintes a concorrênciacom
asseguradoras estrangeiras era complicada, pois estas
podiam
aceitar qualquer tipode
risco,transferindo parte das responsabilidades para
o
exterior e as nacionais não estavamestruturalmente preparadas para atender grandes responsabilidades. Este fato, impedia
o
crescimento das seguradoras brasileiras, porque
quando
o risco era de valor elevado àsempresas nacionais, tinham
que
repassar as empresas estrangeiras o risco, perdendo a20
3.1.2-
Segunda
Fase
do
Mercado
de
SegurozEm
1932
inicia-se a segunda parteda
evolução históricado
seguro,quando o
governo, finalmente, resolveu intervir
no
privilégio das empresas estrangeiras,de
repassarem
sem
nenhum
impedimento
as operações para suas matrizes forado
país.O
grande
movimento
nacionalista deu-seem
trêsde
abril de 1939,com
a_ criaçãodo
Institutode Resseguros
do
Brasil, o IRB, estemovimento
marca
o incentivodo
desenvolvimentode
um
mercado
segurador nacional.Conforme
cita Galiza (1997, p.O2):“Esta
medida não
éum
fenômeno
isoladoda
economia
pois,com
o governo
Vargas, são
tomadas
uma
série de ações ligadasao
incentivoda
indústria nacional.O
IRB, torna-seum
órgão
muito importantepara
o mercado de
segurosdo
pais,com
sua políticade
favorecer as seguradoras nacionais. ”As
seguradoras nacionais,mesmo com
um
patrimôniopequeno comparado
com
outras seguradoras estrangeiras, poderia assumir riscos maiores, pois poderiam passar parte
do
risco ao ressegurador local,o
IRB.O
Instituto de Resseguros toma-se o resseguradorúnico
no
país, passando,também,
a desenvolvernormas
compadrões
técnicos regulandoem
diferentes atividadesdo mercado
de seguros.No
período de1939
a. 1963,_ocorreuum
período de forte expansãodo
seguro.Devido
a este crescimentodo
setor, foi criada aFundação
Escola Nacional de Seguros(FUNENSEG),
com
o
intuito de formar profissionais brasileiros nesse mercado.A
partir de 1966,o
Estado implantouuma
estrutura mais sistemáticano mercado
segurador, o setor público tornou-se mais presente
como
reguladordo mercado
de seguros.O
govemo
militar reformao
setor de seguroscom
a criaçãodo
Sistema Nacionalde
Seguros Privados
com
a finalidade de melhorar a qualidade, a solidez e a credibilidadedo
mercado
de seguros, este sistema eraformado
pelo Conselho Nacional de Seguros Privados(CNSP),
pela Superintendência de Seguros Privado(SUSEP),
peloIRB
e,também,
pelas\` \\ 2
Companhias
Seguradoras e pelos corretores.A
finalidade de implantação destes órgãos erade estabelecer as diretrizes
do mercado
de seguros.3.1.3
-
TerceiraFase
do
Mercado
de
SegurossEm
1970, o Estado observa o fato de haver muitas seguradorascom
pouco
preparopara o
mercado
de seguros ecom
custos operacionais elevados. Através de decretos,o
govemo
tenta incentivar os processos de firsões das empresas seguradoras, para obterganho
de escala
com
empresasmaiores. Ocorre nesta época a entrada de bancosnornercado de
seguros, através de
compra
de seguradorasou
pelo convêniocom
empresas seguradoras.Verificou-se
que
essa entrada dos bancosno mercado
de seguros concedeu outra dinâmicaà comercialização de seguros,
aproximando
mais os consumidores para a realidadedo
mundo
dos seguros.Mas,
a entradade
bancosno mercado de
seguros prejudicou muitasseguradoras pequenas,
que nao
tinhamcomo
concorrercom
a capacidade técnica deseguradoras maiores e
com
maiores recursos financeiros decorrentes das associações feitascom
os bancos.Nessa
época muitas delas encerram suas atividades.Com
a saídado
govemo
militarem
1985,o mercado
de seguro apresentava-secom
um
quadro estabilizado devido à postura intervencionistado
Estado.As
tarifasdo
seguroeram
padronizadas,não podendo
haver diferençasna
comercialização, ena
prática os preços dos seguroseram
elevados e,também,
era proibida a entrada de empresasestrangeiras.
