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A hipóxia na perda de peso

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Academic year: 2021

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A HIPÓXIA NA PERDA DE PESO

* Matheus Heidrich Cunha

Resumo:

A obesidade é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, hipertensão, alguns tipos de câncer e está vinculada a problemas psicossociais. A perda de peso superior a 5% ocasiona uma queda da glicemia em jejum, triglicerídeos, da pressão arterial da resistência à insulina e melhorar o perfil inflamatório. A Hipóxia pode aumentar a taxa metabólica basal além de influenciar nos hormônios da saciedade e da fome, podendo assim auxiliar na perda de peso. O presente estudo teve como objetivo verificar se o ambiente de hipóxia pode contribuir para a redução da gordura corporal, para isso foram encontrados 5 estudos realizados nos últimos 5 anos. Com base na leitura dos estudos podemos concluir que a hipóxia auxilia na perda de peso, embora um dos artigos não apresente esta redução no peso relacionada à hipóxia. Desta forma, mais artigos são necessários para o melhor entendimento sobre a hipóxia na perda de peso.

Abstract:

Obesity is an importante risk fator to cardiovascular diseas, diabetes mellitus II, hipertension, some types of câncer and some psicosocials psychosocial problems.the weight loss over 5% could decrease fasting blood glucose, triglycerides blood pressure, insulin resistance and improve the inflammatory profile. Hipoxy could increase the basal metabolic rate and influence the hormones of hunger and satiety being able to help in weight loss. The presente study want to verify if the hipoxy situation could be able to weight loss, to this was find 5 articles from the last 5 years. After Reading the articles we could conclude that hipoxy helps weight loss, although na article has shown that it is not possible. More articles are needing to the bestunderstanding about hipóxy and weight loss.

Palavras-chave: Hipóxia, Perda de peso, Obesidade.

______________________________

Artigo apresentado como trabalho de conclusão de curso de graduação da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel.

Orientadora: Isabela Casagrande Jeremias, Professora Doutora da Universidade do Sul de Santa Catarina. Tubarão, 2019.

Acadêmico Matheus Heidrich Cunha do curso Educação Física Bacharelado da Universidade do Sul de Santa Catarina. Endereço eletrônico: [email protected]

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1 Introdução

A obesidade pode ser definida como a doença do qual o excesso de gordura corporal que acumula ao ponto em que a saúde pode ser adversamente afetada (OMS, 2000). A medida mais útil, embora bruta para aferir e indicar a prevalência de obesidade, segundo a OMS (2000), é o Indicie de Massa Corporal (IMC). O individuo é classificado como obeso quando apresenta um IMC superior a 30 Kg/m² enquanto um indivíduo com sobrepeso esta acima de 25 Kg/m² (OMS, 2000).

A OMS (2000) indica que a obesidade é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, hipertensão, alguns tipos de câncer e que em muitos países industrializados, a obesidade está vinculada a problemas psicossociais.

Barbato e colaboradores (2006) demonstram que o emagrecimento de indivíduos com obesidade I resultou em uma diminuição da glicemia em jejum, triglicerídeos e da pressão arterial, afirmando assim que a perda de peso superior a 5% beneficia o perfil metabólico, neuroendócrino e hemodinâmico. Borges e colaboradores (2007) também apresentam que uma perda de peso superior a 5% está associada à diminuição da resistência a insulina e uma melhora no perfil inflamatório.

Powers e Howley (2014) definem perda de peso como um balanço calórico negativo, chamado de déficit calórico. Déficit calórico pode ser gerado de várias formas, tais como a partir somente de uma ingestão menor de calorias do que o individuo gasta durante suas atividades diárias, um aumento no gasto calórico a partir de atividade física, aeróbica ou anaeróbica, ou como veremos neste estudo, através da indução a hipóxia (POWER & HOWLEY, 2014).

Conforme Heinonen e colaboradores (2016, apud WEIR et al 2005) hipóxia é definida como “suprimento de oxigênio reduzido ou insuficiente causado pela redução da saturação de oxigênio do sangue arterial”, onde os autores continuam discorrendo que para compensar a falta de oxigênio, o metabolismo causa um ajuste no sistema cardiovascular para que os tecidos sejam supridos com a quantidade necessária de oxigênio. Para tal situação, Heinonen e colaboradores (2016) afirmam que é desencadeado um aumento na frequência cardíaca basal.

