Estudos Arqueológicos de Oeiras - Vol. 26
Texto
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(3) ESTUDOS ARQUEOLÓGICOS DE OEIRAS Volume 26 • 2020. Instituições, personalidades e espólios arqueológicos contributos para a Arqueologia portuguesa %DITOR#IENTÁlCO*O¼O,UÁS#ARDOSO. CÂMARA MUNICIPAL DE OEIRAS 2020.
(4) Estudos Arqueológicos de Oeiras é uma revista de periodicidade anual, publicada em continuidade desde 1991, que privilegia, exceptuando números temáticos de abrangência nacional e internacional, a publicação de estudos de arqueologia da Estremadura em geral e do concelho de Oeiras em particular para além de contributos sobre a História da Arqueologia. 0OSSUIUM#ONSELHO!SSESSORDO%DITOR#IENTÁlCO
(5) ASSIMCONSTITUÁDO – Dr. Luís Raposo (Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa) – Professor Doutor João Zilhão (Universidade de Barcelona e ICREA) – Professor Doutor Nuno Bicho (Universidade do Algarve) – Professor Doutor Alfredo Mederos Martín (Universidade Autónoma de Madrid) – Professor Doutor Martín Almagro Gorbea (Universidade Complutense de Madrid) – Professora Doutora Raquel Vilaça (Universidade de Coimbra). ESTUDOS ARQUEOLÓGICOS DE OEIRAS 6OLUMEs )33. . EDITOR CIENTÍFICO DESENHO E FOTOGRAFIA PRODUÇÃO CORRESPONDÊNCIA. . – João Luís Cardoso – Autores ou fontes assinaladas – Gabinete de Comunicação / CMO – Centro de Estudos Arqueológicos do Concelho de Oeiras Fábrica da Pólvora de Barcarena Estrada das Fontainhas "!2#!2%.! Os artigos publicados são da exclusiva responsabilidade dos Autores. É expressamente proibida a reprodução de quaisquer imagens sobre as quais existam direitos de autor sem o prévio consentimento dos signatários dos artigos respectivos.. . !CEITA SEPERMUTA On prie l’échange Exchange wanted Tauschverkhr erwunscht. ORIENTAÇÃO GRÁFICA E REVISÃO DE PROVAS – João Luís Cardoso e Autores PAGINAÇÃO – César Antunes IMPRESSÃO E ACABAMENTOn'RAlCAMARES
(6) ,DA !MARES 4EL DEPÓSITO LEGAL:.
(7) ÍNDICE GERAL / CONTENTS )3!,4)./-/2!)3 Apresentação Presentation . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . #!2,/3$5!24%3)-±%3
(8) 0!5,/2%"%,/
(9) .5./.%4/*/£/,5¨3#!2$/3/ ,ISBOANO.EOLÁTICO!NTIGORESULTADOSDASESCAVAÊESNO0AL·CIO,UDOVICE Lisbon in the Early Neolithic: results of the escavations at the Ludovice Palace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 11. *,#!2$/3/
(10) #"/44!).)
(11) *-)2£/
(12) 2*3),6!2"/2$!,/ /ESPÆLIOMET·LICODOPOVOADOPR½ HISTÆRICODE,ECEIA/EIRAS INVENTARIA¼OEESTUDOANALÁTICO The metallic artifacts of the prehistoric fortified settlement of Leceia (Oeiras) inventory and analytical study . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . */£/,5¨3#!2$/3/ 5MMACHADODEALVADODO"RONZE&INALRECOLHIDOEM,ECEIA/EIRAS acerca da distribuição dos machados de alvado e duas argolas no ocidente peninsular A Late Bronze age ax from Leceia (Oeiras) and the distribution of socketed axes with two rings in the western iberian peninsula. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . !.!6),!$%-%,/*/£/0)-%.4! 5MANOVALEITURADOESPÆLIODASESCAVAÊESDE,EITEDE6ASCONCELOSNOh#ASTROvDE0RAGANA
(13) #ADAVAL Evidências de uma ocupação da I Idade do Ferro A new approach of the recovered artefacts during Leite de Vasconcelos archaeological excavations in “Castro” of Praganaça (Cadaval, Portugal). Evidences of a First Iron Age occupation. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . */£/,5¨3#!2$/3/-!2)!)3!"%,2%"%,/'/.!,6%3 Mercati, A Metallotheca VaticanaEASREPRESENTAÊESDEARTEFACTOSPR½ HISTÆRICOS na Europa do Renascimento Mercati, Metallotheca Vaticana and representations of prehistoric artifacts in Renaissance Europe . . . . . . . . . . . . */£/,5¨3#!2$/3/ !PRIMEIRAESCAVA¼OARQUEOLÆGICAMETODOLOGICAMENTEMODERNAFOIREALIZADAEM0ORTUGALEM a intervenção de Nery Delgado na gruta da Casa da Moura (Óbidos, Portugal) The first methodogically modern archaeological excavation was carried out in Portugal in 1879/1880: Nery Delgado’s intervention in the cave of Casa da Moura (Óbidos, Portugal) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . */£/,5¨3#!2$/3/ !SEXPLORAÊESARQUEOLÆGICASREALIZADASEM-ONTE2EAL,EIRIA EMPOR&REDERICO!UGUSTO DE6ASCONCELOS0EREIRA#ABRALOUAHISTÆRIADEUMAPLACADEXISTOGRAVADAPR½ HISTÆRICA The archaeological explorations carried out in Monte Real (Leiria) in 1865 by Frederico Augusto de Vasconcelos Pereira Cabral or the history of a schist prehistoric engraved plaque. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(14) -!24¨.!,-!'2/ '/2"%! Idolos Prerromanos inventados en el Portugal ilustrado del siglo XVIII Pre-Roman idols invented in the 18th century Portuguese englightenment . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . %,)3!"%4%*3!.4/30%2%)2! !NTÆNIO-ESQUITADE&IGUEIREDO COLECIONISMOARQUEOLÆGICOEREDESDECIRCULA¼O DECONHECIMENTO
(15) António Mesquita de Figueiredo (1880-1954): archaeological collecting and knowledge circulation networks, 1894-1910 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . JOSÉ INÁCIO SOUSA /'ENERAL#ONDEDE3¼O*ANU·RIO.OTASDELEITURASOBREAEDI¼ODE%STUDOS!RQUEOLÆGICOSDE/EIRAS
(16) NËMEROESPECIAL
(17) The General Count of São Januário: Reading notes on the edition of Estudos Arqueológicos de Oeiras, special issue, 2018 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . -!24¨.!,-!'2/ '/2"%! %STUDOS!RQUEOLÆGICOSDE/EIRAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . #%.42/$%%345$/3!215%/,')#/3$/#/.#%,(/$%/%)2!3 Relatório das actividades desenvolvidas em 2019 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(18) APRESENTAÇÃO O volume 26 dos Estudos Arqueológicos de Oeiras que tenho o gosto de apresentar é a prova de que o empenho que sempre tenho dispensado a projectos de carácter inovador e que valorizem o nome de Oeiras sempre tiveram e continuarão a ter o devido apoio. Esta publicação adquiriu, pelos seus méritos próprios, um lugar destacado no panorama nacional e interna cional, tanto pela sua continuidade – 26 números publicados em 29 anos, mais dois números especiais – como pela qualidade e diversidade dos conteúdos publicados, da autoria dos mais destacados investigadores nacio nais, a que se somam algumas outras personalidades europeias de primeiro plano da arqueologia internacional. A qualidade atraiu qualidade, e o movimento daí resultante foi decisivo para o estatuto alcançado por este projecto e a sua crescente afirmação, hoje por todos reconhecida. A perspectiva oferecida pelo tempo permite concluir que a aposta estratégica na inovação e na qualidade, explorando novas vias de abordagem às realidades arqueológicas, rejeitando a facilidade oferecida pelas modas, geralmente estéreis efémeras, constituiu a chave para o sucesso desta publicação altamente impro vável no panorama autárquico português de há quase trinta anos. A aposta ganha revela, também, a forma como aqui os desafios foram e continuam a ser enfrentados. Hoje, o tempo de fazer bem em Oeiras passa por novos e insuspeitos desafios há bem poucos anos. É assim que a política de investigação do património arqueológico se articula estreitamente com a política de requalifi CA¼ODOTERRITÆRIOOEIRENSE
(19) DELAFAZENDOPARTEINTEGRANTE
(20) DANDO LHEAPERSPECTIVATEMPORALDAFORMACOMO
(21) ao longo dos tempos, esta parcela geográfica de fronteiras meramente administrativas, desde sempre se rela CIONOUEARTICULOUCOMOESPAOENVOLVENTE
(22) CORRESPONDENTEºREA-ETROPOLITANADE,ISBOAE6ALEDO4EJO É que não existe Futuro para quem não tem, desconhece ou, ainda pior, menospreza o seu próprio Passado. Mas os desafios do presente passam, também, pela internacionalização e pela afirmação de Oeiras no Mundo, tal como esta revista, à sua medida, tem desde sempre vindo a fazer, e de que o exemplo mais relevante, foi a sua recente disponibilização integral num site próprio, alojado na plataforma digital OJS – Open Journal SystemsQUEPERMITEOACESSOINSTANT¸NEOAQUALQUERDOSESTUDOSPUBLICADOSNASSUASCERCADEP·GINAS IMPRESSASEMQUALQUERLUGARDO-UNDO!DIVULGA¼OTOTALESEMRESTRIÊESDOTRABALHODEINVESTIGA¼OQUE diariamente é desenvolvido em Oeiras e que se plasma nas páginas desta revista faz parte integrante da trans formação para a Sociedade do Conhecimento. 0OROUTROLADO
(23) AVALORIZA¼ODOSEQUIPAMENTOSCULTURAIS
(24) COMO0OVOADO0R½ (ISTÆRICODE,ECEIAEASDUAS %XPOSIÊES0ERMANENTESDE!RQUEOLOGIAEXISTENTESNA&·BRICADA0ÆLVORADE"ARCARENAPASSA
(25) TAMB½M
(26) POR novas formas e meios de os fruirmos, onde o recurso aos meios digitais deve ser integrado numa estratégia de aproveitamento global de todas potencialidades existentes. 4RATA SE DE CRIAR UMA OFERTA DIVERSIFICADA E PARA TODOS
(27) ESTRUTURADA EM TORNO DE REALIDADES CONCRETAS ONDEAARQUEOLOGIAADQUIRIUPELASUAPRÆPRIANATUREZAINEG·VELIMPORT¸NCIA
(28) ENCONTRANDO SEREPRESENTADAEM Oeiras por testemunhos materiais muito fortes e que fazem já parte integrante da sua identidade cultural..
