PROGRAMA DE APRIMORAMENTO PROFISSIONAL SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE COORDENADORIA DE RECURSOS HUMANOS

Texto

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PROFISSIONAL

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE COORDENADORIA DE RECURSOS HUMANOS FUNDAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ADMINISTRATIVO -

FUNDAP

GABRIELA CORADI GARCIA

Avaliação do desempenho funcional e da qualidade de vida em pacientes com osteoartrite de joelho

submetidos a protocolo de fortalecimento e treino sensório-motor: Resultados a curto-prazo

RIBEIRÃO PRETO 2013

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PROFISSIONAL

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE COORDENADORIA DE RECURSOS HUMANOS FUNDAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ADMINISTRATIVO –

FUNDAP

GABRIELA CORADI GARCIA

Avaliação do desempenho funcional e da qualidade de vida em pacientes com osteoartrite de joelho submetidos a protocolo de fortalecimento e treino sensório-motor: Resultados a curto-prazo

Monografia apresentada ao Programa de Aprimoramento Profissional/CRH/SES-SP e FUNDAP, elaborada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP/

Departamento de Fisioterapia.

Área: Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia

Orientadora: Aline Miranda Ferreira

Supervisor(a) Titular: Marisa de Cássia Registro Fonseca

RIBEIRÃO PRETO 2013

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desde que citada à fonte.

TOMBO SYSNO

Garcia, Gabriela Coradi.

A utilização de Avaliação do desempenho funcional e da qualidade de vida em pacientes com osteoartrite de joelho submetidos a protocolo de fortalecimento e treino sensório-motor: Resultados a curto-prazo. Gabriela Coradi Garcia; Orientadora: Aline Miranda Ferreira.

Trabalho de Conclusão de Curso – Programa de Aprimoramento Profissional

Osteoartrite de joelho. Fisioterapia. WOMAC. Teste de Caminhada de 6

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A osteoartrite (OA) progride lentamente, e pode causar dor, rigidez e instabilidade articular, deformidades, edema articular e fraqueza muscular, todos os quais podem levar a função física prejudicada e redução da qualidade de vida. O declínio funcional, o risco aumentado de quedas e a presença de dor estão relacionados à fraqueza muscular ocasionada pela OA, especialmente a fraqueza dos músculos quadríceps. Estudos referem melhora clínica da dor e função muscular através do tratamento fisioterapêutico, porém, ainda não estão bem estabelecido quais técnicas apresentam melhores benefícios.Objetivos: avaliar o desempenho funcional, muscular e do impacto na qualidade de vida em pacientes com OA de joelho, após protocolo de intervenção fisioterapêutica conduzido no Centro de Reabilitação - CER do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – HCFMRP/USP.Materiais e Métodos: 35 sujeitos (11 homens; 24 mulheres) foram submetidos a um protocolo de exercícios baseado em exercícios para fortalecimento muscular, treino funcional e sensório-motor durante oito semanas. Resultados:Pode-se observar melhora significativa no desempenho dos testes de funcionalidade, na força muscular dos extensores de joelho e na redução do escore final questionário de qualidade de vida (p ≤ 0,05). O nível de dor e fadiga durante o repouso e pós-esforço não obteve diferença estatísticasignificativa (p ≥ 0,05).Conclusão:O protocolo de intervenção fisioterapêutica conduzido com exercícios para fortalecimento muscular, treino funcional e sensório-motor teve resultados satisfatórios na melhora da força muscular e consequentemente a funcionalidade e qualidade de vida dos sujeitos com OA.

Palavras-chave: Osteoartrite de joelho. Fisioterapia. WOMAC. Teste de Caminhada de 6 Minutos. Timed Up and Go. Célula de Carga

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1. Introdução ... 5

1.1 Objetivos ... 7

1.2 Hipótese ... 7

2. Metodologia ... 8

2.1 Protocolo de intervenção fisioterapêutica ... 8

2.2 Avaliação pré e pós-intervenção ... 9

2.3 Análise estatística ... 11

3. Resultados ... 12

4. Discussão ... 16

5. Conclusão ... 20

6. Referências ... 21

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1. Introdução

A osteoartrite (AO) é uma doença heterogênea crônica que envolve a cartilagem articular, o osso subcondral, meniscos e tecidos moles periarticulares como a membrana sinovial. (PELLETIER).

