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PEDRO CAMPOS GUIMARÃES SAMPAIO E MELLO A IMPORTÂNCIA DA CONECTIVIDADE NA GESTÃO E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM ÁREAS NATURAIS PROTEGIDAS

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PEDRO CAMPOS GUIMARÃES SAMPAIO E MELLO

A IMPORTÂNCIA DA CONECTIVIDADE NA GESTÃO E

CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM

ÁREAS NATURAIS PROTEGIDAS

Monografia apresentada ao Campus Barbacena, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, como parte das exigências do curso de Pós-graduação Lato Sensu em “Planejamento e Gestão de Áreas Naturais Protegidas”, para a obtenção do título de Especialista

BARBACENA MINAS GERAIS - BRASIL

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PEDRO CAMPOS GUIMARÃES SAMPAIO E MELLO

A IMPORTÂNCIA DA CONECTIVIDADE NA GESTÃO E

CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM

ÁREAS NATURAIS PROTEGIDAS

Monografia apresentada ao Campus Barbacena, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, como parte das exigências do curso de Pós-graduação Lato Sensu em “Planejamento e Gestão de Áreas Naturais Protegidas”, para a obtenção do título de Especialista

Orientador: Prof. FERNANDO MARTINS COSTA Coorientador: Prof. GERALDO MAJELA MORAES

SALVIO

BARBACENA MINAS GERAIS - BRASIL

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Ficha Catalográfica

M527i 2014

MELLO, Pedro Campos Guimarães Sampaio

A importância da conectividade na gestão e conservação da biodiversidade em Áreas Naturais Protegidas / Pedro Campos Guimarães Sampaio e Mello. - Barbacena/MG: IFSEMG, 2014.

XII, 39 f .; 29,7 cm

Orientador: Fernando Martins Costa

Monografia (Pós-graduação Lato Sensu em Planejamento e Gestão de Áreas Naturais Protegidas) - Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais -

Campus Barbacena - IFSEMG, Barbacena, 2014.

1. Corredores Ecológicos. 2. Áreas Protegidas. 3. Fragmentação de Biomas. I. Mello, Pedro Campos Guimarães Sampaio. II. Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais - Campus Barbacena. III. Título

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PEDRO CAMPOS GUIMARÃES SAMPAIO E MELLO

A IMPORTÂNCIA DA CONECTIVIDADE NA GESTÃO E

CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM

ÁREAS NATURAIS PROTEGIDAS

Monografia apresentada ao Campus Barbacena, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, como parte das exigências do curso de Pós-graduação Lato Sensu em “Planejamento e Gestão de Áreas Naturais Protegidas”, para a obtenção do título de Especialista;

APROVADA: 23 de dezembro de 2014.

_______________________________ ______________________________ Prof. Geraldo Majela Moraes Salvio Prof. José Emílio Z. de Oliveira

_______________________________ Prof. Fernando Martins Costa

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Dedico este trabalho a toda minha família que me ensinou a admirar a Natureza e a enxergá-la com outros olhos, me ajudando a me tornar a pessoa e o profissional que sou hoje.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a minha mãe Myriam e ao meu pai Ricardo, que durante todas as suas vidas me incentivaram a continuar os estudos e não mediram esforços para que eu tivesse condições de realizá-los e chegar até onde estou hoje. Obrigado por terem confiado e acreditado em mim.

A minha mãedrinha Olinda e ao meu paidrinho Valter pelo suporte e apoio de sempre. Ao meu irmão Daniel, pela parceria e amizade. As minhas irmãs Leticia, Ravena, Rafaela e Camila, pelo carinho e cuidado. A minha vó Evane pela energia e preces realizadas e a toda minha grande família. Vocês são a base de tudo que sou hoje. Muito obrigado.

Agradeço a Natália, pelo amor, amizade e companheirismo e por ter suportado minhas ausências aos finais de semana durante um ano, sempre me apoiando e motivando a cada dia, compartilhando dos mesmos sonhos e objetivos. Sem você ao meu lado eu não teria conseguido concluir mais essa etapa. Te amo muito. Agradeço também a sua família, que é minha segunda família.

Agradeço a todos os colegas de curso e àqueles que se tornaram grandes amigos durante o curso, José Carlos, Chicão, Valéria, Arlon, Bia e Fernanda Weysfield. Amizades que levarei para toda a vida. Agradeço em especial ao Arlon, a Bia e a Fernanda Weysfield, pela companhia, pizzas, sanduíches e peras das sextas à noite, rs. Vocês fizeram as idas a Barbacena valer a pena. Agradeço ainda a amiga Bia, por todo o apoio técnico e moral na etapa final desse trabalho, no qual eu não teria conseguido se não fosse a sua ajuda, opiniões e incentivo.

Agradeço ao professor e orientador Fernando Martins Costa, por ter acreditado em mim e em meu trabalho e me ajudado a desenvolver essa monografia. Ao professor e co-orientador Geraldo Majela Moraes Salvio, que se colocou à disposição e incentivou o desenvolvimento dessa pesquisa. A todos os demais professores do curso, pelas aulas e por terem despendido seu tempo a nos passar seus melhores conhecimentos.

Por fim e não menos importante, agradeço a Deus, pela proteção nas estradas todos os finais de semana e por estar sempre comigo, guiando e orientando meu caminho e minha jornada.

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“Para se ter sucesso, é necessário amar de verdade o que se faz. Caso contrário, levando em conta apenas o lado racional, você simplesmente desiste. É o que acontece com a maioria das pessoas”.

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Especialização em Planejamento e Gestão de Áreas Naturais

Protegidas

A IMPORTÂNCIA DA CONECTIVIDADE NA GESTÃO E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM ÁREAS NATURAIS PROTEGIDAS

RESUMO

Pedro Campos Guimarães Sampaio e Mello Dezembro, 2014

Orientador: Professor Fernando Martins Costa Coorientador: Professor Geraldo Majela Moraes Salvio

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) ressalta a necessidade de se planejar e definir formas de conectividade entre Áreas Naturais Protegidas (ANPs) utilizando-se da criação de Corredores Ecológicos (CEs). Conectar fragmentos florestais, principalmente aqueles pequenos e isolados, se torna importante uma vez que tamanho e isolamento são fatores determinantes na viabilidade das populações e espécies presentes nessas áreas. Por meio de um levantamento bibliográfico, esse trabalho teve como objetivos realizar uma análise quantitativa dos CEs implantados no Brasil, apresentar o seu modelo ressaltando a importância ecológica da conectividade entre ANPs por meio dos conceitos da Teoria da Biogeografia de Ilhas, Metapopulações, Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas. Foram consultados sites, artigos científicos, livros, teses e dissertações, além da legislação ambiental em vigor. Concluiu-se que o número de efetivos CEs implantados no país ainda é insuficiente para conservar a biodiversidade das ANPs, pois, das 1.649 Unidades de Conservação existentes no Brasil, apenas três possuem tamanhos suficientes para manter populações viáveis, além de serem em sua maioria, isoladas. Sendo assim, muitos CEs devem ser criados no Brasil para que as UCs sejam eficientes e sustentáveis, a longo prazo, na conservação da biodiversidade.

