Rev. Cir . Traumatol. Buco-Maxilo-Fac., Camaragibe v.22, n.1, jan./mar. 2022 ISSN 1679-5458 (Linking)
ISSN 1808-5210 (Online)
Prof. Dr. Carlos André Silva de Moura Marcos Antônio Japiassú Resende Montes
Claudia Henriques CRB4/1600
v.22 , n.1, jan./mar. 2022
Vol. 22, n˚. 1 (2022) Coordenador
Ana Claudia de Amorim Gomes - FOP/UPE Aronita Rosenblatt - FOP/UPE
Cosme Gay Escoda - U. Barcelona - UB (Barcelona- Espanha) Danyel Elias da Cruz Perez (UFPE)
Eider Guimarães Bastos - UFMA Eduardo Studart Soares - UFC/CE
Eduardo Piza Pelizzer (UNESP-ARAÇATUBA) Emanuel Sávio de Souza Andrade – FOP/UPE Gabriela Granja Porto - UFPE
Jair Carneiro Leão - UFPE João Carlos Wagner - UL/RS
José Rodrigues Laureano Filho - FOP/UPE Leão Pereira Pinto - UFRN
Lélia Batista de Souza - UFRN Luis Carlos Ferreira da Silva - UFS Luís Raimundo Serra Rabelo - CEUMA
Luís Guevara - U. Santa María - USM (Caracas - Venezuela) Marília Gerhardt de Oliveira - PUC/RG
Paul Edward Maurette O'Brien (Caracas - Venezuela)
Rafael E. Alcalde - University of Washington - UW (Seatle - EUA) Ricardo José de Holanda Vasconcellos - FOP/UPE
Ricardo Viana Bessa Nogueira - UFAL
Roger William Fernandes Moreira - FOP/UNICAMP Sandra Lucia Dantas de Moraes - FOP/UPE
ISSN 1808-5210 (Online) ISSN 1679-5458 (Linking) 2
REVISTA DE CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCO-MAXILO-FACIAL
v. 22, n. 1, jan./mar. 2022
6 - 12
13 - 16 5
17 - 21
Análise epidemiológica das fraturas dos ossos da face em um hospital público no nordeste do Brasil Pidemiological analysis of face bone fractures in a public hospital in northeast Brazil
Análisis epidemiológico de las fracturas de los huesos de la cara en un hospital público del noreste de Brasil Sérgio Éberson da Silva Maia | Laís Inês Silva Cardoso
Thais Cristina Araújo Moreira | Kim Rafael Veloso da Silva | Thiago Fonseca Silva Análise de prontuários de pacientes com infecções
odontogênicas atendidos no serviço hospitalar Análisis de registros de pacientes con infecciones dentales atendidos en el servicio de hospital
Analysis of records of patients with dental infections care at the hospital service
Wellington Gomes de Sena | Gabriel Ferreira de Azevedo Maia Suzana Célia de Aguiar Soares Carneiro | Rafaela Ellen de Lima Fragoso Wanessa Hellen Viana Ribeiro
Impacto do trauma de face sobre o sistema público de saúde brasileiro Belmiro Vasconcelos
Maxilectomia em paciente diabética tipo II, diagnosticada com Mucormicose rinomaxilar, com posterior reabilitação protética - Relato de caso
Maxillectomy in a type II diabetic patient, diagnosed with rhinomaxillary mucormycosis, with subsequent prosthetic rehabilitation - Case report Maxilectomía en paciente diabética tipo II diagnosticada de mucormicosis rinomaxilar, con posterior rehabilitación protésica - Reporte de caso
Aline Bergman de Souza Herculano | José Carlos Garcia de Mendonça | Gustavo Silva Pelissaro | Daniel Isao Nakamura | Amauri Ferrari Paroni
Sumário/Summary
Artigo Original Editorial
Artigo Clínico
30 - 35
36 - 42
Cisto ósseo simples: relato de 7 casos Simple bone cyst: report of 7 cases Quiste óseo simple: reporte de 7 casos
Naiara Santana Rodrigues | João Nunes Nogueira Neto João Frank Carvalho Dantas
Tratamento de ceratocistos na síndrome de Gorlin Goltz
Diagnosis and treatment of oral keratocysts in Gorlin Goltz syndrome Tratamento de ceratocistos na síndrome de Gorlin Goltz
Larissa Ramos Xavier Coutinho Nascimento | Bruno Augusto Benevenuto de Andrade | Diogo da Silva P. R. Couto | Hazel Paloma Reis Corado Paulino Edson Castilho Gouvêa | Maurício Cordeiro de Souza
43 - 48
49 - 55
Autotransplante dentário como ferramenta de tratamento para perdas precoces de molares
Dental self transplantation as a treatment tool for early molar loss Auto trasplante dental como herramienta de tratamiento para la pérdida molar temprana
Isabela Braz Santos | Emmanuel Pereira Escudeiro Sydney de Castro Alves Mandarino
Perspectivas atuais da engenharia de tecidos da articulação temporomandibular
Perspectivas Actuales de la Ingeniería de Tejidos para la Articulación Temporomandibular
Current Perspectives of Tissue Engineering for the Temporomandibular Joint Henrique Hadad | Henrique Rinaldi Matheus | João Luiz Gomes Carneiro Monteiro | Belmiro Cavalcanti do Egito Vasconcelos
Fernando Pozzi Semeghini Guastaldi
Sonda de Foley como auxiliar na reconstrução de terço médio de face Foley´s cateter as a coadjuvant on middle face reconstruction
Sonda de Foley como um auxilio para reconstrucciones de terzo medio de la cara
Agnelo Josué Lucamba | Ricardo Grillo | Benedito Umberto Bueno Rubens Gonçalves Teixeira
26 - 29 22 - 25
Paracoccidioidomicose afetando a mucosa bucal: relato de caso Paracoccidioidomycosis affecting the buccal mucosa: case report Paracoccidioidomicosis con afectación de la mucosa oral: relato de caso Daniel Santiago Vale | Alexandre Meireles Borba
Moacyr Tadeu Vicente Rodrigues | Claudio Ferreira Noia Luiz Evaristo Ricci Volpato | Francisco Nunes Júnior
Editorial
Impacto do trauma de face sobre o sistema público de saúde brasileiro
Belmiro Vasconcelos DDS, PhD, LD Editor chefe
Orcid: http://orcid.org/0000-0002-6515-1489
O trauma de face é tido como um problema de saúde pública no Bra- sil por determinar atendimentos e gastos onde poderia ser evitado na sua maioria.
A origem de traumas de face são: queda da própria altura, acidentes esportivos, causados por animais, fraturas patológicas e na sua maioria decorrentes de acidentes de trânsito e agressões físicas.
