Sequência
didática
Eixo: Conhecer
gêneros e autores
Ler para conhecer
Ricardo Azevedo
Eixo: Conhecer
gêneros e autores
1º ao 3º ano
Apresentação
das obras
Aula de carnaval e outros poemas
Autor e ilustrador: Ricardo Azevedo Editora: Ática
Número de páginas: 48
Versos, adivinhas, quadrinhas e ilustrações com clima de fo-lia para o ano inteiro.
O leão Adamastor
Autor e ilustrador: Ricardo Azevedo Editora: Formato
Número de páginas: 48
Ao fugir do circo, o leão Adamastor não sabe onde está e, pior, não sabe mais caçar, então sente que precisa urgentemente armar um plano de ação. Dis-farçado de cachorro, parte para cidade. Mas, no fun-do, ele sabe que isso de leão fugir para ser cachorro não é vida.
R i c a r d o A z e v e d o
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o fugir do circo, o leão Adamastor descobre que não sabe onde está e, pior, que não sabe mais caçar. Depois de passar dias comendo frutinhas e legumes, o imenso felino sente que precisa armar um urgente plano de ação...
Disfarçado de cachorro, parte para a cidade. Adamastor é capturado pela carrocinha, arranja um emprego de cão de guarda e, acreditem, acaba até trabalhando no cinema. Mas, lá no fundo, ele sabia que isso de leão se fingir de cachorro não era vida e que alguma coisa precisava ser feita.
A
Ricardo Azevedo O l eã o d a m a s to r A 13ª ediçãoIntrodução
Conhecer mais sobre a vida e a obra de um autor tem pelo menos duas justificativas: a pri-meira se refere ao fato de ser um comportamento leitor, ou seja, quando leitores leem mais e leem autores diversos começam a ter preferências por algum deles; a segunda se refere ao grande va-lor didático, pois será necessário ler muitos textos, compará-los, reconhecer alguns recursos utiliza-dos pelo autor, estabelecer relações intertextuais, conhecer mais a vida do autor, entre outras ações.
Ricardo Azevedo foi o autor escolhido. É escritor, ilustrador e pesquisador da cultura po-pular brasileira. Com uma vasta obra, publicada em vários países, foi vencedor do Prêmio Jabuti, o mais renomado prêmio literário brasileiro, por vários títulos. Seus textos são divertidos, bem escritos e repletos de traços de nossa cultura. Por todos esses motivos, pensamos que co-nhecer as obras do autor é fundamental para a formação do leitor literário, considerando o pú-blico-alvo desta sequência, alunos do início do Ensino Fundamental.
Para isso, selecionamos os livros Aula de
car-naval e outros poemas, O leão Adamastor e Se eu fosse aquilo, buscando uma diversidade de
possibilidades de experiências leitoras. Nessas obras, o aluno vai encontrar uma diversidade de histórias, poemas e anedotas que trazem uma presença forte de humor e muitos traços da nos-sa cultura popular.
Espera-se que, por meio dessa sequência, os alunos:
— Conheçam um autor brasileiro de refe-rência contemporânea;
— Leiam e analisem as obras para buscar marcas características do autor;
— Ampliem e diversifiquem os critérios de escolha.
Além desses objetivos, esperamos que os alunos possam desenvolver alguns comporta-mentos leitores, como:
— Confirmar ou rechaçar as antecipações, ajustando-se cada vez mais aos indícios previstos pelos textos;
— Expressar-se oralmente elaborando enunciados cada vez mais coerentes, completos, ajustados ao propósito e ao destinatário e o que se deseja comunicar. — Participar das conversas em torno do
lido, expressando uma posição estética e pessoal;
— Comentar e selecionar passagens que in-teressaram da história e fundamentar as preferências;
— Dar opinião sobre a história e escutar a opinião dos colegas;
— Construir critérios de validação com-partilhadas, trocando saberes com os outros para ampliar a possibilidade de compreensão.
Se eu fosse aquilo
Autor e ilustrador: Ricardo Azevedo Editora: Ática
Número de páginas: 112
Os leitores vão rir e se emocionar com esta antologia de con-tos, poemas, anedotas e histórias da cultura popular, que tem o estilo irresistível e bem-humorado do autor Ricardo Azevedo.
RICARDO AZEVEDO
Se eu fosse aquilo
Ilustrações do autor
Se eu fosse aquilo
RICARDO AZEVEDO
Os melhores textos para crianças de grandes autores da literatura brasileira.
Além de pulga que gosta de arte moderna, mulher barbuda, família de morcegos no cinema..., este livro fala de crianças de rua, analfabetismo, poluição...
RICARDO AZEVEDO brinca com as palavras e acrescenta a elas ainda mais significado. Temas provocantes e às vezes sérios são abordados de maneira leve, que diverte e faz pensar. Personagens curiosos e muitas vezes engraçados desfilam por seus contos, poemas, anedotas, mitos e ilustrações, que, como ele mesmo diz, mostram como a vida pode ser uma coisa rica e cheia de surpresas. Pesquisador da cultura popular brasileira há mais de vinte anos, seus livros já receberam importantes prêmios literários no Brasil, como o Jabuti e o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), entre outros. Para saber mais, visite o site www.ricardoazevedo.com.br.
