Rolêween
anima
o Dia das
Bruxas
Balada para marcar a noite antecipada do Halloween na
Ilha acontece neste sábado com DJs, open bar e concurso
de fantasias, além de muita diversão.IMPAR
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Ano XCI Nº 35.154 | SÃO LUÍS-MA | SEXTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2017 | CAPITAL E INTERIOR R$ 2,00 @OImparcialMA @imparcialonline @oimparcial 98 99188.8267
Reserva indígena em
chamas no Maranhão
O fogo voltou a atingir parte da Terra Indígena Arariboia, no sudoeste do Maranhão, onde vivem cerca de 12
mil indígenas. O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais está com 40 brigadistas no
local, que já perdeu 43 mil dos 413 mil hectares de vegetação, desde agosto, por conta dos incêndios.
GERAL
Fogo e destruição
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ANOTE
A nova “Tour Brasil Double You 2017 - Atração Internacional” chega a São Luís dia 18 de novembro, no Espaço Renascença, com uma balada de flashback anos 1990. NEDILSON MACHADO33º
máx24º
minTÁBUAS DE MARÉS COTAÇÕES
PREVISÃO DO TEMPO MARÉ BAIXA 00h58 ...0,4m 13h09...0,7m MARÉ ALTA 06h58 ...5,7m 19h19 ...5,7m DÓLAR cotado em R$ 3,17 EURO cotado em R$ 3,755 +0,34% +0,39%
Sol com algumas nuvens. Não chove.
FUTEBOL
Papão
em busca
de novos
talentos
Moto inicia série de amistosos no interior e aproveita para
observar jovens jogadores que pretendam ser testados
nas divisões de base, com possibilidades de subir para
os profissionais. ESPORTES
FORA DA ELEIÇÃO
JUROS ...
A Selic
diminuiu
O que é Selic? o
que muda para
o consumidor?
O Copom anunciou o
corte da Selic de 8,25%
para 7,5% ao ano. Veja
os impactos positivos
e negativos que essa
mudança gera.
PÁGINA TRÊSBateu o carro? Chama o Juizado !
Ocorrências de acidentes sem vítimas podem ser resolvidas solicitando o serviço móvel do Juizado de Trânsito. Pelo menos
250 ações envolvendo acidentes de trânsito são recebidas mensalmente. Veja como utilizar este serviço que pode evitar
muita dor de cabeça e perda de tempo. VIDA
No reino
do encruzo
A pajelança
na Baixada
Maranhense
IMPARSem ônibus por três horas
Das 9h às 12h parados! Nesta sexta-feira, durante três horas, os transportes coletivosvão parar, no ponto em que estiverem. A informação é do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão e atingirá somente coletivos que circulam em São Luís. VIDA
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Ricardo Murad
perde direitos
políticos
POLÍTICA DIVULGAÇÃO DIVULGAÇÃO\BRUTALIDADE Pai dopa a filha de 16 anos para cometer estupro
VIDA
GERAL
www.oimparcial.com.brSão Luís, sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Chamas em
terras
indígenas do Maranhão
Responsável: Mivan GedeonE-mail: [email protected]
Parte da Terra Indígena Arariboia, onde vivem cerca de 12 mil indígenas, já perdeu
43 mil dos 413 mil hectares de vegetação, desde agosto, por conta dos incêndios
INDÍGENAS
A reportagem não conseguiu fazer contato com líderes indígenas locais, como Fred Guajajara. Na Europa, onde participa de vários eventos para denunciar o que classifica de “violações aos direitos humanos dos povos originários brasileiros”, a líder Sônia Guajajara usou as redes sociais para cobrar proteção do Poder Público. “Este é o terceiro ano consecutivo que o incêndio devora nossa terra, nossas matas. Como não continuar cobrando, denunciando e exigindo a proteção e o respeito à nossa Terra?”, escreveu Sônia, contrariando o coordenador do Ibama, ao alegar que o fogo é causado por pressão do agronegócio, já que a terra indígena é cercada por áreas de plantio de larga escala.
Incêndios provocados por ações dos índios
De acordo com o coordenador do PrevFogo, parte dos incêndios no interior da terra indígena é provocada por ações dos próprios índios. “O Ibama faz um trabalho para conscientizar os índios sobre a importância de evitar o uso do fogo [na agricultura]. Ou, se o usarem, que o façam de forma controlada, construindo aceiros [faixa livre de vegetação, onde o solo fica descoberto]”, explicou Zacharias. Ele disse que, além de ajudarem voluntariamente a fiscalizar o extenso território, há, entre os índios, guajajaras contratados como brigadistas, para combater o fogo. Além disso, lembrou Zacharias, as leis brasileiras permitem aos índios atear fogo em suas roças e que, muitas vezes, o emprego do fogo no plantio está ligado a tradições culturais.
“É importante destacar que os índios do país inteiro estavam acostumados a um ambiente em que o fogo se extinguia na própria floresta. As mudanças climáticas e a perda de vegetação vêm interferindo no controle que os povos tinham sobre essa prática. Talvez, isso os obrigue a rever tal forma de agir, mas é algo complexo, pois, entre determinados povos, o uso do fogo é um padrão cultural, muitas vezes associado a práticas religiosas ou elementos culturais”, destacou Zacharias.
RECONHECIMENTO
Jornalistas recebem
prêmio de Honra ao Mérito
O
fogo voltou a atingir parte da Terra Indíge-na Arariboia, no su-doeste do Maranhão, onde vivem cerca de 12 mil indígenas. O Centro Nacio-nal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais está com 40 brigadistas no local, que já perdeu 43 mil dos 413 mil hectares de vegetação, desde agosto, por conta dos incêndios.Localizada em uma área de transição do Cerrado para a Floresta Amazônica, extrema-mente vulnerável a incêndios, a reserva de 413 mil hectares vem registrando focos de in-cêndios quase diários ao longo dos últimos meses. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), cerca de 12 mil in-dígenas das etnias Guajajara e Awá-Guajá vivem na área, muitos em situação de isola-mento voluntário.
Segundo o coordenador do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Flo-restais (PrevFogo), Gabriel Za-charias, as chamas dos últimos dias preocupam as autorida-des ambientais, que já avaliam a necessidade de uma aero-nave sobrevoar a área para se certificar da real dimensão do problema. O monitoramento por satélite dos focos de calor indica que algumas informa-ções preliminares fornecidas ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Na-turais Renováveis (Ibama) ou que correm boca a boca são exageradas.
“Faz dois ou três dias, a Ter-ra Indígena ATer-rariboia voltou a ter uma linha de fogo que os brigadistas já estão comba-tendo. Estamos com 40 pes-soas na área, mas é importan-te esclarecer que, nos últimos meses, não houve um só mo-mento em que não houvesse um incêndio florestal no in-terior da terra indígena”, dis-se Zacharias. “Os brigadistas estão combatendo a linha de fogo. Se a chuva demorar, ain-da pode surgir outra linha que iremos combatendo até que
MARLA BATALHA
Para atualizar quem está começando e valorizar o tra-balho de quem já está no mer-cado, a Faculdade Estácio São Luís promoveu, na úl-tima quarta-feira, a 4ª Jorna-lística, incentivando a troca de experiências entre profis-sionais e acadêmicos. Além de discutir as transformações ocorridas no Jornalismo, da migração de plataformas im-pressas para o universo di-gital, o evento premiou jor-nalistas que historicamente têm contribuído para o de-senvolvimento e qualidade do Jornalismo Maranhense.
Do Grupo O Imparcial, Pe-dro Henrique Freire e Neres Pinto foram homenageados com a placa de condecora-ção “Honra ao Mérito de Jor-nalismo – Estácio São Luís”. Embora de épocas diferen-tes, ambos dedicam seus tra-balhos em atentar-se não só para as mudanças, como tam-bém para as necessidades de quem consome as notícias: a sociedade.
“Já são 47 anos e as coi-sas mudaram bastante. A co-meçar pelas ferramentas que eram usadas antigamente e as atuais. A tecnologia auxi-lia a forma de apurar, mas é preciso lutar muito para acompanhar e estar de acor-do com o que público, cada vez mais exigente, necessi-ta. Para mim, é uma honra compartilhar desta home-nagem com companheiros tão dedicados”, conta o jor-nalista Neres Pinto, que co-meçou, ainda no regime mi-litar, no rádio e migrou para o impresso.
Atualmente, Neres Pinto
é editor de Esportes do jor-nal O Imparcial, porém, tem uma vasta experiência no ra-diojornalismo. Já trabalhou como repórter e plantonis-ta esportivo em rádios como Educadora, Gurupy (Rádio São Luís), Ribamar (hoje Rá-dio Capital) e Mirante AM.
