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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 número3

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2004; 50(3): 229-51 247

D

iscussão de caso

Paciente masculino, 41 anos, branco, apresentando dor lombar bilateral há oito me-ses. Após três meses, notou edema de mem-bros inferiores evoluindo para anasarca. Ante-cedente de traumatismo renal por trauma automobilístico há 17 anos, sendo instituído tratamento conservador. Exames laborato-riais evidenciaram uréia de 190 mg/dl e creatinina sérica de 17 mg/dl, sendo instituída hemodiálise de urgência. A ecografia renal revelou discreta dilatação pielocalicial à direita e moderada à esquerda. Realizada ressonância magnética que evidenciou extensa placa fibró-tica retroperitoneal, com proliferação de par-tes moles, captante de contraste, envolvendo a aorta, veia cava, vasos ilíacos e causando encarceramento ureteral bilateral (Figuras 1 e 2) sugestivo de fibrose retroperitoneal.

Realizou-se desobstrução ureteral endos-cópica bilateral com cateter duplo jota, com resolução do quadro doloroso, sendo pro-posto ureterólise por via lapa roscópica. O tratamento foi realizado em dois tempos operatórios distintos, sendo realizada bióp -sia de congelação intra-operatória, a qual não revelou presença de neo plasia. Após liberação do ureter, procedeu-se a intraperi-tonização do mesmo com retalho de grande omento. O paciente recebeu alta no segundo dia pós-operatório de cada procedimento,

FIBROSE RETROPERITONEAL: TRATAMENTO

VIDEOLAPAROSCÓPICO

com creatinina de 1,8 mg/dl e uréia de 38 mg/dl. Exame histopatológico foi compatível com fibrose retroperitoneal (FR) idio -pática. Os cateteres ureterais foram retira-dos após duas semanas da segunda cirurgia e o paciente encontra-se em acompanha-mento ambulatorial há 1,5 ano, sem evi-dências de recidiva e com níveis de uréia e creatinina normais.

DISCUSSÃO

Fibrose retroperitoneal (FR) é doença rara, predominante em homens (3:1). A etio-patogenia permanece incerta, apesar da res-posta inflamatória sugerir processo imune. A doença pode ser secundária a neoplasias, agentes infecciosos e uso de medicamentos como a metisergida. Os principais sintomas são relacionados ao trato urinário.

O acometimento retroperitoneal, às ima-gens radiológicas, estende-se do hilo renal até a borda da pelve. A urografia excretora demonstra retardo da eliminação do contraste, hidronefrose e desvio medial dos ureteres. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para o diagnóstico, sendo a ressonância magnética utilizada nos casos que se apresen-tam com insuficiência renal. Para o traapresen-tamento clínico, as drogas mais utilizadas são os corti -coesteróides, como a prednisolona. Drogas

imunossupressoras têm sido empregadas como a ciclofosfamida, metotrexato e o tamoxifeno.

Muitas vezes o tratamento cirúrgico se impõe sendo este de elevada morbidade. Este consiste na exploração abdominal, realização de biópsias e ureterólise, sendo efetivo em 90% dos casos. No intuito de dimimuir a morbidade do tratamento ci-rúrgico, a videolaparoscopia apresenta-se como alternativa. promovendo menor dor pósoperatória, menor tempo de inter -nação e de convalescência, bem como melhor resultado cosmético.

Desta forma, a FR primária ou secun dária é entidade rara. Quanto ao trata -mento clínico, não se sabe ainda seus reais benefícios. O uso da laparoscopia para rea-lização da ureterólise demonstra-se uma excelente alternativa, permitindo adequado diagnóstico e tratamento, com dimi -nuição da morbidade do procedimento.

THAIS ALENCAR PINTO DOS SANTOS,

ROBERTO RIBEIRO MAROCCOLO, FERNANDO AUGUSTO FERREIRA DIAZ,

EDUARDO CARVALHO RIBEIRO,ROMULO

MAROCCOLO FILHO

SERVIÇO DE UROLOGIA, HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA (HUB), UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UNB), BRASÍLIA – DF

Figura 2 – Extensão da placa fibrótica retroperitoneal com acometimento dos grandes vasos e dos ureteres Figura 1 – Ressonância magnética evidenciando dilatação

Imagem

Figura 2 – Extensão da placa fibrótica retroperitoneal com acometimento dos grandes vasos e dos ureteresFigura 1 – Ressonância magnética evidenciando dilatação

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