Foto: Arquivo pessoal
BNCC
A proposta desta sequência estimula o desenvolvimento das seguintes habilidades específicas pre-vistas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC):
(EF15LP15) Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo imaginário e apresentam uma dimensão lúdica, de encantamento, valorizando-os, em sua diversidade cultural, como patri-mônio artístico da humanidade.
(EF15LP16) Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor e, mais tarde, de maneira autônoma, textos narrativos de maior porte como contos (populares, de fadas, acumulativos, de assombração etc.) e crônicas.
(EF12LP18) Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, sonoridades, jogos de palavras, reconhecendo seu pertencimento ao mundo imaginário e sua dimensão de encanta-mento, jogo e fruição.
(EF12LP19) Reconhecer, em textos versificados, rimas, sonoridades, jogos de palavras, palavras, expressões, comparações, relacionando-as com sensações e associações.
(EF35LP03) Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global. (EF35LP04) Inferir informações implícitas nos textos lidos.
(EF35LP05) Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos, com base no contexto da frase ou do texto.
(EF02LP26) Ler e compreender, com certa autonomia, textos literários, de gêneros variados, de-senvolvendo o gosto pela leitura.
Encaminhamento da leitura
1- Roda de apreciação de obras de Ricardo
Azevedo e apresentação da sequência
>
Organização do espaço: Em um espaço aconchegante, com tapetes e almofadas, de preferência na biblioteca, organize os alunos em roda.>
Duração: Aproximadamente 50 minutos.>
Materiais: Livros Se eu fosse aquilo; Aulade carnaval e outros poemas, O leão Ada-mastor e outros livros de Ricardo
Azeve-do que tiverem no acervo da escola; um computador e um projetor.
Para dar início à atividade, conte aos alunos que uma nova sequência de leitura será feita para conhecer um pouco mais a vida e a obra de um autor brasileiro renomado, Ricardo Azevedo. Convide-os a explorarem os livros que você dis-ponibilizou no centro da roda e observe o
movi-mento e os comentários feitos por eles. Em quais títulos eles se concentram? O que comentam sobre o autor? Parecem conhecê-lo? Demons-tram alguma preferência? Como exploram o li-vro? Leem a capa, folheiam o livro, leem a quarta capa, se detêm em alguma parte específica?
Em seguida, abra um espaço de conversa sobre essa exploração inicial, instigue-os a co-mentar as impressões sobre as obras, o que já conhecem do autor, se há algum livro conhecido por eles que não tinha na roda. Destaque algo que tenha observado durante a exploração; se ti-ver alguma ilustração que tenha provocado des-cobertas ou encantos, por exemplo, mostre para toda a turma e apreciem juntos algumas ilustra-ções dos livros.
Apresente os três títulos que serão foco da sequência, mostre que Se eu fosse aquilo está organizado em três categorias de histórias:
"Pelos caminhos da realidade e da fantasia", "De brincadeira com as palavras" e "Um pouco de fol-clore". Peça aos alunos que antecipem quais his-tórias poderiam ter ali e leia algum título de cada categoria para ajudar nesse processo de pensar o que podem encontrar na obra. Faça o mesmo com Aulas de carnaval e outros poemas e O leão
Adamastor. Em ambas as obras, há um texto do
autor que conta ao leitor um pouco da história de como foi pensar o livro, de como chegou ao tema e aos conteúdos das histórias e dos poemas. Se-lecione alguns trechos para aguçar a vontade de conhecer as obras. Para não ficar cansativo, evi-te ler os evi-textos na ínevi-tegra. Em O leão Adamastor, conte da experiência de Ricardo Azevedo no circo com os filhos pequenos ao ver um leão africano todo malcuidado; isso consta logo no início do pa-rágrafo. Em Aula de carnaval e outros poemas, fale do sonho que o autor teve com o carnaval fazen-do parte fazen-do currículo da escola, além de ressaltar a folia como uma grande festa popular brasileira.
Comece a apreciar um pouco da obra de Ri-cardo Azevedo pelo poema “Aula de leitura”, que consta no livro Se eu fosse aquilo. Prepare-se para que a entonação e o ritmo dados durante a leitura sejam adequados ao texto. Observe que, com exceção da última estrofe, as demais apre-sentam apenas dois versos, que se completam pedindo ao leitor que considere a pausa no final do segundo verso. Depois de ler, uma conversa em torno do significado da aula de leitura pro-posta pelo autor é um caminho possível.
>
O poema afirma que ler é mais do que decifrar as palavras. Como vocês acham que podemos ler nas folhas do chão?>
Vocês conseguem pensar em outrosexemplos como esse?