Dedicação á marca
Para o diretor de Negócios Digitais do Grupo O
Impar-cial, Pedro Henrique Freire, o reconhecimento faz par-te do trabalho e dedicação à marca de O Imparcial. “Eu me sinto muito honrado, mas eu não receberia esse prê-mio se não fosse um traba-lho de toda equipe que existe no O Imparcial hoje e existiu desde que eu comecei como repórter de esportes”. Pedro tem dedicado seu trabalho ao mercado digital e incorpo-ração de novas tecnologias e plataformas de negócio den-tro do Grupo O Imparcial.
Ao longo de 12 anos, ele acredita que sua principal ca-racterística é estar sempre se atualizando. “Mesmo que eu esteja com 60 anos, eu nunca quero perder a capacidade de me adaptar e transmitir isso para o trabalho que eu desenvolvo. A matemática, pra mim, é que quanto mais atualizado é um produto, com mais pessoas conseguirá se comunicar por mais tempo”, finaliza o jornalista.
Também receberam o prêmio de Honra ao Méri-to a direMéri-tora de jornalismo da TV Assembleia, Jaqueli-ne Heluy; o repórter especial da TV Mirante, Alex Barbosa; e Maira Schneider, diretora de jornalismo da TV Cidade. as chuvas se normalizem e os
incêndios cessem de vez.” Embora ainda não saiba precisar o alcance da atual li-nha de fogo, o coordenador do PrevFogo ressaltou que, com a seca, de agosto até hoje, pelo menos 43 mil hectares de ve-getação já foram destruídos pelas chamas. Um novo
levan-tamento deve ser divulgado no começo da próxima semana, mas, segundo Zacharias, até o momento, não há indícios de que o fogo tenha impactado os grupos indígenas que vivem isolados. “Conseguimos man-ter o incêndio o mais afastado possível das áreas onde vivem, circulam e caçam.”
As chamas dos últimos dias preocupam as autoridades ambientais, que avaliam a necessidade de uma aeronave sobrevoar a área para se certificar da real dimensão do problema
PAGINA TRES
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São Luís, sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Revisão das dívidas
O que é Taxa Selic ?
Como é definida?
Para que serve
Incentivo ao consumo
Fôlego na economia
Queda nos investimentos
E agora, onde investir?
O consumidor que tem dívidas de médio e longo prazo, como financiamentos de carro ou casa, pode buscar a reparação nos
contra-tos, que foram firmados sobre juros maiores. Esse é um bom momento para fazer a
porta-bilidade de dívidas e pagar menos juros.
A queda da Selic incentiva o consumo pois torna mais barata para o consumidor a tomada de empréstimos, como financiamentos, cartão de crédito, cheque especial etc.
A produção e o crescimento das empresas também são incentivados, tanto pelo estímulo ao consumo, quanto pela queda de juros para a tomada de créditos, que favorece o pagamento das dívidas.
Ponto negativo é que gran-de parte dos investimentos têm seu rendimento baseado na Selic, logo todos passarão a render
me-nos - com destaque para a pou-pança, que passa a render 5,25%
ao ano mais Taxa Referencial.
Com a mudança, o mo-mento é de análise aprofun-dada, pois investir apenas na linha que aparentemente tem a maior rentabilidade pode ser uma armadilha, levando até mesmo a prejuízos. Por mais que os núme-ros apontem investimentos a princípio mais vantajosos,
vá-rios fatores devem ser avalia-dos, como impostos e taxas, e
o principal critério deve ser o prazo para a realização do
so-nho: curto, médio ou longo.
Para a próxima
reunião, caso o
cenário básico
evolua conforme
esperado, e em razão
do estágio do ciclo de
flexibilização, o Comitê
vê, neste momento, como
adequada uma redução
moderada na magnitude
de flexibilização
monetária
Banco Central
A Taxa Selic é também conhecida como taxa básica de juros da economia bra-sileira. É a segunda menor taxa de ju-ros da economia brasileira (a menor é a TJLP) e serve de referência para a econo-mia brasileira. Ela é usada nos emprésti-mos feitos entre os bancos e também nas aplicações feitas por estas instituições bancárias em títulos públicos federais.
A Selic é definida a cada 45 dias pelo CO-POM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil).
Para definir o piso dos juros no país. É a partir da Selic que os bancos definem a remuneração de algumas aplicações fi-nanceiras feitas pelos clientes. A Selic também é usada como referência de juros para empréstimos e financiamentos. Vale ressaltar que a Taxa Selic não é a utilizada para empréstimos e financiamentos na ponta final (pessoas físicas e empresas). Os bancos tomam dinheiro emprestado pela Taxa Selic, porém ao emprestar para seus clientes a taxa de juros bancários é muito maior. Isto ocorre, pois os bancos embutem seu lucro, custos operacionais e riscos de não obter de volta o valor em-prestado.
7,25
Menor percentual histórico da Taxa Selic no Brasil
O que diz o Banco Central
Comparação
com outros
países
Com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil permaneceu no terceiro lugar no ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management. Com os juros básicos em 7,5% ao ano, a taxa real do Brasil soma 2,89% ao ano, atrás da Turquia e da Rússia, com juros reais de 4,61% ao ano e de 4,10% ao ano, respectivamente. Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 0,2% ao ano.
O Banco Central indicou, em nota divulgada nesta quarta, que deverá reduzir novamente o ritmo de corte dos juros na próxima reunião do Copom, marcada para o início de dezembro.
O Copom ressaltou ainda que o processo de “flexibilização” continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da
estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
O BC informou também que, considerando a previsão do mercado financeiro para juros e câmbio, suas estimativas de inflação estão em torno de 3,3% para 2017, de 4,3% para 2018 e 4,2% para 2019. Esse cenário do mercado, observou a autoridade monetária, supõe trajetória
de juros que encerra 2017 e 2018 em 7% e eleva-se para 8% ao longo de 2019. “O Comitê julga que o cenário básico para a inflação tem evoluído conforme o esperado. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação
subjacente em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”, concluiu.
Selic em
7,5%: o que
muda para o
consumidor?
O Copom anunciou o corte da Selic de 8,25% para 7,5% ao ano.
Veja os impactos positivos e negativos que essa mudança gera
P
ela nona vez seguida, o Banco Cen-tral (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Co-mitê de Política Monetária (Copom) reduziu na última quarta-feira (25) a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, de 8,25% ao ano para 7,5% ao ano. A decisão era es-perada pelos analistas financeiros.Com a redução, a Selic iguala-se ao ní-vel de maio de 2013, quando também es-tava em 7,5% ao ano. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom vol-tou a reduzir os juros básicos da economia. Em comunicado, o Copom informou que a conjuntura econômica prevê que os juros continuarão abaixo da taxa estrutural (juros necessários para segurar a inflação) por algum tempo. Segundo o BC, somente a aprovação das reformas estruturais poderá garantir a manutenção dos juros em níveis baixos por longo tempo.
Nas últimas quatro reuniões, o Copom reduziu a taxa em 1 ponto percentual. No encontro, o ritmo de corte caiu para 0,75 ponto. De acordo com o comunicado, a in-tensidade do corte pode cair ainda mais nas próximas reuniões. “Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme es-perado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momen-to, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária”, destacou o Banco Central.
A Selic é o principal instrumento do Ban-co Central para manter sob Ban-controle a infla-ção oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Se-gundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,16% em setembro, próximo da mínima histó-rica de 0,08% registrada em setembro do ano passado.
Nos 12 meses terminados em setem-bro, o IPCA acumula 2,54%, a menor taxa em 12 meses desde fevereiro de 1999. Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacio-nal (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pon-tos, podendo chegar a 6,5%. Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem fi-car abaixo de 3%.
A mudança gera impactos positivos e negativos, como a incentivo ao consumo e a queda da rentabilidade de grande parte dos investimentos.
Como as decisões são tomadas
A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de in-flação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para 2017 e para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%, com intervalo de tole-rância de dois pontos percentuais, de modo que o IPCA pode variar entre 3% e 6% nes-tes anos sem que a meta seja formalmente descumprida.
Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic na expectativa de o encarecimento do crédito frear o consumo e, com isso, a inflação cair. Essa medida, po-rém, afeta a economia e gera desemprego. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predetermina-das pelo CMN, o BC reduz os juros. É o que está acontecendo neste momento.
Confira em que essa queda na Selic im-pacta na vida dos brasileiros.
