Relatório
Agrupamento de Escolas
da Póvoa de Santo Adrião
O
DIVELAS
A
VALIAÇÃO
E
XTERNA DAS
E
SCOLAS
14 a 16 maio
2012
Área Territorial de Inspeção
de Lisboa e Vale do Tejo
1
–
I
NTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a autoavaliação e para a avaliação externa. Neste âmbito, foi desenvolvido, desde 2006, um programa nacional de avaliação dos jardins de infância e das escolas básicas e secundárias públicas, tendo-se cumprido o primeiro ciclo de avaliação em junho de 2011.
A então Inspeção-Geral da Educação foi incumbida de dar continuidade ao programa de avaliação externa das escolas, na sequência da proposta de modelo para um novo ciclo de avaliação externa, apresentada pelo Grupo de Trabalho (Despacho n.º 4150/2011, de 4 de março). Assim, apoiando-se no modelo construído e na experimentação realizada em doze escolas e agrupamentos de escolas, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) está a desenvolver esta atividade consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 15/2012, de 27 de
janeiro.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do(a) Agrupamento de Escolas da Póvoa de Santo Adrião – Odivelas, realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita efetuada entre 14 e 16 de maio. As conclusões decorrem da análise dos documentos fundamentais do Agrupamento, em especial da sua autoavaliação, dos indicadores de sucesso académico dos alunos, das respostas aos questionários de satisfação da comunidade e da realização de entrevistas.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente e consolide a autoavaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este documento um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e áreas de melhoria, este relatório oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de ação para a melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa visitou a Escola
Básica dos 2.º e 3.º ciclos Carlos Paredes (escola- sede do Agrupamento) e as escolas básicas com jardim de infância de Olival Basto e Barbosa du Bocage.
A equipa regista a atitude de empenhamento e de mobilização do Agrupamento, bem como a colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
ESCALA DE AVALIAÇÃO
Níveis de classificação dos três domínios
EXCELENTE –A ação da escola tem produzido um impacto
consistente e muito acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais consolidadas, generalizadas e eficazes. A escola distingue-se pelas práticas exemplares em campos relevantes.
MUITO BOM –A ação da escola tem produzido um impacto
consistente e acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais generalizadas e eficazes.
BOM –A ação da escola tem produzido um impacto em linha com o valor esperado na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. A escola apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes.
SUFICIENTE –A ação da escola tem produzido um impacto
aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. As ações de aperfeiçoamento são pouco
consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola.
INSUFICIENTE –A ação da escola tem produzido um impacto muito aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes na generalidade dos campos em análise. A escola não revela uma prática coerente, positiva e coesa.
2
–
C
ARACTERIZAÇÃO DO
A
GRUPAMENTO
O Agrupamento de Escolas da Póvoa de Santo Adrião situa-se na vila com o mesmo nome, concelho de Odivelas, abrangendo as freguesias da Póvoa de Santo Adrião e de Olival Basto. Entrou em funcionamento no ano letivo 2003-2004 e foi avaliado no âmbito da Avaliação Externa no ano letivo 2007-2008. É composto por três escolas básicas com jardim de infância e pela Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos Carlos Paredes, a escola-sede.
Frequentam o Agrupamento 1482 crianças/alunos, dos quais 166 da educação pré-escolar (sete grupos), 669 alunos do 1.º ciclo do ensino básico (30 turmas, das quais 13 funcionam em regime duplo), 361 do 2.º (16 turmas) e 270 do 3.º ciclo (12 turmas) e, ainda, uma turma do curso de educação e formação (CEF) com 16 alunos. Integra 62 crianças/alunos com necessidades educativas especiais (cerca de 4,1% da população discente). Destes, seis estão integrados na unidade de ensino estruturado para a educação de alunos com perturbações do espetro do autismo, a funcionar na escola básica com jardim de infância Barbosa du Bocage.
No corrente ano letivo, não beneficiam de auxílios económicos, no âmbito da Ação Social Escolar, 42,1% dos alunos. São de origem estrangeira 25,2% (de 23 nacionalidades), provenientes sobretudo de países africanos e do Brasil, sendo que 86 beneficiam do ensino da língua portuguesa como língua não materna. De acordo com o perfil do Agrupamento, 49% dos alunos têm computador e, destes, 83% têm acesso à internet, em casa.
