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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO NÚCLEO DE ESTUDO E PESQUISA EM RESÍDUOS SÓLIDOS III SIMPÓSIO SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS III SIRS (2013)

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

NÚCLEO DE ESTUDO E PESQUISA EM RESÍDUOS SÓLIDOS

IIISIMPÓSIO SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS IIISIRS(2013)

Estudo de caso: Diagnóstico do sistema de manejo de resíduos sólidos domiciliares no município de Dourado/SP, como etapa inicial da elaboração do Plano Municipal de

Saneamento Básico

Mariana Machado Bastos(1)

Graduanda em Engenharia Ambiental na EESC-USP e estagiária na empresa GETESI

Ana Carolina Mendes Ussier

Graduanda em Engenharia Ambiental na EESC-USP e estagiária na empresa GETESI

Eliana Medeiros Ferreira da Silva

Engenheira Ambiental pela EESC-USP e Engenheira Ambiental na empresa GETESI

Sérgio Henrique de Souza Motta

Engenheiro Civil pela EESC-USP e Engenheiro Civil na empresa GETESI

Aline de Borgia Jardim

Graduanda em Engenharia Ambiental EESC-USP e estagiária na empresa GETESI

Endereço(1): Alameda das Crisandálias, 509, Cidade Jardim, São Carlos/SP – (11) 98177-8161,

[email protected]

INTRODUÇÃO

O Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), instituído pela Política Nacional de Saneamento Básico (Lei nº 11.445/07), tem como princípio fundamental a universalização dos serviços públicos de saneamento, visando principalmente à qualidade de vida da população. O documento, após aprovado, torna-se instrumento estratégico de planejamento municipal e de gestão participativa.

A fase inicial do PMSB consiste na realização do Diagnóstico dos sistemas. Essa etapa contempla a percepção dos técnicos no levantamento e consolidação de dados secundários e primários somada à percepção da sociedade por meio do diálogo nas reuniões (ou debates, oficinas e seminários) avaliadas sob os mesmos aspectos (FUNASA, 2012).

A realização de um diagnóstico que identifique, de fato, a realidade do município, é de extrema importância, uma vez que esse documento é a base para proposições de alternativas e estratégias para melhorias das condições dos serviços de saneamento.

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OBJETIVO

O presente trabalho trata-se de um estudo de caso que busca apresentar experiências da equipe técnica responsável pela elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico do município de Dourado/SP, durante a etapa de Diagnóstico, explicitando desafios e soluções encontradas para o levantamento de dados do Sistema de Manejo de Resíduos Sólidos Domiciliares.

MATERIAL E MÉTODOS

O município de Dourado, objeto de estudo do trabalho, localiza-se na região central do Estado de São Paulo, na Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Tietê-Jacaré – UGRHI 13. A população total do município é de 8.568 habitantes (SEADE, 2013), dos quais aproximadamente 93,5% habita a zona urbana. Dourado caracteriza-se, assim, como município de pequeno porte, sendo o agronegócio sua principal atividade econômica. No âmbito dos resíduos sólidos domiciliares, não há controle quantitativo e qualitativo por parte da Prefeitura, fazendo-se necessário buscar alternativas confiáveis para realizar tais levantamentos.

Diversos dados secundários foram extraídos de sistemas de informação como IBGE e SEADE, que disponibilizam informações censitárias. O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, reune também dados do sistema de resíduos sólidos, porém, no caso de Dourado, poucos são os dados disponibilizados pela Prefeitura para a plataforma.

Dessa forma, elaborou-se uma metodologia alternativa para a análise quantitativa da produção de resíduos sólidos domiciliares, devido à inconsistência de dados divulgados pela Prefeitura com o observado na realidade. Em página virtual da Prefeitura, verifica-se a informação de uma geração de 0,5 kg.hab-1.dia-1, valor este utilizado para a concepção do aterro sanitário em valas, que entrou em operação em 2009 e foi dimensionado com vida útil de quinze anos. Apesar disso, estima-se que sua capacidade máxima será atingida até o final de 2014. Sabe-se ainda que, usualmente, o caminhão de coleta de resíduos domiciliares (urbanos e de áreas de transbordo) realiza duas viagens ao aterro por dia, sendo sua capacidade igual a 7 (sete) toneladas, o que corresponderia a 1,63 kg.hab-1.dia-1.

Optou-se, então, por realizar um levantamento do volume de resíduos gerado per

capita, por meio de entrevistas com uma parcela amostral da população da zona urbana (63

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leva para encher um saco de 50 litros com resíduos domiciliares. Para a coleta dos dados, o município foi dividido em seis setores, conforme evolução temporal de ocupação do território.

Outras formas de coleta de dados envolvem a participação social, as quais foram detalhadas em um Plano de Mobilização Social, destacando-se a aplicação de questionários de percepção ambiental, tanto em zona urbana como rural; reuniões com a participação de diferentes departamentos da Prefeitura; apresentações e conversas com profissionais da educação, pais de alunos e grupos articulados voltados à educação ambiental. Dado que as Audiências Públicas também consistem em um espaço de expressão da sociedade, reservou-se um momento durante a primeira Audiência (cujo tema era a apresentação dos Planos de Trabalho e de Mobilização Social) para discussões a respeito dos problemas verificados nos setores de saneamento de Dourado.