(29) Mas a capacidade de tornar acessível todo este património a um público muito diversificado, cada vez mais e melhor informado só tem sido possível mercê da qualidade da investigação realizada ao longo das últimas três décadas, conforme evidenciam os sucessivos números publicados dos Estudos Arqueológicos de Oeiras. !SIM
(30) AEXIST¾NCIADEUMACOLEC¼OESPECIALIZADACOMOESTAJUSTIFICA SE
(31) SEOUTRASRAZÊESN¼OHOUVESSE
(32) por se integrar, antes de mais, numa estratégia de produção de conhecimento, oferecendo sustentabilidade a iniciativas conducentes à construção da nossa própria identidade, valorizando o que de único efectivamente possuímos. O património arqueológico concelhio constitui, nesta perspectiva, um ponto forte, necessariamente integrado numa rede global de conhecimento. Os conteúdos deste vigésimo sexto volume dos Estudos Arqueológicos de Oeiras reflectem tal orientação, aliás desde sempre assumida pela revista. Assim, os estudos de âmbito temático resultantes de espólios arqueológicos de Oeiras, como é o caso DE UM MACHADO DE ALVADO DO "RONZE &INAL ACHADO NA D½CADA DE NO POVOADO PR½ HISTÆRICO DE ,ECEIA e hoje conservado no Museu Nacional de Arqueologia, ou a análise química por meios não destrutivos da COMPOSI¼ODOSARTEFACTOSMET·LICOSRECUPERADOSNODECURSODOSVINTEANOSDEESCAVAÊESALIDIRIGIDAS pelo Prof. Doutor João Luís Cardoso, só fazem sentido porque os resultados obtidos foram integrados num âmbito muito mais amplo. Assim se explica a importância de acolher nas páginas desta revista contributos respeitantes a área geográfica alargada, indispensáveis para conferir aos espólios arqueológicos concelhios o seu cabal significado. É o caso do trabalho dedicado aos espólios da Idade do Ferro recolhidos no Castro de 0RAGANA#ADAVAL
(33) COMPAR·VEISAMATERIAISRECOLHIDOSEMALGUMASESTAÊESOEIRENSES /PRESENTEVOLUME½DEDICADOEMBOAPARTEº(ISTÆRIADA!RQUEOLOGIA
(34) DOSOBJECTOS
(35) DASINSTITUIÊESE DOSSEUSPROTAGONISTAS
(36) NOSEGUIMENTODEOP¼OTOMADAEMNËMEROSANTERIORES.ESTE
(37) DESTACA SEOESTUDO ACERCADAEXIST¾NCIADEhFALSOSvARQUEOLÆGICOSANTIGOS
(38) OPRIMEIROQUESEPUBLICASOBREUMCONJUNTODEESTRA NHASPEASCONSERVADASEMDIFERENTESINSTITUIÊESPORTUGUESAS-USEUDA!CADEMIADAS#I¾NCIASDE,ISBOA
(39) Biblioteca Nacional de Portugal e Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto) e que evocam o espírito do coleccionismo setecentista, animado por eminentes letrados da época, onde pontificou D. Frei Manuel do Cenáculo, amigo muito próximo do Conde de Oeiras e Marquês de Pombal, a quem pelo menos algumas DESTASEXÆTICASPRODUÊESPSEUDO ARQUEOLÆGICASDEVEMASUAEXIST¾NCIA Merece destaque a tradução para Português do trecho da obra quinhentista escrita em Latim de Michele -ERCATI
(40) h-ETALLOTHECA6ATICANAvONDESEESTABELECEUPELAPRIMEIRAVEZUMATIPOLOGIADOSARTEFACTOSPR½ HISTÆ ricos de pedra lascada e de pedra polida, que se criam, então, como caídos do céu quando trovejava. Outro estudo de evidente projecção internacional respeita à demonstração de que foi em Portugal que nasceu a moderna técnica da escavação arqueológica, tal como hoje é ainda praticada, com base num manus CRITOAT½AGORAIN½DITORESPEITANTEºESCAVA¼ODAGRUTADA#ASADA-OURABIDOS REALIZADAEM sob direcção de um dos mais notáveis geólogos e arqueólogos portugueses de sempre, Joaquim Filipe Nery Delgado. %STESDOISCONTRIBUTOSSERIAMMAISDOQUESUFICIENTES
(41) SEOUTRASRAZÊESN¼OHOUVESSE
(42) PARACONFERIREMA este número da revista um interesse excepcional, a que se somam mais dois estudos importantes relativos a personalidades pioneiras da arqueologia portuguesa que por esta via foram resgatadas de um imerecido esque CIMENTO½OCASODE&REDERICODE6ASCONCELOS0EREIRA#ABRALEDE!NTÆNIO-ESQUITADE&IGUEIREDO/ESTUDO DEDICADOAONOT·VELOEIRENSEQUEFOIO#ONDEDE3*ANU·RIOINSERE SEAINDANOCONJUNTODESTESCONTRIBUTOS
(43) tendo sido elaborado na sequência da apresentação em 2019 da obra que em boa hora a Câmara Municipal de Oeiras decidiu publicar sobre este ilustre militar, diplomata, político e arqueólogo do século XIX..
