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Coleta Seletiva: voluntarismo x remuneração

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Academic year: 2021

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INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - PNAP

Luís Filipe de Faria Gomes

COLETA SELETIVA:

VOLUNTARISMO X REMUNERAÇÃO

Investigação empírica sobre a receptividade da população, à mudança no modelo de negócio da reciclagem, no município do Rio de Janeiro.

Volta Redonda

2015

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Luís Filipe de Faria Gomes

COLETA SELETIVA:

VOLUNTARISMO X REMUNERAÇÃO

Investigação empírica sobre a receptividade da população, à mudança no modelo de negócio da reciclagem, no município do Rio de Janeiro.

Monografia apresentada ao Curso de Administração Pública, modalidade semipresencial, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração Pública.

Equipe de Orientação:

Prof. Msc. Júlio Cesar Andrade de Abreu Prof. Msc. Clemente Gonzaga Leite Tutora a distancia: Claudia Mitie Kono

Tutor presencial: Leonardo Monteiro de Carvalho

Volta Redonda

2015

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AGRADECIMENTOS

Quero agradecer a toda a equipe da DSA - Divisão de Serviços Especiais e Ambientais da COMLURB - Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro, pelas informações fornecidas e pela disponibilidade e acessibilidade. Em especial, por ordem alfabética a: Cleber Dantas; Cynthia Sumie T. Constant; Douglas Camelo Rodrigues; Jorge Tonnera Jr. e Lygia Albeirice.

Pela disponibilização de seu material de pesquisa ao professor Alexandre de Gusmão Pedrini.

Ao Instituto OndAzul na pessoa de Alfredo Sirkis e do professor André Esteves, meu agradecimento pela disponibilização de farto material bibliográfico e pelo incentivo. Pela orientação, aos professores Claudia Mitie, Clemente Gonzaga Leite, Júlio Cesar Andrade de Abreu, e Leonardo Monteiro de Carvalho.

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A "espaçonave Terra" veio sem manual de instrução. Os custos são baseados nas visões de curto prazo e depois ficamos oprimidos pelos custos inesperados, decorrentes de tais prazos.

R. Buckminster Fuller

Precisamos ser os agentes da mudança: Consumir menos, conservar mais e sermos catalisadores da mudança.

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RESUMO

Resumo: O Brasil após a promulgação da lei federal nº 12.305, de 2 de agosto de

2010, que estabeleceu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, deu um grande passo para solucionar o problema da destinação dos resíduos sólidos no país. Resta agora, que a problematização dessa questão ambiental saia do papel. É preciso se dar ganho de escala a indústria da reciclagem. Um dos fatores críticos para que se obtenha tal ganho é a participação popular na separação do lixo doméstico. A aposta no modelo de negócio baseado no voluntarismo da população não tem dado os resultados esperados. A principal aliada deste modelo, a Educação Ambiental, tem sido pouco efetiva. As pessoas a reconhecem como de importância em suas vidas. Na prática porém, os compromissos do dia a dia, não deixam espaço para uma real tomada de atitude em relação ao problema. A conscientização sobre a problemática ambiental é grande, porém a pró-atividade da população é mínima. Em contraponto temos o desperdício de matéria prima que em nosso país ainda é imenso, justamente pela falta da criação de um mercado para a reciclagem em grande escala. Pensadores nacionais e estrangeiros, já vislumbram há algum tempo, um novo tipo de capitalismo, focado na sustentabilidade e em uma nova cultura anti-desperdício. Trazendo uma nova ética, esse novo capitalismo é intrinsecamente inclusivo, com uma visão sistêmica que abarca toda a sociedade. Propõe quebrar o paradigma atual de consumo ambiental perdulário, para um consumo socialmente inclusivo, economicamente viável e ambientalmente sustentável. A pesquisa deste trabalho, de natureza empírica, foi efetivada através de uma Análise Não Probabilística por Cotas, realizada na cidade do Rio de Janeiro, mapeada por regiões e faixas etárias, com o intuito de auferir a propensão da população a mudança de paradigma, do voluntarismo atual, para uma eventual remuneração da separação de seu lixo doméstico. Para tal foi feito nesse estudo a tentativa de confirmação ou não, da hipótese de que a citada quebra de paradigma, viesse a ser um fator decisivo na alavancagem dessa atividade econômica dentro do município. Os dados foram colhidos através da veiculação de formulário eletrônico através das redes sociais. O resultado mostrou que 35% dos respondentes da amostra, que atualmente não separam seu lixo, mudariam de idéia em caso de remuneração da tarefa. Concluiu-se portanto, que existe um campo inexplorado tanto pela iniciativa privada, quanto pelo governo municipal, referente à emponderação dos contribuintes no processo da coleta seletiva, que hoje é focado quase que totalmente na conscientização dos munícipes, e por conseguinte, dependente da boa vontade destes, para tirar da inércia a roda da fortuna da reciclagem.

Palavras-chave: Capitalismo; Consumo; Educação Ambiental; Reciclagem; Remuneração.

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABIHPEC - Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos

ABIQUIM Associação Brasileira da Indústria Química ABRAS - Associação Brasileira de Supermercados EA – Educação Ambiental

EASS – Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem

COMLURB - Companhia de Limpeza Urbana do Município do Rio de Janeiro. ICLEI - International Council for Local Environmental Initiatives

MMA - Ministério do Meio Ambiente PET - Politereftalato de etileno

PNRS - Política Nacional dos Resíduos Sólidos RSU – Resíduos Sólidos Urbanos

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SUMÁRIO

Conteúdo

1. INTRODUÇÃO: ...11 2. OBJETIVOS ...13 2.1GERAL ...13 2.2ESPECÍFICOS: ...13 3. REFERENCIAL TEÓRICO ...14 3.1OPLANETA ...14 3.2OBRASIL ...17 3.3ORIO DE JANEIRO ...20

GRÁFICO 1–PERCENTUAL DE REJEITOS DA ESTAÇÃO IRAJÁ ...20

GRÁFICO 2–GRAVIMETRIA DE RESÍDUOS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO –PERCENTUAL DE REJEITO, POR BAIRROS. ...21

