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PROJETO DE LEI Nº 198/2013
Dispõe sobre a admissão, no Estado do Espírito Santo, de diplomas de pós-graduação “strictu-sensu” (Mestrado e Doutorado) originários de cursos ofertados de forma integralmente presencial nos países do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL e em Portugal.
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO DECRETA:
Art. 1º Fica vedado à Administração Pública Direta e Indireta estadual negar efeito
aos títulos de pós-graduação “strictu-sensu”, obtidos de forma integralmente presencial em Universidades nos países do MERCOSUL e em Portugal, desde que regulamentados nesses países, nos termos do parágrafo único do art. 4º, art.5º caput, inciso XIII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal, do Decreto Legislativo Federal 800, de 23 de outubro de 2003, do Decreto Presidencial 5.518, de 23 de agosto de 2005, e do Tratado de Amizade celebrado entre Brasil e Portugal, de 22 de Abril de 2000, Promulgado pelo Decreto Legislativo N 3.927, publicado em 19 de Setembro de 2001 quando destinados à docência e / ou pesquisa nas Instituições Estaduais de Ensino.
§1º Os editais de concurso público para seleção de docentes e pesquisadores não
conterão exigências que possam ferir o disposto nesta Lei.
§ 2º Aplica-se o disposto previsto no art.1º nos seguintes casos:
I - concessão de progressão funcional por titulação; II - gratificação pela titulação;
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III - concessão de benefícios legais decorrentes da obtenção da titulação respectiva.
Art. 2º Não se aplica o disposto nesta Lei aos títulos obtidos em instituições de
ensino localizadas fora dos territórios dos países membros do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e de Portugal.
§1º Aplicam-se as vedações dispostas no caput aos títulos obtidos por meio de
ensino NÃO-Presencial, mesmo que em território de país membro do MERCOSUL e em Portugal.
§ 2º Não serão admitidos títulos oriundos de cursos de pós-graduação ofertados
por instituições de ensino superior estrangeiras, com aulas no Brasil, mesmo que em parceria com instituições brasileiras, sem a devida autorização do poder público competente.
Art. 3º São nulas de pleno direito as exigências de revalidação que possam
causar prejuízos aos detentores de Títulos obtidos em Instituições de Ensino Superior dos países membros do Mercado Comum do Sul - MERCOSUL – e em Portugal, em face daqueles equivalentes obtidos no Brasil, cujo tratamento venha caracterizar obstáculo ao exercício da docência, pesquisa ou, mesmo, seleção para ingresso nessas carreiras, no âmbito da Administração Pública Estadual.
Parágrafo único - Os Editais de concurso público para a seleção de docentes ou
pesquisadores não conterão exigências que possam ferir o disposto nesta lei.
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Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 7º Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das Sessões, em 11 de Junho de 2013.
DA VITÓRIA Deputado Estadual PDT GILSINHO LOPES Deputado Estadual PR
JOSÉ ESMERALDO RODRIGO COELHO
Deputado Estadual Deputado Estadual
PR PT
MARCOS MANSUR ROBETO CARLOS
Deputado Estadual Deputado Estadual
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JUSTIFICATIVA
Em razão da dificuldade encontrada por cerca de 20 mil profissionais, em todo o Brasil, para revalidar seus diplomas obtidos no MERCOSUL e em Portugal, países que possuem Tratado de Reciprocidade Acadêmica com o Brasil, é que ocorreu, no dia 25 de junho de 2012, nas dependências desta Casa de Leis, audiência pública para discutir a revalidação de diplomas de cursos de pós-graduação expedidos por instituições de ensino estrangeiras para estudantes brasileiros.
Com a participação de profissionais da educação, autoridades e demais presentes, a discussão foi prolongada e muito se falou sobre a não existência de vagas para atender a demanda por cursos de pós-graduação nas universidades federais.
Hoje, o graduado se depara com a necessidade de continuar seus estudos, mas impedido muitas das vezes pela falta de vagas nos cursos oferecidos pelas Instituições de Educação Federais do país.
Não é difícil perceber o número exorbitante de profissionais e estudantes que migram para outros países na busca de qualificação e conhecimento. Atraídos também pela vivência de outra cultura, a moradia no exterior também propicia ao graduado ampliar seus horizontes, além de poder dedicar-se a campos muitas vezes incipientes ou inexistentes nas universidades nacionais.
Nos chamados países do MERCOSUL, a constante inda e vinda de profissionais já se tornou corriqueira.
