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A diversificação didática e o bem-estar na escola

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Academic year: 2021

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FILOSOFIA

 

GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

       

FERNANDA OLIVEIRA TORRES

         

A diversificação didática e o bem­estar na escola

                                           

NITERÓI

 

2016

 

 

(2)

 

UFF – UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

     

FERNANDA OLIVEIRA TORRES

       

A diversificação didática e o bem­estar na escola

       

Monografia apresentada ao

 

 

 

curso de Graduação em

 

 

 

 

Ciências

 

Sociais

 

da

 

Universidade

 

Federal

 

Fluminense, como requisito

 

 

 

para a obtenção do Grau da

   

 

 

   

Licenciatura.

     

 

 

 Orientadora: Prof.ª Dr.ª HÉLÈNE CECILE PETRY 

   

NITERÓI

 

2016

 

(3)

                                                       Dedico à minha familia         com muito carinho.       

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    AGRADECIMENTOS       

Agradeço a Deus por ter guiado minha jornada até aqui e ter permitido que isso seja        realidade.  

A minha professora orientadora Hélène Petry, pela devida orientação e paciência em tão        pouco tempo. 

Aos meus pais que me deram suporte durante toda graduação. 

A Romulo Lima, que durante a produção desse trabalho esteve do meu lado sempre me        dando força.                                                 

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        RESUMO   

O presente trabalho objetivou estudar e analisar o bem­estar na escola para elucidar        como a diversificação didática pode contribuir para o bem­estar do aluno. Encaramos        essa diversificação didática como uma estratégia para ser adotada na sala de aula que        possa contribuir para o bem­estar do aluno e então contribuir consequentemente para a        aprendizagem.    PALAVRAS­CHAVES: diversificação didática; bem­estar; aprendizagem            ABSTRACT   

This paper aims to present and to analyze the well­being in school to show how a        didactic diversification can help in the student’s well­being. This diversification can be        seen as a strategy in the classroom to contribute to the student’s well­being, and then        improve, consequently, their learning.    KEY­WORDS: didactic diversification; well­being; learning                   

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                  SUMÁRIO    INTRODUÇÃO ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ 6  O BEM­ESTAR NA ESCOLA NA LITERATURA CIENTÍFICA ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ 8 

A  DIVERSIFICAÇÃO  DIDÁTICA E SUAS CONSEQUENCIAS NOS          COLÉGIOS OBSERVADOS ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­      14  CONCLUSÃO ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ 20  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ 21  ANEXOS ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ 23     

 

 

     

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       INTRODUÇÃO 

 

Todos nós sabemos das dificuldades encontradas pelos professores ­ de todas as áreas        de conhecimento ­ de proporcionar um ensino de qualidade para alunos de todos os        níveis. Encontrar estratégias que podem ser tomadas para poder então ultrapassar essas        dificuldades é de suma importância. 

A diversificação didática e o bem­estar na escola são dois aspectos complementares da        experiência escolar que podem ser grandes aliados para potencializar o aprendizado dos        alunos. 

A didática é essencial para o processo de ensino­aprendizado visto que é ela que orienta        o professor ao processo de ensino. Quando fazemos uma diversificação na didática ­        utilizando filmes, músicas, dinâmicas, etc. ­ estamos quebrando a rotina da sala de aula,        o que deixa os alunos mais ativos e participativos, aumentando seu bem­estar,        permitindo­os fazer parte daquilo, o que leva ao aprendizado.  

De acordo com o modelo de Allardt (1989), desenvolvido mais adiante neste artigo,        bem­estar, ensino/educação e realização/aprendizagem estão interligados. Ensino e        educação afetam cada categoria do bem­estar e isto está conectado com o aprendizado.        Sendo assim, o bem­estar dos alunos nas escolas pode contribuir de forma significativa        para o processo de ensino­aprendizagem também. 

