BALNEVM
DA
VILLA ROMANA
DE
PISÔES
ANALISE FORMAL
e
FUNCIONAL
DISSERTAQÃO
de MESTRADO
em
HISTÔRIA
da ARTE
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3
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X
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ĸ■fip^"T*Tl-j3Ĩ
Faculdade de Ciências Sociais
e
Humanas
Universidade
Nova de
Lisboa
Lisboa,
2007
BALNEVM
DA
VÊLLA
R0MANA
DE
PISÔES
Análise Formal
e
Funcional
Dĩssertapão
de
Mestrado
em
Historia da
Arte
Faculdade de
Ciências Sociais
eHumanas
Universidade Nova de Lisboa
Lisboa,
2007
AGRADECIMENTOS
A
realizagão
de
umatese
nunca
é
umacto
individual.
Existe
umlongo
caminho
apercorrer
até
chegar
aoproduto
final. Hd
que
agradecer
ds
pessoas
eaté âs
prôprias
termas,
pois
é
ã volta delas que
sedesenrola
o nossotraPalho.
Agradepo
ao meuorientador,
Professor
Doutor
Justino
Maciel,
pelo
seurigor
científico
equalidades
humanas
de
excepcão.
Além da
ajuda
naescolha
do
tema,
sempre
meencorajou
nosmomentos de
hesitacão
e,
soPretudo
ensinou
novasperspectivas
de conhecimento
eaprofundamento,
tão
indispensáveis
numainvestigacôo.
Colocando ainda,
ao meudispor,
bibliografia
eoutros
materiais que não
consegui
localizar
nas
diferentes
PiPliotecas
por mim
consultadas.
Estou
grata
atodos
osoutros
Professores
do Mestrado
emHistôria
aeArte,
pelo
conhecimento
profícuo
que demonstraram durante
osseminários
da
parte
curricular do
mestrado.
Uma
especial
referência
aoIPPAR
de
Évora,
napessoa
Oo
seuDirector
Regional
Arquitecto
Miguel
Lima,
tamPém ás Doutoras
Filomena
Barata,
Margarida
Botto
e aoDoutor João
Marques,
osquais
meproporcionaram,
desde
oinício,
asmelhores
condicôes
para
que
otraPalho
pudesse
serrealizado.
Â
minha
família,
emespecial,
d minha
filha,
acompreensão
epaciência
pelos
períodos
de
ausência
eá minha
prima
Rosa,
que
comigo
fez
asinaispensdveis
leituras finais.
INTRODUCÅO
VII
-
A
IMPORTÂNCIA
DA TERRA
NO MUNDO ROMANO
-
A VILLA
ROMANA
-
A CIDADE E O
TERRITÔRIO
DE PAX IVLIA
1- A VILLA ROMANA DE
PISÔES
XX
-
LOCALIZAQÃO
-
NOTÍCIAS
E
ESCAVAQÔES
ARQUEOLÔGICAS
-
DESCRIQÃO
DE
VILLA
2-
BALNEVM DA
VILLA
DE
PISÔES
-ANALISE
FORMAL
E
FUNCIONAL
XXIX
2.1- O
COMPLEXO TERMAL
XXX
2.2
-DESCRICÃO
DAS
ESTRUTURAS DA
1a
FASE
XXXI
-
Elementos
vísíveis
na
l°
Fase
2.3
DESCRICÃO
DAS ESTRUTURAS DA 2a
FASE
XL
2.4
-NATATIO
XLI
2.5
-PISCINA
COM PALESTRA
ENVOLVENTE
XLIV
2.6
-APOD
YTERIVM
XLVI
I
2.7
-SISTEMA DE AQUECIMENTO
XLIX
a)
-Praefurnium
do
Caldarium
e
respectivos
acessosP)
-Hypocausis, Suspensurae
do
Caldarium
c)
-Praefurnium
do
Laconicum/Sudafio
erespectivos
acessosd)
-Hypocausis
eSuspensurae
do
Laconicum/Sudafio
e)
-Hypocausis
eSuspensurae
do
Tepidarium
-Espago
central
-Espaco
aPsidado
2.8
CALDARIVM
LXXI
-Espaco
Central
-
Alueus
aPsidado
-Alueus
quadrangular
2.9
-ESTRUTURA
DO
LACONICVM
/
SVDATIO
LXXIV
2.10
-TEPIDARIVM
LXXVI
-Espaco
central
-
Alueus
2.11
-FRIGIDARIVM
LXXVIII
-
O
espaco central
-(6)
-
Planta
de
localizacão
dos
diversos materiais
de
revestimento
noFrigidarium
-
Fase de revestimento
de
Opus
Secfile
-
Fase
do revestimento
a
Opus
Signinum
-
Fase do revestimento
a
lesfae
-
Alueus
-(8)
-
Espaco
de
transicão
entre
o
Frigidarium
e aPiscina
-
Piscina
-(7)
-
Sistema de
3-LATRINAS
XCI
-
Latrina
masculina
-
Latrina feminina
4
-SISTEMAS DE
COBERTURA
/
JUSTIFICACÃO
DAS
PROPOSTAS
RECONSTRUTIVAS
XCVI
-Apontamentos grdficos
(cortes
eplantas),
sugerindo algumas
solupôes
aonível
das coPerturas
edos
arcosdo
hypocausfum
do balneum
de
Pisôes.