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Specialization in Management of Natural Protected Areas

THE IMPORTANCE OF CONNECTIVITY IN MANAGEMENT AND CONSERVATION OF BIODIVERSITY IN NATURAL PROTECTED AREAS

ABSTRACT

Pedro Campos Guimarães Sampaio e Mello December, 2014

Adviser: Professor Fernando Martins Costa

Co-adviser: Professor Geraldo Majela Moraes Salvio

The National System of Conservation Units (SNUC) emphasizes the necessity to plan and define ways of connectivity between Natural Protected Areas (NPAs) using the creation of Ecological Corridors (ECs). Connect forest fragments, especially those small and isolated, becomes important as size and isolation are key factors on the viability of populations and species present in these areas. Through a literature review, this study aimed to perform a quantitative analysis of the ECs implemented in Brazil, present your model highlighting the ecological importance of connectivity between NPAs through the concepts of the Theory of Islands Biogeography, Metapopulation, Landscape Ecology and Ecosystems. Were consulted sites, scientific articles, books, theses and dissertations, as well the current environmental legislation. It was concluded that the effective ECs number deployed in the country is still insufficient to conserve biodiversity of the NPAs, seeing that, of 1,649 Conservation Units (UCs) existing in Brazil, only three have sufficient size to maintain viable populations, and are mostly isolated. So many ECs must be created in Brazil for the UCs are efficient and sustainable in the long term, biodiversity conservation.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Página

Figura 1 Tamanho das UCs Brasileiras considerando Parques

Nacionais, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas ... 4 Figura 2 Exemplificação dos processos de Fragmentação

Florestal ... 7 Figura 3 Exemplificação de Fragmentação Florestal pela

expansão da agricultura (redução) ... 8 Figura 4 Exemplificação de Fragmentação Florestal pela

construção de estradas (dissecção) ... 9 Figura 5 Relação entre tamanho do fragmento e taxas de

extinção ... 10 Figura 6 Relação entre espécies e o tamanho da área ... 11 Figura 7 Exemplificação do processo de formação de clareias

(Gap Formation) na Fragmentação Florestal,

favorecendo o surgimento de Metapopulações ... 12 Figura 8 Exemplo de Fragmentos Fonte e Fragmentos

Sumidouro ... 14 Figura 9 Exemplo de Corredor Ecológico implantado em meio a

expansão agrícola, unindo duas Unidades de Conservação no Pontal do Paranapanema, em São

Paulo ... 16 Figura 10 Exemplo de Corredor Ecológico implantado em

Vegetação Ripária ... 18 Figura 11 Exemplo de Vegetação Ripária preservada propiciando

a formação de Corredores Ecológicos Naturais ... 19 Figura 12 Distribuição espacial do Corredor Capivara-Confusões

entre o Parque Nacional da Serra das Confusões e o

Parque Nacional da Serra da Capivara ... 23 Figura 13 Distribuição espacial dos corredores propostos pelo

Projeto Corredores Ecológicos ... 27 Figura 14 Corredor Central da Mata Atlântica proposto pelo

Projeto Corredores Ecológicos ... 28 Figura 15 Corredor Ecológico de Santa Maria no Paraná ... 30 Figura 16 Corredor Ecológico implantado pelo IPÊ unindo duas

Unidades de Conservação no Pontal do

Paranapanema, em São Paulo ... 31 Figura 17 Corredor Ecológico da Trilha Transcarioca, no Rio de

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x

LISTA DE TABELAS

Página

Tabela 1 Corredores propostos pelo Projeto Corredores

Ecológicos ... 24 Tabela 2 Corredores Ecológicos Efetivos ... 33

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xi

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AIs Áreas Indígenas

AM Estado do Amazonas

ANPs Áreas Naturais Protegidas

APA Área de Proteção Ambiental

APP Áreas de Preservação Permanente

BA Estado da Bahia

CCA Corredor Central da Amazônia

CCMA Corredor Central da Mata Atlântica

CE Corredor Ecológico

CI BRASIL Conservação Internacional do Brasil

ES Estado do Espirito Santo

ESEC Estação Ecológica

IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

ICMBIO Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade INEA Instituto Estadual do Ambiente RJ

IPE Instituto de Pesquisas Ecológicas

MA Estado do Maranhão

MG Estado de Minas Gerais

MMA Ministério do Meio Ambiente

MT Estado do Mato Grosso

PA Estado do Pará

PARNA Parque Nacional

PR Estado do Paraná

REMAP Rede Mosaicos de Áreas Protegidas

RJ Estado do Rio de Janeiro

RL Reserva Legal

SMAC Secretaria Municipal de Meio Ambiente RJ SNUC Sistema Nacional de Unidades de Conservação

SP Estado de São Paulo

TO Estado do Tocantins

UCs Unidades de Conservação

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xii SUMÁRIO Página RESUMO ... vii ABSTRACT ... viii LISTA DE ILUSTRAÇÕES ... ix LISTA DE TABELAS ... x

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ... xi

1. INTRODUÇÃO ... 1

2. REVISÃO DE LITERATURA ... 3

2.1. A Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas ... 3

2.2. A Fragmentação Florestal ... 5

2.3. A Teoria da Biogeografia de Ilhas ... 9

2.4. O Conceito de Metapopulações ... 12

2.5. A Importância da Conectividade entre Áreas Naturais Protegidas ... 15

2.6. Os Rios e a Vegetação Ripária como Corredores Ecológicos ... 18

3. METODOLOGIA ... 20

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 21

4.1. Análise quantitativa dos Corredores Ecológicos implantados no Brasil ... 21

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 34

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1

1. INTRODUÇÃO

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, e a implantação e aplicação de um sistema de Áreas Naturais Protegidas constitui atualmente a principal estratégia brasileira para a conservação da natureza.

Apesar da criação de Áreas Naturais Protegidas ainda ser a melhor estratégia de proteção da biodiversidade, esse sistema ainda está muito longe de conseguir conservar amostras substanciais e representativas da biodiversidade brasileira (FUNDO VALE, 2012).

Além disso, há o problema da efetividade de se manter populações viáveis das espécies ao longo do tempo dentro das Áreas Naturais Protegidas, em sua maioria pequenas e isoladas. No Brasil, de todas as 1.649 Unidades de Conservação (UCs) existentes (municipais, estaduais e federais) apenas três possuem tamanhos suficientes para manter populações viáveis (FUNDO VALE, 2012), como por exemplo, a da onça pintada (Panthera onca) (RODRIGUES e OLIVEIRA, 2006).

Por meio do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) no Brasil (BRASIL, 2000), é possível e necessário planejar e definir formas de conectividade entre as Áreas Naturais Protegidas (ANPs) existentes no país utilizando-se, por exemplo, da criação de Corredores Ecológicos.

A Lei n° 9.985 de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) no Brasil (BRASIL, 2000) e o Decreto n° 4.340 de agosto de 2002 que a regulamenta (BRASIL, 2002), reconhecem os Corredores Ecológicos (CEs) como importantes instrumentos e ferramentas de gestão ambiental e territorial voltados à conservação da natureza, sua biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável.

O Artigo 2 da Lei do SNUC (BRASIL, 2000) define “Corredor Ecológico” como uma “porção de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando Unidades de Conservação”. Outras definições conceituais existentes para “Corredor Ecológico” estão relacionadas à escala de abrangência deste modelo num espaço em que a conectividade entre populações, ecossistemas e processos ecológicos é mantida ou restaurada. Essas escalas variam desde a criação de pequenas conexões entre dois fragmentos de florestas até o

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planejamento de uma grande região, com objetivos mais amplos e que vão além da conservação da biodiversidade (REMAP, 2014).

No Brasil, a ideia de se conectar Áreas Naturais Protegidas por meio dos Corredores Ecológicos foi muito utilizada na Mata Atlântica, como estratégia para alavancar as ações de conservação deste bioma muito ameaçado, fragmentado e com ANPs muito pequenas (REMAP, 2014, AYRES et al., 2005).

Sendo assim, embora o modelo de Corredores Ecológicos seja nacional e mundialmente conhecido e apesar dos avanços e pesquisas sobre o tema, ainda existem muitas lacunas do conhecimento a respeito de sua utilização e muito ainda deve ser feito até que o modelo seja realmente efetivo, aplicável e atinja seus objetivos de gestão integrada e de conectividade das áreas (UC-SÓCIOAMBIENTAL, 2014), com foco na conservação da biodiversidade.