Responsável: George Raposo E-mail: [email protected]
Deputado relata
assédio de Temer
4
POLITICA
São Luís, sexta-feira, 27 de outubro de 2017
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O meu líder veio me perguntar se eu
tinha interesse em voltar os cargos.
Eu disse: nenhum. Eu não quero
porque, quando eu arrumo emprego
para um, dez ficam com raiva de
mim porque não coloquei os outros
César Halum, deputado federal
Deputado César Halum (PRB/TO) relata que recebeu uma abordagem do líder do seu partido,
Cleber Verde (MA), para votar a favor do presidente Michel Temer na segunda denúncia
Responsável: Mivan Gedeon E-mail: [email protected]
Temer ainda é alvo de inquérito no STF
CONTINUAÇÃO
BRASÍLIA -DF
Curtidas
Denise Rothenburg
O
líder do meu parti-do que me fez vá-rios apelos, veio per-guntando o que eu precisava”, diz o deputado César Halum (TO), relatando a abor-dagem do líder do PRB na Câ-mara, Cleber Verde (MA), para convencê-lo a mudar de ideia e votar a favor do presidente Mi-chel Temer na segunda denúncia. As ofertas foram além. Ha-lum diz que o líder de seu par-tido também questionou se o deputado não gostaria de re-aver os dois cargos que havia perdido nos Correios e na Se-cretaria da Pesca, após votar contra Temer na primeira de-núncia, por corrupção passiva. “O meu líder veio me per-guntar se eu tinha interesse em voltar os cargos. Eu disse: ne-nhum. Eu não quero porque, quando eu arrumo emprego para um, dez ficam com raiva de mim porque não coloquei os outros. Nunca fiz política achando que emprego que vai me dar voto”, afirma o deputado.Emendas
O deputado, um dos 251 que votaram contra o prosseguimen-to desta segunda denúncia, re-lata também ter sido sondado a respeito da liberação de emen-das. Assim como nos outros as-sédios, garante que recusou.
“Muita gente me procura-va [com] negócio de emenda: ‘Liberou emenda para você?’. Olha, para mim, escutei
mui-O presidente Michel Temer venceu a segunda batalha no Congresso para barrar o prosse-guimento de mais uma denún-cia oferecida pela Procurado-ria-Geral da República (PGR). Apesar disso, o peemedebista não está livre de esclarecimen-tos à Justiça. No Supremo Tri-bunal Federal (STF), Temer é investigado em um inquérito aberto e conduzido pelo mi-nistro Luís Roberto Barroso.
Além da frente de investi-gação aberta, o Planalto mo-nitora com atenção passos de
antigos aliados de Temer que estão presos - como o ex-pre-sidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-ministro Ged-del Vieira Lima. A apreensão de auxiliares do presidente é de que ambos partam para a delação premiada e, pressio-nados, mencionem Temer em relatos à PGR.
A investigação que persiste no Supremo apura corrupção e lavagem de dinheiro envol-vendo a edição do Decreto dos Portos neste ano, que mudou regras do sistema portuário.
“Foi criminoso”
A acusação é do deputado Sarney Filho, licenciado do cargo de ministro do Meio Ambiente apenas para votar a de-núncia em plenário. Referia-se ao incêndio que consome o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Zequinha Sarney foi informado que se fosse apenas um acidente teria parado nas áreas que são preparadas para evitar que o fogo se alastre como se alastrou. “Tudo indica que vem daqueles que não queriam a ampliação do parque. Vamos investigar”, diz ele.
Sonho de França
O acordo entre o governador Rodrigo Rollemberg e Ma-ria de Lourdes Abadia era a largada para uma grande cons-trução do vice-governador de São Paulo, Márcio França, no sentido de conquistar o apoio do PSDB à sua candidatura ao governo de São Paulo e juntar o PSB ao projeto de Geraldo Alckmin ao Planalto. Nem o PSDB do DF nem o de São Pau-lo topam. O PSB nacional também busca outros caminhos.
Por falar em PSDB...
Além do PSB, que tem nove deputados de saída — muitos rumo ao DEM —, o PSDB perderá parte expres-siva de sua bancada.
Sem sossego
Com o presidente Michel Temer no hospital, os mi-nistros praticamente abandonaram a conquista dos vo-tos. Assim, um deputado ligou para o presidente: “Cadê os ministros, que ainda não vieram para cá ajudar?”. Foi aí que alguns se mexeram e seguiram até a Câmara para ajudar na conquista do quórum.
Fiscal dos votos I/ O deputado Marcus Pestana (foto), do PSDB-MG, passou grande parte da votação sentado es-trategicamente na mesa próxima ao elevador da sala de café dos deputados. A todos que saíam, ele perguntava se já havia votado. Pestana, ao votar, jogou a denúncia no colo do PT, citando a afirmação da denúncia de Rodrigo Janot de que o esquema começou com Lula.
Fiscal dos votos II/ Assessores e líderes do governo acompanharam voto a voto, dentro do plenário, com a lista de parlamentares em mãos. Já no primeiro estado, o Rio Grande do Sul, esse grupo tomou um susto com o nú-mero de votos contrários ao presidente, maior do que os favoráveis, o que nunca aconteceu na primeira denúncia. Sempre eles.../ Yeda Crusius (PSDB-RS) perdeu a hora e não votou. Nilson Leitão, tucano e presidente da Fren-te Parlamentar da Agropecuária, quase sofre do mesmo problema. Ele conversava com o deputado Pedro Vilela (PSDB-AL) e, quando viu que a bancada de Mato Grosso do Sul estava votando, saiu correndo da sala de café em tempo de dizer um “sim” esbaforido no plenário.
Por falar em tucanos.../ O PSDB fez de tudo para tentar evitar que o partido saísse chamuscado da votação sobre a segunda denúncia contra o presidente. Porém, a maioria dos deputados, na hora de votar, dizia “voto com o relatório do PSDB, a favor de Michel Temer”.
Começa o jogo
Ao contrário do que esperava a equipe econômica do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fará um aquecimento da base aliada com medidas infraconstitucio-nais e, posteriormente, discutirá a reforma da Previdência.
O freio é fruto das reclamações da base aliada e avi-sos do tipo, “voto a favor do presidente na denúncia, mas não venha com reforma da Previdência”, dito por dezenas de deputados aos líderes partidários. Ou seja, diante de tanta confusão e do susto que o governo tomou no início da votação, com o placar favorável à denúncia, a ordem é deixar baixar a poeira. Até porque, Rodrigo Maia tem uma viagem internacional marcada para a semana que vem, e Michel Temer cuidará da saúde. A Casa só volta com força depois do feriadão de finados.
Em tempo: a votação de quarta-feira foi classificada por deputados aliados ao governo como a “mais cara da história”. A da Previdência, quando houver, será a única capaz de empatar em termos de preço.
to essa tratativa aí, comigo eu não tenho essa preocupação porque eu não fico procuran-do nada extraordinário. Tem a lei que diz que eu tenho as minhas emendas impositivas, então paga as minhas. Se não pagar, eu vou no STF [Supremo Tribunal Federal] e faço pagar. É lei, impositiva, né não?”, pon-dera o parlamentar.
Halum foi um dos três
de-putados que viraram a casaca a favor de Temer na denúncia por organização criminosa e obstrução de Justiça. Mas ele afirma que os motivos que o levaram a rejeitar a denúncia foram outros.
“Não fui no aspecto ‘ah, a denúncia não tem consistên-cia, tem, não tem’. Não olhei por este lado. Olhei, no momento agora, qual que era o mal
me-nor. Acho que meu voto define assim: eu votei pelo mal me-nor. Uma mudança agora seria uma mudança muito grande”, afirma o deputado de segun-do mandato. Para atrair votos a favor de Temer, houve pro-messa até de distribuição de ambulâncias. O presidente bar-rou esta segunda denúncia por 251 a 233.
Motivos
César Halum diz que os mo-tivos que o levaram a votar a favor de Temer vão da tentati-va de evitar “outra bagunça no país” ao apelo do agronegócio e empresários. “Não votei para proteger denunciado nem gen-te que praticou ato ilícito não. Nunca defendi nem vou defen-der. Quem tiver que pagar que vai pagar”, afirma o deputado por Tocantins, mas natural de Anápolis (GO).
Ele diz ter votado contra pri-meiro porque acredita que o STF não concluiria rapidamente o julgamento e Temer poderia retornar ao Palácio do Planalto em abril, a seis meses das elei-ções presidenciais.