5
OPERA ESTRUTURAIS E DECORATIVOS
CXIV
5.1
-OPVSSECTILE
5.2
-OPVS INCERTVM
5.3
-OPVS
MIXTVM
5.4
-OPVS VITTATVM
5.5
-OPVS VITTATVM MIXTVM
5.6- OPVS
LATERICIVM/TESTACEVM
-Tipologia
de laferes
elaferculi
-Tipologias
do
Imbrexde
propagacão
de calor
horizontal
5.7
-OPVS
CAEMENTICIUM
5 8
-OPVS
TECTORIVM/ALBARIVM
5.9
-OPVS
TESSELLATVM
5.10
-OPVS
SIGNINVM
6
-BREVE
COMPARACÃO
COM OUTROS
COMPLEXOS
TERMAIS
CXXXIX
7
-CONCLUSÔES
CXLII
8
-ANEXOS
-O
ESPÍRITO
DO BANHO
/
MENTE
SÂ
EM
CORPO
SÅO
CXLVIII
-
EVOLUCÃO
-
AQUECiMENTO
-BANHOS MEDICINAIS
-
BANHOS MILITARES
-
HORÁRIOS
-CAPTAQÃO
DA
ÁGUA
EM
PISÔES
-CARACTERÍSTICAS ARQUITECTÔNICAS
E
TECNOLÔGICAS
DA
BARRAGEM
DE
PISÔES
-
LÉXICO
DE TERMOS LATINOS
VENARI LA
VARI L VDERE
RIDERE OCC EST VIVERE
'(Cacar,
banhar-se,
iraosjogos,
rir,
isfo
é
viver)
(Inscricão gravada
nopavimento
das
Termas
do Foro
de
Timgad'
- umaincitacão
popular
agozar
avida
onde
seinclui
oPanho
como umdos
prazeres mais
satisfatôrios
daquela
época),
Fez
também
parte
do
primeirc
parágrafo
introdutôrio
das "Actas do I
Congresso
Peninsular
-Arnedillo
-Outubro
de 1996"
De
umamaneira contextualizada
eintegrada,
esta
puPlicacão
constituiu
para mim
umimportante
ponto
de
partida
para
umamelhor
compreensão
do
espírito
da
arquitectura
termal
romana..Tf?ŨDU(
AO
A
TERRA
A
civilizapão
romanaassenta
as suasraízes
mais
profundas
naposse
e na"cultura da
terra".
A
terra
foi sempre
para
osromanos
simultaneamente meio
de
conservarriqueza,
fonte
de rendimento
eveículo
de
trocas culturais.
A
MÍLLA
...Nunca
oprocesso
de
romanizacão
poaerá
sercompreendido
semque
selance
umolhar mais atento sobre
avida
nocampo, centraaa
nasuillae.
Estas
constituem
umrefúgio
de
quem
queria afastar-se
aa
cidade para
descanso
elazer
oupara
não
seroPrigado
acumprir
com os seusdeveres
sociais. Acrescente-se
ainda
oaspecto
econômico,
pois
eralá que
seproduzia
otrigo,
vinho,
azeite
eoutros
destinados
aalimentar
a massaurPana
e osexércitos
que
seforam fixando
aolongo
das diversas
províncias.
A
importôncia
econômica
esocial de
umauilla
foi
já
por
diversos autores,
comparada
ao"monte
alentejano",
pela
suacapacidade
auto-suficiente
para
criar
solucôes
eproduzir
modelos
de vida.
(Até
aosdias
de
hoje
nenhuma
uillla
romanafoi
completamente
exumada
e
interpertada
emterritôrio
português.
Tal
levou-nos
acolocar
lado
alado
oPjectos
de
estudo de
várias
proveniências
de
modo
apossibilitar
umíj
BALNEVM
Entre
asmais
espectaculares
ofertas das
cidades
romanascontam-se
astermas.
Assim
como oforum
era ofulcro das
actividades
matinais,
também
osbalneários
eram ocentro das
actividaaes
vespertinas.
Os
cidadãos
passavam horas entre
Panhos
evapores
atratar
de
negôcios
ou,simplesmente,
a conversar.O lento processo
do
banho
â
maneira
romanaexigia
diversas
salas de
aquecimento progressivo,
para
provocar
atranspiracôo,
O banhista
esfregava-se
depois
comôleo
eareia;
emseguida,
retirava
com umsfrigil,
"tão
pessoal
nostempos
romanos como a escovade
dentes
nosdias
de
hoje".
Os
Palnedrios
eramedifícios
complexos
de
avanpada
técnica
eengenho.
Eram
de
facto
umadas
facetas
mais
civilizadas
eagraddveis
da
viaa
romana.
Por
isso,
tamPém
não
podiam
faltar
nocampo,
nosossego
Pas
Villae.
O traPalho
apresentado pretende
tratar
otipo
mais
comumúe
balnea,
existente
nosamPientes
rurais,
local dedicado
aobanho
higiénico
enquanto
prazer
etônico
ao corpo, onde
aspessoas
poderiam
encontrar
umambiente
propício
aoconvívio
eô
prática
de
algum
exercício
físico,
autênticos veículos
culturais
eartísticos, espelho
de
umacivilizacão,
também vivenciado
nosambientes
rurais.
Com
este trabalho
pretende-se
avalorizacão
deste
local
arqueolôgico
e, adivulgacão
ao
seupatrimônio.
visto por
toOos
como umespaco
representativo
do
percurso
rural
romano noAlentejo.
MAPA
DE PORTUGAL COM AS ViLLAE ROMANAS IDENTIFIC ADAS
ADAPTACAO
D0MAPA DA
REGIÃO
DALUSITÁNIA
EGALLAECIACOMAS VILAS IDENTIFICADAS J.G.
GORGES,
LES VILLAS HISPANO-ROMAINES INVENTAIRE ETPROBLÉMATIQUE
ARCHÉOLOGIQUE
PARIS 1979"MJÍui__»•
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"™!f*»-e;
■■;n^ĩSin,..iiĩ7n.
T
"• """■" _„/ ttriuiiiM c î -.■,■■
l:|lYiîHj ),'
Antes
de iniciarmos
a nossaviagem
pelo
Balneum
da
uilla
romanade
Pisôes,
pensamos
serimportante
estabelecer
umaponte
entre
umconjunto
A
i'dPOPT ANCiA DA
TERRA
NO MUNDO
ROMANO
Durante
muito
tempo
aprosperidade
do
Império
Romano
deveu-se
d
imensa
produtividade
econômica
proveniente
da vida rural,
Culturalmente,
os romanossempre demonstraram
umocerta
"nostalgia
pela
terra". A
profissão
úe
agricultor
merecia
aos romanos amaior
consiaeracão
eisso
erado
conhecimento
geral.
Na
literatura,
ospoetas
não
secansavam
de
enaltecer tal
facto2.
Exemplo
Pisso
sôo
osdiversos
tratados
que
se escreveramsoPre
aagricultura
e apecuária
que
nospermitem hoje
compreender
odesenvolvimento
da vida rural dessa
época,
Na
agricultura,
como emoutros
ramosaplicaram
da
melhor
forma
osconhecimentos que
haviam
adquirido.