Além do mais, observações feitas com turmas de ensino médio nos estágios obrigatórios        no colégio Aurelino Leal e participando do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de        Iniciação à Docência) na escola técnica Henrique Lage, ambas em Niteroi, RJ, apoiam       

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empiricamente o modelo didático supracitado. Nessas práticas pedagógicas, percebemos        que quando havia uma diversificação didática, contudo quando eram utilizados os        recursos áudios­visuais, havia uma maior participação e interesse dos alunos.  

Assim, a hipótese central deste trabalho é que a diversificação didática, entendida como        a incorporação ao cotidiano dos alunos, dentro e fora da sala de aula, de diversos        materiais configurações/ambientes, abordagens e recursos pedagógicos introduz o        imprevisto e o novo, melhorando o bem­estar dos discentes e docentes. Essas        alternativas metodológicas que ajudam a quebrar a rotina permitem uma maior        participação dos alunos, que se mostram mais engajados, melhorando assim o        desenvolvimento e ensino­aprendizagem.  

Diante da discussão proposta, temos como objetivo deste trabalho, entender a relação da        diversificação didática com o bem­estar do aluno e o quanto isso pode ser benéfico para        a vida escolar, aprendizagem e o desenvolvimento do aluno. Entendendo isto,        saberemos como contornar alguns dos problemas da sala de aula e fazer uso dessa        diversificação como uma ferramenta para manter a atenção do aluno e aperfeiçoar seu        aprendizado e desenvolvimento. Esperamos assim contribuir para que as aulas de        sociologia possam se tornar mais atraentes e melhor aproveitadas pelos alunos,        levando­os a compreender mais facilmente as questões propostas pela disciplina, e        formando assim cidadãos informados e críticos capazes de pensar autonomamente. 

No presente trabalho faremos primeiramente uma revisão bibliográfica com um resumo        da literatura científica do bem­estar na escola. No contexto da problemática encontra­se        a discussão em torno do bem­estar dos alunos dentro da sala de aula utilizando a teoria        de Erik Allardt, onde bem­estar é definido tanto no plano das necessidades materiais       

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quanto das não materiais. Discutiremos o bem­estar dentro da escola, sua relação com a        diversificação didática e porque ele é de suma importância para o aprendizado e        desenvolvimento do aluno. 

Na segunda parte do trabalho, analizaremos as observações empíricas realizadas nas        turmas de ensino médio e ensino médio técnico respectivamente no Colégio Estadual        Aurelino Leal e na Escola Técnica Henrique Lage, mostrando como estas duas questões        juntas podem manter a atenção dos alunos levando­os a uma maior participação e        consequentemente ao aprendizado. 

 

O

 

BEM­ESTAR

 

NA

 

ESCOLA

 

NA

 

LITERATURA

 

CIENTÍFICA 

 

A noção de bem­estar faz referência ao conjunto das coisas que são necessárias para        viver bem. De acordo com Carol D. Riff(      1989) , um indivíduo com um alto índice de        bem­estar é um indivíduo com a capacidade de auto­aceitação, relação positiva em        relação aos outros, autonomia, controle do ambiente, propósito na vida e crescimento        pessoal. 

Dinheiro para as necessidades materiais, saúde, tempo para as relações afetivas e lazer        são apenas algumas das questões que constituem o bem­estar de uma pessoa. Pode­se        dizer que bem­estar significa saúde de uma maneira mais ampla, de maneira ativa e em        todos os seus aspectos. Sendo este um conceito muito subjetivo, o bem­estar pode ser        diferente dependendo de cada indivíduo. 

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Concepções iniciais de 'bem­estar' surgiram como parte de um movimento visando        incentivar os governos a considerar uma ampla gama de fatores que contribuem para a        má saúde, além da doença ou sua ausência. Na Declaração de Alma­Ata de 1978, a        saúde é definida como "um estado de bem­estar físico, mental e social completo e não        meramente a ausência de doença ou enfermidade" (Declaração de Alma­Ata URSS,        1978). Desde então, o bem­estar vem evoluindo como um conceito global que é        geralmente utilizado para descrever a qualidade de vida das pessoas (Rees et al, 2010). 

