EFEITO DE DOSES SUBLETAIS CRÔNICAS DE DDT E DIELDRIN SOBRE A B I O L O G I A DE Rhodnius prolixus STAL, 1859
(Hemiptera: R e d u v i i d a e ) EM CON- D I Ç Õ E S DE L A B O R A T Ó R I O
M A R I A D O C A R M O F E R R E I R A
C U R S O DE P Ó S - G R A D U A Ç Ã O E M M E D I C I N A V E T E R I N Á R I A P A R A S I T O L O G I A V E T E R I N Á R I A
EFEITO DE DOSES SUBLETAIS CRÔNICAS DE DDT E DIELDRIN SOBRE A BIOLOGIA DE Rhodnius prolixus STAL, 1859
(Hemiptera: R e d u v i i d a e ) E M C O N - D I Ç Õ E S DE L A B O R A T Ó R I O
M A R I A D O C A R M O F E R R E I R A
SOB A ORIENTAÇÃO DO PROFESSOR: NICOLAU MAUÉS DA SERRA FREIRE
Tese submetida como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Ciência em Medici-na Veterinária, Área de Concen-tração em Parasitologia Veteri-nária.
ITAGUAÍ, Rio de J a n e i r o N o v e m b r o , 1986
TÍTULO DA TESE
E F E I T O DE D O S E S S U B L E T A I S C R Ô N I C A S DE D D T E D I E L D R I N S O B R E A B I O L O G I A DE
Rhodnius prolixus
STAL, 1859(Hemiptera: R e d u v i i d a e ) EM C O N - D I Ç Õ E S DE L A B O R A T Ó R I O
AUTORA
M A R I A DO C A R M O F E R R E I R A
APROVADA EM: 10/12/1986
Dr. N I C O L A U M A U É S D A S E R R A F R E I R E Dra. M A R I A L U I Z A M A U É S G A R C I A Dr. JOSÉ J U R B E R G"A única finalidade da Ciên-cia é aliviar a miséria da existência humana"
v.
À Terezinha e ao Ernani, meus p a i s , q u e m e e n s i n a r a m a apre- c i a r a b e l e z a d o s i n s e t o s .
Meus sinceros agradecimentos a esta Universidade pe-la oportunidade concedida e à todos os que contribuiram para a r e a l i z a ç ã o d e s t e trabalho, e m e s p e c i a l :
ao Prof. ERIK DAEMON, pelo apoio e incentivo cons-tante, por todas as sugestões e criticas, e principalmente pelo carinho e amizade, sem os quais não seria possível a rea-l i z a ç ã o d e s t e trabarea-lho;
ao Dr. NICOLAU MAUÉS DA SERRA FREIRE, pela orienta-ção, a m p a r o e e m p e n h o na f i n a l i z a ç ã o d e s t e trabalho;
ao Dr. ELOI DE SOUZA GARCIA, pela orientação na fa-se inicial dos experimentos, pela idéia e por haver me aco-l h i d o e m seu aco-laboratório;
ao Dr. GONZALO EFRAIN MOYA BORJA, pela atenção, re-v i s ã o do t e x t o e pelas s u g e s t õ e s ;
Fe-vii.
deral Fluminense - RJ, pela dedicação com que mantinha a co-l ô n i a de insetos;
ao RICARDO TONINI, pela forma carinhosa e cuidadosa c o m q u e e l a b o r o u as figuras, p e l a f o r ç a de sempre;
ao GILMAR FERREIRA VITA pelo cuidado e atenção na d a t i l o g r a f i a do texto;
às meninas da turma, SUELI, REINALDA, MARTA e VANDA p e l o i n c e n t i v o e amizade;
aos rapazes, SÉRGIO e PAULO CÉSAR pelo convívio agra-d á v e l agra-d u r a n t e estes anos;
à MARTA PONCE CORREIA e ao J.J. SARKIS pelo compa-n h e i r i s m o e ajuda d u r a compa-n t e os e x p e r i m e compa-n t o s ;
ao FRANCISCO GOMES, da Universidade Federal Flumi-nense, p e l o t r a b a l h o de slides;
às Dras. DELIR e MARIA LUIZA pelo exemplo e amiza-de;
aos demais professores do curso pelos ensinamentos e a c o l h i d a n e s t a U n i v e r s i d a d e ;
ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e T e c n o l ó g i c o (CNPq) pela b o l s a c o n c e d i d a .
MARIA DO CARMO FERREIRA, filha de Ernani Ferreira e Terezinha Pita Ferreira, nasceu a 21 de outubro de 1957 no m u n i c í p i o de Miraí, M i n a s Gerais.
Fez o curso primário na Escola Francisco Cabrita e o secundário nos Colégios Orsina da Fonseca e Anderson no Rio de J a n e i r o - R J .
Ingressou na Faculdade de Humanidades Pedro II (FAHUPE) em 1976, licenciando-se em Ciências Biológicas no ano de 1979. Durante o curso universitário foi estagiária do Depar-tamento de Controle de Vetores (DEVET) na Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), tendo desenvolvido atividades no controle de insetos e roedores urbanos do es-t a d o do Rio de Janeiro.
Em 1981 foi aprovada para o curso de Mestrado em Medícina Veterinária na Área de Parasitologia Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), sendo bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e T e c n o l ó g i c o (CNPq).
ix.
É professora assistente de Parasitologia, para o cur-so de Medicina, na Escola de Ciências Médicas de Volta Redon-da, Volta RedonRedon-da, Rio de Janeiro, desde março de 1985 até a p r e s e n t e data.
Em agosto de 1986 foi admitida como professor assis-tente de Parasitologia para os cursos de Nutrição e Ciências Biológicas na Fundação Universidade Gama Filho onde vem exer-c e n d o a t i v i d a d e s de m a g i s t é r i o .
1. I N T R O D U Ç Ã O
2. R E V I S Ã O DA L I T E R A T U R A
2.1. Rhodnius prolixus - Posição taxonômica e b i o l o g i a 2.2. D e s e n v o l v i m e n t o e m b r i o n á r i o 2.3. D e s e n v o l v i m e n t o p ó s - e m b r i o n á r i o 2.3.1. Fase ninfal 2.3.2. Muda imaginal 2.3.3. Cópula e ovipostura 2.4. Inseticidas
2.5. Efeito das doses subletais sobre os insetos
3. M A T E R I A L E MÉTODOS
3.1. M a n u t e n ç ã o e p r o c e d ê n c i a dos insetos 3.2. Inseticidas
3.3. D e t e r m i n a ç ã o das DL50 e das doses subletais 3.4. Bioensaios
3.4.1. Observações sobre a fase ninfal
1 3 3 3 4 4 6 6 7 8 19 19 19 20 21 21
3 . 4 . 2 . O b s e r v a ç õ e s s o b r e o a d u l t o - ovipostu- r a e f e r t i l i d a d e
4. RESULTADOS
4 . 1 . D o s e s l e t a i s 5 0 % e d o s e s s u b l e t a i s 4 . 2 . E f e i t o s d a s d o s e s s u b l e t a i s s o b r e o s i n s e t o s t r a t a d o s , d o 3º e s t á d i o a t é a f a s e a d u l t a 4 . 2 . 1 . E f e i t o s s o b r e a m o r t a l i d a d e e e c d i s e d o 3º p a r a o 4 º e s t á d i o n i n f a l 4 . 2 . 2 . E f e i t o s s o b r e a m o r t a l i d a d e e e c d i s e do 4º p a r a o 5 º e s t á d i o n i n f a l 4 . 2 . 3 . E f e i t o s s o b r e a m o r t a l i d a d e e e c d i s e d o 5º e s t á d i o n i n f a l p a r a o a d u l t o 4 . 2 . 4 . E f e i t o s s o b r e a o v i p o s i ç ã o e a f e r t i - l i d a d e d o s o v o s5. DISCUSSÃO
5 . 1 . D o s e s l e t a i s 50% e d o s e s s u b l e t a i s 5 . 2 . E f e i t o d a s d o s e s s u b l e t a i s s o b r e a e c d i s e e m o r t a l i d a d e 5 . 3 . E f e i t o d a s d o s e s s u b l e t a i s s o b r e a p r é - o v i p o - s i ç ã o 5 . 4 . E f e i t o d a s d o s e s s u b l e t a i s s o b r e a o v i p o s i - ç ã o e e c l o d i b i l i d a d e d o s o v o s 5 . 5 . A s p e c t o s b i o l ó g i c o s xi. P á g s . 22 24 24 24 24 26 34 36 55 55 56 58 59 616. CONCLUSÕES
7. R E F E R Ê N C I A S BIBLIOGRÁFICAS
Págs. 64 66
T A B E L A 1.