A
suaexperiência
neste campo,
aeveu-se
emgrande
medida,
ao seucontacto
compovos
estrangeiros,
de
que
são
exemplo
Gregos
eCartagineses,
emcujas
culturas
predominava
umsistema
agrícola
mais
avancado,
mais
científico,
que veio provocar
umarevolucão
emtodo
omeio
rural
Itálico
emgeral
e,mais
tarde,
nasprovíncias
conquistadas.
3As
aprendizagens daqui
decorrentes
foram,
depois,
utilizadas
naterra
pelos
agricultores,
combinando-se
ateoria
científica
com osresultados
do
saber
da
experiência
naterra,
dando
origem
d elaPoracão
de
tratados
soPre
aagricultura^
onde
seindicavam,
comprecisôo,
osmétodos
mais
produtivos
para tratar
osolo
emais
adequados
âs
diferentes
regiôes,
Esses tratados não
eramdirigidos
aospequenos
proprietários,
masantes
aos"senhores
ricos" que tinham Pastante
capital
econtavam
com amôo-de-oPra
aPundante
aos
escravos elibertos.
Os resultados
agrícolas
não
eramúnica
eexclusivamente
para
consumo
familiar
eda
criaaagem,
masprincipalmente
para venda
nosmercados
oumesmo,
para
exportacão.
Era
compreensível
que
osproprietários,
aoinvestirem
com essafinalidade,
preferissem
asculturas
mais
produtivas,
como avinha,
oolival,
asfrutas. Não
esquecendo
acriacão
do
gado,
nomeadamente
ade
ovelhas,
das
quais
extraíam
alã
de
boa
qualiaade.
(jrinial. IV84.p 165c Huben.Histoirc.
p.64
-Ningucm
descrcvcutãobcmasituavão
da vidaruralromaiia contoCatão.noscutratadn slc- De ^ni'ulium. \'o
prefácio.
sahcnui que foiaagricultura
ipie t'e/agrande/a
de Roma.pois
era.daszonasrurais qucsaíam ih, cidadâos inais aetivos c ossoldados niais fortes.entre ounasdescricôes que nos íazein
compreender
a hravura e oivconhecimcnto dccstar
ligado
å lcira,-Quando
os nossos maioresqucriam
louvar um homcm bom. ehamavam-no dc bom cultivadorede homcolnne. Pen..a-se queera muilo hnnrado quemavsimera louvado... (Virum bimumcumluiukibnni umum\iio.strij.ilulumtiíbanlbomim,iyríivlam
brinumqur
cnkmum.AmpIisMmc
litittliiricxixtimtitĸifur,qui
intImulubatur).I)
trigo.
o vinlioe oazáie. não foram introdu/idospelos
romanos. tnas semdúvida. i|ue l'oramesles.i|uegenerali/aram
cstascuIiui;incomvistanão >6 ,isuasubsistcnciamastambcmásua
cxporta^ão
4Ijitremuiĸis
podenio.s
salientar:l)ereniuU'ii. deM.ircoPtírcio Calão:
Ijbriirc.trerumrusiicurum. de Marco Tcrcncio V'arrâo: (Jii'i'iiicui:dcPúbho
Virgílio
Marão:Tratadodc
Agricultura
cm 12livros LucioJunioM>n1cialo Columela:Traladodc
Agricullura
cin 12 livrosdeA.Cornclio Celso: Xulumlis liiítiíritidcl'líniooVclho:Tmintto iir
Ayrirttlturu
deMarco ValerioVlarcial:IV
Agricullura
cm 14livros dcKutilioTauro HmilianoPaládio:IX' Archiicciura livni VI deViirúvioe tilmhémliaiado.s >ohic
arquiteclura
naAntigtndadc
Tardiade H. PIoiiiiikt, Viimrim iiutiUih'rK'■iiiiinHiiilditixM,;miii!\.
t'ambndgc.
1973.Nolr-scque osautoresdos tratados de
agricultura
conhcccram dc penoa \idaruralnas mais \ariada> \encntcsdasactividadcsagrícolas
cpccuárias.
cscrc-iam para umpúblico
interessado em (irarparlido
maximoda rcntabihdadc da lcn-a. umptíhlico
definili\amcntc urbano.
A
VILLA
ROMANA
O termo
uilla
tem vindo
a serutilizado
desde
aantiguidade
clássica
até
aos nossosdias,
sempre
comoreferência
atoda
equalquer
construcão
fora
da
cidade,
Seria
umau/7/a
umamansão
senhorial
magnificamente
arquitectada
ou umamodesta
construcão
nocampo
aoservico
dos
traPalhos
agrícolas?
Seriam
todas
asconstrucôes haPitacionais fora
da cidade
igualmente
consiaeradas
uillae?
Esta ampivalência estd
Pem
patenîe
naterminologia
clássica
que
acompanha
otermo:
lafifundium,
fundus,
pafrimonium,
russuburbanum,
praedium,
horfus5... entre outros.
Podemos ainda encontrar outras
definicôes:
herdaae,
casal,
granja,
casade campo
elegante,
haPitapão
de
recreio,
propriedade
rústica
...Todas
elas, construídas
perto
das cidaaes.
Mas
umauilla
podia
sertamPém
entendida
como ummodesto
lugar
de
isolamento,
ouseja,
umrefúgio
para
oscitadinos,
umapequena
explorapão
agrícola,
albergando
uma casarural.
Todas
estas
infra-estruturas constituíam
umaoutra forma
de conceber
avida extra
urbana, atribuindo
umnovo
significado
ô
palavra
u/7/a
comocontraponto
da
solarenga
casade luxo.
A
casarústica,
mais
concretamente
amodesta,
vai
aoencontro da
ideia
de rusficifas de que
nosfalam
osepigramas
de Marcial
noséculo
III
d.C.6
Por
outro
lado, ô
margem
do
seucardcter eminentemente
agro-pecudrio,
existe
umsignificado
implícito
que,
está
associado
ã
ideia de
umaedificapão
de
luxo,
que
surge
e sedesenvolve
emterritôrio
itálico,
como um novomodelo
de vida
impulsionado
pela
aristocracia
romana,
desde
inícios
ao
século
II
a.C,
resultado de
umconjunto
de
factores
políticos
esociais,
Pem
comodevido
a umcongestionamento
do
espaco urPano.