(44) O presente volume inclui, a terminar, o relatório das actividades desenvolvidas em 2019 pelo Centro de %STUDOS!RQUEOLÆGICOS0ARAAL½MDASQUEFAZEMJ·PARTEDOSEUQUOTIDIANO
(45) COMOESCAVAÊESARQUEOLÆGICAS
(46) VISITASGUIADASEARTICULA¼OFUNCIONALCOMOUTROSSERVIOSECOMOSPRÆPRIOSMUNÁCIPES
(47) DESTACAM SEASACTI VIDADESRELACIONADASCOMOENCERRAMENTODASCOMEMORAÊESDOSSEU888ANIVERS·RIO%M!BRIL
(48) TEVELUGAR a sessão de apresentação do volume dedicado ao Conde de São Januário, realizada em Paço de Arcos, terra QUEOVIUNASCEREMORRER0ORFIM
(49) EM/UTUBRO
(50) REALIZOU SEOII Colóquio Internacional História das ideias e dos conceitos em Arqueologia, que reuniu na Fábrica da Pólvora de Barcarena alguns dos mais conceituados ARQUEÆLOGOS PORTUGUESES E ESPANHÆIS DA ACTUALIDADE
(51) SEGUIDA DA APRESENTA¼O DO VOLUME DOS Estudos Arqueológicos de Oeiras e da inauguração da Sala de Arqueologia Prof. Doutor Octávio da Veiga Ferreira, em homenagem àquele ilustre arqueólogo e Amigo de Oeiras, onde residiu parte da sua profícua vida inteira mente dedicada à Arqueologia. .AVERDADE
(52) N¼OPODERIATER SEENCONTRADOMELHORMOTIVOPARAOENCERRAMENTODASCOMEMORAÊESDESTES primeiros trinta anos de vida do Centro de Estudos Arqueológicos, cuja criação tive a honra de propor à #¸MARA
(53) NO J· LONGÁNQUO DIA DE .OVEMBRO DE
(54) LOGO SEGUIDA EM DA CRIA¼O DESTA REVISTA
(55) CUJO mérito foi justamente destacado na apresentação do seu vigésimo quinto volume, a cargo do eminente arqueó LOGO E ACAD½MICO ESPANHOL $ON -ARTÁN !LMAGRO 'ORBEA
(56) EM INTERVEN¼O QUE
(57) PELO SEU INTERESSE
(58) AGORA SE PUBLICA NA ÁNTEGRA 0ARAFRASEANDO 6IRGÁLIO &ERREIRAx hx4ER RAZ¼O ANTES DO TEMPO 0OSSIVELMENTE ½ ESSE O TEMPOEMQUEVALEAPENATERMOSRAZ¼Ov Por tudo o que ficou dito, é com um sentimento de apreço, de satisfação e de agradecimento que a todos os que colaboraram neste volume endereço, e especialmente ao Prof. Doutor João Luís Cardoso, pelo muito que já foi feito, mas sobretudo pela certeza do êxito na concretização do muito mais que ainda falta fazer, com o empenho e dedicação inexcedíveis que tem dispensado desde sempre a todos os projectos e iniciativas a que tem metido ombros em prol de Oeiras. /EIRAS
(59) DE*ANEIRODE. /02%3)$%.4%. (Isaltino Afonso Morais). 9.
(60)
(61) Estudos Arqueológicos de Oeiras
(62) /EIRAS
(63) #¸MARA-UNICIPAL
(64)
(65) P )33. . LISBOA NO NEOLÍTICO ANTIGO: RESULTADOS DAS ESCAVAÇÕES NO PALÁCIO LUDOVICE LISBON IN THE EARLY NEOLITHIC: RESULTS OF THE EXCAVATIONS AT THE LUDOVICE PALACE #ARLOS$UARTE3IMÊES(1), Paulo Rebelo(2), Nuno Neto(2)*O¼O,UÁS#ARDOSO
(66) * Abstract 4HE OPEN AREA ARCHAEOLOGICAL EXCAVATIONS AT THE th century Ludovice Palace, in the Bairro Alto quarter (Lisbon, Portugal) revealed FOURPHASESOFHUMANOCCUPATION4HEOLDESTPHASEBELONGSTOTHE%ARLY.EOLITHICANDCOMPRISESEVERALDWELLINGFEATURESANDONEBURIAL
(67) ALONGSIDENUMEROUSPOTTERYANDLITHICOBJECTS&IELD BASEDGEOARCHAEOLOGICALOBSERVATIONSSUGGESTSTHATTHESEREMAINSARESPREADOVERAN OCCUPATIONSURFACEWHICH
(68) ONCEABANDONED
(69) SEEMSTOHAVEUNDERWENTPUDDLING
(70) SLAKINGANDPEDOGENESIS!THICKDEPOSITCOVEREDTHESE LAYERSWITHABUNDANTREWORKEDPREHISTORICOBJECTS4HESEDATASIGNIlCANTLYINCREASETHECONTEXTUALKNOWLEDGEREGARDINGPREVIOUSlNDINGS OFTHE.EOLITHICSETTLEMENTOF"AIRRO!LTOBOTHCULTURALLYANDCHRONOLOGICALLYANDWIDENSTHEDEBATEONTHENEOLITHIZATIONPROCESSOFTHE portuguese Estremadura. Keywords %ARLY.EOLITHIC
(71) .EOLITHICDWELLINGANDBURIALFEATURES
(72) 3ITEFORMATIONPROCESSES
(73) ,ISBON. 1 – INTRODUÇÃO A História da colina de S. Roque, no centro de Lisboa, tem dois momentos fundamentais. O primeiro, do QUALTEMOSCONHECIMENTOPELAATIVIDADEARQUEOLÆGICA
(74) ½OESTABELECIMENTODASPRIMEIRASOCUPAÊESHUMANAS
(75) protagonizada por uma população neolítica. O segundo momento é a primeira expansão planificada da urbe PARAFORADA#ERCA&ERNANDINA
(76) PROMOVIDAPOR$-ANUEL)
(77) NOINÁCIODOS½CULO86)/PRESENTEARTIGOREFERE SE essencialmente ao momento neolítico através dos contextos identificados no decorrer dos trabalhos de esca VA¼OEM·REANO0AL·CIO,UDOVICEAOLONGODEE #OMORIGEMNOFINALS½CULO86#!2)4!
(78)
(79) O"AIRRO!LTODEHOJE½
(80) NOESSENCIAL
(81) OMESMOQUEANTES DEDENOVEMBRODE
(82) QUANDOO'RANDE4ERRAMOTOREDUZIUAESCOMBROSACIDADEINTRAMUROS!NOSANTES
(83) EM
(84) FOI CONSTRUÁDO O 0AL·CIO ,UDOVICE
(85) NUMA SEGUNDA FASE DE EXPANS¼O PARA .ORTE DA 4RAVESSA DA 1UEIMADA
(86) OLIMITESETENTRIONALDAENT¼ODESIGNADA6ILA.OVADE!NDRADE%STAEXPANS¼OFOIPROMOVIDAPELA aristocracia, motivada em grande parte pela instalação da Companhia de Jesus na Igreja de São Roque a partir DE0IONEIRONOQUETOCAAT½CNICASDECONSTRU¼ODEPOISAPELIDADASDEPOMBALINAS
(87) SEGUNDOUMTRAODE definiria o Barroco tardio lisboeta, o arquiteto de origem suábia João Frederico Ludovice projetou este edifício * (1) ICArEHB – Interdisciplinary Centre for Archaeology and Evolution of Human Behaviour, Universidade do Algarve, Faro. (2) .EO½PICA
(88) ,DA 5NIVERSIDADE!BERTA,ISBOA #ENTRODE%STUDOS!RQUEOLÆGICOSDO#ONCELHODE/EIRAS#¸MARA-UNICIPALDE/EIRAS. 11.
(89) como percussor de um Bairro Alto que passou de estar virado para as suas próprias ruas e travessas, a estar voltado para a cidade, do alto de S. Pedro de Alcântara. !PÆS
(90) FRACIONAMENTOSEREMODELAÊESDOEDIFÁCIODERAMLUGARAARRENDAMENTOPOPULAREINSTALA¼O DE DIVERSOS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS
(91) INDUSTRIAIS E HOTELEIROS $EPOIS DE TER SERVIDO DE 1UARTEL 'ERAL da Polícia e sede de companhias, do Instituto Português de Cinema e, mais recentemente, do Instituto do Vinho do Porto, o Palácio Ludovice será convertido numa unidade hoteleira. Foi deste mais recente projeto de conversão e reabilitação que resultou a necessidade de escavação arqueológica integral dos depósitos do subsolo do edifício para dar lugar aos pisos subterrâneos da futura unidade. ! PRESENTE PUBLICA¼O DESTINA SE A DAR CONHECIMENTO
(92) NECESSARIAMENTE SUM·RIO
(93) DAS PREEXIST¾NCIAS QUE FORAMIDENTIFICADAS
(94) VALORIZANDOASUAIMPORT¸NCIANOCONTEXTODA!RQUEOLOGIA0R½ HISTÆRICADACIDADEDE,ISBOA n%NQUADRAMENTOGEO HISTÆRICO A colina de São Roque é constituída pela formação sedimentar miocénica Areolas da Estefânia, caracteri zada por lentículas de areias finas, argilas e bancos de biocalcarenitos (PAIS et al., 2006). A colina é entalhada a Este pelo vale da enseada do esteiro da Baixa (Fig. 1 a), e nela se encaixam vários pequenos cursos de água QUEDESAGUAMNO4EJO!INCIS¼ODESTAREDEHIDROGR·FICACONTRIBUIUPARAALGUMRELEVOAOQUALOURBANISMO do Bairro Alto se adaptou, sendo apreciável no desnível das ruas e travessas desta zona. O local do Palácio Ludovice constitui uma zona aplanada do interflúvio entre o vale da Baixa e um curso de água dessa rede CORRESPONDENTE
(95) GROSSOMODO
(96) AOTRAADODA2UADO$I·RIODE.OTÁCIAS
(97) QUEDESAGUARIANO4EJONAZONADO Cais do Sodré. /0AL·CIO,UDOVICE#.3
(98) )MÆVELDE)NTERESSE0ËBLICOINSERIDONAATUALFREGUESIADA-ISERICÆRDIA
(99) OCUPAUMQUARTEIR¼OAUTÆNOMO&IGB D
(100) DEPLANTAAPROXIMADAMENTEQUADRADA
(101) COMAFRONTARIANA2UADE São Pedro de Alcântara e o tardoz na Rua do Diário de Notícias, respetivamente a Este e a Oeste. A Norte e a 3UL
(102) ½DELIMITADOPELA4RAVESSADA#ARAE4RAVESSADA"OA(ORA
(103) RESPETIVAMENTE $A 4RAVESSA DA #ARA PARA .ORTE DESENVOLVE SE A 2UA DOS -OUROS &IGB
(104) ONDE TRABALHOS DE DIAG NÆSTICOARQUEOLÆGICONON
(105) REALIZADOSPELAEMPRESA#OTA
(106) ,DAREVELARAMCONTEXTOSNEOLÁTICOSEM POSI¼O PRIM·RIA &),)0%
(107) (%.2)15%3 &),)0%
(108) )MEDIATAMENTE A 3UL DA 4RAVESSA DA "OA (ORAENCONTRA SEOUTROEDIFÁCIOSETECENTISTAQUETAMB½MOCUPATODOUMQUARTEIR¼O
(109) O0AL·CIODOS,UMIARES &IGB 4ANTONAQUELA4RAVESSACOMONADOS,UMIARESFORAMREALIZADOSTRABALHOSDEARQUEOLOGIAPREVEN tiva pela empresa ERA Arqueologia, S.A., que permitiram recuperar os primeiros indícios de ocupação neolí TICANO"AIRRO!LTO6!,%2!