3.4OS CAMINHOS ...21

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ...23

5. RESULTADOS ...25

5.1TERCEIRA PERGUNTA SITUACIONAL ...25

GRÁFICO 3–NÍVEIS DE CONSCIENTIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DA AMOSTRA ...25

5.2 QUARTA PERGUNTA SITUACIONAL ...25

GRÁFICO 4–RESPONSABILIDADE PELO TRATAMENTO DO LIXO DOMÉSTICO ...26

5.3 PRIMEIRA PERGUNTA DO OBJETIVO DA PESQUISA ...26

5.4 SEGUNDA PERGUNTA DO OBJETIVO PERGUNTA-CHAVE ...27

GRÁFICO 5–PERGUNTA SOBRE REMUNERAÇÃO ...27

TABELA 1–TABELA COMPARATIVA ...28

5.4.1MESMA PERGUNTA ACIMA.RESULTADOS POR REGIÕES E POR FAIXAS ETÁRIAS: ...28

GRÁFICO 6–PERGUNTA SOBRE REMUNERAÇÃO – RESPOSTAS POR REGIÕES...28

GRÁFICO 7–PERGUNTA SOBRE REMUNERAÇÃO – RESPOSTAS POR FAIXA ETÁRIA ...29

5.4.2ESTUDO SOBRE A FREQÜÊNCIA DE SEPARAÇÃO DO LIXO, POR FAIXA ETÁRIA, CUJO RESULTADO ENCONTRA-SE ABAIXO:...29

TABELA 2–FREQUÊNCIA DE SEPARAÇÃO DO LIXO – POR FAIXA ETÁRIA ...29

5.5 A ÚLTIMA PERGUNTA FOI SOBRE A DESTINAÇÃO FINAL DOS RSU DADA PELOS CONTRIBUINTES, QUE SEPARAM SEUS RESÍDUOS.CONFORME TABELA 3 ABAIXO: ...30

TABELA 3–TABELA DE DESTINAÇÃO DO LIXO DOMÉSTICO ...30

6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ...31

6.1. PRIMEIRO RESULTADO ...31

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FIGURA 1–PESQUISA SOBRE RESPONSABILIDADE PELA SOLUÇÃO DO PROBLEMA DOS RSU–RIO

COMO VAMOS ...32

6.2 OUTROS RESULTADOS ...32

6.2.1PRIMEIRO RESULTADO RELATIVO AO OBJETIVO DA PESQUISA ...32

6.2.2SEGUNDO RESULTADO RELATIVO AO OBJETIVO DA PESQUISA ...34

6.2.3 DESTINAÇÃO FINAL DO LIXO ...35

7. CONCLUSÕES, PROVOCAÇÕES E SUGESTÕES ...36

7.1PREÂMBULO: ...36 7.2INDAGAÇÕES PROVOCATIVAS ...37 7.3CONCLUSÕES: ...37 7.4SUGESTÕES ...38 7.4.1POSSÍVEIS VANTAGENS: ...39 8. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ...41

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1. INTRODUÇÃO:

Ao descartarmos sem a devida segregação o lixo doméstico, criamos sem nos dar conta, um alto custo financeiro e ambiental. Ou seja, lixo sujo, não gera riqueza. Acabando por criar um alto índice de rejeitos, que vão parar nos aterros sanitários e outras formas de destinação final, nem sempre adequadas, sem que sejam retirados desses insumos, todo o seu potencial energético e econômico. O desperdício é grande, e maior ainda a agressão ao meio ambiente. Seja sob a forma de poluição ambiental, ou pela necessidade de se extrair, na falta de materiais devidamente reciclados, uma quantidade maior de matéria-prima da natureza. Como se esses recursos não fossem finitos.

Apesar desse quadro pouco alentador, já existem no Brasil políticas públicas e ações privadas exitosas no combate ao desperdício, com a consequente tomada de posição de pessoas e empresas, no sentido de estabelecer-se, um sistema de proteção ambiental funcional e abrangente como opção estratégica de país. Como exemplos podem ser citados: o Cempre - Compromisso Empresarial para Reciclagem, que desde 1992, “trabalha para conscientizar a sociedade sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem de lixo através de publicações, pesquisas técnicas, seminários e bancos de dados” (CEMPRE, 2014). Já a empresa Tetra Pak, disponibiliza o site “Rota da Reciclagem” onde por meio de geomapas pode-se ao digitar um endereço, ter o mapa da região procurada com os eco pontos mais próximos assinalados (TETRA PAK, 2015).

No âmbito federal existem as chamadas “Licitações Verdes”, nas quais o órgãos federais fazem licitações conjuntas considerando os processos de extração ou fabricação, utilização e descarte dos produtos e matérias-primas (JUS NAVIGANDI, 2015).

Estas iniciativas estão direcionando as soluções para o tratamento sustentável dos resíduos sólidos urbanos - RSU, focando-se na redução do consumismo pela sociedade, e no aumento da conscientização das pessoas a

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O panorama em geral, vem mudando não somente devido à conscientização de pessoas e empresas, mas, sobretudo, após a entrada em vigor da lei federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que estabeleceu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos - PNRS e sua posterior regulamentação através do decreto nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010.

Este último, em seu artigo 5º distribui as responsabilidades pelo ciclo de vida dos produtos, entre todos agentes públicos e privados: “(...) fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana.” (BRASIL, 2010)

Já o artigo 6º, do mesmo decreto lei, obriga os consumidores a: “(...) sempre que estabelecido sistema de coleta seletiva pelo plano municipal” “(...) acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados (...)” (idem)

No município do Rio de Janeiro a Lei nº 3273, de 06 de setembro de 2001, regulamenta o assunto (RIO, 2001).

A despeito do aumento da conscientização e da moderna legislação brasileira citadas, a reciclagem de resíduos sólidos domiciliares é efetiva em poucas cidades. Como conseqüência grande parte dos RSU ainda não tem destinação adequada, no Brasil, e, por conseguinte no município do Rio de Janeiro, onde apenas 10% da população da cidade participam da coleta seletiva. Esse trabalho se propõe a buscar um caminho para ajudar na solução desse problema.