A prevalência de osteoartrite é maior entre as mulheres com idade superior a 50 anos (SILVA, 2011). Progride lentamente, e pode causar dor, rigidez e instabilidade articular, deformidades, edema articular e fraqueza muscular, todos os quais podem levar a função física prejudicada e redução da qualidade de vida (PAGE, 2011; SILVA, 2011).

Pode ser classificada em primária (idiopática) ou secundária. Vários fatores podem influenciar o início ou progressão, como mudanças metabólicas, fatores genéticos e hormonais, processos inflamatórios articulares, relacionando tambem idade, genero, obesidade, trauma prévio, mau alinhamento (genu varo ou valgo), malformação congenita e o estado dos tecidos articulares (SANTOS, 2011; MICHAEL et al, 2010).

O diagnóstico é feito a partir da história clínica, exame físico e diagnóstico por imagem – radiografias. (MICHAEL et al, 2010). Os pacientes queixam-se frequentemente de dor ao movimento e rigidez articular durante a manhã, e redução das atividades funcionais (MENDES et al, 2010; MICHAEL et al, 2010).

O declínio funcional, o risco aumentado de quedas e a presença de dor estão relacionados à fraqueza muscular ocasionada pela OA, especialmente a fraqueza dos músculos quadríceps e isquiotibiais. Dor e eventuais episódios de efusão articular podem levar a uma inibição da unidade motora, resultando em uma diminuição da ativação muscular e, portanto, redução na força e na velocidade de contração muscular comprometendo as atividades de locomoção (SILVA, 2012) e o aumento do gasto energético durante a deambulação. O comprometimento da função muscular pode afetar significativamente a qualidade de vida dos idosos, levando a dificuldades na realização das

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atividades cotidianas e, muitas vezes, tornando-os dependentes do auxílio (SANTOS, 2011).

As queixas de dificuldades funcionais dos pacientes podem estar relacionadas com fatores objetivos – velocidade de desemprenho motor, quanto a fatores subjetivos – intensidade da dor na realização de atividades motoras.

Os tratamentos para a OA de joelho são basicamente sintomáticos, tendo três objetivos: aliviar a dor; reduzir a incapacidade funcional e a progressão da patologia. Pode ser farmacológico, conservador ou cirúrgico.

As atividades mais comumente relatadas como difíceis pelos indivíduos com OA incluem caminhada, subida e descida de degraus e transferências.

Sendo assim, é de grande relevância ter esses componentes tanto na reabilitação quanto na avaliação, para que se possa acompanhar a evolução desses pacientes (MENDES, et al, 2010).

Atualmente, tem se dado grande ênfase aos tratamentos conservadores, que incluem protocolos educacionais, modalidades terapêuticas, exercícios terapêuticos e proteção articular, além de priorizar uma avaliação detalhada e minuciosa para uma adequada abordagem fisioterapêutica, ocasionam grandes benefícios para essa população, em termos de prevenção, manutenção e reabilitação (SILVA, 2012).

Segundo o Painel de Otawa em 2012, a atividade física dinâmica, com uma intensidade suficientepara melhorar a capacidade aeróbica e força muscular, estabelece melhor estado funcional entre os indivíduos com osteoartrose (LOEW et al, 2012).

Estudos referem melhora clínica da dor e função muscular através do tratamento fisioterapêutico, tanto com terapias convencionais quanto com terapias manuais, porém seus benefícios ainda não são bem definidos e se faz necessários novos estudos (SILVA, 2012; ABBOTT, 2009).

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1.1 Objetivos

O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho funcional, muscular e do impacto na qualidade de vida em pacientes com OA de joelho, após protocolo de intervenção fisioterapêutica conduzido no Centro de Reabilitação - CER do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – HCFMRP/USP.

1.2 Hipótese

O tratamento consistiu em exercícios de alongamento, fortalecimento, propriocepção e treino de atividades funcionais, com a hipótese de que tal intervenção pode melhorar a força muscular, e consequentemente a funcionalidade e qualidade de vida dos sujeitos com OA.

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2. Metodologia

A amostra foi composta por pacientes de ambos os sexos encaminhados pelo ambulatório de ortopedia do HCRP/USP com diagnóstico de osteoartrite de joelho ao setor de fisioterapia do CER entre agosto de 2010 e julho de 2012.