(110) 6!,%2! et al.
(111) !MESMAFOIDOCUMENTADAINICIALMENTENO Palácio dos Lumiares através de elevada quantidade de materiais de pedra lascada e de cerâmica associados a UMDEPÆSITOINTERPRETADOCOMOPALEOSSOLO
(112) ASSENTESOBREOSUBSTRATOMIOC½NICO!ESTACAMADASOBREPÇS SE UMDEPÆSITOINTERPRETADOCOMOCOLUVI¼O
(113) TAMB½MCONTENDOABUNDANTESOBJETOSPR½ HISTÆRICOS
(114) EMRESULTADO da erosão de zonas mais altas da encosta. ! ESTRATIGRAFIA DOS DEPÆSITOS PR½ HISTÆRICOS IDENTIFICADA NA INTERVEN¼O DA 2UA DOS -OUROS N APRE senta traços, no geral, correspondentes à descrita nos Lumiares, com elementos em pedra lascada e cerâmica associados a unidades estratigráficas interpretadas como paleossolos, sobrepostas por depósitos sedimen TARESINTERPRETADOS
(115) IGUALMENTE
(116) COMOSENDOCOLUVIONARES1UANTOAESTRUTURAS
(117) S¼OREFERIDOSUMALAREIRACOM termoclastos e um buraco de poste nos Lumiares, enquanto que na Rua dos Mouros n.º 10 se identificaram ESTRUTURASCONSTITUÁDASPORAGLOMERAÊESSUBSTANCIAISDETERMOCLASTOS
(118) ALGUNSDEGRANDESDIMENSÊES
(119) EUM possível buraco de poste.. 12.
(120) Fig. 1n%NQUADRAMENTOGEOGR·lCODO0AL·CIO,UDOVICEA CARTAHIPSOM½TRICADOCENTRODE,ISBOACOMINDICA¼ODOSLOCAISREFERIDOSNO TEXTOBASECARTOGR·lCADADOSABERTOSDA#¸MARA-UNICIPALDE,ISBOA B IMAGEMDESAT½LITEDE'OOGLE%ARTH ONDESEASSINALAMOS LOCAISREFERIDOSNOTEXTO0AL·CIO,UDOVICE;=
(121) 0AL·CIODOS,UMIARES;=
(122) 2UADOS-OUROS
(123) N;=
(124) )GREJADE3¼O2OQUE;=
(125) #ONVENTODE 3¼O0EDRODE!LC¸NTARA;=C ASPETODAFRONTARIADO0AL·CIO,UDOVICED CUNHALDO0AL·CIO,UDOVICENAINTERSE¼OENTREA4RAVESSADA"OA Hora e a Rua do Diário de Notícias, onde os depósitos holocénicos atingem maior profundidade..
(126) #AMADAS COMPAR·VEIS VIERAM A IDENTIFICAR SE NAS SONDAGENS GEOT½CNICAS E DE DIAGNÆSTICO ARQUEOLÆGICO realizadas no próprio Palácio Ludovice, pela ERA Arqueologia, S.A. Estes trabalhos, prévios à escavação em área a que este artigo concerne, confirmaram a presença daquelas camadas e a abundância artefactual, sobre tudo no tardoz do edifício (REIS et al.
(127) 3),6! 0%2%)2/
(128) &IGD *UNTO º FRONTARIA
(129) A 3¼O 0EDRO DE !LC¸NTARA
(130) VERIFICOU SE QUE O SUBSTRATO MIOC½NICO AFLORA LOGO ABAIXO DAS INFRAESTRUTURAS RECENTES Estes trabalhos de diagnóstico não atingiram os contextos neolíticos em posição primária agora publicados, apesar de o paleossolo ter sido sondado nalguns pontos.. 2 – METODOLOGIA 2.1 – Escavação em área /STRABALHOSDEESCAVA¼OEM·REA
(131) OBJETODEAPRESENTA¼ONESTEARTIGO
(132) REALIZARAM SEENTRE!GOSTODE E !BRIL DE PELA EQUIPA DA .EO½PICA
(133) ,DA ! ESCAVA¼O ABRANGEU A TOTALIDADE DA ·REA DO EDIFÁCIO
(134) á exceção das zonas onde já existiam caves e do átrio principal, onde o subsolo não seria afetado (Fig. 2 a). Os alicerces da construção do Palácio constituíram condicionante importante à organização da área de esca vação, que levou à sua divisão em setores, correspondentes à compartimentação existente no piso térreo &IGA #ADASETORASSUMIU
(135) ASSIM
(136) UMADIN¸MICAESEQU¾NCIADEESCAVA¼OPRÆPRIAS&IGB F -ETODOLOGICAMENTEAESCAVA¼OARQUEOLÆGICASEGUIUOSPRINCÁPIOSDE(ARRIS E"ARKER
(137) EM que a unidade básica de escavação e registo foi a unidade estratigráfica. Esta metodologia foi adaptada uma vez isolada a superfície dos depósitos sedimentares anteriores à ocupação urbana do espaço, que contêm os VESTÁGIOS PR½ HISTÆRICOS ! ESCAVA¼O DOS MESMOS FOI FEITA POR NÁVEIS ARTIFICIAIS
(138) DE ESPESSURA VARI·VEL ENTRE CMECM
(139) RESPEITANDOOSLIMITESNATURAISDECADACAMADA!OATINGIR SEASUPERFÁCIEDACAMADASOBREJA CENTEACONTEXTOSPRIM·RIOS
(140) PROCEDEU SEºINSTALA¼ODEUMAQUADRÁCULADEXM
(141) ORIENTADASEGUNDOOSEIXOS cardiais. A integridade dos depósitos escavados com recurso a quadrícula, assim como de outros contextos em que determinadas circunstâncias a justificaram (abundância de material, compactação do sedimento, etc.), FOICRIVADAATRAV½SDEMALHASDEMMEMMCOMRECURSOA·GUA
(142) OQUEPERMITIURECUPERARPRATICAMENTE a totalidade dos artefactos de tamanho mais reduzidos, bem como alguma da componente arqueobotânica dos sedimentos. 2.2 – Amostragem A quadrícula na escavação em área permitiu organizar a amostragem de sedimentos tendo em conta diversas possibilidades de estudo posteriores, nomeadamente o seu processamento mediante flutuação da FRA¼OARQUEOBOT¸NICADOSSEDIMENTOS3425%6%2
(143) 72)'(4
(144) !SAMOSTRASPARAFLUTUA¼OCORRES ponderam a volumes equivalentes a um balde de 10 l cheio, que foram recolhidos sistematicamente, um por CADANÁVELARTIFICIAL
(145) EMQUADRADOSSELECIONADOS0ARACONTROLODEREPRESENTATIVIDADE
(146) CONTABILIZOU SEOVOLUME total de sedimento extraído de cada quadrado. Contextos antrópicos circunscritos, em posição primária, CONSTITUÁRAMEXCEÊESAESTAMETODOLOGIA
(147) J·QUENESSESCASOSOSEDIMENTOFOIINTEGRALMENTERECOLHIDOPARA FLUTUA¼O $OS CONTEXTOS SEDIMENTARES E ANTRÆPICOS COM MATERIAIS PR½ HISTÆRICOS FORAM TAMB½M RECOLHIDAS amostras de sedimento em bloco, intacto e orientado, para posterior estudo micromorfológico. A escavação de alguns contextos antrópicos específicos foi também acompanhada da recolha de amostras de sedimento menos volumosas para outras análises de potencial interesse, nomeadamente microbotânicas ou geoquímicas.. .