Refiro-me
ás
luxuosas construcôes
onde
aaristocracia
romanadesfrutava
de
umconforto
paradisíaco,
emhaPitacôes ricamente decoradas
emoPilaaas.
Gnnul. IvS-l. p. 163- A
origem
dapalavra
uillttestevescniprcligada
ãno^ão
dcquinta
oufundus
- Plínio.refere qucnaLci da_. XIITábuas.a
palavra
uillununcatoiutili/ada para desisnarumaquinla
masantcsIttinusumapalavra
quehojesignifica
jardiin.'
L'nia casa nocampocra o
reftigio
rclivscantcondcsc rctempcravamcnergias
nosdiasealoro>os deverãoeondcerapermitido
esqucccrosinalcs das cidadcsluidiĸa-..Nocampo.aouieiio.s,
podia-se
dormirscm oburburinho dostraiiscuntcs ■ Marcial.XII. 57. No\iran.\eiinii\ ri\ii\ exciuillurbne. eteii cubitee\iRoiiui TuediĸJessi\itormirequt'lieinlinut. Tuedto/_■... dormiicquoiiens libutl.imm <ĸl vtlkun:"Acordam-meos nsosda inullidão <|uc pas^acKoma iniciraesirinaniinh.icama Quandoqucro donnir. cheiodc
desgosto
voupara annnha uíll,;".A aercscer a cstcfacto.forada cidadeaspessoascrammais gtutas. Deste pontodcvista.uuilhi serviaperfeiiaiiienie
aumciladino cansado <la urbe.prclciulendo
descansoe umacxi.slcncia modesta'Vniii iui brcMler \i vitci'iniosccrcMarci, cltmuii intliiiuc. Frouto. loĸaeqitedecus. Itocpcltl.cwe \tu necmaĸm nirisaralor.
\oriliii.it/tic
inj>cim.\i-fi.i rebu\unuii."Queressabciciii poucaspalavras
aiiiáxiinaaspiiayâo
<loleuamigo
Maivo.honraeaprec.oganho
porumacausajtista
noexcrcitoounoForo'.Aspira
aisto:atrabalharna suapcqtienaparcclaporqucgostadcsccntrcgaracoisashuiniUlcsenules<livcrs<"ĸ;s".
()poi'la dá-noscontadassua^
imagcns
idilicasquando
mĸ fala dovcrdee<laircscura<lo\prados.
dospouiaicsedashorialica^. da Ircscuradaágua.
sendocslesclemcniosaqui aprcsentados
comobensinconiparávcis.
vantagcnsqucsdocampoproporciona.
'
lloleiuni.t\. Iii
jontes,
luieclextilis timbrosupini
pttlmitis,
hucrifiuiw tluciiletlumen iii/uuc. pnuuque.necbiferncessuramsarki Pticsto.qttodqtie
viretlaiu'meitsc«<-<•alĸellinlus. quaequeiitiltuclusis,ni^iiiltu
domestuntymphis.
qutiequej-entsimilisciindida turrisaves. inumera sunidomnme"- T;.slebosquc.
eslasl'onles.cstadcnsa soinbra da-.parrasmaisaltas.cslescarrciros dcágua
c osprados.
c osroscirais que não l'azcmin\cjaaodtiplamcntc
fcnilfaesnun.eashonalivas.
quenãogclam
e emJanciroestão \crdes.eDeste
modo,
auilla
exemplificada
na sua
pars urbana converte-se
num novocendrio
para
oôcio,
como asuillae
marítimas7
nabaía
de
Nápoles,
empue
arelapão
entre
apropriedade
e aagricultura
estava
completamente
ausente.
Tornou-se
assimcostume
da
aristocracia
romanarepuPlicana
eimperial
aconstrucão
de
grandes
uillae
de
recreio,
principalmente
para
seaescansar
da vida citadina
edesfrutar do contacto
com anatureza6.
Este
tipo
de u/7/a luxuosa tem
umarepresentatividade
arqueolôgica
menor,
já
que
agrande
maioria
das uillae
eramaestinadas
aotrabalho
da
lavoura,
sendo
as suasconstrucôes
domésticas
eutilitárias
elaboradas
de
maneira
eminentemente
funcional,
tendo
emvista
potencialidades
econômicas,
Parece-me
então bem claro
que
au/7/a esteve desde sempre
ligada
a uma
edificacão fora
da
cidade,
referenciada
nostratados de
agricultura
como umainstalacão
agrícola
e"industrial",
emestreita
interligagão
com aterra
que
cultivar,
com ogado
que
possuir,
da azeitona
que
apanhar,
ao
vinho
que
produzir
edos cereais
que
conseguir
armazenar9.
Estariam
sempre
patentes
neste
ideal
de
producão,
osfins
lucrativos10,
Estamos
pois, perante
aassociacão
de
umduplo
conceito;
por
umlado,
uma casa nocampo
e,por
outro,
umaexploracão
agrícola
ou umapropriedade
rústica,
integranao
umasérie de
construcôes
que
apoiavam
ostraPalhos
agrícolas
eserviam de
alojamento
não sô
ao
proprietário,
mas
tampém
aostraPalhaaores
da lavoura.
Uma u/7to
deveria
integrar
a
pars
urbana,
ouseja
aresidência
do
proprietário,
apars
rusfica,
espaco
destinado
aoalojamento
do feitor
edos
criados
da lavoura
e,por
último,
apars
frucfuaria,
estrutura
de
apoio
imprescindível
para
umaPoa
exploracão
agrícola,
composta pela
aaega,
lagar,
celeiros, estdPulos
oucurrais,
aque
poderia
ainda acrescentar-se
diversas oficinas.
A
partir
do
século lla.C,
vamosassistir
adiversos
exemplos
de
arquitectura
rural,
desde
asmais
elaPoradas
até
ás
mais modestas,
emque
osbalnea
passam
aexistir
emconformidaOe
com apars
urbana,
evidenciando
Oesde
então
opapel
de
destaque
que
oPanho ocupa
nasactividades
diárias
do
seuproprietário
efamiliares.
