ATESTADOS MÉDICOS - ABONO DE FALTAS - Considerações Matéria elaborada com base na legislação vigente em: 26/08/2011.
Sumário: 1 - Introdução 2 - Finalidade
3 - Normas de Emissão de Atestado Médico 3.1 - Atestado para Fins de Perícia Médica 3.2 - Exigência de Prova de Identidade 3.3 - Código Internacional da Doença - CID 3.4 - Responsabilidade Profissional
4 - Abono de Faltas por Doença
4.1 - Ordem Preferencial dos Atestados 5 - Levar Filho ao Médico - Abono de Falta
6 - Afastamento em Licença-Maternidade e Prorrogação 7 - Demais Situações
8 - Fundamentação Legal
1 - INTRODUÇÃO
Nessa matéria analisaremos as regras de emissão de atestados médicos e o seu uso para abono de ausências dos empregados por doença, parto, aborto, entre outros.
2 - FINALIDADE
O atestado médico é um documento fundamental para a comprovação de atos dos empregados na relação de trabalho, servindo como justificativa de ausências por doença ou acidente, para afastamentos por licença saúde ou por licença-maternidade e sua prorrogação, para comprovar que levou filho ao médico, entre outros.
3 - NORMAS PARA EMISSÃO DE ATESTADO MÉDICO
O atestado médico é parte integrante do ato médico, sendo seu fornecimento direito inalienável do paciente, não podendo importar em qualquer majoração de honorários.
Ao fornecer o atestado, deverá o médico registrar em ficha própria e/ou prontuário médico os dados dos exames e tratamentos realizados, de maneira que possa atender às pesquisas de informações dos médicos peritos das empresas ou dos órgãos públicos da Previdência Social e da Justiça.
Na elaboração do atestado médico, o médico assistente observará os seguintes procedimentos:
I - especificar o tempo concedido de dispensa à atividade, necessário para a recuperação do paciente;
II - estabelecer o diagnóstico, quando expressamente autorizado pelo paciente; III - registrar os dados de maneira legível;
IV - identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo ou número de registro no Conselho Regional de Medicina.
3.1 - ATESTADO PARA FINS DE PERÍCIA MÉDICA
Quando o atestado for solicitado pelo paciente ou seu representante legal para fins de perícia médica deverá observar:
I - o diagnóstico;
II - os resultados dos exames complementares; III - a conduta terapêutica;
IV - o prognóstico;
V - as conseqüências à saúde do paciente;
VI - o provável tempo de repouso estimado necessário para a sua recuperação, que complementará o parecer fundamentado do médico perito, a quem cabe legalmente a decisão do benefício previdenciário, tais como: aposentadoria, invalidez definitiva, readaptação;
VII - registrar os dados de maneira legível;
VIII - identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo ou número de registro no Conselho Regional de Medicina.
3.2 - EXIGÊNCIA DE PROVA DE IDENTIDADE
É obrigatória, aos médicos, a exigência de prova de identidade aos interessados na obtenção de atestados de qualquer natureza envolvendo assuntos de saúde ou doença.
Em caso de menor ou interdito, a prova de identidade deverá ser exigida de seu responsável legal.
Os principais dados da prova de identidade deverão obrigatoriamente constar dos referidos atestados.
3.3 - CÓDIGO INTERNACIONAL DA DOENÇA - CID
Os médicos somente podem fornecer atestados com o diagnóstico codificado ou não quando por justa causa, exercício de dever legal, solicitação do próprio paciente ou de seu representante legal.
No caso da solicitação de colocação de diagnóstico, codificado ou não, ser feita pelo próprio paciente ou seu representante legal, esta concordância deverá estar expressa no atestado. 3.4 - RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL
O médico poderá valer-se, se julgar necessário, de opiniões de outros profissionais afetos à questão para exarar o seu atestado.
O Código de Ética Médica, aprovado pela Resolução/CFM nº 1.931/2009, dispõe que é vedado ao médico, entre outros:
• Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição, bem como assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos.
• Deixar de esclarecer o trabalhador sobre as condições de trabalho que ponham em risco sua saúde, devendo comunicar o fato aos empregadores responsáveis. Se o fato
persistir, é dever do médico comunicar o ocorrido às autoridades competentes e ao Conselho Regional de Medicina.
Também é vedado ao médico:
Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à verdade.
Atestar como forma de obter vantagens.
Usar formulários de instituições públicas para prescrever ou atestar fatos verificados na clínica privada.
Deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou a seu representante legal quando aquele for encaminhado ou transferido para continuação do tratamento ou em caso de solicitação de alta.
Deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente. O prontuário deve conter os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina. O prontuário estará sob a guarda do médico ou da instituição que assiste o paciente.
Negar, ao paciente, acesso a seu prontuário, deixar de lhe fornecer cópia quando solicitada, bem como deixar de lhe dar explicações necessárias à sua compreensão, salvo quando ocasionarem riscos ao próprio paciente ou a terceiros.