Entendemos que o processo educativo no trânsito e socialização edu- cativa das pessoas levaria a evitar sinistros desnecessários, dado que seria a maior prevalência de agentes causantes.
Em particular aos que usam motos sem os equipamentos de proteção e o uso de bebidas alcoólicas devem ser fiscalizados e responsabiliza- dos os infratores por pura negligência.
Os pacientes acometidos sofrem fisicamente e emocionalmente, e as sequelas são inevitáveis e proporcional ao tipo de trauma; adicio- na-se o sofrimento familiar e qualidade de vida comprometida dos sequelados.
Entendemos que o estado deveria ser mais rigoroso porque o "trau- ma" não é uma doença propriamente dita e poderia ser evitado, pois sobrecarrega as emergências dos hospitais brasileiros (superlotação dos hospitais), gastos exorbitantes ao sistema único de saúde onde esses recursos poderiam ser aplicados a pacientes acometidos de doen- ças, além de gastos por benefícios junto a previdência social.
Leis mais severas, educação nas escolas sobre a temática e exigências de seguro veicular, talvez fosse um caminho para desonerar o erário público de um problema de saúde que poderia ser evitado.
Artigo Original
Análise epidemiológica das fraturas dos ossos da face em um hospital público no nordeste do Brasil
Pidemiological analysis of face bone fractures in a public hospital in northeast Brazil
Bone fractures in the maxillofacial region are occurrences that can present themselves as urgent and/or emergencies in the routine of emergency care units and hospitals around the world, especially in locations with high rates of interpersonal violence and traffic violations. A large number of injuries to the face, both in soft and hard tissue, occur due to the enormous exposure and poor protection of this region, which often leads to serious injuries. Objective: This study aims to assess the prevalence of fractures in the maxillofacial complex in a public hospital, based on an epidemiological study, analyzing the factors related to the occurrence of trauma, etiological agent, fracture ABSTRACT
RESUMO
As fraturas dos ossos da região maxilofacial são ocorrências que podem se apresentar como quadros de urgência e/ou emergência na rotina das unidades de pronto atendimento e hospitais do mundo inteiro, principalmente em localidades com altos índices de violência interpessoal e infrações de trânsito. Um grande número de traumatismos na face, tanto em tecidos moles como duros acontece devido à enorme exposição e à pouca proteção desta região o que acarreta frequentemente lesões graves. Objetivo: O presente estudo tem como objetivo avaliar a prevalência das fraturas no complexo maxilofacial em uma unidade hospitalar pública, a partir de um estudo epidemiológico, sendo analisados os fatores relacionados a ocorrência do trauma, agente etiológico, distribuição das fraturas, gênero e idade dos indivíduos acometidos. Metodologia: O presente estudo do tipo transversal retrospectivo, onde foram avaliados 268 prontuários de pacientes diagnosticados com fraturas dos ossos da face atendidos no Hospital Regional Justino Luz, localizado na cidade de Picos, no estado do Piauí, Brasil, no período de janeiro de 2015 até janeiro de 2017, os prontuários foram analisados no setor de arquivo médico do HRJL. Resultados: os fatores etiológicos mais observados foram os acidentes motociclísticos, seguidos de agressão física e quedas da própria altura, o tipo de fratura mais comum foi a do Complexo Orbito-Zigomático-Maxilar (33,2%), seguido da Mandíbula (23,7%) e dos Ossos Próprios do Nariz (17%), sendo o gênero masculino o mais acometido por fraturas. Conclusão: a partir desse estudo podemos concluir que os acidentes motociclísticos configuram-se como o principal fator etiológico relacionado as fraturas de face, sendo o gênero, masculino o mais atingido e o tipo de fratura mais prevalente foi a fratura do Complexo Orbito-Zigomático-Maxilar. Palavras- chave: Epidemiologia, Fraturas de face, Trauma.
Sérgio Éberson da Silva Maia
https://orcid.org/0000-0002-6609-1078
Mestrando em Fissuras Labiopalati- nas e Anomalias Craniofaciais HRAC- -USP-BAURU.
Cirurgião Buco-Maxilo-Facial do Hospital e Maternidade Santa Maria, Araripina-Pe [email protected]
Laís Inês Silva Cardoso
Residente do Programa de Cirurgia e traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Universidade Federal do Piauí, Teresina-PI.
[email protected] Thais Cristina Araújo Moreira Mestra em Dor e Disfunção Tem- poromandibular pela São Leopoldo Mandic.
Cirurgiã Buco-Maxilo-Facial do HU- -UFPI.
[email protected] Kim Rafael Veloso da Silva Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo- -Facial pela UFPI.
Cirurgião Buco-Maxilo-Facial do Hospital Regional Justino Luz, Picos-PI.
[email protected] Thiago Fonseca Silva
Professor Doutor do Departamento de Ortodontia do curso de Odontologia da Universidade Federal dos Vales do Je- quitinhonha e Mucuri, Diamantina-MG.
Análisis epidemiológico de las fracturas de los huesos de la cara en un hospital público del no- reste de Brasil
As fraturas dos ossos da região maxilofacial são ocorrências que podem se apresentar como quadros de urgência e/ou emergência na rotina das unidades de pronto atendimento e hospitais do mundo inteiro, principalmente em localidades com altos índices de violência interpessoal e infrações de trânsito1. Nesse contexto, no atendimento as vítimas são observadas traumatismos na face que englobam os tecidos moles e ossos associados, com ou sem retenção de corpos estranhos, de extensão e gravidade variadas2.
Nas últimas décadas as fraturas do complexo maxilofacial têm se apresentado cada vez mais frequentes, principalmente em pacientes vítimas de politraumatismos, aumento na variação e nos mecanismos dos agentes traumáticos contribui significativamente para maiores incidências de fraturas complexas da face3. As fraturas dos ossos da face caracterizam-se por promover a ruptura da integridade do arcabouço ósseo da região craniofacial em um de seus terços ou na sua totalidade (fraturas panfaciais)4. O traço de fratura pode se restringir um segmento ósseo isoladamente, como visto em uma fratura isolada de mandíbula ou em vários que se articulam como na fratura do tipo Naso-orbito-etmoidal (NOE), repercutindo na necessidade de diferentes abordagens de tratamento e na complexidade da reabilitação5.
Os princípios de atendimento são baseados na gravidade do trauma e a partir disto é instituído a sequência de procedimentos, por etapas e estas podem ser realizadas de forma conjunta ou individualizada6. Um dos instrumentos de avaliação do grau de comprometimento neurológico e o estado geral do paciente politraumatizado é realizado através da escala de coma de Glasgow, que dependendo do score para a situação clínica apresentada, direciona as medidas de intervenção aplicadas ao paciente, bem como do grau de severidade do caso, com base na resposta motora, verbal e resposta pupilar5.