Foram excluídos pacientes com outras doenças articulares (artrite reumatoide, poliartrite), graves comorbidades - hipertensão arterial sistólica grave (HAS), diabetes não controlada, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), problemas neurológicos, índice de massa corporal (IMC) acima de 37.

2.1 Protocolo de intervenção fisioterapêutica

A abordagem fisioterapêutica se desenvolveu em um período de oito semanas, em dezenove encontros, sendo o primeiro para a avaliação. Do segundo ao décimo sétimo foram submetidos a quinze sessões de exercícios terapêuticos, constituídos de fortalecimento muscular, treino de atividades funcionais e exercícios proprioceptivos (Tabela 1). O décimo nono encontro foi dedicado à reavaliação.

1° FASE (1° a 4°) 2° FASE (5° a 9°) 3° FASE (10° a 15°) Aquecimento Bicicleta ergométrica Bicicleta

ergométrica

Bicicleta ergométrica/

esteira Alongamento - Quadríceps

-Cadeira posterior MMII

Orientações para domicilio

Orientações para domicilio

Fortalecimento 30% da RM

-Isometria adutores e abdutores

- SLR de flexão - Flexão de joelho -CCA de quadríceps

50% da RM

- SLR de flexão - SLR de abdução - CCA de

quadríceps

- Flexão de joelho

70% da RM - SLR de flexão - SLR de abdução - CCA de quadríceps

Treino Funcional - Sentar e levantar de cadeira alta - Extensão de joelho e quadril com

- Sentar e levantar de cadeira baixa - Subir e descer degraus

- Mini agachamento com elevação MMSS e medicine Ball

- Subir e descer degraus

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resistência elástica - Marcha com obstáculos

segurando bandeja com uma bola em cima - Caminhar pegando objetos no chão (avanço dinâmico)

- Agachamento com rotação de tronco e medicine Ball Treino de

equilíbrio

- Apoio unipodal - Caminhar em superfície instável

- Apoio unipodal sem contato visual - Balancinho bipodal

- Balancinho unipodal - Andar sobre linha encostando um pé no outro durante a marcha Resfriamento Elevar MMSS com

dedos entrelaçados (15 seg.)

Elevar MMSS com dedos entrelaçados (15 seg.)

Elevar MMSS com dedos entrelaçados (15 seg.)

Tabela 1. Protocolo de intervenção fisioterapêutica 2.2 Avaliação pré e pós-intervenção

Todos os pacientes foram submetidos a uma avaliação clínica no início e após a intervenção. A avaliação foi constituída de uma entrevista individual, exame físico, avaliação da qualidade de vida através de questionário específico, avaliação da capacidade funcional e força muscular extensora dos joelhos por um dinamômetro isométrico.

A avaliação da qualidade de vida dos pacientes com OA de joelho foi realizada por meio da aplicação do questionário WOMAC, que avalia dor, rigidez e atividades funcionais. O escore traduz a gravidade dos sintomas, e varia em 0 – nenhum, 25 – pouco, 50 – moderado, 75 – intenso e 100 – muito intenso. Cada dimensão foi avaliada e em seguida realizado a somatória, o que gera uma pontuação global. Essa pontuação foi dividida por 24, resultando no escore final.

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A avaliação da capacidade funcional dos pacientes com OA de joelho foi realizada mediante a aplicação do teste de caminhada de 6 minutos (TC6M) e o “Timed up and go” (TUG). O primeiro foi realizado em uma pista de 30 metros, sendo considerada uma volta completa o percurso de ida e volta, totalizando 60 metros. O indivíduo percorreu o trajeto caminhando rápido durante 6 minutos, totalizando o maior percurso possível. O TUG foi realizado duas vezes, a primeira para treinamento e compreensão do teste, a segunda como teste. Consistiu em cronometrar o tempo gasto na tarefa de levantar-se de uma cadeira (a partir da posição encostada), andar 3 metros até um demarcador no solo, girar e voltar andando no mesmo percurso, sentando-se novamente com as costas apoiadas no encosto da cadeira. Foram utilizadas as escalas subjetivas de Borg, para quantificar o esforço e a Escala Visual Analógica (EVA), para a dor. As coletas das sensações de dor e cansaço foram realizadas durante o repouso e após os testes de avaliação da capacidade funcional.

