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ATOS ADMINISTRATIVOS

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Academic year: 2021

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COLÉGIO CENEB – 2017

ATOS ADMINISTRATIVOS

Todos os acontecimentos da vida, causados ou não pelo ser humano, são chamados de fatos. Se não apresentarem relevância jurídica, chamamos de fatos naturais; se apresentarem alguma relevância jurídica (criar, extinguir, modificar direitos), de fatos jurídicos.

O ato jurídico corresponde a toda manifestação de vontade que tenha o objetivo de adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos. Contudo, para ser válido, depende de três requisitos:

- agente capaz;

- objeto lícito possível e determinado ou determinável; - forma prescrita ou não defesa em lei.

O ato administrativo é a manifestação unilateral de vontade do Estado, expedida no exercício da função administrativa, com base no interesse público e na legalidade, com a finalidade imediata de adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir direitos e impor obrigações.

1. Requisitos ou Elementos do Ato Administrativo

Apesar de divergências doutrinárias quanto aos requisitos do ato administrativo, tomaremos por base o posicionamento clássico, que prevalece nos concursos. Podem ser vinculados ou discricionários. São eles:

 Competência (Sujeito);  Forma;

 Finalidade;  Motivo (causa);  Objeto.

2. Atributos do Ato Administrativo

Os atributos decorrem das prerrogativas inerentes ao regime jurídico-administrativo, são as particularidades que diferenciam um ato administrativo dos demais atos jurídicos. São eles:

 Presunção de legitimidade e veracidade;  Imperatividade (ou coercibilidade);  Autoexecutoriedade;

 Tipicidade.

TEXTO 02

Aluno(a): ______________________________________________________________ Educador(a): VALDIRENE

Componente Curricular: DIREITO ADMINISTRATIVO

Ano/Turma: 2º Ano ____ Turno: ( X ) Matutino ( ) Vespertino Data: ___/___/17

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3. Classificação dos Atos Administrativos

Segundo a doutrina majoritária, constituem as principais classificações os atos:

3.1. Quanto a seus destinatários

 Atos gerais (ou regulamentares) – são expedidos sem destinatários determinados. Apresentam um comando geral e abstrato, alcançando todos os sujeitos que esteja na mesma situação de fato abrangida por seus preceitos. São revogáveis a qualquer tempo pela Administração, porém inatacáveis por via judicial (exceto, pelo questionamento da constitucionalidade). Exemplos: regulamentos, instruções normativas.

 Atos individuais (especiais) – se dirigem a destinatários certos, criando-lhes situação jurídica particular, podem abranger um ou vários sujeitos, desde que sejam individualizados. Exemplo: decretos de desapropriação, de nomeação, de exoneração.

3.2. Quanto a seu alcance

 Internos – repercutem dentro da Administração Pública, podem ser gerais ou individuais e não dependem de publicação oficial para sua vigência. Exemplos: portarias e instruções ministeriais.

 Externos – repercutem for da Administração, alcançando os administradores, os contratantes e, às vezes, os próprios servidores, provendo sobre seus direitos, obrigações, negócios e conduta perante a Administração.

3.3. Quanto a seu objeto

 Atos de império ou de autoridade – a Administração pratica usando de sua supremacia sobre o administrado ou servidor, impondo obrigatório atendimento. Exemplos: desapropriações, interdições de atividade.

 Atos de gestão – a Administração pratica sem usar de supremacia sobre os destinatários.

 Atos de expediente – são atos de rotina interna, destinados a dar andamento aos processos e papéis que tramitam pelas repartições públicas.

3.4. Quanto a seu regramento

 Atos vinculados ou regrados – são os que a lei estabelece requisitos e condições para serem realizados, sem conferir ao agente margem de escolha para atuação.

 Atos discricionários – A Administração pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de sua realização. Contudo, a discricionariedade do ato não autoriza medidas arbitrárias.

3.5. Quanto à formação

 Ato simples – resulta da manifestação de vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado. Exemplo: despacho de um chefe.

 Ato complexo – formado pela conjugação de vontade de mais de um órgão administrativo. Exemplo: investidura de um funcionário

 Ato composto – resulta da vontade única de um órgão, porém depende da verificação por parte de outro, para se tornar exequível. Exemplo: uma autorização que dependa do visto de uma autoridade superior.

3.6. Quanto à eficácia

 Ato válido – está de acordo com a lei.  Ato nulo – apresenta um vício insanável.

 Ato anulável – apresenta defeito sanável. A Lei 9.784/99 admite a convalidação do ato administrativo: “(...) em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria administração”.

 Ato inexistente – tem aparência de manifestação regular da Administração, todavia não chega a aperfeiçoar-se como ato administrativo. Equipara-se ao ato nulo. Exemplo: ato praticado por um usurpador de função pública.

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3.7. Quanto a sua exequibilidade

 Ato perfeito – é o que passou por todo o processo de formação e já está pronto para ser executado.  Ato imperfeito – sua formação está incompleta ou carente de um ato complementar para tornar-se exequível e operante.

 Ato pendente – embora perfeito por reunir todos os elementos de sua formação, não produz seus efeitos por não se identificar o termo ou condição de que depende sua exequibilidade ou operatividade.