“Era uma outra bagunça no país. Era uma mudança ago-ra e uma daqui a seis meses e isso realmente é muito ruim.” Outro fator que ele afirma ter levado em consideração é que o presidente da Câmara, Ro-drigo Maia (DEM-RJ), próximo na linha sucessória, também é alvo da Lava-Jato.
“
Temer é investigado por esse caso, assim como o ex-asses-sor Rodrigo Rocha Loures por supostamente atuarem em be-nefício da empresa Rodrimar, que opera no Porto de Santos.
O inquérito foi aberto pelo ex-procurador-geral da Repú-blica Rodrigo Janot, mas desde a troca no comando da PGR está nas mãos de Raquel Dod-ge. A procuradora-geral da Re-pública pediu ao Supremo dili-gências de investigação como o registro de doações feitas pela Rodrimar a Temer e ao PMDB nas últimas disputas eleitorais, além do depoimento do próprio presidente.
O STF expediu na última
se-gunda-feira (23) ofícios com a requisição das informações a autoridades que deverão res-ponder à Corte. Raquel deu 60 dias para a conclusão das inves-tigações pela polícia, o que faz com que o caso possa ser en-caminhado à PGR em dezem-bro. Caberá à procuradora-geral decidir depois das diligências necessárias se vai oferecer uma nova denúncia contra o presi-dente - seria a terceira acusação criminal contra Temer enviada à Corte neste ano.
O Planalto afirmou em nota, após o pedido de Raquel para ouvir o presidente, que Temer responderá aos questionamen-tos sobre o Decreto dos Porquestionamen-tos.
5
POLITICA
São Luís, sexta-feira, 27 de outubro de 2017
BASTIDORES
[email protected] Raimundo Borges
Não, não. Absolutamente. É
mentira. É mentira. Aliás, Vossa
Excelência normalmente não
trabalha com a verdade
Do ministro do STF Luís Roberto Barroso em bate-boca com o colega de toga, Gilmar Mendes, sobre prisões no Rio de Janeiro. Gilmar disse que Barroso, quando chegou ao STF, soltou José Dirceu, mesmo cumprindo a Constituição. Bar-roso rebateu, dizendo que Dirceu foi indultado por Dilma.
2
1
A ex-prefeita de BomJar-dim, Lidiane Leite, ganhou nova prisão, desta vez do-miciliar, semuso de torno-zeleira eletrônica. Enquan-to isso, o ex-mardido dela, Beto Rocha, permanece sol-to e serelepe, mesmo sen-do o único artífice de tosen-do o esquema que elegeu Li-diane em 2012 e a colocou na fogueira da corrupção.
Mesmo com discussão entre os deputados Edu-ardo Braide (PMN), pela oposição, e Bira do Pinda-ré (PSB), da base gover-nista, a Assembleia Le-gislativa do Maranhão aprovou ontem a auto-rização para o Executi-vo tomar empréstimo de US$ 35 milhões (mais de R$ 100 milhões), ao BID.
Autorizado empréstimo
de
R$ 100 milhões
Assembleia aprova projeto que autoriza o governo do estado a contratar empréstimo de
R$ 100 milhões. Objetivo é deixar gestão mais eficiente e facilitar vida de empresários
3
Responsável: Paulo de Tarso Jr. Email: [email protected]
ABUSO DE PODER
Justiça cassa direitos políticos de Ricardo
PAULO DE TARSO JR.
A
AssembleiaLegislati-va do Maranhão apro-vou o Projeto de Lei nº 262/2017, de autoria do Poder Executivo, na sessão ple-nária de ontem. O projeto visa à obtenção de recursos para a implantação do Projeto de Mo-dernização da Gestão Fiscal do Estado do Maranhão – Profis-co II, autorizando o governo do estado a contratar empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de U$ 35 milhões (cerca de R$ 100 milhões). A iniciati-va, segundo mensagem encami-nhada pelo governador Flávio Dino, visa à modernização da estrutura que gerencia receitas e despesas no estado.
O governo defende o projeto de lei e afirma que “com a ade-são ao Profisco II, o Maranhão terá um sistema mais eficien-te e vai facilitar a vida dos em-presários, além de aumentar o controle de gastos”. A platafor-ma já foi usada por quase todos os estados brasileiros, inclusive o Maranhão, em duas ocasiões anteriores a esta. A linha de cré-dito do BID também funciona em outros países, sendo reco-nhecida internacionalmente.
O objetivo do Profisco II é possibilitar ao Maranhão redu-zir, cada vez mais, a exigência de as empresas apresentarem as chamadas obrigações aces-sórias, que são documentos nos quais as empresas declaram as suas obrigações com o Fisco. Isso significa redução de gastos e tempo por parte das empresas. Com a documentação eletrô-nica, o processo fica mais ágil e com custos muito menores.
Para desencadear o Profisco
PAULO DE TARSO JR.
O ex-secretário de Saúde e ex-deputado Ricardo Murad teve os direitos políticos cas-sados por oito anos. A decisão foi tomada pela juíza Josane Araújo Farias, titular da 8ª Zona Eleitoral, da cidade de Coroa-tá. A magistrada entendeu que houve abuso de poder político por parte de Ricardo Murad em 2012. Na época, o então secre-tário de Saúde do estado teria utilizado o cargo que ocupava para “viabilizar convênios es-tatais para construção de po-ços artesianos no município de Coroatá em período eleitoral, quando sua esposa disputava o cargo de prefeito da cidade”. Em seu parecer, a juíza
ex-plica que “a Secretaria de Esta-do de Saúde contratou direta-mente serviços de implantação de sistemas simplificados de abastecimento de água para beneficiar alguns povoados de Coroatá”. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 4,1 mi-lhões para a implantação dos poços artesianos.
A magistrada afirmou que os atos praticados pelo ex-secre-tário de Sáude Ricardo Murad, em 2012, “configuram abuso de autoridade e foram realizados com o propósito de promover a campanha das investigadas”, no caso de Teresa Murad (prefeita) e Neuza Furtado (vice-prefei-ta). As duas estão no processo e também foram condenadas pela Justiça Eleitoral.
“Em razão de tudo que foi exposto, e no mais que nos autos consta, em consonân-cia com o parecer do Minis-tério Público Eleitoral, e nos termos do nos termos do Art. 73, IV e VI, §§ 10 e 11, da Lei n.º 9.504/95, julgo procedentes os pedidos formulados na inicial para declarar a inelegibilidade dos investigados Maria Teresa Trovão Murad, Neuza Furtado Muniz e Ricardo Jorge Murad, cominando-lhes a sanção de inelegibilidade pelo prazo de oito anos subsequentes à elei-ção municipal de 2012”, afirma a juíza Josane Araújo Farias em sua decisão.
Como a sentença refere-se a 2012, a punição contra Ricardo Murad vale até 2020. No
entan-to, como cabe recurso, esta de-cisão atual pode ser derrubada em instâncias superiores. Para o ex-secretário, a decisão da Justiça Eleitoral pode atrapa-lhar seus planos de concorrer nas eleições de 2018.
Eleições
Na semana passada, Murad trocou o PMDB pelo PRP com o objetivo claro de disputar as eleições majoritárias do ano que vem. Apesar de não ter confir-mado a que cargo irá concorrer, a notícia da volta de Ricardo Murad mexeu no cenário po-lítico do estado, uma vez que ele poderá estar no pleito para o governo do estado ou para o Senado Federal.
O Profisco II tem a finalidade
de promover ‘justiça fiscal’
combatendo a sonegação e
a concorrência desleal
Rogério Cafeteira, deputado estadual
II, a Secretaria de Estado da Fa-zenda do Maranhão (Sefaz-MA) conta com recurso financiado pela entidade internacional, no valor de U$ 35 milhões de dóla-res e contrapartida do Estado no valor de U$ 3,9 milhões. O pro-jeto, que faz parte do Programa de Apoio à Gestão e Integração dos Fiscos no Brasil (Profisco), já tem planejadas diversas estraté-gicas que irão dar continuidade ao processo de implantação do novo programa de moderniza-ção tecnológica da Sefaz.
Concorrência
A linha de crédito também vai ajudar a modernizar a fisca-lização e reduzir a sonegação,
evitando, por exemplo, a concor-rência desleal. Segundo o gover-no, isso vai contribuir para evitar que uma minoria que não esteja em dia com as obrigações legais tenha vantagem sobre aqueles que cumprem a lei.
Além disso, a modernização da gestão permite mais trans-parência e acesso dos órgãos de controle aos gastos públi-cos. Isso torna ainda mais rigo-rosa a fiscalização sobre o uso do dinheiro do contribuinte.
