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Demétrio Costa

médico-veterinário Francis- co Camacho, executivo em indústrias voltadas à saú- de animal até por volta do ano 2000, desde então mu- dou de vez de lado do balcão para se tor- nar, hoje, referência na terminação de bo- vinos. No ano passado, com os reflexos da pandemia e da suspensão dos embarques de carne para a China no último trimestre, sua LFPec mandou para o abate 85 mil cabeças.

Para este ano, porém, a meta já é chegar a 120 mi e alcançar 200 mil em 2030. Desde que se dedicou fortemente à engorda confi- nada, em 2012, o crescimento de seus negó- cios foi meteórico, a tal ponto que, mesmo empenhado em seguir as melhores práticas de gestão, ainda não conseguiu completar a transferên- cia de parte dos empreendimentos do seu CPF para algum dos CNPJs das cinco empresas abrigadas na LF Holding Ltda. Uma das particularidades da LFPec é a diversifica- ção geográfica das unidades de produção, com confina- mentos em Mato Grosso, São Paulo, Bahia, Tocantins e Pará, além de já estar mirando novo projeto no Maranhão, que costuma ter o gado mais barato para reposição. “Do ponto de vista de custos, é melhor estar concentrado, mas, para mitigar riscos, é melhor estar um pouco em cada lu- gar”, justifica Camacho.

Toda essa engrenagem é gerida a partir da sede do gru- po na Fazenda Jaguar, em Nortelândia, centro-oeste do MT, visitada pelo jornalista Ariosto Mesquita em dezem- bro para a reportagem de capa desta edição. A proprieda- de, arrendada até 2040, conta com um confinamento com capacidade estática para 30 mil animais, além de 37 pi- quetes com capacidade para semiconfinar outras 20 mil cabeças. Somando todas as áreas próprias ou arrendadas, a LFPec trabalha em 18 mil hectares, refinando intensifi- cação e gestão, como detalha a matéria de Ariosto.

Entre outros destaques da DBO de fevereiro, reportagem de Renato Villela traz uma espécie de roteiro para a ter- ceirização de gestão, uma alternativa para quem não tem tempo de cuidar da propriedade ou não está satisfeito com os resultados e quer aumentar o lucro. Personagem central da matéria, o consultor André Aguiar, da Boviplan Con- sultoria, de Piracicaba, SP, relata a delicadeza do proces- so e todos os passos fundamentais a partir do diagnóstico detalhado da propriedade a ser gerida. Conhecimento de causa é que não lhe falta pelo papel de ‘dono’ que exerce em oito fazendas.

[email protected]

Publicação mensal da

DBO Editores Associados Ltda.

DirEtOrEs Daniel Bilk Costa Demétrio Costa Odemar Costa rEDAçãO Diretor executivo

Demétrio Costa eDitora

Maristela Franco repórteres

Carolina Rodrigues, Fernando Yassu, e Renato Villela

colaboraDores

Adilson Aguiar, Adriana Simões, Alcides Torres, Ariosto Mesquita, Carolina Aguiar Malatesta, Danilo Grandini, Denis Cardoso, Enrico Ortolani, Gualberto Vita, Gustavo Swenson, Larissa Vieira, Marcos Livi, Moacir José e Roberto Vilhena.

eDitoração

Edson Alves

coorDenação Gráfica

Walter Simões

cOmErciAL/mArkEting Gerente: Rosana Minante

supervisoraDe venDas: Marlene Orlovas executivosDe contas: Andrea Canal, Vanda Motta e Naira Barelli

circuLAçãO E AssinAturAs Gerente: Margarete Basile Impressãoe AcAbAmento

Gráfica Oceano

Dbo eDitores associaDos ltDa. Rua Dona Germaine Burchard, 229 Perdizes, São Paulo, SP 05002-900 Tel.: 11 3879-7099

Para assinar, ligue 11 3879-7099, de segunda a sexta, horário comercial.

Whatsapp 11 96660-1891 Ou acesse www.portaldbo.com.br Para anunciar, ligue

11 3879-7099

ou [email protected] www.revistadbo.com.br

Nossos Assuntos

O

A imponente LFPec e um

roteiro de terceirização

(7)

8 DBOcomunidade

Sumário

Lay-out e arte final: Edson AlvEs

Foto: AriostomEsquitA

34 R

epoRtagemde capa

Seções

16 Giro Rápido 79 Empresas e Produtos

O crescimento meteórico da LFPec, com base no Mato Grosso, que há 10 anos priorizou a terminação intensiva e atualmente possui confinamentos em cinco Estados como estratégia para minimizar riscos pontuais. Ano passado, mandou para o abate 85 mil cabeça e este ano deve chegar a 120 mil.

82 Sabor da Carne

p

Rosa

Q

uente

10

“Qualquer empresa ou celebridade que quer posar de boazinha e virtuosa nas redes sociais em algum momento vai querer atacar a agropecuária e temos que evitar que isso aconteça”, diz Fernando Sampaio do Instituto PCI (Produzir, Conservar e Incluir), em conversa com Ariosto Mesquita.

m

eRcados

18

Coluna do Scot – A inflação e o consumo de carnes em 2021 e perspectivas para 2022

20

Arroba do “Boi China” segue batendo recordes

21

Gado de reposição aponta leve recuo em várias praças pecuárias

c

adeiaem

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auta

22

Pesquisa do Rally da Pecuária registra queda de 16% na produção de arrobas por hectare em 2021, atribuída ao efeito pandemia

24

Nova diretoria da ABMRA promete atenção especial à comunicação dos vários segmentos do agro

26

O ‘cancelamento’ do Bradesco por pecuaristas e entidades do setor após o post Segunda sem Carne

28

Coluna do Danilo – Por uma segunda sem fome

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ecuáRia

4.0

Softwares da Embrapa ajudam a gerenciar componente florestal em projetos de integração

g

enética

40

O novo balanço anual da inseminação da Asbia

44

Zootecnista e jurado da ABCZ, Roberto Vilhena lista pontos fundamentais para a escolha de um bom touro Nelore

48

Ganhos de eficiência reprodutiva com a IATF também prometem lucros futuros com os créditos de carbono

50

ANCP lança DEP baseada em marcadores moleculares para facilitar seleção de animais jovens

n

utRição

52

Experimento da UFMT aponta vantagem de limitar o ganho de peso dos animais na recria confinada

p

astagens

56

Irrigação de pastagens e áreas de produção de alimentos viabiliza projeto pecuário no semiárido mineiro

60

Capim Aruana em sistemas de integração: bom para o gado e para melhor produção de grãos.

62

Adilson Aguiar traz terceiro artigo sobre correção e adubação no manejo da fertilidade de solos de pastagens

L

egisLação

64

Atenção às regras para o uso de drones no campo

i

nstaLações

65

De Rondônia, modelo de sistema automático para ração no creep-feeding

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aúde

a

nimaL

66

Museu do Carrapato,

em Campo Grande, MS, amplia prestação de serviços

68

Coluna do Ortolani – Entender como os praguicidas funcionam é fundamental para que o feitiço não vire contra o feiticeiro

g

estão

70

Terceirização é alternativa para quem não tem tempo para cuidar da fazenda.