 Ato consumado – é o que já produziu seus efeitos, tornando-se irretratável ou imodificável por lhe faltar objeto.

4. Espécies de atos administrativos

Em conformidade com o posicionamento da doutrina majoritária, os atos administrativos podem ser organizados em cinco espécies:

1) Atos normativos; 2) Atos ordinatórios; 3) Atos enunciativos; 4) Atos negociais; 5) Atos punitivos.

5. Extinção dos atos administrativos

A extinção dos atos administrativos se dar pelo:  Cumprimento de seus efeitos;

 Desaparecimento do sujeito da relação jurídica;  Desaparecimento do objeto da relação jurídica;  Contraposição;

 Caducidade;  Cassação;  Revogação;  Anulação

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

A responsabilidade civil da administração pública impõe ao Estado o dever de reparar o dano causado a terceiros por agentes públicos, no exercício da função ou a pretexto de exercê-lo. O dano pode ser

material (lesão ao patrimônio do indivíduo atingido) ou moral (atinge o indivíduo no seu íntimo, pois a

moral é subjetiva).

Não se dever confundir responsabilidade civil com responsabilidade penal (decorrente de ilícito penal) ou com responsabilidade administrativa (decorrente de ilícitos funcionais administrativos). Contudo, as responsabilidades (civil, penal e administrativa) podem ser configuradas em um único fato, levando o servidor à responsabilização nas três esferas, mas nunca na mesma, pelo mesmo fato.

1. Evolução da Responsabilidade Civil do Estado

A Responsabilidade Civil do Estado pode ser dividida em três fases, são elas:

1ª) Fase de irresponsabilidade – vigorava na fase absolutista, quando não se admitia conduta ilícita

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2ª) Fase subjetivista (ou privatística) – o Estado só era responsabilizado caso ficasse provado o dolo

(intenção) ou a culpa (negligência, imprudência, imperícia) do agente público. A responsabilidade subjetiva é a regra no Direito Privado.

3ª) Fase publicista – as regras para a responsabilização do Estado passaram a seguir os princípios do

Direito Público. Várias teorias ganharam destaque como: da culpa administrativa e da responsabilidade objetiva.

2. Responsabilidade Civil do Estado no Direito Brasileiro

O art. 37, § 6º, da Constituição Federal de 1988, dispõe:

As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

A responsabilidade civil tem duas modalidades:

 responsabilidade contratual – relativa aos contratos realizados pelo Poder Público.

 responsabilidade extracontratual – deriva das diversas atividades realizadas pela Administração que nato tem características contratuais.

Para que seja caracterizada a responsabilidade administrativa é necessária a presença dos seguintes elementos:

a) Conduta lesiva do agente (dolo e a culpa); b) A ocorrência do dano (patrimonial ou moral);

c) O nexo de causalidade entre o dano e a conduta do agente.

Para que ocorra o direito à indenização, é necessário que o dano seja decorrente da ação do agente ou da omissão ilícita que é o não agir quando deveria agir.

O sistema jurídico brasileiro, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, aderiu a teoria do risco

administrativo mediante a possibilidade de exclusão ou atenuação da responsabilidade tendo em vista a

possibilidade do rompimento do nexo causal.

As principais causas excludentes da responsabilidade são: - Caso fortuito ou força maior;

- Culpa exclusiva do administrado; - Ato exclusivo de terceiro.

A reparação do dano pode ocorrer: administrativamente (feita por meio de um processo administrativo) ou judicialmente (o lesado ajuíza ação judicial). O valor a ser pleiteado pode abranger o que a vítima perdeu efetivamente e o que deixou de ganhar, acrescido de correção monetária e de juros de mora.

Mesmo com algumas divergências, prevalece o entendimento que a ação deve ser proposta no prazo de até cinco anos, sob pena de prescrição.

Vale lembrar que, o direito de regresso (art. 37, § 6º, da CF), pode ocorrer na esfera administrativa (amigável, sem a imposição unilateral) ou na esfera judicial (por meio da ação regressiva).

E ainda, por força do § 5º do art. 37, da CF, o exercício do direito de regresso é imprescritível, por isso, a ação regressiva, transmite-se aos herdeiros e sucessores do agente, podendo ser instaurada, inclusive, após a cessação da prestação do serviço público no cargo ou função.

3. Responsabilidade Civil do Estado Por Atos Legislativos

Se a lei for elaborada de acordo com a Constituição, não há o que se falar em responsabilidade civil. Entretanto, excepcionalmente, existirá a possibilidade de responsabilização, quando: 1) a norma for declarada inconstitucional e causar efetivamente um dano; 2) a lei for de efeito concreto, que, neste caso, equivale a um ato administrativo.

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4. Responsabilidade Civil do Estado Por Atos Jurisdicionais

Atos jurisdicionais são os praticados por magistrados no exercício da função jurisdicional do Estado. Em regra, não são passíveis de gerar a responsabilidade do Estado, porém, existem três hipóteses suscetíveis de responsabilidade:

 erro judiciário (art. 5º, LXXV, 1ª parte, CF);

 condenado preso além do tempo fixado na sentença (art. 5º, LXXV, 2ª parte, CF);

 quando o juiz, no exercício da função, proceder com dolo ou fraude, bem como recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providências que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte (art. 133, CPC).

Referências

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