(148) Fig. 2n$IVERSOSSECTORESDAESCAVA¼OEM·READO0AL·CIO,UDOVICE
(149) AONÁVELDASUPERFÁCIEDEOCUPA¼ONEOLÁTICAA PLANTAGERALDOPISO T½RREO
(150) COMINDICA¼ODOSSETORESINTERVENCIONADOSA·REAACINZENTON¼OSOFREUAFETA¼OB VISTAGERALDOSETOR#
(151) UMAVEZREMOVIDA ACAMADA#NOTE SEOLIMITEA%STEDACAMADA";LINHATRACEJADABRANCA=EASUACORESCURA
(152) EAPRESENADEUMAESTRUTURADECOMBUST¼O EM CUVETTE ;ELIPSE TRACEJADA A LARANJA=
(153) SOBRE A SUPERFÁCIE DA CAMADA ! O MURO CENTRAL PERTENCE º INFRAESTRUTURA DE SUPORTE DO 0AL·CIO ,UDOVICEC VISTAPARCIALDO3ETOR#NOTEM SEDUASESTRUTURASEMcuvetteDESEIXOSCALCINADOS;ELIPSESTRACEJADASALARANJA=ENTREASDUAS ESTRUTURAS
(154) REMINISC¾NCIADASONDAGEMDEDIAGNÆSTICOEFETUADAEMTRABALHOSPR½VIOSD VISTAGERALDO3ETOR#
(155) SUPERFÁCIEDACAMADA! NOTE SEAVALADE½POCAMODERNAABERTANOSDEPÆSITOSSILTO ARENOSOS
(156) CORTADAPELOSALICERCESDO0AL·CIO,UDOVICENOTE SEAPRESENADO EMPEDRADO;ELIPSETRACEJADAAMARELA=
(157) DEUMAESTRUTURAEMcuvette;LARANJA=EDEUMAESTRUTURADEARGILAAINDAN¼OESCAVADA;VERMELHO=
(158) BEMCOMODEV·RIOSELEMENTOSP½TREOSDISPERSOSPELASUPERFÁCIEDACAMADA!E VISTAGERALDO3ETOR#
(159) NABASEDACAMADA"NOTE SEA PRESENADEUMELEMENTODORMENTEDEMÆ;SETACINZENTA=JUNTOAOUTROSELEMENTOSP½TREOS
(160) DASVALASRETILÁNEASDE½POCAMODERNA
(161) COMA ESTRUTURAFUNDACIONALDEUMEDIFÁCIOANTERIORPARCIALMENTECONSERVADA;&=
(162) BEMCOMOUMPOOPOSTERIOR;0=A·REA;'=CORRESPONDEAUMA SONDAGEMGEOT½CNICAREALIZADAPREVIAMENTEF VISTAPARCIALDO3ETOR#
(163) ONDESEIDENTIlCOUUMCANALFORMADOPORRAVINAMENTOSUPERlCIAL
(164) COMABUNDANTESBOLSASDEESPÆLIOPR½ HISTÆRICONOFUNDO;LINHASTRACEJADASBRANCAS=ºESQUERDA
(165) SEGMENTODAVALADE½POCAMODERNAE
(166) º direita, uma possível estrutura de combustão industrial de época contemporânea..
(167) 3 – RESULTADOS 4ERMINADOS OS TRABALHOS DE ESCAVA¼O EM ·REA
(168) A CORRELA¼O ENTRE UNIDADES ESTRATIGR·FICAS DOS DIFE RENTESSETORESNOQUETOCAºSPR½ EXIST¾NCIASEDEPÆSITOSANTERIORESºCONSTRU¼ODO0AL·CIOFOICONSIDERADAE ENCONTRA SEEMCURSO0OR½M
(169) AINTERPRETA¼OESTRATIGR·FICA
(170) CONDUZIUºIDENTIFICA¼ODOSSEGUINTESPRINCIPAIS MOMENTOSDEOCUPA¼OHUMANADOESPAOATUALMENTEOCUPADOPELO0AL·CIO,UDOVICE 5MAOCUPA¼OPR½ HISTÆRICA
(171) DECAR·TERHABITACIONALEFUNER·RIO
(172) ATRIBUÁVELAO.EOLÁTICO!NTIGO
(173) CONTIDA NUMASEQU¾NCIADEDEPÆSITOSSILTO ARENOSOS 2) Uma primeira fase construtiva de Época Moderna, constituída por infraestruturas, que os dados prelimi NARESPARECEMSITUARNOS½CULO86) 5MASEGUNDAFASEDE¤POCA-ODERNACORRESPONDENTEºCONSTRU¼ODO0AL·CIO
(174) NOS½CULO86))) 2EMODELAÊESDENATUREZADIVERSA
(175) INCLUINDOPARAUSOINDUSTRIAL
(176) AOLONGODOSS½CULOS8)8E88. Fig. 3n%STRATIGRAlADASEQU¾NCIASILTO ARENOSAA CORTECONSERVADOSOBOALICERCEASUDOESTEDOSETOR#NOTE SEAESPESSATRANSI¼ODOS CONTACTOSENTRECAMADAS;LINHASTRACEJADAS=B CORTEESTRATIGR·lCOSOBAPAREDENORTEDOSETOR#ºESQUERDA
(177) PARTEDOPREENCHIMENTODA VALADEFUNDA¼ODAPRIMEIRAFASEDOEDIlCADOMODERNO;6=C ASPETO
(178) EMPLANO
(179) DEUMCANALEROSIVOIDENTIlCADONOSETOR#
(180) PREENCHIDO PORBOLSASCOMABUNDANTEESPÆLIOPR½ HISTÆRICO
(181) CORRESPONDENTESºCAMADA$NOTE SEOPADR¼OPOLIGONALFORMADOPELASFENDASOXIDADAS d) pormenor do corte do setor C6 onde é possível distinguir as fendas de gretamento nas camadas A, B e C, bem como lentículas de espólio arqueológico a preencher o canal erosivo.. 16.
