O PIBID DE EDUCAÇÃO FÍSICA NUMA ESCOLA PÚBLICA EM MINAS GERAIS: O OLHAR DE UMA PROFESSORA SUPERVISORA
Alessandra Cristina Raimundo (SEE-MG; PIBID-UFU)
Resumo
O programa institucional de iniciação à docência se apresentacomo política de valorização da carreira de magistério ainda no processo de formação inicial e continuada. Programa que tem sentido na formação inicial do discente e um permanente diálogo na formação continuada dos professores da rede pública condição fundamental para a melhoria da qualidade de ensino na escola pública e na oportunizar para que os professores dinamizem sua prática pedagógica qualificando os processos de ensino aprendizagem e de avaliação, motivando os alunos a aprenderem com qualidade.As expectativas em relação ao programa relacionadas a formação docente passa pelo fortalecimento de alguns elementos: 1) estreitar os vínculos institucionais entre a universidade, educação básica e a comunidade 2) aprender, ampliar e consolidar as ações e projetos de extensão da universidade por meio do contato direto dos estudantes com a realidade destas escolas e professores, contribuindo para a socialização do conhecimento acadêmico e, caracterizando-o como oportunidade de construir saberes e práticas pedagógicas entre professores da escola e professores da universidade.O impacto doPIBID não está reduzido a formação inicial como também na formação continuada entre os professores supervisores do PIBID. Acreditamosque o PIBID seja capaz de preparar futuros professores para as escolas públicas reconhecendo sua realidade com capacidade de intervirem qualitativamente em práticas pedagógicas, fundamentadas, permanentes e transformadoras na busca da melhoria do ensino e da escola pública.
Palavras-chaves: Formação – Escola Pública –qualidade de ensino INTRODUCÃO∕
Enquanto professora de Educação Física na Rede Estadual de Minas Gerais no Ensino Fundamental e Médio no município de Uberlândia há 22 anose frente aos desafios da prática pedagógica e as dificuldades do cotidiano escolar, percebi a fragilidade da minha formação inicial e procurei dar continuidade a minha qualificação docente.
Procurei diante das propostas oferecidas pela secretaria estadual de educação de Minas Gerais participar de vários cursos de capacitação aos quais não respondiam as demandas do cotidiano escolar. Portanto, somente em 1998, tivemos a oportunidade de vivenciar um outro formato de repensar a formação continuada dos professores da rede estadual de ensino o qual fazia sentido as reflexões com a prática pedagógica. A partir deste curso que teve como proposta sistematizar uma orientação curricular conseguimos ler, debater e construir algo coletivo com os demais colegas participantes. Esse processo, foi apresentado no final desse mesmo ano, permitiu estabelecer de forma
fundamentada a crítica ao processo de formação inicial e continuada recebido até o momento, mas principalmente de reconhecer que algumas mudanças não dependiam apenas de minha ação na escola.
A oportunidade de inserção no grupo de formação da rede municipal de Ensino em Uberlândia fortaleceu e possibilitou aproximar dos debates da área de forma crítica e qualificada. O contato com essa dinâmica de formação continuada me incentivou, também, dar continuidade à minha formação num curso de Especialização Lato Sensu em Educação Física Escolar na Universidade Federal de Uberlândia e na sequencia ingressei num programa de mestrado em Educação Física na Universidade Gama Filho onde desenvolvi uma pesquisa com o objetivo de apresentar e discutir o componente curricular Educação Física nas políticas públicas de correção de fluxo escolar, especificamente no Projeto Acelerar para Vencer (PAV) em escolas estaduais de Uberlândia/MG.
Neste período do mestrado me aproximei do grupo pesquisa em Educação Física escolar e Formação Profissional do curso de Educação Física da Universidade Federal Fluminense e continuei estudando o tema da formação profissional e Educação Física Escolar participando de grupo co-orientando alunos bolsistas de iniciação científica.
