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ESTADO DO PIAUÍ CONTROLADORIA-GERAL DO ESTADO

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Academic year: 2021

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PARECER: 31 / 2009

ASSUNTO: PREVISÃO OU NÃO DE INCIDÊNCIA E RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA E DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM REMUNERAÇÕES POR “JETON” AUFERIDAS POR MEMBROS DA JARI DA SETRANS.

ÓRGÃO INTERESSADO: SECRETARIA DE TRANSPORTES- SETRANS

1-RELATÓRIO

Trata-se consulta feita pela Secretaria de Transportes- SETRANS, em nome da Diretora Administrativa e Financeira, através do Ofício DIRAF nº 136/09 para nossa manifestação acerca da obrigatoriedade de retenção de Imposto de Renda na Fonte-IRRF-, bem como da incidência das contribuições previdenciárias, em remunerações por “jeton” , auferidas por membros da Junta Administrativa de Recursos Infracionais-JARI da Secretaria dos Transportes- SETRANS/PI.

Neste estudo, buscamos abordar todos os questionamentos, objetivando o respaldo da Administração Pública relativamente à matéria.

É o Relatório.

2- FUNDAMENTAÇÃO

A Junta Administrativa de Recursos Infracionais-JARI da Secretaria dos Transportes- SETRANS/PI, tem seu Regimento Interno regulamentado através do Decreto Estadual 13.414, de 04 de dezembro de 2008. Constitui-se em órgão colegiado da Administração Pública, sendo temporária a atuação de seus integrantes, que têm peculiar forma de investidura. Esses colegiados exercem uma função claramente de natureza decisória, previstas no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503, de 23 de setembro de 1997), em seu art. 16, com competências fixadas no art. 17 da mesma Lei.

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Sua composição está prevista no art. 2º do supracitado Decreto, in verbis: Art. 2º A JARI, órgão colegiado compor-se-á de 3 (três) membros efetivos, da seguinte forma:

1. um integrante com conhecimento na área de trânsito com, no mínimo, nível médio de escolaridade.

2. um membro da SETRANS-Pi (Secretaria de Transportes do Estado do Piauí). 3. um membro do SINEONIBUS (Sindicato das Empresas de Ônibus) ou um membro da COMITAP (Cooperativa Mista de Transporte Alternativo de Passageiro do Piauí), ou um membro do Sindicato dos Rodoviários;

Assim, o colegiado da JARI é composto tanto por membro pertencente a categoria de agente público, em razão das atribuições do cargo ou função que ocupa no órgão de origem, bem como por membros que não são servidores públicos, mas que atuam em áreas afins com a finalidade da junta. Tal composição é, assim, concebida a partir do intercâmbio de recursos humanos como instrumental necessário à sua própria existência. Dessa forma, o interesse público justifica o deslocamento do agente de sua posição na origem para a presença nos dias de convocação para deliberação das matérias afeitas à sua finalidade.

A atuação da JARI pode ser caracterizada da forma como segue:

1) Atividade intermitente, que não se enquadra nos parâmetros de carga horária ou jornada laboral dos servidores ou empregados que mantêm vínculo profissional com os entes e órgãos da Administração Direta e Indireta;

2) Regulação por normas específicas vigentes na SETRANS, órgão a cuja estrutura está vinculado o colegiado;

3) Atuação temporária, limitada a períodos certos, correspondentes a mandatos, conforme previsto no art. 3º de seu Regimento Interno;

4) Remuneração pelo comparecimento a reuniões, sob a forma de “jeton”, com caráter condicionante ao comparecimento às sessões, conforme previsto no art. 25 de seu Regimento Interno;

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6) Compatibilidade entre essas atuações (no cargo, emprego ou função na origem e como membro do colegiado); por conseguinte, inocorrência da acumulação constitucionalmente vedada.

Passemos a analisar a repercussão previdenciária da remuneração paga aos membros de colegiados, avaliando, a seguir, duas possibilidades de vinculação laboral:

I ) Nos casos em que o agente público submetido a regime previdenciário próprio estiver autorizado à percepção de “jeton” por sua legislação de regência, esse não se inclui na base de cálculo da contribuição, conforme orientação do art. 5º, § 7º, IV da Lei Complementar nº 40 de 14 de julho de 2004. Nessas condições, o valor auferido pela participação nesses órgãos – “jeton” – se constitui, em nosso entendimento, gratificação por condição especial de trabalho prestado ao Poder Público a que o agente público está funcionalmente vinculado. Assim, ele permanece filiado apenas ao regime previdenciário próprio, isto é, ao regime instituído pelo ente político no exercício da competência definida pelo § 1º do art. 149 da Constituição.