Em um relatório governamental britânico sobre capital mental e bem estar (Government        Office for Science, 2008), o bem­estar é definido como um estado dinâmico que é        reforçado quando as pessoas podem realizar seus objetivos pessoais e sociais e alcançar        um senso     de propósito na sociedade. No lugar de ser estático, o bem­estar emerge de        acordo com como as pessoas interagem com o mundo ao redor delas em esferas        diferentes de sua vida. 

Existe na literatura científica uma distinção entre compreensões do bem­estar na        infância que adotam uma perspectiva de desenvolvimento e aquelas que adotam a        perspectiva dos direitos da criança (Pollard e Lee, 2003). A perspectiva        desenvolvimentista tende a incentivar medidas associadas a déficits como a pobreza, a        ignorância e a doença física. Embora tais indicadores fossem importantes para começar        a ajustar questões de desigualdades e exclusão social que impactam negativamente        sobre a saúde e bem­estar das crianças, elas podem ignorar os potenciais atributos e        pontos fortes das crianças. Onde uma compreensão dos direitos das crianças é central        para um conceito de bem­estar, indicadores e medidas tendem a se concentrar mais em        fatores que proporcionam oportunidades e ajudá­los a alcançar suas aspirações, e se       

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concentrar na qualidade de suas vidas agora, e não apenas no futuro (Morrow e Mayall,        2009). 

A psicologia afirma que crianças a partir de 8 anos tem habilidades cognitivas para se        expressar e diferenciar suas ideias das de outras pessoas. Deve­se então valorizar a        visão da criança sobre seu estado de saúde. Sabendo das necessidades das crianças, as        escolas podem implementar soluções e prevenir situações visto que nesta idade as        crianças estão em uma fase favorável à promoção de estratégias de eduação que podem        trazer o bem­estar desejado a elas. Os resultados da pesquisa “Saúde e bem estar das        crianças em idade escolar” (2011) ajudam a planejar estratégias de intervenção em        contexto escolar, para empoderamento, apoio relacional de ajuda e promoção de        autoestima das crianças. Com isso, pode aumentar o bem­estar da criança levando­a a        uma partipação mais ativa dentro da escola. (Noronha e Rodrigues, 2011). 

De acordo com Erik Allardt, bem­estar é um estado no qual é possível um ser humano        satisfazer suas necessidades básicas. No sistema indicador de bem­estar, tanto as        necessidades materiais quanto as não materiais são consideradas. O autor divide essas        necessidades em três categorias: 

● Ter (  ​Having​) – que se refere ao que é material e impessoal. Ex.: Salário, renda,       

ou bens, e recursos econômicos e materiais, condições de emprego, nutrição,        educação etc. 

● Ser (  ​Being​) – refere­se às necessidades para crescimento pessoal, integração       

com a sociedade e viver em harmonia com a natureza. 

● Amar (  ​Loving​) – diz a respeito das necessidades de se relacionar com outras       

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Cada ser humano vive numa sociedade que impacta profundamente sua vida.       Para as    crianças e os adolescentes, a escola é o cenário principal para a promoção da saúde.        Levando esses aspectos em consideração, o seguinte modelo conceitual de bem­estar na        escola (figura1) foi definido baseado na concepção de bem­estar do autor. Este modelo        foi desenvolvido para caber no ambiente escolar, aplicando a literatura sobre saúde e        avaliação da escola. 

Figura 1 ­ Modelo de bem­estar na escola.  

Fonte:  KONU Anne e RIMPELLÄ Matti Konu, 2002 

 

Neste modelo, bem­estar, ensino/educação e realizações/aprendizagem estão        interligados. Ensino e educação afetam cada categoria do bem­estar e isto está        conectado com o aprendizado.  