Relativamente à formação académica dos pais e encarregados de educação, 30% possuem habilitações de nível secundário e superior. Quanto à sua ocupação profissional, conhece-se 51,6% e, destes, 11% desempenham atividades profissionais de nível superior.
Exercem funções no Agrupamento 135 docentes, dos quais 66,7% pertencem aos quadros. Quanto à sua experiência profissional, a percentagem mais elevada (33,3%) tem entre 10 e 19 anos de serviço, seguindo-se os que têm entre 20 e 29 (21,4%). No que diz respeito à idade, 39,2% têm entre os 30 e os 40 anos, seguindo-se os que têm entre os 40 e os 50 (28,1%). Tem ao serviço oito assistentes técnicas, uma das quais a exercer funções de coordenadora, 44 assistentes operacionais, contando ainda com a colaboração de uma psicóloga, a meio tempo,no âmbito do projeto Crescer.
No ano letivo de 2010-2011, ano para o qual há referentes nacionais calculados para as variáveis de contexto, verificou-se que a percentagem dos alunos que não beneficiaram de auxílios económicos no 4.º ano se situou ligeiramente abaixo dos valores medianos nacionais, no 6.º ano ligeiramente acima e no 9.º ano abaixo desses valores. As percentagens relativas aos pais com habilitação académica de nível secundário ou superior encontravam-se ligeiramente acima da mediana nacional. No que concerne à sua atividade profissional, verificou-se que a percentagem com atividades profissionais de nível superior e intermédio se encontrava abaixo da mediana nacional, tal como a percentagem de alunos com computador e internet. Estes dados indicam um contexto económico e social ligeiramente desfavorável.
3-
A
VALIAÇÃO POR DOMÍNIO
Considerando os campos de análise dos três domínios do quadro de referência da avaliação externa e tendo por base as entrevistas e a análise documental e estatística realizada, a equipa de avaliação formula as seguintes apreciações:
3.1
–
R
ESULTADOS
RESULTADOS ACADÉMICOS
Na educação pré-escolar, as educadoras desenvolvem um bom trabalho. Realizam uma avaliação global das aprendizagens das crianças e facultam informação detalhada aos pais sobre o progresso dos seus educandos.
No triénio 2008-2009 a 2010-2011, no 1.º ciclo, registaram-se taxas de sucesso elevadas, sendo no 2.º ano que se assinalam os valores mais baixos. No 2.º ciclo ocorreram flutuações ao longo deste período, com taxas de sucesso sempre acima dos 80%, enquanto no 3.º ciclo tal não se verificou nos 7.º e 9.º anos, com taxas que se situaram entre os 62,7% e os 79,5%.
No que diz respeito às provas de aferição de língua portuguesa do 4.º ano, as percentagens de sucesso apresentam oscilações ao longo do triénio, acompanhando a tendência nacional, mas sempre abaixo desta. No 6.º ano, na mesma disciplina, os melhores resultados observaram-se em 2010, apesar de se situarem abaixo dos nacionais. Nas provas de matemática, no 4.º ano, os resultados regrediram significativamente, em especial em 2011, situando-se bastante abaixo da média nacional. No 6.º ano, os resultados regrediram ao longo do triénio, com maior expressão em 2011, situando-se sempre abaixo dos valores nacionais.
Quanto aos exames de 9.º ano também se verificaram flutuações, ao longo do triénio, nos resultados obtidos em língua portuguesa e em matemática. Nesta última disciplina, os valores situaram-se bastante abaixo dos registados a nível nacional. Este aspeto já havia sido apontado, na anterior avaliação externa como um ponto fraco, situação que ainda não foi colmatada, apesar das estratégias entretanto implementadas.
Tendo em consideração as variáveis de contexto, o desempenho do Agrupamento no ano letivo de 2009-2010, no que respeita às taxas de conclusão, nos três ciclos, ficou aquém do valor esperado no 4.º ano, muito além no 6.º ano e em linha com esse valor no 9.º. Quanto aos resultados observados nas provas de aferição de língua portuguesa, estes situam-se em linha com o valor esperado no 4.º e além desse valor no 6.º ano. Em matemática, encontram-se em linha com aquele valor nos 4.º e 6.º anos. Quanto aos exames nacionais de 9.º ano, nas disciplinas de língua portuguesa e de matemática, o valor observado situa-se em linha com o valor esperado.
