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Academic year: 2021

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N20110222n

RECIBOS VERDES NA ARS/ALGARVE

A 22 de Fevereiro de 2011, Mendes Bota endereçou ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e ao Ministério da Saúde, um conjunto de Perguntas ao Governo questionando o tratamento de que têm sido alvo os trabalhadores encarregues da conferência de facturas na Administração Regional de Saúde do Algarve, inicialmente contratados directamente por esta entidade pública e depois “trespassados” para uma empresa privada a quem foi concessionado este serviço. Em ambas as situações, foram sujeitos a trabalhar em regime de “recibos verdes”.

ANEXO A

REQUERIMENTO Número /x ( .ª) PERGUNTA Número /x ( .ª)

Assunto: “RECIBOS VERDES” NA ARS ALGARVE I.P. Destinatário: Ministério da Saúde

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Existem trabalhadores cuja relação profissional com a ARS ALGARVE, I.P. começou em meados de 2003, na secção de conferência de facturas de farmácias. Desde 2003 até Abril de 2007 trabalharam directamente para a ARS com contratos a termo certo, intercalados com contratos de prestação de serviços (de 6 em 6 meses) sendo que, nestes últimos, a forma de pagamento era através dos chamados “recibos verdes”. A partir de Maio de 2007, a ARS ALGARVE contratou esse mesmo serviço de conferência de facturas a uma empresa (New Link Solutions – Consultoria e engenharia, S.A.), com sede em Lisboa. Na altura em que esta empresa começou a prestar serviços para a ARS os trabalhadores que estavam afectos à conferência de facturas (7 elementos à data) mantiveram-se a prestar rigorosamente os mesmos serviços, no mesmo local de trabalho, mas agora pela empresa NLS.

Desde essa altura, o acordo que a empresa tem mantido com os trabalhadores foi apenas verbal, com o respectivo pagamento, do suposto vencimento, feito através de “recibos verdes”, não existindo qualquer contrato. Apesar de a empresa NLS ter ficado com o serviço de conferência de facturas, a secção na qual os trabalhadores têm operado ficou sempre a ser “supervisionada” por uma coordenadora técnica da ARS ALGARVE, I.P. Em Fevereiro de 2010, uma parte do serviço que tinha ficado afecto à empresa (conferência de farmácias) foi centralizado para o Centro de Conferência da Maia, resultando daí que 5 elementos que trabalhavam através da NLS foram “despedidos”, sem quaisquer direitos sociais ou laborais. Em meados de Março de 2010, durante uma

Expeça-se Publique-se

/ / O Secretário da Mesa

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visita da Ministra da Saúde, Ana Jorge, à ARS ALGARVE, e na presença do respectivo Conselho Directivo da ARS ALGARVE, I.P., foi-lhes exposta esta situação, e feito um alerta para a consequência de despedimento das pessoas que trabalhavam na NLS em Faro, adveniente da canalização do serviço para o Centro de Conferência da Maia. Porém, apesar desta exposição, não foi encontrada nenhuma solução, e dos sete trabalhadores, cinco foram “despedidos”, restando apenas dois.

Toda esta situação dos “recibos verdes” tem-se prolongado desde Maio 2007 até ao presente momento (Fevereiro 2011), sendo que, em 2011, estes trabalhadores ainda não receberam qualquer vencimento, uma vez que a empresa NLS alega que, por desentendimentos com a ARS ALGARVE, I.P., não foi possível até ao momento renovar o contrato de prestação de serviços para o ano em vigor.

Por esta mesma razão, no início de 2011, a empresa NFL recusou-se a assinar um contrato de trabalho com os dois trabalhadores que continuam a assegurar o serviço, alegando que não tinha condições para o fazer.

Entretanto, a ACT (Autoridade das Competências do Trabalho) já está a fiscalizar esta situação laboral, não só por falta de pagamento da NFL aos prestadores dos serviços, mas também pela situação anómala de haver quem trabalha na ARS ALGARVE, e para a ARS ALGARVE, durante um tão longo período de tempo (3 anos e 9 meses), numa situação de precariedade que urge resolver.

Atendendo à necessidade de continuar a assegurar o serviço, e à competência sempre demonstrada por estes dois trabalhadores, a ARS ALGARVE tem o dever, não apenas legal, mas sobretudo moral, de encontrar uma solução para esta situação.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais, legais e regimentais, venho solicitar a V. Exa. se digne obter do Ministério da Saúde resposta às seguintes questões:

1- Concorda que a ARS ALGARVE I.P. contrate serviços a uma empresa privada que utiliza trabalhadores sob o regime de falsos “recibos verdes”, sem qualquer contrato e de uma forma extremamente precária?

2- Concorda com uma centralização do serviço de conferência de receituário médico no Centro de Conferência da Maia, espalhando desemprego pelas sub-regiões de Saúde onde se fazia essa mesma conferência de facturas?

3- Que solução apresenta o governo para as pessoas que trabalham a “recibos verdes” através de empresas privadas contratadas pelo sector público, de modo a não compactuar com essa situação?

4- Concorda ou não que esta privatização de serviços acaba por aumentar os custos a suportar pelo Estado, de que é exemplo o Centro de Conferência da Maia, pois aos custos com o pagamento dos trabalhadores ainda acresce a margem de lucro que qualquer empresa privada deseja obter, não lhe acrescentando nenhuma outra mais-valia?

5- Pode o Governo ignorar uma situação como a que se encontra aqui descrita, em que foi o próprio Estado quem manteve durante anos uma situação de falsos “recibos verdes”, transferida mais recentemente para uma empresa privada que lhe presta serviços, mas cujos trabalhadores se mantiveram nas mesmas instalações do Estado, usando os materiais fornecidos pelo Estado, e sendo obrigados a cumprir um horário, apesar do vínculo precário da sua relação

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profissional e laboral?