Neste contexto, quer-se iluminar um lado da questão da reciclagem de RSU gerados em domicílios, pouco ou nada explorado, qual seja, a substituição da idéia da coleta seletiva, como ação voluntária e gratuita - pela remuneração da população.

O fator econômico poderia vir a ser decisivo na mudança do hábito arraigado em todas as camadas da população carioca, de misturar-se o lixo doméstico na fonte, o que praticamente inviabiliza a atividade de reciclagem?

A hipótese a ser levantada portanto é: A remuneração do contribuinte que viesse a separar corretamente o seu lixo doméstico, poderia ser a facilitadora do processo de coleta seletiva, na cidade do Rio de Janeiro?

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2. OBJETIVOS

2.1 Geral

 Prospectar o estágio atual da coleta seletiva domiciliar do Município do Rio de Janeiro.

2.2 Específicos:

 Dimensionar o grau de conscientização individual dos contribuintes, em face à segregação de resíduos na fonte.

 Avaliar dentro do universo restrito de uma amostra da população carioca, a propensão da mesma, em aderir à coleta seletiva, caso a separação do seu lixo doméstico, viesse a ser remunerada.

 Divisar dentre aqueles que separam seu lixo doméstico, que destinação final dão ao mesmo.

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3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 O Planeta

De acordo com os dados das Nações Unidas em 2007 a Terra atingiu uma marca histórica: 66% da população mundial já habitava áreas urbanas naquele período (ICLEI, 2009).

As novas tecnologias, com reflexos nas áreas de saúde, produção de alimentos, habitação e outras, fazem com que um número cada vez maior de indivíduos veja nos grandes centros urbanos a possibilidade de realizarem seus anseios profissionais e pessoais. Esse “inchaço” das cidades, alavanca a geração de RSU, que aumenta, à medida que o tipo de padrão de vida moderno e consumista encontra mais adeptos, se disseminando na esteira de eventuais avanços na área social, como por exemplo no Brasil, onde milhares de pessoas entraram para o mercado de consumo nos últimos anos, sem que paralelamente avançássemos na educação ambiental (Idem).

Em todo o mundo e também no Brasil atingimos um estágio em que o consumo, como almejamos, e muitas das vezes demandamos está além da capacidade suportável pelo planeta.

O meio ambiente preservado é direito de todos. É preciso que se supere a dimensão individual para se entender o todo. A especialização profissional dos indivíduos, refletida em sua vida pessoal, leva a humanidade a pensar que os problemas que geramos com nosso consumo, ou não existem, ou são da alçada de outros membros da sociedade, que na verdade somos nós mesmos.

Quando depositamos nosso lixo na lixeira, ou o jogamos ao léu, sem a segregação do material reciclado, estamos nos livrando do “problema” sem nos darmos conta que estamos criando um problema maior ainda, qual seja, que ao ignorarmos as interações econômicas, biológicas, de saúde e outras, inerentes ao descarte incorreto do nosso lixo (que não passa de sobras pós-consumo), estamos

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sobrecarregando o planeta de duas formas, pelo desperdício de matéria-prima e pela poluição ambiental gerada (WELLAUSEN, 2002).

A visão de Coelho (2002), convergente com Wellausen, é de que as cidades são na verdade, “ecossistemas artificiais”, que aliam à inércia, ao individualismo e ao anonimato, proporcionados pela falta de convívio humano nos grandes centros urbanos, gerando, conforme sua análise - “um divórcio entre as pessoas e o espaço em que vivem, o que acaba por desvincular o indivíduo do seu entorno” (COELHO, 2002).

Em 1983, dezenove anos antes de Coelho e Wellausen, Fritjof Capra publicou "The Turnning Point" (O Ponto de Mutação), que viria a ser o norte de sua obra, onde especula que:

(...) a humanidade estaria por atingir um ponto de ruptura entre a lógica mecanicista Newtoniano-Cartesiana, onde a separação mente-matéria, que por todo o século XX teria sido cultuada, daria lugar a uma visão mais holística e sistêmica do todo (CAPRA, 1983).

Capra, ao propor, à época, essa discussão, que para ele, parecia tão iminente, não contava que a Revolução da Informática - que no seu bojo trouxe a Internet - desviasse de forma tão “eficiente” o foco da humanidade, que nos anos subsequentes não se dedicou a debater àquele tema, qual seja: a total interdependência de todos os sistemas financeiros, biológicos e ecológicos ligados às atividades humanas de produção, consumo e descarte de bens, em um único sistema interligado. Cujas consequências das ações econômicas, voltadas para a produção de bens, vão muito além de seus impactos no mercado financeiro. Gerando na prática, não somente riquezas e progresso (muitas vezes discutível), mas também poluição, e esgotamento de matérias-primas, dentre outras mazelas. (Idem)

A retomada das condições ideais para se discutir essa temática, para Capra, se dá no século XXI quando a "consciência pública de valores e de consciência empresarial retorna ao mesmo patamar de 1980" (CAPRA APUD VISSER, WAYNE 2012). Porém com a grande diferença de que a pressão ambientalista está extremamente aumentada devido: 1- Ao agravamento da crise ambiental, e;

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2- Ao fortalecimento da sociedade civil, que está sabendo se aproveitar dos novos meios de comunicação para se mobilizar, e tendo como aspecto positivo que a evolução tecnológica está provendo cada vez maiores possibilidades de mitigação dos males do consumo desenfreado, faltando apenas, o que não é pouco, vontade política para começarmos uma nova era com menos desperdício e mais aproveitamento do meio ambiente de forma consciente e sustentável. “A consciência ecológica surgirá apenas quando juntarmos nosso conhecimento racional a uma intuição não linear em relação à natureza de nosso meio ambiente” (Idem).

Nessa mesma linha de raciocínio, pessoas como o ambientalista, empreendedor e escritor Paul Hawken (1994), vem disseminando idéias inovadoras de um novo capitalismo, onde os negócios não deveriam ser focados somente no ganho financeiro, na busca apenas do lucro. E sim, em aumentar o bem estar da humanidade, “por meio de serviços, inovação criativa e filosofia ética”. As empresas precisariam se reinventar, se reimaginando como parte de um sistema fechado e cíclico (HAWKEN, 1994).