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eLeção

74

O Hereford e Braford da Cabanha Santo Ângelo, de Barra do Quaraí, RS.

L

eLões

76

Raças Leiteiras: alta no preço do leite sustentou procura por animais de boa produção em 2021

77

Equinos: oferta cresceu e faturamento mais que dobrou nos 435 leilões do ano passado

78

Ovinos e caprinos: vendas ficaram em R$ 16 milhões nos 72 leilões de 202

DBO fevereiro 2022 7

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DBOcomunidade

www.portaldbo.com.br redaçã[email protected] /portaldbo

@portal_dbo

@portaldbo /portal-dbo /portaldbo /portaldbo

NO E-MAIL

Mosca dos chifres

Na edição da Revista DBO de dezem- bro de 2021, no fascículo de Nº 3 do Pro- jeto Manejo Eficiente, que trata da mosca dos chifres, fala-se que devemos fazer controle estratégico em fevereiro/março (aqui no Sul) e novembro/dezembro (de- mais regiões). Fala-se também que as fê- meas põem os ovos nas fezes frescas dos bovinos. Partindo-se dessa premissa, não poderíamos aplicar algum tipo de inseti- cida diretamente nas fezes dos bovinos?

Em caso positivo, qual seria o produto?

Hilário Wilson Prichla - Curitiba - PR octaviano Pereira, gerente técnico da elanco, responde: Infelizmente o controle da mosca dos chifres a campo, diretamente nos bolos fecais, usando produtos inseticidas convencionais, é praticamente impossível, pois eles ficam dispersos no pasto. Além dis- so, os inseticidas não têm ação específica, podendo afetar uma vasta gama de cascu- dos, besouros e outros insetos responsáveis pela degradação do bolo fecal e reciclagem de nutrientes no solo. Uma alternativa seria usar inibidores do desenvolvimento de inse- tos, tais como a ciromazina. Eles teriam de ser aplicados sobre o bolo fecal, algo bas- tante trabalhoso, mas não haveria impactos

ambientais. Outra opção é o diflubenzuron, um composto que deve ser administrado por meio da dieta. Ao ser eliminado através das fezes, ele apresenta efeito inibitório sobre as larvas das moscas que eclodem no bolo fe- cal. O problema é garantir que os animais consumam a dose correta, portanto, funcio- na mais em dietas de ração total. A mistura desses inibidores no sal mineral vem sendo testada, mas os resultados são bastante errá- ticos. O uso de lactonas macrocíclicas, tais como, ivermectina, doramectina ou abamec- tina (apesar de serem vermífugos), pode ter um efeito aceitável, visto que são excretados pelas fezes, podendo eliminar muitas larvas que se alimentam da matéria fecal.

Todos esses métodos são tentativas indi- retas de reduzir a infestação de moscas, por meio da redução da quantidade de larvas que se converterão em pupas e depois em moscas. O controle dos insetos adultos com aplicação de inseticidas diretamente nos animais é ainda o método mais adotado no controle das moscas, buscando matá-las e impedi-las de colocar seus ovos. Os produtos mais usados são os organofosforados e os piretróides, tais como a ciflutrina e a flume- trina. Sempre que necessário, busque o as- sessoramento de médicos veterinários para estabelecer programas efetivos de controle de moscas hematófagas.

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Negócios esquentam com

“apagão” de boiadas gordas e aquecimento das exportações de carne bovina

OUÇA | “O caos pode estar se instalando de novo”, afirma

pecuarista de São Paulo Mercado Pecuário | O ano de 2022 será de recordes no preço da arroba do boi gordo?

Reposição no PR: Bezerro Nelore aos 8 meses e 215 kg ao valor

médio de R$ 3.150 Boi gordo: preços em 2022 devem seguir influenciados por mercado externo, aponta Cepea

Arroba sobe R$ 16 na 1ª semana do mês em SP, mas lentidão no consumo interno

preocupa indústria da carne Descompasso entre oferta e demanda reduz preços no mercado de reposição Carne bovina: apesar da

retomada dos envios à China, EUA seguem como maior destino

Entidades organizam churrasco em frente às agências do Bradesco

Ásia deve demandar mais proteína bovina por conta de queda na produção de suínos, preveem pesquisadores da Embrapa

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rOLOU NAs rEdEs dBO...

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DBO fevereiro 2022 9 consuMo vetado

Ao ler o artigo do professor Enrico Orto- lani na DBO de dezembro, lembrei que tive em minha propriedade, no sul do Amazonas, a morte de sete vacas, de uma só vez, devido à intoxicação por cafezinho. Devido aos rela- tos dos “caboclos” locais que dizem não po- der consumir a carne por conta da toxicidade da planta, hesitamos e, enquanto tentávamos obter informações mais precisas, perdemos as carcaças. Pergunto: pode ou não ser consumi- da está carne?

Rubens Barros o colunista de dBo enrico ortolani responde: Muitas vezes os caboclos têm razão e é sempre bom ouvi-los, como neste caso. Não é recomendado o consumo da car- ne de um bovino que morreu após a ingestão de cafézinho-bravo. O primeiro motivo é que a qualidade da carne vai ser horrível, pois o bloqueio de energia nas células provoca, além dos tremores musculares, acúmulo de substâncias muito ácidas que irão tornar a carne muito dura e com tendência a estragá- -la mais rapidamente, ficando imprópria para o consumo. Além disso, como o animal intoxicado não consegue ficar em pé, sofrerá

várias quedas que gerarão hematomas e es- curecimento da carne. Embora o risco seja remoto, a presença da substância tóxica mo- nofluoroacético na carcaça pode matar uma criança que coma a carne algumas horas depois da morte do bovino, pois este com- posto também é tóxico para seres humanos.

Melhor não apostar no azar! Continue en- viando suas interessantes perguntas e espa- lhando para os amigos pecuaristas as boas informações veiculadas pela Revista DBO.

NO INstAGrAM

Até que fim apareceu alguém (Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro) com coerência, que teve a coragem de falar que não existe esse rebanho todo de bovinos no Brasil.

@adalberto_planeje (Anuário DBO | Nosso rebanho está superestimado)

dEstAQUEs NO

O ano de 2022 será de recordes no preço da arroba do boi gordo?

Silagem: prepare nas águas, alimente na seca!

errata – No Anuário 2022, à pág 111, mencionamos que Cristiano Botelho será o futuro presidente da Asbia (triênio 2023- 2025). A informação não procede. É preciso aguardar as eleições no 2º semestre.

(10)

Prosa Quente

“Temos de sair dessa vida de apagar incêndios”

Diretor executivo do Instituto PCI, Fernando Sampaio defende união, liderança e estratégia para conter as ofensivas contra a carne, dentro e fora do Brasil.

Não adianta xingar a China ou dizer que a agenda do clima é coisa de comunista.