Lippl e colaboradores (2010) demonstram que os níveis hormonais da leptnia, vinculados à saciedade, tendem aumentar com a redução de oxigênio. Shukla e colaboradores (2005) também mostra que indivíduos adaptados a altas altitudes tem um elevado nível de leptina, mas que também é encontrado um nível elevado de outro hormônio, a grelina, que ao

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contrário da leptina, age na sensação de fome, mas que ainda assim existe uma diminuição na ingestão energética.

Além dos fatores anteriores, Lippl e colaboradores (2010) constatou que a taxa metabólica basal aumentou em 20 indivíduos que passaram 1 semana em uma altitude de 2650 metros (ambiente de hipóxia), e que a mesma taxa voltou a normalizar 35 dias depois de terem voltado a sua cidade.

Desta forma, surgiu a necessidade de verificar se a hipóxia auxilia na redução da gordura corporal.

2 Objetivo Geral

O objetivo deste estudo foi verificar se a hipóxia auxilia na redução da gordura corporal.

3 Metodologia

O presente estudo é uma revisão narrativa de caráter explicativo, já que estará embasado em estudos anteriores. Para tal, será utilizadas as bases de dados da Pubmed para a pesquisa de artigos em língua inglesa, com as descrições: “Hipóxy and obesity” e “hipoxy and weight lost”.

Após as buscas dos dados foram encontrados 321 artigos para a descrição “Hipóxy and obesity” e 70 artigos para “hipoxy and weight lost”. Logo após os resumos foram lidos e selecionados os artigos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão.

Os critérios de inclusão foram: artigos dos últimos 5 anos, já os critérios de exclusão foram: artigos associados à apneia do sono, artigos relacionados a doenças e em animais.

Desta forma, foram selecionados 3 artigos com a descrição “Hipoxy and obesity” e 3 artigos para “hipoxy and weight lost”, sendo que repetiu-se 1 artigo nos termos, totalizando 5 artigos, como podemos observar na Tabela 1.

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Tabela 1. Artigos encontrados e selecionados.

Termo Número de artigos

encontrados

Número de artigos selecionados

“Hipoxy and obesity” 321 3

“Hipoxy and weight lost” 70 3

TOTAL 391 5

4. Resultados

Foram pesquisados artigos na base de dados da Pubmed com os termos: “Hipoxy and obesity” e “hipoxy and weight lost” dos últimos 5 anos, sendo excluídos artigos vinculados a apnéia do sono, indivíduos doentes e estudos animais. Foram encontrados ao todo 5 artigos cujo títulos, autores e ano de publicação estão descritos na Tabela 2.

Quanto a intervenção de 12 semanas em 24 idosos (65-70 anos) coreanos de Park e colaboradores (2019), que foram divididos em 2 grupos de 12 que se diferenciaram apenas no momento do treinamento onde um grupo treinava em altitude simulada de 3000 metro enquanto o outro trinava a nível do mar, ambos os grupos perderam peso sendo o grupo que treinou em altitude perdeu 2,42kg a mais que o grupo que treinou a nível do mar. Os dois grupos ganharam massa muscular, tendo o grupo de altitude simulada ganho 1,03 kg a mais. Quanto ao percentual de gordura novamente os grupos obtiveram uma perda, tendo o grupo da altitude simulada perdido 3,53% a mais.

Yang e colaboradores (2018) desenvolveram um estudo de 4 semanas com um grupo de 35 adolescentes divididos em dois grupos. Ambos os grupos treinavam em baixa altitude, mas um passou as quatro semanas em baixa altitude enquanto o outro foi levado a uma alta altitude. Neste estudo, ambos os grupos perderam peso, mas o grupo que passou as quatro semanas na altitude perdeu 1,6kg a mais que o grupo que ficou a nível do mar. Ambos os grupos perderam massa muscular com uma maior perda do grupo que ficou em altitude perdeu 0.6kg a mais de músculo. Também houve perda de gordura em ambos os grupos, sendo 0,4 kg maior no grupo que permaneceu em altitude. Todos estes dados resultaram em uma diminuição do IMC em ambos os grupos, mas enquanto o grupo a nível do mar reduziu seu IMC em 2,7 kg/m² o grupo que esteve em altitude diminuiu 3,1kg/m².

O estudo de Karl e colaboradores (2018) foi realizado em um grupo de 21 homens com idade entre 18 e 42 anos, divididos em 2 grupos, que se diferenciaram apenas pela dieta que, em um grupo era uma dieta chamada padrão, enquanto a outra era uma dieta proteica.