II ) Nos casos em que o membro do colegiado não seja vinculado ao Regime Próprio de Previdência, deve-se observar a preceituação constante do atual § 13 do art. 40 da mesma Carta, ou seja, deve-se proceder à filiação e recolhimento ao Regime Geral de Previdência Social. Observe-se, também, a necessidade do recolhimento ao INSS da parte “patronal” adicionada do valor retido do contribuinte individual ( o membro, no caso).

Relativamente ao Imposto de Renda- IR, embora em algumas situações haja pretensão de caracterização do “jeton” como verba indenizatória, ou de representação, entendemos que ele possui natureza remuneratória, encontrando-se o seu recebimento sujeito ao Imposto de Renda. Sabe-se que a tal tributo federal aplicam-se todos os princípios constitucionais tributários, tais como: Princípio da Legalidade, Princípio da Irretroatividade, Princípio da Anterioridade e da Isonomia, além dos decorrentes expressamente do que dispõe o art. 153, § 2º,I, da Constituição Federal: da Generalidade, da Universalidade e da Progressividade.

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O Princípio da Generalidade nos ensina que este imposto incide sobre o somatório de todas as rendas ou proventos de qualquer natureza auferidos no período considerado, não sendo permitidos excluir da base de cálculo do imposto, quaisquer aumentos de riqueza ocorridos, salvo os expressamente previstos na lei. Não identificamos cabimento no ordenamento jurídico nacional matéria que contenha tal hipótese de exclusão da base de tributação do Imposto de renda sobre “jetons”.

Ademais, o Princípio da Universalidade aponta que o IR incide sobre a universalidade das rendas ou proventos de qualquer natureza, obtidos por quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, independentemente das fontes dos rendimentos e os meios empregados para obtê-los.

Para complementar, o Princípio da Isonomia estabelece que é vedado instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente e proíbe qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função exercida, independente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. Este princípio não admite nenhuma exceção.

Logo, não se pode conceber que determinadas pessoas ou categorias de pessoas tenham tratamento diferenciado com relação ao Imposto de Renda em função do cargo, do título do rendimento ou direito, não interessando se o rendimento é salário ou gratificação a qualquer título, “jeton” ou qualquer nome que venha a ser atribuído aos rendimentos, estando integralmente no campo de incidência do tributo.

O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000, de 26 de março de 1999), ou RIR/99, traz no artigo 620, abaixo transcrito, a fundamentação legal para a cobrança do Imposto de Renda:

Art. 620. Os rendimentos de que trata este Capítulo estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante aplicação de alíquotas progressivas, de acordo com as seguintes tabelas em Reais. (grifo nosso)

No ano-calendário de 2009, a tabela progressiva mensal a ser observada é a instituída pela Instrução Normativa RFB nº 896, de 29 de dezembro de 2008, que dispõe em seu art. 1º, abaixo transcrito:

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Art. 1º No ano-calendário de 2009, o imposto de renda a ser descontado na fonte sobre os rendimentos do trabalho assalariado, inclusive a gratificação natalina (13º salário), pagos por pessoas físicas ou jurídicas, bem como sobre os demais rendimentos recebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, pagos por pessoas jurídicas, será calculado mediante a utilização da seguinte tabela progressiva mensal: (grifo nosso)

Base de cálculo mensal em R$ Alíquota % Parcela a deduzir do

imposto em R$ Até 1.434,59 - - De 1.434,60 até 2.150,00 7,5 107,59 De 2.150,01 até 2.866,70 15,0 268,84 De 2.866,71 até 3.582,00 22,5 483,84 Acima de 3.582,00 27,5 662,94 3- CONCLUSÃO

Diante da ideias expostas, entendemos que as indagações formuladas relativamente à incidência de Imposto de Renda e contribuições previdenciárias, podem ser consolidadas da forma como segue abaixo:

a) Se o membro da JARI for servidor público do Estado, vinculado, portanto, a Regime Próprio de Previdência, NÃO se inclui o rendimento auferido por “jeton” na Base de Cálculo da contribuição previdenciária. b) Se o membro da JARI NÃO for servidor público, o rendimento auferido

por “jeton” deve ser tratado como contribuinte do Regime Geral da Previdência, sendo obrigatória a retenção relativa a sua parte; da mesma forma, o empregador tem obrigação “patronal”, somando àquela retida do membro da comissão, e recolhendo o total da contribuição previdenciária ao INSS.

c) Quanto ao Imposto de Renda, a orientação é de incidência do tributo,

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É o parecer, S.M.J..

Teresina, 8 de abril de 2009

INÁCIO HENRIQUE CARVALHO Auditor Governamental -OAB- 4951-PI

Visto: De acordo:

MARIA MILDES MIRANDA LEMOS WALTER DE SOUSA SETÚBAL

Referências

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