Palácio de São Bento, 22 de Fevereiro de 2011

O Deputado:

José Mendes Bota

ANEXO B

REQUERIMENTO Número /x ( .ª) PERGUNTA Número /x ( .ª)

Assunto: “RECIBOS VERDES” NA ARS ALGARVE I.P. Destinatário: Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Existem trabalhadores cuja relação profissional com a ARS ALGARVE, I.P. começou em meados de 2003, na secção de conferência de facturas de farmácias. Desde 2003 até Abril de 2007 trabalharam directamente para a ARS com contratos a termo certo, intercalados com contratos de prestação de serviços (de 6 em 6 meses) sendo que, nestes últimos, a forma de pagamento era através dos chamados “recibos verdes”. A partir de Maio de 2007, a ARS ALGARVE contratou esse mesmo serviço de conferência de facturas a uma empresa (New Link Solutions – Consultoria e engenharia, S.A.), com sede em Lisboa. Na altura em que esta empresa começou a prestar serviços para a ARS os trabalhadores que estavam afectos à conferência de facturas (7 elementos à data) mantiveram-se a prestar rigorosamente os mesmos serviços, no mesmo local de trabalho, mas agora pela empresa NLS.

Desde essa altura, o acordo que a empresa tem mantido com os trabalhadores foi apenas verbal, com o respectivo pagamento, do suposto vencimento, feito através de “recibos verdes”, não existindo qualquer contrato. Apesar de a empresa NLS ter ficado com o serviço de conferência de facturas, a secção na qual os trabalhadores têm operado ficou sempre a ser “supervisionada” por uma coordenadora técnica da ARS ALGARVE, I.P. Em Fevereiro de 2010, uma parte do serviço que tinha ficado afecto à empresa

Expeça-se Publique-se

/ / O Secretário da Mesa

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(conferência de farmácias) foi centralizado para o Centro de Conferência da Maia, resultando daí que 5 elementos que trabalhavam através da NLS foram “despedidos”, sem quaisquer direitos sociais ou laborais. Em meados de Março de 2010, durante uma visita da Ministra da Saúde, Ana Jorge, à ARS ALGARVE, e na presença do respectivo Conselho Directivo da ARS ALGARVE, I.P., foi-lhes exposta esta situação, e feito um alerta para a consequência de despedimento das pessoas que trabalhavam na NLS em Faro, adveniente da canalização do serviço para o Centro de Conferência da Maia. Porém, apesar desta exposição, não foi encontrada nenhuma solução, e dos sete trabalhadores, cinco foram “despedidos”, restando apenas dois.

Toda esta situação dos “recibos verdes” tem-se prolongado desde Maio 2007 até ao presente momento (Fevereiro 2011), sendo que, em 2011, estes trabalhadores ainda não receberam qualquer vencimento, uma vez que a empresa NLS alega que, por desentendimentos com a ARS ALGARVE, I.P., não foi possível até ao momento renovar o contrato de prestação de serviços para o ano em vigor.

Por esta mesma razão, no início de 2011, a empresa NFL recusou-se a assinar um contrato de trabalho com os dois trabalhadores que continuam a assegurar o serviço, alegando que não tinha condições para o fazer.

Entretanto, a ACT (Autoridade das Competências do Trabalho) já está a fiscalizar esta situação laboral, não só por falta de pagamento da NFL aos prestadores dos serviços, mas também pela situação anómala de haver quem trabalha na ARS ALGARVE, e para a ARS ALGARVE, durante um tão longo período de tempo (3 anos e 9 meses), numa situação de precariedade que urge resolver.

Atendendo à necessidade de continuar a assegurar o serviço, e à competência sempre demonstrada por estes dois trabalhadores, a ARS ALGARVE tem o dever, não apenas legal, mas sobretudo moral, de encontrar uma solução para esta situação.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais, legais e regimentais, venho solicitar a V. Exa. se digne obter do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social resposta às seguintes questões:

1- Concorda que a ARS ALGARVE I.P. contrate serviços a uma empresa privada que utiliza trabalhadores sob o regime de falsos “recibos verdes”, sem qualquer contrato e de uma forma extremamente precária?

2- Concorda com uma centralização do serviço de conferência de receituário médico no Centro de Conferência da Maia, espalhando desemprego pelas sub-regiões de Saúde onde se fazia essa mesma conferência de facturas?

3- Que solução apresenta o governo para as pessoas que trabalham a “recibos verdes” através de empresas privadas contratadas pelo sector público, de modo a não compactuar com essa situação?

4- Concorda ou não que esta privatização de serviços acaba por aumentar os custos a suportar pelo Estado, de que é exemplo o Centro de Conferência da Maia, pois aos custos com o pagamento dos trabalhadores ainda acresce a margem de lucro que qualquer empresa privada deseja obter, não lhe acrescentando nenhuma outra mais-valia?

5- Pode o Governo ignorar uma situação como a que se encontra aqui descrita, em que foi o próprio Estado quem manteve durante anos uma situação de falsos “recibos verdes”, transferida mais recentemente para uma empresa privada que

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lhe presta serviços, mas cujos trabalhadores se mantiveram nas mesmas instalações do Estado, usando os materiais fornecidos pelo Estado, e sendo obrigados a cumprir um horário, apesar do vínculo precário da sua relação profissional e laboral?

Palácio de São Bento, 22 de Fevereiro de 2011

O Deputado:

José Mendes Bota

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