Um grande número de traumatismos na face, tanto em tecidos moles como duros acontece devido à enorme exposição e à pouca proteção desta INTRODUÇÃO
Las fracturas óseas en la región maxilofacial son eventos que pueden presentarse como urgentes y/o emergencias en la rutina de las unidades de atención de emergencia y hospitales de todo el mundo, especialmente en lugares con altos índices de violencia interpersonal e infracciones de tránsito. Un gran número de lesiones en la cara, tanto en tejidos blandos como duros, se producen debido a la enorme exposición y escasa protección de esta región, lo que a menudo conduce a lesiones graves. Objetivo: Este estudio tiene como objetivo evaluar la prevalencia de fracturas en el complejo maxilofacial en un hospital público, a partir de un estudio epidemiológico, analizando los factores relacionados con la ocurrencia del trauma, agente etiológico, distribución de la fractura, sexo y edad de los pacientes afectados. Metodología:
Este estudio transversal retrospectivo evaluó 268 historias clínicas de pacientes con diagnóstico de fracturas de los huesos faciales atendidos en el Hospital Regional Justino Luz, ubicado en la ciudad de Picos, en el estado de Piauí, Brasil, en enero de 2015 hasta enero de 2017. , las historias clínicas fueron analizadas en el sector de expediente médico del HRJL. Resultados: los factores etiológicos más observados fueron los accidentes de motocicleta, seguido de agresión física y caída de propia altura, el tipo de fractura más común fue el Complejo Órbita-cigomático-Maxilar (33,2%), seguido de la mandíbula (23,7 %) y la nariz bonés (17%), siendo el RESUMEN
distribution, gender, and age of patients affected individuals. Methodology: This retrospective cross-sectional study evaluated 268 medical records of patients diagnosed with fractures of the facial bones treated at the Justino Luz Regional Hospital, located in the city of Picos, in the state of Piauí, Brazil, in January 2015 until January 2017, the medical records were analyzed in the medical file sector of the HRJL. Results: the most observed etiological factors were motorcycle accidents, followed by physical aggression and fall from own height, the most common type of fracture was the Orbit-zygomatic-Maxillary Complex (33,2%), followed by the mandible (23,7%) and the nose bonés (17%), being the male gender the most affected by fractures. Conclusion: from this study, we can conclude those motorcycle accidents are the main etiological factor related to facial fractures, with the male gender being the most affected and the most prevalent type of fracture was the fracture of the orbit-zygomatic-maxillary complex.
Keywords: Epidemiology, Facial fractures, Trauma.
género masculino el más afectado por las fracturas.
Conclusión: de este estudio podemos concluir que los accidentes de motocicleta son el principal factor etiológico relacionado con las fracturas faciales, siendo el género masculino el más afectado y el tipo de fractura más prevalente fue la fractura del complejo orbitario-cigomático-maxilar. Palabras claves: Epidemiología, Fracturas faciales, Trauma.
Neste estudo foram analisados 268 prontuários de pacientes atendidos no Hospital Regional Justino Luz, na cidade de Picos – PI, os registros são referentes a pacientes que apresentaram fraturas no complexo maxilofacial levando em consideração o gênero, idade, fator etiológico, localização anatômica, uso de capacete ou cinto de segurança e sinais de ingestão alcoólica.
RESULTADOS região o que acarreta frequentemente lesões graves.
As lesões craniofaciais podem representar até 50%
de todos os óbitos por traumatismos7. Trata-se de uma situação de abrangência multidisciplinar, envolvendo diversas especialidades, dentre elas a Cirurgia Geral, Oftalmologia, Cirurgia Plástica, Otorrinolaringologia, Cirurgia Buco-Maxilo-Facial e Neurocirurgia5.
Os principais fatores etiológicos relacionados as fraturas dos ossos da face, evidenciados na literatura são os acidentes de trânsito, violência interpessoal, acidentes de trabalho, PAF e quedas, entretanto, esses agentes incidem de forma variável de acordo com gênero, idade e população estudada8,9.
A região maxilofacial com seu arcabouço ósseo e os tecidos de revestimento, devido a sua projeção anterior em relação ao corpo, é extremamente exposta a agressões advindas de violência, acidentes com veículos e outras causas, os tecidos moles e os ossos da face são comprimidos sob a ação de forças de externas, sendo forçados ao rompimento gerando inúmeras lesões (fraturas, cortes, lacerações e hematomas) de profundidade e gravidade variáveis6.
O presente estudo tem como objetivo avaliar a prevalência das fraturas no complexo maxilofacial em uma unidade hospitalar pública, a partir de um estudo epidemiológico, sendo analisados os fatores relacionados a ocorrência do trauma, correlacionando informações de etiologia, frequência, gênero, idade, prognostico, região óssea atingida, uso de capacete e cinto de segurança e sinais de ingestão alcoólica, informados ou apresentados no momento do atendimento.
O presente estudo do tipo transversal retrospectivo, onde foram avaliados 268 prontuários de pacientes diagnosticados com fraturas dos ossos da face atendidos no Hospital Regional Justino Luz, localizado na cidade de Picos, no estado do Piauí, Brasil, no período de janeiro de 2015 até janeiro de 2017, os prontuários foram analisados no setor de arquivo médico do HRJL, mediante a autorização prévia por meio do termo de fiel depositário assinado pelo responsável técnico do hospital.
Para a realização do presente estudo, o mesmo foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio – CEP/UNILEÃO (protocolo nº 1.429.294).
Os dados foram coletados através de uma ficha de coleta de informação desenvolvida pelos METODOLOGIA
pesquisadores com o objetivo de facilitar a posterior análise das informações. A referida ficha continha campos para o registro de informações sobre a etiologia (acidentes motociclísticos, agressão física, quedas, etc.) estrutura óssea atingida (ossos do complexo maxilofacial), idade, gênero, prognóstico (Alta, óbito e transferência) data, hora, uso de equipamento de proteção (capacete e sinto de segurança) e se houve ingestão alcoólica.
Os dados obtidos foram coletados dos prontuários através de uma ficha desenvolvida pelos pesquisadores digitados e tabulados em programa de computador SPSS versão 22.0 (Statistical Package for Social Science), e posteriormente tratados com métodos de estatística descritiva.
Variável Categoria N Porcentagem
Gênero Masculino 233 87%
Feminino 35 13%
Total 268 100%
Faixa etária
0 – 10 6 2,2%
11 – 20 55 20,5%
21 – 30 88 32,8%
31 – 40 46 17,2%
41 - 50 32 12%
51 - 60 24 9%
60> 17 6,3%
Total 268 100%
Uso de capacete/
cinto de segurança
Sim 13 4,8%
Não 96 35,8%
Sem informação 159 59,4%
Consumo de bebida alcoólica
Sim 86 32,1
Não 36 13,4
Sem informação 146 54,5
- Distribuição da amostra quanto ao gênero, idade, uso de equipamento de proteção e consumo de bebida alcoólica.