Instigue a curiosidade dos alunos para co-nhecerem mais sobre o autor. Entre no site de Ricardo Azevedo (http://www.ricardoazevedo. com.br) e faça uma exploração geral do que con-tém ali. Mostre que há informações sobre a vida dele, conte que é paulista e um pesquisador da cultura popular brasileira. Há, inclusive, uma aba que mostra os vários estudos que Ricardo já fez e publicou. Passe pelas ilustrações disponíveis, apreciem, peça a eles que comentem as impres-sões, pois há algumas bem instigantes. Mostre a lista de títulos publicados e destaque a quan-tidade e alguns títulos conhecidos pelos alunos. Por fim, vá até a aba “Canções” e mostre que
al-guns poemas foram musicalizados. “Telegrama” consta no livro Se eu fosse aquilo. Ouça a canção com eles e instigue-os a falarem se conhecem outros poemas musicalizados. Os de Vinicius de Moraes podem ser a grande referência, já que “A arca de Noé” costuma ser uma das obras mais conhecidas pelas crianças.
Peça que, em casa, ouçam mais duas ou três canções para que, na próxima aula, comentem as impressões.
2- Leitura de histórias de Se eu fosse aquilo
pelo professor
>
Organização do espaço: Sala de aula, de modo que os alunos consigam formar uma roda e fiquem confortáveis.>
Duração: Entre 40 e 50 minutos.>
Materiais: Livro Se eu fosse aquilo; papel e lápis de cor; computador e projetor. Inicie a aula retomando a tarefa de casa: ouvir algumas das canções do site de Ricardo Azevedo. Deixe os alunos comentarem sobre como foi a ex-periência de ouvir um poema em forma de can-ção; pergunte de qual mais gostaram, se houve al-guma palavra ou expressão que chamou atenção. Em seguida, leia uma versão da anedota “O louco e o cachorro do louco”, que é bem curta e engraçada. Explore inicialmente a ilustração em que consta uma escrita feita pelo suposto louco “Ontem vi você amanhã!”. Questione o que há de estranho nessa frase. Isso é engraçado? Depois de ler, converse com os alunos sobre o que pro-voca humor no texto, releia a última frase, “Viu, Totó? Enganamos mais um!”. Ajude-os a obser-varem que é um texto curto e que o final faz com que haja uma quebra na expectativa do leitor produzindo humor. Comente que é uma versão de anedota e pergunte o que isso significa, e se conhecem outras.Leia em seguida “Aquilo” até o final, na parte “Mas outro alguém disse não! e foi correndo es-conder aquilo devagarinho no fundo do coração”. Ao terminar de ler, pergunte aos alunos a que eles acham que “aquilo” se refere no texto. Ouça todas as respostas e peça que justifiquem suas escolhas, que contem aos colegas os motivos pelos quais pensaram em determinado objeto ou sentimen-to. Deixe claro aos alunos que não há uma res-posta correta; nesse caso, pode ser de fato qual-quer coisa real ou imaginada. É possível dizer que sempre há diferentes pontos de vista para algo,
e percebe-se isso quando o narrador diz que tem gente que ficou feliz e outras ficaram com medo quando “aquilo” apareceu na cidade.
Leia o que consta no final do texto, uma mensagem para o leitor, e proponha que escre-vam ou desenhem o que pensaram sobre o que é o “aquilo”. Com o produto dessa atividade, or-ganize um mural, de preferência no mural do pá-tio da escola, para que outras turmas apreciem o texto ou o desenho produzido.
3- Leitura de poemas pelos alunos
>
Organização do espaço: Um lugar calmo da escola para que os alunos consigam trabalhar coletivamente, em uma roda e em pequenos grupos.>
Duração: Entre 40 e 50 minutos.>
Material: Livro Se eu fosse aquilo.Inicie a aula com a leitura do poema “Apa-gador”, na página 51, porque há uma brincadeira com as palavras, assim como o nome do capítulo diz. Prepare-se para ler em voz alta porque as pau-sas são diferentes em cada estrofe, por exemplo:
Já pensou se apagador
apagasse dor de dente?
Dor de unha, dor de ouvido,
toda a dor que dá na gente?
Nessa estrofe a pausa maior é no final das perguntas, nos 2º e 4º versos. Já na estrofe abai-xo a pausa é diferente:
Converse com os alunos sobre a brincadeira com a palavra “apagador”, o duplo sentido que pode ter pelo fato de estar junto ou separado, ou seja, se acrescentamos um espaço entre apaga e dor, o sentido muda. E é justamente essa brinca-deira proposta pelo poeta. Não explique isso aos alunos, instigue-os a comentarem, a buscar no próprio poema justificativas para as ideias deles.