Mesmo o SNUC existindo em forma de lei, não existem ainda regras muito claras e nem muitas experiências de gestão integrada de Áreas Naturais Protegidas com os Corredores Ecológicos, e poucos são ainda os instrumentos de aplicação e gestão desse modelo (UC-SÓCIOAMBIENTAL, 2014).

Dessa forma, esse trabalho teve como objetivos: realizar uma análise quantitativa dos Corredores Ecológicos implantados no Brasil, apresentar o modelo de Corredores Ecológicos como um importante instrumento/ferramenta na gestão e conservação da biodiversidade de Áreas Naturais Protegidas, seus principais desafios de aplicação e ainda ressaltar a importância ecológica da conectividade entre Áreas Naturais Protegidas por meio dos conceitos da Teoria da Biogeografia de Ilhas, Metapopulações e da Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas.

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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. A Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas

A Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas baseia-se na premissa de que os padrões dos elementos da paisagem influenciam, significativamente, nos processos ecológicos (TURNER e GARDNER, 1990), sendo uma das primeiras ciências a tratar a paisagem como um mosaico, levando em consideração a abordagem geográfica, que privilegia o estudo da influência do homem sobre a paisagem e a gestão do território; e a abordagem ecológica sobre o contexto espacial e da conectividade florestal que privilegia a importância dos processos ecológicos e suas relações em termos da conservação biológica (METZGER, 2001).

Na abordagem ecológica, os Corredores Ecológicos possuem como objetivos, possibilitar o fluxo gênico e o movimento da biota, facilitar a dispersão de espécies, a recolonização e recuperação de áreas degradadas e a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com uma extensão maior do que uma ANP individual (ICMBIO, 2014), assim como é o caso de algumas espécies de médios e grandes mamíferos (RODRIGUES e OLIVEIRA, 2006).

No Brasil, apenas três Unidades de Conservação possuem tamanhos suficientes para manter populações viáveis no longo prazo (FUNDO VALE, 2012), sendo elas a Estação Ecológica (ESEC) Grão Pará, no estado do Pará, com 4,2 milhões de hectares, sendo a maior unidade de conservação de proteção integral em florestas tropicais no mundo, seguida do Parque Nacional (PARNA) Montanhas do Tumucumaque, no estado do Amapá, com 3,8 milhões de hectares, e da Floresta Estadual do Paru, também no estado do Pará, com 3,6 milhões de hectares, sendo a maior unidade de conservação de uso sustentável nos trópicos (CI BRASIL, 2006, ICMBIO, 2014).

Por meio da Figura 1, que apresenta as Unidades de Conservação Federais considerando apenas Parques Nacionais, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas, que são unidades de proteção integral, podemos ter uma ideia desse cenário.

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Figura 1: Tamanho das UCs Brasileiras considerando Parques Nacionais, Reservas Biológicas

e Estações Ecológicas (Fonte: SALVIO, 2002).

A Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas possui como objetivo analisar a interação dos componentes espacial e temporal da paisagem, associados à fauna e à flora (OLIVEIRA, 2006), considerando a distribuição dos fragmentos florestais ao longo da paisagem, sua forma, seu histórico de perturbação e tipo de vizinhança (ambientes adjacentes), seu grau de isolamento e como citado acima, o seu tamanho.

Essa “ciência” da Paisagem vem promovendo avanços nos estudos sobre fragmentação e conservação de espécies e ecossistemas, pois permite a integração da heterogeneidade espacial e do conceito de escala na análise ecológica, tornando esses trabalhos ainda mais aplicados para a resolução de problemas ambientais ligados a conservação da biodiversidade (METZGER, 2001).

Por lidar com a relação entre padrões espaciais e processos ecológicos, é necessário quantificar com precisão os elementos espaciais. O conhecimento dos elementos de uma paisagem é essencial para a identificação desses padrões e uma das formas de quantificação da estrutura da paisagem ou de seu padrão espacial é a utilização das “métricas da paisagem” ou “índices da paisagem” (METZGER, 2006).

Tais métricas são agrupadas em duas categorias: os índices de composição e os índices de disposição. Os índices de composição apresentam

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uma ideia de quais fragmentos ou Unidades de Conservação estão presentes na paisagem, da riqueza dessas unidades e da área ocupada por elas.

Já os índices de disposição quantificam o arranjo espacial dessas unidades em termos do grau de fragmentação, grau de isolamento, se há conectividade de manchas de unidades semelhantes, tamanho das áreas, seus formatos e toda a complexidade de formas e elementos que compõem o mosaico da paisagem. Estes índices de disposição podem ser utilizados para caracterizar um fragmento da paisagem (em termos de tamanho, formato, ou isolamento) e a paisagem como um todo (diversidade, riqueza e conectividade) (METZGER, 2006).

Dessa forma e através da utilização das métricas e dos diversos métodos de estudo dessa ciência, pode-se melhor obter uma ideia da fragmentação florestal na paisagem.

2.2. A Fragmentação Florestal

A fragmentação florestal comumente se refere às alterações em um habitat original e trata-se de um processo no qual um habitat continuo ou matriz

é dividido em manchas resultando em pequenos fragmentos florestais mais ou

menos isolados. Esses fragmentos florestais são áreas de vegetação naturais

interrompidas por barreiras antrópicas, inseridos, por exemplo, em uma matriz

de agricultura, vegetação secundária, solo degradado ou área urbanizada (KRAMER, 1997). Essa fragmentação florestal é capaz de diminuir significativamente o fluxo de animais, polinizações, dispersão de frutos e sementes e a divisão em partes de uma área antes contínua faz com que estas

partes adquiram condições ambientais e ecológicas diferentes (O ECO, 2014).

Especialmente no contexto brasileiro, a fragmentação florestal possui como principais causas a extração de madeira, a supressão da floresta por meio de queimadas, a substituição da cobertura florestal nativa por reflorestamento com espécies exóticas, a agropecuária que substitui os remanescentes florestais por pastagens e áreas de cultivo, mineração, urbanização e a implantação de infraestrutura de transportes (estradas) e energia (hidroelétricas, redes de transmissão) (O ECO, 2014).

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Estes processos oriundos do desenvolvimento humano acabam criando habitats precários para as espécies na área fragmentada e quanto menos áreas naturais, menores serão os espaços para as espécies viverem e se reproduzirem, provocando uma redução no número de plantas, animais e microrganismos que conseguem viver naquele determinado lugar. Embora nem todas as espécies sejam afetadas da mesma forma, onde áreas precárias para uma espécie podem ser de boa qualidade para outras, o processo altera os habitats disponíveis e, portanto, todas as comunidades são afetadas. Uma espécie que mantém relações de dependência com outras, pode ser extinta e, consequentemente, também desaparecerão várias outras com as quais ela interagia (O ECO, 2014), gerando assim um efeito cascata.

Outras consequências possíveis da fragmentação florestal são a redução do tamanho da população; inibição ou redução da migração; imigração de espécies exóticas para as áreas desmatadas circundantes e para o próprio fragmento, afetando as espécies nativas restantes.

Por fim, há o efeito de borda, onde depois de fragmentado, ocorre um conjunto de alterações no ecossistema devido à abertura de clareiras e ao desmatamento em seu entorno. Basicamente, quando uma seção de mata passa a estar cercada por áreas abertas, ou seja, quando é fragmentada, ocorre um aumento da incidência de luz solar em suas bordas. A maior luminosidade aumenta a temperatura do solo e diminui a umidade do ar. As árvores que estão na borda do fragmento ficam mais expostas ao vento, tornando-as vulneráveis à queda, risco que não havia no interior da floresta, onde praticamente não há vento. E com a queda das árvores mais externas, a borda encolhe a floresta e o fragmento fica cada vez menor e quanto menor a área do fragmento, mais intenso é este fenômeno (O ECO, 2014), podendo levar a extinção do fragmento e das populações que ali habitavam.