Ainda segundo Hawken, “(...) um dos propósitos da economia restaurativa é garantir que as opções comerciais inovadoras tenham uma chance de sobreviver na monocultura do capitalismo corporativo” (Idem).

Cerca de quinze anos depois, o mesmo Hawken (2010), auxiliado pelos Lovins, Amory B. e L. Hunter, planta a semente do Capitalismo Natural, idéia na qual o mundo estaria bem próximo de uma nova Revolução Industrial (de certa forma em consonância com Capra, já citado). As novas tecnologias, segundo a teoria de Hawken, influenciariam positivamente os meios de produção através de:

1. Aumento radical da produtividade dos recursos – Estas novas tecnologias de extração e conservação fariam com que os recursos naturais (energia, minerais, água e florestas) renderem cinco, dez ou mais vezes do que é feito hoje.

2. Modelos de produção inspirados biologicamente, em protótipos da natureza, que são devolvidos sem causar danos ao ecossistema em forma de nutriente, como o adubo, ou se torna insumo para outro processo de fabricação.

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3. Mudança para um modelo de negócio como de serviço e de fluxo contínuo.

4. Reinvestimento em capital natural. Restauração, sustentação e expansão do capital natural (Hawken, Lovins e Lovins, 2010).

No mesmo período Anita Roddick (2005) cunha outro conceito inovador qual seja, o de “Negócios não usuais”. Mais que simples negócios visando o lucro, os Negócios não usuais seriam uma, “(...) filosofia alternativa de negócios, acreditando que eles deveriam representar algo além do objetivo de ganhar dinheiro, servir para mudar as coisas para melhor. (…) “Os negócios são a mola do mundo, nada é tão poderoso. (...) deveriam ser incubadores do espírito humano, em vez de fábrica para produção de mais bens materiais e serviços” (RODDICK, 2005).

3.2 O Brasil

No Brasil, grande parte dos resíduos sólidos ainda é descartada sem nenhuma forma de tratamento.

“(...) os resíduos sólidos urbanos sem disposição adequada consistem em uma fonte significativa das emissões de metano CH4. (...) que é 21 vezes pior que o gás carbônico CO2” (ICLEI, 2009).

O economista do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni apud Oliveira (2011), afirma que o Brasil perde anualmente U$ 10 bilhões/ano, por não reciclar 80% seu lixo (OLIVEIRA, 2011).

Calderoni compara os gastos com transporte de lixo de um município de 200 mil habitantes, cerca de R$ 8 milhões por ano, que poderia ser substituído pela receita de R$15 milhões se o mesmo município reciclasse não só seus resíduos secos, mas também seus resíduos orgânicos (idem).

Em nosso país atualmente, onde segundo o Atlas Nacional do Brasil Milton

Santos do IBGE (2010), já temos 80% da população vivendo em áreas urbanas, o contexto ambiental tornou-se bastante complexo, como de resto em todo o mundo.

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Sabemos no entanto que nem sempre foi assim, como já explicava nos idos de 1997, o geógrafo, professor, ambientalista, político, e economista Carlos Minc que àquela época afirmava:

O que genericamente chamamos lixo, nada mais é do que matéria prima fora do lugar. Nas sociedades pré-industriais, não havia uma separação tão marcada entre o urbano e o rural, entre agricultura, artesanato e a manufatura. Os restos de alimentos eram convertidos em comida para os animais, a sobra de madeira de uma construção virava lenha, as aparas de tecido da confecção artesanal convertiam-se em colchas de retalhos.

A industrialização gerou maior divisão social e técnica do trabalho e crescente especialização das atividades. As matérias primas percorreram milhares de quilômetros e os rejeitos deixaram de ser reaproveitados localmente (MINC, 1997).

No mesmo ano Neira Alva (1997), situa a mudança de paradigma de uma sociedade de consumo inconsciente e perdulária ambiental, para uma sociedade preservacionista focada no desenvolvimento sustentável, como tarefa “dos lideres comunitários, professores universitários, pesquisadores, profissionais liberais, funcionários públicos, empresários e cidadãos responsáveis” (NEIRA ALVA, 1997).

Em sua tese, ele rompe com a idéia de que o óbvio, ou o mais evidente, devem ser a base para as soluções ambientais. As motivações sociais devem suplantar as econômicas, devendo a inovação pautar a busca da sustentabilidade, que seria a seu ver a primeira responsabilidade dos intelectuais.

Porém a adoção de novos paradigmas não é tarefa de intelectuais, aos quais cabe analisar os problemas e propor soluções, mas não decidir sobre eles. O processo de redefinição de paradigmas - que é uma necessidade em toda crise social - é um ato coletivo intimamente vinculado ao avanço da democracia como forma de vida e não só como ato eleitoral. Enquanto processo social, o debate paradigmático implica discussão sistemática com redes de representantes das diferentes culturas e subculturas urbanas e, em última instância, com toda a população (idem)

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A respeito desse contexto Pedro Rosso (2010) comenta, sobre a dicotomia entre educação ambiental e ação ambiental propriamente dita no cotidiano das pessoas:

Embora comprovada à importância e a necessidade de reciclagem dos resíduos sólidos, ainda percebe-se muito a falta de interesse e de comprometimento da população com as ações relacionadas ao meio ambiente.

Os processos de Educação Ambiental (EA) são sempre muito bem recebidos como propostas, mas quando se trata das pessoas participarem dos mesmos, outras atividades sempre são colocadas como mais importantes, impedindo-os de se engajarem. Fica a impressão de que a solução do problema cabe aos outros (Rosso, 2010).

Este quase desabafo de Pedro Rosso corrobora as afirmações de Wellausen, já citada, sobre o excesso de individualismo, como um dos principais fatores que ofuscariam uma visão mais holística e sistêmica do todo.

Esta diferença entre a constatação do problema, e a conscientização de que fazemos parte da solução do mesmo, seria o eixo principal da questão da pouca efetividade da educação ambiental.