Em seguida, realize a leitura de um conto da categoria “Um pouco de folclore”. Sugerimos “O cachorro, o burro, o porco, a galinha e o bode”, por ser bem típico da cultura popular, por existi-rem outras versões dessa história e porque essas questões podem ser discutidas com os alunos. Estimule-os a pensar o que esses animais po-dem fazer juntos em uma história, se conhecem algum conto que tenha esses personagens e ini-cie a leitura. Depois de ler, abra um espaço de intercâmbio, perguntando aos alunos:
>
Vocês imaginavam que esses animaispoderiam fazer tudo o que fizeram nesta história? O que mais te surpreendeu?
>
O que eles fizeram que considera mais inusitado?>
O que pensa sobre os planos arquiteta-dos pelos animais? Você teria pensado em algo semelhante?>
Já tinham ouvido alguma história pareci-da com essa? Se sim, o que havia de se-melhança? E de diferença?>
Os ladrões associaram os animais a fan-tasma, lobisomem, espírito, bruxa e de-mônio. O que os animais fizeram para eles pensarem que eram esses seres?>
Tem alguma passagem, palavra ou ex-pressão que você gostou de ouvir, achou bonita ou engraçada?Essas questões podem nortear a conver-sa em torno da leitura do conto, mas considere o que as crianças pensam e comentam sobre a história. Com base nisso, proponha questões que contribuam para o aprofundamento da compreensão e apreciação. Podemos considerar inusitado animais que estavam quase morrendo de fome conseguirem elaborar planos infalíveis para vencer os desafios impostos para consegui-rem comer e sobreviver. Essa é uma versão bem popular; existem outras histórias que se asseme-lham com ela, como “Os músicos de Bremen”, dos Irmãos Grimm. Se os alunos conhecerem, discutam: se os animais elaboram o mesmo tipo de plano; se a motivação de ficarem juntos é a mesma que a da história lida; se os personagens são os mesmos, entre outras possibilidades.
Estrofe do poema Sugestão de pausa
Já pensou se o apagador gritasse: — Desapareça! E apagasse de uma vez a tal da dor de cabeça?
Já pensou se o apagador gritasse: — Desapareça!
a literatura em sua dimensão
socializa-dora, fazendo com que a pessoa se
sin-ta parte de uma comunidade de leitores
com referências e cumplicidade mútuas.
(COLOMER, 2007, p. 143). Como parte dessa comunidade de leitores, organize um registro com os alunos, de maneira coletiva, para anotar as descobertas que vão fa-zendo, ao longo das leituras, sobre o autor e sua forma de escrever. No final da sequência, reto-maremos esses apontamentos para sistematizar as principais aprendizagens dos estudantes.
Como tarefa de casa, peça a cada aluno que escolha um ou dois poemas do capítulo “De brin-cadeira com as palavras” para ler e compartilhar as impressões com os colegas na próxima aula.
4- Leitura de poemas pelos alunos e pelo
pro-fessor
>
Organização do espaço: Em sala de aula, com os alunos sentados em grupos.>
Duração: Aproximadamente 50 minutos.>
Materiais: Livros Se eu fosse aquilo e Aulade carnaval e outros poemas.
Compartilhe com os alunos que a aula será feita em pequenos grupos e que terá dois obje-tivos: o primeiro é retomar a tarefa de casa para que cada um comente qual poema leu e as im-pressões a respeito da obra; o outro é ler mais alguns poemas, agora do livro Aulas de carnaval
e outros poemas.
Comece organizando os grupos, garantindo que haja um leitor, em caso de turmas em que os alunos ainda não tenham prática para a leitu-ra. Proponha uma conversa em torno da leitura realizada em casa. Uma questão que pode nor-tear a conversa de todos os grupos é a categoria em que os poemas estão inseridos. Instigue-os a comentarem se há alguma brincadeira com as palavras, para evidenciar isso aos colegas.
No final abra um espaço no coletivo para cada grupo compartilhar com os demais o que discutiram, destacar o poema de que mais gos-taram, o jogo entre as palavras e o que mais te-nha chamado a atenção.
Em seguida, retome a apresentação feita na aula 1 do livro Aula de carnaval e outros poemas e complemente com novas informações. Leia na ín-tegra ou destaque trechos do texto que há no fi-nal do livro sobre a forma como Ricardo Azevedo Destaque também na conversa o uso da
lin-guagem, em que há vários recursos interessan-tes para chamar atenção:
Andaram, andaram, andaram.
Acaba-ram chegando num lugar muito bonito.
(p. 81).
Questione qual efeito de sentido provoca a repetição da palavra “Andaram”. Ao repetir a pa-lavra em destaque, o autor intensifica a ideia que ela representa. Os animais estavam buscando um novo lugar para morar; em vez de dizer que eles caminharam muito, o autor escreve "anda-ram, anda"anda-ram, andaram".
Quando alguém conseguia ficar em pé, o
burro vinha e – catapóim – dava patada
e cada coice de fazer gente voar contra a
parede.
(p. 82).Pergunte aos alunos o que significa
cata-póim, o que a palavra representa nesse contexto.
Trata-se de uma onomatopeia que reproduz um som, o do movimento do coice do burro. A ideia não é ensinar o que são onomatopeias, e sim dis-cutir o sentido delas no texto.