Deixar de atestar atos executados no exercício profissional, quando solicitado pelo paciente ou por seu representante legal.
O atestado médico goza da presunção de veracidade, devendo ser acatado por quem de direito, salvo se houver divergência de entendimento por médico da instituição ou perito. Em caso de indício de falsidade no atestado, detectado por médico em função pericial, este se obriga a representar ao Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição.
4 - ABONO DE FALTAS POR DOENÇA
A legislação determina que a ausência do empregado por doença, devidamente comprovada por atestado médico, é falta justificada, ou seja, será abonada/remunerada pelo empregador, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 6º da Lei nº 605/49.
Contudo, o empregador está obrigado a pagar somente os salários correspondentes aos primeiros quinze dias consecutivos do afastamento da atividade por motivo de doença, na forma do art. 60, § 3º, da Lei nº 8.213/91.
Segundo o Regulamento da Previdência Social - RPS (§ 1º do art. 75) cabe à empresa que dispuser de serviço médico próprio ou em convênio o exame médico e o abono das faltas correspondentes aos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento.
Quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias consecutivos, o segurado será encaminhado à perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social, para fins de concessão de benefício por incapacidade.
Ressaltamos ainda que por força do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 75 do RPS, se o segurado empregado, por motivo de doença, afastar-se do trabalho durante 15 (quinze) dias ou menos, retornando à atividade, e se dela voltar a se afastar dentro de 60 (sessenta) dias desse retorno, em decorrência da mesma doença, fará jus ao auxílio doença a partir do dia seguinte ao que completar quinze dias.
4.1 - ORDEM PREFERENCIAL DOS ATESTADOS
A doença deve ser comprovada mediante atestado de médico da instituição da Previdência Social a que estiver filiado o empregado e, na falta deste e sucessivamente, de médico do Serviço Social ou da Indústria; de médico da empresa ou por ela designado; de médico a serviço de repartição federal, estadual ou municipal, incumbida de assuntos de higiene ou de saúde publica; ou, não existindo estes, na localidade em que trabalhar, de médico de sua escolha.
A Súmula nº15 do TST determina que a justificação da ausência do empregado motivada por doença, para a percepção do salário-enfermidade e da remuneração do repouso semanal, deve observar a ordem preferencial dos atestados médicos estabelecida em lei.
5 - LEVAR FILHO AO MÉDICO - ABONO DE FALTA
O Precedente Normativo nº 95 do TST assegura o direito à ausência remunerada de 1 (um) dia por semestre ao empregado, para levar ao médico filho menor ou dependente previdenciário de até 6 (seis) anos de idade, mediante comprovação no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.
6 - AFASTAMENTO EM LICENÇA-MATERNIDADE E PRORROGAÇÃO
Dispõe o § 1º do art. 392 da CLT que a empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, por licença-maternidade, que poderá ocorrer entre o 28º (vigésimo oitavo) dia antes do parto e ocorrência deste.
Os períodos de repouso, antes e depois do parto, poderão ser aumentados de 2 (duas) semanas cada um, mediante atestado médico, conforme § 2º do art. 392 da CLT.
A prorrogação dos períodos de repouso anteriores e posteriores ao parto, consiste em excepcionalidade, compreendendo as situações em que exista algum risco para a vida do feto ou criança ou da mãe, devendo o atestado médico ser apreciado pela Perícia Médica do INSS, exceto nos casos de segurada empregada, que é pago diretamente pela empresa, na forma do art. 294, § 6º, da IN/INSS nº 45/2010.
7 - DEMAIS SITUAÇÕES
Os atestados médicos ainda serão necessários para as empregadas grávidas, nas situações que seguem:
I - Garantia a transferência de função, quando as condições de saúde o exigirem, assegurada a retomada da função anteriormente exercida, logo após o retorno ao trabalho e a dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo, 6 (seis) consultas médicas e demais exames complementares, sem prejuízo do salário e demais direitos;
II - Rompimento do compromisso resultante de qualquer contrato de trabalho, desde que este seja prejudicial à gestação;
III - Em caso de aborto não criminoso, a mulher terá um repouso remunerado de 2 (duas) semanas, ficando-lhe assegurado o direito de retornar à função que ocupava antes de seu afastamento.
8 - FUNDAMENTAÇÃO LEGAL - Lei nº 605, de 14/01/1949;
- Lei nº 8.213, de 24/07/1991; - Decreto nº 27.048, de 12/08/1949;
- Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999; - Resolução/CFM nº 1.658, de 2002;
- Resolução/TST nº 121, de 2003; - Resolução/CFM nº 1.851, de 2008;
- Código de Ética Médica, aprovado pela Resolução/CFM nº 1.931, de 2009. Fonte: Editorial ITC
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