Enquanto se discute em determinados setores da EA no Brasil a reciclagem, e suas dificuldades de implementação, conforme acima, pensadores como o professor Pedrini (2006) avançam na questão defendendo os ideais da “Carta da Terra” na qual a proposta dos 3Rs, que consta do artigo nº7 da citada Carta, que são: reduzir (o consumo), reutilizar (o consumido) e apenas por último, esgotadas as outras possibilidades, reciclar os resíduos (pós consumo), devam ser o pilar das ações voltadas para a implementação de políticas voltadas para a Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis – EASS, no Brasil (PEDRINI, 2006).

Nessa mesma linha e avançando ainda mais na hierarquia dos 3Rs, Layrargues, foca nas questões da reciclagem em si, para ele,

o verdadeiro consumidor verde, ou melhor, o verdadeiro cidadão consciente e responsável não é aquele que escolhe consumir preferencialmente produtos recicláveis, ou que se engaja voluntariamente nos programas de reciclagem, mas aquele que cobra do Poder Público, por meio de processos

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coletivos de pressão, que o mercado ponha um fim na obsolescência planejada e na descartabilidade (...) (LAYRARGUES)

Sendo esta obsolescência planejada, no seu entender, “o mal de todos os males.” (idem)

3.3 O Rio de Janeiro

Zanin (2004), afirmava que em pesquisa efetuada na cidade de Araraquara-SP, ao fim de um dia normal de trabalho eram conseguidas como produto final, em uma planta de reciclagem, apenas 10 toneladas de material segregado, limpo e seco, de um total de 79 toneladas manipuladas. Ou seja, quase 88% dos resíduos eram rejeitados devido à contaminação (ZANIN, 2004).

Atualmente no Rio de Janeiro esse índice é melhor, porém longe do ideal. Como mostra o gráfico abaixo, a respeito do índice de rejeitos do lixo doméstico não separado nas residências, que chega a estação de tratamento de Irajá:

Gráfico 1 – Percentual de rejeitos da Estação Irajá

Fonte: Estudo de Caracterização Gravimétrica da Coleta Seletiva - DSA – COMLURB.

Ou seja, o lixo doméstico sem separação adequada gera um índice de rejeitos de quase 50% (42,72%).

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Enquanto que o lixo separado nos domicílios com fins de reciclagem alcança o excelente índice de 2,6% de rejeitos em média, do material potencialmente reciclável. De acordo com estudo de gravimetria feito pela COMLURB, conforme gráfico 2 abaixo:

Gráfico 2 – Gravimetria de resíduos da Cidade do Rio de Janeiro – Percentual de rejeito, por bairros.

Fonte: Estudo de Caracterização Gravimétrica da Coleta Seletiva - DSA – COMLURB.

3.4 Os Caminhos

Existem três vertentes de pensamentos atualmente dominando a cena mundial, no tocante a problemática do correto descarte dos RSU:

1 – A que defende o uso, cada vez em menor quantidade, das embalagens conforme nos mostra Renato Cymbalista, professor de história do urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e presidente do Instituto Pólis, para o qual devemos: “aprender a incluir no preço do que compramos o custo ambiental e de reciclagem”. Em entrevista, ele cita a prática de alguns supermercados na Alemanha que permitem que após a passagem pelo caixa, o consumidor libere das embalagens os produtos comprados, deixando o encargo do descarte correto das mesmas por conta do supermercado. Essa prática seria um embrião do futuro consumo de produtos a granel, que o professor considera

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como tendência futura, na qual ingressaríamos nos estabelecimentos para fazer nossas compras com potes vazios, que encheríamos com os produtos dos quais necessitamos, dispensando o uso de embalagens. (FOLHA DE SÃO PAULO – online – 12/04/2015)

2 – A segunda tendência é aquela que se serve da tecnologia de Tratamento Mecanizado e Biológico (TMB), que se utilizando de equipamentos com rendimento variáveis (com no mínimo 50% de aproveitamento dos materiais inseridos, sem qualquer separação prévia), fazer-se a separação dos mesmos (com ou sem participação humana no processo), que ao saírem estão devidamente segregados e prontos para serem destinados ao reprocessamento industrial. Conforme projeto piloto desenvolvido no município de São Sebastião – SP, pela prefeitura e pela GTZ - Deutsche Gesellschaft für Technische

Zusammenarbeit, (Agência Alemã para Cooperação Técnica) cujo - Projeto

setorial Promoção do Tratamento Mecânico-Biológico de Resíduos, foi chefiado por ELKE HÜTTNER, entre 1998 e 2003.

3 – A terceira tendência é aquela que associa ao uso de embalagens, a participação da população, e das empresas públicas e privadas (incluindo-se as de cunho associativo popular) na separação e correto descarte dos resíduos produzidos para posterior aproveitamento através de reciclagem.

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4. Procedimentos Metodológicos

Neste trabalho foi desenvolvida uma pesquisa aplicada, de caráter descritivo e quantitativo.

O meio de divulgação um questionário eletrônico, cujo link: <http://goo.gl/forms/jgMcDFznm3>, foi divulgado através da rede corporativa do Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, da qual sou servidor público, bem como em minhas redes sociais e nas do professor André Esteves, que gentilmente colaborou com essa pesquisa.

Primeiramente o município foi dividido em suas quatro tradicionais regiões: Centro, Zona Norte, Zona Oeste e Zona Sul.

Foi estipulada uma cota mínima de 100 respondentes por região do município. Objetivo este alcançado amplamente pelas Zonas Norte e Sul da cidade, ficando a Zona Oeste bastante próxima com 94, e o Centro com apenas 7 respondentes. Devido a esse resultado o Centro foi considerado outlier por ter ficado muito aquém da cota mínima necessária para ter seus resultados considerados na amostra.

O questionário eletrônico era semi-estruturado, com as respostas sob a forma de múltipla escolha com 3 ou 4 opções. Havendo algumas perguntas com a última opção – outros – dando margem a respostas autorais.

O total de perguntas foi de 34, porém cada entrevistado respondia apenas a 8 ou 9 perguntas.

Foram 493 questionários respondidos; sendo 365 respondentes domiciliados no município do Rio de janeiro, divididos em três regiões (zona norte; zona oeste e zona sul), tendo o centro sido desconsiderado, conforme já explicado.