“O Profisco II tem a finalida-de finalida-de promover ‘justiça fiscal’ combatendo a sonegação e a concorrência desleal”, ressaltou o líder do governo na Assem-bleia Legislativa, o deputado es-tadual Rogério Cafeteira (PSB).
Oposição
Se por um lado a base gover-nista da Assembleia vê diversos pontos positivos a respeito do Profisco II, a oposição acredi-ta que esacredi-ta será uma forma de ampliar o arrocho fiscal sobre os empresários. “Estamos falan-do aqui em mais de R$ 100 mi-lhões para aprimorar algo que todos reclamam. Os comercian-tes, os empresários falam que não estão mais aguentando pa-gar imposto, que não aguentam mais o arrocho desse governo em cima dos empresários. Eles já não estão mais aguentando, são empresas fechando, lojas fe-chando, o desemprego aumen-tando”, afirmou o deputado es-tadual Edilázio Júnior (PV).
Outra crítica contra o Pro-fisco II foi a falta de debates sobre o assunto na Assembleia Legislativa. Para a oposição, detalhes importantes sobre o projeto como encargos, prazos de amortização e carência não foram devidamente esclareci-dos pelo governo.
Assembleia Legislativa aprovou projeto que autoriza o governo a contratar empréstimo junto ao BID
O choque de dois maranhões
O Maranhão vive hoje um momento determinante para seu futuro. O futuro passa pela política e pelas eleições. No caminho traçado, o Estado pode retroceder para o atraso que o coloca no primeiro lugar em pobreza absoluta no país, que sufoca as populações periféricas e rurais, algo acima de 80%. Ou, por outro lado, manter os privilégios de uma casta que não abre mão de perder um milímetro de suas acumulações patrimoniais. As eleições de 2018 serão um marco regulatório desses dois mundos, simbio-ticamente moldados no mesmo modelo.
De um lado, o sarneísmo em guerra para retornar ao co-mando do Maranhão. Do outro, Flávio Dino tentando ampliar sua base política e municipal, mas sendo alvo preferencial dos meios de comunicação de seus inimigos. O grupo der-rotado nas urnas de 2014 tem a nítida percepção de que as eleições de 2018 serão uma questão de vida ou morte. Ga-nhando o governo, podem ressurgir das cinzas. Perdendo, o sarneísmo será enterrado de vez, como aconteceu com o vitorinismo a partir de 1965, pelas mãos de José Sarney.
Sarney conhece como ninguém cada curva dessa estra-da. Ele transita nela com incrível habilidade tanto em Brasí-lia, manobrando a máquina do poder central, liberando ou boicotando recursos para o Maranhão, quanto localmente, usando o poder das mídias de seu domínio para desmora-lizar opositores. Por seu lado, Flávio Dino corre contra o tempo para mostrar que os três anos de sua gestão valeram a pena, não como uma revolução, mas como mudança de postura do Estado diante dos problemas-tabus intocados por longas décadas de dominação do sarneísmo.
A favor de Dino conta a sua capacidade de se comunicar com qualquer segmento e se fazer entender. Ele contrapõe o poder dos opositores. Adotando políticas sociais que incomo-dam porque são ferraduras no atraso. O atraso que aduba a demagogia e fermenta a desinformação no meio de baixa as-similação do que se passa ao redor. Sequer sabe por que não tem comida na mesa enquanto uma minoria se banqueteia e se torna milionária com os recursos do Estado. Essa realida-de é dura e crua. Por isso, precisa ser moldada por quem sabe que a riqueza mal distribuída é a matriz das mazelas sociais.
Pouco espaço para dois
O ex-deputado Ricardo Murad está reaparecendo na política no seu velho estilo: espaçoso e querendo estar por cima. Anunciou ser candidato a governador, o que de pronto encurtaria o espaço de Roseana Sarney. Afinal, Murad sabe muito mais que os simples mortais sobre o que se passa na família e no grupo Sarney.
Juíza agiu rápido
Apelidado de trator por João Alberto, Ricardo Murad nem quis ficar no PMDB, do qual já foi presidente regional, há anos nas mãos do senador João Alberto. Já entrou no nanico PRP como marimbondo de fogo. Fez o ex-colega de governo Ro-seana, Max Barros, debandar. E rapidinho a juíza de Coroatá, Josane Araujo Farias Braga, o tornou inelegível para 2018.
Cheque pré-datado
Diante do clima de guerra política, vai ser mais difícil os onze deputados federais maranhenses explicarem que vota-ram pelo arquivamento da denúncia contra Michel Temer do que levantarem na campanha a bandeira de combate à cor-rupção. A lorota da inflação controlada, todo mundo sabe. Se não tem emprego, não tem dinheiro. Como vai ter inflação?
Difícil de explicar
Afinal, o Brasil todo está de olho nas razões que levaram 251 deputados a se atirarem num abismo político para sal-var um presidente com 95% de reprovação, junto com dois ministros, todos denunciados pelo ex-procurador-geral da República, por formação de quadrilha e obstrução da Justiça.
Quem sabe de sarneísmo
Falando sobre a suposta candidatura do ex-deputado Ricar-do Murad ao governo, o deputaRicar-do José ReinalRicar-do (PSB) disse que o grupo Sarney está copiando o que ele fez em 2006. Lançarão três candidatos a governador para tentar levar a disputa para o segundo turno. Um para criticar e dois para propor ações.
O dinheiro do Banco Interamericano de Desenvolvimen-to será para o governo Dino investir num novo programa de gestão fiscal. A Associação Comercial chegou a pedir o adiamento da votação, mas a maioria governista tinha pressa. Segundo mensagem de Flávio Dino, a grana visa modernizar gerenciamento de receitas e despesas no estado.
NUNA NETO
Nesta data, O Imparcial trouxe como manchete: Clínicas odontológicas interditadas em São Luís. Durante Operação Dente de Leite, realizada pelo Procon, em parceria com o Conselho Regional de Odontologia, na região metropolitana, 12 clínicas foram fiscalizadas, sendo quatro interditadas. Três pessoas acabaram presas por descumprirem a ordem de interdição. www.oimparcial.com.brAno XC Nº 34.790 QUINTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2016 CAPITAL E INTERIOR R$ 2.00
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Clínicas odontológicas
interditadas em São Luís
Interesses à frente
Central de Controle por Videomonitoramento do Trânsito começa a funcionar em São Luís. A nova ferramenta, implantada pela prefeitura, possibilita o acompanhamento direto e em tempo real de todo o sistema de trânsito e transporte da cidade. A central está instalada em uma sala especial da SMTT e soma-se às melhorias do sistema de transporte público da capital maranhense.
VIDA
Na última semana da campanha do segundo turno para Prefeitura de São Luís, partidos, ex-candidatos, políticos e entidades declaram seu apoio de forma direta ou indireta ao seu candidato.
POLÍTICA
Durante Operação Dente de Leite, realizada pelo Procon em parceria com o Conselho Regional de Odontologia na região metropolitana, 12 clínicas foram fiscalizadas, sendo quatro interditadas. Três pessoas acabaram presas por descumprirem a ordem de interdição.
VIDA
De olho nos ônibus
Edivaldo não comparece à entrevista de O Imparcial
PÁGINA TRÊS Contraveneno IMPAR Show solidário em São Luís reúne música e poesia amanhã VIDA POLÍTICA Brigas entre os três Poderes gera desarmonia no governo federal
PRA BAIXO: Flávio Araújo tenta dar ânimo ao Sampaio
Após derrota para o Vila Nova atuando no Castelão, Tricolor maranhense retomou os treinamentos com portões fechados e longa conversa do elenco com o técnico Flávio Araújo no CT do clube. ESPORTES
STF rejeita revisão para aposentados ainda ativos crm CRM Atos de Classe PMDB Ação silenciosa Wellington Fogo amigo
Wellington do Curso faz sua estreia nas ruas ao lado de Eduardo Braide (PMN)
Presidente do CRM, Abdon Murad, utiliza Saúde para criticar gestão Edivaldo Deputado Hildo Rocha (PMDB) lidera movimentos silenciosos do partido
HONORIO MOREIRA\OIMP\D.A PRESS
Os ministros do Supremo vetaram a criação da "desaposentação", que poderia conceder uma pensão maior para os aposentados que permanecem no mercado de trabalho por terem contribuído mais e por um tempo maior.