Tabela 1
Fonte: Arquivo do Hospital Regional Justino Luz.
Com relação ao gênero, 87% (233 casos) dos casos foram compostos pelo gênero masculino e somente 12% (35casos) eram do gênero feminino. Com relação à idade, a amostra apresenta indivíduos entre 3 e 92 anos, a maior prevalência foi de indivíduos que ocupam a terceira década de vida (32,8%) seguidos da segunda (20,5%) e quarta (17,2%) respectivamente. Quanto ao uso de capacete ou cinto de segurança a informação foi registrada em 40,6% dos casos, sendo que 35,8% dos casos os indivíduos não faziam uso de nenhum dos equipamentos, quanto aos registros
- Distribuição da amostra quanto ao fator etiológico das fraturas.
- Gráfico 2. Distribuição da amostra em relação aos ossos acometidos.
Gráfico 1
Gráfico 2
Fonte: Arquivo do Hospital Regional Justino Luz.
Fonte: Arquivo do Hospital Regional Justino Luz.
*PAF (Perfuração por Arma de Fogo).
*PAB (Perfuração por Arma Branca).
de consumo de bebida alcoólica estes foram observados em 32,1% dos casos.
Quanto ao fator etiológico o mais prevalente foi o do tipo Acidente motociclístico, observado em 82,8% (222) de todos os casos. Já a soma dos acidentes de trânsito (Acidentes motociclísticos, automobilísticos e atropelamentos) compõem 86,9% (233 casos), outras causas como quedas e violência física tiveram prevalência de 4,5% e 3%
respectivamente.
Com relação à ocorrência de fraturas foram evidenciadas um total de 334 fraturas, média de 1,2 fraturas por paciente, onde a estrutura mais atingida foram os ossos do complexo orbito- zigomático maxilar (COZM) com 33,2% (n=111), nesse grupo também foi incluído as fraturas orbitárias. A fratura de mandíbula teve prevalência de 23,7% dos casos (n=79) e os ossos próprios do nariz (OPN) em 17% (n=57), a região da maxila sofreu fratura em 16% dos casos (n=34). Das 334 fraturas 68,3% localizavam-se no terço médio da face e 80 pacientes (31,6%) apresentaram mais de uma fratura no complexo maxilofacial, somente em 2,4% dos casos foi observado fratura panfacial.
Após o estabelecimento do diagnóstico e estabilização dos pacientes em 80,7% (n=202)
dos casos a conduta foi referenciar a hospitais de maior complexidade na capital Teresina, onde existe o serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco- Maxilo-Facial e em 24,7% (n=66) dos à conduta foi a liberação do paciente através de alta hospitalar para os casos de tratamento conservador ou da solicitaram alta hospitalar pelos pacientes para procurar atendimento no serviço de Cirurgia Buco- Maxilo-Facial privado na cidade ou na capital, é válido ressaltar que no momento da coleta de dados o HRJL não tinha disponível o serviço de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial para tratar os casos que necessitavam de osteossíntese, sendo o atendimento da especialidade somente em caráter de consultoria e parecer e/ou intervenção cirúrgica sem osteossíntese com material de fixação.
As características clínicas e epidemiológicas das fraturas maxilofaciais são estudadas em várias regiões do mundo e estas podem variar em função do agente etiológico, gênero, idade e fatores socioculturais10. Os diversos fatores relacionados ao trauma de face podem se diferenciar de um país para outro e até mesmo dentro de cada país, isso sugere que estas condições podem influenciar na incidência e prevalência dessas fraturas em diversas regiões do globo11,12.
O presente estudo avaliou a prevalência de fraturas no complexo maxilofacial em um hospital de referência para uma macrorregião composta por 44 cidades de um estado do nordeste brasileiro.
O estudo epidemiológico analisou fatores como etiologia, gênero, idade, região óssea fraturada, prognóstico dado ao paciente, consumo de bebida alcoólica e uso de equipamento de proteção.
O trauma maxilofacial ocorre em todo o mundo, entretanto, os fatores condicionantes como etiologia podem variar de acordo com as características sociodemográficas, culturais e econômicas de cada região13. No que diz respeito aos agentes etiológicos, países desenvolvidos com leis e fiscalizações mais rigorosas em relação ao trânsito, tem menores índices de traumatismos por acidentes com veículos, no entanto, tende apresentam maior frequência de traumatismo facial por violência interpessoal 12,14.
Um estudo epidemiológico multicêntrico realizado por Oikarinen et al.15 avaliou a etiologia de fraturas mandibulares em três países de diferentes continentes, América, Ásia e Europa, sendo eles Canadá, Kuwait e Finlândia, com o tempo de pesquisa variando entre 5 e 10 anos, obteve os seguintes resultados o Canadá teve como principal DISCUSSÃO
etiologia a violência interpessoal enquanto Kuwait e Finlândia apresentaram os acidentes de trânsito com maiores índices.
A partir da análise realizada neste estudo, houve maior prevalência do gênero masculino (87%), dado estatístico que está em concordância com a literatura aqui referenciada11,14. Com relação a faixa etária, 32,8% ocupam a terceira década de vida, 21 a 30 anos, estando de acordo com os estudos de Arabion et al.16 e Taiwo et al.17.
Um estudo retrospectivo realizado por Helgeland et al.14 analisou 188 fraturas em 139 pacientes entre os anos de 2002 e 2009 na cidade de Aalesund, Noruega, evidenciou que a maior parte da amostra (41,7%) apresentou fratura de face causado por violência interpessoal. O mesmo pode ser observado na análise retrospectiva realizada por Pham-Dang et al.11, realizada na cidade de Clermont – Ferrant na região central da França entre os anos de 1997 e 2007, em uma amostra composta por 364 pacientes com fraturas maxilofaciais, onde maior parte (39%) apresentou a violência interpessoal como principal agente etiológico.
A análise realizada aqui evidenciou que o segundo fator etiológico mais comum para traumatismos faciais na população estudada foram as quedas (4,5%) e situações de violência física (3%), no entanto, quando consideradas situações envolvendo outras formas de violência (agressão, PAF e PAB) a prevalência é de 6%.
Estudos como os de Malara et al.18 e Desai et al.19, onde respectivamente 51% e 86% da amostra apresentaram fraturas relacionadas a este fator, mostram que dependendo de variáveis socioeconômicas, questões de segurança pública e conflitos armados esses agentes podem ter maior relevância.