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Experiências positivas de aprendizagem aumentam a autorrealização. O ensino        adequado com orientação e incentivo produz estas experiências para diferentes tipos de        alunos. Oportunidades para atividades de lazer na escola e também uma aproximação        com a natureza agem como um contrapeso para trabalhar e, assim, sustentar a        autorrealização deixando o aluno mais motivado o que leva à manutenção do bem­estar        do aluno na escola. Com isso em mente, concentraremos então nossa atenção ao        bem­estar na escola. As categorias do bem­estar na escola: 

● Condições escolares (having

Condições escolares incluem o ambiente escolar físico em torno da escola e o ambiente        dentro da escola também (segurança, ventilação, temperatura, etc.). Outro aspecto lida        com o ambiente de aprendizagem (currículo, tamanho dos grupos, horários, etc.) e o        terceiro aspecto inclui serviços aos alunos (merenda escolar, cuidados com a saúde,        etc). 

● Relacionamentos sociais (loving

Refere­se ao ambiente social de aprendizagem, relação aluno­professor, relação com        outros alunos, dinâmicas de grupo, tomadas de decisões na escola e a atmosfera de toda        organização escolar. O clima escolar e o clima de aprendizagem têm seu efeito sobre o        bem­estar do aluno na escola. Um bom relacionamento e uma boa atmosfera são        desejaveis em si, e ainda podem ter um impacto positivo sobre o desempenho escolar        dos alunos. 

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Being” refere­se a cada pessoa ser respeitada como uma parte importante do todo. No        contexto escolar, é a forma como são oferecidos meios para a auto­realização. Cada        aluno deve ser igualmente considerado um membro importante para a comunidade        escolar participando nas tomadas de decisões sobre sua educação formal e outros        aspectos de sua vida escolar. 

Oportunidades para melhorar o conhecimento e as habilidades enfatizando o campo de

       

interesse do aluno são de suma importância, pois as experiências de aprendizagem        positivas podem aumentar a auto­realização. 

● Estado de saúde (health

O estado de saúde é visto no seu sentido conciso: a ausência de doença ou efemeridade.        Compreende sintomas físicos e mentais, resfriados comuns ou crônicos e outras        doenças. A saúde também é uma ferramenta importante através da qual outras partes do        bem­estar pode ser alcançada. Entretanto, é preciso lembrar que, por exemplo, uma        pessoa com uma doença crônica pode “estar bem” levando em consideração as outras        categorias do bem­estar. 

Apesar do conceito de bem­estar ser relativamente recente, vemos que a importância de        fatores subjetivos e emocionais, como as relações sociais, já estavam presentes em        teorias educacionais mais antigas, como a teoria de aprendizado sócio­histórico­cultural        de Vygotsky. Segundo o autor a origem das mudanças que ocorrem nos seres humanos,        ao longo do seu desenvolvimento, está intrinsecamente ligada às interações que ocorrem        entre o indivíduo e a sociedade, a sua cultura, sua história de vida e também das        situações de aprendizagem que levam a este desenvolvimento durante toda sua vida. Ou        seja, para o desenvolvimento do indivíduo as interações com outro ser social são, além       

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de necessárias, essenciais. Vygotsky verificou então que “a verdadeira trajetória de        desenvolvimento do pensamento não vai ao sentido do pensamento individual para o        socializado, mas do pensamento socializado para o individual” (Vygotsky, 1987  p.22) 

A partir disso, o psicólogo, percebeu que o pensamento não é formado com autonomia e        independência e sim sob condições determinadas, sob a mediação dos signos e dos        instrumentos culturais que estão acessíveis histórica e socialmente. Assim,  

[...] o processo de mediação, por meio de instrumentos e signos, é        fundamental para o desenvolvimento das funções psicológicas        superiores, distinguindo o homem dos outros animais. A mediação é        um processo essencial para tornar possível atividades psicológicas        voluntárias, intencionais, controladas pelo próprio indivíduo        (OLIVEIRA, 1997, p. 33). 

Sabemos que existem inúmeros motivos para o desinteresse por parte dos alunos numa        sala de aula ou até o abandono da escola. De acordo com a pesquisa ‘Motivos da        Evasão escolar’ da Fundação Getúlio Vargas, coordenada por Marcelo Neri(2009), a        evasão escolar ocorre em 40,3% por falta intrínseca de interesse. O que deveria ser feito        então para que esse numero diminuisse? A diversificação didática pode ser uma        estratégia adotada para que assim eles possam alcançar o bem­estar, e        consequentemente um maior interesse e atenção na aula. 

