COLÉGIO CENEB – 2017
ATOS ADMINISTRATIVOS
Todos os acontecimentos da vida, causados ou não pelo ser humano, são chamados de fatos. Se não apresentarem relevância jurídica, chamamos de fatos naturais; se apresentarem alguma relevância jurídica (criar, extinguir, modificar direitos), de fatos jurídicos.
O ato jurídico corresponde a toda manifestação de vontade que tenha o objetivo de adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos. Contudo, para ser válido, depende de três requisitos:
- agente capaz;
- objeto lícito possível e determinado ou determinável; - forma prescrita ou não defesa em lei.
O ato administrativo é a manifestação unilateral de vontade do Estado, expedida no exercício da função administrativa, com base no interesse público e na legalidade, com a finalidade imediata de adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir direitos e impor obrigações.
1. Requisitos ou Elementos do Ato Administrativo
Apesar de divergências doutrinárias quanto aos requisitos do ato administrativo, tomaremos por base o posicionamento clássico, que prevalece nos concursos. Podem ser vinculados ou discricionários. São eles:
Competência (Sujeito); Forma;
Finalidade; Motivo (causa); Objeto.
2. Atributos do Ato Administrativo
Os atributos decorrem das prerrogativas inerentes ao regime jurídico-administrativo, são as particularidades que diferenciam um ato administrativo dos demais atos jurídicos. São eles:
Presunção de legitimidade e veracidade; Imperatividade (ou coercibilidade); Autoexecutoriedade;
Tipicidade.
TEXTO 02
Aluno(a): ______________________________________________________________ Educador(a): VALDIRENE
Componente Curricular: DIREITO ADMINISTRATIVO
Ano/Turma: 2º Ano ____ Turno: ( X ) Matutino ( ) Vespertino Data: ___/___/17
3. Classificação dos Atos Administrativos
Segundo a doutrina majoritária, constituem as principais classificações os atos:
3.1. Quanto a seus destinatários
Atos gerais (ou regulamentares) – são expedidos sem destinatários determinados. Apresentam um comando geral e abstrato, alcançando todos os sujeitos que esteja na mesma situação de fato abrangida por seus preceitos. São revogáveis a qualquer tempo pela Administração, porém inatacáveis por via judicial (exceto, pelo questionamento da constitucionalidade). Exemplos: regulamentos, instruções normativas.
Atos individuais (especiais) – se dirigem a destinatários certos, criando-lhes situação jurídica particular, podem abranger um ou vários sujeitos, desde que sejam individualizados. Exemplo: decretos de desapropriação, de nomeação, de exoneração.
3.2. Quanto a seu alcance
Internos – repercutem dentro da Administração Pública, podem ser gerais ou individuais e não dependem de publicação oficial para sua vigência. Exemplos: portarias e instruções ministeriais.
Externos – repercutem for da Administração, alcançando os administradores, os contratantes e, às vezes, os próprios servidores, provendo sobre seus direitos, obrigações, negócios e conduta perante a Administração.
3.3. Quanto a seu objeto
Atos de império ou de autoridade – a Administração pratica usando de sua supremacia sobre o administrado ou servidor, impondo obrigatório atendimento. Exemplos: desapropriações, interdições de atividade.
Atos de gestão – a Administração pratica sem usar de supremacia sobre os destinatários.
Atos de expediente – são atos de rotina interna, destinados a dar andamento aos processos e papéis que tramitam pelas repartições públicas.
3.4. Quanto a seu regramento
Atos vinculados ou regrados – são os que a lei estabelece requisitos e condições para serem realizados, sem conferir ao agente margem de escolha para atuação.
Atos discricionários – A Administração pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de sua realização. Contudo, a discricionariedade do ato não autoriza medidas arbitrárias.
3.5. Quanto à formação
Ato simples – resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado. Exemplo: despacho de um chefe.
Ato complexo – formado pela conjugação de vontade de mais de um órgão administrativo. Exemplo: investidura de um funcionário
Ato composto – resulta da vontade única de um órgão, porém depende da verificação por parte de outro, para se tornar exequível. Exemplo: uma autorização que dependa do visto de uma autoridade superior.
3.6. Quanto à eficácia
Ato válido – está de acordo com a lei. Ato nulo – apresenta um vício insanável.
Ato anulável – apresenta defeito sanável. A Lei 9.784/99 admite a convalidação do ato administrativo: “(...) em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração”.
Ato inexistente – tem aparência de manifestação regular da Administração, todavia não chega a aperfeiçoar-se como ato administrativo. Equipara-se ao ato nulo. Exemplo: ato praticado por um usurpador de função pública.
3.7. Quanto a sua exequibilidade
Ato perfeito – é o que passou por todo o processo de formação e já está pronto para ser executado. Ato imperfeito – sua formação está incompleta ou carente de um ato complementar para tornar-se exequível e operante.
Ato pendente – embora perfeito por reunir todos os elementos de sua formação, não produz seus efeitos por não se identificar o termo ou condição de que depende sua exequibilidade ou operatividade.
Ato consumado – é o que já produziu seus efeitos, tornando-se irretratável ou imodificável por lhe faltar objeto.