Outro fator ligado a características da população é a forma como o trânsito é organizado, gerido e fiscalizado, agentes condicionantes como, tamanho da frota de veículos públicos e particulares, tipo de veículo, formação de condutores e legislação aplicada, influenciam na ocorrência de fraturas faciais20. Diversos estudos epidemiológicos mostram que acidentes com transportes terrestres são a principal causa de traumatismo no complexo maxilofacial, principalmente em países em desenvolvimento, sobretudo, os que envolvem motocicletas com condutores sem uso de capacete e sob efeito de bebida alcoólica11,13,14,16,17.
O principal agente etiológico para as fraturas faciais nesta pesquisa foram os acidentes de trânsito, ocorrendo em 86,9% e destes 82,8%
envolviam motocicletas, tendo o condutor referido ou apresentado sinais de ingestão alcoólica no
momento da anamnese (32,1%) casos e não fazendo uso de capacete ou cinto de segurança em 35,8% dos casos. Resultados semelhantes foram obtidos nos estudos de Obimakinde et al.12.
Segundo Kamath et al.10 e Singaram et al.20 estudos epidemiológicos a respeito do trauma de face registram que os acidentes de trânsito são o principal fator etiológico observado em países em desenvolvimento. Evidenciam que há uma íntima relação entre infrações como, ultrapassar o limite de velocidade permitido, falta do uso de equipamento de proteção (capacete, sinto de segurança) e consumo de bebida alcoólica, com a incidência de fraturas maxilofaciais.
Outra característica relacionada aos pacientes que comporão a amostra, e que 32,1%
relataram no momento da anamnese que haviam consumido bebida alcoólica em momentos anteriores aos acidentes de trânsito e da ocorrência de agressões físicas, diversos autores expõem que o consumo de álcool favorece a ocorrência de condução perigosa de veículos nas vias de trânsito e a ocorrência de conflitos interpessoais que podem acarretar agressões físicas12,15,18,19.
Observou-se também que nesse estudo que 35,8% dos pacientes vítimas de acidente motociclísticos não faziam uso do capacete no momento do acidente, dados semelhantes foram relatados por Obimakinde et al.12 em um estudo que analisou 233 pacientes, onde 69,4% acometidos por acidentes com motocicletas e destes apenas 19%
fazia uso do capacete no momento do acidente.
Com relação aos ossos fraturados a literatura e bastante variada, a distribuição das fraturas nesse estudo apresentou o Complexo Orbito-zigomático-maxilar sendo a estrutura mais acometida (33,2%) dos casos, seguido da mandíbula (23,7%), resultados que também podem ser observados nos relatos de Kamath et al.10, dado que diverge os estudos de Arabion et al.16 e Helgeland et al.14 que evidenciaram a mandíbula como a estrutura óssea mais atingida.
Os ossos que compõem o terço médio da face tais como Maxila, Ossos Próprios do Nariz e Zigomático são frequentemente acometidos por fraturas causadas por forças frontais e laterais advindas de colisões, quedas, agressões físicas, práticas de esportes e acidentes de trabalho, devido a suas projeções anteroposteriores no crânio4.
Nas últimas décadas os estudos sobre traumatismos maxilofaciais vêm apresentando variações com relação aos agentes etiológicos, distribuição das fraturas e idade de maior prevalência, isso pode ser visto em função da população estudada, do desenvolvimento socioeconômico
e da legislação de cada nação, entretanto, os índices ligados ao trauma são crescentes em todo o mundo e por meio de análises epidemiológicas periódicas é possível esclarecer os principais fatores relacionados (incidência, etiologia, gênero, idade, estruturas atingidas) e partir disso embasar ações de intervenção através de políticas públicas.
Através deste estudo podemos concluir que o perfil epidemiológico dos pacientes vítimas de fraturas no complexo maxilofacial para esse estudo é composto por homens com idade entre 20 e 40 anos, com histórico de ingestão de bebida alcoólica, envolvidos em acidentes de trânsito, conduzindo motocicletas, sem uso de capacete. Os ossos da face mais acometidos foram os do complexo Orbito-zigomático-maxilar, seguidos da mandíbula e dos ossos próprios do nariz, sendo o terço médio da face a locorregião mais atingida, foi visto que em mais de 75,3% dos casos os pacientes foram encaminhados a hospitais na capital Teresina por não haver serviço de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial no HRJL, a ausência de assistência especializada implica em maiores gastos com transporte, exames e outros recursos relacionados a saúde. Podemos concluir que existe uma demanda real de pacientes com necessidade de assistência da Cirurgia Buco- Maxilo-Facial, tanto da cidade de Picos como do interior tendo em vista que os índices de acidentes de trânsito envolvendo fraturas dos ossos da face são cada vez mais frequentes.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
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Artigo Original
Análise de prontuários de pacientes com infecções odontogênicas atendidos no serviço hospitalar
Objetivo: O seguinte estudo é uma análise de prontuários para traçar um perfil epidemiológico de pacientes acometidos por infecções odontogênicas e/ou angina de Ludwig em um serviço hospitalar público. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional de 37 prontuários com diagnóstico de infecção odontogênica e/ou Angina de Ludwig no Hospital da Restauração, na cidade do Recife, Pernambuco, entre os meses de julho a novembro de 2021. Resultados: Dos 37 prontuários, a maioria foi do sexo masculino (55%; n=20), a faixa etária mais acometida foi dos 18 aos 40 (45%; n=17); abaixo dos 10 anos foram acometidos 27% (n = 10). 21% (n = 8) foram internados e dos 37 prontuários, 13% (n = 5) evoluíram para Angina de Ludwig.
Conclusão: O perfil mais acometido por infecções odontogênicas no período proposto foram pacientes do sexo masculino adultos e a internação não prevaleceu na maioria dos casos. O alto acometimento de crianças é um sinal de alerta, sugerindo uma atenção maior dos responsáveis. A angina de Ludwig acometeu menos da metade dos pacientes e a Ceftriaxona e o Metronidazol foram os antibióticos de escolha para a maioria dos casos.Palavras-chaves: Angina de Ludwig, Infecção Focal Dentária, Bactérias.
RESUMO
Wellington Gomes de Sena
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4915-2174
Cirurgião-Dentista Graduado pelo Curso de Odontologia do Centro Universitário Tiradentes, Recife – PE.
Gabriel Ferreira de Azevedo Maia
Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7901-6109
Aluno de Graduação em Odontologia pelo Curso de Odontologia do Centro Universitário Tiradentes, Recife – PE.
Suzana Célia de Aguiar Soares Carneiro
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5559-3603
Cirurgiã-Dentista, Especialista, Mestre e Doutora em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo Facial pela Universidade de Pernambuco. Professora de Prótese Bu- co-Maxilo Facial do Centro Universitário Tiradentes, Recife – PE.