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Ademais, ambos os grupos obtiveram a mesma intervenção quanto ao treinamento e a estadia no nível do mar e em altitude, onde os dois grupos passaram 21 dias no nível do mar e, posteriormente, 22 dias em uma altitude de 4300 metros. Ambos os grupos perderam peso sendo que o grupo da dieta padrão teve uma perda de 0,2kg maior. Os dois grupos tiveram uma perda de massa muscular, onde o grupo de dieta padrão perdeu 0,8 kg a mais que o grupo de dieta proteica. A insulina diminuiu em ambos os grupo enquanto a leptina aumentou nos dois.

Tabela 2. Artigos selecionados.

TÍTULO AUTORES ANO DE

PUBLICÃO Twelve weeks of exercise

modality in hypoxia enhances health-related function in obese older Korean men: A randomized controlled trial

Hun-Young Park, Won-Sang Jung, Jisu Kim and Kiwon Lim

2019

Living High-Training Low improved weight loss and Glucagon-like peptide-1 level

in 4 week weight loss program in adolescents with

obesity: a pilot study

Qin Yang, Guoyuan Huang, Qianqian Tian, Wei Liu, Xiangdong Sun, Na Li, Shunli

Sun, Tang Zhou, Nana Wu, Yuqin Wei, Peijie Chen, Ru

Wang.

2018

Appetite Suppression and Altered Food Preferences Coincide with Changes in

Appetite-Mediating Hormones During Energy Deficit at High Altitude, But Are Not Affected by Protein

Intake.

J. Philip Karl, Renee E. Cole, Claire E. Berryman, Graham Finlayson, Patrick N. Radcliffe, Matthew T. Kominsky,1 Nancy E. Murphy,1 John W. Carbone, Jennifer C. Rood, Andrew J. Young and Stefan M. Pasiakos

2018

Living at Higher Altitude and Incidence of

Overweight/Obesity: Prospective Analysis of the

SUN Cohort

Jesus Diaz Gutierrez; Miguel Angel; Martinz Gonzalez; Juan

José Pons; Izquierdo; Pedro González; Muniesa; J. Alfredo Martínez;Maíra Bes-Rastrollo;

2016

Normobaric Intermittent Hypoxia over 8 Months Does Not Reduce Body Weight and

Metabolic Risk Factors--a Randomized, Single Blind, Placebo-Controlled Study in

Normobaric Hypoxia and Normobaric Sham Hypoxia.

Hannes Gatterer, Sven Haacke, Martin Burtscher, Martin Faulhaber Andreas Melmer

Christoph Ebenbichler Kingman P. Strohl Josef Högel

e Nikolaus C. Netzer

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Gutierrez e colaboradores (2016) fizeram um estudo de coorte na Espanha verificando a incidência de sobrepeso e obesidade em 3 faixas de altitude, sendo elas de 0 a 122 metros a primeira, de 123 a 456 a segunda e de 457 a 2329 a terceira faixa, obtendo um IMC de 21,99kg/m²; 21,86kg/m² e 21,85kg/m² respectivamente. Neste estudo os autores concluíram que residentes de altas altitudes tem uma relação inversa de desenvolver sobrepeso e obesidade, ou seja, quanto mais alto a residência, menor o risco de ficar obeso.

No experimento com duração de 8 meses de Gatterer e colaboradores (2015), 32 obesos com média de idade de 50,3 anos, foram divididas em grupo de hipóxia (altitude) e normoxia (nível do mar ou controle). Ao longo de 8 meses os grupo perderam peso, tendo o grupo que ficou em altitude perdido 3,3 kg e o grupo controle perdeu 2,9kg. Ambos os grupos ganharam 0,4 kg de massa muscular. Quanto ao IMC, os dois grupos baixaram este parâmetro tendo o grupo de hipóxia baixado 1,2 kg/m² a mais que o grupo controle.

5. Discussão

Hipóxia é definida como suprimento de oxigênio reduzido ou insuficiente causado pela redução da saturação de oxigênio do sangue arterial. Diversos autores mostram que pode haver uma correlação entre a hipóxia e a redução de gordura corporal, desta forma neste artigo buscamos uma revisão para tal tema (LIPPL et al, 2010; SHUKLA et al, 2005).