O importante é compreen- der para onde o planeta está indo e como a pecuária bra- sileira pode ganhar com isso.”

O

nome de Fernando Sampaio está ligado à carne brasileira há pelo menos duas décadas. Ele come- çou sua vida profissional ainda no final do milê- nio passado, trabalhando na comercialização de proteína animal para empresas europeias. Em 2008, ele assumiu a Coordenação de Sustentabilidade da Associação Bra- sileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e, em seguida, a diretoria executiva da entidade, função que ocupou de janeiro de 2010 a setembro de 2016, ano em que também atuou por oito meses como presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS).

Em outubro daquele mesmo ano, Sampaio fez as ma- las e trocou São Paulo por Mato Grosso, aceitando o con- vite para integrar o comitê da estratégia PCI (Produzir, Conservar, Incluir), criada pelo governo mato-grossense.

O engenheiro agrônomo acabou assumindo a diretoria executiva em 2019, quando o PCI se tornou um instituto (associação de direito privado, sem fins econômicos e lu- crativos), função que permanece exercendo.

A entidade tem como fundadores a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Agroicone, Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH, da Holanda), Amaggi, Mar- frig, Earth Innovation Institute (Cuiabá, MT), EcoArts Amazônia (MT) e Instituto Centro Vida (ICV). Todos in-

tegram o conselho de administração, que conta também com representantes de cinco secretarias do governo es- tadual: Casa Civil, Meio Ambiente (Sema), Desenvolvi- mento Econômico (Sedec), Agricultura Familiar (Seaf) e Planejamento e Gestão (Seplag).

À frente do Instituto PCI, o trabalho de Fernan- do Sampaio está diretamente ligado à transformação do Mato Grosso em um Estado ao mesmo tempo produti- vo e ambientalmente sustentável. Uma de suas missões é ajudar o Estado a obter o status de “carbono neutro” até 2035, ou seja, até essa data as emissões de gases de efeito estufa do Mato Grosso deverão ser neutralizadas pelo vo- lume de carbono sequestrado.

Movido pelo desafio e pela pauta de sustentabilidade que sempre o atraiu na carreira, ele vem travando uma in- tensa batalha para destravar os trâmites burocráticos e fa- zer com que o PCI funcione com as próprias pernas para viabilizar o desenvolvimento sócioeconômico do MT por meio do uso sustentável da terra. Ao completar três anos de criação neste mês de fevereiro, o instituto ainda não gerencia seus próprios recursos, apesar de indiretamente colaborar para sua captação. Um dos objetivos para 2022 é definir um modelo próprio de negócios.

Fernando Sampaio considera que a agropecuária de baixo carbono e o Código Florestal deveriam ser usados como os maiores trunfos do Brasil para se colocar como produtor sustentável lá fora. Entretanto, entende que o

“desmatamento ilegal” ainda trava a imagem do país e faz

“mea-culpa” ao cobrar um posicionamento do setor pecu- ário sobre esta questão. Sem essa postura e lideranças fir- mes, ele acredita que empresas, através de um ativismo de marca, continuarão cutucando o segmento no âmbito na- cional, como vem ocorrendo nos últimos meses: “A falta de manifestações sobre estes temas faz do setor um alvo fácil”, argumenta.

Nesta entrevista concedida ao jornalista Ariosto Mes- quita para o Prosa Quente, o executivo ‒ que esteve com a delegação de Mato Grosso na COP-26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), rea- lizada em novembro de 2021, na Escócia ‒, faz também um alerta sobre o recrudescimento das exigências dos mercados europeus e asiáticos, especialmente no que diz respeito à procedência legal e sustentável dos ali- mentos. “O cinto vai apertar”, garante. Veja os prin- cipais trechos da entrevista a seguir.

(11)

DBO fevereiro 2022 11 Ariosto – O que te levou a trocar a Abiec por uma ideia que, à

época, nem havia sido institucionalizada?

Sampaio – Foi o desafio, mas também já estava envol- vido com o GTPS e isso, pra mim, foi um movimen- to natural. Comecei minha carreira profissional traba- lhando com o comércio internacional de carnes e fiquei muitos anos na Abiec. Sempre fui muito envolvido com a agenda da sustentabilidade. E o PCI não quer se con- centrar em carne ou soja, por exemplo. A busca é por um território sustentável. Isso me atraiu. É uma coisa nova e Mato Grosso oferece possibilidade para avan- çar em escala. Trata-se de um Estado forte na soja, na pecuária, com 43 etnias indígenas e inúmeros assenta- mentos. Não adianta, por exemplo, ter um pequeno gru- po de fazendas certificadas, se o território ao redor não está. Com uma abrangência maior, esforços públicos e privados combinados, é possível diminuir o risco de ile- galidade e ampliar o acesso aos mercados.

Ariosto – Ao transformar uma estratégia em instituto, o gover- no de MT quis dar perenidade às ações do PCI?

Sampaio – Sim. Este foi um dos objetivos. O outro foi dar uma estrutura de investimento à estratégia. Por quê?

Quando se fala em captação de recursos para uma agen- da sustentável fica difícil fazer gestão dentro de uma configuração pública, devido à demora e à burocracia.

Com um instituto vem a possibilidade de captar, geren- ciar recursos e executar programas, atrelando diversas fontes de financiamento.

Ariosto – No que diz respeito à pecuária, uma das metas da instituição é viabilizar a recuperação de 2,5 milhões de ha de pastagens até 2030 e aumentar a produtividade de 57 para 116 kg/ha/ano. Qual evolução foi obtida?

Sampaio – Essa é nossa meta, estamos caminhando grada- tivamente para atingi-la. Por meio do PCI, tentamos via- bilizar o acesso dos produtores à assistência técnica, à re- gularização fundiária e à inclusão produtiva. Temos vários projetos sendo conduzidos com recursos que chegaram ao Estado por causa do PCI, via parcerias que conseguimos.

Contratamos uma consultoria para identificar o quanto de recursos já entrou, o quanto falta dentro das metas para os próximos anos e alternativas de modelos de financia- mento. Isso vai nortear toda a estratégia de captação da- qui para a frente. Alguns números já foram identificados.

Existe uma lacuna de R$ 200 bilhões para os próximos 10 anos, considerando-se todas as metas do PCI. São R$ 23 bilhões necessários apenas para as metas da bovinocultu- ra de corte. Nossa função é criar esse fluxo de investimen- to. Em termos de evolução, a produtividade média no Es- tado saiu de 57 kg de carne (3,8@)/ha/ano em 2015 para 67,8 kg (4,5@)/ha/ano em 2020.

Ariosto – O que já foi obtido de recursos via PCI e qual o orça- mento do instituto para 2022?

