Fichamento: Karl Marx Teoria Geral do Estado

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Texto

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Fichamento: Karl Marx Teoria Geral do Estado

TÍTULO Marx, política e revolução.

AUTOR Wefford, Francisco C.

LOCAL E DATA DE EDIÇÃO

Coleção Clássicos da Política, volume II, organizada por Francisco C. Wefford. Editora Ática, São Paulo, 2001.

N°USP NOME COMPLETO E/D

11264173 Alana Aparecida Rufino de Souza D

10343029 Alexandre Ryoji Ito Ishikawa D

11289302 Henrique José Ferreira E

6802068 Jaqueline Costal dos Santos E

Tema discutido: O texto aborda vários temas problematizados nas obras de Karl Marx com o comentário de Wefford. O autor aborda o problema de interpretações determinísticas da obra de Marx bem como aponta outras leituras que se contrapõem às ideias de Marx. O tema principal discutido é a revolução e sua abordagem na atualidade, bem como a necessidade de uma leitura não dogmática para a visualização das transformações que ocorreram desde a formulação de suas obras.

Ideias centrais: Karl Marx nasceu em 1818 na Renânia, um domínio da Prússia, reino da Alemanha. À época, o país vivia sob forte influência do pensamento Hegeliano, do qual, Marx teria sido grande opositor e crítico por toda a vida. O autor censurava seu país de origem (viveu a maior parte de sua vida em Londres), que mesmo sob influência de Paris - a qual havia pouco passara pela Revolução Francesa, responsável por disseminar novos pensamentos e instituições por toda a Europa -, ainda vivia aprisionado a um passado feudal. Além de uma Alemanha antiquada, o cenário no qual Marx compôs suas obras era de uma Europa que, se bem que em forte agitação pelas grandes transformações pelas quais passava, voltava-se, ainda, para seu passado feudal. A própria França insistia em manter muitas de suas velhas características e, na Inglaterra, país mais avançado à época, a luta pelos direitos dos trabalhadores cabia ao movimento “cartista”. Foi nesta conjuntura de consolidação de um

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sistema político e econômico moderno que o pensador começou seus estudos, aprofundando-se em temas que vão do direito, filosofia e história à economia.

Em livros como ​A questão judaica e o ​Manifesto comunista​, vê-se a antecipação do pensamento maduro de Marx, o qual se preocupou fundamentalmente em analisar e criticar a economia capitalista, particularmente, em sua obra máxima ​O Capital​, de 1847. Tal obra foi considerada pelo autor como um “guia para a ação”, pensamento bem ilustrado numa de suas frases: “Até aqui os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; trata-se agora de transformá-lo”. Fica evidente, aqui, a personalidade revolucionária de Marx, que em 1848, aguardava, para o ano seguinte, uma insurreição “inevitável” da classe operária inglesa, a qual daria origem a uma guerra mundial. Para o filósofo Lukács, a noção da “atualidade da revolução” constitui “o núcleo da doutrina marxista” e também o ponto decisivo que o une a Lenin. Tal noção significa, segundo o filósofo, “tratar qualquer problema cotidiano particular em conexão direta com a totalidade histórico-social; considerá-las como momentos da emancipação do proletariado”.

Marx foi contemporâneo de uma Europa em convulsão. Espectador de uma série de revoluções como as de 1840 e de 1848, a Comuna de Paris, a qual instaurou o primeiro governo operário da história e, ainda, dos primórdios da Revolução Russa, pôde observar de perto uma série de transformações das quais a Europa foi palco e que teriam consequências fundamentais em toda política e economia do século XX.

Ao desenvolver seu pensamento, Marx alega que a velha sociedade (burguesia) está fadada “a se revolucionar incessantemente os instrumentos de produção e, por consequência todas as relações de produção e com isso todas as relações sociais”. E, como claramente explicita posteriormente, ao chegar a determinado momento, havendo um choque entre essas forças produtivas com o regime de produção, instaura assim condições propícias para revolução social, já que não há como esperar que ela viesse advir de em épocas de prosperidade geral. A burguesia acaba por estabelecer um ambiente favorável para sua própria destruição e cria seus próprios ‘coveiros’ que seria o proletariado. De mesmo modo que a revolução burguesa pôs fim a sociedade feudal, o proletariado está destinado a extinguir a burguesia, bem como suas instituições que são seus pilares fundamentais, a propriedade e a família. Não apenas a velha sociedade irá se dissipar, mas também o proletariado como consequência no curso da própria revolução, tendo em vista que as condições de permanência das classes sociais se submetem a existência divisão de uma classe instaurada pela burguesia,

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deste modo levaria, por conseguinte ao surgimento de uma nova sociedade desprovida de classes, denominada comunista.

Marx ainda jovem realiza uma análise da emancipação política realizada pela classe burguesa que ocorre durante a Revolução Francesa, constando pela a análise do processo histórico que foi um avanço quanto às relações de servidão presentes na sociedade feudal, mas não deixou de observar que ela representava o projeto da burguesia, ou seja, é a manutenção do Estado burguês. A emancipação política não cessou as contradições na sociedade, não produziu a liberdade e a igualdade efetiva entre homens e não eliminava a exploração do homem pelo homem, alcançando apenas a liberdade do Estado frente à religião. Já a perspectiva da revolução proletária envolve a visão de realizar, no plano social, uma igualdade que a revolução da burguesia só é capaz de realizar no plano das ilusões e da ideologia, nesse sentido, só a revolução do proletariado seria capaz de realizar a democracia, como conteúdo e como forma. A emancipação humana é o projeto a ser levada a fim de sanar as deficiências a que apresenta a emancipação política, o proletariado constitui um grupo verdadeiramente revolucionário e capaz de eliminar a exploração do homem pelo homem por meio de uma revolução social que extinguiria a sociedade dividida por classes.