NEGÓCIOS Após confirmar e alterar data, o candidato Edivaldo Holanda Júnior (PDT) não compareceu para responder perguntas
de jornalistas e leitores, em entrevista que teria transmissão ao vivo pela página do Facebook do jornal. POLÍTICA
AUSENTE ENSINO Inscrições para mestrado em engenharia aeroespacial DIVULGAÇÃO K.GEROMY\OIMP\DA. PRESSS Sabe como economizar com seu carro
Um dos produtos mais caros do dia a dia, o veículo pode gerar menos gasto se bem utilizado. PÁGINA TRÊS
27 de outubro de 2016
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Retrato
da
história
No início do século 20, apenas 10% da po-pulação mundial era urbana. Atualmente, me-tade da população vive em cidade, e estima-se que, em 2050, esta proporção chegará a 75%. Assim, se o século 19 era considerado o sé-culo dos impérios, e o sésé-culo 20 o sésé-culo das nações, o século 21 será o século das cidades. A importância das cidades cresce ainda mais quando observamos que é na cidade que tudo acontece: o nosso dia-a-dia, a nossa vida. É na cidade que são feitas as grandes interações, sociais, econômicas, culturais, etc.
Mas, Cidade é também o lugar onde há um crescimento das favelas, da poluição, do de-semprego, do congestionamento no transito, da violência, etc. Os Estudos mostram que, a partir de um milhão de habitantes, as cidades tornam-se palco de grandes problemas difí-ceis de serem contornados. Além disso, o cres-cimento das cidades fez emergir as chamadas de megacidades. São as cidades, ou metrópo-les, com mais de 10 milhões de habitantes. As megacidades concentram hoje cerca de 10% da população mundial e elas não parem de crescer principalmente nos países em desenvolvimento.
Assim, a cidade contemporânea traz consigo novos desafios, oportunidades, e necessidades do desenvolvimento sustentável e da gestão in-teligente. A pergunta é: como será a cidade do fu-turo? Qual é o modelo de cidade que desejamos? O certo é que devemos optar por uma cidade sus-tentável, i.e. uma cidade inteligente, inovadora, e criativa e que deve ser focada, planejada, e feita para as pessoas. Contudo, o que observamos hoje é uma cidade que está se adaptando a tudo. Por exemplo, são as cidades que devem se adaptar aos desejos e caprichos da Indústria automobi-lística i.e. aos carros desenhados por engenhei-ros pouco preocupados com a sustentabilidade e o meio ambiente, enquanto o certo é que são os carros que devem se adaptar às cidades.
A cidade do futuro deve ser uma cidade que busca a sustentabilidade baseando-se em três conceitos fundamentais: inteligência, inovação, e criatividade. Isto leva ao conceito de cidade ubíqua. Um ambiente ubíquo é um ambiente no qual a tecnologia de informação e comunicação
(TIC) é aplicada de forma intensiva e todos os sistemas estão interligados. Tal ambiente deve ter as características de conveniência, segurança, e simplicidade, para qualquer usu-ário, a qualquer hora e em qualquer lugar.
A cidade inteligente é definida, portanto, como um território que traz sistemas inova-tivos dentro da mesma localidade. São ter-ritórios caracterizados pela alta capacidade de aprendizagem e inovação, que já é embu-tida na criatividade de sua população, suas instituições de geração de conhecimento, e sua infraestrutura digital para comunicação e gestão do conhecimento. Certamente, isto leva certamente à necessidade e à ambição de repensarmos nosso modo de viver.
Como exemplo disto, algumas cidades es-tão implantando o projeto “malhação social” onde, em uma academia de ginástica, os movi-mentos dos exercícios são transformados em energia que carrega as baterias de toda acade-mia. Os “pulos” e toda energia dissipada por uma torcida durante uma partida de futebol, podem ser transformados em energia elétrica suficiente para iluminação do estádio, etc. Um outro exemplo, são os programas de eficiência energética, onde lâmpadas, ar condicionados, etc. são desligados automaticamente cada vez que a sala é esvaziada.
A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, está implantando o programa “Rio Inteligente”, que é baseado no uso das TICs para realização de grandes avanços em cinco áreas estratégi-cas: educação, saúde, governo eletrônico, se-gurança pública, e defesa do meio ambiente. Em Portugal, a IBM inaugurou, recente-mente, o Centro de Estudos Avançados (CAS), um polo de pesquisa científica que pretende unir a empresa com o mundo acadêmico, o mundo empresarial, e o Governo no objetivo da inovação. O CAS pretende criar uma cidade inteligente em áreas como transporte e mobi-lidade, saúde, governança eletrônica, e edu-cação. O objetivo é gerar conhecimento que crie serviços com impacto na vida das pessoas.
Mas, o exemplo mais fascinante de cidade digital é New Songdo na Coréia do Sul, a 65 quilômetros da capital Seul, que conta com um investimento de US$ 25 bilhões, e que foi inaugurada em 2015. Songdo é um polo econômico, sustentável, tecnológico, con-fortável e totalmente planejado para atrair a comunidade mais dinâmica e digitaliza-da do planeta. Oplanejamento digitaliza-da cidigitaliza-dade é liderado por John Kim, ex-projetista-chefe
do Yahoo. Além de ser uma cidade total-mente high-tech, Songdo pretende ser a cidade mais verde do planeta.
Nela, encontram-se casas, supermercados, escolas, hospitais, empresas, etc. compartilham dados. Os computadores e chips são presen-tes em residências, ruas e escritórios. Cada apartamento é equipado por cerca de 2.500 chips. Por exemplo, as geladeiras, conectadas à Internet, fazem compra on-line cada vez que algo está ficando em falta (leite, ovo, mantei-ga, etc.). Para se vestir, as mulheres interagem com o espelho do guarda-roupa que mostra as opções disponíveis, provam virtualmente as diferentes combinações e recebem até su-gestões de moda, etc. O chão é equipado por sensores de pressão que acionam o pedido de ajuda automaticamente no caso de uma queda de uma pessoa idosa, etc. Sensores e chips levantam e analisam informações sobre a qualidade da água, do ar, lixo, etc. e avisam sobre as condições sanitárias do ambiente. No transito, os semáforos são inteligentes e atuam de forma a facilitar o transito e evitar congestionamentos. Os motoristas visualizem on-line, as condições do transito. As áreas de estacionamento são monitoradas e os mo-toristas são informados sobre a quantidade e a localização das vagas.
Inicialmente, New Songdo terá 65 mil ha-bitantes quando será inaugurada no próxi-mo ano. Muitos candidatos estão na fila para aquisição de apartamentos, etc. ali. O primei-ro bloco com 2.600 apartamentos e a pprimei-rocura foi de oito pessoas para cada apartamento. As transações podem ser feitas por meio do portal www.songdo.com. Assim, Songdo, é um exemplo perfeito de tentativa para colocar em prática o conceito de Ubiquitous City (U-City). O U-City, ou cidade digital, ou cidade do futuro. É um conceito que está agradando a priori. Porém, é preciso ter muita cautela, principalmente na questão da privacidade das pessoas inerentes do uso de chips que carregam informações e dados pessoais. Até que ponto o monitoramento de nossas ativi-dades é útil e pode ser tolerado?
Apesar dessas preocupações, o concei-to de Cidade Ubíqua é muiconcei-to interessante e reflete muito bem a tendência em maté-ria de modelos de cidades. Portanto, vale a pena investir na cidade do futuro no Mara-nhão e no Brasil, pelo menos planejando e criando bairros modelos levando à susten-tabilidade e a uma boa qualidade de vida. Nos primeiros meses deste ano, a
econo-mia do Rio de Janeiro encolheu R$ 320 milhões. As perdas crescem na mesma proporção que aumenta a violência na Cidade Maravilhosa, um dos principais portais para visitantes de todas as partes do planeta. O estado enfren-ta uma das mais sérias crises financeiras de sua história. Não há recursos para pagar os salários de servidores da ativa, aposentados e pensionistas. Unidades de saúde e institui-ções de ensino, em todos níveis, estão fechan-do as portas por falta de dinheiro para suprir necessidades básicas.
Na segunda-feira (23), uma turista espa-nhola foi baleada na Favela da Rocinha e não resistiu ao ferimento. O autor do disparo foi um policial militar. A corporação afirma que o carro em que a vítima estava furou o bloqueio feito por policiais. Não foi a primeira nem será a última tragédia. A maioria da população res-ponsabiliza a polícia pelo aumento da morta-lidade. Mas quem quer ficar no lugar de um
policial enviado à linha de frente para conter bandidos? Muitas vezes, as pessoas se esque-cem de que o agente, como qualquer indiví-duo, tem medo de sair de casa e não voltar.