As causas da fragmentação florestal citadas anteriormente ocorrem por meio de diferentes processos como, por exemplo, a perfuração (ex: formação de clareiras), dissecção (ex: construção de estradas), fragmentação, redução e perda do habitat. A Figura 2 ilustra esses processos de fragmentação florestal, evidenciando a evolução desses em cada caso.

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15

Perfuração (Ex. Brocagem na Amazônia)

Source: Murphy©AMNH-CBC

Dissecção

Fragmentação

Redução

Perda de habitat

Figura 2: Exemplificação dos processos de Fragmentação Florestal (Fonte: MURPHY

AMNH-CBC, 2014).

A Perfuração, como exemplificado na Figura 2, geralmente ocorre quando clareiras são abertas na matriz florestal, gerando um efeito de fragmentação de dentro para fora. A Dissecção acontece, por exemplo, durante a construção de estradas, a instalação de muros e cercas, gerando assim a divisão e quebra da continuidade da matriz. O processo de Fragmentação em si, quando há a divisão de ambientes, gerando a formação de fragmentos florestais isolados. A Redução geralmente irá ocorrer em um ambiente já fragmentado e essa redução pode ocorrer tanto pela ação antrópica, quanto pelo efeito de borda, gerando a diminuição dos fragmentos existentes. Por fim, temos a Perda de Habitat, que seja pela ação do homem, seja pelo efeito de borda, ocasiona o desaparecimento de um fragmento ou habitat existente. Seguindo uma ordem, geralmente os processos de Perfuração e Dissecção são o ponto de partida para o processo de Fragmentação, que terão como consequência a Redução e Perda de Habitats.

Diante desses processos, os fragmentos florestais devem ser vistos como resultados de um processo histórico de perturbação da vegetação, nos quais vários fatores interagem ao longo do tempo.

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8

Para Gascon e colaboradores (1999), fragmentação é o resultado final de assentamentos humanos e da extração de recursos em uma paisagem, formando um mosaico de pequenas áreas naturais isoladas em um mar de terra desenvolvida. Na Figura 3 vemos um exemplo de fragmentação promovida por atividades agrícolas.

Figura 3: Exemplificação de Fragmentação Florestal pela expansão da agricultura (redução)

(Fonte: MONGABAY, 2009).

Após o ambiente fragmentado, os principais fatores que afetam a dinâmica de fragmentos florestais são o tamanho, forma, grau de isolamento, tipo de vizinhança (ambientes adjacentes) e histórico de perturbações (VIANA, TABANEZ e MARTINS, 1992). Esses fatores apresentam relações com fenômenos biológicos que afetam a natalidade e a mortalidade de plantas como, por exemplo, o efeito de borda, a deriva genética e as interações entre plantas e animais (OLIVEIRA, 2011). Na Figura 3, podemos observar um fragmento florestal pequeno, com alto grau de isolamento e pressão do efeito de borda.

As consequências negativas da fragmentação e quebra da continuidade da matriz florestal (Figura 4), materializam-se também em consequências bióticas, como na vulnerabilidade dos habitats, na diminuição das populações

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animais e vegetais, sua diversidade genética e consequentemente na extinção de espécies (PEREIRA, 2007). Na Figura 4 vemos um exemplo da fragmentação e quebra da continuidade da matriz florestal promovida pela abertura de uma estrada (dissecção).

Figura 4: Exemplificação de Fragmentação Florestal pela construção de estradas (dissecção)

(Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2014).

Em suma, a fragmentação florestal ocorre quando uma grande extensão do habitat é transformada em alguns “pedaços” ou partes de menor área, isolados entre si por uma matriz de habitat diferente da original (RAMOS, 2004). Quando a vizinhança e a paisagem que circunda os fragmentos são inóspitas para as espécies do habitat original, e quando a dispersão dessas espécies é reduzida ou “bloqueada”, os fragmentos remanescentes podem ser considerados verdadeiras “ilhas de habitat” onde a comunidade local estará isolada (RAMOS, 2004).

2.3. A Teoria da Biogeografia de Ilhas

Os diversos estudos de fragmentação florestal hoje existentes começaram após os trabalhos pioneiros de MacArthur e Wilson (1967), cuja teoria foi publicada no livro: a Teoria da Biogeografia de Ilhas e quando se trata

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10

de fragmentos florestais ou “ilhas de remanescentes florestais”, o principal referencial teórico é fornecido por essa teoria. (MACARTHUR e WILSON, 1967).

Tal teoria sugere que o número de espécies em uma ilha seja um balanço entre os processos de imigração e extinção, os quais seriam dependentes do tamanho e do isolamento das ilhas, bem como das características das próprias espécies, com suas habilidades de dispersão e a densidade de suas populações. Em outras palavras, a teoria busca prever o número de espécies que uma ilha de determinado tamanho e grau de isolamento poderá suportar, baseando-se no balanço entre imigração e extinção.

De acordo com a teoria de MacArthur e Wilson (1967) e segundo Viana (1990), o tamanho de um fragmento florestal apresenta forte correlação com a diversidade biológica, onde em fragmentos pequenos, geralmente não se pode esperar uma riqueza de espécies animais e vegetais muito alta. Sendo assim, o tamanho da área de uma determinada ilha ou fragmento influenciará diretamente nas taxas de extinção, como pode ser visto na Figura 5.

Figura 5: Relação entre tamanho do fragmento e taxas de extinção (Fonte: NEWMARK,

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Conforme apresentado no gráfico da Figura 5, o tamanho da área do fragmento florestal é inversamente proporcional à taxa de extinção, ou seja, quanto maior a área menor serão os níveis de extinção de espécies.

Estudos de Collinge (1996), Fahrig (2002) e Watson e colaboradores (2005) também indicaram estreita relação entre o tamanho de fragmentos florestais e o declínio de populações e espécies. A Figura 6 apresenta essa relação, onde quanto maior a área em Km², maior é o número de espécies.

Figura 6: Relação entre o número de espécies e o tamanho da área (Fonte: MACARTHUR &

WILSON, 1967).

A Teoria da Biogeografia de Ilhas e os estudos citados demonstram que a riqueza de espécies aumenta com o tamanho do fragmento/ilha, deixando clara a importância da manutenção de grandes fragmentos florestais para a conservação da biodiversidade no longo prazo.

Assim como citado anteriormente, o isolamento também é fator determinante na dinâmica de fragmentos florestais. Esse fator abordado pela Teoria da Biogeografia de Ilhas baseia-se na premissa de que a riqueza diminui com o aumento do isolamento do fragmento/ilha, relacionando-o também com o balanço entre imigração e extinção.

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Apesar de a dispersão ser reduzida, e em alguns casos até mesmo “bloqueada”, de acordo com o grau de isolamento, a teoria considera que os fragmentos/ilhas não funcionam como um sistema fechado, onde as espécies e populações migram entre os fragmentos isolados gerando uma dinâmica de extinções e recolonizações locais.

Após muitos e recentes estudos sobre essa dinâmica de populações entre os fragmentos florestais, originou no meio cientifico um novo conceito chamado Metapopulações, o qual será abordado a seguir.

2.4. O Conceito de Metapopulações

Assim como exemplificado no item 2.2, a fragmentação florestal originará na maioria das vezes, fragmentos isolados. Na Figura 7 observa-se novamente a evolução do processo de fragmentação por meio da formação de clareiras na matriz florestal (etapas A e B), e os remanescentes florestais isolados como resultado final (etapa C), propiciando a formação de Metapopulações.

Figura 7: Exemplificação do processo de formação de clareias (Gap Formation) na

Fragmentação Florestal, favorecendo o surgimento de Metapopulações (Fonte: GROOM et al., 2006).