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Mas o problema está aí. Profissionais e estudantes investem muito dinheiro cursando uma especialização, viajando para outro país, estudando, concluindo o curso, recebendo o diploma, mas esse não é revalidado em seu país origem.
Essa é a realidade, onde muitos profissionais esperam há anos pela revalidação de seus diplomas, mesmo com o Conselho Nacional de Educação normatizando prazo de seis meses para as universidades federais do Brasil reconhecerem os títulos. No Espírito Santo, atualmente, cerca de três mil profissionais sofrem com essa situação.
Cristóvão Buarque (PDT-DF) em recente audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores (CRE) e de Educação (CE), que tratou desse mesmo tema, afirmou que “trata-se de uma questão de direitos humanos. Dezenas de milhares de jovens são hoje praticamente exilados acadêmicos, pois podem entrar no país, mas não no consultório ou no escritório de engenharia.” (Fonte: Senado Federal, Agência de Notícias).
No entanto, o não respeitar o “Acordo de Admissão de Títulos e Graus Universitários Para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL”, devidamente entronizado na legislação brasileira pelo Decreto Legislativo nº 800/2003 e Decreto Presidencial Nº 5.518/2005, deixa claro que:
“Artigo Primeiro
Os Estados Partes, por meio de seus organismos competentes, admitirão, unicamente para o exercício de atividades de docência e pesquisa nas instituições de ensino superior no Brasil, nas universidades e institutos superiores no Paraguai, nas instituições universitárias na Argentina e no Uruguai, os títulos de graduação e de pós-graduação reconhecidos e credenciados nos Estados Partes, segundo procedimentos e
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critérios a serem estabelecidos para a implementação deste Acordo”.
Como se sabe, os Acordos e Tratados Internacionais são hoje pacificamente reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal, como possuidores de status infraconstitucional e supralegal, isto é, inferiores à Constituição, mas superiores à legislação ordinária (a não ser que aprovado com quórum equivalente às emendas constitucionais, quando tem status constitucional – art. 5º, §3º, Constituição Federal).
Ademais, a própria Constituição dá-se também efetividade:
“Art. 4º – A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
(...)
Parágrafo único. “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.”
Da mesma forma, o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa, promulgado pelo Decreto 3.927, de 19 de setembro de 2001, prevê diversas formas de integração e aproximação dos dois países, das quais destacamos o artigo 28:
“ARTIGO 28
1. As Partes Contratantes comprometem-se a estimular a cooperação nos campos da ciência e da tecnologia.
2. Essa cooperação poderá assumir, nomeadamente, a forma de intercâmbio de informações e de documentação científica, técnica e tecnológica; de intercâmbio de
professores, estudantes, cientistas, pesquisadores,
peritos e técnicos; de organização de visitas e viagens de estudo de delegações científicas e tecnológicas; de estudo, preparação e realização conjunta ou coordenada de
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programas ou projetos de pesquisa científica e de desenvolvimento tecnológico; de apoio à realização, no território de uma das Partes, de exposições de caráter científico, tecnológico e industrial, organizadas pela outra Parte Contratante. ”(g.n.)
Fica claro que há o estímulo do intercâmbio de estudo, mas depois há a dificuldade de reconhecimento dos mesmos.
Assim, na busca de fazer valer o direito de admissão dos diplomas de pós-graduação cursados no estrangeiro à luz dos Tratados internacionais do MERCOSUL e Tratado de Amizade com Portugal para dar efetividade no Estado do Espírito Santo ao tratado supracitado, regulamentando-o, e auxiliando os alunos para aprovar os justos pedidos de admissão de títulos, é que propomos a presente lei.
Ressaltamos que a competência de legislar sobre educação é concorrente (Art. 24, IX, Constituição Federal), e dar agilidade ao reconhecimento a esses títulos de mestres e doutores interessa, verdadeiramente, não só aos estudantes, mas sim ao país, e em especial, ao Estado do Espírito Santo, a fim de que, possamos atrair e manter a mão de obra qualificada que necessitamos para o seu maior desenvolvimento.
Estas são as razões que justificam a formulação desta propositura.
DA VITÓRIA Deputado Estadual
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GILSINHO LOPES Deputado Estadual PR
JOSÉ ESMERALDO RODRIGO COELHO
Deputado Estadual Deputado Estadual
PR PT
MARCOS MANSUR ROBETO CARLOS
Deputado Estadual Deputado Estadual