Neste momento passo a conhecer e me identifico especificamente com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID como política de valorização da carreira de magistério ainda no processo de formação inicial e continuada. Por acreditar no projeto que tem sentido na formação inicial do discente e um permanente diálogo na formação continuada dos professores da rede pública condição fundamental para a melhoria da qualidade de ensino na escola pública, oportunizar aos professores dinamizarem sua prática pedagógica qualificando os processos de ensino aprendizagem e dos processos avaliativos motivando os alunos a aprenderem com qualidade.
Problematização
Para que compreenda os motivos para acolher o PIBID na escola, faz-se necessário atentar para alguns aspectos que julgamos de fundamental relevância. A escola vivencia um contexto de confiabilidade por parte da comunidade escolar em detrimento do longo período de greve no ano de 2011. Entendemos como justa causa da
vida e trabalho para os educadores. Com isso, alguns pais preocupados com a vida escolar de seus filhos resolveram matricular em outras rede de educação municipal/ e privada. Atualmente, a escola tem cinco séries do ensino fundamental (6º, 7º, 8º e 9º1 e 9º2) e duas classes de aceleração 6º∕7º e 8º∕9º ano e do ensino médio (quatro turmas de 1º ano, duas turmas de 2º ano e duas turmas de 3º ano). A comunidade escolar se encontra ainda distante da participação efetiva no projeto político pedagógico, pois é necessário resgatar a credibilidade por parte deste segmento, a ausência de um processo de formação continuada dos professores também é um dos fatores a serem priorizados, além da ausência de projetos sociais para atender as demandas deste segmento escolar capaz de garantir a igualdade de oportunidades sociais e escolares.
No caso específico do PIBID, além da formação inicial, destacamos o processo de formação continuada para professores da escola (Supervisores) e da universidade (Coordenadores de área). Nosso entendimento, é que a formação continuada tem na escola o seu espaço relevante de desenvolvimento. Pensando que existe a necessidade de uma constante renovação do professor e da sua prática pedagógica, e que isso é uma demanda real em um projeto político que vise valorizar a educação, deve-se ter atenção para que esta perspectiva de inter-relação de escola e políticas de formação de professores seja cada vez mais estreita. Toda política curricular é, assim, uma política de constituição do conhecimento escolar: um conhecimento construído simultaneamente para a escola (em ações externas à escola) e pela escola (em suas práticas institucionais cotidianas). (LOPES, 2004).
Diante deste contexto, espero dar continuidade ao meu processo de formação continuada e o PIBID é uma das possibilidades de fortalecer e estreitar os vínculos institucionais entre a universidade e a educação básica. A Escola Estadual da Cidade Industrial foi contemplada com quatro subprojetos institucionais do PIBID da Universidade Federal de Uberlândia: Educação Física ensino fundamental e médio, Português com o curso de Letras português∕ Francês, Ciências no projeto interdisciplinar da Enfermagem e o curso de Geografia.
Fui selecionada como professora supervisora da disciplina de educação Física do ensino fundamental com seis bolsistas. Para o trabalho na escola, inicialmente, realizamos reuniões pedagógicas com o diálogo entre professores supervisores,coordenadora institucional e os bolsistas para conhecimento da realidade e
o cotidiano escolar. Neste primeiro momento uma das ações solicitadas as alunas bolsistas é a realização de um diagnóstico da escola com um roteiro semi estruturado com os seguintes itens a serem observados: 1.Oespaço físico da escola e ambientes de aprendizagem; 2.Recursos humanos da escola; 3. Documentos escolares – descrição sintética da estrutura dos documentos e informações sobre o processo de elaboração dos mesmos; 4.A área de educação física na escola.
A observação sistemática deve se pautar como um dos procedimentos de coleta e organização de informações. Para Negrine (2010) para que a observação:
(...)tenha objetividade do ponto de vista científico, ou melhor, para que seja utilizada como instrumento de coleta de informações, deve ser contínua e sistemática com a função de registrar determinados fenômenos ou comportamentos.