Para a mensuração da força extensora do joelho foi utilizada uma célula de carga (Miotec®), fixada a uma mesa flexo-extensora e conectada ao módulo condicionador de sinais, que possibilitou a avaliação da força de tração em kilograma-força, para o movimento de extensão do joelho. O exame constituiu com 3 contrações isométricas voluntárias máximas (CIVM) a 90°, por 4 segundos para ambos os membros inferiores com repouso de 2 minutos entre elas. Para a análise estatística foi utilizado o maior valor obtido entre as 3 contrações máximas.

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Figura 1. Célula de carga conectada ao módulo condicionador de sinais.

2.3 Análise estatística

A análise estatística foi realizada por meio da verificação da normalidade dos valores dos dados submetidos, através do método de Kolmogorov – Smirnov (distância de 0,15). Após, para as variáveis que apresentaram valores de normalidade, foi aplicado o Teste T pareado, com nível de significância de 5% (p<0.05), e somente a variável Borg Inicial utilizou o teste não paramétrico Wilcoxon.

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3. Resultados

Foram recrutados 35 participantes, 11 do gênero masculino e 24 do gênero feminino, com idade média dos participantes de 63,8 anos (máxima 82 e mínima 45). Em relação ao acometimento da osteoartrite dos joelhos dos pacientes, 18 apresentavam osteoartrite bilateral, 10 apresentavam no joelho direito e 7 no joelho esquerdo.

A tabela abaixo (Tabela 2) mostra os resultados das variáveis pré e pós- intervenção. Pode-se observar melhora significativa no desempenho dos testes de funcionalidade (TUG e TC6M), na força muscular dos extensores de joelho (CCQ D e E) e na redução do escore final questionário de WOMAC (Fig. 3, 4, 5 e 6).

As variáveis EVA e Borg repouso e pós-esforço apresentou leve melhora da redução do nível de dor, porém, a diferença estatística não foi significativa (Fig.2).

Figura 2- Resultado das variáveis Borg e EVA pré e pós-intervenção.

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

EVA I EVA F BORG I BORG F

PRÉ PÓS

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Tabela 2 – Dados descritivos das variáveis

Variável Valores Avaliação Pré tratamento

Avaliação Pós Tratamento

Diferença entre os

grupos Borg Inicial Min.

Max.

Média±dp

0,000 7,000

1,515±1,994

0,000 6,000

1,559±1,886

p=0,8736

Borg Final Min.

Max.

Média±dp

0,000 8,000

4,368±2, 672

0,000 10,000 4,412±2,231

p=0,9177

EVA inicial Min.

Max.

Média±dp

0,000 10,000 3,629±3,424

0,000 9,500

2,494±2,732

p= 0,0504

EVA final Min.

Max.

Média±dp

0,000 10,000 5,063±3,016

0,000 10,000 4,294±3,085

p=0,7686

WOMAC Min.

Max.

Média±dp

9,375 88,540

57,271±19,759

3,125 78,125

47,750±21,059

p= 0,0108

TUG Min.

Max.

Média±dp

7.000 20.100

10.848±3.267

5.850 16.000 9.747± 2.374

p=0,0111

TC6M Min.

Max.

Média±dp

204.00 564.00

387.94± 92.880

219.50 599.52

428.98± 91.098

p=0,0006

CCQ D Min.

Max.

Média±dp

1.700 47.500

17.619±13.719

0.000 73.500

23.059±19.736

p=0,0054

CCQ E Min.

Max.

Média±dp

1.700 67.100

19.216± 16.278

1.900 89.800

24.438±21.147

p=0,0051

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.

Figura3- Resultados da variável TUG pré e pós-intervenção

Figura4- Resultado da variável TC6M pré e pós-intervenção.

9 9,5 10 10,5 11

PRÉ PÓS

TUG

TUG

360 370 380 390 400 410 420 430

PRÉ PÓS

TC6M

TC6M

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.

Figura5- Resultado da variável WOMAC pré e pós-intervenção.

Figura 5- Resultados das variáveis CCQ D e Epré e pós-intervenção.

42 44 46 48 50 52 54 56 58

PRÉ PÓS

WOMAC

WOMAC

0 5 10 15 20 25

PRÉ PÓS

CCQ D CCQ E

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4. Discussão

O presente estudo procurou compreender a influência de um programa de intervenção fisioterapêutica baseado em exercícios de fortalecimento e treino sensório-motor sobre a qualidade de vida e o nível dos sintomas em pacientes com osteoartrite de joelho. Os resultados obtidos confirmam a hipótese inicial. Após a intervenção fisioterapêutica o grupo apresentou melhora estatisticamente significante da funcionalidade e da força muscular do membro acometido, entretanto manteve o nível de dor e fadiga aos esforços.