Sampaio – Até 2020, identificamos R$ 16 bilhões em re- cursos que entraram em Mato Grosso e que impactaram as metas do PCI. Isso inclui crédito rural para recupe-

ração de pastagens e estabelecimento de áreas de inte- gração, por exemplo, como as linhas do Plano ABC, dentre outras. Recursos captados e/ou sob coordenação do PCI são pequenos. Para a pecuária, algo na casa dos R$ 500 milhões. O instituto ainda não está gerencian- do recursos, portanto não possui um orçamento defini- do. No entanto, seu funcionamento é garantido com o apoio de projetos parceiros. Temos iniciativas que estão em MT por causa do PCI, mas cujos recursos vão dire- to para a ponta.

Ariosto – Mas o que falta para o PCI captar e assumir a gestão de recursos?

Sampaio – Demoramos para formalizar a criação do ins- tituto e agora estamos desenhando o modelo de ne- gócios para seu funcionamento. Quando falamos em captação de verba, principalmente de fora, temos de construir mecanismos de compliance [conjunto de dis- ciplinas destinadas a se fazer cumprir normas legais e regulamentares] para poder gerenciar isso.

Ariosto – Até que ponto essa lentidão te incomoda? A burocra- cia é uma “pedrinha no seu sapato”?

Sampaio – Pois é. De fato, isso é um problema. Todo mundo fala de urgência climática, mas cada projeto desses leva muito tempo. A gente tem trabalhado para tentar acelerar. Estamos pensando em formalizar uma espécie de joint venture com outros mecanismos que já estão operando em Mato Grosso. O projeto REM [em inglês, REDD for Early Movers], por exemplo, envol- ve recursos alemães (17 milhões de euros) e do Reino Unido (24 milhões de libras esterlinas) que foram cap- tados pelo Estado e que estão sendo gerenciados pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com sede no Rio de Janeiro. Ele é focado no apoio a políti- cas públicas de combate ao desmatamento [maior fonte emissora de gases de efeito estufa no Brasil] e apoio a projetos de agricultura familiar, no âmbito indígena, de pecuária, soja e manejo florestal.

Ariosto – Além de estruturar seu modelo de negócios, pas- sar a captar e gerenciar recursos e monitorar as metas, o que mais o Instituto planeja fazer?

Sampaio – Um dos pontos de trabalho é o que nós cha- mamos de regionalização. Há dois anos, iniciamos a criação de projetos-piloto de PCIs municipais, hoje, em andamento em Barra do Garças, Sorriso, Juruena, Cotriguaçu e Tangará da Serra. Podemos citar, como exemplo, o Programa de Produção Sustentável de Be- zerros, no Vale do Juruena, junto a parceiros como o IDH, Fundação Carrefour e Marfrig. Com ele, peque- nos fornecedores de bezerros recebem investimentos voltados à intensificação e à regularização. A ideia é formar uma cadeia completa, toda rastreada, naquela região. O mesmo modelo de programa também está sendo levado para o Pantanal e para o Vale do Ara- guaia. Existem fundos captados que só operam em MT por causa do PCI.

Existe uma lacuna de R$ 200 bilhões para os próximos 10 anos. São necessários R$ 23 bilhões apenas para as metas da bovinocultura de corte.

(12)

Prosa Quente

Ariosto – O portal do PCI na Internet informa que o instituto não depende de recursos orçamentários do Estado, mas, ao mesmo tempo, observa que cabe ao Estado “liderar politica- mente a estratégia”. Não há um risco de governos futuros, com pensamentos diferentes, travarem iniciativas em anda- mento e priorizarem outras?

Sampaio – Uma coisa é a política pública de regularizar produtores, reduzir ilegalidades, gerar empregos e ren- da para as pessoas. Isso só o Estado tem a função de liderar. O instituto tem o papel de abrigar esta gover- nança público-privada, porque o governo, sozinho, não consegue fazer tudo. Não há como atingir aquelas me- tas sem envolvimento do setor privado e da sociedade civil. Para o PCI acontecer, precisa do esforço de todos em uma mesma direção, e, por isso, trabalhamos dentro de um consenso mínimo que são as metas. Todo mun- do concorda que é preciso acabar com a ilegalidade e melhorar a produtividade, por exemplo. O PCI foi cria- do por entendimento de que o Mato Grosso precisa ter acesso amplo ao mercado internacional. E vai ficar cada vez mais difícil entrar nesses mercados sem governança e gestão ambiental.

Ariosto – O governo de MT apresentou, durante a COP-26, o programa “Carbono Neutro MT”, estruturado em 2021. Como ele funcionará e qual o papel do PCI?

Sampaio – Esse programa foi baseado em um estudo so- bre o perfil das emissões de gases de efeito estufa de Mato Grosso, conduzido pela Secretaria de Meio Am- biente. Foram detectados quais os setores que mais emi- tem e como reduzir essas emissões. Em Mato Grosso, o problema, no caso das emissões, se concentra no des- matamento e na agropecuária. O projeto identificou 12 trajetórias para descarbonização. Boa parte delas já es- tamos trilhando, como o uso dos biocombustíveis, re- cuperação de pastagens degradadas, integração lavou- ra-pecuária, dentre outras. Através de uma projeção, usando inclusive as metas do PCI, foi identificado que o MT pode ser um Estado carbono neutro até 2035. E o

governo resolveu transformar isso em compromisso. O PCI entra como instrumento para ajudar a entregar esta descarbonização.

Ariosto – Aproveitando a deixa, a Embrapa lançou há dois anos o projeto Carne Carbono Neutro, mas até hoje a área de ILPF certificada para produção se limita a parte de uma fazen- da em Mato Grosso do Sul. O que pode ser feito para destravar propostas como esta?

Sampaio – É complicado. Quando se quer certificar ou mesmo medir a redução de emissões área por área ou propriedade por propriedade, sempre vai ser difícil.

Mas vejo que tem muita gente estudando como fazer isso de uma forma mais simples e barata, inclusive para contabilizar carbono no solo. Algumas empresas mul- tinacionais, como a Bayer, estão lançando programas- -piloto para remunerar a redução de emissões dos agri- cultores. Precisamos amadurecer mecanismos para dar escala às boas iniciativas. Na COP-26, vimos a agen- da de carbono entrando definitivamente no mundo dos negócios e sendo incorporada por empresas. Um fri- gorífico, por exemplo, poderá trabalhar com metas de descarbonização e remunerar melhor o produtor que comprovadamente apresentar menores emissões. Essa é uma tendência, mas os métodos para colocar isso em prática ainda estão sendo pensados.

Ariosto – A maioria dos pecuaristas sempre foi descrente quanto à remuneração por serviços ambientais, apesar de o assunto “crédito de carbono” estar em pauta desde o proto- colo de Kyoto, em 1997. A COP-26 aprovou proposta de regu- lamentação. Há motivo para otimismo?

Sampaio – Acho que essa possibilidade está muito pró- xima de se tornar realidade. Vai acontecer. Dentro dos próximos cinco anos vamos ver muita coisa nova sur- gindo e algumas experiências, como já disse, começam a ocorrer. Um dos projetos ligados ao PCI para paga- mento a produtores com excedente de reserva legal, para não desmatar, chama-se “Conserve”. Por enquan- to, ainda se encontra em uma fase piloto, sem números consolidados.