 

A

 

DIVERSIFICAÇÃO

 

DIDÁTICA

 

E

 

SUAS

 

CONSEQUENCIAS NOS COLÉGIOS OBSERVADOS 

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A didática tem um papel fundamental no trabalho do professor sendo ela a responsável        por viabilizar ao professor a capacidade de formular seus objetivos. A Didática é uma        disciplina teórico­prática que pretende auxiliar o professor “em todos os elementos        constitutivos da dinâmica escolar, quais sejam: a reflexão pedagógica necessária à        implementação de um projeto educativo, com suas concepções explicitadas através de        seus planejamentos e efetivadas através de sua dinâmica cotidiana” (Melo; Urbanetz,        2008, p. 152) 

A diversificação didática nada mais é do que a tentativa de ruptura com um modelo        tradicional e engessado. São as alternativas metodológicas utilizadas pelo professor que        podem quebrar a rotina dentro de uma sala de aula como, por exemplo, a exibição de        filmes ou documentários para que através deste possam discutir algum assunto do        programa. 

Foram observados dois colégios localizados em Niterói, RJ. O primeiro foi o Colégio        Estadual Aurelino Leal que é localizado no bairro do Ingá (mapa no anexo1), um bairro        nobre residencial da zona sul do município de Niterói, de classe média à classe média        alta. Também existe no bairro uma comunidade de baixa renda, o Morro do Palácio.  

É um colégio considerado tradicional no bairro devido a sua riquíssima história. O        público alvo do colégio são estudantes do primeiro ao terceiro ano do ensino médio,        numa faixa etária de alunos entre 15­18 anos, com alunos de classe baixa e média. 

O colégio no turno da manhã era somente para o ensino médio, à tarde para ensino        fundamental e a noite para educação de jovens e adultos. Foram assistidas às aulas de        sociologia nas turmas do 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio. Onde as turmas de 1º ano        tinham acesso a um tempo de 40 minutos de sociologia e as de 2º e 3º ano dois tempos       

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de 40 minutos cada. Tivemos a oportunidade de acompanhar dois professores neste        colégio, o Professor Bruno e a professora Leticia (nomes ficticios). 

No primeiro semestre de 2013 foram assistidas às aulas do professor Bruno. As aulas        eram ministradas de forma descontraída, o conteúdo era passado através de aulas        expositivas concatenadas às aulas com a utilização do recurso audiovisual que no caso        desse colégio era em grande maioria a utilização do data­show para passar filmes e/ou        documentários. 

O professor trazia todo o conteúdo para a realidade dos estudantes e isso fazia com que        houvesse uma maior participação dos mesmos. Fazendo a utilização dos filmes, era        possível mostrar na prática tudo o que haviam visto em aula, fazer a contextualização        do conteúdo. 

Em uma aula foi exibido o documentário “         A sombra da Marquise    ”, sobre moradores de        rua, todos os alunos – inclusive os mais agitados e desinteressados­ assistiram        atentamente ao documentário e ao final, no momento do debate sobre o tema, tiveram        várias falas dos alunos. Não foi como numa aula expositiva onde só o professor falava.        Aquilo chamou a atenção dos alunos e houve então uma maior participação. Um deles        trouxe o exemplo de um morador de rua que vivia próximo da escola e como as pessoas        o ignoravam seja por medo ou indiferença. Ouve também outro momento onde foi        passado o documentário “      Hiato” que mostra quando um grupo de manifestantes        organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul carioca. Mostrando        claramente a desigualdade e como esses manifestantes eram tratados nas lojas quando        entravam para olhar as roupas. Muitos alunos se identificaram com algumas situações       

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mostradas e relataram o que já tinham passado quando iam ao shopping com o uniforme        da escola, por exemplo. 