[...] O lugar é ótimo, mas não serve
por-que a onça mora lá!
O burro começou a espirrar. A galinha
tossiu. O porco fungou. O bode
cus-piu. [...].
(p. 80).A reação dos animais quando souberam que a onça morava dentro da gruta provoca um cer-to humor, porque, em vez de mostrar o espancer-to com palavras que denotam esse sentimento, a reação está pautada em espirros, tosses, funga-da e cusparafunga-da, ações um tanto diferentes na maneira de expressar o medo que sentiam.
Convide os alunos para também destaca-rem trechos da história e comentadestaca-rem os moti-vos que os levaram a fazer tal seleção. Valorize o pensamento deles, estimule todos a acompa-nhar e a trocar impressões com base no ponto de vista do outro. É assim que formamos uma comunidade de leitores.
Segundo a pesquisadora Teresa Colomer:
Compartilhar as obras com outras
pes-soas é importante porque torna possível
beneficiar-se da competência dos outros
para construir o sentido e obter o
pra-zer de entender mais e melhor os livros.
Também porque permite experimentar
pensou para escrever os poemas e organizá-los. Leia o poema “Nossa terra tem Palmeiras”, que foi inspirado no poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. Pesquise vídeos na internet em que há declamações desse poema e exiba um, selecionado para os alunos. Se preferir, você pode ler também. Proponha uma comparação entre os poemas, questione qual foi a motivação de Ricardo para escrever o poema dele; qual a diferença entre palmeiras e Palmeiras (planta e time de futebol); peça que destaquem outros pontos de relação que tenham observado entre os poemas.
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar --sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1846) Gonçalves Dias Para terminar a aula de um jeito divertido, leia “Adivinhas Carnavalescas”; as respostas constam no final do livro.
Como tarefa peça que cada criança leia uma quadrinha do “Quadrinhas Maluquinhas” e se prepare para ler ou declamar em voz alta para o restante do grupo.
5- Leitura em voz alta de poemas do livro Aula
de carnaval e outros poemas
>
Organização do espaço: Em um espaço aberto, onde seja possível o trabalho em pequenos grupos.>
Duração: Aproximadamente 50 minutos.>
Materiais: Livros Se eu fosse aquilo e Aulade carnaval e outros poemas.
Inicie a aula pedindo aos alunos que recitem as quadrinhas que leram e treinaram para reci-tar ou ler em voz alta para os colegas. Valorize o esforço de cada aluno e estimule comentários sobre as preferências, sobre o que acharam en-graçado na forma como as palavras são utiliza-das, por exemplo.
Em seguida, proponha a eles que, em pe-quenos grupos, leiam o sumário para selecionar um poema para ler. Precisa ser um que ainda não tenham lido. Converse com os alunos sobre a função do sumário, o motivo de alguns livros terem e outros não. Pergunte qual título instiga mais a curiosidade de ler o poema, peça a eles que justifiquem as escolhas e veja o que con-seguem antecipar sobre o conteúdo do poema. Em seguida, peça que leiam individualmente ou que uma criança de cada grupo leia em voz alta para os demais.
Após a leitura, peça aos grupos que comen-tem se suas expectativas foram atingidas; se o poema tratava de algo que haviam antecipado; se apreciaram ou não o texto, entre outros comentá-rios espontâneos e de acordo com cada poema lido; peça, ainda, para destacarem algum trecho ou uso da lingua gem que mereça destaque.
6- Leitura em capítulos do livro O leão
Ada-mastor
>
Organização do espaço: Na biblioteca/ sala de leitura com os alunos organizados em roda.>
Duração: Aproximadamente 40 minutos.>
Material: Livro O leão Adamastor.A partir desta aula, a leitura será da obra
O leão Adamastor, que já está em sua 13ª
edi-ção, publicada por Ricardo Azevedo, em 1998. Diferentemente dos outros títulos, essa é uma história em seis capítulos e, para ser lida, serão necessárias três aulas, dois capítulos por aula. Compartilhe essas informações com os alunos e retome o propósito da sequência, que é conhe-cer mais Ricardo Azevedo e sua obra, destacando as temáticas recorrentes e seu estilo de escrita.
Apresente a obra lendo o texto que cons-ta na quarcons-ta capa; ele antecipa alguns aconte-cimentos da história e cria uma expectativa no leitor para saber o que vai acontecer ao perso-nagem protagonista, o leão. Pergunte aos alunos se, ao ouvirem o texto, sentiram vontade de co-nhecer a história e o que fez senti-la.
Leia os dois primeiros capítulos e analise se é melhor parar no final do primeiro capítulo para uma conversa ou se seu grupo tem fôlego para ouvir os dois e conversar no final. É importante se preparar previamente para realizar a leitura em voz alta e considerar a entonação e o ritmo ade-quados para as passagens da história e também demarcar alguns pontos estratégicos de parada, caso considere isso em seu planejamento.