Í N D I C E D A S T A B E L A S
D e t e r m i n a ç ã o da DL50 e das doses subletais de D i e l d r i n e DDT, c a l c u l a d a s p a r a o 3º, 4º e 5º e s t á d i o s n i n f a i s e a d u l t o s de Rhodnius p r o l i x u s Págs. 25 T A B E L A 2. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s tra- t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m o solvente (grupo C o n t r o l e ) , nos 3º, 4º e 5º e s t á d i o s n i n - fais d e
Rhodnius prolixus,
a n a l i s a d o p e l oT e s t e Z 27
TABELA 3. Relação entre a mortalidade dos grupos
tra-t a d o s c o m DDT e c o m o s o l v e n tra-t e (grupo C o n - t r o l e ) , nos 3º, 4º e 5º e s t á d i o s n i n f a i s de
Rhodnius prolixus,
a n a l i s a d o p e l o T e s t eZ 28
t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m D D T , n o s 3º 4 º e 5 º e s t á d i o s d e
Rhodnius prolixus,
a n a l i s a - d o p e l o T e s t e Z P á g s . 29 T A B E L A 5. R e l a ç ã o e n t r e as e c d i s e s d o s g r u p o s t r a t a - d o s c o m D i e l d r i n e c o m o s o l v e n t e ( g r u p o C o n t r o l e ) , n o s 3º e 4 º e s t á d i o s n i n - f a i s d eRhodnius prolixus,
a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z 31 T A B E L A 6. R e l a ç ã o e n t r e as e c d i s e s d o s g r u p o s t r a t a - d o s c o m D D T e c o m o s o l v e n t e ( g r u p o Contro- le), n o s 3º e 4 º e s t á d i o s n i n f a i s d eRhodnius prolixus,
a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z 32 T A B E L A 7. R e l a ç ã o e n t r e as e c d i s e s d o s g r u p o s t r a t a - dos com Dieldrin e com DDT nos 3º e 4º e s t á d i o s n i n f a i s d eRhodnius prolixus,
ana-l i s a d o p e l o T e s t e Z 33
T A B E L A 8. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s tra-
t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m o s o l v e n t e ( g r u p o C o n t r o l e ) , d e n i n f a s d e 5º e s t á d i o , m a c h o s e fêmeas, de Rhodnius prolixus analisado pe-
T A B E L A 9. T A B E L A 10. T A B E L A 11. T A B E L A 12. T A B E L A 13. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s tra- tados c o m DDT e c o m o s o l v e n t e (grupo C o n - trole), de n i n f a s de 5º e s t á d i o , m a c h o s e fêmeas, de
Rhodnius prolixus
,
analisado pe-lo T e s t e ZR e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s tra- t a d o s com D i e l d r i n e c o m DDT, de n i n f a s de 5º estádio, machos e fêmeas, de
Rhodnius
prolixus
,
a n a l i s a d o p e l o T e s t e ZRelação entre as ecdises dos grupos trata-d o s com D i e l trata-d r i n e c o m s o l v e n t e (grupo Con- trole), de n i n f a s de 5º e s t á d i o , m a c h o s e fêmeas, de
Rhodnius prolixus
,
analisado pe-lo T e s t e ZR e l a ç ã o entre as e c d i s e s dos g r u p o s t r a t a - dos com DDT e c o m o s o l v e n t e (grupo C o n - trole), de ninfas de 5º estádio, machos e fêmeas, de
Rhodnius prolixus,
analisado pe-lo T e s t e ZR e l a ç ã o entre as e c d i s e s dos grupos t r a t a - dos com D i e l d r i n e c o m DDT, de n i n f a s de 5º xv. Págs. 4O 41 43 44
Págs.
45
42
46
51 estádio, machos e fêmeas, de Rhodnius
prolixus, analisados pelo Teste Z
R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos grupos tra- tados com Dieldrin, DDT e com o solvente (grupo Controle), de ninfas de 5º estádio, machos e fêmeas, de
Rhodnius prolixus
,
ana-lisado p e l o T e s t e ZR e l a ç ã o entre as e c d i s e s dos grupos t r a t a - dos com Dieldrin, DDT e como solvente (gru-po Controle), de n i n f a s de 5º estádio, m a - chos e fêmeas, de Rhodnius prolixus, ana-lisado p e l o T e s t e Z
N ú m e r o m é d i o de o v o s / f ê m e a e n ú m e r o total de ovos/subgrupo (10 fêmeas/subgrupo) em 76 dias de observação, de
Rhodnius prolixus
não tratados (subgrupo 1), tratados com 1/3 da DL50 (subgrupo 2) e tratados com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Dieldrin e DDT, e das t r a t a d a s com s o l v e n t e (grupo Controle) a n a l i -sado pelo T e s t e DMS (Análise de Variança)
R e l a ç ã o e n t r e a e c l o d i b i l i d a d e dos ovos pro- T A B E L A 14.
T A B E L A 15.
T A B E L A 16.
xvii.
venientes de fêmeas de Rhodnius prolixus não t r a t a d a s (subgrupo 1), t r a t a d a s c o m 1/3 da DL50 (subgrupo 2) e tratadas com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Dieldrin e das tratadas com
s o l v e n t e (grupo Controle), a n a l i s a d o p e l o Teste Z Págs. 52 53 54 T A B E L A 18. T A B E L A 19. R e l a ç ã o e n t r e a e c l o d i b i l i d a d e dos ovos p r o - venientes de fêmeas de Rhodnius prolixus não t r a t a d a s (subgrupo 1), t r a t a d a s com 1/3 da DL50 (subgrupo 2) e tratadas com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de DDT e das tratadas com
sol-v e n t e (grupo C o n t r o l e ) , a n a l i s a d a pelo T e s - te Z
R e l a ç ã o entre a e c l o d i b i l i d a d e dos ovos p r o - venientes de fêmeas de Rhodnius prolixus não t r a t a d a s (subgrupo 1), t r a t a d a s com 1/3 da DL50 (subgrupo 2) e tratadas com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Dieldrin e DDT, analisado
F I G U R A 1. E f e i t o de d o s e s s u b l e t a i s de D i e l d r i n e D D T na e c d i s e do 3º p a r a o 4º e s t á d i o n i n f a l d e R h o d n i u s p r o l i x u s 30 F I G U R A 2. E f e i t o de d o s e s s u b l e t a i s de D i e l d r i n e D D T na e c d i s e do 4º p a r a o 5º e s t á d i o n i n f a l d e R h o d n i u s p r o l i x u s 3 5 F I G U R A 3. E f e i t o de d o s e s s u b l e t a i s de D i e l d r i n e DDT na ecdise das fêmeas do 5ºestádio
n i n f a l p a r a a d u l t o d e R h o d n i u s p r o l i x u s 3 7
F I G U R A 4. E f e i t o de d o s e s s u b l e t a i s de D i e l d r i n e D D T na e c d i s e dos m a c h o s do 5º e s t á d i o
n i n f a l p a r a a d u l t o de R h o d n i u s p r o l i x u s 38
F I G U R A 5. Oviposição de Rhodnius prolixus
xix.
fais e não t r a t a d o s no a d u l t o (subgrupo 1) de D i e l d r i n e DDT; e do g r u p o C o n t r o - le
Págs.
48
F I G U R A 6. Oviposição de Rhodnius prolixus trata-dos com 1/5 da DL50 nos estádios ninfais e tratados com 1/3 da DL50 no adulto (sub-g r u p o 2) com D i e l d r i n e DDT; e do g r u p o
C o n t r o l e 49
F I G U R A 7. Oviposição de Rhodnius prolixus trata-dos no 3º, 4º, 5º e s t á d i o s n i n f a i s e adul- tos com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de
Q U A D R O 1. D a d o s o b t i d o s por d i v e r s o s a u t o r e s referen- tes ao t e m p o de d e s e n v o l v i m e n t o do 3º, 4º e 5º estádios ninfais de Rhodnius prolixus
R E S U M O
Com o objetivo de verificar o efeito das doses sub-letais crônicas de dois organoclorados, o DDT e o Dieldrin, sobre o Rhodnius prolixus foram formados três grupos com igual número de insetos: grupo DDT, grupo Dieldrin e grupo Controle. Foram aplicadas doses sucessivas referentes a 1/5 da DL50 dos inseticidas sobre os insetos, sendo a primeira no 3º a segunda no 4º e a terceira no 5º estádio ninfal. Dos adultos obtidos, apenas as fêmeas foram tratadas, com doses referen-tes a 1/3 e 1/5 das DL50 dos inseticidas. Foi avaliado o e-feito das doses subletais sobre a ecdise, mortalidade, ovi-postura e fertilidade dos ovos. Os tratamentos não exerceram influência no tempo de ecdise, mas ocorreu ação estimulante do DDT e do Dieldrin sobre a percentagem total de ecdises, tendo sido as diferenças significativas na ecdise do 3º para o 4º estádio e do 4º para o 5º estádio ninfal (tratamento pe-lo DDT) e do 3º para o 4º estádio ninfal (tratamento pepe-lo Dieldrin) quando comparados ao Controle. As fêmeas que rece-beram dose subletal de DDT ou de Dieldrin superiores as que
vinham sendo administradas nos estádios ninfais, apresentaram um menor período de pré-oviposição. Todas as fêmeas submeti-das ao tratamento apresentaram o período de postura superior ao do grupo controle. Foi verificado um aumento das postu-ras totais das fêmeas tratadas com 1/3 e 1/5 da DL50 de DDT e também um aumento nas posturas totais das fêmeas tratadas com 1/3 da DL50 de Dieldrin, revelando um estimulo na ovipo-sição destas fêmeas diretamente relacionado ao tratamento crô-nico com doses subletais. Verificou-se ainda que os percen-tuais de eclosão dos ovos, provenientes de fêmeas submetidas ao tratamento foram significativamente maiores que os do gru-po C o n t r o l e .