O professor passou ainda o documentário “Choque” que mostra o conflito diário entre

       

os camelôs e a guarda municipal, onde a maioria se mostrou indignada pela forma que a        guarda municipal muitas vezes tratou os camelôs no video e se posicionaram a favor        dos camelôs. 

Pudemos observar que quando essas atividades eram encerradas os alunos tinham o        desejo de opinar, de contar experiências vividas por amigos, familiares ou por eles        mesmos. Ou seja, quando era utilizado algum recurso para uma diversificação didática        que tornasse a aula um pouco mais atrativa daquela aula endurecida e expositiva havia        uma maior participação. 

No semestre seguinte a professora Letícia foi acompanhada em turmas de primeiro,        segundo e terceiro ano do ensino médio. A professora também tinha um jeito        descontraído de ministrar as aulas. Conseguia passar através de filmes curtos, utilizando        a música e trabalhos de colagem, o conteúdo de suas aulas (sobre violência,        desigualdade e condições desiguais, preconceito, cultura e diversidade etc.). 

Quando a professora falava sobre diversidade, passou um trabalho em grupo onde os        alunos tinham que achar uma música que falasse de alguma forma sobre o tema. Alunos        que não mostravam interesse nenhum pela matéria se engajaram na busca pela música        utilizando a internet do celular, apresentaram a música cantando e ajudando os outros        grupos (que em alguns casos tiveram vergonha de cantar). Em outra aula a professora        passou um trabalho de colagem sobre a desigualdade. Uma aluna achou uma imagem        onde tinha um prédio de luxo e uma favela divididos com um muro alto e muitos fios de       

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alta voltagem. Ela ficou olhando a imagem e disse somente: “Caramba!”, parecendo        abismada com o que via. Percebemos que a atividade trouxe uma grande reflexão a        todos e que muitos se identificaram com as imagens achadas por eles. 

A Escola Técnica Estadual (ETE) Henrique Lage é referência na formação Técnica em        Niterói. A escola compõe a rede de ensino da Fundação de Apoio à Escola Técnica        (Faetec), vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. Com mais de dois        mil alunos nos cursos Técnicos de Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica, Construção        Naval e Máquinas Navais, nas modalidades concomitantes e subsequente ao Ensino        Médio, a ETE Henrique Lage está instalada no Centro de Educação Tecnológica e        Profissionalizante (Cetep) Barreto (mapa no anexo 2). 

As aulas do professor Daniel foram acompanhadas em turmas de primeiro, segundo e        terceiro ano do ensino médio. As aulas eram no turno da manhã, no entanto havia        alguns dias em que os alunos tinham algumas aulas à tarde por conta do número de        matérias maior, já que tinham as matérias do técnico também. 

Nas aulas de sociologia, na grande maioria das vezes, era feito o uso dos recursos        audiovisuais para passar filmes e/ou documentários. A primeira atividade com filme que        acompanhamos foi quando o professor passou o filme “      Tempos Modernos  ” e depois      houve uma roda de discussão sobre o tema. 

Teve uma aula em que estavam se preparando para uma dinâmica de grupo, e uma aluna        foi questionada se gostava das aulas de sociologia e a resposta foi que “nesse ano sim        porque no ano passado as aulas do outro professor eram chatas, só tinham coisas para        copiar do quadro.” Notamos que as aulas eram consideradas interessantes em grande        para pela diversificação didática utilizada pelo professor. 

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Houve também o dia em que foi promovido um festival de curtas, onde foram exibidos

       

em cada turma alguns curta metragens selecionados para promover uma discussão sobre        alguns dos temas do currículo mínimo. Os alunos assistiram aos seguintes curtas:       Eu  não quero voltar sozinho; Leve­me para sair; Eu machista; Food Lunch; Love is all you                              need; O emprego; Vida Maria; Vista minha pele              ; e após os curtas houve um debate        sobre cada um. Percebemos que a maioria absoluta se engajou na atividade prestando        atenção nos filmes e participando do debate depois, mais do que quando havia uma aula        expositiva sem a utilização dos recursos. 