Nos estudos de Yang e colaboradores (2018) e Park e colaboradores (2019) vimos que em ambientes de hipóxia, foi obtido uma maior perda de peso sendo que no estudo 1 os indivíduos que foram expostos a hipóxia tiveram uma perda de massa magra e o diminuição do IMC quando comparado aos grupo controle. Já no estudo de Park e colaboradores (2019) o grupo que treinou em altitude simulada, ganhou mais massa muscular e perdeu um maior percentual de gordura do que quem treinou em um ambiente a nível do mar.

Corroborando com os dados de uma maior perda de peso em maiores altitudes, temos o estudo de coorte realizado na Espanha por Gutierrez e colaboradores (2016), os autores afirmaram que a relação entre obesidade e a altitude residida é inversamente proporcional, ou seja, quanto mais alto reside o individuo, menor as chances dele se tornar obeso.

Quando a questão é dieta Karl e colaboradores (2018), que comparou uma dieta proteica com uma dieta padrão, nos apresentou uma maior perda de peso no grupo da dieta padrão. Mas o grupo da dieta proteica preservou mais sua massa magra tendo perdido menos que o grupo da dieta padrão.

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Entretanto, Gaterer e colaboradores (2015) mostrou que em um período superior a 8 meses não se obteve uma diferença significativa na perda de peso tendo pouca diferença entre ambos os grupos (grupo controle e grupo de hipóxia) na perda de peso e no IMC, não apresentando uma diferença significativa.

6. Conclusão

Desta forma, concluímos que a hipóxia auxilia na perda de peso, como mostrado na maioria dos artigos encontrados, porem um artigo não apresenta esta redução no peso relacionada a hipóxia. Desta forma mais artigos são necessários para o melhor entendimento sobre a hipóxia na redução de gordura corporal.

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REFERÊNCIAS

BARBATO, K.B.G. et al. Efeitos da Redução de Peso Superior a 5% nos Perfis

Hemodinâmico, Metabólico e Neuroendócrino de Obesos Grau I. Arquivos Brasileiros de

Cardiologia - Volume 87, Nº 1, Julho 2006.

BORGES, R.L. et al. Impacto da Perda de Peso nas Adipocitocinas, na Proteína

C-Reativa e na Sensibilidade à Insulina em Mulheres Hipertensas com Obesidade Centra.

Arq Bras Cardiol 2007; 89(6) : 409-414.

GATTERER, H. et al. Normobaric Intermittent Hypoxia over 8 Months Does Not reduce

Body Weight and Metabolic Risk Factors – a Randomized, Single Blind, Placebo-Controlled Study in Normobaric Hypoxia and Normobaric Sham Hypoxia. Obes Facts

2015;8:200–209.

GUTIÉRREZ, J. D. et al. Living at Higher Altitude and Incidence of Overweight/Obesity:

Prospective Analysis of the SUN Cohort. Plos one, 2016.

Heinonen, I. H. A., Boushel, R. & KALLIOKOSKI, K. K. The circulatory and metabolic

responses to hypoxia in humans – with special reference to adipose tissue physiology and obesity. Frontiers in Endocrinology, 08/2016. Volume 7. Artigo 116.

KARL, J.P. et al. Appetite Suppression and Altered Food Preferences Coincide with

Changes in Appetite-Mediating Hormones During Energy Deficit at High Altitude, But Are Not Affected by Protein Intake. High altitude medicine & biology, 2018.

LIPPL, F.J. et al.: Hypobaric hypoxia causes body weight reduction in obese subjects.

Obesity (Silver Spring). 04/2010. 675-681.

OMS. Obesity: preventing and managing the global epidemic. 2000, disponível em: < https://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en/>. Acesso em 03 de jun. de 2019 as 23:22.

PARK, H.Y. et al. Twelve weeks of exercise modality in hypoxia enhances health-related

function in obese older Korean men: A randomized controlled trial. Japan geriatric

society, 2019.

POWERS, S.K.& HOWLEY.E.T. Fisiologia do exercício. 8ª edição. Editora Manole LTDA. 2014.

SHUKLA, V. et al. Ghrelin and leptin levels of sojourners and acclimatized lowlanders at

igh altitude. Nutrition Neuroscince 08/2005:161–165.

YANG, Q. et al. “Living High-Training Low” improved weight loss and glucagon-like

peptide-1 level in a 4-week weight loss program in adolescents with obesity. Medicine,

Referências

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