4. Espécies de atos administrativos
Em conformidade com o posicionamento da doutrina majoritária, os atos administrativos podem ser organizados em cinco espécies:
1) Atos normativos; 2) Atos ordinatórios; 3) Atos enunciativos; 4) Atos negociais; 5) Atos punitivos.
5. Extinção dos atos administrativos
A extinção dos atos administrativos se dar pelo: Cumprimento de seus efeitos;
Desaparecimento do sujeito da relação jurídica; Desaparecimento do objeto da relação jurídica; Contraposição;
Caducidade; Cassação; Revogação; Anulação
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
A responsabilidade civil da administração pública impõe ao Estado o dever de reparar o dano causado a terceiros por agentes públicos, no exercício da função ou a pretexto de exercê-lo. O dano pode ser
material (lesão ao patrimônio do indivíduo atingido) ou moral (atinge o indivíduo no seu íntimo, pois a
moral é subjetiva).
Não se dever confundir responsabilidade civil com responsabilidade penal (decorrente de ilícito penal) ou com responsabilidade administrativa (decorrente de ilícitos funcionais administrativos). Contudo, as responsabilidades (civil, penal e administrativa) podem ser configuradas em um único fato, levando o servidor à responsabilização nas três esferas, mas nunca na mesma, pelo mesmo fato.
1. Evolução da Responsabilidade Civil do Estado
A Responsabilidade Civil do Estado pode ser dividida em três fases, são elas:
1ª) Fase de irresponsabilidade – vigorava na fase absolutista, quando não se admitia conduta ilícita
2ª) Fase subjetivista (ou privatística) – o Estado só era responsabilizado caso ficasse provado o dolo
(intenção) ou a culpa (negligência, imprudência, imperícia) do agente público. A responsabilidade subjetiva é a regra no Direito Privado.
3ª) Fase publicista – as regras para a responsabilização do Estado passaram a seguir os princípios do
Direito Público. Várias teorias ganharam destaque como: da culpa administrativa e da responsabilidade objetiva.
2. Responsabilidade Civil do Estado no Direito Brasileiro
O art. 37, § 6º, da Constituição Federal de 1988, dispõe:
As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
A responsabilidade civil tem duas modalidades:
responsabilidade contratual – relativa aos contratos realizados pelo Poder Público.
responsabilidade extracontratual – deriva das diversas atividades realizadas pela Administração que nato tem características contratuais.
Para que seja caracterizada a responsabilidade administrativa é necessária a presença dos seguintes elementos:
a) Conduta lesiva do agente (dolo e a culpa); b) A ocorrência do dano (patrimonial ou moral);
c) O nexo de causalidade entre o dano e a conduta do agente.
Para que ocorra o direito à indenização, é necessário que o dano seja decorrente da ação do agente ou da omissão ilícita que é o não agir quando deveria agir.
O sistema jurídico brasileiro, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, aderiu a teoria do risco
administrativo mediante a possibilidade de exclusão ou atenuação da responsabilidade tendo em vista a
possibilidade do rompimento do nexo causal.
As principais causas excludentes da responsabilidade são: - Caso fortuito ou força maior;
- Culpa exclusiva do administrado; - Ato exclusivo de terceiro.
A reparação do dano pode ocorrer: administrativamente (feita por meio de um processo administrativo) ou judicialmente (o lesado ajuíza ação judicial). O valor a ser pleiteado pode abranger o que a vítima perdeu efetivamente e o que deixou de ganhar, acrescido de correção monetária e de juros de mora.
Mesmo com algumas divergências, prevalece o entendimento que a ação deve ser proposta no prazo de até cinco anos, sob pena de prescrição.
Vale lembrar que, o direito de regresso (art. 37, § 6º, da CF), pode ocorrer na esfera administrativa (amigável, sem a imposição unilateral) ou na esfera judicial (por meio da ação regressiva).
E ainda, por força do § 5º do art. 37, da CF, o exercício do direito de regresso é imprescritível, por isso, a ação regressiva, transmite-se aos herdeiros e sucessores do agente, podendo ser instaurada, inclusive, após a cessação da prestação do serviço público no cargo ou função.
3. Responsabilidade Civil do Estado Por Atos Legislativos
Se a lei for elaborada de acordo com a Constituição, não há o que se falar em responsabilidade civil. Entretanto, excepcionalmente, existirá a possibilidade de responsabilização, quando: 1) a norma for declarada inconstitucional e causar efetivamente um dano; 2) a lei for de efeito concreto, que, neste caso, equivale a um ato administrativo.
4. Responsabilidade Civil do Estado Por Atos Jurisdicionais
Atos jurisdicionais são os praticados por magistrados no exercício da função jurisdicional do Estado. Em regra, não são passíveis de gerar a responsabilidade do Estado, porém, existem três hipóteses suscetíveis de responsabilidade:
erro judiciário (art. 5º, LXXV, 1ª parte, CF);
condenado preso além do tempo fixado na sentença (art. 5º, LXXV, 2ª parte, CF);
quando o juiz, no exercício da função, proceder com dolo ou fraude, bem como recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providências que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte (art. 133, CPC).