Após o festival de curtas, o professor passou um trabalho em que os alunos tinham que        escolher um dos temas abordados nos curtas e então apresentar de alguma forma, seja        por slides, texto, seminário, etc. E o que aconteceu foi que quase todos os grupos        apresentaram de forma diversificada. Um dos grupos escreveu uma poesia, no outro        grupo os alunos fizeram um Rap e cantaram para a turma, o outro eles fizeram um vídeo        onde falavam e mostravam a rotina dos trabalhadores. Percebemos então que os        estudantes não só se interessavam por aulas assim como também gostavam de        apresentar seus trabalhos dessa forma, havia sempre imagens, sons e vídeos presentes        na sala de aula. 

Visto tudo isso, podemos afirmar que as observações confirmaram que quando esses        recursos são utilizados na sala de aula para se obter uma diversificação didática eles são        capazes de potencializar o processo de ensino­aprendizagem, promover o bem­estar e        garantir um maior interesse do aluno na aula.  

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 CONCLUSÃO 

 

É preciso a interação com o meio em que se vive para poder falar sobre bem­estar e        consequentemente em desenvolvimento. Vimos que bem­estar, ensino e aprendizagem        estão interligados, exercendo então uma influência entre si. Sendo assim, o bem­estar        contribui para o processo de ensino­aprendizagem. 

Foi visto que a diversificação didática pode ser adotada como uma estratégia para        mudar a rotina da sala de aula. Tendo uma diversificação didática na escola com a        exibição de filmes ou documentários se faz presente a possibilidade de trazer a        realidade dos alunos para dentro da sala aula, contextualizando a aula, o aluno se sente        parte disto­ visto que a tecnologia e as midias fazem parte de seu paradigma­ e        estimulado a participar e colaborar com a aula de maneira efetiva levando­o ao        desenvolvimento e contribuindo para o seu bem­estar. 

De acordo com o texto "Documentos não escritos na sala de aula" de Circe Bittencourt: 

"Objetos de museus que compõem a cultura material são        portadores de informações sobre costumes, técnicas, condições        econômicas, ritos e crenças de nossos antepassados. Essas        informações ou mensagens são obtidas mediante uma 'leitura'        dos objetos, transformando­os em 'documentos'. 

Imagens diversas produzidas pela capacidade humana também

       

nos informam sobre o passado das sociedades, sobre suas        sensações, seu trabalho, suas paisagens, caminhos, cidades,        guerras. Qualquer imagem é importante, e não apenas aquelas        produzidas por artistas[...] 

[...] A música erudita ou a chamada "música popular", que no         Brasil integra a nossa cultura tão fortemente e é, no dizer de        Marcos Napolitano, "a tradutora dos nossos dilemas nacionais        e veículo de nossas utopias sociais"(2002, p. 7), completam        apresentação dos 'documentos' não escritos que podem ser        transformados em materiais didáticos preciosos na constituição        do conhecimento histórico escolar" (BITTENCOURT, 2004) 

(22)

 

Os filmes, documentários, as imagens ou músicas são os documentos não escritos        dentro de uma sala de aula. Eles funcionam como tradutores dos nossos dilemas. Os        alunos conseguem perceber em seu cotidiano de forma clara e rápida, os        questionamentos e/ou críticas que esses documentos não escritos queriam e querem        passar. Utilizar músicas para debater algum tema, concatenar aulas expositivas com        imagens para mostrar alguma realidade, dinâmicas de grupo como exercício de fixação        ou avaliativo são algumas das formas de conseguir a diversificação didática        consequentemente uma maior atenção e bem­estar dos alunos e então contribuir de        forma efetiva para o processo de ensino­aprendizagem.  

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

 

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes.       Documentos não escritos na sala de aula            .  In Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004 

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(23)

 

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CONFERENCIA INTERNACIONAL SOBRE CUIDADOS PRIMÁRIOS DE        SAÚDE. Declaração de alma­ata, URSS, 1978     

 

ANEXOS 

Anexo 1 

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  Anexo 2 

  (mapas retirado do site https://maps.google.com.br/

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