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Devido à natureza das interações pessoais via internet, houve um razoável número de respostas oriundas de localidades da Baixada Fluminense, interior do RJ, e até mesmo de outros estados da federação, num total de 121 respostas, que, no entanto, não foram consideradas na análise dos resultados, por tratar-se de um estudo apenas no âmbito da cidade do Rio de Janeiro.

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5. Resultados

As duas primeiras perguntas foram apenas de cunho situacional, não oferecendo resultados a serem analisados.

5.1 A terceira pergunta, teve a intenção de dimensionar o grau de conscientização da população, frente à problemática do lixo doméstico. Como resultado temos o gráfico 3 abaixo, onde se vê claramente a majoritária idéia de que os RSU são fruto do consumo doméstico.

Gráfico 3 – Níveis de conscientização da população da amostra

Fonte: Elaborado pelo autor

5.2 A quarta e última pergunta situacional, inquiriu sobre a responsabilidade do tratamento do lixo, no ideário da população, conforme o gráfico 4 abaixo.

Havendo o predomínio da resposta prefeitura, (com quase 60% em média) ficando em segundo a resposta outros (com cerca de 30%), que em sua maioria também incluía a prefeitura, já que quase todas as respostas não estruturadas compartilhavam a responsabilidade como sendo de todos, ou seja, população, empresas e prefeitura.

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Gráfico 4 – Responsabilidade pelo tratamento do lixo doméstico

Fonte: Elaborada pelo autor

5.3

A primeira pergunta a respeito do objetivo da pesquisa foi feita com a intenção de auferir o desempenho do cidadão frente à problemática da separação ou não dos resíduos em sua residência.

O resultado é que mais metade da população não separa seu lixo doméstico, ou separa apenas algumas vezes.

Aqueles respondentes que apontaram sempre como resposta (47%), foram diretamente direcionados a pergunta 5.5 (pag. 30).

Quanto àqueles que responderam entre 1 e 4 vezes por semana (22%), ou nunca (31%), foram direcionados a pergunta 5.4, abaixo:

(27)

5.4 A segunda pergunta do objetivo, é a pergunta-chave do trabalho.

Gráfico 5 – Pergunta sobre remuneração

Fonte: Elaborada pelo autor

A pergunta acima foi feita aos 53% de respondentes que declararam separar algumas vezes, ou nunca o seu lixo doméstico.

O desvio padrão na dimensão NÃO (11,7%), se deve a maior rejeição alcançada na Zona Norte (53%), em comparação com a grande aceitação da idéia na Zona Sul (80%). Conforme gráfico 6 (pag. 28).

Para melhor entendimento da dimensão das respostas foi feito um estudo comparativo entre o total de respondentes e aqueles que separam algumas vezes ou nunca, o seu lixo doméstico, conforme a Tabela 1, abaixo:

(28)

Tabela 1 – Tabela comparativa

VOCE MUDARIA DE IDEIA SE VIESSE A SER REMUNERADO?

PERCENTUAL RELATIVO AOS QUE NÃO

SEPARAM Base 53% DESVIO PADRÃO PERCENTUAL RELATIVO AO TOTAL DE RESPONDENTES A. NÃO 33% +18,8% 17,5% B. SIM 29% + 8,9% 15,3% C. PROVAVELMENTE 38% + 9,5% 20,2%

Fonte: Elaborada pelo autor

Ou seja, mais de 35% do total de respondentes da amostra (linhas B e C), afirmaram que mudariam de atitude caso viessem a ter a tarefa de separar os resíduos sólidos em sua residência remunerada.

5.4.1 Mesma pergunta acima. Resultados por regiões e por faixas etárias:

Gráfico 6 – Pergunta sobre remuneração – respostas por regiões

(29)

Gráfico 7 – Pergunta sobre remuneração – respostas por faixa etária

Fonte: Elaborada pelo autor

O desvio padrão das opções, PROVAVELMENTE, SIM e NÃO, foram respectivamente: + 11,25%; + 10% e + 9,64%.

5.4.2 Foi desenvolvido também um estudo sobre a freqüência de separação do lixo, por faixa etária, cujo resultado encontra-se abaixo:

Tabela 2 – Frequência de separação do lixo – por faixa etária

VOCÊ SEPARA O SEU LIXO? QUANTAS VEZES POR SEMANA?

FAIXA ETÁRIA ÀS VEZES NUNCA SEMPRE DESVIO PADRÃO

20 a 24 11% 56% 33% 22,5% 25 a 29 36% 27% 37% 5,5% 30 a 39 19% 26% 55% 19,1% 40 a 49 30% 27% 43% 8,5% 50 a 59 9% 30% 61% 26,2% 60 ou mais 17% 50% 33% 16,5%

(30)

5.5 A última pergunta foi sobre a destinação final dos RSU dada pelos contribuintes, que separam seus resíduos. Conforme Tabela 3 abaixo:

Tabela 3 – Tabela de destinação do lixo doméstico

QUAL O DESTINO DO SEU LIXO PARA RECICLAGEM?

PREFEITURA ECOPONTOS COOPERATIVAS DE CATADORES CENTRO 3 1 2 ZONA NORTE 71 23 12 ZONA OESTE 37 20 11 ZONA SUL 65 51 12 TOTAIS 176 95 37

(31)

6. Discussão dos Resultados

6.1. O primeiro resultado, conforme apontado no gráfico 3 (pag. 25), demonstra que a conscientização a respeito da responsabilidade intrínseca à produção do lixo doméstico é alta. Somados os índices das respostas – É fruto do meu consumo – com a resposta – outros (que em sua maioria revelou um alto grau de conscientização ao responderem que o lixo é um problema de todos, dentre outras respostas) - encontra-se um índice superior a 98% das respostas, deixando a resposta – Não me diz respeito – com menos de 2%.