(182) n3ÁNTESEESTRATIGR·lCADASEQU¾NCIASILTO ARENOSA / SUBSTRATO MIOC½NICO CARACTERIZA SE POR UMA GRANDE VARIABILIDADE DE F·CIES
(183) PRÆPRIA DAS !REOLAS DA Estefânia, que se expressam em lentículas e camadas horizontais, desde argilosas e compactas, a arenosas, FOSSILÁFERAS
(184) DE COLORA¼O GERAL CINZENTA ESVERDEADA A ALARANJADA 4OPOGRAFICAMENTE
(185) APRESENTA UM DECLIVE PARA3UDOESTE
(186) REGISTANDO SEAMAIORPROFUNDIDADENOCUNHALNAINTERSE¼ODA2UADO$I·RIODE.OTÁCIASCOM A4RAVESSADA"OA(ORA3OBREESTESUBSTRATOMIOC½NICODEPOSITOU SEUMASEQU¾NCIAFORMADAPORCAMADAS SUCESSIVASDESEDIMENTOSSILTO ARENOSOS&IGA %STASEQU¾NCIACONT½M
(187) INTER ESTRATIFICADOS
(188) OSCONTEXTOS neolíticos. Foi também nesta sequência sedimentar que foram escavadas e construídas infraestruturas diversas DE¤POCA-ODERNA&IGSD FEB !SCAMADASQUEFORMAMASEQU¾NCIASILTO ARENOSAAPRESENTAMUMACLARACONTINUIDADEENTREOSDIFERENTES SETORES
(189) APESARDACOMPARTIMENTA¼O.A4ABELA
(190) ASCAMADASS¼ODESCRITAS
(191) DEBAIXOPARACIMA
(192) SOBUMA designação alfabética provisória, correspondente ao agrupamento das unidades estratigráficas equivalentes. /SCONTACTOSENTRETODASASCAMADASDASEQU¾NCIASILTO ARENOSAERAMSEMPREMUITOGRADUAIS&IGA
(193) B E seguiam o declive para Sudoeste do substrato miocénico, enquanto as camadas se tornavam mais espessas nessa mesma direção. Tabela 1n%STRATIGRAlADASEQU¾NCIASILTO ARENOSADEBAIXOPARACIMA Camada. $ESCRI¼O. )NTERPRETA¼O. A. $EPÆSITO DE ARGILA COM AREIA lNA
(194) ALARANJADO
(195) MUITO compacto e homogéneo, sem espólio arqueológico. Em algumas áreas, a transição para a camada superior era MARCADAPORGRETASDEACMDEESPESSURA
(196) DELINEADASPOR CROSTAS FERRUGINOSAS
(197) INDICATIVAS DE CONDIÊES HIDROMÆR lCAS %STAS GRETAS CONlGURAM PADR¼O POLIGONAL NO PLANO HORIZONTAL&IG
(198) C
(199) D .ATRANSI¼OOCORREMOSMATERIAIS PR½ HISTÆRICOSCOMCOTASMAISBAIXAS
(200) AINDAQUEEMPOUCA quantidade.. Possível acumulação de material detrítico, resultante da erosão do próprio substrato miocénico a cotas mais elevadas na colina, por processos de transporte ao longo da encosta, ou eólicos. Em alternativa, pode CORRESPONDER º DESAGREGA¼O SUPERlCIAL DO PRÆPRIO substrato miocénico. Ulteriormente, terá sofrido ciclos de saturação em água e desidratação, que causaram gretamento, através do QUALSEPODETERINlLTRADOESPÆLIOSARQUEOLÆGICOSESEDI mentos.. B. $EPÆSITO DE AREIA lNA
(201) ARGILOSA
(202) CASTANHOCINZENTO MUITO escuro a negro, de textura muito compacta e gordurenta, com manchas avermelhadas, sobretudo na base. Contém objetos neolíticos dispersos, em estado de conservação relativamente bom, embora, no geral, a quantidade diminua em profundidade. Em algumas zonas é observado o padrão poligonal formado por gretas preenchidas por hidróxidos. Esta camada contém elementos pétreos de maior dimensão, dispersos, bem como alguns restos osteológicos, muito deteriorados. Cobre as estruturas neolíticas, que assentam na superfície da camada anterior.. Depósito muito rico em matéria orgânica, muito prova velmente de origem antrópica, resultante do proces samento e combustão de matéria vegetal e animal desenvolvidos pela população neolítica, gerando grandes quantidades de carbono orgânico e argila rube facta. A presença de fendas de gretamento também está presente, indicando ciclos de saturação em água e DESIDRATA¼O PÆS SEDIMENTARES
(203) EM SIMULT¸NEO COM !
(204) SUBJACENTE&IG
(205) C
(206) D . C. $EPÆSITODEAREIAlNASILTOSA
(207) CINZENTOACASTANHADO
(208) ESCURO #ONT½MABUNDANTEESPÆLIOPR½ HISTÆRICOEALGUNSSEIXOSDE pequena dimensão, rolados, tanto dispersos como concen trados em bolsas lenticulares, estas sobretudo nas cotas MAISBAIXAS/BSERVAM SECANAISDEBIOTURBA¼O. Depósito formado por processos lentos de encosta, que DEVER¼O SER RESPONS·VEIS PELAS ACUMULAÊES LENTICU lares de espólio neolítico rolado, possivelmente interca lados com momentos de pedogénese (desenvolvimento de um solo).. .
(209) Camada. $ESCRI¼O. )NTERPRETA¼O. D. Sucessão de depósitos arenosos lenticulares, de espessura Depósitos acumulados por cursos de água temporários, SEMPRE INFERIOR A CM
(210) CONlNADOS AO PREENCHIMENTO DE TRANSPORTANDO GRANDE QUANTIDADE DE ESPÆLIO PR½ HISTÆ DEPRESSÊES DE PLANTA ALONGADA
(211) DE PERlL IRREGULAR
(212) CUJOS rico. interfaces cortam as camadas anteriores. Algumas das unidades lenticulares são constituídas por elevada concen tração de material lítico e fragmentos rolados de cerâmica, evidenciando, por vezes, alguma imbricação.. E. Depósito, no geral, homogéneo, arenoso e solto, de cor castanha a esverdeada, que contém abundante espólio PR½ HISTÆRICO DISPERSO
(213) BASTANTE ROLADO
(214) COM FRAGMENTOS de cerâmica de pequena dimensão. Na superfície, contém ALGUNSOBJETOSDECRONOLOGIASRECENTES3OBREPÊE SEADEPÆ sitos correspondentes a C e D através de contactos muito graduais.. #OLUVI¼O
(215) COM MATERIAL DETRÁTICO
(216) ORIUNDO DE AmORA mentos a cotas mais elevadas da colina, e arqueoló gico, transportado ao longo da encosta. A superfície foi AFETADAPELASOCUPAÊESMAISRECENTES. n#ONTEXTOSNEOLÁTICOS n#ONTEXTOSHABITACIONAIS Os contextos antrópicos, neolíticos, em posição primária, consistem em estruturas com fortes indícios de combustão. Estas estruturas assentam na superfície da camada A e estavam cobertas pelos sedimentos ESCUROSAVERMELHADOSDACAMADA"/STR¾STIPOSDEESTRUTURASIDENTIFICADOSS¼ODESCRITOSNA4ABELA Tabela 2n4IPOSDEESTRUTURASNEOLÁTICASIDENTIlCADASNO0AL·CIO,UDOVICE. Empedrado. Lareiras em cuvette. Estruturas de argila. #ONSTITUÁDO POR UMA CONCENTRA¼O DE SEIXOS DE BASALTO
(217) COM LIMITES IRREGULARES EM PLANTA
(218) DElNIDO POR ALGUNS seixos mais dispersos que outros, adquirindo cerca de 1m x 0.60 m de diâmetros máximo e mínimo, respetivamente. /S SEIXOS S¼O BASTANTE HOMOG½NEOS ENTRE SI
(219) DE PEQUENA DIMENS¼O
(220) E ENCONTRAVAM SE FRATURADOS in situ, como provável efeito térmico. Entre os seixos foram encontrados pedaços de carvão, muito deteriorados. %STRUTURADACOMSEIXOS !GLOMERAÊESDEPLANTACIRCULARIRREGULAR
(221) COMDI¸METROSVARI·VEISENTRECERCADEMEM
(222) COMPOSTASPORSEIXOS de basalto arredondados de média dimensão, evidenciando alteração térmica, nomeadamente fracturação in situ, rubefacção e calcinação. %STRUTURADACOMSEIXOSEARGILA !GLOMERAÊESCOMCERCADEMDEDI¸METRO
(223) COMPOSTASPORSEIXOSDEBASALTOARREDONDADOSDEDIMENS¼OM½DIA
(224) evidenciando alteração térmica, e nódulos de argila cozida, de dimensão semelhante aos seixos e formas irregulares. Setor #. Muito destruída, conservava, aparentemente in situ, parte de uma parede vertical de argila. Outros pedaços de argila de grande dimensão foram encontrados em seu redor, não estruturados.. Setor C10. Conservava restos de fragmentos de argila cozida, de morfologia aplanada, dispostos em posição semiver TICAL
(225) APOIADOSUNSNOSOUTROS
(226) CONFORMANDO
(227) EMPLANO
(228) UMASEMI ELIPSE. /EMPEDRADO½CONSTITUÁDODEPEQUENOSSEIXOS&IGA !PRESENADECARVÊESREFORAAOCORR¾NCIADE combustão nesta estrutura, que foi a única identificada com estas características. No que respeita às lareiras em cuvette, apesar da interface em negativo não ser sempre evidente devido às características do sedimento e à espessa transição entre camadas antes mencionada, esta interpretação é refor. .
(229) Fig. 4n%STRUTURAS NEOLÁTICAS DE CAR·TER HABITACIONAL A EMPEDRADO SOBRE O SEDIMENTO ARGILOSO ALARANJADO DA CAMADA !
(230) SETOR # b) estrutura de combustão em cuvetteCOMSEIXOSENÆDULOSDEARGILA
(231) SETOR#C ESTRUTURADECOMBUST¼OEMCUVETTECOMSEIXOSNOTE SEA CALCINA¼ODOSSEIXOSINFERIORESEAPRESENADEUMNÆDULODEARGILA
(232) SETOR#D PARTESUPERIORDEUMAESTRUTURADEARGILA
(233) COMPOSTAPOR nódulos amorfos de argila cozida, de dimensão substancial, acumulados de forma caótica e envolvidos por sedimentos da camada C, setor #E PARTEINFERIORDAMESMAESTRUTURAREPRESENTADAEMD
(234) CONSERVANDOUMTROODEPAREDEVERTICALDEARGILACOZIDAin situ, envolvido por SEDIMENTOARGILOSOMUITOCOMPACTODASUPERFÁCIEDACAMADA!F ASPETOlNALDAESTRUTURADEARGILAAPÆSESCAVA¼O
(235) SETOR#. 19.