S U M M A R Y
With the intent of verifie the effects of cronicals sublethal doses of two organoclorated insecticides, DDT and Dieldrin on Rhodnius prolixus (Hemiptera: Reduviidae), three groups of equal number of insects were formed: DDT, Dieldrin and Control groups. Doses equivalent to 1/5 of the DL50 were sequentially applied to nynphs of 3º, 4º and 5º instars; the adult females obtained were treated with 1/3 and 1/5 of DL50 of the inseticides. The effects of such doses on ecdisis, mortality oviposition and fertility of eggs were estimated. The treatments had no effects on ecdisal time, but estimulated the total number of ecdisis; when compared with Control group, the differences were statistically signi-ficants in the ecdisis from 3º to 4º instar and from 4º to 5º instar (DDT group) and from 3º to 4º nynphal instar (Dieldrin group). The females that had received high doses (1/3 DL50) of DDT and Dieldrin had pre-oviposition periods shorter than control group. Ali insecticide treated females had longer oviposition periods than control females. DDT-treated females
(1/3 and 1/5 DL50) produced more eggs than Control group, the same being observed on 1/3 DL50 Dieldrin group, showing a stimulus to oviposition directally associated to the insecticides treatments. Similarly, the percentage of egg eclosion was higher to all treated groups than to Control group.
1. INTRODUÇÃO
Rhodnius prolixus Stal, 1859 é espécie de grande im-portância epidemiológica na transmissão de tripanossomose a-mericana pois, além da acentuada antropofilia, suscetibilidade ao Trypanosoma cruzi e hábitos domiciliares, possui uma am-pla distribuição geográfica aliada a alta densidade popula-cional (ZELEDÓN e cols., 1977). Esta espécie presta-se bem aos estudos desenvolvidos em laboratório, sob condições con-troladas, pois seu ciclo biológico é relativamente curto e
é f a c i l m e n t e m a n t i d o fora de suas c o n d i ç õ e s n a t u r a i s .
Sua presença já foi assinalada no Brasil em diver-sos estados, mas de qualquer forma a existência do R. prolixus em nosso meio tem sido considerada matéria discutível (SIL-VEIRA e cols., 1982). Entretanto, LENT (1962) e ZELEDÓN (1972) chamam a atenção para a grande importância que este vetor po-de vir a ter no Brasil po-devido fundamentalmente à colonização da A m a z ô n i a .
O controle dos triatomíneos vetores da Doença de Cha-gas no Brasil constitui preocupação em Saúde Pública e a
me-dida de c o n t r o l e r o t i n e i r a m e n t e e m p r e g a d a p e l o s ó r g ã o s p ú b l i - cos, t ê m sido o uso de i n s e t i c i d a s de a m p l o e s p e c t r o de ação, m o r m e n t e os o r g a n o c l o r a d o s . E n t r e t a n t o , o uso i n d i s c r i m i n a - do d e s t e s i n s e t i c i d a s , b e m c o m o os r i s c o s p o t e n c i a l m e n t e e x i s t e n t e s p a r a a s a ú d e e o m e i o a m b i e n t e , d e c o r r e n t e s da u t i - l i z a ç ã o i n a d e q u a d a e da a p l i c a ç ã o p o r l o n g o s p e r í o d o s , t e m le- vado a u m a m e l h o r a v a l i a ç ã o de seu e m p r e g o . A l é m d i s t o , a ex- p o s i ç ã o c o n t a n t e de p o p u l a ç õ e s do i n s e t o a e s t e g r u p o de in-
seticidas vem permitindo o aparecimento de linhagens a eles re-s i re-s t e n t e re-s (SCHOFIELD, 1979). Do m e re-s m o modo, e x i re-s t e a p o re-s re-s i b i - lidade de que a exposição constante destes insetos à doses subletais possa levar a alterações biológicas no desenvolvi-mento destes insetos. Assim, vem sendo estudada a influência das doses subletais de inseticidas em diversas espécies de
in-setos, g e r a l m e n t e u t i l i z a n d o - s e u m a ú n i c a a p l i c a ç ã o do p r o d u - to em algumas das fases evolutivas do inseto. Frente a estes a s p e c t o s , o p r e s e n t e t r a b a l h o v i s a v e r i f i c a r os e f e i t o s de d i - ferentes doses subletais de dois inseticidas organoclorados a-plicados crônicamente em diversas fases do ciclo biológico do Rhodnius prolixus (Hemiptera: Reduviidae), em condições de la-b o r a t ó r i o .
2.1. Rhodnius prolixus - Posição taxonômica e biologia 2. R E V I S Ã O D A L I T E R A T U R A
BRUMPT (1913), URIBE (1927), LARROUSSE (1927), BUX-TON (1930) e GALLIARD (1935) foram pioneiros no estudo da bio-logia, na descrição do gênero, de suas fases evolutivas e tam-b é m no p a p e l e p i d e m i o l ó g i c o d e s t e t r i a t o m í n e o .
O Rhodnius prolixus Stal, 1859, é espécie tipo do gênero e encontra-se descrita por LENT (1948) e LENT & JURBERG (1969) e revisado por LENT & WIGODZINSKY (1979), em
sua m o r f o l o g i a e t a x ô n o m i a .
2.2. D e s e n v o l v i m e n t o e m b r i o n á r i o
Esta fase dura em média 18 dias, quando os ovos são mantidos a 24-26°C e umidade relativa entre 70-75% (LENT & VALDERRAMA, 1977). Este período pode variar, entretanto, em função da temperatura na qual forem mantidos os ovos; ovos
incubados entre 27-32,5°C eclodem ao fim de 20 dias, enquanto a 34°C eclodem entre 10 e 11 dias (URIBE, 1927). BUXTON (1930) verificou que ovos mantidos a temperatura constante de 24°C e c l o d i a m e n t r e o 14º e o 16º dias após a p o s t u r a .
2.3. D e s e n v o l v i m e n t o p ó s - e m b r i o n á r i o
2 . 3 . 1 . F a s e n i n f a l
As ninfas de primeiro estádio após cinco edcises a-tingem a maturidade sexual, no adulto. Uma única alimen-tação sanguínea, até a repleção, garante ao inseto a passa-gem de um estádio para o outro (GARCIA e cols., 1975; FRIEND e cols., 1965).
A duração do ciclo biológico do Rhodnius prolixus é variável, de acordo com as condições de manutenção e criação em laboratório; modificações na temperatura, na umidade do ar, na dieta, podem exercer influência no desenvolvimento do in-seto. A confrontação de dados de diferentes autores não de-ve portanto ser feita integralmente (LENT & VALDERRAMA, 1977). Estas diferenças podem ser comparadas no Quadro 1, que resu-mem os dados observados por URIBE (1927), BUXTON (1930), BAI-NES (1956), LAKE & FRIEND (1968), GARCIA e cols. (1975) e LENT & VALDERRAMA (1977). Segundo eles, o tempo de ecdise do terceiro para o quarto estádio variou de 9 a 24 dias, do quarto pa-ra o quinto de 9 a 26 dias e do quinto papa-ra o adultos de 14 a
QUADRO I
D A D O S O B T I D O S P O R D I V E R S O S A U T O R E S
R E F E R E N T E S A O T E M P O DE D E S E N V O L V I M E N T O DO 3º, 4º e 5º
90 dias.
2.3.2. M u d a imaginal
As mudanças que ocorrem ao longo das quatro primei-ras ecdises são muito pequenas em comparação às que ocorrem na última ecdise ou muda imaginal; esta se caracteriza pelo aparecimento dos ocelos, desenvolvimento completo das asas, modificações cuticulares e principalmente pelo desenvolvimen-to da genitália, masculina e feminina (WIGGLESWORTH, 1970). A maturidade sexual dos adultos, mormente nas fêmeas, é al-cançada através da alimentação e estimulada pelo acasalamen-to (GARCIA e cols., 1975; SANTOS & GARCIA, 1980). Entretan-to, ainda nos estádios imaturos, o sexo pode ser diferen-ciado pela morfologia externa dos últimos esternitos abdomi-nais, como demonstram os estudos de GALLIARD (1935), GILLIET (1935), ESPÍNOLA (1966) e em PÉREZ (1969).
2.3.3. Cópula e o v i p o s t u r a
Segundo SZUMLEWICZ (1975), a cópula realiza-se um a três dias após a emergência dos adultos e usualmente após a
alimentação. A ovipostura inicia-se de 6 a 14 dias após a alimentação e o acasalamento em insetos mantidos a tempera-tura de 25 a 28°C e umidade relativa em torno de 60% (OKASHA, e cols., 1970; GARCIA e cols., 1975). Os ovos são colocados em gru-pos e geralmente encontram-se cimentados ao substrato, pro-vavelmente por ser espécie que tem como principal habitat
na-7.
tural o ninho de aves e outros nichos arbóreos (SCHOFIELD, 1979). Durante o período médio de vida da fêmea são coloca-dos c e r c a de 200 a 300 o v o s (URIBE, 1927).