Silva (2012) realizou um estudo comparando um grupo de tratamento com exercícios convencionais (bicicleta ergométrica; alongamentos; exercícios isométricos de quadril, joelho e tornozelo; treino sensório motor e ultrassom) com um grupo de exercícios funcionais (caminhada; alongamentos e exercícios funcionais para força muscular dos MMII num circuito simulando as atividades funcionais). O tratamento percorreu por 20 sessões, sendo a primeira e a última para a avaliação. Nesta foi utilizado o WOMAC, com diferença estatística para o grupo funcional, TUG e escala de Berg – com resultados positivos, porém sem diferenças estatísticas; os pacientes obtiveram melhora significante na flexibilidade e dor após o programa de exercícios convencionais.

Ferrucci et al.(1999), ao investigar um grupo de pacientes com OA, verificaram a diminuição da força dos músculos quadríceps e isquiotibiais como determinantes na evolução da OA e suas incapacidades. Em nosso estudo, o programa de intervenção fisioterapêutica proposto melhorou significativamente a força do músculo quadríceps. O mecanismo extensor do joelho é importante para atividades como caminhar e subir escadas, e a redução da força desse músculo afeta diretamente a funcionalidade (O’REILLY ET AL., 1998).

Os estudos de Huang (2003) e Fisher (1991) mostram que exercícios isotônicos e isocinéticos melhoram a velocidade do andar e a funcionalidade do joelho. Hurley (1997) refere que a OA gera danos aos mecanorreceptores articulares, reduz a excitabilidade e diminui a foça muscular e sensibilidade, e consequentemente, diminui a acuidade proprioceptiva. A deficiência e desempenho funcional foram piores para os pacientes com OA, pois são fortemente influenciados pela fraqueza do quadríceps. À medida que o quadríceps é importante para a estabilidade funcional do joelho o seu

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comprometimento vai reduzir a função sensório-motora, o que gera fraqueza, instabilidade articular e prejuízo à mobilidade.

Huang, 2003, realizou um estudo comparando o efeito de exercícios isométricos, isotônicos e isocinéticos em pacientes com OA num período de 8 semanas, com 3 sessões na semana. Foram realizadas avaliações pré e pós- tratamento com follow-up de um ano, consistindo na dinamometria isocinética do quadríceps, EVA e o questionário de incapacidade Lequesne. Houve melhora significativa da dor e incapacidade, tanto no período pós-tratamento quanto no follow-up. Segundo o autor, os exercícios isotônicos foram sugeridos para fortalecimento inicial, para indivíduos com dor no joelho, e os isocinéticos sugeridos para melhorar a estabilidade da articulação ou a resistência durante atividades funcionais. Estudos randomizados em pacientes com OA do joelho demonstram que o fortalecimento da musculatura do quadríceps com exercícios isométricos ou isotônicos foi associado à melhora significativa na força do quadríceps, da dor no joelho e aperfeiçoar a função (BAAR, 1998;

FRANSEN, 2001). Fransen (2001) mostra em sua revisão sistemática que o tempo para a intervenção fisioterapêutica varia entre os estudos, porém o período de oito semanas vem sendo o mais utilizado. Alguns estudos utilizam o período de quatro semanas e outros até doze semanas.

Segundo a revisão de Chapple (2011), osteoartrite (OA) contribui com dor significativa e incapacidade em indivíduos. O estudo de O’Reilly et al.(1998), demonstrou uma correlação inversa da força muscular do quadríceps em indivíduos com OA de joelho, o relato de dor e a incapacidade funcional.

Tanto a força do quadríceps quanto o seu nível de ativação foram significativamente mais baixos nos indivíduos com queixa de dor. Foi observado também que, no grupo com dor comparado ao grupo controle, a incapacidade funcional foi inversamente associada à força muscular do quadríceps. Em nosso estudo foi visto positividade na variável dor (EVA), no entanto sem diferenças estatísticas. Porém, as escalas são meios subjetivos para a avaliação dos sintomas.