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Imaginando-se o cenário da Figura 7, onde alguns fragmentos florestais encontram-se isolados e relativamente próximos entre si, o conceito de Metapopulações é definido como um conjunto de populações que habitam esses fragmentos e que são conectadas por indivíduos que se movem entre eles, gerando assim uma dinâmica de extinções e recolonizações locais (GILPIN e HANSKI, 1991), como citado no final do item anterior.

No processo exemplificado na Figura 7, além da perda de espécies provocada pela fragmentação da matriz florestal, pode ocorrer inicialmente, uma migração de espécies para os fragmentos remanescentes, que podem funcionar como refúgios. Assim, extinções locais, dispersão e colonização serão frequentes até que ocorra o estabelecimento de um novo equilíbrio (LOVEJOY, 1980) e de Metapopulações.

Imaginando-se que as populações fossem fechadas, no caso das Metapopulações cada fragmento seria uma população isolada e sem conectividade com as outras. Porém, é fundamental na perspectiva das Metapopulações reconhecer a importância da migração entre as manchas de habitat (BEGON et al., 2010).

O conceito de Metapopulações, assim como da Ecologia da Paisagem e dos Ecossistemas, vê o habitat como um mosaico, com fragmentos sendo “perturbados” e recolonizados por indivíduos de diferentes espécies. E, implícito nesse conceito está o papel fundamental das perturbações como um mecanismo de “reinicialização” (PICKETT e WHITE, 1985).

Assim como citado acima, um fragmento individual, isolado e sem migração de indivíduos é, por definição um sistema fechado e qualquer extinção causada por perturbações nesse fragmento seria definitiva. Entretanto, extinções locais dentro de Metapopulações (um sistema aberto), não representam necessariamente o fim da população ou espécie, devido à possibilidade de recolonização proveniente de outras populações e fragmentos (BEGON et al., 2010).

Em um cenário de sistema fechado, ou em um cenário de sistema aberto onde a dispersão pode ser reduzida de acordo o grau de isolamento dos fragmentos e das habilidades de dispersão das espécies, a ideia de se estabelecer Corredores Ecológicos vem para propiciar a dinâmica de Metapopulações e esses fluxos biológicos entre elas (MELLO, 2013).

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Em ambientes com Metapopulações, alguns fragmentos florestais possuem altas taxas de crescimento populacional e fornecem constantemente indivíduos migrantes, sendo chamados de fragmentos Fonte, já outros não conseguem se autossustentar e dependem dos indivíduos migrantes para sua recolonização, sendo chamados de fragmentos Sumidouro. A Figura 8 a seguir ilustra esses tipos de fragmentos.

Figura 8: Exemplo de Fragmentos Fonte e Fragmentos Sumidouro (Fonte: VIVEIROS DE

CASTRO e FERNANDEZ, 2004).

Esse movimento e migração entre as populações locais exemplificado na Figura 8, tem uma influência na dinâmica ecológica local, onde os fragmentos Fonte (em cinza) fornecem indivíduos migrantes e auxiliam a recolonização e o restabelecimento de populações locais extintas dos fragmentos Sumidouro (em branco). A estrutura de Metapopulações permite esse fluxo gênico entre populações locais e isso é fundamental em espécies com populações ameaçadas. (MELLO, 2013).

Espécies que possuem pequena área de vida ou que vivem em micro hábitats, como insetos florestais em tronco de árvores mortas ou insetos em poças d’água, anfíbios em brejos/lagoas, aves e pequenos mamíferos em pequenos bosques são altamente dependentes das Metapopulações (USP/LEPAC, 2014), do contrário suas populações seriam inviáveis no médio e longo prazo.

A fragmentação florestal está levando à formação de paisagens contendo apenas pequenas e isoladas manchas de habitat e populações pequenas e isoladas são altamente susceptíveis de serem extintas. A

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persistência de espécies nestas paisagens dependerá de uma dinâmica e um fluxo biológico regional.

A análise da dinâmica de Metapopulações, em conjunto com o modelo de Corredores Ecológicos é importante, de modo que permite focalizar, planejar e propiciar essa dinâmica regional (USP/LEPAC, 2014) de forma mais abrangente e com o foco na conservação da biodiversidade.

2.5. A Importância da Conectividade entre Áreas Naturais Protegidas

Conectar fragmentos florestais pequenos e isolados, como é o caso de muitas Áreas Naturais Protegidas no Brasil, se torna importante uma vez que tamanho e isolamento são fatores determinantes na viabilidade das populações e espécies presentes nessas áreas, que ao longo do tempo, terão reduzidas taxas de migração e recolonização e consequentemente, altas taxas de extinção.

A ideia da conectividade por meio dos Corredores Ecológicos se baseia na criação de uma rede de Unidades de Conservação, parques, reservas e outras áreas naturais de uso menos intensivo, que são gerenciadas de maneira integrada em escala regional, aumentando a probabilidade de uma população contribuir para sustentar outras.

Esse conceito de conservação in situ, ou seja, por meio de Áreas Naturais Protegidas, resultou da necessidade em identificar e selecionar locais para conservar e maximizar a proteção da biodiversidade, baseando-se na conservação em longo prazo de espécies e habitats por meio do funcionamento dos processos ecológicos naturais.

Porém, como vimos no decorrer desse trabalho, poucas são as áreas capazes de manter a conservação da biodiversidade no longo prazo e o modelo de Corredores Ecológicos surge para garantir a ligação entres Áreas Naturais Protegidas e a sobrevivência do maior número possível de espécies de uma região em função de sua importância biológica (REMAP, 2014).

A Figura 9 apresenta um exemplo de Corredor Ecológico implantado em 2012 pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ que reconecta duas Unidades de Conservação do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, sendo elas a Estação Ecológica Mico Leão Preto, que tem quatro fragmentos e um

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total de sete mil hectares, e o Parque Estadual do Morro do Diabo, com 37 mil hectares de mata.

Figura 9: Exemplo de Corredor Ecológico implantado em meio a expansão agrícola, unindo

duas Unidades de Conservação no Pontal do Paranapanema, em São Paulo (Fonte: IPÊ, 2014).

Os processos ecológicos que geram e mantém a biodiversidade existem em dimensões que ultrapassam os limites de ANPs individuais e isoladas, sendo importante planejar e implantar corredores como o apresentado na Figura 9.

Para isso, assim como citado no item 2.1 desse trabalho, devemos fazer uma relação entre os padrões espaciais e os processos ecológicos, sendo essencial e necessário quantificar com precisão os elementos da paisagem a se trabalhar (METZGER, 2006).

Quando buscamos conectar fragmentos isolados, devemos levar em consideração os índices de proximidade e o grau de isolamento entre eles.

Os índices de proximidade se referem às métricas que se baseiam na distância do fragmento vizinho mais próximo, baseado na distância borda-a-borda. A proximidade é importante para os processos ecológicos e tem

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implícito em seus valores o grau de isolamento dos fragmentos sobre o grau de fragmentação da paisagem, de tal forma que o grau de isolamento pode ser definido pela média das distâncias até os seus vizinhos mais próximos (FORMAN e GODRON,1986; MCGARIGAL e MARKS, 1995).

Segundo Viana e Pinheiro (1998), o grau de isolamento afeta o fluxo gênico entre fragmentos florestais e, portanto, a sustentabilidade e a diversidade de populações naturais. O grau de isolamento varia de forma significativa na paisagem e a conectividade entre os fragmentos tende a diminuir em paisagens mais intensamente cultivadas e desenvolvidas.

O isolamento causa modificações profundas na dinâmica das populações de animais e vegetais (VIANA, TABANEZ e MARTINS, 1992) e não depende apenas da distância, mas também do tipo de vizinhança, e da “permeabilidade” desta, que quanto mais permeável for, menor será o isolamento das populações de fragmentos terrestres.