2.4. I n s e t i c i d a s
A evolução dos inseticidas químicos teve início com o uso imediato de materiais que se encontravam disponíveis na natureza, como os inseticidas botânicos (Nicotina, Pire-trinas, etc); os primeiros inseticidas orgânicos sintéticos utilizados no controle dos insetos foram os compostos dini-tros e os tiocianetos (MURPHY & PEET, 1932) mas, sem dúvida foi o DDT que alterou as perspectivas no controle das pragas e vetores em todo o mundo (MORIARTY, 1969). Embora sinteti-zado em 1874 por Zeidler na Suiça, suas propriedades insetici-das só foram evidenciainsetici-das por Muller em 1939 (MATSUMURA, 1976). Ele foi o primeiro inseticida sintético utilizado com sucesso em grande escala mas foi também o primeiro para o qual se ob-servou o fenômeno da resistência (GORDON, 1961; MATSUMURA, 1976). O DDT é um composto apolar, solúvel na maioria dos solventes orgânicos polares, possui boa estabilidade química e s u p o r t a a ação da luz solar d i r e t a e a a ç ã o do ca-
lor (MATSUMURA, 1975).
O Dieldrin é um organoclorado bastante utilizado nas campanhas de controle de triatomíneos. Sua ação tóxica so-bre estes insetos foi assinalada por NEGHME e cols. (1949) e sua utilização é tida como único método eficaz, em larga
es-cala, no combate ao Rhodnius prolixus em áreas endêmicas da Doença de Chagas (NELSON & COLMENARES, 1979). Além disto, FOX e cols. (1966) demonstraram ser o Dieldrin mais eficaz no controle do Rhodnius prolixus que o DDT.
A literatura registra que a maioria dos inseticidas tem ação primária sobre o sistema nervoso central, sendo es-te vitalmenes-te atingido (O'BRIEN, 1966; BEEMAN, 1982; GEROLT, 1983), embora também possam levar a alterações metabólicas de origens diversas, direta ou indiretamente relacionadas a ação primária. MADRELL & REYNOLDS (1972) propuseram o seguinte qua-dro para explicar a ação dos inseticidas sobre o Rhodnius prolixus:
T R A T A M E N T O C O M I N S E T I C I D A
EFEITOS DISRUPTIVOS NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
L I B E R A Ç Ã O M U L T I P L A DE N E U R O R M Ô N I O S P O S S Í V E I S C O N S E Q Ü Ê N C I A S P A R A L I S I A S OU M U D A N Ç A S N O C O M P O R T A M E N T O . DE S O R D E N A M E N T O M E T A B Ó L I C O
2.5. Efeito das doses subletais sobre os insetos
Há muito os pesquisadores tem observado que a uti-lização de inseticidas, principalmente os de alto poder
resi-9.
dual, como os organoclorados, interferem na biologia dos sobre-viventes ao tratamento ou mesmo daqueles que tiveram contato apenas com doses subletais. Assim, CAMPBELL (1926) mostrou que os bichos da seda alimentados com dosagens subletais conheci-das de solução arsênico sódio neutro, não apresentaram di-ferenças no crescimento mas sofreram um retardamento no desenvolvimento e atraso nas ecdises quando comparados ao controle. O autor acreditava que os resultados estavam de acordo com o que se esperava, já que os venenos inorgânicos não estimulam a formação de anticorpos específicos nos insetos, de forma que se combinassem com o inseticida produzindo substân-c i a s inósubstân-cuas.
B E A R D (1952) e s t u d o u os e f e i t o s das d o s e s s u b l e t a i s em torno de DL50 de Nicotina, Piretrum e Arsénico, sobre Ga-lleria mellonella (Lepidoptera: Pyralidae) e Oncopeltus fasciatus (Hemiptera: Lygaeidae) e os resultados mostraram que as larvas de G. mellonella tiveram o crescimento retardado em relação aos con-trole e que tanto as larvas quanto os adultos das duas espé-cies foram suscetíveis ao segundo tratamento tanto quanto no pri-meiro.
L O S C H I A V O (1955) fez u m e s t u d o sobre a t a x a de ovipos- tura em fêmeas de Tribolium confusum (Coleoptera: Tenebrionidae) que sobreviveram à exposição de resíduos de p,p'DDT. Observou que as f ê m e a s s o b r e v i v e n t e s a e x p o s i ç õ e s c o m d i l u i ç õ e s de 10 ou
35% de p,p'DDT reduziram a ovipostura enquanto aquelas que fo-ram expostas a uma diluição de 1, 3 ou 5% de p,p'DDT não
tive-r a m as p o s t u tive-r a s a f e t a d a s em tive-r e l a ç ã o aos c o n t tive-r o l e s .
K N U T S O N (1955) i n v e s t i g o u os e f e i t o s s o b r e a f e c u n d i - dade e expectativa de vida em Drosophila melanogaster (Diptera: Dro-s o p h i l i d a e ) , Dro-s u b m e t i d a a e x p o Dro-s i ç ã o a d o Dro-s e Dro-s Dro-s u b l e t a i Dro-s de D i e l - drin, com tempo e concentrações suficientes para produzir de 66 a 99% de m o r t a l i d a d e . As m o s c a s s o b r e v i v e n t e s p r o d u z i r a m 7,6% m a i s ovos, 5,6% mais larvas, 5,7% mais p u p a s e 5,8% m a i s a d u l - tos q u e os c o n t r o l e . A p r o d u ç ã o de o v o s das m o s c a s s o b r e v i v e n - tes, foi s e m p r e m a i o r que os c o n t r o l e até a q u a r t a s e m a n a após o início das posturas, diminuindo nas semanas seguintes, até a s é t i m a s e m a n a de o b s e r v a ç ã o . O a u t o r a c r e d i t o u que a p r o d u ç ã o de o v o s t o t a l nas m o s c a s e x p o s t a s t e n h a sido m a i o r não p o r q u e houve uma maior produção de ovos por unidade de tempo e sim p o r q u e e s t a s m o s c a s f o r a m m a i s l o n g e v a s q u e os c o n t r o l e .
AFIFI & KNUTSON (1956) observaram três gerações de mos-cas doméstimos-cas (F1, F2 e F3) sobreviventes a um único trata-mento com Dieldrin em doses que produziam uma mortalidade de 60 a 90% dos insetos. As F1, originárias de moscas tratadas, tiveram um aumento de 69,2% na prole e a geração seguinte (F2) produziu uma prole 9,3% maior que os controle. As diferenças encontradas para a longevidade e peso dos insetos não demons-traram significância pela análise de variança. Os autores a-creditam que o aumento significativo da prole na F1 deve ter sido o resultado da seleção dos ascedentes mais vigorosos pe-lo inseticida, aumentando, pepe-lo menos temporariamente, o poten-cial reprodutivo das moscas com capacidade de sobrevivência
11.
maior.
H U N T E R e cols. (1958) o b s e r v a r a m m o s c a s d o m é s t i c a s de duas cepas diferentes, uma DDT-resistente e outra DDT-suscetí-vel, s o b r e v i v e n t e s a t r a t a m e n t o s c o m o DDT, u t i l i z a n d o d o s a - gens que c o n f e r i a m 50% de m o r t a l i d a d e t a n t o p a r a as r e s i s t e n - tes quanto para as suscetíveis. Os resultados mostraram que as m o s c a s s u s c e t í v e i s t i v e r a m a u m e n t o da fertilidade a l i a d o ao m a i - or potencial reprodutivo da prole adulta que os controle, fi-c a n d o e v i d e n t e o e f e i t o de e s t í m u l o na r e p r o d u ç ã o l i g a d o d i r e - t a m e n t e ao t r a t a m e n t o c o m d o s e s s u b l e t a i s . As m o s c a s resisten- tes, ao c o n t r á r i o , m o s t r a r a m u m p o t e n c i a l de p r o d u ç ã o de p r o l e a d u l t a e t a x a de s o b r e v i v ê n c i a m e n o r e s q u e os c o n t r o l e .
