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Academic year: 2021

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01/11/2020

Número: 0600945-79.2020.6.09.0000

Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL

Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral Órgão julgador: JOSÉ PROTO DE OLIVEIRA - Juiz de Direito 2 Última distribuição : 31/10/2020

Valor da causa: R$ 0,00

Processo referência: 0600213-92.2020.6.09.0002

Assuntos: Propaganda Política - Propaganda Eleitoral - Horário Eleitoral Gratuito/Inserções de Propaganda

Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? NÃO

Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM Tribunal Regional Eleitoral de Goiás PJe - Processo Judicial Eletrônico

Partes Procurador/Terceiro vinculado

COLIGAÇÃO "PRA GOIANIA SEGUIR EM FRENTE" MDB, PTC, PATRIOTA, REPUBLICANOS, PC do B, PMB e PL (IMPETRANTE)

STEFANIA RODRIGUES DA SILVA (ADVOGADO) ANDRE SOUSA CARNEIRO (ADVOGADO)

COLEMAR JOSE DE MOURA FILHO (ADVOGADO) Juízo da 002 Zona Eleitoral (IMPETRADO)

Procurador Regional Eleitoral de Goiás (FISCAL DA LEI)

Documentos Id. Data da Assinatura Documento Tipo 11561 690 31/10/2020 20:39 Decisão Decisão

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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE GOIÁS

MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL (120) Nº 060094579.2020.6.09.0000 GOIÂNIA -GOIÁS

RELATOR: JUIZ JOSÉ PROTO DE OLIVEIRA

COLIGAÇÃO “PRA GOIÂNIA SEGUIR EM FRENTE” (MDB, PTC, PATRIOTA,

IMPETRANTE:

REPUBLICANOS, PC DO B, PMB E PL)

STEFÂNIA RODRIGUES DA SILVA - OAB/MA Nº 14.599

ADVOGADA:

ANDRÉ SOUSA CARNEIRO - OAB/GO Nº 25.039

ADVOGADO:

COLEMAR JOSÉ DE MOURA FILHO - OAB/GO Nº 18.500

ADVOGADO:

JUÍZO DA 2ª ZONA ELEITORAL DE GOIÂNIA/GO

IMPETRADO:

DECISÃO LIMINAR

Aprecia-se, na espécie, pedido de concessão de liminar em AÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA proposta pela coligação “PRA GOIÂNIA SEGUIR EM FRENTE” (MDB, PTC, PATRIOTA, REPUBLICANOS, PC do B, PMB e PL), contra ato da lavra da Juíza da 2ª Zona Eleitoral de Goiás, com sede em Goiânia/GO, consubstanciado em decisão proferida nos autos da Representação nº 0600213-92.2020.6.09.0002, que determinou, liminarmente, a suspensão de propaganda veiculada pela impetrante na televisão e no rádio.

Consta dos autos que a coligação “GOIÂNIA EM UM NOVO MOMENTO” (PSD, PTB, PSC, PP, PMN, AVANTE e DEM) ajuizou representação em face da impetrante, em razão de suposta veiculação de propaganda irregular, nos termos do art. 74 da Resolução TSE nº 23.610, de 18.12.2019, porque foi apresentado “áudio no qual o candidato adversário

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[VANDERLAN VIEIRA CARDOSO] informa da amizade que possui com Senador Chico Rodrigues (recentemente flagrado com dinheiro nas vestes íntimas em operação da polícia

. federal para combate a corrupção)”

A impetrante alega que possui o direito líquido e certo de divulgar, no horário eleitoral gratuito, mensagem contendo falas reais do candidato adversário, de conhecimento e domínio públicos.

Afirma que sua propaganda veicula informação pública e notória, sem qualquer caráter calunioso ou difamatório que venha a denegrir a imagem de quem quer que seja, estando alicerçada no art. 9º Resolução TSE nº 23.610, de 18.12.2019.

Aduz que a notícia replicada durante o seu horário eleitoral gratuito adquiriu notoriedade nacional, sendo que o próprio candidato adversário admitiu a veracidade do áudio.

Pondera, com base em entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, que “a liberdade de expressão não abarca somente as opiniões inofensivas ou favoráveis, mas também aquelas que possam causar transtorno ou inquietar pessoas, pois a democracia se

”. assenta no pluralismo de ideias e pensamentos

Aponta o dever do Estado de resguardar a liberdade de expressão, sobretudo na propaganda eleitoral, porquanto o seu intuito é informar a população sobre fatos e opiniões dos candidatos, sendo possível fazer críticas ácidas e expor fatos verídicos da vida do opositor político.