D'Arms. 197(1. Lafon. 1981: /jinker.1993
Grimal. 1992.
p.yi-
Nãolonge
de Roma auiltti de Lívia.e' apcnas maisumcxemplo
doquanio os romanos adoravam vivcr rodcadospela
nalurc/a. mesmo noinlerior dassuas casas. masscmprcassociadaa umagrandc
qualidade
de vida. Neslacasaexisiia umasalasubteitânea quesedestinavaascrvirde salãono._diasqucntcsdc V'crão.A>paredes
destaencontravani-sedecoradascompinturas.
ummMi.dejardim
c<le pomar.comtodaaplcnitude
<lavidael'rescuraprôpnas
dcsies cspacosnocampo. Catã<'. DercritslicuIII.("aiãoainbui uma
graiulc importáneia
aoaspeetodo lucto.Bastanle realistaeeonscicnte da intcnsa aelividadcdopropnctãno
quemuiloditicilmente eonseguc vivernocampoe. cmsimultáneo.
frequentar
aciilailc por moiivodenegocios.
sugcrc<|ucsenoinci capala/ouencarregado
rilicusque.junlaineniecomasuamulherviticu.diiijatodosOStrabalhosna sua auscncia.Paraalcmdovilicu\e suamulhcr. onúniero dcelcmenios quc
compunham
opcssoul
daquinla
era niuito variado.podendo
scr consiiiuído porumcertonúmero dcesciavo>.Alarcão. lt'S"!.
p.l
13 - Osromanos foramo.spnmeirosa
cxplorar
a-.herdades dcuma formaprceapitalista. pois
osproprieiários
coines'aianiaterporohjectivoa
producão
emquantidademuitosupcrior a<|uela
<|uea sualamíliaecriados neeessitavamA
CIDADE E O
TERRITORIO DL
PAX.
IVLIA
A
capital
da civifas de Pax
lulia,
situava-se
noalto de
umaondulacão
suave,
prolongando-se
napeneplanície
alentejana.
Acerca
das
origens
da
cidade
de
Beja
têm
surgido opiniôes divergentes.
Nôo
pretendemos
aqui
discutir
questôes
relativas ã
suafundacôo
ouestatuto que Ihe foi
atriPuído.
São
questôes
que
no nossoentender
merecem uma
reflexão
mais atenta
eprofunda
de
peritos
namatéria.
Nôo queremos,
noentanto,
deixar de lemPrar
algumas
questôes
que
estarão
naorigem
da discussão.
Terá
sido esta
cidade fundada
sobre
umpovoado
já
existente?
E
por
quem?
Augusto
ouJúlio
César?
Os
romanoschegaram
ã
Península
IPérica
noaecurso da
segunaa
guerra
Púnica
(218-202 a.C),
semque
seja possível
determinar
comexatiaão
adata
emque entraram
pela primeira
vez noespaco
alentejano.
A
hipôtese
de
por ali ter
existido
umaglomerado
populacional
pré-romano,
foi defendida
pela
primeira
vezpor
Felix
Caetano
da
Silva.
Este
historiador
era
da
opinião
que
acidade fora anteriormente
fundada
pelos
Celtas,
eposteriormente
ampliada
por
Júlio César'. São
igualmente
da
mesmaopinião
Frei Manuel
do
Cenáculo12
e oPadre
Antônio
Carvalho
da
Costa13
reportando-se
ambos
aorepovoamento
instituído
por
Júlio
César.
Na
década
de
sessenta, Orlando
RiPeiro14 terd sido
oprimeiro
apropor,
umalocalizacâo
nacidade de
Beja
de
umoppidum
da Idade
do
Ferro.
Mais
tarde,
Nunes RiPeiro
propôs
reconhecer
emBeja
alocalizacão
da
povoacão
indígena
de
Conisforgis]5.
O
solo
ô volta
é
rico
eapto
para
asementeíra do
trigo
ecultivo
da
vinha.
"Onde
cresce opão
junta-se gente",
lá diz
oditaOo
popular,
regra
nuncadesmentida
pela
histôria.
Pax lulia
era, comcerteza,
umlugar
povoado
muito
antes
do
período
romano,
pois
jd
EstraPão Ihe chamou
PaxAugusfd6,
aofazer
acompilacão
das notícias
do
seutempo,
escrevendo
Geographika,
dedicando
olivro
III d
Ibéria,
noqual
sefala da terra
portuguesa.
Referindo
nessetraPalho
que
amaior
parte
dos
moradores
da
"mesopotámia",
oactual
Alentejo
eAlgarve,
eramessencialmente povos
Celtas,
(kefikoi).
havendo ainda
"
Silva.IS>72. I. I iiianscritopoiAbel Vianano
Arquivo
dcReja.
Vol V.hises IIIeIV. 194!..p 199-740).Dclgado.
1947.p.353
(Iranscrevendo l'rei ManuelDoCenáculo V'illusHoas. IKOO; ManuscritoCodieeC.WVU/ 2 13'"
C<ista. 11.68.
p.3IO(traiiscrevcndo
Frci Manuel dcCenáculoVillas Boas.1800. ManuscritoCodiec CXXVTI/2-3."
Orlando Ribciro. 1963. p. 104. ''N'unes Ribeiro.1960.
p.86.
"Kstrabão, III, 2. 15:A
primeira
versãodcGeogralia
foiredigida
cnire27e7 a.C.acidadc dc Bejasurgc entãoreferidaconioPtu .\u,ĸusta.relacionadadircciamcntccomoprngramacoloni/ador <leAugusto.
Alarcão. Domínio Roiiuiiukp.65.
__igualmcnte
mais umarclcrência ileFstrabãoquenossugeieacxistcncia dc duascomumdadesdisiintas, consliluídas poriiĸlígenas
romani/adoscpor cidadãos romanos.(bstrabão <h/nos <|uc Hcja (Pu.x Iuti.n era cellica de raca. mas a líneu.'i falada cra olalim e os cosluniesalgumas
tribos de
Lusitanos
(Lysífanoi)]1
V
Plínio-o-Veiho,
mais
tarde
chamou-Ihe
colônia
pacensisu
Recentes
investigacôes
têm contribuído
para
provar que não
setrata da
fundacão
de
umacidade de direito latino
exnihild9,
comoaté
há
Pem
pouco
sedefendia20,
massim de
umlocal
ocupado
pelo
menos,
desde
aII
Idade
do
Ferro,
como oparece comprovar
adescoPerta de cerâmicas
características
dessa
época,
naRua
de
Semprano. Estas aparecem
associadas
a umtroco
de
muralha,
construída de
"pedra
seca"
com cercade
três
metros de
largura,
tamPém
esta
possivelmente
da
época
pré-romana21.