O Estado, por sua vez, não oferece o su-porte necessário ao equilíbrio emocional do servidor. Então, o policial, sob elevado grau de tensão e estresse, comete erros e amplia as tragédias cotidianas de uma cidade sitiada pela criminalidade. À maioria deles, mal remu-nerada, faltam os cuidados devidos que lhes garantam atenção à saúde psíquica e equilí-brio emocional para os embates diários com os bandidos, além de capacitação e treina-mento adequados.
Os dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostram, no primeiro semes-tre deste ano, na comparação com igual perí-odo de 2016, que casos de homicídio doloso passaram de 2.472 para 2.723, registrando um crescimento de 10,2%, os de latrocínio (rou-bo seguido de morte) aumentaram 21,2% (de
114 para 138 ocorrências) e os de homicídios decorrentes de oposição à intervenção poli-cial tiveram um incremento ainda maior, de 45.3%, subindo de 400 para 581 casos.
O impacto dessa desordem não é restrito ao Rio de Janeiro. Reverbera em todo o país. Inibe a atividade turística até mesmo para outras unidades da Federação. Como visitar um país com uma das maiores taxas de micídio do planeta? Por ano, são 60 mil ho-micídios, dos quais 71% por arma de fogo. A crise não está circunscrita ao Rio de Janeiro. Ela se estende a todo o país, que não conta com um plano nacional de segurança públi-ca. Não dispõe de uma rede de inteligência capaz de asfixiar o crime organizado e con-ter os efeitos colacon-terais dos embates entre bandidos e policiais. Rever a política de se-gurança é exigência que se impõe e desafia as autoridades. Hoje, o sistema se mostra falido e incapaz de oferecer aos brasileiros a tranquilidade a que têm direito.
A sede dos Correios e Telegráficos de São Luís está localizada na Rua do Sol com esquina com a Praça João Lisboa. Quem observa a trajetória dos Correios brasileiros há de notar dois movimentos de sentidos opostos que se completam entre si: um de reforma, outro de preservação. Um conectado aos vertiginosos avanços das comu-nicações, do mundo globalizado; outro, voltado para a conservação da memória na-cional e do valioso patrimônio arquitetônico e cultural que lhe serve de suporte. O Correio se preocupa em preservar o patrimônio histórico que é de todo o povo bra-sileiro, por meio da restauração e reforma de prédios em diversas capitais brasilei-ras, transformando-os em importantes centros de preservação e promoção cultural. (Foto: Agência do Correio da Praça João Lisboa_1994)
ARQUIVO/OIMPARCIAL
“Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, algo inferior e mutilado, algo primário, fabricado na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância?” Carlos Drummond de Andrade
Graciliano Ramos, em Infância, conta o quanto apa-nhava: ‘Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e fi-gurei na qualidade de réu. [...] Batiam-me porque po-diam me bater, e isto era natural... Certa vez, minha mãe surrou-me com uma corda nodosa, que me pin-tou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados em água com sal — e houve uma discussão na família”.
As cantigas de ninar são cheias de maus presságios e ameaças à vida e integridade de meninos e meninas: abandono na floresta, lobos ameaçadores, cuca que vai pegar. A história da criança é de pura violência; os adultos são maiores, mais fortes e a criança é a eles su-bordinada, seja como escrava, criada ou inferior, sem voz própria. Na antiguidade, eram objeto de sacrifício, ou abandonadas. Na idade média, podiam ser doadas a igrejas, que dispunham de ‘rodas dos enjeitados’. Até hoje, são largadas em latas de lixo ou esquecidas na porta de alguém. Ou enviadas a orfanatos.
Pelos séculos 19 e 20, começaram a surgir pedagogos que procuravam compreender e acolher a criança em seu processo de crescimento, como Maria Montessori, que nos considerava ‘herdeiros da criança, que traz do nada os fundamentos da nossa vida’. Para ela, devería-mos beijar a mãozinha que se estende para conhecer os objetos. Mas os adultos batem nessa mãozinha es-tendida e a reprimem.
O trabalho infantil é penoso e extenuante: seja em carvoarias, em olarias, quebrando castanhas ou ser-vindo de criada, sem direitos e sem trégua. Ela não é, nem nunca foi, considerada objeto de direitos, mas de violência; grupos marginalizados amortecidos pelo trabalho precoce, pelo abuso sexual, pela subalimen-tação e escolas precárias – onde pagam o pesado tri-buto da subexistência.
A escola, desde muito cedo, confina-a em salas fe-chadas, onde chegam com sono e saudosas do lar. A exuberante natureza lhe é vedada e seu corpinho cons-trangido à imobilidade das carteiras, enquanto a imagi-nação é cerceada pelos métodos pedagógicos. Sua fértil imaginação é posta a ferros e sua mobilidade natural passa a ser considerada como doença.
A criança encontra-se no polo da máxima vitalida-de, não sujeita às doenças dos adultos. Porém, ah, po-rém! Em vez de tornar-se a “criança mágica e feliz”, é classificada, pesada, medida e enquadrada em formas, índices e normas. Suas entranhas são vasculhadas e é submetida a exames e testes continuamente. Vez ou outra, um respiro, um sopro de oxigênio. O HCSP criou o Diagnóstico Amigo da Criança, de modo a reduzir-lhes a coleta de exames e radiografias e tomografias.
Mas eis que se impõe a elas o fantasma do coleste-rol, indevidamente considerado doença, quando — na verdade — é essencial a seu desenvolvimento, como precursor de importantes hormônios, responsáveis por seu crescimento e amadurecimento. Sem ele, não haveria vida, nem procriação. As bases industriais da alimentação calórica é que deveriam ser analisadas e combatidas sem trégua, com o sedentarismo — mal maior que nos poderá matar.
O movimento childfree parece contemporâneo, só que não. A humanidade sempre repeliu e maltratou a criança. A história é prenhe de relatos de filicídios, de castigos horrendos, de sacrifícios de crianças aos deuses. Medeia sempre existiu, na forma de pais, mães, avós, tios, professores. A criança tem fome de bola, de água limpa, de árvores, de espaço, de riso, de brincadeiras. Mas elas nada podem sozinhas. É dever da sociedade voltar a tratá-las como seres em formação e destina-das à alegria de existir. Para Gabriel García Márquez, “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que suas mães os dão à luz. A vida os obriga outra vez – e muitas vezes — a parirem a si mesmos”.
Entre as abonadas e as abandonadas, o mesmo jugo do desencanto e do cerceamento. Onde há criança “fe-liz, alegre, a cantar”? As marginalizadas — que tenham direitos e não apenas deveres. E as abonadas, que não se restrinjam a comer e consumir. Umas e outras me-recem existir como crianças, não como adultos idosos e doentes. Em algum lugar, deveriam um dia poder vi-ver: livres, leves, soltas.
Crianças idosas
THELMA B.
OLIVEIRA
PEDIATRA E PIONEIRA EM BRASÍLIA
Responsável: Zezé Arruda
E-mail: [email protected]
SOFIANE LABIDI
PRESIDENTE DA ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIA
VIDA
www.oimparcial.com.brSão Luís, sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Responsável: Patricia Cunha
E-mail: [email protected]
ocorrências
registradas
pela SMTT
Como funciona
Acidentes
Consequências
Bati o carro.
E agora?
De janeiro até agora foram registrados, somente pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, cerca de 600 ocorrências de acidentes
na capital. No Juizado Especial de Trânsito, pelo menos 250 ações envolvendo acidentes de trânsito são recebidas mensalmente
PARALISAÇÃO
Rodoviários cruzam os braços
PATRICIA CUNHA
Das 9h às 12h parados! Nesta sexta-feira, durante 3 horas, os transportes coletivos vão parar, no ponto em que estiverem. A in-formação é do Sindicato dos Ro-doviários do Maranhão e atingirá somente coletivos que circulam em São Luís.
O protesto é por conta dos constantes atrasos nos pagamen-tos de salários e de outros bene-fícios, que a categoria tem direi-to, como o tíquete-alimentação. O pagamento, segundo o Sindi-cato, vai além do quinto dia útil do mês, conforme determina a Convenção Coletiva de Trabalho. Atualmente, cerca de seis mil ro-doviários exercem a atividade no transporte público de São Luís.
Além das questões que envol-vem a pauta local, a paralisação por três horas também é uma resposta à aprovação da reforma trabalhis-ta, que deve entrar em vigor nos próximos dias. O Sindicato dos Ro-doviários do Maranhão reivindi-ca os interesses da reivindi-categoria, mas
também apoia o movimento, or-ganizado em São Luís por diversas entidades, entre elas, a Confede-ração Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres – CNT-TT, que deve ser marcado pela ma-nhã, por um grande ato na Praça Deodoro e, à tarde, o Encontro de Entidades, que acontecerá a partir das 14 horas, na sede do Sindicato dos Rodoviários. O movimento tem o intuito de defender as conquis-tas dos trabalhadores brasileiros.