Ao recuperar os fragmentos florestais, aumenta-se o potencial destes como “ilhas de biodiversidade” e ao conectá-los através de Corredores Ecológicos, aumenta-se o fluxo de animais e sementes, contribuindo para a variabilidade genética entre diferentes populações.

Sendo assim, os Corredores Ecológicos são considerados atualmente uma das principais estratégias de conservação da biodiversidade em todo o mundo, pois além de reduzirem a fragmentação dos remanescentes florestais, permitem a colonização dessas áreas pelas espécies de plantas e animais (IEMA, 2006).

O aumento da conectividade através de Corredores Ecológicos entre Unidades de Conservação e, até mesmo entre fragmentos mais bem conservados, pode permitir a manutenção destes a longo prazo e promover a recuperação da funcionalidade ecológica de determinadas unidades atualmente “ilhadas” (ZAÚ, 1998).

Segundo Viana e Pinheiro (1998), podem ser identificadas diversas estratégias para o aumento da conectividade entre fragmentos, destacando-se dentre elas o estabelecimento de Sistemas Agroflorestais, de Corredores Ripários (APPs, Matas Ciliares e de Galeria) e a recuperação de encostas e áreas degradadas, favorecendo assim o aumento da permeabilidade da

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matriz e a diminuição do isolamento entre os fragmentos (VIANA e PINHEIRO, 1998).

Na Figura 10 vê-se um exemplo da recuperação de vegetação ripária (APP) formando um corredor e diversas outras conexões florestais pela paisagem.

USDA Natural Resources Conservation Service

Figura 10: Exemplo de Corredor Ecológico implantado em Vegetação Ripária (Fonte: USDA

- NATURAL RESOURCES CONSERVATION SERVICE, 2014)

Um rio não é apenas um canal cheio de água e sedimentos, que seria a sua definição mais estrita e limitada. Graças ao seu Corredor Ripário, se protegido, também é um corredor paralelo de espécies vegetais e animais (ARIZIPE, 2009).

2.6. Os Rios e a Vegetação Ripária como Corredores Ecológicos

Os sistemas fluviais são uma via de migração de muitas espécies de flora e fauna e a vegetação ripária possui um elevado interesse ecológico devido á função que desempenha em numerosos processos relacionados com a qualidade do meio físico e biótico, como os ciclos de vida das espécies da fauna aquática e terrestre, interligando diferentes habitats e melhorando qualidade ambiental dos sistemas adjacentes (ARIZIPE, 2009).

No Brasil, o estímulo ao estabelecimento de Corredores Ecológicos por meio de rios e de sua vegetação ripária (Corredores Ripários) é viável, uma vez que a proteção e recomposição de Áreas de Preservação Permanente - APPs já é prevista por lei (OLIVEIRA, 2011) no Código Florestal Brasileiro (BRASIL, 2012).

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O estabelecimento de Corredores Ripários além de regularizar as propriedades que não seguem a obrigação legal de manter uma reserva de mata intacta, restaura a biodiversidade local e regional.

Assim como apresentado na Figura 11, numa escala territorial mais ampla, a bacia hidrográfica de um rio, que é muito mais do que uma mera estrutura linear na rede de drenagem, sustenta um complexo sistema de interações no espaço e no tempo.

Figura 11: Exemplo de Vegetação Ripária preservada propiciando a formação de Corredores

Ecológicos Naturais (Fonte: SÁVIO BRUNO, 2014).

Diante da dimensão geográfica e ambiental dos cursos d’água há grande importância e necessidade de se conservar e proteger os rios e suas respectivas margens florestais, com a sua estrutura e funções naturais (ARIZIPE, 2009).

Corredores Ripários, além de estarem respaldados na lei (BRASIL, 2012), auxiliam na resolução de três grandes problemas ambientais atuais: promovem a conectividade entre áreas naturais e fragmentos florestais isolados; auxiliam na conservação da biodiversidade da fauna e da flora

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ripárias e das áreas conectadas e; protege e auxilia na conservação e manutenção dos recursos hídricos (MELLO, P. C. G. S. e 2014 - observações pessoais).

3. METODOLOGIA

Este trabalho foi realizado por meio de um levantamento bibliográfico, no qual se utilizou da consulta a sites especializados no tema abordado, artigos científicos publicados em eventos e periódicos, livros de referência na área, teses e dissertações, além da legislação ambiental em vigor.

No total foram consultados 10 periódicos, dentre eles as revistas Biota Neotropica, Conservation Biology, Floresta e Ambiente e Journal of Biogeography, nove livros, oito artigos, oito sites, dentre eles os sites do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBIO, da Conservação Internacional – CI do Brasil e do Instituto de Pesquisas Ecológicas - IPÊ, quatro monografias, sendo uma de graduação, duas dissertações de mestrado e uma tese de doutorado, três trabalhos universitários em power point (ppt.), uma Lei, um Decreto e duas Portarias, todas relativas ao SNUC, além da Lei do Código Florestal Brasileiro. A seguir relacionam-se algumas das principais referências utilizadas para a realização dessa pesquisa.

Livros

- Zonas Ribeirinhas Sustentáveis: um guia de gestão.

- Os Corredores Ecológicos das florestas tropicais do Brasil. - Ecologia: De Indivíduos a Ecossistemas.

- Landscape Ecology.

- Áreas Protegidas: Série Integração, Transformação, Desenvolvimento. - Principles of Conservation Biology.

- The Theory of Island Biogeography.

- Fragstats: Spatial pattern analysis program for quantifying landscape

structure: reference manual.

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Monografias

Graduação:

- Caracterização da fragmentação florestal para produção de sementes no entorno capixaba do parque Nacional do Caparaó.

Mestrado:

- A utilização da paisagem fragmentada por mamíferos de médio e grande porte e sua relação com a massa corporal na região do entorno de Aruanã, Goiás. - Diagnóstico dos fragmentos florestais e das áreas de preservação permanente no entorno do parque Nacional do Caparaó, no estado de Minas Gerais.

Doutorado:

- Polinização e qualidade de sementes produzidas por Psychotria tenuinervis (Rubiaceae) em fragmentos de Mata Atlântica: efeito da distância de bordas antrópicas e naturais.  Legislação Decreto n° 4.340, de 22 de agosto de 2002. Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Portaria n° 76, de 11 de março de 2005. Portaria n° 131, de 04 de maio de 2006. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Análise quantitativados Corredores Ecológicos implantados no Brasil

A implementação de um Corredor Ecológico depende da pactuação e parceria entre a União, Estados e Municípios para permitir que os órgãos governamentais responsáveis pela preservação do meio ambiente e outras instituições parceiras possam atuar em conjunto para fortalecerem a gestão das Unidades de Conservação, elaborarem estudos, prestarem suporte aos proprietários rurais e aos representantes de comunidades quanto ao planejamento e ao melhor uso do solo e dos recursos naturais e auxiliarem no processo de averbação e ordenamento das Reservas Legais – RL e

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recuperação de Áreas de Preservação Permanente - APP, entre outros (ICMBIO, 2014).

O modelo de Corredor Ecológico foi incorporado às políticas ambientais através do SNUC, que em seguida atribuiu ao Ministério do Meio Ambiente o reconhecimento desta unidade territorial, que só se torna oficial quando ganha reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente - MMA.

Dessa forma, foram considerados para essa análise, apenas os Corredores Ecológicos reconhecidos pelo MMA, sendo constatados até o momento apenas dois (2) reconhecimentos (MMA, 2014), além de três (3) corredores não reconhecidos, mas que melhor representam o conceito e modelo proposto por esse trabalho.