Mais recentemente,
asescavacôes
realizadas por
Conceigão
Lopes
naPraca
de Armas
ao
castelo
permitem-nos
conhecer
mais
cerômicas da
II
Idade
do
Ferro.
A
identificapão
de
umpovoado
da II Idade
do Ferro
emBeja,
é
de
extrema
importôncia
para
interpretacão
ecompreensão
das
circunstâncias
em
que
se
aeu
a
ocupacão
ecriacão
desta
cidade
romana.Aguardam-se
futuras
escavacôes
e umconhecimento mais
profundo
edetalhado
da
fase
de
ocupacão pré-romana
nesta
região,
para
assim
secomprovar
seos romanos
aproveitaram
umlocal
povoado
desde
aII
Idade
do
Ferro
para
alojarem
emparalelo
colonos
einaígenas,
duas
comunidaOes até certo
ponto
autônomas,
aue
terão dado
origem
a uma"cidade
mista"22.
No
que
serefere
ds
populacôes
indígenas,
asreferéncias
e osconhecimentos são
ainda
muito
incipientes.
As
únicas fontes
de
informacão
surgem através
da
arqueologia
ede
traPalhos
escritos
por
autores
antigos.
Não havendo, tanto
quanto
saPemos,
nada de
concreto
eactual
escrito
soPre
este
assunto,
sô
nosresta
aepositar
alguma
esperanpa
nosesforcos
da
arqueologia,
cujo
traPalho
é tantas
vezesdificultado
"em
prol
do
desenvolvimento".
1 Varcas.
1967, p. 137
(Arquivode
Beja:Boletim- l-sludosArquivo.
Vol. XXIIi-XXIV.Beja1960-67. '
Plínio. \miirulis Hisloriu. IV. I 17. No
Alentejo. Myrnlis
iMcilola.i. Pa.x lulitiiBeja).liborul.iberutitas lutialÉvoral.
Mirnbrigu
(|Vnode
Sanliago
do CacCm). Siilaciii lAlcáccr do Sal) loram sem duvida capitais dccniiates. lodas sãociladas por Plínio, atnhuiniloocstalulodecoli.niaaPiulitlia.cslatuloqueesladocumcniadoepigralicamente
(Sobreeste assunlodevcráconsullar-se Alarcão. /_e< Villes deLusitunic.IJiittni;\ deCN'RS. 1988).1
Sobieadaia da
fundai,ão
dacolonia de l'u.x luliuverFARIA. 1995 89-99cdoniesmo aulor"Conitnbriga".
XXVIII. |9S<j. p1<Ra109.
"
Alareão.19X8. p. 49e 1993.p.209; Manlav 1993.p.48l».
■'V'crirabalhos
puhlicados
pelos aiqueúlogos
José ('arlos OhvciracSusanaHelena Correia. InicrvcncãoAtqueolôgica
na RuadoSembrano Areaurhana deBeja
Campanhas
de 1988a1990..Armv dusVJorntidusArqucotogicus.
I. Lisboa.11994) p 195-202. '■'Alarcão. 1990.p.47-48.
1988.p.65
Existem
ainOa outros factores
aconsiderar soPre
afunaapão
de
Pax
lulia
eque
têm
a ver com ofacto
do
topônimo
da cidade não incluir
qualquer
sufixo
de
referência
aopovo
indígena,
muito
embora
o mesmo severifique
emrelapão
aSalacia
-Alcácer
do
Sal
As
opiniôes
dos
investigadores/historiadores divergem igualmente
quanto
ao
fundador
de
Pax
lulia.
O
prôprio
nome
da cidade
recorda
apacificacão
das triPos
da
Lusitônia
na
época
de
Júlio César.
Segundo
Jorge
de
Alarcão,
terá
havido
condipôes
para
que
Júlio César
por
ali tenha
estaPelecido
umacampamento
ou umpraesidium,
concedendo-Ihe
de
seguida
oius
Lafii. E sô
mais tarde
Augusto
Ihe terá
concedido
otítulo de Colônid2*
Pois
até
ocalendário
nosajuda
a
recordar:
omês
de
Julho
é
omês
de
Júlio,
assim
comoAgosto
é
omês
de
Augusto,
seu sucessor nasculminôncias
do
poder.
Jorge
Alarcão acrescenta que tal qeve
ter acontecido
ainda
antes
de 27
a,C„
tendo
emconta que
emmeados
de
Janeiro
aesse
mesmo ano,Octávio
assume otítulo de
Augusto24.
Pensamos
que
contripui
igualmente
para tal
conclusão
ofacto de
não
terem
sido ainda
detectados
emBeja
vestígios
Oa
presenpa
romanaanteriores
a essadata.
Como tal,
e aavaliar
pelos
exemplos hispônicos,
se asua
fundagão
fosse
posterior
d
data
acima
sugerida,
então
o nomePax
lulia
chegaria
com
certeza
até
nôs
com um novotítulo25.
Na
opinião
de autores
mais
radicais,
comoHenderson
eMarques
de Faria
verifica-se
umacerta
tenaência
para
considerar que
aconcessão
do
título
colonial de Pax lulia
sedeveu
â
aceitacão
de
umacíuifas fundaaa por
Octaviano,
algures
entre 31-27 a.C,26.
Através
da
planta
do tracado
urPanístico
proposto
por
Jorge
de
Alarcão,27
podemos
ter
umaideia muito
clara
da
grandeza
urPana
de
Pax
luiia,
que
aliás
figuraria
nos censosdo
Império
como umadas mais
importantes
cidades
provinciais.
'' Alarcão. 1987.
p.S(v
V'aseoManiasnumdossetistrabalhos dá-nosaconhecera
opinião
de TovuieGarciay BcllidocSava_.Abengoeehea.
<|iiepariilh.un
enlresi dalesede
Jorjc
dcAlaicãoquantoaofundador <ic Puxluliti <leigual opinião
são AulorcvcoiuoVitiinghoffc
Grant.acidadctcrá sido fundada porCcsare
promovida
a coli'miaromana por Augusio.Vittinghoff,
p 44: Cĩranl,p 473; 1<uai.|97f_.p.
211:Bcllido.