O abandono não é significativo, mercê do trabalho que tem sido desenvolvido neste âmbito, nomeadamente a implementação do projeto SEI (Projeto para o Sucesso Educativo e Integração) para acompanhamento de situações de risco, em articulação com a Câmara Municipal de Odivelas.
RESULTADOS SOCIAIS
O Agrupamento desenvolve um trabalho consistente e transversal aos diferentes níveis de educação e ensino, neste campo. Fomenta a educação cívica e o espírito solidário (e.g. recolha de alimentos, em colaboração com o Banco Alimentar), com vista à formação integral dos alunos e à construção de um ambiente facilitador do processo de ensino e aprendizagem. São promovidas iniciativas motivadoras e eficazes, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento de atividades diversas, no âmbito de vários clubes e projetos.
Os alunos participam no planeamento e na organização de algumas atividades e desenvolvem outras por iniciativa própria, como por exemplo a feira de trocas de materiais diversos, evidenciando uma consciência ecológica muito bem interiorizada. As atividades desenvolvidas no âmbito do desporto escolar e da educação para a saúde estimulam o conhecimento, a corresponsabilização e a participação
O Agrupamento estabeleceu como uma das grandes metas o reforço da disciplina e da segurança na escola-sede. Nesse sentido, foram implementadas estratégias que conduziram a uma maior exigência no cumprimento das normas estabelecidas no regulamento interno. A redução significativa de casos graves de indisciplina, dentro e fora da sala de aula, decorre, sobretudo, da atuação mais direta e imediata da direção e dos diretores de turma, o que contribui para a existência de um ambiente mais calmo e tranquilo na escola.
A prática de monitorização do percurso dos alunos para além da escolaridade obrigatória, ainda não se encontra sistematizada, existindo, no entanto, algum conhecimento informal.
RECONHECIMENTO DA COMUNIDADE
É evidente o sentido de pertença dos elementos da comunidade educativa, em especial dos docentes e não docentes, expresso nas respostas aos questionários de satisfação e nos testemunhos das entrevistas em painel. No que diz respeito aos alunos, verifica-se que os do 1.º ciclo demonstram maior satisfação em relação à sua escola, afirmando que conhecem muito bem as regras. Quanto aos pais e encarregados de educação, de uma forma geral, demonstram satisfação, destacando-se os das crianças da educação pré-escolar, com níveis bastante mais elevados.
Como forma de valorizar os sucessos dos alunos, o Agrupamento desenvolveu estratégias adequadas, nomeadamente a criação do Quadro de Mérito e a atribuição de prémios, visando estimular o seu empenho, o espírito de entreajuda e o exercício de uma cidadania responsável. A exposição e a divulgação dos trabalhos mais relevantes, produzidos ao longo do ano, é outra forma, bem conseguida, para a valorização das aprendizagens dos alunos. Com o mesmo intuito, são dinamizados clubes (e.g.
Paixão pelo Teatro, em articulação com o centro cultural da Malaposta) e provas no âmbito do desporto
escolar, sendo de realçar o excelente trabalho no que se refere à patinagem.
Destaca-se ainda o trabalho feito em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, no âmbito do projeto Sucesso Educativo e Integração, em colaboração com os diretores de turma, no acompanhamento de alguns alunos, em que esta autarquia promove formação para professores, assistentes operacionais e pais, ao nível da inclusão, do abandono e sucesso escolar.
As Juntas de Freguesia da Póvoa de Santo Adrião e de Olival Basto e as associações de pais dão também um grande contributo no desenvolvimento de projetos, em várias áreas de intervenção, designadamente, no âmbito das atividades de enriquecimento curricular do 1.º ciclo e na componente de apoio à família.
Em síntese, a ação do Agrupamento tem produzido, na generalidade, um impacto em linha com o valor esperado na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação deBOM no domínio dos resultados.
3.2
–
P
RESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO
PLANEAMENTO E ARTICULAÇÃO
Os coordenadores de departamento acompanham o desenvolvimento das orientações curriculares na educação pré-escolar e do currículo no ensino básico, tanto em momentos informais como nas reuniões que ocorrem ao longo de cada período. Existe trabalho colaborativo a diferentes níveis, nomeadamente no âmbito da planificação da atividade letiva.
