Até quando?
Cap.1- Separação
Um roteiro
de Lucas Luiz
SEQ. 1: Sala do apartamento – Int. / dia
Letícia procura por algo em uma caixa de sapato, sentada no sofá. A sua frente está André, em pé, observando-a.
André:
Você vai insistir nisso?Letícia:
Não estou insistindo em nada. Estou é desistindo de tudo.André passa as mãos pelo rosto, senta-se ao lado da moça.
André:
Não haja por impulsão, por favor.Letícia com um sorriso irônico:
Chega a ser engraçado, você, logo você me mandando não ser impulsiva.André:
Ora, alguma vez já deu certo pra mim?Letícia acha um envelope, joga-o em cima da mesa a frente do sofá.
André:
E alguma vez já deu certo para mim? Responda-me...Letícia:
Não. Mas também tenho direito de errar.Letícia:
Estou voltando para a casa dos meus pais.A moça se levanta e vai para o quarto. André pega o envelope, olha por segundos, era a primeira carta de amor escrita por ele, para ela. Ele lê a carta com os olhos
lacrimejando. Depois se joga no sofá, chorando.
SEQ. 2: Quarto – Int. / Dia
Letícia termina de dobrar algumas de suas camisas, colocando-as em seguida na mala. Percorre todo o quarto com os olhos, para ver se não esquecia nada. Seu celular começa a tocar.
Letícia:
Alô.Juliana ao telefone:
Realmente vai largar tudo e voltar para o interior?Letícia:
Que opções eu tenho?Juliana:
Letícia, eu sei que você esta muito magoada, mas não se precipite. Pode passar uns dias aqui comigo, até tudo se resolver.Ela suspira. Desliga o telefone e se senta na cama pensativa.
SEQ. 3: Sala do apartamento – Int. / Tarde
Letícia vem em direção a saída, com as malas na mão. Andre continua sentado no sofá, com uma cerveja na mão, olhando para o nada.
Letícia tristemente:
Então é isso.André, sem olhar para ela:
É, é isso.Letícia:
Sabe, não dá para te entender. Esta me vendo sair de casa e não move uma palha para tentar impedir. Qual é o seu problema?Ele coloca a garrafa de cerveja em cima da mesa e a olha com uma lágrima escorrendo em seu rosto.
André:
Se eu te pedisse pra ficar, você ficaria?Letícia:
Não.André:
Então o que quer que eu faça?Letícia abre a porta.
Letícia:
Não sei. Sinceramente, eu já não sei de mais nada.Ela sai, encosta a porta. André passa a mão direita pelos cabelos, tenta segurar as lágrimas, mas escorrem algumas. Depois, pega a garrafa de cerveja e a joga contra a porta.
SEQ. 4. – Rua em frente ao prédio – Ext. / Dia
Juliana espera por Letícia em frente ao prédio, a ajuda a guardar as malas no porta-malas de seu carro, que está parado na rua.
As duas entram no carro em silêncio.
SEQ. 5 – Carro – Int. / Dia
Juliana, enquanto da a partida:
Que bom que desistiu da idéia de voltar para o interior.Letícia, olhando para a rua:
Eu ainda não desisti. Só adiei...Juliana:
Não pode agir por impulsão, você sempre condenou o André por isso, agora vai simplesmente agir da mesma forma?Juliana:
Não sei, mas antes de qualquer coisa deve esfriar essa cabeça e depois pensar com calma em tudo. Vocês deram um passo maior que a perna, foi tudo muito rápido, não deveriam ter ido morar juntos tão cedo.Letícia olhava com um semblante triste a paisagem que parecia correr, pela janela do carro.
SEQ.6 – Bar - Int. / Noite
André bebe sentado em uma mesa, junto com seu amigo Bruno. O rapaz continua tristonho, cabisbaixo.
Bruno:
Vai me contar o que aconteceu, sim ou não?André:
Não quero falar sobre isso.Bruno:
Ótimo. Guarda toda magoa pra si mesmo e depois descarrega tudo em alguém que não tem nada a ver com suas paranóias.André toma um gole da cerveja, olha para o lado da rua.
André:
O que quis dizer com isso?Bruno:
Quis dizer que sempre faz a mesma merda! Não se abre com ninguém, acumula um monte de coisas e depois desconta tudo em um alguém.André tristemente:
Letícia foi embora, voltou para a casa dos pais. – depois toma mais um gole da cervejaBruno:
E o que aconteceu, cara?André:
Exatamente o que acabou de dizer. Alguns pequenos problemas se acumularam e eu acabei explodindo, jogando tudo de uma vez em cima dela.Bruno:
Ok, eu não estou surpreso. Até porque já aconteceu antes. Dá um tempo para ela, deixa a raiva passar e tudo vai voltar pro lugar. Vocês se amam e no fim sempre se acertam. Não sei como.André:
Está maluco? Você me ouviu? Ela voltou para a casa dos pais. Foi para o interior.Bruno:
E daí? Quando ela sentir saudade irá te procurar, voltar atrás. E você mesmo quando sentir a falta dela pode ir procurá-la lá na casa dos pais. Isso não quer dizer nada...André:
Eu não sei Bruno. Eu já não sei de mais nada.Bruno:
Você precisa se distrair um pouco. Hoje, Ana vai dar uma festa na casa dela, acho que seria legal a sua presença. Sair um pouco, esfriar essa cabeça, beber e se divertir. Depois com calma, retomar seu relacionamento.André:
Ah cara, as coisas não são bem assim. Não acho uma boa idéia.Bruno:
Não. Está decidido, você vai!SEQ. 7- Festa, casa da Ana – Int. / Fim de noite
André chega á festa junto com Bruno, todo sem jeito. Há música alta e várias pessoas dançando na sala. Ana os recebe.
Ana gritando:
Que bom que vieram! Tem cerveja na geladeira. É só pegar, aproveitem a festa.Eles esboçam um sorriso. André observa atentamente a todas as pessoas que estão ali, da cabeça aos pés.
André gritando:
Acho que não devia ter vindo.Bruno:
O que é que está lindo?André:
Eu disse, acho que não devia ter vindo!Bruno:
Deixa de bobagem. Vem vamos pegar umas cervejas...André caminha sem jeito pela sala, em direção a cozinha, enquanto Bruno passa dançando.
Bruno pega duas cervejas na geladeira, entrega uma para o amigo.
André, abrindo a cerveja:
Você é ridículo!Os dois estão parados na cozinha tumultuada, observando a movimentação das pessoas pela casa, enquanto bebem a cerveja.
André:
Também você esta encalhado! – ergue a cerveja para um brindeBruno:
E você abandonado! – brinda com AndréAndré esta ao lado de Bruno, que olha todo o tempo para frente, em direção a sala.
Bruno:
Você nunca pensou em tentar encontrar outro alguém? Quer dizer, eu sei que você gosta dela, mas é que já foram tantas idas e vindas, tantos erros, lamentos. Será que ela é realmente a pessoa certa para você?André nervoso:
A gente só um pouco diferente, mas nunca duvide do nosso sentimento, ele supera esses pequenos contratempos! Nunca duvide disso.Bruno, com os braços abertos:
Tá, não esta mais aqui quem falou!Bruno sai em direção a sala dançando, enquanto André continua na cozinha pensativo. As palavras do amigo deram uma balançada nele. Ele pensa:
“Será que ele tem razão? Afinal quantas vezes nós já tentamos e no fim terminamos como hoje?! Magoados um com o outro. Será que é tempo de por um ponto final
nisso?” – segue olhando para o nada, sem sequer parecer notar o tumulto, várias pessoas passando e dançando a sua volta. Parece estar longe...