Para apreciação da obra, é importante pla-nejar questões que aproximem os leitores à obra, que auxiliem na compreensão leitora e que fo-quem no estilo do autor. A presença de humor é uma característica marcante nos textos de Ricardo Azevedo, e essa questão pode ser foco de análise. Vale ressaltar que é primordial ouvir as crian-ças, saber o que elas pensam sobre a história para poder fazer intervenções ajustadas de modo que possam avançar na compreensão leitora. A partir
de seus comentários, faça perguntas que pro-voquem uma retomada ao texto e justificativas para o que pensam.
Algumas possibilidades de intervenções para os dois capítulos lidos são:
>
Vocês já foram ou já viram um circo? Como ele era? Era parecido com o que o narrador descreveu?>
Vamos reler um trecho da história, quan-do o leão aparecia no palco:Diante do portentoso vozeirão, a plateia
abria os olhos e gelava. Tão formidável
era o rugido que da guela do bruto saía
verdadeira ventania, levando pelos ares
algodões-doces, anéis, bolsas, bonés,
brincos, cadernos, canivetes, chapéus,
chinelos, cuecas, dentaduras, dinheiro,
guarda-chuvas, lápis, lenços, livros,
mo-chilas, óculos, passes escolares, perucas,
pipocas, relógios, sanduíches, sapatos e
outras coisas leves.
(p. 6 e 8)>
Vocês acharam esse trecho engraçado? Por que pensam assim?>
Há algum outro trecho na história que provoca humor? Se sim, qual?Nesse caso poderiam mencionar, por exem-plo, o momento em que o dono do circo anuncia que depois do incêndio está tudo bem, mas que o leão africano fugiu. O jogo de palavras utili-zadas em cada frase, ora felizmente, ora infeliz-mente, provoca um certo humor. Isso acontece em dois momentos no primeiro capítulo: quando o dono comunica sobre o incêndio e quando co-munica sobre a partida do circo.
No segundo capítulo, também há marcas de humor no texto. Reconhecer essas marcas exige do leitor uma competência leitora mais desen-volvida, pois é necessário identificar os diferentes recursos utilizados pelo autor. No exemplo ante-rior, a longa enumeração, considerando os mais diversos objetos que pode haver no circo, pro-duz esse efeito no leitor. Já no exemplo a seguir, a indicação precisa da hora em que Adamastor acordou provoca um certo estranhamento, já que não é comum em uma narrativa essa exatidão do tempo. Isso de uma certa forma rompe com a ex-pectativa do leitor, provocando humor.
Sentindo que precisava tirar uma soneca,
o bichano deitou, fechou os olhos e só foi
acordar no outro dia, às duas horas e
trin-ta e oito minutos da trin-tarde.
(p. 11).Outra possibilidade de discussão é sobre a fuga de Adamastor e o local onde ele foi parar. A história conta que ele andou e correu muito até chegar em uma floresta, onde encontrou alguns animais. O texto não diz onde é esse lugar, mas, pelos animais mencionados – macacos, tatu-bo-la, antas, é possível saber que se trata de uma floresta brasileira. Essa discussão exige do leitor a tarefa de inferir, uma habilidade que precisa ser desenvolvida para se tornarem leitores proficien-tes. Questione:
>
Por que os animais não reconheceram o leão? Onde eles estavam?Depois de ouvir os comentários dos alunos, comente que, na próxima aula, você dará conti-nuidade à leitura dos próximos capítulos.
7- Leitura em capítulos do livro O leão
Ada-mastor
>
Organização do espaço: Na biblioteca/ sala de leitura com os alunos organizados em roda.>
Duração: Aproximadamente 40 minutos.>
Material: Livro O leão Adamastor.Inicie a aula retomando a leitura feita ante-riormente, dos primeiros capítulos; peça aos alu-nos que recuperem os principais acontecimen-tos da história e, se for necessário, releia o último parágrafo do capítulo 2 para dar continuidade à leitura dos dois próximos. É importante que a leitura em capítulos seja realizada em dias próxi-mos, evitando um grande intervalo para não tor-nar difícil a recuperação dos episódios.
Os capítulos 3 e 4 narram o plano de Ada-mastor de se comportar como um cachorro e sua adoção por um senhor chamado Antonico. Considere as orientações já dadas sobre a pre-paração necessária para que a leitura seja provei-tosa e promova avanços na formação do leitor literário. Antes de começar o capítulo 4, instigue os alunos a pensarem sobre o plano do leão e a antecipar o que vai acontecer: vai dar certo esse plano? O que pode dar errado? Vocês acharam um bom plano?
Continue a leitura do capítulo 4, retome as antecipações e compare com os acontecimentos narrados. Faça os alunos se colocarem no lugar dos personagens:
>
Vocês teriam desconfiado que o cachor-ro era na verdade um leão? Por que será que ninguém percebeu?>
O que vocês acham que vai acontecercom Adamastor?