Rafaela Ellen de Lima Fragoso
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3053-8904
– Cirurgiã-Dentista Graduada pelo Curso de Odontologia do Centro Universitário Tiradentes, Recife – PE.
Wanessa Hellen Viana Ribeiro
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-8279-2165
– Cirurgiã-Dentista Graduada pelo Curso de Odontologia do Centro Universitário Tiradentes, Recife – PE.
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA Gabriel Ferreira de Azevedo Maia Email: [email protected] Centro Universitário Tiradentes (UNIT) Rua Barão de São Borja, 427 – Soledade, Recife – PE, 50070-310.
Análisis de registros de pacientes con infecciones dentales atendidos en el servicio de hospital Analysis of records of patients with dental infections care at the hospital service
Objetivo: El siguiente estudio es un análisis de historias clínicas para trazar un perfil epidemiológico de los pacientes afectados por infecciones odontogénicas y/o angina de Ludwig en un servicio hospitalario público. Metodología: Se realizó un estudio observacional en 37 historias clínicas con diagnóstico de infección odontogénica y/o Angina de Ludwig en el Hospital da Restauração, en la ciudad de Recife, Pernambuco, entre julio y noviembre de 2021. Resultados:
De las 37 historias clínicas, la mayoría eran hombres (55%; n=20), el grupo de edad más afectado fue el de 18 a 40 años (45%; n=17);
menores de 10 años, el 27% (n = 10) estaban afectados. El 21% (n = 8) fueron hospitalizados y de las 37 historias clínicas, el 13% (n = 5) progresó a Angina de Ludwig. Conclusión: El perfil más afectado por infecciones odontogénicas en el periodo propuesto fueron pacientes adultos del sexo masculino y no predominó la hospitalización en la mayoría de los casos. La alta participación de los niños es una señal de advertencia, lo que sugiere una mayor atención por parte de los responsables. La angina de Ludwig afectó a menos de la mitad de los pacientes y la ceftriaxona y el metronidazol fueron los antibióticos de elección en la mayoría de los casos. Palabras clave: Angina de Ludwig, Infección Dental Focal, Bacterias.
RESUMEN
INTRODUÇÃO
As infecções odontogênicas são uma das mais preocupantes e complicadas no âmbito da odontologia. No passado tinha altos índices de mortalidade, e hoje em dia, mesmo com todos os avanços da antibioticoterapia, exames complementares e o fácil acesso aos serviços de saúde, ainda assim, é uma situação de extrema relevância para o sistema público de saúde, devido à morbidez e o alto custo do tratamento1.
Mesmo sem predileção por sexo, idade ou classe social, atinge com maior frequência indivíduos socioeconomicamente mais vulneráveis2. As infecções odontogênicas ocorrem quando há uma quebra no equilíbrio entre o microrganismo e o sistema de defesa do indivíduo, provocando uma exacerbação e proliferação de forma desordenada dos microrganismos, que se disseminam além do elemento dentário, através de uma condição já preexistente, sendo necessária a intervenção da antibioticoterapia para controlar a infecção, já que o próprio sistema imunológico não consegue combater sozinho3.
Podendo ter origem periodontal, pericoronária, periapical, através de uma doença pulpar e sendo composta por mais de um tipo de bactéria, principalmente por Cocos aeróbios
gram positivos, Cocos anaeróbios gram positivos e bacilos anaeróbios gram negativos encontrados no meio bucal, disseminando-se além do elemento dentário e atingindo os espaços faciais4. Após sua disseminação, pode atingir regiões mais profundas ocasionando obstrução das vias respiratórias; dor no soalho bucal, febre, fístula, tumefação, dificuldade e dor ao deglutir, sialorreia, trismo, odontalgia e odor na respiração, são os sinais e sintomas comumente apresentados pela pessoa acometida pela infecção1. O objetivo desta pesquisa foi analisar prontuários com diagnóstico de infecção odontogênica e/ou Angina de Ludwig no serviço hospitalar público na cidade do Recife, Pernambuco, no período de julho a novembro de 2021 e traçar um perfil epidemiológico dos pacientes acometidos.
Trata-se de um estudo observacional desenvolvido no Centro Universitário Tiradentes, na cidade do Recife, Pernambuco. Os dados são provenientes do banco de dados do Hospital da Restauração, onde todos os pacientes foram atendidos no setor de emergência pela equipe de cirurgia e traumatologia buco-maxilo facial.
Foram realizadas descrições detalhadas de todos os prontuários coletados com o diagnóstico de infecção odontogênica e/ou Angina de Ludwig no período que compreende de julho a novembro de 2021.
Os critérios para inclusão foram laudos disponíveis de pacientes com história clínica de infecção odontogênica e atendidos na emergência do Hospital da Restauração no período proposto. O critério para exclusão foi ausência de laudos e exames.
Este projeto foi submetido à Comissão de Ética em pesquisa com seres humanos do Hospital da Restauração (número do parecer: 4.501.108;
CAAE: 40325520.2.0000.5198), respeitando os aspectos éticos e legais e vigentes. Em obediência a resolução n° 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, os pesquisadores do presente trabalho estudo atenderam a todas as solicitações feita pelo comitê e todos os preceitos desta resolução referente à ética em pesquisa envolvendo seres humanos.
A análise dos 37 prontuários permitiu a conclusão de que 20 indivíduos do sexo masculino foram acometidos, correspondendo a mais do que a metade, em relação ao sexo feminino, como consta na figura 1.
METODOLOGIA
RESULTADOS Objective: The following study is an analysis of
medical records to trace an epidemiological profile of patients affected by odontogenic infections and/or Ludwig's angina in a public hospital service.
Methodology: An observational study was carried out on 37 medical records with a diagnosis of odontogenic infection and/or Ludwig's Angina at Hospital da Restauração, in the city of Recife, Pernambuco, between July and November 2021.
Results: Of the 37 medical records, the most were male (55%; n=20), the age group most affected was from 18 to 40 (45%; n=17); under 10 years of age, 27% (n = 10) were affected. 21% (n = 8) were hospitalized and of the 37 medical records, 13% (n
= 5) progressed to Ludwig's Angina. Conclusion:
The profile most affected by odontogenic infections in the proposed period were adult male patients and hospitalization did not prevail in most cases.
The high involvement of children is a warning sign, suggesting greater attention from those responsible. Ludwig's angina affected less than half of the patients and Ceftriaxone and Metronidazole were the antibiotics of choice for most cases. Key- words: Ludwig's Angina, Focal Dental Infection, Bacteria.