Ariosto – Acusações de que as cadeias de soja e pecuária estão relacionadas com o desmatamento no Brasil são cons- tantes. Procedentes ou não, até que ponto elas podem fechar portas para nossos produtos?

Sampaio – Existem países baixando legislações que exi- gem do importador a comprovação de que as carnes e a soja compradas sejam originárias de áreas sem desma- tamento. Este movimento acontece na Europa e é um erro achar que o assunto não chegará a outros mercados como a China, o Japão e os Estados Unidos. Ainda que o problema envolva uma minoria dentro da nossa ca- deia de carne, por exemplo, ainda não conseguimos dar garantias por completo. Os frigoríficos estão fazendo o monitoramento da cadeia dos fornecedores diretos, mas ainda não conseguem fazer dos indiretos [produtores de bezerros e boi magro]. E temos de pensar este proces- O Brasil tem

dois grandes trunfos como produtor sustentável:

a agropecuá- ria de baixo carbono e o nosso Código Florestal.

Eles deveriam ser nossos passaportes para qualquer mercado.”

Fonte: Site do PCi AdAPtAção: dBo

1. Manter 60% da cobertura de vegetação nativa do Mato Grosso.

2. Reduzir em 90% o

desmatamenato na floresta até 2030, sendo 84% até 2024.

3. Reduzir em 95% o desmatamento no cerrado até 2030, sendo 83%

até 2024.

4. Reduzir 30% dos focos de calor em relação ao período de referência de 2010 a 2019 (28.300 focos de calor) até 2030.

5. Eliminar a exploração de madeira ilegal até 2030.

6. Eliminar o desmatamento ilegal até 2030.

7. Compensar 1 milhão de ha de área passível de desmatamento legal.

8. Cadastrar e validar 90% dos imóveis rurais (CAR) até 2024.

9. Regularizar 1 milhão de ha (100%) de APPs degradadas até 2030.

10. Regularizar 5,8 milhões de ha (100%) de reserva legal, sendo 1,9 milhões ha por recomposição, até 2030.

Metas do PCI em relação à conservação ambiental

(13)

so de forma inclusiva. Não adianta simplesmente dei- xar de comprar de quem desmata ilegalmente, pois essa pessoa vai vender o gado “logo na esquina”, de manei- ra irregular.

Ariosto – A União Europeia vai apertar ainda mais o “cinto”

sobre a carne brasileira?

Sampaio – Sim. O cinto vai apertar, sobretudo em fun- ção dessas novas regulamentações. Na Europa, como um todo, a carne sofre uma pressão muito grande. Mui- ta gente por lá enxerga a redução no consumo como única forma de diminuir impactos. No momento, não afeta tanto nossas exportações, pois a maior parte vai para a Ásia e deve permanecer abastecendo mercados emergentes.

Ariosto – A agropecuária brasileira está recheada de iniciativas de produção sustentável. Essa informação não chega lá fora?

Sampaio – Apenas de forma esparsa. Infelizmente, por- que o Brasil tem dois grandes trunfos para se colocar como produtor sustentável de alimentos: a agropecuária de baixo carbono e nosso Código Florestal. Eles já de- veriam ser nossos passaportes para qualquer mercado. A gente já deveria estar na Ásia vendendo isso como ga- rantia de sustentabilidade da nossa produção, para que a gente não venha a sofrer como ocorre hoje em relação à Europa. Mas, para isso funcionar, temos de cuidar do desmatamento ilegal, que é a grande pedra no nosso sa- pato. De uma forma geral, o Brasil está com uma reputa- ção muito ruim lá fora, por causa, principalmente, dessa questão do desmatamento.

Ariosto – Isso pode repercutir também no mercado asiático?

Sampaio – Sim. Existem vários países, dentre eles a Chi- na, começando a focar na agenda de sustentabilidade. O Brasil precisa se preparar para isso. Existem movimen- tações que vão além da área governamental. Uma coisa, durante a COP 26, foram as negociações oficiais entre países; outra, foram os acordos firmados entre empresas e segmentos no âmbito de emissões de metano, carvão e florestas, dentre outros. O setor privado do Reino Uni- do, por exemplo, anunciou que não comprará soja de área de desmatamento a partir de 2025.

Ariosto – Em menos de um ano, vimos grandes empresas ba- tendo de frente com os pecuaristas brasileiros. O marketing dessas empresas agiu intencionalmente ao propor dias sem consumio de carne? O que estaria motivando isso? Como você avalia esses episódios?

Sampaio – Os departamentos de marketing dessas grandes empresas, principalmente em redes sociais, querem se mostrar “antenados” e “progressistas”, e a agropecuária é um alvo fácil.

Ariosto – Por que é um alvo fácil?

Sampaio – Nós sabemos falar muito bem sobre tecnolo- gia, geração de empregos, produtividade e exportações, mas nosso segmento é muito ruim em se posicionar em

relação às coisas que acabam caindo em seu colo. Não vimos nenhuma entidade do setor produtivo protestan- do contra o desmatamento ilegal, mudança climática ou contra a grilagem de terra na Amazônia. Não se posicio- nar sobre estes assuntos é uma falha nossa. É justamen- te a falta de manifestações sobre estes temas que faz do setor um alvo fácil.

Ariosto – Em seu ponto de vista, existe uma carência de lide- ranças na pecuária com perfil para propor essas pautas?

Sampaio – Existe uma crise geral de liderança. Precisa- mos de líderes que entendam para onde o mundo está caminhando e como aproveitar isso. Não adianta xin- gar a China ou dizer que a agenda do clima é coisa de comunista ou globalista. O importante é compreender para onde o planeta está indo e como a pecuária brasi- leira pode se encaixar e ganhar com isso. Temos tudo para liderar uma agenda de produção e conservação, ser protagonista e ganhar mais dinheiro com isso.

Ariosto - Em um recente artigo intitulado “Wokewashing e o diálogo de surdos”, você diz que o wokewashing (ativismo de marca) é o novo greenwashing (lavagem verde), ou seja, um comportamento de empresas que se apropriam do discurso sustentável, mas, na prática, não agem assim. O que você quis pontuar com essa afirmação?

Sampaio – Qualquer empresa ou celebridade que quer posar de boazinha e virtuosa nas redes sociais em al- gum momento vai querer atacar a agropecuária e temos de evitar que isso aconteça. Como tirar o segmento da mira deste povo que quer se passar por salvador do pla- neta? Neste aspecto, eu entendo que o setor, sobretudo o pecuário, tem de pensar melhor sua estratégia de co- municação e fazer isso de forma coordenada. As entida- des poderiam se juntar para pensar algo para evitar que episódios assim voltem a ocorrer. Não adianta ficar rea- gindo a cada provocação. Tem de ter estratégia.

Ariosto – Como você avalia as reações dos pecuaristas a esses “ataques”?