LUCKEY & STONE (1960) discutiram a teoria que denominaram de " H o r m o l i g o s e " (estímulo c a u s a d o por a g e n t e s i n t r o d u z i d o s em pequenas quantidades mas, que podem ser prejudiciais quando in-t r o d u z i d o s em grandes) e a p r e s e n in-t a r a m u m esin-tudo dos e f e i in-t o s so- bre o peso e crescimento em Acheta domesticus (Orthoptera: Gryllidae)
s u b m e t i d o s a uma d i e t a s u p l e m e n t a r de C l o r e t o de Sódio, e m d i - ferentes concentrações. A resposta a dieta resultou em múltiplos picos de aumento de peso dos insetos. Os autores, entretanto, con-sideraram que sendo a dieta normal dos grilos constituída de agentes nutrientes diversos e que, quando dados em excesso, tor-n a m - s e t ó x i c o s para e s t e itor-nseto, tor-não p o d e r i a m r e c o tor-n h e c e r clara- mente quais os efeitos causados pelo Cloreto de Sódio e
aque-les a d v i n d o s de o u t r a s s u b s t â n c i a s .
timulantes do DDT em Bemisia tabaci (Homoptera: Aleyrodidae) através da sua a p l i c a ç ã o s o b r e o a l g o d o e i r o . Os r e s u l t a d o s d e m o n s t r a - r a m q u e h o u v e u m a u m e n t o do n ú m e r o de l a r v a s p o r v o l t a da se- gunda semana após o tratamento da planta e de adultos na 3ª se-mana. O autor sugeriu que devido a modificações fisiológicas o c o r r i d a s na p l a n t a , o t r a t a m e n t o p e l o D D T r e s u l t o u n u m decrés- c i m o na m o r t a l i d a d e n a t u r a l dos ovos, o c a s i o n a n d o o a u m e n t o do n ú m e r o de l a r v a s e adultos.
S T E R N B U R G (1963) e s t u d o u a s p e c t o s do f e n ô m e n o de es- t r e s s e e da a u t o i n t o x i c a ç ã o em i n s e t o s , l e v a n t o u d a d o s m o s - trando que o estresse acumulativo, de origem física ou química, poderia levar a liberação desubstâncias farmacologicamente ativas que tem presumivelmente função metabólica normal. Entretanto quando há liveração de grandes quantidades, devido ao estresse intensivo, algumas destas substâncias pareceram levar a comporta-m e n t o s a n o r comporta-m a i s , à p a r a l i s i a s ou comporta-m e s comporta-m o a comporta-m o r t e dos insetos.
C H A U T H A N I & A D K I S S O N (1966) e s t u d a n d o os e f e i t o s de alguns organofosforados e do Endrin sobre ovos, larvas e adul-tos de Heliothis zea e Heliothis virecens (Lepidoptera: Noctuidae), ex-postos a dosagens subletais desses produtos, mostraram que o de-s e n v o l v i m e n t o dade-s larvade-s p r o v e n i e n t e de-s de ovode-s tratadode-s, foi retar- dado e o período larvário extendido. A fecundidade das fêmeas foi significativamente reduzida mas a viabilidade dos ovos não foi afetada. Os resultados revelaram ainda que os inseticidas organofosforados utilizados nos experimentos, Azifosmetil e Azifosetil, foram mais tóxicos aos insetos que o
organoclora-13.
do, E n d r i n .
LUCKEY (1968) estudando os efeitos de 14 inseticidas sobre a biolofia de Acheta domesticus (Orthoptera: Gryllidae) submetidos a doses subletais em diluições de 1/84 da DL100, observou que houve estímulo no crescimento dos grilos ca-seiros quando tratados pelo DDT, o que não ocorreu quando os insetos eram tratados com o Dieldrin. O autor renova a te-se da Hormoligote-se e ressalta que agentes estressantes co-mo a temperatura, radiação, substâncias químicas coco-mo os in-seticidas, podem ser considerados como estimulantes do or-ganismo dos insetos quando administrados em doses "subdani-n h a s " .
MORIARTY (1968) observou a toxicidade e o efeito das doses subletais de DDT e Dieldrin sobre Aglais urticae (Lepidop-tera: Aglasidae) e Chorthippus brunneus (Orthop(Lepidop-tera: Acrididae) sob condições controladas. As doses testadas ficaram em torno da DL50 e somente o último estágio foi tratado. Os resultados mos-traram um pequeno decréscimo no peso das pupas de A. urticae tra-tadas com Dieldrin e ainda um aumento da taxa de anormalidade na emergência de adultos provenientes de larvas tratadas quan-do estas eram comparadas aos controle. No entanto os índices de anormalidade diminuiram quando doses menores foram testa-das. As fêmeas foram sempre mais longevas que os machos, não havendo diferenças significativas entre machos e fêmeas trata-das e o controle. A ovipostura tendeu a diminuir inversamente com o aumento das doses utilizadas e a fertilidade dos ovos foi
afetada quando os insetos eram tratados com doses maiores de Dieldrin, mas correspondeu aos dados encontrados para o con-trole na menor dose testada. As larvas de A. urticae capta-ram rapidamente o DDT metabolizando-o em DDE e retêndo-o por um longo período. O tempo de pupação das larvas tratadas, foi maior que o controle, evidenciando um retardamento no desen-volvimento. O tratamento pelo p,p'DDT não afetou a emergên-cia dos adultos, a longevidade, a fertilidade e a fecundidade das fêmeas, bem como o desenvolvimento da prole. Em relação aos e f e i t o s c a u s a d o s p e l o t r a t a m e n t o e m C . b r u n n e u s , o b s e r v o u - se uma diminuição no tempo de muda tanto nos submetidos ao DDT quanto naqueles submetidos ao Dieldrin, não ocorrendo outras alterações quando comparados ao controle. Para ambas as espé-cies verificou-se uma correlação inversa entre a concentração total de lipídios e a toxicidade dos inseticidas, tendo os e-feitos subletais ocorrido mais acentuadamente nos momentos de m o b i l i z a ç ã o l i p í d i c a .
MORIARTY (1969), em revisão sobre os efeitos das do-ses subletais dos inseticidas, comentou que os insetos podem ser afetados de três maneiras distintas: em sua sobrevivên-cia, capacidade reprodutiva, ou, ainda, na constituição gené-tica das futuras gerações. O autor chamou a atenção para o fato de que na maioria das publicações consultadas, os auto-res descreveram somente os efeitos mais óbvios e imediatos pro-vocados pelo tratamento com doses subletais, deixando de men-cionar os efeitos de toxicidade latente a longo prazo, que
o-15.
correm principalmente quando se está enfocando os organoclora-dos.
WATTS (1969) observou os efeitos de doses subletais sobre os descendentes de Schistocerca gregaria (Orthoptera: Acridi-dae), Dysdercus cardinallis (Hemiptera: Pyrrhocoridae) e de Spodoptera littoralis (Lepidoptera: Noctuidae) tratadas com doses diferentes se-gundo o peso dos insetos. O autor verificou êxito letal nos descendentes e deslocamento do Dieldrin para os ovos dos inse-tos t r a t a d o s .
O K A S H A e cols. (1970) o b s e r v a n d o os e f e i t o s do t r a t a -mento subletal pelo calor em Rhodnius proles, demonstrou que as fêmeas iniciaram a ovipostura no 139 dia após a alimena-ção e a cópula, enquanto aquelas mantidas a temperatura cons-tante de 28°C iniciaram no 69 dia. O tratamento pelo calor levou ainda a uma redução na oviposição dos ovos. O autor su-geriu que o aumento observado no período de pre-oviposição e a redução nas posturas, possam estar relacionados a um retar-d a m e n t o na e m b r i o g ê n e s e retar-d e s t e s ovos.
HODJAT (1971) estudou os efeitos das doses suble-tais, sempre menores que a DL50 , de DDT e Dieldrin sobre Dys-dercus fasciatus (Hemiptera: Pyrrhocoridae), observando que as apli-cações em baixas doses geralmente estimularam os insetos tor-nando-os mais fecundos e longevos, enquanto doses mais altas diminuiram a fecundidade e a expectativa de vida. A produção de ovos nas fêmeas não acasaladas foi estimulada pelas doses menores, havendo uma redução em mais de 50% da produção normal
de o v o s q u a n d o as f ê m e a s e r a m s u b m e t i d a s a d o s a g e n s m a i o r e s do D i e l d r i n . No t r a t a m e n t o p e l o D D T v e r i f i c o u - s e a u m e n t o na p r o - d u ç ã o de o v o s em f ê m e a s s u b m e t i d a s a u m a d o s a g e m i g u a l a 0,06 mg/l, mas quando as doses foram maiores que 1 mg/l a produ-ção de ovos r e d u z i u - s e s i g n i f i c a t i v a m e n t e .
K W A N & G A T E H O U S E (1978) e s t u d a n d o os e f e i t o s de do- ses subletais correspondentes a DL15 e a DL30 de Dieldrin, En-dosulfan e de Permetrina em Glossina morsitans morsitans (Dip-tera: Glossinidae), constataram que os machos sobreviventes após 48 horas de exposição ao Dieldrin ou ao Endosulfan, mos-traram-se mais sujeitos a mortalidade que as fêmeas. Houve tam-b é m u m a r e d u ç ã o na s o tam-b r e v i v ê n c i a das p u p a s o r i g i n á r i a s de fê- m e a s e x p o s t a s ao D i e l d r i n .