Esse alto índice é próximo ao encontrado na pesquisa do Ministério do Meio Ambiente - O que o Brasileiro pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável - que indicava em 2012 um índice de percepção da população, em relação à problemática do lixo era de 86%, “(...) o que não quer dizer um mesmo índice de separação propriamente dita, havendo grande dicotomia entre o que se declara e o que se pratica.” (MMA – 2012)

6.1.1 O segundo resultado, referente à pergunta 5.2 (pag.25), cuja resposta demonstrada no gráfico 4 (pag. 26), aponta que: para mais de 90% da população

respondente da amostra, a prefeitura é a maior responsável pelo tratamento do lixo, com média de 60% das respostas, que somados a mais 30% da resposta outros, que em sua maioria também incluiu a prefeitura - pois os respondentes consideraram a responsabilidade como sendo compartilhada com todos – obteve-se um total de 90%, ou seja, denotando um alto índice de percepção do papel do governo municipal no enfrentamento das questões relativas ao tratamento de resíduos. Esse resultado corrobora a análise da ONG – Rio Como Vamos, conforme Figura 1 abaixo:

(32)

Figura 1 – Pesquisa sobre responsabilidade pela solução do problema dos RSU – Rio Como Vamos

6.2 Outros resultados

6.2.1 O primeiro resultado relativo ao objetivo da pesquisa, em resposta a pergunta

5.3 (pag. 26), corroborado mais uma vez pela pesquisa da ONG – Rio Como Vamos (Figura 2, abaixo) é condizente com a sensação de que a maioria das pessoas não procede em seus lares com a separação do lixo.

Cerca de 53% dos respondentes, declararam que apenas algumas vezes, ou nunca, separam seu lixo. Havendo portanto, a real possibilidade de esse número ser bem maior, visto que o reverso dessa resposta, qual seja, o bom índice de 47% de respondentes que declararam separarem sempre seu lixo doméstico, não parece corresponder à realidade.

Este excelente número (47%), está em discordância com a avaliação da COMLURB, empresa responsável da prefeitura do Rio de Janeiro, cuja estimativa é

(33)

de que apenas 10% da população, esteja fazendo a separação do lixo doméstico. Havendo portanto, uma aparente discrepância entre o que se responde, de maneira “políticamente correta”, e o que realmente se pratica no cotidiano.

O que pode indicar:

a) que a pesquisa pela internet captou um recorte da população que devido ao seu nível cultural e social, está mais propenso a responder (e quem sabe agir?), de forma politicamente correta em relação ao descarte de seu lixo; ou,

b) um alto grau de insinceridade entre os respondentes dessa pesquisa e da ONG Rio Como Vamos. Essa insinceridade nas respostas corrobora a conclusão do MMA, citada no item 6.1 (pag. 31), a respeito da dicotomia entre o que se responde e o que se pratica no cotidiano.

Figura 2 – Pesquisa sobre responsabilidade pelo tratamento do lixo doméstico – Rio Como Vamos

(34)

6.2.2 O segundo resultado relativo ao objetivo da pesquisa, demonstrado pelo

gráfico 5 (pag.27), responde à pergunta-chave, qual seja – “Você mudaria de opinião

caso a sua colaboração ao separar o lixo para reciclagem passasse a ser remunerada?” Esta pergunta foi efetuada apenas àqueles que declararam separar

seu lixo doméstico algumas vezes ou nunca.

A resposta foi que 35,5% do total de respondentes conforme Tabela 1 (pag. 28), admitem que adotariam uma mudança comportamental pró-ativa em relação à separação de seu lixo doméstico, em caso de remuneração.

Passando-se a um enfoque por região conforme o gráfico 6 (pag. 28), nota-se que a menor rejeição a mudança seria na zona sul, com 20%, o que não deixa de ser um dado “sui generis” em se tratando da área com maior poder aquisitivo, ser justamente a que teria o maior interesse de ser remunerada para separar o seu lixo doméstico.

Quanto às faixas etárias, as mais acessíveis a essa nova idéia são justamente as mais idosas nas faixas de 50 a 59 anos, e de 60 anos em diante, que somadas perfazem um índice de 25% de rejeição. Conforme o gráfico 7 (pag. 29).

Confrontando-se o gráfico citado acima, com a tabela 2 localizada a mesma página, pode-se inferir que as faixas etárias que tem o maior e o menor índice de separação respectivamente, (50 a 59 anos, e 60 anos ou mais), são as que responderam mais favoravelmente a proposta de uma mudança de paradigma que as remunerasse. Justamente os aposentados, que estão mais tempo em casa, e que portanto, teriam teoricamente mais tempo livre para se dedicarem a tarefa da coleta seletiva em seus lares. Podendo, quem sabe? A melhor idade vir a ser a principal parceira da mudança?

(35)

6.2.3 Quanto à destinação final do lixo. O resultado da pergunta 5.5 (pag. 30), indicado na tabela 3 a mesma página, demonstra uma postura pouco pró-ativa da população que se mostra mais propensa a deixar a problemática da logística reversa do lixo doméstico, por conta da prefeitura, com 57% das respostas.

(36)

7. Conclusões, provocações e sugestões

7.1 Preâmbulo:

Voltando a discussão do item 3.4 (pag. 21), desejo salientar os seguintes aspectos:

 A primeira opção, redução do uso de embalagens ao mínimo possível, até a eliminação total das mesmas, em nível de usuário final, depende de um altíssimo grau de conscientização da população, que passaria pelo entendimento das implicações do consumo desenfreado (vide EASS, item 3.2, pag.19) e da atitude política de se desincentivar o uso abusivo e até certo ponto desnecessário de embalagens

 A segunda, uso massivo de processos de TMB, apesar de sua aparente vantajosidade em termos de adoção de tecnologias que tornem a reciclabilidade algo como 100% dos materiais consumidos (dependendo do investimento a ser feito em maquinário e/ou em mão de obra), carrega em seu bojo o ônus de nos tornarmos cada vez mais uma sociedade voltada para o consumo, inconsciente dos males inerentes ao mesmo, sendo cada vez mais irresponsável e perdulária ambientalmente. A psicologia associada ao descarte do lixo como algo que não lhe diz respeito como cidadão estaria imensamente reforçada pelo advento de “Deuses Ex-Machinas” que reciclariam o fruto de nosso consumo, sem que sintamos um mínimo de culpa pela nossa negligente “pegada ambiental”. Em princípio essa externalidade poderia ser parcialmente neutralizada se houvesse a conjugação da implantação dessa tecnologia com a necessária participação do setor informal de coleta seletiva (catadores), juntamente com a participação popular na separação doméstica dos RSU. O que nos levaria a uma configuração conjunta com a terceira tendência.