Podemos novamente retomar a questão do humor discutida antes pedindo aos alunos que destaquem um trecho que acharam engra-çado ou no qual houve algo que consideraram desconcertante. O diálogo entre o guarda e o senhor que procurava um cão para adotar pode ser um exemplo:
— Pegamos um hoje que vai servir feito
uma luva para o senhor — disse o
guar-da, coçando o queixo.
O velho examinou o céu.
— Feito uma chuva?
O funcionário sorriu.
— Chuva não. Eu disse luva.
— Uva?
— L-u-v-a! — gritou o guarda com as
mãos em concha.
— Ah... viúva? Sim, sim — disse o velho
puxando um enorme lenço vermelho e
limpando uma lágrima. — Ela morreu
há quase três anos. — Depois, sorriu:
— Outro dia, comecei a namorar uma
viúva...
(p. 25).
Novamente comunique aos alunos que, na próxima aula, você continuará a leitura dos dois últimos capítulos.
8- Leitura em capítulos do livro O leão
Ada-mastor
>
Organização do espaço: Na biblioteca/ sala de leitura com os alunos organizados em roda.>
Duração: Aproximadamente 40 minutos.>
Material: Livro O leão Adamastor.Esta aula tem como propósito a leitura dos capítulos finais. Retome com os alunos os prin-cipais acontecimentos anteriores que ajudam a dar continuidade para a narrativa e faça a leitura. Quando chegar ao trecho a seguir, no capítulo 6, pare e pergunte:
Adamastor começou a sentir uma coisa
estranha dentro do peito. E vieram uns
arrepios fora de hora. Será que estava
fi-cando doente?
O jipe continuava penetrando no
mata-gal. Vez por outra, acontecia um barulho
inesperado. Coisa esquisita! Às vezes,
parecia até um guincho de elefante, uma
risada de hiena ou ainda o galopar do
antílope! Adamastor não estava
enten-dendo nada. (p. 43).
>
O que está acontecendo aqui? Onde vo-cês acham que ele está? Por que pensam assim?>
Adamastor começou a sentir algumas coi-sas diferentes. Vocês acham que eles está mesmo doente? Por que será que ele está se sentindo assim?Depois dessa discussão, que precisa ser bre-ve, o objetivo é fazer os alunos pensarem sobre o enredo e fazerem algumas antecipações de possíveis acontecimentos. Retome a leitura até o final do capítulo.
Proponha uma conversa em que os alunos destaquem as impressões: o que mais marcou nessa experiência de leitura? Proponha também algo focado na linguagem, como a presença de humor que estamos discutindo em cada capí-tulo. No capítulo 5, há um trecho que pode ser alvo de análise:
[...] Em menos de um mês, nosso
gulo-so bichano já havia engordado cerca de
vinte e sete quilos e oitocentos e trinta e
cinco gramas.
(p. 31).Como no exemplo do capítulo 2, em que a hora em que o leão acordou foi escrita detalha-damente, incluindo os minutos e o período do dia, aqui o autor descreve o peso considerando até o grama. O enorme número intensifica o efei-to pretendido pelo auefei-tor, de ampliar a dimensão de quanto o bicho engordou.
No capítulo 6, há também um recurso inte-ressante: a repetição de palavras, que busca in-tensificar o sentimento do personagem:
Nas tristes noites de insônia, rolava na
triste cama, pensativo e triste.
(p. 37).>
Por que há a repetição da palavra "triste" em uma frase tão curta? O que essa re-petição provoca no leitor?Acolha as respostas dos alunos e ajude-os a notar que as noites são tristes, a cama é triste e ele, o leão, também. Como a cama e a noite po-dem ser tristes? Discuta sobre a personificação,
uma figura de linguagem muito utilizada em tex-tos literários, capaz de atribuir vida a seres inani-mados. Não é necessário explicar conceitualmen-te para os alunos, mas questionar e colocar em discussão o que pensam sobre essa forma de o autor escrever.
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Vimos que Adamastor mostrou suas for-ças de leão para defender as pessoas de um elefante. Você teria desconfiado dele? Por que será que ninguém descon-fiou de sua verdadeira identidade? Para a próxima aula, peça aos alunos que ex-plorem o site do autor e leiam a biografia dele.9- Leitura de um poema e sistematização das
discussões a respeito da vida e da obra de Ricardo Azevedo
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Organização do espaço: Na sala de aula, com os alunos organizados em duplas, de modo que consigam ver a lousa.>
Duração: Aproximadamente 50 minutos.>
Materiais: Livros Se eu fosse aquilo; Aulade carnaval e outros poemas, O leão Ada-mastor; um computador e um projetor.
Esta aula tem o propósito de sistematizar as discussões em torno das obras lidas e das ob-servações feitas sobre o autor Ricardo Azevedo. É importante ressaltar que vamos construir uma ideia do estilo do autor apoiados em uma par-te de sua obra e que podemos nos deparar com outras características, estilos, temáticas a partir da leitura de outros títulos.