Sampaio – A cada episódio surge um monte de notas de repúdio ou vídeos raivosos. Não adianta nada. Daqui a uma semana surge outra coisa. Temos de sair dessa vida de apagar incêndio e passar a agir estrategicamen- te, pensando em longo prazo.

Ariosto – Qual alternativa prática? Como a pecuária pode sair de um cenário reativo para um propositivo?

Fernando – Temos um histórico muito ruim de iniciativas que foram lançadas e não acabaram bem. O Serviço de Informação da Carne, por exemplo, criado há duas dé- cadas, acabou ficando pelo caminho. Várias campanhas de imagem também não foram para a frente. Por diver- sas vezes, iniciativas foram criadas em função de crises e não vingaram por falta de apoio, desavenças internas, ciúmes, briga entre entidades e por falta de liderança.

Apesar desse histórico ruim, é o que precisa ser feito.

Falta articulação da cadeia produtiva. n

DBO fevereiro 2022 13 Buscamos criar um ‘ter- ritório susten- tável’. Esse é um conceito novo e o Mato Grosso oferece possi- bilidade para avançar nisso em escala.”

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Giro Rápido

Portal oferece análise gratuita do comércio agrícola

O Insper e a Embrapa Instrumenta- ção lançaram em janeiro o sistema Glo- bal Agri Trade Data (Gat), ferramenta gratuita criada para oferecer dados so- bre até 76 agrupamentos de produtos que constituem as principais cadeias produ- tivas do agro, incluindo a da carne bo- vina. O sistema beneficia estudantes e profissionais que precisam acompanhar tendências globais de comércio e reali- zar análises de mercado para tomadas de decisão que podem impactar direta- mente na comercialização de um produ-

to em determinado País. O sistema tam- bém oferece análises prontas através de gráficos e taxas de crescimento, consi- derando uma ampla gama de dimensões possíveis. Cinthia Cabral da Costa, pes- quisadora responsável pelo Gat, revela que entre 2000 e 2020 o comércio inter- nacional do agronegócio passou de 357 para 1.258 bilhões de dólares. “A com- preensão detalhada dos valores, origens e destinos de cada produto do setor é de extrema relevância para um país agroex- portador como o Brasil”.

Inteligência artificial de olho na carcaça

A Minerva Foods implantou a inteligência artificial (IA) para automatizar a tipificação de carcaças em suas operações. Com o uso da tecnologia será possível anali- sar imagens específicas, coletadas durante o processo por meio de câmeras especiais e reproduzir, em tempo real, o padrão de corte em todas as carcaças, de forma mais ágil e precisa. “Para calibrar o novo sistema, foram avaliadas e classificadas mais de 30.000 imagens. O investimento em IA é parte da nossa estratégia para garantir produtos de qualidade superior”, afirma Sílvio Irizawa, diretor in- dustrial da companhia

Embrapa sai em defesa de pesquisador

Jornalismo rural perde apologista do zebu

Faleceu a 26 de fevereiro, em Uberaba, MG Luiz Gonzaga Crosara, jornalista e apresentador do programa ‘Zebu para o Mundo’, exibido pelo Canal do Boi. A notícia causou comoção e notas de pesar, como a da As- sociação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), que o homenageou em 2019, com o Mérito ExpoGenética, na categoria ‘Comunicação’. Crosara fazia transmissões em um estúdio montado no Parque Fernando Costa, em Uberaba, MG, nas quais, invariavelmente, declarava sua paixão pelo zebu.

Vítima da Covid-19, deixou esposa e quatro filhos.

LUTO

Uma polêmica envolvendo o agro- negócio sacudiu o meio acadêmico e foi parar nas páginas de revista e nos tele- jornais. Doze cientistas brasileiros es- creveram um artigo na edição de feve- reiro da revista especializada Biological Conservation, denunciando o grupo de pesquisa do agrônomo Evaristo de Mi- randa, da Embrapa, por fabricar “falsas controvérsias” com o intuito de afrouxar as leis e normas para proteção do meio ambiente no Brasil.

O grupo de cientistas, encabeçado por Raoni Rajão, professor de gestão ambiental na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alega que as fal- sas controvérsias difundidas por Miran- da, especialmente nas redes sociais, le- varam à diminuição drástica do número de multas ambientais e ao desmonte das políticas de controle do desmatamento e das queimadas na Amazônia pelo gover- no Bolsonaro.

O tema repercutiu na Revista Piauí e foi debatido na Globonews. Em res- posta, a Embrapa emitiu um comunica- do em que repudia a análise contida no artigo publicado por suas “limitações e sugerida parcialidade”. Em nota, a ins- tituição rebateu as acusações e saiu em defesa do pesquisador.

“Ao invés de refutar os resultados obtidos pela Embrapa e debater com ra- cionalidade ideias e métodos, um gru- po teceu críticas à agropecuária brasi- leira, abrindo espaço para a politização do tema e partiu para ataques institucio- nais e pessoais, em particular à pessoa do Evaristo de Miranda, cuja carreira de mais de 40 anos é marcada pela criação de três centros nacionais de pesquisa e pela publicação de mais de 50 livros”.

BNDES fortalece controle sobre abate de bovinos

O Banco Nacional de Desenvolvimen- to Econômico e Social (BNDES) anunciou fiscalização à cadeia produtiva de abate de bovinos. Os novos contratos terão que apresentar, anualmente, uma auditoria para comprovar que os fornecedores cumprem os requisitos socioambientais, como não estar na lista de áreas embargadas manti-

da pelo Ibama e não terem condenação por infrações penais relativas a desmatamento.

A auditoria anual será exigida até a amorti- zação dos contratos, ficando as operações sujeitas, em caso de descumprimento, ao vencimento antecipado e multa contratual.

A medida vale para operações protocoladas no BNDES a partir de 3 de janeiro de 2022.

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DBO fevereiro 2022 17 Infográficos que sintetizam informações importantes da pecuária

I nfopec

Num ano em que a arroba do boi gordo registrou fortíssima volatilidade e a inflação ficou acima da maioria abso- luta dos rendimentos financeiros, a ativi- dade de bovinocultura de corte teve, em 2021, desempenho econômico superior ao registrado em 2020. Dados da Scot Consultoria mostram que a atividade de ciclo completo com aplicação crescente de tecnologia liderou os ganhos em 2021, com rentabilidade média de 11,39%, 1,63 ponto percentual acima da taxa de 2020.

O sistema de recria e engorda com uso crescente de tecnologia também avançou, obtendo taxa média anual de 10,87%, um expressivo salto de 7,3 pontos percentu- ais sobre 2020. Embora tenha registrado oscilações ao longo de 2021, em termos reais (corrigidos pelo IGP-M de dezem- bro/21), o boi gordo (indicador Cepea, mercado paulista) alcançou valor médio anual de R$ 320/@, com alta de 6,5%

sobre o preço de 2020. “Essa melhora na

remuneração da arroba ajuda a explicar a melhora de desempenho da atividade pecuária de corte no ano passado”, diz Thayná Drugowick, analista da Scot. Os re- sultados do segmento perderam para a in- flação em 2021, mas ficaram bem acima das rentabilidades obtidas por indicadores do mercado financeiro.