Para tanto, é necessário que seja: a)Intencionada: com objetivos determinados;
b)Sustentada: guiada por um corpo de conhecimento.(p.68)
Nesta etapa estamos no processo de conhecimento das orientações curriculares da rede estadual de ensino e definição das práticas corporais a serem desenvolvidas nas aulas de Educação Física e possíveis projetos. Destacamos também, a possibilidade de estabelecerum diálogo com os demais subprojetos existentes na escola criando um espaço interdisciplinar das ações.
Além desta ação, venho propor as seguintes ações:
1.Organização de projetos para além das aulas regulares de Educação Física com temáticas problematizadoras referentes aos conteúdos curriculares e outras práticas não vivenciadas na escola no formato de oficinas buscando contemplar aqui um trabalho interdisciplinar envolvendo outras turmas da escola onde não se tenha bolsista do PIBID envolvido; 2.Implementação de práticas corporais nas aulas de Educação Física de forma disciplinar e interdisciplinar diversificando espaço, material, estratégia de ensino e processo avaliativo; 3.Organização de planejamentos pedagógicos de aulas para vivencia e sistematização de conhecimentos numa perspectiva dialógica, inovadora e crítica; 4.Catalogar os planejamentos das práticas corporais identificando quais conteúdos foram apresentados refletindo e problematizando sobre aquelas não contempladas no planejamento para reorganização e possível implementação; 5. Elaboração de material pedagógico (como por exemplo caderno pedagógico) a ser
implementado nas aulas; 6.Socialização regular das atividades desenvolvidas com os demais professores deste componente curricular no interior da escola compreendendo este espaço como de reorientação do planejamento das ações e avaliação qualitativa das intervenções pedagógicas e de formação continuada; 7. Organização de uma feira de conhecimento das práticas corporais com apresentação das atividades desenvolvidas na escola podendo ser este espaço como atividade avaliativa do processo entre supervisor, coordenador, bolsistas e comunidade escolar (buscando a partir daí a participação dos pais e/ou responsáveis dos alunos); 8.Propor o desenvolvimento coletivo de projetos interdisciplinares em diferentes formatos, como: jornadas, feiras de esportes, cine debate, ciclo de palestra de diferentes temas de interesse da comunidade escolar (como saúde, lazer, atividade física e outros); 9. Criar ambiente de debate no interior da escola para que (coordenadores e bolsistas) vivencie outros espaços do cotidiano da escola como conselho de classe, reuniões pedagógicas e conselho escolar, dentre outros.
Considerações finais
Acreditamos que a experiência em inserir o acadêmico da licenciatura dentro do contexto escolar poderá qualificar o seu conhecimento e enriquecer sua prática pedagógica, aproximando a formação curricular do chão da escola. Ressaltamos a importância de iniciativas como esta, que possibilitam o diálogo direto e constante entre os alunos de licenciatura da UFU e a escola pública desde o início de sua formação com a finalidade de aprofundar suas reflexões e análises da visão da escola. Nessa perspectiva a formação continuada de professores se colocaria como complemento reforçando a inserção do acadêmico e oferecendo subsídios para que possam compreender as complexas relações vivenciadas pelo professor no seu cotidiano escolar e passam despercebidas quando o acadêmico somente reconhece seu fazer pedagógico dentro de um estágio supervisionado, após o segundo ano de curso.Dentro deste processo enfatiza-se uma prática pedagógicacrítica, reflexiva que auxilie efetivamente no processo de constituição da profissão docente.
Referências bibliográficas
LOPES, Alice Casimiro. Políticas curriculares: continuidade ou mudança de rumos?
NEGRINE, Airton. Instrumentos de coleta de informações na pesquisa qualitativa. Org. MOLINA Neto, V; TRIVIÑOS, Augusto N.S. A pesquisa qualitativa na Educação