Para Marx, não basta a classe operária tomar o Estado, é necessário destruir a própria máquina estatal. A confiança da utilização do Estado como um meio se baseou no fato do Estado moderno a burguesia ter conquistado a hegemonia exclusiva do poder político. Consequentemente, o primeiro passo para a revolução operária seria a “conquista da democracia”, ou seja, a elevação do proletariado como classe dominante. Se nas mãos da burguesia o Estado funciona para a preservação da propriedade privada e os interesses burgueses, nas mãos do proletariado serviria para a tomada dos instrumentos de produção da burguesia, centralizando os meios de produção. O desaparecimento do Estado então só é possível após um período dessa “ditadura do proletariado” que levaria o Estado a perder o seu caráter político.

Essa formulação pode ser encontrada no Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, onde a classe burguesa além de criar uma ordem política apta a dominar, centralizaram o poder entre eles, tornando a lei da classe dominante na vontade geral da nação.

Outra fonte para esse pensamento é a própria teoria econômica marxista em que o valor de algo seria o número de horas-trabalho necessário para criar o próprio objeto. A remuneração pelo trabalho seria então o número de horas-trabalho necessárias para garantir a

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sobrevivência do operário e o lucro do capitalista seria a exploração do trabalhador, fazendo este trabalhar mais horas que o necessário para sua subsistência. Essa exploração levaria a uma guerra entre o trabalhador e o capitalista.

Problemática enfrentada: ​A teoria de Karl Marx foi toda realizada ao longo do século XIX, porém é inegável a atualidade de alguns de pontos em pleno século XXI e a grande influência que exerce sobre diversos pensadores. Muito provavelmente, a questão mais discutida sobre sua teoria é a atualidade da revolução. Para o teórico, a revolução ocorreria no momento em que o proletariado assumisse o poder estatal e centralizasse o controle dos meios de produção, uma vez que a burguesia, na posição de classe dominante, não conseguiria assegurar a sobrevivência aos demais membros da sociedade. No entanto, nota-se que isso não se verifica na atualidade, pois o capitalismo atingiu um grau tão elevado de desenvolvimento que enxerga o proletariado não apenas como uma força produtiva, mas também como uma grande massa consumidora de seus produtos, dando a ele essas condições mínimas. Um exemplo disso é o aumento de salários e redução da jornada de trabalho que Henry Ford, dono da automobilística ​Ford​, realizou pensando justamente que seus trabalhadores também eram consumidores de seus produtos. Isso também ocorre na atualidade, pois diversas empresas dão aos seus funcionários vantagens na compra de produtos que eles mesmos vendem.

Outro ponto importante é a ausência de consciência de classe, um dos obstáculos da revolução. É impossível o acontecimento de uma revolução nos moldes da idealizada por Marx sem haver massa trabalhadora que tenha real consciência do quão é explorada e de que faz parte de um setor da sociedade que passa pelo mesmo. Isso é ainda mais visível no Brasil, país que teve mais de 300 anos de escravidão e que acabou por naturalizar em si a exploração de um indivíduo, como verificado em obras literárias como ​O Cortiço​, de Aluísio Azevedo. Além disso, a classe média, com o aumento de seu poder de compra nos anos 2000, não enxerga que é tão explorada quanto aqueles de classes inferiores e isso ocorre devido à alienação, um ponto importantíssimo da teoria de Marx que perdura até hoje. Por dominar a produção material, a burguesia também domina a produção intelectual, vendendo para as outras classes a ideia de que consumir certo produto ou ter determinado objeto faz do indivíduo um ser melhor perante a sociedade. Os demais setores dela (mas principalmente a classe média), dominados por esse espírito consumista, acreditam nessa ideia, não se reconhecendo enquanto classe e dificultando uma revolução nos moldes marxistas.

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Embora haja certas defasagens em sua teoria, como a atualidade da revolução, há outro ponto atual, além da alienação, que tem grande importância: a emancipação humana. Segundo Marx, esse é um conceito que abrange todas as questões das liberdades individuais, direitos políticos e sociais. Para ele, as revoluções burguesas realizaram esse feito apenas no campo das ideias, pois nunca foi concretizada. Diferentemente de John Locke, que acreditava que tais garantias sociais deveriam ser realizadas por cada um, não devendo o Estado intervir nesse assunto, Marx acreditava que a emancipação humana era uma das bases da revolução, pois seria o meio de eliminar as desigualdades. A falta de emancipação social permanece até hoje, uma vez que no Brasil, por exemplo, há milhões de pessoas sem acesso à saúde, à educação, à moradia, à segurança e a tantos outros direitos sociais e políticos que, apesar de serem garantidos pela Constituição Federal, não se concretizam. Assim, a luta por uma vida digna a todos permanece não só no Brasil, mas mundialmente, principalmente através dos Direitos Humanos. Com o neoliberalismo, essa luta se intensificou devido ao aumento das desigualdades, motivo pelo qual Weffort apostou em uma volta intensificada da ideologia marxista no início do século XXI. Isso realmente ocorreu, como verificado na América Latina no início dos anos 2000, momento em que houve uma “onda de esquerda”, chegando ao poder partidos com essa influência política.

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Referências

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