RESULTADOS OBTIDOS OU ESPERADOS

Para a elaboração do Diagnóstico de Dourado, obtiveram-se diversas informações técnicas diretamente com a Prefeitura Municipal (características do aterro, acondicionamento de resíduos, serviços de coleta urbana e rural), cujos gestores, apesar de não possuirem documentos com levantamentos ou especificações, possuem conhecimento do processo de gerenciamento dos resíduos, podendo fornecer informações valiosas.

Junto aos gestores municipais e profissionais da educação, foi possível identificar projetos e programas ambientais já implementados no município, como a coleta de óleo queimado realizada em escolas, e identificar principais agentes sociais e grupos organizados do município, ampliando a visão da equipe técnica quanto à melhor estratégia para se atingir a população.

As perguntas dos questionários aplicados mostraram-se relevantes para a verificação da percepção ambiental da população, em especial quanto à limpeza urbana, à segregação dos resíduos e aos impactos de seu manejo inadequado, os quais estão diretamente relacionados a enchentes, degradação do meio ambiente e comprometimento da saúde pública. Além disso, foi possível identificar a existência de serviço prestado informalmente por catadores que necessitam de apoio do poder público para expandir e melhorar suas condições de trabalho. Assim, apesar de não haver um programa de coleta seletiva instituído em Dourado, observou-se que parte significativa da população já está

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mobilizada sobre a importância da segregação de materiais recicláveis (como apresentado na Figura 1), o que facilitaria a formalização do serviço.

Figura 1: Análise dos questionários - Segregação do lixo entre inorgânico e orgânico.

Em oficina realizada durante Audiência Pública, na qual foram trabalhados os quatro sistemas de saneamento: água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem, o sistema de manejo de resíduos sólidos foi aquele com maior número de problemas apontados, como pode ser observado na Figura 2.

Figura 2: Problemas apontados pela população em Audiência Pública, distribuidos em cada sistema.

Nota-se, assim, uma preocupação compartilhada pela população que se sente afetada diretamente pelo gerenciamento dos resíduos sólidos.

Em relação à caracterização quantitativa realizada com a amostra populacional urbana, os resultados indicaram uma produção média per capita de 1,26 kg.hab-1.dia-1, equivalente a 10,8 toneladas diárias de resíduos sólidos domiciliares, o que está próximo ao valor verificado junto aos responsáveis pelo sistema de coleta e transporte (12 a 14 toneladas), considerando-se, ainda, que este último inclui resíduos de estabelecimentos comerciais. Além disso, a produção per capita levantada, apesar de superior à média do Estado de São Paulo e de outros municípios pequenos, encontra-se dentro das apresentadas no Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (BRASIL, 2013).

Um grande desafio para todos os sistemas do saneamento básico ainda é a caracterização da zona rural. No caso de Dourado, esta representa mais de 98% da extensão do município, abrigando em torno de 6,5% da população. Dessa forma, a caracterização desta região, incluindo cadastramento das propriedades, quantificação dos trabalhadores rurais permanentes e flutuantes, bem como a reunião desse conjunto de

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dados em um sistema integrado e georreferenciado, é essencial para que as diretrizes e a logística do manejo de resíduos sejam propostas em conformidade com a realidade do município, desenvolvendo-se tanto soluções coletivas como individuais.

CONCLUSÕES

Os levantamentos referentes às entrevistas com os moradores, como questionários e estimativa da produção de resíduos, foram considerados eficientes para a identificação de deficiências no sistema e caracterização quantitativa da geração de resíduos. Ressalta-se que os resultados obtidos por meio dessa metodologia estão diretamente relacionados com a percepção ambiental da população, podendo não refletir a realidade de fato. No caso do levantamento realizado em Dourado, os dados puderam ser comparados com informações provenientes de outras fontes, como os responsáveis pelo serviço de coleta e transporte de resíduos, possibilitando confirmar sua consistência.

Assim, a experiência com a realização do Diagnóstico de Dourado/SP, município de pequeno porte com extensa área rural e pouca disponibillidade de dados sobre os sistemas de saneamento básico, explicita a necessidade de se trabalhar em contato direto com a população local e com os gestores municipais. É importante buscar a contribuição de variados grupos sociais e explorar diferentes abordagens para o levantamento de informações visando à elaboração de um Diagnóstico de qualidade.

REFERÊNCIAS

BRASIL (2007). Lei n° 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e dá outras providências.

BRASIL (2013). Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental.

Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento: diagnóstico do manejo de resíduos

sólidos urbanos – 2011. Brasília: MCidades/SNSA.

FUNASA – Fundação Nacional de Saúde (2012). Ministério da Saúde. Termo de Referência para elaboração de Planos Municipais de Saneamento Básico – 2012. Anexo II, Brasília.

Fundação SEADE (2013). Projeções Populacionais: Dourado. Disponível em:

Referências

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