Devido
a esta proteção por partedo govemo,
asCompanhias
Nacionaisnão
tinham
nenhum
interesseem
desenvolvero
setor de seguros.Em
1986,com
a inflaçãoem
altao
govemo Samey
lançouo
Plano Cruzado, cujacaracterística . principal era
o
congelamento de salários e preços.Mas
os saláriosencontravam-se elevados antes
do
congelamento e as taxas de juros tinham diminuído,portanto
não
estimulavam apoupança
e simprovocavam
oaumento
de consumo. Esta“maré”
deconsumo
permitiuo
crescimento de prêmio de seguro e estimulouo
investimento
no
mercado.Mas,
apósum
determinado período, o congelamento de salários epreços fez
com
queo
consumo
voltasse a cairprovocando
uma
queda de consumo,
também, no mercado
de seguro.A
lucratividade das seguradoras consequentemente 3 Texto baseado na22
diminuiu,
provocando
uma
queda na
produtividade e nos custos de produção, bloqueandoo
crescimento
do
mercado
de seguros.No
finaldo
ano depois das eleições,com
o
términodo
congelamento, o governoinstituiu
um
grandeaumento
tributáriosem
permitiro
ajuste dos preços, prejudicandomais
uma
vez a lucratividade das seguradoras.Em
1987, o ajuste dos preços foi permitido juntocom
o ajuste salarial e a inflação teveum
aumento
estrondoso.As
seguradoras nessaépoca
faziam remarcações de preços
sem
aumentar a produção,na
tentativa de manter suasmargens
de lucros, Porém, muitas seguradorasque
não conseguirammanter
suasmargens
de lucros e tiveram
que
fechar.Nesse ano
de 1987,tomou-se
impossívelo
crescimentodo
mercado
segurador.Em
1988, tem-se a continuidadeda
crisecom
insegurança total, aeconomia
encontrava-se completamente indexada e para pagar
o
déficit publico0
govemo
erapressionado a emitir dinheiro.
Comessa
crise omercado
segurador teveuma
queda
brutana produção.
Mas,
apesar de toda a criseno
sistema econômico,no
ano de 1988, ocorrerammudanças na
políticado
seguro.Mudanças
como
a liberalizaçãodo
prêmio e a diminuiçãoda
responsabilidadeda
Superintendência de Seguros Privados(SUSEP), na
introduçãode
produtos diferentes
na
indústria. Estasmudanças
estimularamum
melhor
atendimento aosclientes, estimularam,
também,
investimentospor
,parte das seguradorasem
estruturas maiscapacitadas,
com
mais tecnologia e investimentosem
produtos novos.Em
1989,com
o PlanoVerão
uma
tentativa de congelamento de preços paradiminuir a inflação fracassou,
com
a liberalização de preços e saláriosfizeram
com
que
ainflação voltasse a subir.
Em
1990,com
a inflação, aindaem
alta, os consumidoresprocuravam
proteçãoem
um
momento
de crise, tentavam investiro
dinheiro paranão
ocorrer perdas, beneficiando o
mercado de
seguros, poisaumentou
à procura por seguro eas taxas de juros aplicadas
eram
altas.No
Plano Collor, ocorreuo
encolhimentodo
Estado, a política de importação,o
confisco
dos ativos financeiros e prefixação dos preços.No
mercado
segurador refletiuem
crise
com
taxas de juros baixas. Essa crise dificultava osganhos
financeiros, dificultava ospagamento
de dívidas e de sinistros.Apesar
das dificuldades, .as empresas seguradorasinvestiram
em
carteirascom
pequena
participaçãono mercado,
alterandoo modelo do
dos seguro na área industrial e
aumentou no
ramo
de seguro pessoas, fazendocom
que
mesmo
em
um
ano
recessivoo
setor de seguros apresentasse crescimento.Com
o
impeachment do
Presidente Collor ecom
ogovemo
do
presidente Itamar Franco pode-severificar as conseqüências das
mudanças do modelo do mercado
segurador ocorridasanteriormente, esta
nova
dinâmicaprovocou
aumento da
competitividadecom
a permissãode entrada de novas empresas
no
mercado,o
fim
da padronizaçãodo
produto, alterou,também, o
preço praticado e porfim
provocou
a expansão de carteiras não tradicionaisno
mercado
como
a de saúde, vida e previdência privada.`
O
início da transiçãodo mercado
segurador brasileiro deu-se por volta de 1992,com
o Plano Diretor
do
Sistema de Seguros, Capitalização e Previdência Complementar. Esse plano buscava aperfeiçoar a legislação epromover o
começo
deum
processo deliberalização e
modemização
do
setor. Foi decretada a liberdade tarifáriado
mesmo,
cadaempresa
poderia cobraro
preço desejado e estabeleceu-se a liberdade para escolhade
índices de atualização monetária da indenizações.