Com vista a assegurar uma melhor integração dos alunos são transmitidas informações sobre o seu percurso escolar, na transição de ciclo, o que permite a definição das estratégias mais adequadas. Contudo, ainda não é visível que exista uma organização que permita a gestão articulada do currículo em todas as disciplinas, de forma a garantir a sequencialidade das aprendizagens, o que se afigura como uma área a investir.
A articulação interdisciplinar acontece, sobretudo, no âmbito da concretização de atividades constantes dos projetos curriculares de turma (PCT) e do plano anual, mas é menos evidente a nível da gestão dos conteúdos programáticos. Os PCT, contudo, não evidenciam a diversidade das atividades levadas a cabo nem espelham as práticas pedagógicas efetivamente realizadas.
A transversalidade das atividades desenvolvidas ao nível do desporto escolar e das atividades artísticas é um aspeto a destacar, no que diz respeito ao estímulo à aquisição de aprendizagens significativas. É de realçar como boa prática a participação regular dos técnicos das atividades de enriquecimento curricular nas reuniões de final de período com os professores titulares de turma.
PRÁTICAS DE ENSINO
As práticas de ensino valorizam o aluno enquanto sujeito ativo no processo de aprendizagem, sendo feitos reajustamentos das metodologias, conforme as capacidades e necessidades dos grupos e das turmas, em função do diagnóstico efetuado.
As planificações de curto prazo têm em conta as capacidades e os ritmos de aprendizagem dos alunos, em função desse diagnóstico. Contudo, a diferenciação pedagógica não se encontra ainda generalizada e tem pouca expressão nos projetos curriculares de turma.
O acompanhamento do cumprimento da planificação é efetuado pelos coordenadores de departamento e de disciplina, sendo, regularmente, feitos balanços e reajustamentos, de modo assegurar o cumprimento dos programas.
Existe uma cultura inclusiva no Agrupamento, verificando-se uma grande abertura e disponibilidade para acolher e integrar crianças e alunos com necessidades educativas especiais (NEE). De destacar o funcionamento da unidade de ensino estruturado existente na Escola Básica Barbosa du Bocage, que acolhe alunos com perturbações do espetro do autismo. Estes usufruem de experiências diversificadas, potenciadoras da aprendizagem e da sua autonomia, ajustadas às suas necessidades e às expetativas das respetivas famílias. No entanto, essas experiências e vivências não se encontram plasmadas nos PCT, com vista a uma articulação formal do trabalho desenvolvido naquela unidade e no contexto de sala de aula.
Realça-se o trabalho desenvolvido pela equipa de educação especial, pela psicóloga e terapeutas, no que diz respeito aos apoios educativos e ao acompanhamento sistemático dos alunos com NEE. Realiza-se um bom trabalho de articulação com os docentes titulares e com os conselhos de turma, que é fulcral para a redefinição de estratégias de intervenção pedagógica e para a preconização de medidas de diferenciação, de forma a capacitar os alunos de competências que facilitam a sua transição para a vida pós-escolar.
O incentivo à leitura é transversal a todos os níveis de educação e ensino, traduzido em várias iniciativas como: o campeonato de ortografia (com a afixação das listas dos alunos vencedores); a organização de grupos de contadores de histórias (em que os pais e encarregados de educação são chamados a participar, sobretudo ao nível da educação pré-escolar e do 1.º ciclo); o grupo dos
da história. Estas iniciativas são uma mais-valia para o processo de aprendizagem dos alunos, sendo
complementadas com diversas visitas de estudo.
As metodologias ativas, com recurso a trabalhos de pesquisa e atividades experimentais, ocorrem com alguma frequência nas práticas letivas. O trabalho de projeto e o recurso às bibliotecas escolares têm tido um bom impacto na formação integral dos alunos. Na semana da ciência são promovidas várias atividades, transversais aos diferentes anos de escolaridade, contribuindo, sobremaneira, para o estímulo das aprendizagens.
O Agrupamento confere especial atenção à dimensão artística, incentivando a educação pela arte, através de clubes e vários projetos promotores do desenvolvimento de competências no domínio artístico, como por exemplo o teatro, as danças do mundo e a guitarra clássica (em parceria com o Conservatório de Música D. Dinis).