(236) çada pelo facto de o grau de alteração térmica se acentuar em profundidade, ou seja, os seixos mais à super fície estavam menos alterados, apenas enegrecidos ou rubefactos, enquanto que os seixos inferiores estavam MUITOMAISALTERADOSPELOCALOR&IGB
(237) C 1UANTOºSDUASESTRUTURASDEARGILAIDENTIFICADASNO0AL·CIO,UDOVICE
(238) S¼ODÁSPARESMORFOLÆGICAECONTEX TUALMENTE$OSVESTÁGIOSDAESTRUTURADEARGILADOSETOR#N¼O½POSSÁVELINFERIRASUAMORFOLOGIAEMPLANTA
(239) apenas que deveria possuir paredes verticais, a julgar pelo troço remanescente em posição primária, com EVID¾NCIADEAPLANAMENTODAFACEINTERNA&IGF %MREDOREMESMOACOTASALGOMAISELEVADASQUEOTROO in situ
(240) ENCONTRARAM SEGRANDESPEDAOSDEARGILACOZIDA
(241) DEMORFOLOGIAIRREGULAR
(242) QUEPARECIAMACUMULADOS DEMANEIRACAÆTICA&IGD
(243) E
(244) EVENTUALMENTERESULTADODOCOLAPSOEARRASAMENTODAESTRUTURAAPÆSOABAN dono do sítio. No setor C10 foi identificado um contexto que parecia conjugar ambos os tipos de lareira em cuvette NUMAMESMAGRANDEESTRUTURA
(245) EMBORACLARAMENTEINDIVIDUALIZADOSNOSEUINTERIOR&IGA )NFELIZMENTE
(246) OALICERCEDO0AL·CIO,UDOVICESECCIONOUAESTRUTURA
(247) QUESEDEVEPROLONGARPARAOEXTERIOR
(248) SOBA4RAVESSA da Cara. O conjunto observado consistia numa depressão com cerca de 2 m de diâmetro que aparentava uma planta semielíptica, preenchida por seixos médios, fraturados termicamente in situ, concentrados no lado Oeste, e seixos menores e abundantes pedaços de argila cozida concentrados no lado Este. /UTRAPOSSÁVELESTRUTURADEARGILACOZIDA
(249) NOSETOR#
(250) LOCALIZAVA SEIMEDIATAMENTEA3ULDAGRANDEESTRU tura em cuvetteCORTADAPELOALICERCEFRONTEIROº4RAVESSADA#ARA&IGB
(251) C !PENASPARCIALMENTECONSER vada, a disposição dos fragmentos sugere que a estrutura colapsou para o seu próprio interior. Além das estruturas identificadas no contacto entre a camada A e o nível artificial inferior de B, encon TRAVAM SEALGUMASPEDRASDEMAIORDIMENS¼ODISPERSAS&IGSD
(252) E&IGC
(253) ALGUMASSEMFUN¼OPERCETÁVEL
(254) mas pelo menos um elemento dormente de mó foi identificado durante a escavação (Fig. 2 d). Do mesmo modo, CONSERVAVA SE
(255) NESTA TRANSI¼O GRADUAL ENTRE ! E "
(256) MATERIAL LÁTICO
(257) LASCADO E POLIDO
(258) CER¸MICO
(259) E ELEMENTOS OSTEOLÆGICOSDEFAUNAMALACOLÆGICAEMAMALÆGICA
(260) BASTANTEDETERIORADOS!SMAIORESCONCENTRAÊESDEOSSOS DEMAMÁFEROSREGISTARAM SEEMREDORDAGRANDEESTRUTURAEMcuvette escavada no setor C10. No mesmo setor, FORAMAINDARECOLHIDOSELEMENTOSÆSSEOSENTREOSPEDAOSCOLAPSADOSDAESTRUTURADEARGILACOZIDA&IGB
(261) enquanto que uma das estruturas de combustão em cuvette com seixos e argila continha igualmente um conjunto osteológico no seu interior. Ainda no que toca a recurso faunísticos, além de mamíferos, a crivagem de sedimentos com água permitiu ANTEVERAEXIST¾NCIADEFAUNAMALACOLÆGICA
(262) ICTIOLÆGICAEDEMICROVERTEBRADOSNOSSEDIMENTOSDE"AFLUTUA¼O permitirá recolha mais completa e estatisticamente significativa. n#ONTEXTOFUNER·RIO .OSETOR#
(263) ACERCADECINCOMETROSPARA%STEDACONCENTRA¼ODEESTRUTURASANTESREFERIDAS&IGC FOIIDENTIFICADOUMCONTEXTOFUNER·RIO&IG /ESQUELETODOINDIVÁDUOINUMADOENCONTRAVA SENUMAFOSSA aberta na camada A, sendo evidente, a cotas mais baixas, correspondentes ao fundo da fossa, a interface com a CAMADASUBJACENTE&IGB
(264) C /ESQUELETOENCONTRAVA SEEMDECËBITODORSAL
(265) COMPERNASEBRAOSFLECTIDOS POSI¼OFETAL
(266) CONFORMESEOBSERVACLARAMENTENOLEVANTAMENTO$REALIZADO&IG
(267) EMBAIXO .ESTA·REAN¼OSEREGISTARAMUNIDADESCORRESPONDENTESºCAMADA"&IGB
(268) CONSTATANDO SEQUE!ERA coberta diretamente por sedimentos de C, de espessura mais reduzida para Este, em virtude do declive subja cente. Nesta zona em que C era mais ténue, foram recolhidos grandes fragmentos pertencentes a um mesmo VASO
(269) DEDIMENSÊESASSINAL·VEIS&IGA
(270) EMESPAOVERTICALMENTECOINCIDENTECOMAINUMA¼O
(271) OQUESUGERE. 20.
(272) Fig. 5n#ONTEXTOHABITACIONALDOSETOR#A ASPETODADEPRESS¼OCOMOSPREENCHIMENTOSDISTINTOSDESEIXOSPEQUENOSEARGILA
(273) EM PRIMEIRO PLANO
(274) E SEIXOS MAIORES
(275) EM SEGUNDO PLANO B EM PRIMEIRO PLANO
(276) ESTRUTURA DE ARGILA COLAPSADA NOTE SE A PRESENA DE UM ELEMENTOFAUNÁSTICOENTREOSPEDAOSDEARGILAEMSEGUNDOPLANO
(277) AMESMAESTRUTURAEMCUVETTEREPRESENTADAEMA
(278) NUMAFASEANTERIOR DA ESCAVA¼O NOTE SE A PRESENA DA SUPERFÁCIE IRREGULAR DE ARGILA RUBEFACTA DO LADO DIREITO C VISTA GERAL DA ·REA NORTE DO SETOR #
(279) COMASESTRUTURASºSUPERFÁCIEDACAMADA!NOTE SEADISPERS¼ODENÆDULOSDEARGILAEELEMENTOSP½TREOSEMËLTIMOPLANO
(280) ESCAVA¼ODA inumação humana em curso.. 21.
(281) Fig. 6n#ONTEXTOFUNER·RIODOSETOR#A ASPETODEUMNÁVELARTIlCIALBASALDACAMADA#
(282) COMPARTEDOSFRAGMENTOSDOGRANDEVASO colapsado in situNOTE SEAPRESENADEGRETASCONFORMANDOUMPADR¼OPOLIGONALEMPLANOB ASPETODAESCAVA¼ODOMESMOCONTEXTO
(283) J· NO FUNDO DA FOSSA FUNER·RIA C ESQUELETO DO INDIVÁDUO INUMADO EM BAIXO
(284) LEVANTAMENTO $ DO ESQUELETO DO INDIVÁDUO INUMADO
(285) EVIDENCIANDO SEASUAPOSI¼OEMDECËBITODORSALCOMPERNASEBRAOSRETRAÁDOSPOSI¼OFETAL . 22.