ABSTRACT
Figura 1 - Sexo
Figura 2 - Fixa etária
Figura 4 - Técnica de tratamento mais usada
Figura 5 - Medicamentos mais administrados
Figura 3 - Internados
A seguir, na figura 2, constatamos que as faixas etárias mais acometidas foram as crianças de 1 à 10 anos (27%; n = 10) e os adultos de 18 à 40 anos (45%; n = 17).
A evolução de infecção odontogênica para a Angina de Ludwig também foi baixa (14%; n = 5), sendo dois pacientes com obesidade mórbida.
Na figura 3 constatamos que o número de pacientes internados foi muito pequeno (22%; n = 8), tendo este dado relação com outras condições de saúde que os pacientes apresentavam ao chegar ao serviço de emergência, como por exemplo, celulite em olho, agressão por arma de fogo, asma, queimadura, pneumonia e gestação.
A conduta de tratamento mais utilizada foi o Dreno Extraoral (62%; n = 23), seguido do Dreno Intraoral (24%; n = 9), e a técnica menos utilizada foi a associação destes (13%; n = 5), como ilustra a figura 4. Vale destacar que 100% dos casos houve a remoção infecciosa, como exodontias e drenagens como complemento do tratamento.
Os medicamentos mais usados para o tratamento das infecções odontogênicas em ambiente hospitalar foram a Ceftriaxona, sendo administrado em associação a outros fármacos em 86% dos pacientes (n = 32), assim como também o Metronidazol, administrado em associação com outros fármacos em 78% dos pacientes (n = 29), como evidencia a figura 5.
O tratamento da Angina de Ludwig consiste inicialmente ao exame clínico, utilizando a penicilina como primeira escolha. Para anaeróbios, deve- se utilizar o metronidazol, devido ao aumento de cepas resistentes à penicilina. O uso combinado da clindamicina, penicilina, e metronidazol são amplamente recomendados, pois, assim que o resultado do estudo de cultura bacteriana identificar o agente etiológico, o tratamento é ajustado de acordo com o resultado do exame de cultura bacteriana, evitando assim a resistência de bactérias ao tratamento e consequentemente o seu insucesso5. DISCUSSÃO
Dos 37 pacientes avaliados, dez foram submetidos a procedimento cirúrgico para drenagem e em todos foram removidos o fator causal. A quantidade de incisões dependerá da localização da infecção e espaços subjacentes acometidos, o que faz com que a cirurgia se torne um pouco mais invasiva.
A utilização de drenos é realizada, visando evitar que volte a ocorrer a concentração de tecidos necróticos e pus. E se houver a presença de dente como fator etiológico no local, é necessário que ocorra sua extração para garantir que ocorra drenagem da coleção purulenta e atenuação da infecção6.
Todos os pacientes foram tratados em ambiente hospitalar e as infecções odontogênicas quando identificadas inicialmente podem ser tratadas no consultório odontológico, porém quando não tratadas, ou tratadas de forma inadequada, evoluem e devem ser acompanhadas em um ambiente cirúrgico hospitalar, visto que tais infecções podem levar o paciente a óbito7.
É extremamente importante a identificação da infecção inicialmente, para que seja realizada a intervenção menos invasiva, bem como o conhecimento sobre os microrganismos presentes em tais infecções. Assim como, também é importante a utilização de exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que é eficaz no acompanhamento da evolução dos casos de infecção odontogênica para espaços adjacentes. O local em que ocorreu o processo infeccioso determina a gravidade da infecção, e qual manejo terapêutico será usado. Quando a infecção é causada por bactérias aeróbias e anaeróbias, a punção e estudo de esfregaço são indicados, o que auxilia na escolha da antibioticoterapia adequada8.
A antibioticoterapia inicial associada ao procedimento cirúrgico, como exodontia, drenagem de coleção purulenta podem levar a remissão da infecção, mas quando não controladas evoluem para espaços adjacentes ao foco inicial. Como forma de evitar evolução para mediastinite, é necessário realizar a drenagem com dreno de penrose, remoção do fator etiológico da infecção e antibioticoterapia, fazendo com que aumente as chances de sucesso do tratamento8.
O perfil mais acometido por infecções odontogênicas no período proposto foram pacientes do sexo masculino adultos, entre 18 e 40 anos, e a internação pós-cirúrgica não prevaleceu na maioria dos casos, tendo os internados outras condições de saúde envolvidas. O alto acometimento de crianças é um sinal de alerta, sugerindo uma atenção maior CONCLUSÃO
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Artigo Original
Maxilectomia em paciente diabética tipo II, diagnosticada com Mucormicose rinomaxilar, com posterior reabilitação protética - Relato de caso
A mucormicose é uma infecção fúngica angioinvasiva que afeta uma ampla faixa etária, geralmente imunodeprimidos, sem predileção por gênero ou raça e com alta taxa de mortalidade. Essa infecção inicia- se no nariz, devido a inalação dos esporos, podendo-se espalhar pelos seios paranasais, órbita e estruturas intracranianas. As características clínicas incluem parestesia perinasal, celulite periorbitária, rinorréia, obstrução nasal, epistaxe e diminuição de peso. O tratamento efetivo dessa comorbidade compoe uma combinação de manejo clínico e medicamentoso, conjuntamente com desbridamento cirúrgico radical do tecido infectado e/ou necrótico. O caso clínico descrito nesse trabalho refere-se a uma paciente diagnosticada com Mucormicose rino maxilar e diabetes do tipo II, a qual foi submetida a procedimento cirúrgico de hemimaxilectomia do lado esquerdo com posterior reabilitação protética para selamento de comunicação buco-naso-sino-etmoidal.