O dólar comercial, o CDI e o ouro ti- veram rendimentos médios de 8,09%, 4,42%, 2,65%, respectivamente. A ativi- dade de cria com aplicação crescente de tecnologia também avançou sobre 2020, obtendo rentabilidade de 6,11%. O seg- mento de ciclo completo com baixa tec- nologia registrou taxa positiva de 5,05%

no período anual. O sistema de cria e engorda com baixa tecnologia teve ren- tabilidade mais tímida, de apenas 1,8%.

Por sua vez, a atividade de cria com bai- xa tecnologia registrou saldo negativo de 0,31%, repetindo a performance vista no ano anterior.

Rentabilidades: pecuária de corte ganha do ouro, renda fixa e Ibovespa

Variações de rentabilidade – em %

Índices/Investimentos 2021 2020

IGP-DI 17,74% 23,08%

Produção e fornecimento de cana 15,74% 3,32%

Agricultura anual – soja e milho 14,43% 10,37%

Ciclo completo – com aplicação crescente de tecnologia 11,39% 9,76%

Recria e engorda – com aplicação crescente de tecnologia 10,87% 3,57%

Dólar comercial 8,09% 28,95%

Arrendamento gerais 6,83% 4,85%

Cria com aplicação crescente de tecnologia 6,11% 4,99%

Leite alta tecnologia – 25000 litros/ha/ano 5,07% 1,99%

Ciclo completo – baixa tecnologia 5,05% 4,01%

Arrendamento em regiões de cana 4,99% 3,89%

CDI 4,42% 2,77%

Poupança 2,99% 2,10%

Ouro 2,65% 55,90%

Recria e engorda – baixa tecnologia 1,81% 0,77%

Cria – baixa tecnologia -0,31% -0,30%

Leite de baixa tecnologia -4.500 litros/ha/ano -9,32% -6,14%

Ibovespa -11,93% 2,92%

Fonte: Scot Consultoria

Vende-se Reserva Legal

A BVRio, empresa que atua no merca- do ambiental, desenvolveu o Programa SI- MFlor (Suporte à Implementação do Có- digo Florestal) para financiar a compra e venda de Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), com o objetivo de adequar o imó- vel que tenha passivo ambiental. O progra- ma aproxima quem tem excedente de quem tem passivo. A reserva legal é obrigatória para imóveis rurais. A porcentagem varia de acordo com o bioma onde a propriedade está localizada. Quando o imóvel não atin- ge a porcentagem, o produtor precisa com- pensar a área de reserva.

Novos executivos na JBS e no Frigol

Gilberto Meirelles Xandó Baptista as- sumiu, em 14 de janeiro, a presidência da JBS Brasil. O executivo era membro inde- pendente do Conselho de Administração da companhia, cargo ao qual renunciou. Em seu lugar, foi escolhido Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central. No Frigol, quarto maior frigorífico do País, Eduardo Miron passou a ocupar o cargo de CEO da companhia, em substituição a Marcos Câ- mara. Miron – que atuou como vice-presi- dente de Finanças e Relações com investi- dores da concorrente Marfrig por dez anos – ocupava o cargo de conselheiro indepen- dente do Frigol desde novembro de 2020.

Acrimat distribui livros infantis a favor da carne

Mãe de dois filhos pequenos e incomo- dada com campanhas contra o consumo de carne bovina, a professora Helen Fernanda Barros Gomes, da Universidade Federal de Rondonópolis, MT, decidiu escrever livros destinados ao público infanto-juvenil. Dois títulos têm como personagem central Ani- nha, uma garota curiosa e questionadora, e trazem informações sobre o processo de produção dos animais, seus impactos para o meio ambiente e por que as pessoas podem e devem comer carne bovina inspecionada.

As obras contam com apoio da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e serão distribuídas gratuitamente nas esco- las municipais do Estado.

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Mercado sem Rodeios

Alcides Torres Jr.* –

Scot

Engenheiro agrônomo e diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP.

*Colaborou Guilherme Ibell

A inflação e o consumo de carnes em 2021

A

inda sob forte impacto da pandemia, a população brasileira viu os preços dos produtos essenciais decolarem em 2021. No acumulado do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), termô- metro da inflação brasileira no orçamento familiar, subiu 10%, o pior resultado desde 2015 e uma das maiores altas desde o lançamento do Plano Real em 1994. O preço dos combustíveis disparou (+ 49%) e as cotações do grupo dos alimentos e bebidas, que responde por 19% do IPCA, aumentaram 7,9%, puxadas pela alta das commodities no mercado externo, além de quebras de safra e dólar valo- rizado. Em 2021, novembro foi o único mês em que esse grupo apresentou queda, devido à baixa de 0,25% na ali- mentação fora do domicílio (veja gráfico ao lado).

A carne bovina apresentou alta, devido à oferta enxu- ta de bois gordos e à demanda externa forte. Nem os 103 dias de suspensão das exportações para a China reverteu, de fato, esse movimento altista. Os frigoríficos encontra- ram dificuldade para comprar boiadas, o que aumentou a concorrência pela matéria-prima. Já o mercado de suí- nos em 2021 foi marcado por preços ao produtor em que- da, custos elevados e aumento na produção. A China foi a maior compradora da carne suína brasileira, mas, apesar disso, os preços pagos na exportação ficaram entre está- veis e pressionados para baixo. No mercado de carne de frango, o ano registrou recordes de preço e ajuste da pro- dução para manutenção das margens, impulsionadas pela competitividade com as carnes concorrentes, exportações e demanda interna aquecidas.

Em função desse cenário, as três proteínas de origem animal apresentaram altas no varejo em 2021, como mostra a figura abaixo, que apresenta as variações mé- dias mensais levantadas pela Scot Consultoria, tendo o

mês de janeiro como base 100. Os preços ficaram fir- mes ao longo do ano, com queda apenas para a carne suína em abril, outubro e dezembro, e para a carne de aves em abril e dezembro. As variações do IPCA con- sideram todo o território nacional, já o levantamento da Scot Consultoria é feito nas praças de SP, MG, PR e RJ, o que explica algumas disparidades.

Expectativas para 2022

A expectativa de consumo de carnes para 2022 de- pende da recuperação da economia brasileira. No que diz respeito aos custos de produção, olhando apenas insumos como o milho e a soja, esperava-se certa queda de preços em relação à temporada 2020/2021, o que poderia redu- zir um pouco a pressão sobre as carnes bovina, suína e de frangos . Porém, as condições climáticas mudaram o ce- nário de expectativas positivas, devido ao que tem acon- tecido no sul do País, região que sofre com a estiagem e seus efeitos nas lavouras de soja e milho.