O primeiro é o Corredor Capivara-Confusões, que conecta o Parque Nacional da Serra da Capivara ao Parque Nacional da Serra das Confusões. O segundo é o Corredor Caatinga, cuja área engloba oito Unidades de Conservação entre os estados de Pernambuco, Bahia e Sergipe (O ECO, 2014, MMA, 2014). Os tres (3) corredores não reconhecidos são o Corredor Ecológico de Santa Maria, o Corredor Ecológico do Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ e o Corredor Ecológico da Trilha Transcarioca, que serão abordados mais a diante.

O Corredor Capivara-Confusões com base o disposto na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000 (BRASIL, 2000) que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e no Decreto n° 4.340, de 22 de agosto de 2002 (BRASIL, 2002), que a regulamenta, foi reconhecido pela Portaria n° 76, de 11 de março de 2005, que em seu Artigo 2° cria o Corredor Ecológico de 414.565 hectares conectando o Parque Nacional da Serra da Capivara e o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Estado do Piauí.

Na Figura 12 podemos ter uma ideia da distribuição espacial desse corredor no bioma Caatinga.

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Figura 12: Distribuição espacial do Corredor Capivara-Confusões entre o Parque Nacional da

Serra das Confusões e o Parque Nacional da Serra da Capivara (Fonte: MMA, 2014).

O Corredor Caatinga, também com base o disposto na Lei do SNUC, foi criado pela Portaria n° 131/GM publicada no Diário Oficial da União de 04 de maio de 2006, que em seu Artigo 1° reconhece como Corredor Ecológico da Caatinga, os territórios que interligam as seguintes Unidades de Conservação: Parque Nacional do Catimbau, a Reserva Biológica de Serra Negra, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cantidiano Valqueiro Barros, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Reserva Ecológica Maurício Dantas, todas no Estado de Pernambuco; o Parque Natural Municipal Lagoa do Frio, no Estado de Sergipe; a Estação Ecológica do Raso da Catarina, a Área de Proteção Ambiental Serra Branca/Raso da Catarina e a Área de Relevante Interesse Ecológico Cocorobó, estas ultimas no Estado da Bahia, totalizando um corredor de aproximadamente 5,9 milhões de hectares. Não foram encontrados mapas/imagens com a delimitação desse corredor.

Além destes, existem atualmente outros sete (7) corredores ecológicos em fase de implantação ou estudo, não reconhecidos ainda pelo MMA, mas que foram considerados também nesta pesquisa no intuito de enriquecer a análise.

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Cinco deles estão no bioma Amazônia, sendo o Corredor Central da Amazônia, Corredor Norte da Amazônia, Corredor Oeste da Amazônia, Corredor Sul da Amazônia e Corredor Ecótono Sul-Amazônico. Os outros dois no bioma Mata Atlântica, sendo o Corredor Central da Mata Atlântica e Corredor Sul da Mata Atlântica (ou Corredor da Serra do Mar) (O ECO, 2014). Juntos, estes sete corredores propostos, representam cerca de 25% das florestas tropicais úmidas do Brasil (AYRES et al., 2005) (Tabela 1).

Esses corredores fazem parte do Projeto Corredores Ecológicos que foi concebido no âmbito do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7) como uma área extensa de grande importância ecológica, composta por ecossistemas prioritários para a conservação da biodiversidade, Unidades de Conservação, terras indígenas e áreas de interstício.

O Projeto Corredores Ecológicos vem sendo construído dentro do MMA desde 1997 passando por um longo processo de elaboração, entretanto, inicialmente o MMA decidiu concentrar seus esforços apenas no Corredor Central da Mata Atlântica (CCMA) e o Corredor Central da Amazônia (CCA) com o propósito de testar e abordar diferentes condições nos dois principais biomas e, com base nas lições aprendidas, preparar e apoiar a criação e a implementação dos demais corredores. (UC-SÓCIOAMBIENTAL, 2014).

Tabela 1: Corredores propostos pelo Projeto Corredores Ecológicos Bioma Corredor Ecológico Estância Área (ha)

Total Ano de Criação Amazônia Corredor Central Corredor Norte Corredor Oeste Corredor Sul

Corredor Ecótono Sul-Amazônico

Federal 52.159.206 -

Mata Atlântica Corredor Central

Corredor Sul Federal 12.635.900 -

Fonte: UC-SÓCIOAMBIENTAL (2014).

A seguir é apresentada uma breve descrição das características de cada corredor e as Unidades de Conservação que os compõem.

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Corredor Central da Amazônia: composto pela Estação Ecológica de

Mamirauá, a Estação Ecológica de Anavilhanas, a Floresta Nacional de Tefé, o Parque Nacional do Jaú, além de outras nove UCs e 14 Áreas Indígenas (AIs) (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Corredor Norte da Amazônia: está situado na fronteira norte do Brasil com a

Colômbia e a Venezuela, incluindo montanhas e ecossistemas de altitude ainda praticamente intocados. Esse corredor inclui o Parque Nacional do Pico da Neblina, a Floresta Nacional de Roraima, o Parque Estadual da Serra do Araçá, além de outras 17 UCs e 20 AIs (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Corredor Oeste da Amazônia: é um ambiente que abriga muitas espécies de

aves, plantas e macacos. Este corredor provavelmente é o mais rico da Amazônia em termos de diversidade e inclui o Parque Nacional da Serra do Divisor, a Reserva Extrativista Chico Mendes, a Reserva Extrativista do Rio Preto-Jacundá, além de 30 outras UCs e 30 AIs (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Corredor Sul da Amazônia: é vitalmente importante para proteger a fauna e a

flora localizada entre os rios da margem direita (sul) do Amazonas: Tapajós, Madeira, Xingú e Tocantins. Este corredor inclui áreas localizadas nos estados do AM, PA e MA, abrigando a Floresta Nacional de Tapajós, o Parque Nacional da Amazônia, a Reserva Biológica de Gurupí, além de três outras UCs e 20 AIs (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Corredor Ecótono Sul-Amazônico (Amazônia-Cerrado): está localizado nas

áreas de transição entre a Amazônia e as savanas do Cerrado, ecossistema ameaçado pelo avanço agropecuário. Este corredor inclui o Parque Nacional do Araguaia, no TO, e mais 17 AIs no AM, MT e TO (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Corredor Central da Mata Atlântica: contém áreas de alta diversidade nos

estados do ES, MG e costa sul da BA. Abriga muitas espécies de animais e plantas da planície costeira. Este corredor inclui a Reserva Biológica de

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Soretama, a Reserva Florestal de Linhares, a Reserva Biológica de Una, o Parque Nacional de Monte Pascoal, o Parque Nacional da Serra do Caparaó e outras UCs e AIs que juntas formam a maior concentração de fragmentos florestais na região (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Corredor Sul da Mata Atlântica ou Corredor da Serra do Mar: representa a

maior extensão de Mata Atlântica contínua e, em termos ecológicos, é o mais viável para a conservação. Este corredor inclui 27 UCs, como a Área de Proteção Ambiental Estadual da Serra do Mar, em SP, a APA da Serra da Mantiqueira, em MG, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, no RJ, a APA de Guaraqueçaba, no PR, e o Parque Nacional de Itatiaia (AYRES et al., 2005, SALVIO, 2002).

Na Figura 13 a seguir são apresentados os corredores e suas respectivas distribuições no território nacional brasileiro.

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Figura 13: Distribuição espacial dos corredores propostos pelo Projeto Corredores Ecológicos

(Fonte: AYRES et al., 2005).

Apesar dos sete (7) corredores representarem parcelas importantes das florestas tropicais úmidas do Brasil (AYRES et al., 2005), possuem apenas delimitações políticas de gestão territorial e assim como pode ser visto a seguir na Figura 14, não necessariamente conectam as Unidades de Conservação que os compõem, não atendendo em sua totalidade ao conceito de “Corredores Ecológicos” no sentido proposto ao longo desse trabalho.

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Figura 14: Corredor Central da Mata Atlântica proposto pelo Projeto Corredores Ecológicos

(Fonte: AYRES et al., 2005).