 A terceira tendência, é a que as autoridades brasileiras e cariocas em todos os níveis tem se debruçado, que traz aliada as EA e EASS, a certeza de que

(37)

o caminho mais satisfatório ambientalmente falando seria a disseminação em massa da Educação Ambiental parcialmente focada na reciclagem dos RSU, (ressalvadas as críticas de LAYRARGUES, item 3.2); contando com a colaboração da população na separação doméstica de seu lixo, criando uma economia de escala para a reciclagem no Brasil e mais particularmente no Rio de Janeiro, associada ou não a modelos de TMB.

7.2 Indagações provocativas

Temos um mercado de US$ 10 Bilhões a ser explorado em todo o Brasil, vide (Oliveira, 2011, pag. 23), e o que propomos é que a população viabilize-o de graça? Na verdade nem de graça é, pois paga-se, taxa para recolhimento do lixo, no município. Portanto, não estaria na hora de pensarmos num capitalismo um pouco diferente?

Novos conceitos como Capitalismo Não Usual, e Capitalismo Natural, não deveriam estar sendo discutidos e de certa forma serem impulsionadores de uma nova maneira de se encarar a implementação de uma forte e perene indústria da reciclagem, juntamente com os conceitos de Produção mais Limpa (P+L) e Tecnologias mais Limpas (T+L)?

7.3 Conclusões:

Nesse ponto esse trabalho se insere como uma contribuição a discussão da efetividade das medidas adotadas até agora, mediante as dificuldades de implantação que os projetos de reciclagem têm encarado, tais como:

- a baixa aceitação do fornecimento das sacolas verdes e cinzas em São Paulo, em grande parte devido à cobrança em dinheiro, pela distribuição das mesmas (FOLHA DE SÃO PAULO, 2015); ou,

(38)

- o ainda pouco satisfatório retorno ao esforço da COMLURB no Rio de Janeiro, de orientação ao consumidor da cidade no tocante a separação do lixo em sêco e úmido e seu correto acondicionamento; ou ainda,

- o hábito arraigado de utilizarem-se as sacolas plásticas como embalagem para lixo doméstico com o consumo de 41 milhões de sacolas/dia no Brasil. (MMA – CARTILHA PARA GESTORES PÚBLICOS – 2011)

Não coube discutir-se aqui, se o foco na reciclagem em primeiro plano, em detrimento dos outros 2Rs está correto ou não. O que se pretendeu mostrar é que o esforço no sentido de ampliar-se a quantidade de material recolhido separado efetivamente pela população poderia ser facilitado caso houvesse uma política de remuneração por essa tarefa. Trinta e cinco por cento (35%) dos entrevistados afirmaram ser favoráveis a essa postura.

Considero portanto, razoável pensar-se, que esse assunto não se esgotará aqui. Espero que o mesmo desperte interesse no meio acadêmico e sobretudo nos stakeholders da cadeia produtiva da reciclagem. Que os mesmos repensem sua estratégia de negócio, passando a serem, os agentes da logística reversa remunerada, ligada ao consumo doméstico, ou seja, os agentes catalisadores da

mudança, que se quer ver.

7.4 Sugestões

Nesse trabalho não se procurou delinear que tipo de remuneração satisfaria o consumidor, incentivando-o na medida certa. Parece-me, porém, que um caminho a ser seguido poderia ser o de viabilizar-se eco pontos nos pontos de venda das redes varejistas, como supermercados e comércio em geral - não para entrega voluntária e gratuita, isso já existe, tendo relativa eficácia - mas sim, para que estes, mediante políticas inovadoras e adequadas de incentivo ao consumidor, bonificassem os que devolvessem ao ponto de venda seu resíduo reciclável, criando uma relação comercial que poderia dar ganho de escala a toda a cadeia produtiva.

(39)

Ao ganho institucional oriundo desse processo, poderia ser somado uma contrapartida governamental que viria sob a forma de incentivos fiscais.

Afinal como disse Roddick, “Os negócios são a mola do mundo, nada é tão poderoso”.

7.4.1 Possíveis vantagens:

 Redução do tamanho da frota da prefeitura e da quilometragem rodada pela mesma, que não mais faria o serviço de recolhimento de recicláveis, porta a porta. Passando a buscar os resíduos em pontos determinados. Podendo inclusive haver o incentivo às cooperativas e empresas que retirem, os materiais nos eco pontos por meios próprios, desonerando a prefeitura também dessa entrega. Ou mesmo a adoção de redes de dutos do tipo ENVAC, como em Estocolmo na Suécia, onde o lixo é transportado a mais de 60km/hora, para depósitos a médias distâncias, através de sucção a vácuo.  Menor desgaste da mão de obra dos garis que passariam a cuidar dos eco

pontos, ao invés de trabalharem na faina diária do recolhimento de lixo reciclável nas ruas.

 Redução da quantidade de lixo depositado nas calçadas a espera de recolhimento (apenas as sacolas marrons com lixo orgânico continuariam a ser recolhidas porta a porta) com evidente vantagem frente à problemática das enchentes.

 Dar ganho de escala a cadeia produtiva da reciclagem, de uma maneira bastante simples, qual seja, aproveitar o hábito dos clientes de supermercados e comércios em geral, de utilizar-se das sacolas plásticas, e depois reutilizá-las como embalagem para o descarte de seu lixo diário, o que sabidamente traz prejuízos ao meio ambiente da forma como são utilizadas atualmente sem nenhum controle e com desinformação sobre seu descarte correto.

(40)

 As sacolas poderiam ter códigos de barras, como forma de controle de seu uso, fazendo-se o cadastramento do usuário na boca do caixa. (Essa medida teria dois efeitos benéficos – 1) o controle do uso da sacola, pois a mesma a qualquer tempo poderia ser rastreada, sabendo-se quem foi o responsável pelo eventual descarte incorreto da mesma. 2) o cadastramento serviria para quantificar o uso correto, (descarte de retorno nos eco pontos), servindo de ferramenta para bonificação do cidadão.

(41)

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