Nessa
fase,o
mercado tem maior
flexibilidade das
normas
para a formulação de produtos e para as empresas.Além
do
capital para investimento era,
também,
necessário a reformulação de G0_mPanhias paraotimizar processos.
As
grandescompanhias
tiveram maiores chances de trabalhar deforma
efetiva
com
um
número
maior de carteiras, porque as grandesCompanhias
Seguradorastinham maiores chances de avaliar o mercado. Estas
Companhias,
com
uma
maior estruturapara atender os consumidores,
podiam
estipular preço para determinado risco epossuíam
maiores canais de divulgação
do
produto.As
grandesCompanhias
comercializavamem
todos os setoresdo
seguro,tomando
o mercado
oligopolizado.Uma
característicaimportante nesse quadro de oligopólio é o desenvolvimento
de
novas seguradoras,que
buscavam
entrarno
mercado, desenvolvendoum
segmento, ainda, não exploradoou pouco
explorado pelas grandes seguradoras,
onde
se verifica vantagens competitivas.A
liberaçãodo mercado
de seguros,também, provocou o aumento
de entrada denovas
companhias
neste período,verifica-seum grandenúmero-
de empresas atuantesno
mercado, possibilitando
um
maior desenvolvimentodo
setor decorrentedo
acirramentoda
24
3.2
-
O
Quadro
Atual
do
Mercado
Segurador
Brasileiroi'O
mercado
segurador apresenta-se, hojeem
dia,com
características bastantediferentes daquelas características de
uma
década atrás. Hoje,o consumidor
interessadoem
efetuar qualquer tipo de seguro
pode
escolher a seguradoraque
lhe apresentar amelhor
proposta
em
termos de garantias e prêmios. Isto leva cada vez mais as seguradoras a seaperfeiçoarem
no
atendimento e diversificarem seus produtos.Uma
característicaimportante desta evolução é o seguro sob medida, isto é, as seguradoras oferecem apólices
adaptadas diante da necessidade de cada cliente,
com
coberturas específicas para os riscosde cada segurado.
O
aperfeiçoamento eo
desenvolvimento da concorrência fezcom
que
ospreços praticados
no mercado de
seguros diminuíssem.Hoje
em
dia,o
custo para contratarseguros simples
com
maiornúmero
de coberturas sai muito mais baratoque
antigamente,quando
pagava-seum
prêmio maior pela apólicecom
menos
cobertura.A
evoluçãodo
seguroprovocou o
avançoda
qualificação profissional, anecessidade de profissionais qualificados veio
da
necessidade da seguradora teruma
gerência de risco. Atualmente, as seguradoras contratam especialistas
em
riscos nos seusquadros,
não
só para pagarmenos
prêmio,mas
para,também,
manter a continuidade dosnegócios e para proteger-se contra acidentes. Outra característica
da
modemizaçao
do
mercado
nacional de seguros é a organização dos corretorescomo
categoria profissional,isto os
toma
mais qualificado para oacompanhamento
das negociações para a contrataçãode seguros.
Em
1996,o
govemo
permitiu a entradade
empresas estrangeiras desdeque
aautorização fosse concedida
no
chamado
“interesse nacional”, a aberturado mercado
foiconsiderada prioritária para a entrada de investimento intemacional direto
no mercado
deseguros.
Uma
série de leis emedidas
adotadas eem
tramitaçãono
govemo
influenciaramna
mudança
estruturaldo mercado
de seguros,uma
das mais importantes é a quebrado
monopólio do
Instituto de Ressegurosdo
Brasil (IRB), que coloca omercado
seguradorbrasileiro
em
processo de globalização.Com
o
fim
do monopólio do IRB,
as seguradorasnacionais
vão
poder negociar livremente seus excedentesem
um
mercado- -aberto. Outra4 Texto baseado na obra de