O painel de Ottawa (2012), que realizou uma revisão com sete artigos de alta qualidade, descreveu que um programa de caminhada aeróbica, entre 2 a 6 meses, com outras terapias são intervenções eficazes em curto prazo para

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melhorar a rigidez, força, mobilidade e resistência. Além disso, as maiores melhorias foram encontradas para diminuição da dor, melhora da qualidade de vida e estado funcional. O protocolo de intervenção adotado em nosso estudo utilizoua caminhada em esteira somente na terceira fase do tratamento (10° a 15° sessões).

Smith (2012) apresenta em sua revisão sistemática sete estudos comparando o tratamento convencional com os exercícios proprioceptivos.O período de acompanhamento variou de quatro semanas a cinquenta e duas semanas. Foram utilizados para a avaliação o questionário WOMAC, caminhada e escada cronometradas. As intervenções proprioceptivas se basearam em atividades funcionais – ortostatismo, deambulação e equilíbrio.

Os resultados desta análise indicam que os exercícios proprioceptivos são eficazes no tratamento da OA do joelho, porém quando comparado com o programa de exercícios convencionais, os resultados são semelhantes.

Deyle (2000) a combinação de fisioterapia manual (em coluna lombar, quadril, joelho e tornozelo) e exercícios (fortalecimento e alongamento) supervisionados melhoram em longo prazo a funcionalidade e qualidade de vida dos pacientes com osteoartrite de joelho. O estudo de Jansen (2011) teve como objetivos examinar os efeitos diferenciais do treino de força, da terapia com exercícios (treino de força, exercícios para amplitude do movimento e atividade aeróbica) e terapia manual passiva. Foram avaliadas as medidas de dor e função física por meio do WOMAC, índice Lequesne e EVA. Na meta- regressão, houve diferença significativa para a terapia de exercícios e para a terapia manual em comparação ao outro grupo.

Nosso estudo apresentou significância após o teste funcional TUG.Segundo Podsiadlo e Richardson (1991), o tempo normal para a realização da tarefa por adultos saudáveis são 10 segundos, onde os valores entre 11 a 20 segundos são os limites normais de tempo para idosos frágeis ou pacientes deficientes e mais de 20 segundos é considerado um valor indicativo da necessidade de intervenção adequada. Aqueles que demoram mais de 30 segundos para a execução do teste, tendem a ser mais dependentes. Portanto os indivíduos que receberam nosso protocolo de exercícios saíram da qualidade de idosos frágeis (média de 10,848 segundos) para idosos saudáveis

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(média de 9,747 segundos). O protocolo mostrou-se eficaz também em relação ao TC6M, com o aumento da quantidade de metros percorridos. Os instrumentos mais utilizados para avaliar a mobilidade em pessoas com OA de joelho são o TC6M e o TUG por serem confiáveis, de baixo custo e amplamente utilizados na literatura (MALY, 2006).

Lange, 2008, afirma, após uma revisão de 18 estudos, que a literatura apresenta muitos relatos da eficácia do treinamento de resistência muscular em pacientes com OA de joelho; 75% dos estudos revisados apresentavam melhora significativa dos sintomas, da função física e resistência, mas não foi possível afirmar uma melhora na qualidade de vida. O questionário WOMAC é o mais utilizado para avaliar a dor associada com OA e é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a progressão da doença.

Trata-se de uma medida de dor específica de uma doença, sendo mais apropriada porque questiona a dor durante a realização de atividades específicas em que ela aparece (MENDES, 2010). No presente estudo, após o tratamento com exercícios de força muscular e treino sensório motor, os indivíduos com OA apresentaram significativa melhora da variável WOMAC, com redução do score ao final do tratamento. Jansen (2011), King (2012), Deyle (2000), Fransen (2001) também mostram melhora da qualidade de vida através do questionário WOMAC após intervenções utilizando exercícios de fortalecimento e atividades funcionais.

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5. Conclusão

Os resultados permitem concluir que o protocolo de intervenção fisioterapêutica conduzido com exercícios para fortalecimento muscular, treino funcional e sensório-motor é satisfatório, em curto prazo, na melhora da força muscular e consequentemente na funcionalidade e qualidade de vida dos sujeitos com OA.

É preciso salientar que os resultados apresentados podem não refletir os reais benefícios dos exercícios propostos neste estudo devido ao curto prazo de acompanhamento. São necessários estudos Coorte prospectivos com follow up maiores e/ou ensaios clínicos randomizadospara comprovar os resultados alcançados.

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6. Referências

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