ARENDS & RABINOVICH (1980) estudaram os efeitos das doses subletais de Dieldrin sobre o consumo de oxigênio, so-brevivência, ecdise e reprodução do Rhodnius prolixus em con-dições de laboratório. Os resultados encontrados demonstra-ram que houve um atraso no tempo de ecdise em todos os está-dios ninfais sendo as diferenças, em relação ao controle, esta-tisticamente significativas. O consumo de oxigênio foi menor nos i n s e t o s t r a t a d o s e estes t e n d e r a m a p e r d e r p e s o m a i s len- tamente que os controle apesar destes dados não demonstrarem diferenças significativas. A longevidade dos machos foi mai-or nos insetos submetidos ao tratamento mas variou com as condições da dieta alimentar. Insetos expostos imediata-mente ou oito dias após a alimentação, sobreviveram mais
tem-17.
po que os controle, enquanto os que foram tratados quinze ou vinte dias após a alimentação, sobreviveram menos tempo que os controle. O tratamento afetou ainda a distribuição das pos-turas ao longo do tempo, tendo as fêmeas submetidas ao trata-mento, aumentado o número médio de ovos/fêmea/semana, após a segunda semana de postura entretanto sem diferir do número total de ovos produzidos em relação ao controle. A eclodibi-lidade dos ovos não foi afetada. Frente a estes resultados os autores aventaram a possivilidade dos insetos recém alimen-tados mobilizaram mais facilmente as reservas de lipídios e lipoproteinas para estocar as moléculas tóxicas dos insetici-das, o que poderia explicar a maior longevidade dos que foram expostos mais cedo e a maior toxicidade, para aqueles insetos que foram expostos mais tardiamente ao inseticida, levando m a i s c e d o à m o r t e .
CHANDRA e cols. (1981) estudaram os sobreviventes de Schistocerca gregaria (Orthoptera: Acrididae) coletadas em cam-po e que escaparam às campanhas de controle na India. Nesta pequena nota, os autores revelaram que em condições seminatu-rais, havia entre os descendentes um aumento da expectativa de vida relacionado diretamente ao contato prévio com doses subletais de inseticidas, principalmente os organoclorados, já que estes inseticidas foram muito utilizados nestas campanhas. QUINLAN & GATEHOUSE (1981) trabalhando com Glossina morsitans (Diptera: Glossinidae) submetidas a doses subletais de Endosulfan (DL15) demonstraram que os machos tiveram as
re-servas de lipídios diminuidas enquanto as fêmeas submetidas a um tratamento similar não revelaram diferença em relação ao controle. Machos e fêmeas tratados, acumularam reservas de lipídios mais lentamente que os controle. Os autores sugeri-ram que o atraso no acúmulo de reservas de lipídios em ambos os sexos expostos a doses subletais de Endosulfan seja devido a mobilização destas reservas como resposta ao tratamento, im-pondo demanda adicional dos recursos alimentares.
3. M A T E R I A L E M É T O D O S
3.1. M a n u t e n ç ã o e p r o c e d ê n c i a d o s i n s e t o s
Foram utilizados insetos do 3º, 4º, 5º, estádios nin-fais e adultos machos e fêmeas, provenientes da colônia de Rhodnius prolixus que vem sendo mantida há mais de 15 anos pelo Laboratório de Fisiologia de Insetos, do Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.
Os insetos foram criados à temperatura média de 25 ± 2°C e umidade relativa 50-60%. As ninfas eram alimen-tadas com sangue humano citratado em comedouros artificiais, a intervalos de 25-30 dias, e os adultos após o acasalamento, a intervalos de 15 dias, segundo as técnicas de manutenção d e s c r i t a s por G A R C I A e cols. (1975).
3.2. I n s e t i c i d a s
Dieldrin (hexaclorodimetanonaftaleno) e o DDT (diclorodifenil-t r i c l o r o e (diclorodifenil-t a n o ) .
A amostra de DDT (p,p' DDT) foi sintetizada e gentil-mente cedida pelo Dr. E.S. Garcia para utilização em nossos experimentos, tendo sido purificada por recristalização em e-tanol até o ponto de fusão de 107,5 - 108,5°C. O Dieldrin recristalizado, com padrão de pureza de 99%, foi fornecido
pe-la S h e l l C h e m i c a l Co.
Após a ecdise, os insetos foram alimentados e trata-dos com aplicações tópicas trata-dos inseticidas, segundo as reco-mendações da WHO - World Health 0rganization (NELSON & COLME-NARES, 1979), com o auxílio de seringa de microaplicação da Hamilton Co., com capacidade total pra 25 ul e subdivisões de 0,1 ul, tendo sido aplicado 1 ul por inseto. As ninfas de 3º, 4º e 5º estádios receberam as aplicações tópicas dos insetici-das sobre os tergitos abdominais. Em face da presença de asas, os adultos receberam aplicações sobre os esternitos.
3.3. Determinação das DL50 e das doses subletais
As DL50 foram calculadas separadamente para cada es-tádio (39, 49, 5 ° de ninfa e adultos) através de métodos de ava-liação da dose-efeito de LITCHFIELD & WILCOXON (1949). Para cada fa-se do defa-senvolvimento do ciclo biológico foram testados cinco doses diferentes e cada teste repetido, pelo menos, duas ve-zes. Foram utilizados 10 insetos por dose testada, sendo os
exem-21.
p l a r e s r e t i r a d o s a l e a t ó r i a m e n t e da c o l ô n i a .
As doses subletais foram calculadas a partir das DL50 o b t i d a s p a r a cada e s t á d i o . F o r a m u t i l i z a d a s d u a s d o s e s s u b l e - tais, correspondentes à quinta e à terça parte de DL50.
3.4. B i o e n s a i o s
Os insetos utilizados nos testes foram mantidos em frascos cilíndricos (7 cm de diâmetro/10 cm de altura), devida-mente identificados, dentro dos quais eram colocadas tiras de papel de filtro, a fim de proporcionar maior mobilidade aos in-setos e facilítar o manuseio e a limpeza dos frascos. Os tes-tes tiveram como objetivo a observação do ciclo biológico de R. prolixus em laboratório, tratados com as doses subletais an-teriormente descritas de DDT e Dieldrin a partir do 3º estádio ninfal até a fase adulta. As aplicações seguiram o seguinte es-quema: a primeira dose no 3º estádio ninfal, a segunda no 4º, a t e r c e i r a no 5º e a q u a r t a no adulto.
3.4.1. O b s e r v a ç õ e s s o b r e a fase n i n f a l
Ninfas de 2º estádio foram separadas da colônia, ali-mentadas e mantidas isoladas, a fim de obter-se exemplares de 3º estádio com características nutricionais e fisiológicas se-m e l h a n t e s .
de 3º e s t á d i o (300 i n s e t o s / g r u p o ) . O p r i m e i r o g r u p o foi t r a t a -do com Dieldrin (grupo Dieldrin), o segun-do foi trata-do com DDT (grupo DDT) e o terceiro foi tratado só com o solvente, a c e t o n a (grupo C o n t r o l e ) .
Um número constante de insetos por grupo, foi manti-do sempre no início de cada bioensaio, independente da morta-lidade e/ou número de insetos recuperados após cada ecdise. Assim, dos insetos que atingiram o 4º estádio, foram formados três grupos de 200 ninfas cada um, e destes foram formados gru-pos de 100 ninfas de 5º estádio machos e 100 ninfas de 5º es-tádio fêmeas. Sempre que necessário, acrescentou-se exempla-res para completar-se o número de insetos estipulados para a f o r m a ç ã o de c a d a grupo.
As ninfas de 3º, 4º e 5º estádio receberam doses sub-letais correspondentes à quinta parte da DL50, em cada está-dio. Os dados referentes a mortalidade antes da ecdise, tem-po para o início e duração da ecdise, e percentual de recupe-r a ç ã o de i n s e t o s f o recupe-r a m a n o t a d o s e m p recupe-r o t o c o l o p recupe-r ó p recupe-r i o .
Ainda no 5º estádio procedeu-se à separação dos inse-tos pelo sexo, com base na morfologia dos últimos esterniinse-tos dos estádios imaturos (GALLIARD, 1935; GILLIET, 1935; ESPÍNOLA,
1966).
3.4.2. Observações sobre o adulto - ovipostura e ferti-l i d a d e
tra-23.
tamento com inseticida. Estas fêmeas foram divididas em sub-grupos (10 fêmeas/subgrupo), numerados de um a três para cada inseticida, segundo a dosagem aplicada. O primeiro subgrupo (subgrupo 1) não recebeu tratamento, o segundo (subgrupo 2)
recebeu dose referente à terça parte da DL50, e o terceiro (subgrupo 3) recebeu uma dose referente a quinta parte da DL50.
O g r u p o c o n t r o l e c o n t i n u o u s e n d o t r a t a d o c o m a c e t o n a .
Foram utilizados machos adultos não tratados, prove-nientes de cada um dos grupos (DDT, Dieldrin ou Controle), os quais eram postos em contato com as fêmeas imediatamente após o tratamento destas, na proporção de duas fêmeas/macho. Man-teve-se o acasalamento permanente, substituindo-se os machos sempre que estes morriam. A ovipostura foi analisada em fun-ção do número médio de ovos por fêmea e número total de ovos por subgrupo de fêmeas em observação; as posturas foram obser-vadas até o momento em que mais de 1/3 das fêmeas houvesse mor-rido. A fertilidade foi avaliada através da eclodibilidade dos ovos.