1958.p.
20e 21eAhcngocchca.
1989. p. 49a50. :JAlarcâo.1987.
p.87/1988. p.49-íi7.
f
Mantas. 1996.p.50.
■"Faria.I9RIS,p. 13-14:Iaria. 1989. p. 103-109:Mantas. 19%. p. 49:
Kncama<,ão.
IRCP. II.p.744a746 ; Alarcão.RomanPonugal.
Vol. 11.Fase.3,p.197.
ADAPTAQÃO
DA PLANĨA ĨOPOGRAFICA DO SITIO DEBEJA,
A QUAL SESOBREPÔS
O PERFIL DO RECINTO COMMURALHA E A PLANTAHIPOTÉTICA
DE J.ALARCÃO
COM 0 TEMPLO.De referir
que
é
precisamente
na zonamais elevada
da
cidade
que
surge
aconstrucão
do
forum
e,dentro
dele,
otemplo.
Assim
ointerpreta
Jorge
de
Alarcão28,
apartir
da
descoPerta das
fundacôes
de
umtemplo
por Abel
Viana29,
que
teriam siao
erguiOas
de
acordo
com aideia
de
simetria,
desenvolvida
nasciaades
itdlicas
apartir
do
século
II
a.C30.
A
planta
permite-nos
também
fazer
umaleitura
aonível
aa
intensificacão
da
mancha
urbana
eda forma
comoesta
seapresentava
organizada.
ADAPTACÃO
DA PLANTA DA CIDADE DE BEJA, SEGUNDO FREI MANUEL DOCENÁCULO,
SEC. XVIII(CÔDICE
CXXVM/2-3 DA BIBLIOTECADEÉVORA)
Ru.i,io C Buraco
-Á^<
Portas Mc.tol
Porta de Aliuslrcl
Porta dos Prazeres
de
Évora
PortadeAvts
Seguindo
aplanta
da cidade de
Beja,
realizada por
Frei Manuel
do
Cenáculo,
verificamos
que
aparte
ocidental
da
cidade,
onde
seencontra
localizado
otemplo,
surge-nos
melhor
estruturada,
sendo
possível
reconhecer
ageometria
aque
Vitrúvio
serefere, daí
que,
naparte
ocidental
da
cidade,
osagrimensores
e osparceladores
tenham
tracado
avia
Cardo
e avia
Decumanus
etoaa
umamalha
urbana
geometrizada,
que contrasta
com aoutra
metade da
cidade,
anascente.
'
Idcm.p.77.
'
Viaua. 1947. pp.77a88.
A
parte
nobre da
cidade, terá
sido,
a
ocidente,
onde
terão
existido
os
melhores
edifícios,
ashaPitacôes
dos
emigrantes
romanos edos
ricos
comerciantes mediterrdnicos
oudos
indígenas
"das familias
(...)
de
excelente
representacão"31,
onde
provavelmente
sefixaram
asfamilias
aPastadas
que haPitariam
assumptuosas
uillae dos arredores
de
Beja.
Foi
igualmente
nesta metade da
cidade
que foram
encontraaos mais
vestígios
romanos.Restanao "a
parte
nascente,
declivosa.
(...)
para
osmais
pobres32,
eranesta
zonaque
selocalizava
ocomércio
e aspequenas
indústrias,
com amôo-de-oPra
dos povos
indígenas
de
diferentes
origens,
É
igualmente
nesta
parte
períférica
da
cidade que
seencontravam
asgrandes
cloacas da rede
de
esgotos33.
Quanto
d
sualocalizacão,
Pax
lulia
faz
jus
aotratado
vitruviano,
segundo
oqual
aescolha de
umlocal para
erguer
uma"...nova cidade..."
deveria
recair sobre
uma zona"...elevada,
de
temperatura
amena,
saudável
e
com
bons
campos
periféricos,
,,"M
7
:-r*,.f
LOCALIZACAO
DOSVESTIGIOS 'X\
':J
'í,
/y.
.'%£%t;.
ARQUEOLÔGICOS
ROMANOS DE^xVjl
1 ■V''x%'^&}! £_i>c.
BEJA^
'l'""
ADAPTAQAO DA PLANĨA DOS
/?'/
f
*>
'SERVICOS
URBANÍSTICOS
DECÂMARA
MUNICIPAL DE BEJAv/x-m
-//
■/
-æ
y\\M\<V//-'/Æk
■■■/-■
A^-fi-V
-,a\
.áf^^jQ;X///
JNX
/,'
~7
r^JAsf/
-?£**/>
/%>
æ..
*•*.-
iY.nj.!,:
!■> -.■Ir.Hĸíiinii-.i
"., -Clno. - 1
MiÛIZltlfic
rf<'_.'aátaâosíirijHí'oíá^iíoj'
roiri-iiioj(_>?Beja
S"
-:-í,>..___-_>..JBi ..',',...
X
-c. Mtnu'u.,,
j
í.'.'.ÍI...I-- - LÍØljL l"'"T - Cb'ííTflJ
rt't'i'ii'
l_L- 7.1._',•
■ií-
-.-/...--.l. ...,.r.''Vimia.
1946.p 192:Dclgado.
1 947. p.353;Correia.iy._7.pp.
I29a 131. '"'Alatcão.19''2.p.
SO."
Viana, 1957. p. 27
MVitrti.i.>.
I. IV. 23a31.Pax lulia,
tinha
em seu
redor excelentes
terras
para
a
agricultura35.
Possuía
matéria-prima
sobre
aforma de
argila
para
amanufactura
de cerâmica
de
opjectos,
de
usoquotidiano
epara
aproducão
de
materiais
para
aconstrugôo.
Era rodeaaa por
ricas
pedreiras
que
forneciam
omaterial necessário d
arquitectura
de raiz
(ao
nível
das
infra-estruturas)
eô
arquitectura
de
interiores
nafase
Oecorativa30.
ADAPĨAQÃO
DO MAPA DOCATALOGO DE ROCHAS ORNAMENĨAISPORTUGUESAS,
1 983Lo(alizci{âo
das rochas dc
calcário
cristalino
wgraníticas ty
,gabro-diorito
« ennha
vcrde
Podemos,
semdúvida,
afirmar que
Pax
lulia,
cuja ocupacão pré-romana
está
hoje perfeitamente
documentada,
soube
usufruir da
prosperidade
que
o
domínio
romanoIhe
proporcionou
nacidade
e nocampo.