(286) uma associação entre ambos. O conjunto dos fragmentos deste vaso foi aparecendo progressivamente em profundidade, sendo o sedimento que o envolvia marcado pela forte ocorrência de gretas oxidadas, frequente TAMB½MNATRANSI¼OENTRE"E!&IGC
(287) D
(288) A
(289) B
(290) 4ABELA .ESTECONTEXTO
(291) OSFRAGMENTOSDOCOLOENCON TRAVAM SEACOTASSUPERIORES
(292) EOSFRAGMENTOSDOBOJOACOTASINFERIORES
(293) ENCONTRANDO SEALGUNSEMPOSI¼O vertical. Esta disposição sugere que o vaso se encontraria colocado verticalmente no solo, e provavelmente NELE SEMI ENTERRADO
(294) AT½ POR POSSUIR UM FUNDO PARABOLÆIDE QUE N¼O PERMITIA EQUILÁBRIO
(295) TENDO COLAPSADO in situEMBORAN¼OESTEJAPRESENTEMENTECOMPLETO
(296) CONFORMEEVIDENCIAORESPECTIVODESENHO&IG
(297) ½PROV·VEL QUEASPARTESEMFALTATENHAMSIDOACIDENTALMENTEREMOBILIZADASPORPERTURBAÊESPÆS DEPOSICIONAISULTERIOR mente ocorridas, depois de fracturado o vaso, até porque correspondem à sua parte superior, aquela que se ENCONTRARIAMAISEXPOSTAATAISACÊES 4RATA SE DE RECIPIENTE DE BOJO E FUNDO PARABOLÆIDE
(298) COM COLO CILÁNDRICO ! PARTE SUPERIOR DO BOJO ½ MARCADA POR INFLEX¼O ACENTUADA DECORADA EM TODO O CONTORNO POR UMA LINHA DE IMPRESSÊES QUE N¼O SE INTEGRANOSCONHECIDOSPADRÊEShEMESPIGAv
(299) OUEMhFALSAFOLHADEAC·CIAv
(300) PORCORRESPONDEREMAIMPRES SÊES COM UMA MATRIZ ESTREITA E ALONGADA
(301) APLICADA PERPENDICULAR OU OBLIQUAMENTE NA SUPERFÁCIE DO VASO E FREQUENTEMENTEDESENCONTRADAS
(302) COMOSEOBSERVACLARAMENTENAFOTODEPORMENORDA&IGA!OCONTR·RIO
(303) OPADR¼OFALSAFOLHADEAC·CIACARACTERIZA SEPORCORRESPONDERADEPRESSÊESOPOSTASDAÁONOMEEVOCATIVO DO RAMO DA AC·CIA FEITAS COM PUNCIONAMENTO MAIS OU MENOS ARRASTADO
(304) DIFERENCIANDO SE DA DECORA¼O A MATRIZ
(305) PROVOCANDOIMPRESSÊESSEMPREIGUAIS
(306) T½CNICACARACTERÁSTICADOhVERDADEIROvPADR¼OhFOLHADEAC·CIAv do Calcolítico Pleno/Final da Estremadura portuguesa. Da inflexão que separa a parte superior da parte inferior do bojo partem três asas em fita que se unem à PARTEINFERIORDOBOJO
(307) DECORADASSUPERIORMENTEPORUMPEQUENOBOT¼O&IG
(308) C A parte superior do bojo exibe um padrão decorativo inciso constituído por vários campos quadriculados INCISOS
(309) QUESEDESENVOLVEMEMTORNODOCOLO&IGB
(310) ALTERNANTESCOMCAMPOSVERTICAISSEMELHANTESQUE ATINGEM A PARTE SUPERIOR DAS TR¾S ASAS &IG /BSERVAM SE AINDA PEQUENAS ·REAS ISOLADAS NO BOJO COM O mesmo padrão decorativo, sendo a parte inferior do vaso totalmente lisa. n/UTROSESPÆLIOSARQUEOLÆGICOS Além do vaso associado ao contexto funerário acima descrito foram recolhidos numerosos fragmentos cerâmicos heterogéneos quanto a tipos de pasta, cozedura e granulometria dos elementos não plásticos. Vários FRAGMENTOS
(311) LISOS CONT¾M ELEMENTOS DE PREENS¼O &IG
(312) N
(313) POR VEZES ASSOCIADOS A CAMPOS DECORADOS &IG
(314) N&IG
(315) N&IG
(316) N ESTEËLTIMO
(317) PELASUAPEQUENADIMENS¼O
(318) ASSUMEFINALIDADEESTRI TAMENTE DECORATIVA
(319) COMO ½ O CASO DOS PEQUENOS BOTÊES OBSERVADOS NO TOPO DAS ASAS NO VASO J· DESCRITO Um fragmento de taça em calote decorada possui uma asa horizontal perfurada correspondendo a elemento de SUSPENS¼O&IG
(320) N&IG
(321) N TALQUALOVERIFICADOCOMASASASEXISTENTESNOGRANDEVASO
(322) AT½PORESTE possuir fundo parabolóide. A larga maioria dos fragmentos cerâmicos são lisos, em percentagem face aos decorados ainda por quan TIFICAR/SEXEMPLARESDECORADOSPOSSUEMBORDOSSIMPLES
(323) LISOSOUDENTEADOSNOL·BIO&IG
(324) N&IG
(325) N&IG
(326) N
(327) EPADRÊESINCISOSEMBANDASQUADRICULADASHORIZONTAIS&IG
(328) N
(329) ALTERNANTESCOM LINHAS SIMPLES OBTIDAS PELA T½CNICA IMPRESSA hBOQUIQUEv &IG
(330) N &IG
(331) N &IG
(332) N E N
(333) correspondendo a uma decoração compósita associando duas técnicas decorativas distintas. Esta realidade é expressivamente ilustrada por taça hemisférica de bordo liso, da qual a maior parte foi recuperada na camada "DOSETOR#%RAMUNIDADEASASEMANELJUNTOAOBORDO
(334) PERFURADASVERTICALMENTE
(335) EENCONTRA SEDECORADA. .
(336) PORBANDASHORIZONTAISCONSTITUÁDASPORLINHASPRODUZIDASPELAT½CNICAhBOQUIQUEv3OBAËNICAASACONSERVADA
(337) OBSERVA SE UM RECT¸NGULO DISPOSTO VERTICALMENTE PREENCHIDO INTERIORMENTE POR RETICULADO INCISO &IG
(338) N &IG
(339) N MUITO SEMELHANTE AOS OBSERVADOS NO VASO QUASE COMPLETO $ESTE MODO
(340) A ASSOCIA¼O de diversas técnicas decorativas num mesmo recipiente constitui uma característica importante das produ ÊESCER¸MICASOBSERVADASNESTESÁTIO
(341) SENDOFACILMENTEIDENTIFIC·VEISNOSDOISEXEMPLARESMAISCOMPLETOS -ASMESMOEMFRAGMENTOSDEPEQUENASDIMENSÊES
(342) FOIOBSERVADAESSACARACTERÁSTICA
(343) COMO½OCASODOVASO ESF½RICOREPRESENTADOPORDOISFRAGMENTOSONDESEOBSERVAAT½CNICAhBOQUIQUEv&IG
(344) N 3ENDOAMAIORIADOSFRAGMENTOSDEPEQUENASDIMENSÊES
(345) APENASSEEVIDENCIAEMCADAUMDELESUMAËNICA técnica decorativa, que pode revestir o aspecto de puncionamentos de características variadas (Fig. 10, n.º 2 a &IG
(346) N
(347) MAISOUMENOSLONGASEPROFUNDAS A componente de pedra lascada é caracterizada por conjunto variado e numeroso, aparentemente orien tado para a produção de lamelas e lascas. O sílex é a matéria prima largamente predominante, de origem próxima, recolhido nas bancadas dos calcários recifais turonianos existentes na área urbana de Lisboa sob a forma de nódulos e de leitos tabulares, complementado por raras peças de quartzo. /SNËCLEOSDELAMELASEDELASCASAPRESENTAMTRATAMENTOT½RMICOEMOSTRAM SEINTENSAMENTEEXPLORADOS
(348) COMO½OCASODEUMEXEMPLAREMSÁLEXCASTANHO AVERMELHADOVARIEDADEQUEN¼O½HABITUALNOSNÆDULOSOU LEITOSSILICIOSOSCRET·CICOSDAREGI¼O
(349) MASCOMUMNAREGI¼ODE2IO-AIOR&IG
(350) N&IG
(351) N
(352) AO CONTR·RIODEOUTROSQUEAPROVEITARAMMATERIAISDISPONÁVEISLOCALMENTE&IG
(353) N Ocorrem diversos tipos de geométricos, alguns com a forma de segmentos, por vezes de pequeníssimas DIMENSÊESERETOQUEABRUPTO&IG
(354) NA&IG
(355) NA
(356) EMBORAOCORRAMEXEMPLARESDEDIMENSÊES ASSINAL·VEIS &IG
(357) N )DENTIFICARAM SE ABUNDANTES LAMELAS COM OU SEM RETOQUES MARGINAIS &IG
(358) NAEA&IG
(359) NAE&IG
(360) NA
(361) ALGUMASCOMINDÁCIOSDELUSTREDECEREALAOLONGO DEUMDOSBORDOS
(362) VISÁVELAOLHONË&IG
(363) NE
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