Os dados obtidos nos bioensaios foram analisados es-tatísticamente pelos teste Z e DMS (Análise de Variância).
4 . 1 . D o s e s l e t a i s 50% e d o s e s s u b l e t a i s
Os resultados obtidos nos ensaios para o cálculo da DL50 de Dieldrin e DDT para as ninfas de 3º, 4º e 5º estádi-os e para estádi-os adultestádi-os« estão representadas na Tabela 1, rela-cionando as DL50 e as respectivas doses subletais.
Os insetos do 5º estádio foram os menos sensíveis ao tratamento pelo DDT, seguido dos de 4º, dos adultos e dos de 3º estádio. No tratamento com Dieldrin os adultos foram os me-nos s e n s í v e i s , s e g u i d o s p e l o s de 5º, 4º e 3º estádios.
4.2. Efeitos das doses subletais sobre os insetos tratados, do 3º e s t á d i o até a f a s e a d u l t a
4.2.1. Efeitos sobre a mortalidade e ecdise do 3º para o 4º e s t á d i o n i n f a l
25.
T A B E L A 1. D e t e r m i n a ç ã o da DL50 e das d o s e s s u b l e t a i s de D i e l - d r i n e DDT, c a l c u l a d a s p a r a o 3º, 4º e 5º e s t á d i o s n i n f a i s e a d u l t o s de R h o d n i u s p r o l i x u s . a
(15%), seguido pelo grupo Controle (11,67%) e grupo DDT (8,67%). A a n á l i s e e s t a t í s t i c a r e v e l o u não h a v e r d i f e r e n ç a s significati- vas entre os grupos Dieldrin e DDT em comparação ao Controle, h a v e n d o e n t r e t a n t o d i f e r e n ç a s s i g n i f i c a t i v a s e n t r e os g r u p o s D D T e D i e l d r i n (Tab. 2, 3 e 4).
No 12º dia após a a l i m e n t a ç ã o das n i n f a s de 3º e s t á - dio tiveram início as ecdises, que se estenderam até o 20º dia, p a r a t o d o s os g r u p o s (Dieldrin, D D T e C o n t r o l e ) . O p i q u e de ecdises ocorreu entre o 12º e o 14º dias após a alimenta-ção; neste período, 45,66% das ninfas realizaram a muda no gru-po C o n t r o l e , 4 7 , 8 4 % das n i n f a s do g r u p o D i e l d r i n e 5 0 , 7 3 % do g r u p o D D T (Fig. 1).
A p e r c e n t a g e m t o t a l de e c d i s e s de c a d a g r u p o m o s t r o u q u e h o u v e d i f e r e n ç a s i g n i f i c a t i v a e n t r e os grupos tratados (Diel- d r i n e DDT) q u a n d o c o m p a r a d o s ao C o n t r o l e , mas que e s t e s g r u - pos não d i f e r i r a m entre si (Tabs. 5, 6 e 7).
4.2.2. Efeitos sobre a mortalidade e ecdise do 4º para o 5º e s t á d i o n i n f a l
A maior mortalidade foi observada no grupo DDT (30%), seguido dos grupos Dieldrin (27%) e Controle (22%). As dife-renças observadas não foram estatisticamente significativas (Tabs. 2, 3 e 4).
ali-T A B E L A 2. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m o solven- te (grupo Controle), nos 3º, 4º e 5º estádios ninfais de
Rhodnius prolixus,
a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z.T A B E L A 4. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e d o s g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m D D T , n o s 3º, 4 º e 5 º e s t á d i o s de
Rhodnius prolixus
,
a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z.T A B E L A 5. R e l a ç ã o e n t r e a s e c d i s e s d o s g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m o s o l v e n t e (grupo Controle), nos 3º e 4º estádios ninfais de Rhodnius prolixus,
T A B E L A 7. R e l a ç ã o e n t r e a s e c d i s e s d o s g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m D D T n o s 3º e 4º estádios ninfais de Rhodnius prolixus, analisado pelo Tes-te Z.
mentação das ninfas do 4º estádio para os grupos Dieldrin e Controle, tendo se iniciado no 15º dia para o grupo DDT. O pe-ríodo de intermudas se estendeu até o 28º dia após a alimen-tação. O pique de ecdises ocorreu entre o 14º e 16º dias após a alimentação, para os grupos Dieldrin e Controle. Fizeram a muda neste período 28,48% das ninfas do grupo Dieldrin e 26,77% das ninfas do grupo Controle; o maior número de mudas do gru-po DDT ocorreu entre o 18º e 20º dias após alimentação, quan-do 30,12% das n i n f a s r e a l i z a r a m a e c d i s e (Fig. 2).
A percentagem total de ecdises de cada grupo, reve-lou que os resultados obtidos para os grupos Dieldrin e Con-trole não diferiram estatisticamente entre si (Tab. 5), en-quanto no grupo DDT constatou-se que esta percentagem foi sig-nificativamente maior do que aquelas observadas nos grupos D i e l d r i n e C o n t r o l e (Tabs. 6 e 7).
4.2.3. Efeitos sobre a mortalidade e ecdise do 5º está-dio n i n f a l p a r a o a d u l t o
As ninfas de 5º estádio tiveram o período de intermu-das compreendido entre o 19º e o 37º dias após a alimentação. Os machos do grupo Controle e as fêmeas do grupo DDT inicia-ram a ecdise apenas 21 dias após a alimentação. O grupo Con-trole teve o período de intermudas, tanto rara machos quanto para fêmeas, menor que os dos grupos tratados (Dieldrin e DDT),
F I G U R A 2. E f e i t o de d o s e s s u b l e t a i s de D i e l d r i n e D D T n a ecdi- se do 4º para o 5º estádio ninfal de Rhodnius
t e r m i n a n d o as e c d i s e s no 33º d i a após a a l i m e n t a ç ã o . O p i q u e de e c d i s e s o c o r r e u , p a r a m a c h o s e fêmeas, e n t r e o 23º e 25º dias após a a l i m e n t a ç ã o , nos g r u p o s D i e l d r i n e C o n t r o l e ; o p i - que da e c d i s e f i c o u e n t r e o 25º e 27º d i a s p a r a o g r u p o DDT (Figs. 3 e 4).
A m a i o r p e r c e n t a g e m d e m o r t a l i d a d e a n t e s da e c d i s e foi v e r i f i c a d a no g r u p o D i e l d r i n (machos=29%; f ê m e a s = 3 8 % ) , se- g u i d o pelo g r u p o DDT (machos=26%; f ê m e a s = 3 6 % ) e g r u p o C o n t r o l e (machos=23%; fêmeas=35%); a análise estatística não
reve-lou diferenças significativa entre estes percentuais (Tabs. 8, 9, 10 e 14).
C o m p a r a n d o - s e os t r a t a m e n t o s (Dieldrin, D D T e Contro- le), não houve diferenças significativas entre as percentagens de adultos, machos e fêmeas, obtidos a partir do 5º estádio (Tabs. 11, 12 e 13); dentro do mesmo tratamento, observou-se um percentual significativamente maior de machos que de fê-meas apenas no grupo DDT (Tab. 15).
4.2.4. Efeitos sobre a oviposição e a fertilidade dos o v o s
No 4 º dia após a alimentação, e união dos machos e fêmeas, teve inicio a oviposição nos subgrupos 3 do DDT e 3 do Dieldrin; os outros subgrupos, inclusive o Controle, inicia-ram as posturas no 11º dia após a alimentação. Verificou-se
F I G U R A 3. E f e i t o de d o s e s s u b l e t a i s de D i e l d r i n e D D T n a ecdi- se d a s f ê m e a s d o 5º e s t á d i o n i n f a l p a r a a - d u l t o d e R h o d n i u s p r o l i x u s .
T A B E L A 8. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m o s o l v e n t e (grupo C o n t r o l e ) , de n i n f a s de 5º e s t á d i o , m a c h o s e fêmeas, de
Rhodnius prolixus
a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z.T A B E L A 10. R e l a ç ã o e n t r e a m o r t a l i d a d e dos g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m DDT, de ninfas de 5º estádio, machos e fêmeas, de
Rhodnius prolixus,
analisa-do p e l o T e s t e Z.T A B E L A 11. R e l a ç ã o e n t r e as e c d i s e s dos g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m s o l v e n - te (grupo C o n t r o l e ) , de n i n f a s de 5º e s t á d i o , m a c h o s e f ê m e a s , de
Rhodnius prolixus,
a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z.T A B E L A 13. R e l a ç ã o e n t r e as e c d i s e s dos g r u p o s t r a t a d o s c o m D i e l d r i n e c o m DDT, de n i n f a s de 5º e s t á d i o , m a c h o s e f ê m e a s , de
Rhodnius prolixus,
a n a l i s a d o s p e l o T e s t e Z.47.
que t o d o s os s u b g r u p o s dos g r u p o s D D T e D i e l d r i n e s t e n d e r a m as p o s t u r a s a l é m da 6ª semana, o m e s m o n ã o o c o r r e n d o c o m o g r u p o C o n t r o l e (Figs. 5, 6 e 7).