Invoca, por conseguinte, o princípio da intervenção mínima do Poder Judiciário no conteúdo da propaganda eleitoral, para pleitear a devolução do seu direito de publicar a mensagem suspensa.

Ao final, requer a concessão de medida liminar para que, após revogada a decisão proferida, seja reconhecida a legalidade da propaganda eleitoral questionada, bem como autorizada a sua veiculação.

Sustenta a presença, na hipótese, do periculum in mora e do fumus boni juris

ensejadores da concessão de liminar, subsumidos nos seguintes motivos: a) exiguidade do prazo para a realização de atos de propaganda eleitoral; e b) plausibilidade das razões invocadas.

A inicial encontra-se instruída com documentos (ID 11528090).

É o sucinto relatório. Decido.

De início, convém pontuar que, “na ausência de recurso para impugnar decisão interlocutória em representação eleitoral, admite-se, em situações excepcionais, o mandado de ( Ac. nº 15348/2014, Rel. Juiz AIRTON FERNANDES DE CAMPOS, DJ segurança” TRE/GO,

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De fato, a inexistência de recurso específico, destinado a impugnar decisão interlocutória proferida em sede de representação, autoriza o conhecimento do presente

. Nesse sentido:

mandamus

MANDADO DE SEGURANÇA. NOTÍCIA DE IRREGULARIDADE. PODER DE POLÍCIA. LIMINAR. APREENSÃO DE MATERIAL DE PROPAGANDA. REGULARIDADE. INDICAÇÃO DOS REQUISITOS DO ART. 16, § 1º, DA RESOLUÇÃO TSE 23.551/2017. CONTEÚDO QUE DIVULGA REALIZAÇÕES DO CANDIDATO. REGULARIDADE. CONCESSÃO DA SEGURANÇA. LIBERAÇÃO DO MATERIAL.

1. É cabível o mandado de segurança em face de decisões interlocutórias proferidas em representações por propaganda irregular, quando violado direito líquido e certo do impetrante, . porquanto as partes não dispõem de outro remédio para salvaguardar pretensões urgentes Precedentes desta Corte Eleitoral.

2. Material de propaganda que contém os requisitos formais do art. 16, § 1º, da Resolução TSE n. 23.551/2017 e cujo conteúdo veicula as realizações do candidato enquanto agente político mostra-se lícito, tratando-se de ferramenta inerente ao debate eleitoral. Precedentes desta Corte Eleitoral e do C. TSE.

3. Segurança concedida.

4. Material de propaganda liberado.

(TRE/PR, Ac. nº 54262, Rel. Juiz PAULO AFONSO DA MOTTA RIBEIRO, publicado na sessão de 27.9.2018, g.)

Assentado o cabimento do writ, são requisitos para a concessão de liminar, em mandado de segurança, a presença do fumus boni iuris e do periculum in mora.

Insurge-se o impetrante contra ato da Magistrada da 2ª Zona Eleitoral de Goiânia/GO que, em sede de liminar, determinou a suspensão de propaganda eleitoral por ele veiculada, contendo o seguinte trecho, in verbis:

“Nos últimos dias os veículos de comunicação trataram com estardalhaço a defesa que o senador Vanderlan fez de seu amigo, o Senador Chico Rodrigues, que foi pego pela Polícia Federal com dinheiro na cueca. O senador somente defendeu o colega, veja o que ele disse: Gravação de Vanderlan: Conheço Chico Rodrigues há mais de 30 anos, quando cheguei em Roraima, nos anos 80. Não tem nada que desabone a conduta do senador Chico Rodrigues” Impende registrar que os limites da propaganda eleitoral estão descritos no art. 53 da Lei nº 9.504, de 30.9.1997 (Lei das Eleições), litteris:

Art. 53. Não serão admitidos cortes instantâneos ou qualquer tipo de censura prévia nos programas eleitorais gratuitos.

§ 1º É vedada a veiculação de propaganda que possa degradar ou ridicularizar , sujeitando-se o partido ou coligação infratores à perda do direito à veiculação de candidatos

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§ 2º Sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior, a requerimento de partido, coligação ou candidato, a Justiça Eleitoral impedirá a reapresentação de propaganda ofensiva à

. honra de candidato, à moral e aos bons costumes (Destaquei)

Ora, em análise perfunctória do teor da propaganda eleitoral hostilizada, não se percebe qualquer violação ao bem jurídico salvaguardado pela norma de regência, eis que o candidato não teve a sua imagem degradada ou ridicularizada.