No mercado doméstico, a demanda deverá ser firme, apesar dos indicadores de crescimento comedidos, como por exemplo, o produto interno bruto e o desemprego ele- vado. Esse quadro tende a estimular a busca por opções de alimentos mais acessíveis, favorecendo a carne de frango frente às concorrentes. As eleições e o cenário in- ternacional podem sustentar o dólar em patamares acima dos R$ 5,50, o que manteria a inflação alta, mas talvez em patamares mais baixos do que os registrados em 2021, em função da economia fraca. A estimativa é de que o IPCA feche 2022 em 5%, segundo o Boletim Focus do Banco Central, e o crescimento do PIB seja de apenas 0,29%. Há maior possibilidade, portanto, é de que uma eventual re- dução na inflação seja insuficiente para melhorar o custo

de vida dos brasileiros. n

Variação de preços médios mensais no varejo das carnes bovina, suína e aves ao longo de 2021, nas praças monitoradas

pela Scot Consultoria (base 100 = janeiro de 2021).

Fonte: Scot Consultoria 120,00

118,00 116,00 114,00 112,00 110,00 108,00 106,00 104,00 104,00 102,00 100,00

Bovina Suína Aves

Jan fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Variação nos preços do grupo “Alimentação e bebidas”, mês a mês, ao longo de 2021

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços / Elaborado pela Scot Consultoria

1,6%

1,4 % 1,2%

1,0%

0,8%

0,6%

0,4%

0,2%

0,0%

-0,2%

Jan fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

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Mercado

Frigoríficos disputam animal com padrão exportação, distorcendo o diferencial de base

Indicador do bezerro recua 2,5% em janeiro/22 DatasDelevantamentoDo Cepea

EspEcificaçõEs 31/01/2022 30/12/2021

PreçoàvistaPorcabeça r$ 2.919,61 r$ 2.995,98

Pesomédio/kg 208,25 213,25

PreçoPorkg r$ 14,02 r$ 14,30

PreçoPorarroba r$ 420,59 r$ 429,06

Fonte: Cepea/esalq/Usp

Indicador do boi gordo registra alta de 2,1% em janeiro EspEcificaçõEs DatasDaliquiDaçõesDosContratosnegoCiaDosna B3

31/01/2022 30/12/2021

Preçoàvista r$ 343,80 r$ 336,50

Fonte: Cepea/esalq/Usp/BM&FBovespa. MédiadosúltiMosCinCodiasúteiseM são paUlo. o valoréUsadoparaa liqUidaçãodosContratosnegoCiadosaFUtUrona BM&FBovespa.

Contrato futuro do boi gordo para fevereiro/22 está em 336/@

mêsparaaliquiDaçãoDosContratosna B3 Data/

prEgõEs jan fEv Mar abr Mai jun jul ago sEt out nov DEz

30/12/2021 341,75 339,40 337,55 338,70 332,00 - 318,65 320,15 - 338,75 331,85 31/1/2022 342,46 336,55 333,00 329,25 325,25 325,50 320,00 320,15 - 338,75 331,85 - Fonte: B3

Denis CarDoso

N

o mercado brasileiro do boi gordo, o ano de 2022 começou como terminou em 2021. Ou seja, a ar- roba atingiu, em janeiro, mais um recorde his- tórico, de R$ 338 (valor à vista, mercado paulista), em termos reais, considerando-se a série completa de médias mensais deflacionadas pelo IGP-DI, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em relação ao comportamento da arroba em fe- vereiro, muitos analistas acreditam que os preços pagos aos pecuaristas seguirão em patamares elevados, ainda sustentados pela oferta restrita de boiadas gordas e pelo ritmo forte das exportações de carne bovina.

“A retomada dos embarques para a China segue fa- zendo a diferença na pecuária brasileira”, afirma o médico veterinário Leandro Bovo, sócio e diretor da Radar Investi- mentos, com sede na capital paulista. De fato, desde que o governo de Pequim retirou o embargo à carne bovina brasi- leira, em meados de dezembro do ano passado, as cotações do boi gordo seguiram batendo novos recordes, fechando janeiro acima dos R$ 340/@ nas praças de São Paulo.

As vendas de carne in natura para o Exterior somaram 140.500 toneladas em janeiro – a maior da história para o mês. A quantidade é 11% superior à embarcada em de- zembro e 31% maior do que a de janeiro de 2021. Não por acaso, o “boi-China” (abatido com no máximo 30 meses de idade) é o destaque nas praças pecuárias do País.

China continua mexendo com o preço

Para Leandro Bovo, porém, o avanço dos negócios dos frigoríficos brasileiros habilitados a exportar à China impõe uma dificuldade maior às indústrias que atuam ex- clusivamente no mercado interno. “O poder de compra de um (frigorífico exportador) é muito superior ao do outro e, na briga pelos poucos lotes disponíveis atualmente no mercado, isso faz toda a diferença”, relata. Esse cenário, continua Bovo, tem levado à ampliação do diferencial de preços entre o “boi-China” (com bonificações) e o “não- -China”, que em alguns casos, diz ele, “chega a até R$

30/@ em uma mesma região de negociação” – embora o mais comum seja um ágio entre R$ 10 e R$ 15/@.

O diretor da Radar Investimentos também chama a atenção para uma outra mudança no setor pecuário: o alongamento do diferencial de base do boi gordo – ín- dice que aponta a defasagem da cotação da arroba de determinada praça pecuária em comparação ao merca- do-referência (o Estado de São Paulo), podendo ser uti- lizado para negociações na Bolsa (B3) ou diretamente com os frigoríficos, por meio do contrato a termo.

Segundo Bovo, é comum esse diferencial aumen- tar durante o período de safra, já que a praça paulista tem, tradicionalmente, menos animais em pasto do que outras regiões pecuárias no Centro-Oeste e no norte do Brasil. Porém, observa Bovo, neste ano, o aumento des- se indicador segue acima das oscilações registradas em anos anteriores. Em Dourados, MS, por exemplo, ele estava em -9,61% no início deste mês, quase 3,5 pontos percentuais superior à taxa registrada um ano atrás, de -6,13%, de acordo com dados da Radar Investimentos.

Em Rondônia, oscilava em -13,01% no início deste mês, versus -9,47% verificado em igual período de 2021.

Transformação

Na avaliação dos analistas, não há dúvidas de que a disputa acirrada pelo boi padrão-China tem transfor- mado as relações comerciais no mercado pecuário, in- fluenciando não só os dados relacionados ao diferencial de base, mas também as cotações da arroba no mercado futuro. “Oscilações de R$ 5/@ a R$ 10/@ de um dia para outro (na B3) estão ficando frequentes, à medida que a variação da concentração de ‘animais-China’ ou

‘não-China’ na amostra diária leva a grandes diferenças nos preços coletados”, afirma Bovo.

As vendas externas de carne bovina podem registrar um fluxo ainda mais forte neste mês de fevereiro. Os analistas apostam que a China terá papel decisivo para o avanço dos embarques, não só porque é, disparado, o principal cliente do produto brasileiro, mas também porque o país abriga a Olimpíada de Inverno, iniciada em 5 de fevereiro, que levou milhares de turistas ao país, muitos deles consumidores fre- quentes de carne bovina. n

Referências

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