A maior postura foi observada no subgrupo 2 do DDT, e a m e n o r no g r u p o C o n t r o l e (Tab. 16).
O número médio de ovos por fêmea, em 76 dias de ob-servação, analisada pelo teste DMS, mostrou diferenças signi-f i c a t i v a s e n t r e as p o s t u r a s do s u b g r u p o 1 do D i e l d r i n e m r e l a - ção ao subgrupo 2 do DDT; do subgrupo 3 do Dieldrin em relação ao subgrupo 2 do DDT e ainda entre o grupo Controle e os sub-g r u p o s 2 e 3 de DDT e 2 do D i e l d r i n (Tab. 16).
Os ovos começaram a eclodir, em todos os subgrupos, e n t r e o 12º e 15º d i a s a p ó s o i n í c i o da o v i p o s i ç ã o .
Os í n d i c e s de e c l o s ã o dos o v o s v a r i a r a m de 8 1 , 6 3 % no grupo Controle e 95,76% no subgrupo 1 do Dieldrin; os percen-tuais de eclosão diferiram significativamete entre o grupo C o n t r o l e e todos os s u b g r u p o s t r a t a d o s (Tabs. 17 e 18). D i f e - riram ainda entre si os percentuais de eclosão dos subgrupos 1 do DDT e 1 do D i e l d r i n (Tab. 19).
FIGURA 5. Oviposição de Rhodnius prolixus tratados com 1/5 da DL50 nos estádios ninfais e não tratados no a-dulto (subgrupo 1) de Dieldrin e DDT; e do grupo C o n t r o l e .
49.
FIGURA 6. Oviposição de Rhodnius prolixus tratados com 1/5 da DL50 nos estádios ninfais e tratados com 1/3 da DL50 no adulto (subgrupo 2) com Dieldrin e DDT; e do g r u p o C o n t r o l e .
FIGURA 7. Oviposição de Rhodnius prolixus tratados no 3º, 4º, 5º e s t á d i o s n i n f a i s e a d u l t o s c o m 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Dieldrin e DDT; e do grupo
TABELA 16. Número médio de ovos/fêmea e número total de ovos/subgrupo (10 fê-meas/subgrupo) em 76 dias de observação, de
Rhodnius prolixus não
trata-dos (subgrupo 1), tratatrata-dos com 1/3 da DL50 (subgrupo 2) e tratatrata-dos com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Dieldrin e DDT, e das tratadas com solvente (grupo Controle) analisado pelo Teste DMS (Análise de Variança*).DL50 (subgrupo 2) e tratadas com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Diel- d r i n e das t r a t a d a s com s o l v e n t e (grupo C o n t r o l e ) , a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z.
T A B E L A 18. R e l a ç ã o e n t r e a e c l o d i b i l i d a d e dos ovos p r o v e n i e n t e s de f ê m e a s de
Rhodnius prolixus
não tratadas (subgrupo 1), tratadas com 1/3 da DL50 (subgrupo 2) e tratadas com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de DDT e das t r a t a d a s c o m s o l v e n t e (grupo C o n t r o l e ) , a n a l i s a d a p e l o Teste Z.DL50 (subgrupo 2) e tratadas com 1/5 da DL50 (subgrupo 3) de Diel- d r i n e DDT, a n a l i s a d o p e l o T e s t e Z.
5 . 1 .
5. DISCUSSÃO
D o s e s l e t a i s 50 e d o s e s s u b l e t a i s
Os resultados encontrados nos ensaios para a obten-ção das DL50 em R. prolixus concordaram com os achados de FOX e cols. (1966) em relação ao DDT, no qual o 5º estádio mostrou-se o mais tolerante. Entretanto, em rela-ção ao Dieldrin nossos achados revelaram ser os adultos os mais tolerantes enquado FOX e cols. (1966) referiram o 5º es-tádio como o mais tolerante a este inseticida. Diferenças na metodologia, relacionadas a manutenção, manipulação e exposi-ção dos triatomíneos aos inseticidas parecem explicar esta discrepância, urna vez que FOX e cols. (1966) utilizaram pa-péis previamente impregnados com inseticidas padronizados pe-la WHO, enquanto que no presente trabalho utilizou-se a apli-cação direta dos inseticidas diluidos em acetona, segundo as recomendações da WHO, citadas por NELSON & COLMENARES (1979). As doses subletais estabelecidas para cada estádio estudado de R. prolixus situaram-se em torno da DL10. No
en-tanto, constatou-se que outros autores consideraram como sub-letais doses que eram sub-letais, verdadeiramente. Assim, BEARD (1952), KNUTSON (1955), AFIFI & KNUTSON (1959), HUNTER e cols. (1958) e MORIARTY (1968) utilizaram doses iguais ou acima da DL50 e consideraram estas doses como subletais, devendo tal fato ser levado em consideração quando da análise destes re-s u l t a d o re-s .
5.2. Efeito das doses subletais sobre a ecdise e mortalida-d e
Os resultados revelaram que os insetos subme-tidos a doses subletais de DDT e Dieldrin não apresenta-ram modificações no tempo de ecdises (Figs. 1, 2, 3 e 4). En-tretanto vários autores fazem referência da influência das doses subletais sobre o tempo de desenvolvimento dos in-setos. CAMPBELL (1926), BEARD (1952), CHAUTHANI & ADKISSON (1966), MORIARTY (1968), HODJAT (1971), e ARENDS & RABINOVICH (1980) demonstraram que as doses subletais de inseticidas po-dem influir no tempo de desenvolvimento dos insetos, acele-rando ou retardando algumas de suas etapas. Acreditamos que alguns fatores possam ter sido determinantes nos achados destes au-tores como as doses maiores ou iguais a DL50 em aplicações únicas, e também de terem sido estudados, em alguns trabalhos in-setos holometabólicos. Tais fatores podem explicar as di-ferenças entre aqueles resultados e os do presente trabalho,
57.
já que nele foram empregadas doses subletais crônicas (aplica-das ao longo do desenvolvimento do inseto) em torno da DL10 e em T r i a t o m í n e o s , de d e s e n v o l v i m e n t o h e m i m e t a b ó l i c o .
Apesar do tempo de ecdise não ter sido influenciado pelas doses subletais, verificou-se que os insetos tratados pe-lo DDT tiveram as taxas de ecdises significativamente maio-res que os do controle do 3º para o 4º estádio ninfal e do 4º para o 5º estádio ninfal (Tabs 5 e 6); do 5º estádio ninfal para o adulto (muda imaginal) os perdentuais de ecdise não di-feriram significativamente dos percentuais encontrados para os insetos não tratados, entretanto observou-se que os ma-chos tiveram maior sucesso que as fêmeas na ecdise. No tra-tamento pelo Dieldrin, o efeito das doses subletais sobre as taxas de ecdise mostrou-se significativo apenas do 3º para o 4º estádio ninfal (Tab. 5). Estes dados parecem indicar uma ação estimulante, principalmente do DDT, sobre a ecdise do R. prolixus. elevando o percentual dos insetos que tiveram suces-so na e c d i s e .
Os dados revelaram que as ninfas de 3º estádio tratadas pelo Dieldrin apresentaram maior mortalidade que as do grupo DDT (Tab. 4). Uma vez que não ocorreram ou-tras modificações significativas, quer entre os grupos trata-dos e entre estes e o grupo Controle (Tabs. 2, 3, 4, 3, 9, 10, e 14), é admissível supor que a maior mortalidade das ninfas de 3º estádio tratadas com Dieldrin, em comparação àquelas tra-tadas com DDT, seja resultante de uma maior letalidade
intrin-seca do Dieldrin sobre este estádio. Tal suposição concorda com os dados obtidos por FOX e cols. (1966), os quais eviden-ciaram que as ninfas de R. prolixus são mais suscetíveis ao D i e l d r i n q u e ao DDT.
5.3. Efeito das doses subletais sobre a pré-oviposição
ram que o início das posturas em R. prolixus ocorre em torno do 10º dia após a alimentação e o acasalamento; mas condi-GARCIA e cols. (1975) e SZMLEVIECZ (1975)
concorda-ções adversas que levem a estresse, entre elas o tratamento pelo calor, podem levar a um aumento do período de pré-oviposi-ção nestes insetos (0KASHA e cols., 1970). Os achados do pre-sente trabalho mostraram que ninfas submetidas a doses suble-tais crônicas e que ao atingir a fase adulta receberem uma do-se maior de indo-seticida que a que vinha do-sendo administrada, inicia-ram a oviposição no 4º dia após a alimentação e o acasalamento, en-quanto nos outros subgrupos e no controle a oviposição iniciou-se no 11º dia. Estes achados vem corroborar as hipóteses de STERNBURG (1963), de LUCKEY & STONE (1960) e de LUCKEY (1968) nas quais insetos submetidos a estresse acumulativo de origem fí-sica ou química, podem apresentar modificaçoes fisiológicas re-sultantes da liberação de substâncias farmacologicamente ativas que agiriam no metabolismo normal destes insetos. Ao contrário do tratamento subletal pelo calor que retardou o início das pos-turas em R. prolixus (OKASHA e cols., 1970), acreditamos