Além disso, a mensagem transmitida não foi ofensiva à honra, à moral e aos bons costumes.

Depreende-se, ainda, do conteúdo impugnado, que a fala do candidato foi noticiada por grandes veículos de imprensa, e sua veracidade foi confirmada pelo próprio autor do áudio, de modo que não se trata de propaganda com teor inverídico.

Incide, na espécie, o disposto no art. 41 da Lei das Eleições, porquanto a propaganda eleitoral exercida nos termos da legislação eleitoral não poderá ser cerceada sob o fundamento do exercício do poder de polícia, veja-se:

Art. 41. A propaganda exercida nos termos da legislação eleitoral não poderá ser objeto ou de violação de de multa nem cerceada sob alegação do exercício do poder de polícia

postura municipal, casos em que se deve proceder na forma prevista no art. 40. (Original sem grifos)

A par disso, há precedente do Tribunal Superior Eleitoral que sufraga o entendimento aqui adotado, ipsis verbis:

ELEIÇÕES 2018. RECURSO INOMINADO. REPRESENTAÇÃO. DIREITO DE RESPOSTA. INSERÇÕES. VEICULAÇÃO. EMISSORAS DE TELEVISÃO. DESPROVIMENTO.

1. Na linha de entendimento desta Corte, o exercício do direito de resposta é viável apenas quando for possível extrair, das afirmações apontadas, fato sabidamente inverídico apto a ofender, em caráter pessoal, o candidato, partido ou coligação. Precedente.

2. Conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), a “liberdade de expressão constitui um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática e compreende não somente as informações consideradas como inofensivas, indiferentes ou favoráveis, mas também as que possam causar transtornos, resistência, inquietar pessoas, pois a Democracia somente existe baseada na consagração do pluralismo de ideias e pensamentos políticos, filosóficos, religiosos e da tolerância de opiniões e do espírito (ADI no 4439/DF, rel. Min. Luís Roberto Barroso, rel. p/ ac. Min. aberto ao diálogo”

Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, DJe de 21.6.2018).

3. A propaganda questionada localiza–se na seara da liberdade de expressão, pois enseja crítica política afeta ao período eleitoral. Cuida-se de acontecimentos amplamente divulgados pela mídia, os quais são inaptos, neste momento, a desequilibrar a disputa Em exame acurado, trata-se de declarações, cuja contestação deve emergir do eleitoral.

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4. Recurso desprovido.

(TSE, Representação nº 060105416, Rel. Min. Sérgio Silveira Banhos, publicado na sessão de 18.9.2018, g.)

Portanto, presente está o requisito consubstanciado na existência dofumus boni iuris.

Em outro giro, tendo em vista a exiguidade do período de propaganda eleitoral, bem como a proximidade da data marcada para a realização das Eleições de 2020, patente é a presença do periculum in mora.

Nesse cenário, em sede de cognição sumária, vislumbro a presença dos requisitos autorizadores da concessão de liminar.

, a liminar pleiteada, nos termos do art. 7º, III, da Lei nº

Ex positis CONCEDO

12.016, de 7.8.2009[1],, para suspender os efeitos da decisão proferida no bojo dos autos nº 0600213-92.2020.6.09.0002, e autorizar a veiculação da propaganda objeto do presente

.

mandamus

Determino seja a autoridade acoimada de coatora notificada para prestar, no prazo de 2 (dois) dias, as informações que reputar convenientes.

A redução do prazo estipulado pelo art. 7º, I, da Lei nº 12.016, de 7.8.2009, justifica-se em razão da urgência da questão, ante a proximidade do término do prazo para a divulgação de propaganda eleitoral.

Cumpra-se o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 12.016, de 7.8.2009.

Em seguida, dê-se vista dos autos ao douto Procurador Regional Eleitoral, pelo prazo de 24 (vinte e quatro) horas.

Após, encaminhe-se o feito ao Relator, Juiz Membro José Proto de Oliveira, por se tratar de decisão proferida durante plantão regulamentar.

Intimem-se.

Goiânia, 31 de outubro de 2020.

Desembargador Luiz Eduardo de Sousa Relator

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[...]

III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir

impugnado puder resultar a ineficácia da medida,

Referências

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