Não deixe de iniciar a aula com uma leitura. Escolha um poema que ainda não tenha estuda-do e leia para os alunos. Faça a apreciação dei-xando-os comentarem, permita a eles que sejam os protagonistas, que tragam para a roda as im-pressões da leitura.
Em seguida, retome coletivamente o que mais o grupo destacou das obras lidas, quais co-mentários os alunos foram fazendo; peça a parti-cipação deles para lembrarem o que observaram das histórias, dos poemas lidos. Além disso, peça aos alunos que compartilhem o que descobriram no site do autor ou informações que já sabiam sobre ele e que consideram interessantes. Eles podem destacar dados da vida e da obra con-siderando essa leitura e também as que foram feitas sobre o autor nos próprios livros lidos.
Depois de ouvi-los, pergunte o que é mais importante e o que precisa ser registrado para
sistematizar as descobertas sobre Ricardo Aze-vedo. Decidam juntos o que não pode faltar nesse registro e peça a eles que ditem para você escrever em um cartaz. Retome o que já anota-ram sobre o autor ao longo das aulas; avaliem se é necessário fazer alguma alteração e inclua novos apontamentos que merecem ser desta-cados, tais como:
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Ricardo Azevedo é escritor, ilustrador e pesquisador da cultura popular. Vale destacar o fato de estudar as relações da literatura com a cultura popular e outras temáticas ligadas aos livros.>
O autor apresenta uma vasta obra, tendo publicado mais de 100 livros para crian-ças e jovens.>
Há uma temática recorrente nas obras de Ricardo Azevedo – a da cultura popular. Ela está presente nas quadrinhas, nas adivinhas, nos contos populares, nos po-emas de carnaval.>
Há forte presença de humor em suas his-tórias, como foi destacado em todos os seus livros lidos.>
As obras do autor mostram uma diversi-dade de estilo e formato; lemos desde um livro em capítulo, como O leão Adamastor, até livros que apresentavam apenas poe-mas, Aula de carnaval e outros poepoe-mas, e outros com uma diversidade de gêneros (quadrinhas, contos, adivinhas), como é o caso de Se eu fosse aquilo.Esse registro pode ficar por um tempo no mural da sala de aula e também no caderno do aluno para servir de memória das leituras reali-zadas e do processo de discussão a respeito de Ricardo Azevedo.
10- Fechamento da sequência
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Organização do espaço: Sala de aula ou espaço aberto, aconchegante e calmo para conversarem em roda.>
Duração: Aproximadamente 30 minutos.>
Materiais: Livros Se eu fosse aquilo; Aulade carnaval e outros poemas e O leão Adamastor.
Para fazer o fechamento da sequência, pro-ponha uma roda de conversa sobre as obras li-das. Pergunte aos alunos:
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O que mais chamou a atenção de vocês em relação às obras lidas?>
Qual vocês preferiram? Por que escolhe-ram essa obra?>
Vocês indicariam Ricardo Azevedo para outros colegas da escola? O que desta-cariam da vida ou da obra do autor para eles?>
Teve algo que leram e de que não gosta-ram? Por quê?Ao falar sobre as preferências, destaques das obras e da vida do autor que descobriram, estamos consolidando uma comunidade de lei-tores, aquela que interpreta e cria parâmetros para validar a compreensão leitora; aquela que tem preferências e comenta sobre o lido. Além disso, desenvolvemos certos comportamentos leitores típicos dessas situações, como escolher e justificar suas preferências, ouvir os comentários dos colegas e opinar sobre eles.
Daniel Pennac, em Como um romance, res-salta que os leitores têm alguns direitos, entre eles o de não gostar do livro lido. Para construir uma preferência leitora, é necessário que o leitor construa elementos para saber o que aprecia ou não; isso vale para autores e seus estilos de escri-ta e escri-também para os gêneros literários.
Para terminar, retome os propósitos da se-quência destacando alguns objetivos. Sugerimos que a conversa em relação aos comportamentos leitores instigue os alunos a se autoavaliarem em relação à participação de cada um nas conversas, principalmente se eles se expressam colocando para todos a posição pessoal, os interesses e as preferências, e se conseguem opinar e escutar a opinião dos colegas. É preciso que cada vez mais os alunos aprendam a ouvir o que o outro diz e que comecem a se posicionar diante da fala do outro, a tecer comentários com base no que foi dito.
Depois de os alunos tecerem os comentá-rios deles, coloque sua opinião, destacando os avanços do grupo e o que ainda precisam me-lhorar nas próximas situações de leitura.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Aces-so em: 13 jul. 2020.
COLOMER, Teresa. Andar entre livros, a leitura literária na escola. São Paulo: Global, 2007.
MEDRANO, Sandra Mayumi Murakami. A constituição de uma comunidade de leitores na escola. Revista Emília, 14 de ago. 2017. Disponível em: https://revistaemilia.com.br/a-constituicao-de-uma--comunidade-de-leitores-na-escola/. Acesso em: em 13 jul. 2020.