Palavras-chaves: Mucormicose; Diabetes tipo 2; Maxila; Reabilitação bucal
Mucormycosis is an angioinvasive fungal infection that affects a wide age group, usually immunocompromised, with no gender or race predilection, and with a high mortality rate. This infection starts in the nose, due to the inhalation of spores, and can spread through the paranasal sinuses, orbit and intracranial structures. Clinical features include perinasal paresthesia, periorbital cellulitis, rhinorrhea, nasal obstruction, epistaxis and weight loss. Effective treatment of this comorbidity comprises a combination of clinical and drug management, together with radical surgical debridement of infected and/or necrotic tissue. The clinical case described in this work refers to a patient diagnosed with Mucormycosis Rhinomaxilla and Type II diabetes, who underwent a surgical procedure of left hemimaxillectomy with subsequent prosthetic rehabilitation for sealing of the bucco- nasal-sino-ethmoidal communication. Key-words: Mucormycosis;
Type 2 diabetes; Jaw; Oral rehabilitation RESUMO
ABSTRACT
Aline Bergman de Souza Herculano
ORCID: https://orcid.org/ 0000-0002-1636-2036
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
E-mail: [email protected] José Carlos Garcia de Mendonça
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3217-872X
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
E-mail: mendoncajosecarlosmendon- [email protected]
Gustavo Silva Pelissaro
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3217-872X
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
E-mail: [email protected] Daniel Isao Nakamura
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
Amauri Ferrari Paroni
ORCID: http://orcid.org/0000-0003-2501-0128
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil
Maxillectomy in a type II diabetic patient, diagnosed with rhinomaxillary mucormycosis, with subse- quent prosthetic rehabilitation - Case report
Maxilectomía en paciente diabética tipo II diagnosticada de mucormicosis rinomaxilar, con pos- terior rehabilitación protésica - Reporte de caso
La mucormicosis es una micosis angioinvasiva que afecta a un amplio grupo de edad, habitualmente inmunodeprimidos, sin predilección de género ni raza, y con una alta tasa de mortalidad. Esta infección comienza en la nariz, debido a la inhalación de esporas, y puede RESUMEN
A mucormicose é descrita como uma in- fecção fúngica angioinvasiva oportunista, que afeta uma grande faixa etária, sem predileção por gênero ou raça e com uma mortalidade em torno de 50%
a 85%, que acomete geralmente indivíduos imuno- deprimidos, sobretudo diabéticos descompensa- dos.Sua frequência, varia conforme a população, como por exemplo nos Estados Unidos, a forma Rinocerebral é a mais comum das mucormicoses e na India o fator causal é devido a alta prevalência do diabetes descompensado.1
Uma revisão recente realizada entre os pe- riodos de Janeiro de 2000 a janeiro de 2017, com 851 casos, demonstrou que a prevalencia dessa co- morbidade é ligeiramente maior na Europa (34%) do que na Asia (31%), seguido pelas Americs do norte e sul (28%), Africa (3%), Australia e Nova Zelândia 3%.3
Essa infecção inicia-se no nariz, através da inalação dos esporos do fungo, podendo estender- -se para estruturas intracranianas através de pene- tração nos vasos sanguíneos, formando trombos que causam necrose de tecidos moles e duros.4
O diagnóstico é realizado através de exa- mes clínicos e de imagem, como a tomografia computadorizada, na qual observa-se, geralmente, uma opacificação dos seios da face associado ao apagamento regular de suas paredes ósseas adja- centes. Os achados histológicos podem apresentar necrose e várias hifas, ramificadas e não septadas na periferia. 5
O tratamento efetivo de tal comorbidade, se dá através de uma combinação de manejo clínico e medicamentoso, como correção da anormalidade sistêmica, administração de altas doses de uma das INTRODUÇÃO
Paciente do gênero feminino, leucoderma, 50 anos de idade, de ocupação doméstica, foi enca- minhada ao um hospital de ensino, com o diagnós- tico de Mucormicose oriunda de biópsia realizada em outro serviço. Na anamnese negou ser etilista, tabagista e uso de drogas ilícitas. Referiu que pos- suia hipertensão arterial sistêmica há 4 anos sob controle medicamentoso e histórico familiar de mãe e irmão diabéticos.
Na avaliação clínica intraoral apresentou mucosa de coloração cianótica na região apical dos elementos dentários 11 e 22, com fístulas vestibulares apresentando drenagem espontânea de exsudato purulento (Figura 1A). Solicitado exame tomográfico de seios da face para observar a área comprometida da maxila e anexos (Figura 1B), evidenciando presença de área hiperdensa em seio maxilar esquerdo e rarefação óssea em região anterior esquerda da maxila e palato duro.
RELATO DE CASO
Figura 1 - A-Tomografia pré operatoria para planejamento cirurgico; B- Tomografia pós operatória para a demostração de área ressecada.
extenderse a través de los senos paranasales, la órbita y las estructuras intracraneales. Las características clínicas incluyen parestesia perinasal, celulitis periorbitaria, rinorrea, obstrucción nasal, epistaxis y pérdida de peso. El tratamiento eficaz de esta comorbilidad comprende una combinación de manejo clínico y farmacológico, junto con un desbridamiento quirúrgico radical del tejido infectado y / o necrótico. El caso clínico descrito en este trabajo se refiere a una paciente diagnosticada de Mucormicosis Rinomaxilar y diabetes Tipo II, que fue sometida a un procedimiento quirúrgico de hemimaxilectomía izquierda con posterior rehabilitación protésica para sellar la comunicación buco-nasal-sino-etmoidal.Palabras clave: Mucormicosis; Diabetes tipo 2; Mandíbula;
rehabilitación oral
formulações lipídicas de Anfotericina b, além de desbridamento cirúrgico radical do tecido infectado e/ou necrótico.2, 5
Figura 2 - A- Transoperatório após remoção de porção maxilar necrótica e visualização de concha nasal inferior; B- Exposição e comparação de dimensão de peça anatomia de osso maxilar e osso palatino.
Figura 3 - A- Aspecto de área cirurgica após 27 meses de acompanhamento e, presença de comunicação buco- naso-etmoidal; B- Reabilitação dentária com prótese obliteradora bem adaptada, vedando comunicação buco-naso-etmoidal
Nos exames bioquímicos admissionais não apresentou alterações em hemograma, função renal, hepática e glicemia em jejum, no entanto, apresentou hemoglobina glicada de 8%, levando ao diagnóstico de diabetes do tipo II pela equipe de Endocrinologia da unidade, que passou a acompanhar o caso.
As equipes de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial realizaram o procedimento cirúrgico de maxilectomia parcial com margem de segurança de 2 cm (Figura 2A) e instalação de sonda nasoenteral.
A peça cirúrgica retirada (Figura 2B) foi enviada para exame anatomopatológico que revelou presença de infiltrado inflamatório, esparsas estruturas fúngicas consistentes com mucormicose e com pesquisa positiva de fungos (Figura 3A).
A paciente permaneceu internada durante 29 dias em enfermaria, sob terapia antifúngica com Anfoterecina b 50 mg uma vez ao dia. Na alta hospitalar, permaneceu com essa medicação associada a Teicoplanina 400 mg por 30 dias, com objetivo de prevenir infecção da comunicação buco-naso-etmoidal desenvolvida no pós- operatório por deiscência do retalho. Em tempo, foi realizado o controle de função renal e hepática, devido a possível efeito colateral dos medicamentos prescritos.
Com acompanhamentos periódicos no ambulatório de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial aos 2, 5 e 20 meses para controle pós operatório, a paciente apresentou aspecto cicatricial satisfatório, sem sinais de recidiva da lesão ao exame clínico e tomográfico (Figura 3B) e ausência de demais comorbidades.
Aos 5 meses foi proposta a reabilitação com prótese obturadora intra-oral (Figura 4A-B),