''Alaaâo.
1976, p. 2."■Mana
*
v'ILLA
ROMANA DE PISOES
..OCAlÍZACAC
Este
complexo
arquitectônico, surgiu
junto
ãs margens de
um
riacho,
conhecido
pelo
mesmo nomeda
uilla.
Situado
a cercade
10 km,
aSul da
cidade de
Beja,
e a3
km da aldeia de
Penedo
Gordo,
estando este actualmente
integrado
naFreguesia
de
S.
Tiago
Maior",
terrenos
ôe
Almagrassa,
conjunto
denominado Herdade de
Almocreva.
A Villa
Romana
de
Pisôes
é
apenas
mais
umaentre tantas outras que
sesituavam
nasférteis terras
dos arredores de
Beja38.
De
acordo
com oslevantamentos realizados até
ã data'9,
asuillae
romanas
existentes
em
_..Portugal
parecem mais
numerosas ericas
na zonado
Alentejo
eAlgarve.
ADAPTACÂO
DOMAPA DAREGIÃO
DALUSITÂNIA
(SUL)E GALLAECIA COM AS VILASIDENĨIFICADAS
J.G.GORGE.LES
VILLAS HISPANO-ROMAINESINVENTAIRE ET
PROBLÉMATIQUE
ARCHÉOLOGIQUE
PARIS 1979'irørĩr
Supôe-se
que
asprimeiras
uillae
terão
surgido
nosterras
mais
férteis,
terras
essas
que
proprietários,
soldados
aposentados
ouemigrantes
romanose,
mais
tarae,
lusitanos romanizados,
aproveitanao
apax
romana,
cultivaram
utilizando
mão-de-oPra
escrava.''
Kihfirn, 1972. p. 15.
A semelhanea <!<>quc
já
acot.ii_.cianosarrcdorcs deKoma. n<>catnpc.eiueoniuinverificarseaeonsirucãoilehalutai.ôescmluilo seitielhaiitcsas cmnIciiics nascidades Juntoã uillu rtistica norinalnicnte|.ie<lilica<la. e<>n«li"ui_unentãocstasHiMK.sashabiia^ôes
ondefispropnetánosdasexplorai;i'ics
seinstalavainduraiilelar^as
teinporada.s.
NOTICIAS E
ESCAVACOES
ARQUEOLOGICAS
Foi
acuriosidade
pue
trouxe
dois
arqueôlogos Pejenses
junto
de
umaParragem
romana,descrita
por
Fernando
Nunes
RiPeiro
como uma"...
Grande
parede
de
consfrugão
romana
que
refinha
aságuas
do ribeiro de
Pisôes
..,"40
Os
dois
araueôlogos
verificaram
ainda
aexistência
nas
proximidades
de
pedras
lavradas
ede
pedacos
de
cerômica
da
mesmaépoca.
Este foi
oponto
de
partida
para
uma
pesquisa
metôdica41.
Em
1962,
quando
oProf.
APel Viana
e oDr.
Fernando
Nunes
RiPeiro
(que
mais tarde
veio
a serpresidente
da
Cômara
e
Governador Civil
do Distrito
de
Beja),
sedeslocaram
d
Barragem
de
PisÔes
eterrenos
em seuredor para
aí realizarem
algumas investigapôes,
verificaram
que
cercade
2Ũ0m
para
Sul
da
Parragem,
numapequena
elevacão,
eravisível
uma zona"rica
empedras
ecerômicas romanas" de
fácil
identificacão,
pois
os"imbrices
e
fegulae
Pem
comofundos
de
ônforas
não
permitiam
dúvidas."42.
(Destas
investigapôes
resultaram
algumas
anotacôes
emedidas
que
pensamos,
nuncaterem siao
puPlicaOas).
Mais
tarde,
au/7/a
foi
igualmente
visitaaa
pelos
Drs.
Justino
MenPes
de
Almeida
eFernando BanOeira
Ferreira43.
Os
vestígios
aparentes
das
construcôes
que
formariam
esta
uilla.
demonstraram
que
junto
d
pars
urbana, existiam
algumas dependências
rústicas''-4.
Poucos
anosdepois,
oproprietário
daquelas
terras,
quando procedia
atraPalhos de
lavoura, encontrou três
pesos
enormes com umformato
semelhante
aode outras
pedras
de
lagar,
encontradas
emdiversas
u/7/ae,
com atradicional
forma
tronco-cônica
erespectivos
entalhes,
onae
entravam
as varasde
maaeira
aue
osfaziam
suspenPer
para
espremer
obagaco
da uva45.
A
somar aestes achaaos contam-se
vários
blocos
empedra
de entalhe
regular,
cunhais de
paredes
de
murosde
granaes
aimensôes,
umpequeno
capitel,
umfuste
de coluna
e umamoeaa Oe Pronze Oo
tempo
do
Imperador
Teodôsio46,
dos finais
do
século IVd.C.
(aue, permitiu enpuadrar
cronologicamente
oúltimo
período
haPitável
desta
estacão
arqueolôgica).
Posteriormente,
foram detectaaos outros
achados,
por outro
proprietário,
que, tendo
passado
aadministrar
aherdaae, continuou
aárdua
tarefa de
colaborar
nadesobstrucão
das
terras
eOenunciar todos
osfrogmentos
detectados.
Nesta
sequência,
emFevereiro
Oe
1967, foram
postos
aOescoberto
osprimeiros
fragmentos
de
mosaico. Para
grande
satisfocão
dos
primeiros
"
Rihciro. 1972, p.13
GtiitiTuristii'ode
Reja.
CãinaraMunicipal
deBeja1950aV'ilaRomana de Pisôes>:
Riheiro. 1972. p. 13.
4'
liiveiilário Artíslicode
Poitu.eal.
Vol.l. LisboaMCMXCII.p.122
124."Ribciro.
1972: p. 43""
O
Arqueoloijo
Poitugués.
Seiic III V'ol.l.Lisboal%7: (.)Dláriode Notíciasde2l-2-lyí>7 noiieiouaopinião
deFernandoNunesRihciro seyuniloo<|iĸilcsicslaizaresser\inain parainoeraa/eilona.
*MariaVaraas