“Os atrasos constantes nos sa-lários e em outros benefícios cau-sam inúmeros transtornos à cate-goria, composta por pais e mães de família e que precisam honrar com os compromissos. Não va-mos mais admitir que estes atra-sos aconteçam. Além disso, esta-mos cruzando os braços em sinal de repúdio a esta reforma traba-lhista. Este pacote de medidas que entra em vigor nos próximos dias é um retrocesso e uma afronta aos trabalhadores brasileiros”, enfatiza Isaías Castelo Branco, presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão.
PATRICIA CUNHA
F
ui envolvida em umaciden-te de trânsito. Não hou-ve acordo entre a gente. Do momento que acon-teceu a ‘batida’ até a chegada dos agentes de trânsito foram quase três horas. Isso foi há 35 dias. Até hoje ainda não houve resultado”, conta a estudante de enfermagem Nathália Pacheco. Assim como Nathália, de-zenas de pessoas passam pela mesma situação todos os dias na capital. São colisões com mé-dios, pequenos e grandes da-nos materiais ou não. Na hora do ocorrido, com o nervosismo e sem saber o que fazer, a pri-meira reação é ligar para a po-lícia ou para a SMTT para pedir a tal “perícia”.
A verdade é que esses dois órgãos não fazem perícia. O que pouca gente sabe é que solicitan-do o serviço solicitan-do Juizasolicitan-do Móvel solicitan-do Trânsito tudo pode ser resolvido ali mesmo no local do acidente. Na presença de um conciliador, as partes envolvidas conversam, firmam acordos e conseguem re-solver quem vai pagar o prejuí-zo. O serviço funciona em toda a região metropolitana de São Luís, abrangendo os municípios de São Luís, Paço do Lumiar, Ra-posa, São José de Ribamar e um trecho da rodovia federal.
“Estamos acostumados a
chamar a polícia ou a SMTT para fazer a perícia, quando na verdade o que eles fazem é um relatório para enviar para o Icrim (Instituto de Criminalísti-ca). Com isso, as partes devem procurar o Icrim com 15 dias úteis, a contar do acidente para pedir para ser julgado e pagar um valor de R$ 40 por isso. De-pois que sai o laudo é que os envolvidos podem entrar com a ação no Juizado de Trânsito para requerer a indenização”, explica o advogado Nunes Al-buquerque.
O Juizado de Trânsito possui duas unidades móveis e tem a finalidade de atender o aciden-te de trânsito no local. Quando o Juizado não é chamado e não há acordo, a parte tem a op-ção de ingressar com aop-ção ju-dicial. O Juizado é virtual. Não são recebidas ações no balcão, mas, sim, por meio de advoga-do, que ingressa através do PJE (Processo Judicial Eletrônico). Existem as exceções que são os casos que chegam até 20 salários mínimos e que a própria parte pode pleitear sem o intermédio
de um advogado.
Mensalmente, entre 200 e 250 ações são recebidas no Juizado. São justamente os casos que não são resolvidos no momento da ocorrência, geralmente atendi-dos pela Polícia Militar e SMTT.
“Nosso papel é conciliar as partes. Caso não seja possível, instruir o processo, que é colher as provas e finalmente julgar para dizer quem foi culpado, quem deve ser indenizado. A SMTT e a polícia não fazem perícia, não decidem a causa, não têm poder de conciliar. O que eles fazem é um levantamento dos
dados, um croqui. Eles enviam para o Icrim e a parte vai para lá, penar para receber um laudo, que não é pericial, é de inter-pretação da ficha de acidente de trânsito que aquele agente ela-borou no local, porque o perito não estava lá”, conta José Eulá-lio Almeida, titular do Juizado Especial do Trânsito.
No Juizado há perito, con-ciliador, juiz, oficial de justiça que vão ao local fazer a perícia. Na própria unidade móvel, que se assemelha a uma sala de au-diência, é feita uma conciliação entre os envolvidos, e, se for po-sitiva, o acordo é logo homolo-gado, caso contrário, as partes já ficam intimadas a compare-cem ao Juizado. No dia da au-diência com o laudo pronto, e feito o restante da instrução do processo com uma estimativa do quanto será gasto para re-cuperar o veiculo, ou a própria parte pode levar orçamento ou notas fiscais do serviço que foi realizado ou que pretende rea-lizar. Em uma única audiência no Juizado tudo é resolvido, e, em 2 meses, já sai a sentença.
“O trabalho do Juizado é re-levante socialmente e nós sen-timos, quando comparecemos ao local, a satisfação das pessoas envolvidas no acidente, mesmo o que é considerado culpado, pois ele percebe a presença da autoridade no local. E aquela intranquilidade, aquele temor desaparecem. Porque nós che-gamos e confortamos os envol-vidos, e mostramos os prós e os contras de um acordo ou de um conflito que poderá se propa-gar, tenho um desdobramento
“Nosso papel é
conciliar as partes.
Caso não seja possível,
instruir o processo
e inalmente julgar
para dizer quem foi
culpado, quem deve
ser indenizado. A SMTT
e a polícia não fazem
perícia, não decidem a
causa, não têm poder
de conciliar
José Eulálio Almeida,
titular do Juizado
Especial do Trânsito
Uma das partes liga para a unidade móvel. A equipe do Juizado realiza a perícia, emite laudo, promove a audiência de conciliação
e o acordo entre as partes envolvidas. Caso haja entendimento, o conlito é resolvido na mesma hora. Não havendo, é levado à sede
do Juizado, no bairro da Vila Palmeira, para o juiz sentenciar. A equipe do Juizado realiza, no local do acidente, perícia, laudo
(verbal), audiência de conciliação e acordo entre as partes. O conlito é resolvido imediatamente caso haja acordo.
De acordo com a Secretaria Municipal de
Trânsito e Transportes (SMTT), foram registradas este ano, até o momento, 600 ocorrências de acidentes diversos entre colisões e atropelamentos, nas principais avenidas de São Luís. Segundo o órgão, as avenidas Jerônimo de Albuquerque, Franceses, Daniel de La Touche, Guajajaras, Holandeses
e Africanos são as que registram maior número
de ocorrências.
A população de São Luís já deve ir se preparando para os transtornos. A paralisação deve provocar congestionamentos em toda
a cidade, visto que a ideia é que os coletivos parem onde estiverem. Para um já
conturbado trânsito diário, isso pode ser um problema. “Problema também para quem estiver se deslocando,
pois vou, ou perder tempo esperando até meio-dia, ou ter que descer e ir andando para o meu emprego”, falou a vendedora Suelma Santos Costa. Uma comissão do Sindicato dos Empresários de Transporte (SET) esteve reunida pela manhã para deliberar sobre a paralisação
dos rodoviários. Mas não nos foi informado o teor da reunião, em conversa com o superintendente do Sindicato,
Luis Claúdio Siqueira. Segundo ele opinou, não deve haver paralisação total desses coletivos. Ele também não soube estimar os prejuízos financeiros com essa parada
de 3 horas.
maléfico para uma das partes, que é a condenação da indeni-zação por danos materiais ou morais. É um serviço gratuito e pouco conhecido”, explica o Juiz Eulálio.
O serviço fica disponível de segunda a sexta, das 8h às 18h. Mas o juiz já vem tentando com o Tribunal de Justiça para am-pliar para os fins de semana e feriados.
Atualmente, o Juizado atende entre 20 e 30 solicitações men-sais, o que para o juiz é um núme-ro inexpressivo, dada a quantida-de quantida-de aciquantida-dentes que acontecem diariamente na Grande Ilha. Isso se deve, segundo ele, ao desco-nhecimento do serviço. “Se as pessoas tiverem paciência de aguardar a chegada do Juiza-do, utilizem quando precisarem, porque nós atendemos toda a Ilha e é um serviço gratuito”, en-fatiza o juiz. O serviço pode ser acionado pelos números 98815-8346 ou 3243-1029.
Importante ressaltar que o atendimento do Juizado é pos-sível nos casos de menor gravi-dade, em acidente sem vítimas fatais ou sem feridos graves e sem o envolvimento do patri-mônio público, conforme de-termina a lei.
Juizado de Trânsito pericia, emite laudo e faz conciliação
Ocorrências de acidentes sem vítimas podem ser resolvidas solicitando o serviço móvel do Juizado de Trânsito
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ARQUIVO D. A. PRESS
ASCOM/TJ