Como pode ser visualizado na Figura 14, os limites do Corredor Central da Mata Atlântica abrangem uma área geográfica total de 8.635.900 hectares, sendo que apenas 314.562 ha encontram-se legalmente protegidos em Unidades de Conservação oficialmente estabelecidas, dentre Parques Nacionais, Reservas Biológicas, Florestas Nacionais e Estaduais, Áreas de Proteção Ambiental Estaduais e Reservas Particulares do Patrimônio Natural, sendo essas unidades em sua maioria pequenas e isoladas.

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O modelo de Corredores Ecológicos apresentado ao longo desse trabalho, baseia-se como definido pelo Artigo 2 da Lei do SNUC, sendo uma “porção de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando Unidades de Conservação” (BRASIL, 2000) em uma escala de abrangência na qual seja propiciada a criação de pequenas conexões entre dois ou mais fragmentos de florestas e que, a partir de pequenas escalas poderão atingir grandes proporções como a do Corredor Central da Mata Atlântica.

Como citado anteriormente, além dos “corredores” do Projeto Corredores Ecológicos, mais três (3) corredores foram identificados, sendo estes os que melhor representam o conceito e modelo proposto por esse trabalho, não sendo, porém, reconhecidos oficialmente pelo MMA.

Corredor Ecológico de Biodiversidade de Santa Maria

O Corredor Ecológico de Santa Maria, no Paraná, na fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina, proporciona um caminho verde com mais de 29 mil hectares, que liga três Unidades de Conservação (Figura 15). O corredor abrange também as áreas das bacias dos rios Paraná e Iguaçu, compreendendo os parques nacionais da Ilha Grande e do Iguaçu, o Parque Estadual do Turvo (RS), a Área de Proteção Ambiental Federal das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná e o Parque Estadual do Morro do Diabo (SP).

Iniciado em 2003, o primeiro passo para a implantação do Corredor da Biodiversidade foi reconstituir a ligação verde entre a faixa de proteção do reservatório da Itaipu Binacional e o Parque Nacional do Iguaçu, nos municípios de Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu. O corredor leva o nome de uma das fazendas pelas quais passa, a Fazenda Santa Maria (ITAIPU, 2014).

Na Figura 15 podemos ter uma visão da dimensão do Corredor Ecológico de Santa Maria.

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Figura 15: Corredor Ecológico de Santa Maria no Paraná (Fonte: ITAIPU, 2014). Corredor Ecológico do Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ

O Corredor Ecológico implantado em 2012 pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ, reconecta duas Unidades de Conservação do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, sendo elas a Estação Ecológica Mico Leão Preto, que tem quatro fragmentos e um total de sete mil hectares, e o Parque Estadual do Morro do Diabo, com 37 mil hectares de mata.

Ao todo, 1,4 milhões de árvores foram plantadas para reconectar a porção sul do PEMD (37 mil hectares) com um dos quatro fragmentos da ESEC-MLP (que tem um total de sete mil hectares), gerando a formação de 700 hectares de um grande corredor florestal que une as duas principais Unidades de Conservação do bioma no Pontal do Paranapanema no extremo oeste de São Paulo.

O corredor faz parte do Projeto Corredores da Mata Atlântica iniciado em 2002 pelo IPÊ com o objetivo de conservar a biodiversidade da Mata Atlântica por meio da restauração florestal em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL) de propriedades rurais. O projeto está orientado também na direção de promover a conservação dos recursos florestais, dos recursos hídricos e da garantia dos serviços ambientais em áreas

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privadas no entrono de Unidades de Conservação do bioma Mata Atlântica do extremo oeste paulista. Na Figura 16 podemos ter uma melhor ideia da dimensão do corredor criado pelo instituto.

Figura 16: Corredor Ecológico implantado pelo IPÊ unindo duas Unidades de Conservação no

Pontal do Paranapanema, em São Paulo (Fonte: IPÊ, 2014).

Corredor Ecológico da Trilha Transcarioca no Rio de Janeiro

O Corredor Ecológico da Trilha Transcarioca no estado do Rio de Janeiro, criado pela esfera municipal, está inserido no bioma Mata Atlântica e possui 25.000 hectares de área. O Corredor Ecológico formado pela Trilha Transcarioca não é ainda formalmente reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente, mas tem sido utilizado como estratégia de conservação pelo

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Mosaico Carioca de Áreas Protegidas, que foi criado pela Portaria MMA nº 245, de 11 de julho de 2011.

A extensão total do corredor vai do Pão de Açúcar à Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, unindo áreas remanescentes de Mata Atlântica e o objetivo principal de manejar esse corredor chamado de Trilha Transcarioca, é assegurar que os Parques do Rio sejam ligados por um Corredor Ecológico, que facilitará o fluxo genético de fauna e flora entre eles.

Na área entre o Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca, o Corredor da Trilha Transcarioca funciona, sobretudo, como uma coluna vertebral verde entre os dois parques, garantindo a proteção da área que liga essas duas Unidades de Conservação.

O Corredor da Trilha Transcarioca integra seis Unidades de Conservação de proteção integral e uma sustentável, sendo elas, o Parque Natural Municipal de Grumari, Parque Estadual da Pedra Branca, Parque Nacional da Tijuca, Parque Natural Municipal da Catacumba, Parque Natural Municipal da Paisagem Carioca, o Monumento Natural Municipal dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca e a Área de Preservação Ambiental e Recuperação Urbana Municipal do Alto da Boa Vista.

A seguir na Figura 17 pode-se ter uma noção da extensão desse corredor.

Figura 17: Corredor Ecológico da Trilha Transcarioca, no Rio de Janeiro (Fonte:

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O traçado inicial do corredor foi elaborado por um grupo de trabalho constituído pelos gestores das Unidades de Conservação abrangidas e técnicos do ICMBio, INEA e SMAC, bem como por membros da Conservação Internacional (CI) e voluntários conhecedores da malha de caminhos das unidades que compõem o corredor.

Na Tabela 2 a seguir, apresenta-se uma síntese dos corredores reconhecidos pelo MMA e daqueles que melhor representam o conceito e modelo proposto por esse trabalho.

Tabela 2: Corredores Ecológicos Efetivos

Bioma Corredor Ecológico Estância Área (ha) Ano de Criação

Caatinga Corredor Capivara-Confusões Federal 414.565 2005 Caatinga Corredor Caatinga Federal 5.900.000 2006 Mata Atlântica Corredor IPÊ - 700 2002 Mata Atlântica Corredor Santa Maria - 29.000 2003 Mata Atlântica Corredor Trilha Transcarioca Municipal 25.000 2011

Como se pode observar por meio dos exemplos de Corredores Ecológicos apresentados acima e ao longo de todo esse trabalho, a fragmentação e a avaliação para a criação de Corredores Ecológicos são processos complexos. Para tornar possíveis as ações que promovam a interligação dos fragmentos florestais de Áreas Naturais Protegidas através dos Corredores Ecológicos, é necessário reconstituir a história da vegetação local e realizar o diagnóstico de sua atual situação (VIANA, 1990; VIANA, TABANEZ e MARTINS, 1992, OLIVEIRA, 2011), fazer uma análise da paisagem em um contexto regional, buscando identificar quais as principais barreiras, avaliar as distâncias de isolamento das áreas e o tamanho dos fragmentos, sem se esquecer dos pequenos, realizar estudos socioeconômicos e de desenvolvimento da região, além de inventariar a fauna e espécies mais vulneráveis das Áreas Naturais Protegidas a se conectar.

Considerando que apenas três das UCs brasileiras possuem tamanho suficiente para manter populações viáveis a longo prazo, o número de efetivos Corredores Ecológicos existentes no país ainda é insuficiente se quisermos manter e conservar a biodiversidade das Áreas Naturais Protegidas existentes.

Referências

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