A utilização das tecnologias de informação e comunicação não é ainda uma prática generalizada em sala de aula. No entanto, o correio eletrónico e a plataforma Moodle são utilizados com alguma frequência, constituindo-se como ferramentas essenciais para troca de informações e de materiais, entre os docentes, tornando-se um meio de comunicação e informação facilitador do processo de cooperação. Não estão ainda instituídos procedimentos de supervisão da prática letiva, em contexto de sala de aula, enquanto processo destinado à partilha e ao aperfeiçoamento das práticas profissionais dos docentes. Essa prática restringe-se a casos pontuais, no âmbito da avaliação do desempenho.
MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO ENSINO E DAS APRENDIZAGENS
A aferição de critérios e a elaboração conjunta de instrumentos de avaliação são práticas que conferem fiabilidade à avaliação interna.
O conselho pedagógico desenvolve um bom trabalho no âmbito da monitorização dos resultados escolares. As estruturas intermédias refletem sobre os dados do sucesso, fazendo uma análise rigorosa por disciplina e ano de escolaridade, o que permite a redefinição de estratégias e adequação das práticas às necessidades dos alunos.
Nos departamentos e conselhos de turma é feita a avaliação da eficácia dos apoios educativos e das salas de estudo, neste último caso relativamente aos alunos com planos de acompanhamento e recuperação. No entanto, esta é uma área a melhorar, de modo a permitir percecionar, com mais rigor, o impacto destas medidas nas aprendizagens dos alunos.
No âmbito da prevenção de situações de risco, o Agrupamento tem vindo a desenvolver um trabalho relevante, tanto internamente como em articulação com entidades externas, no sentido de intervir junto dos alunos e das famílias para evitar casos de abandono escolar.
Em conclusão, o Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes, com impacto na melhoria das aprendizagens e nos resultados dos alunos, o que justifica a atribuição da classificação de BOM no domínio da prestação do serviço educativo.
3.3
–
L
IDERANÇA E GESTÃO
LIDERANÇA
As práticas de gestão escolar evidenciam a existência de uma visão estratégica da liderança, assente em princípios que promovem a formação global dos alunos ao nível da aquisição de valores, competências cognitivas e comportamentais, nomeadamente o exercício de uma cidadania responsável. O trabalho que tem sido desenvolvido pela direção é reconhecido positivamente pela comunidade educativa.
O projeto educativo do Agrupamento estabelece um conjunto de grandes metas e medidas de ação claramente definidas e mensuráveis, coerente com o contexto educativo e as situações problemáticas identificadas, onde os valores da cidadania constituem uma vertente fundamental das aprendizagens. As suas linhas orientadoras encontram-se consubstanciadas, de forma articulada e consistente, nos demais documentos organizacionais.
As diversas associações de pais e encarregados de educação existentes têm vindo a desempenhar um papel mais relevante na vida do Agrupamento. Contudo, a participação dos encarregados de educação no acompanhamento dos seus educados é considerada ainda insatisfatória nos 2.º e 3.º ciclos.
É também evidente a capacidade demonstrada pela liderança na promoção de parcerias com diversas entidades locais, com repercussões muito positivas na prestação do serviço educativo e na concretização dos objetivos do projeto educativo. A direção tem sabido mobilizar os recursos existentes na comunidade, sendo de destacar a boa colaboração existente com a autarquia (Câmara Municipal de Odivelas e Juntas de Freguesia de Olival Basto e Póvoa de Santo Adrião) pelo trabalho que esta desenvolve, nomeadamente o apoio aos alunos mais carenciados da educação pré-escolar e do 1.º CEB.
GESTÃO
Tendo em consideração a realidade do Agrupamento, a direção tem criado as melhores condições de integração e igualdade de oportunidades de aprendizagem dos alunos, tanto ao nível cognitivo como económico e sociofamiliar. Um exemplo emblemático desta vocação, para além da unidade de ensino estruturado, é a implementação do Projeto Crescer e do Projeto SEI, de combate ao insucesso escolar, implementado em colaboração com a autarquia.
Não obstante os esforços da direção, na escola-sede há espaços que necessitam de remodelação e materiais e equipamentos degradados que prejudicam o funcionamento. Exemplos disso são as infiltrações existentes em salas de aula, o mobiliário escolar obsoleto, a má conservação de alguns equipamentos desportivos dos campos de jogos e em especial as condições deficientes dos balneários. A direção conhece as competências pessoais e profissionais do pessoal docente, numa lógica de adequação às funções, tanto no que se refere às nomeações para as estruturas de gestão intermédia como à dinamização dos diversos projetos, clubes e atividades. O princípio da continuidade pedagógica é assegurado, em cada ciclo da escolaridade, sempre que possível, aplicando-se igualmente às direções de turma, conforme os critérios estabelecidos pelo regulamento interno. Também a forma como são aproveitados os saberes e interesses do pessoal docente em algumas áreas específicas, como o teatro, a música, o desporto, entre outras, evidenciam a capacidade da direção em valorizar e motivar o potencial humano de que dispõe.
Quanto ao pessoal não docente, a distribuição de serviço é feita em conformidade com as suas motivações e as necessidades da organização, como o demonstra a elevada percentagem de respostas positivas obtidas nos questionários de satisfação. O clima de envolvimento e de bom relacionamento existente entre os elementos da comunidade escolar foi outro aspeto também referido pelos diversos
Na anterior avaliação externa, a inexistência de plano de formação do Agrupamento foi identificado como um ponto fraco, situação que foi colmatada, tendo em conta que o plano elaborado para o presente ano letivo é bastante abrangente e contém um leque diversificado de ações para docentes e não docentes, que correspondem às necessidades identificadas. Contudo, não é feita a avaliação do impacto da formação nas práticas pedagógicas.
Os circuitos de informação e comunicação interna funcionam de forma eficaz, utilizando sobretudo os meios de divulgação tradicionais, embora o recurso ao correio eletrónico seja crescente. Alunos e encarregados de educação mostram-se conhecedores da informação mais relevante sobre o funcionamento do Agrupamento. No entanto, o facto do portal do Agrupamento se encontrar ainda numa fase de construção limita, significativamente, o seu potencial de utilização na prestação do serviço educativo. Verifica-se, por isso, um incipiente desenvolvimento do plano tecnológico da educação.
O serviço prestado pelo refeitório da escola-sede é motivo de reclamações por parte do pessoal docente e não docente e, sobretudo, pelos alunos que se referiram às deficientes condições de higiene, assim como à falta de qualidade das refeições e à quantidade, que muitas vezes é considerada insuficiente. O mesmo se pode dizer sobre o funcionamento do bufete e da papelaria, que não respondem às necessidades dos utentes, o que se afigura como uma área a melhorar.
AUTOAVALIAÇÃO E MELHORIA
O Agrupamento dispõe, desde o ano letivo de 2005-2006, de uma equipa que vem assegurando, de forma continuada e em articulação com as demais estruturas internas, o processo de autoavaliação, evidenciando-se uma prática consolidada de gestão organizacional neste domínio.
Na sequência do anterior ciclo de avaliação e das ações de melhoria introduzidas, o relatório de
avaliação interna de 2008-2011 permitiu registar alterações positivas na maioria das grandes metas do
projeto educativo, sobretudo ao nível da disciplina e da segurança, assim como da construção de uma cultura de Agrupamento.
Presentemente, a equipa de avaliação interna encontra-se em fase de elaboração de um plano de melhoria abrangente, procedendo à recolha de propostas para medidas de ação, junto das estruturas de gestão intermédia e demais elementos da comunidade educativa, o qual deverá centrar-se em áreas como o sucesso escolar, a participação dos pais e encarregados de educação na vida escolar dos seus educandos e a reestruturação e manutenção dos espaços físicos e recursos materiais mais deteriorados.
Constata-se a existência de uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes que caracterizam o desempenho do Agrupamento, pelo que a classificação deste domínio é deBOM.
4
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P
ONTOS FORTES E ÁREAS DE MELHORIA
A equipa de avaliação realça os seguintes pontos fortes no desempenho do Agrupamento:
O trabalho desenvolvido no acompanhamento de situações de risco para prevenção do abandono escolar;
A cultura inclusiva e integradora na promoção da igualdade de oportunidades aos alunos com necessidades educativas especiais;
O envolvimento da comunidade educativa na vida da escola, em especial a articulação com a Câmara Municipal de Odivelas e as Juntas de Freguesia de Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto e entre outras instituições da comunidade;
O desenvolvimento de vários projetos e clubes que contribuem para promover e garantir a prestação de um serviço educativo de maior qualidade;
O trabalho sistemático que está a ser realizado no âmbito do processo de autoavaliação do Agrupamento.A equipa de avaliação entende que as áreas onde o Agrupamento deve incidir prioritariamente os seus esforços para a melhoria são as seguintes: