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CESTA BÁSICA DE PARAÍSO DO TOCANTINS - CARNE

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Academic year: 2022

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CESTA BÁSICA DE PARAÍSO DO TOCANTINS - CARNE

Leila Maria Azevedo Costa Silva1, Gianluca Batista Silva1, José Marcio Ferreira1, Núbia Adriane da Silva2, Marcio Eckardt2

1Estudantes do curso de Administração – Bolsistas IFTO/CNPQ - Campus Paraíso. E-mail: [email protected]

2Professores do curso de Administração– IFTO Campus Paraíso. E-mail: [email protected]

Resumo: A variação dos preços da Cesta Básica de Paraíso do Tocantins vem sendo estudada desde o mês de novembro de 2013. Os produtos que tiveram seus preços pesquisados são definidos pelo Decreto Lei nº399/1938, que define a ração diária necessária para o sustento de um trabalhador em idade adulta. Ao longo desse período, fenômenos ambientais e econômicos têm influenciado nas variações dos preços dos produtos que compõem a cesta básica. Dentre os produtos estudados, a carne é o item com o maior peso no valor da cesta. Os dados apresentados referem-se ao período compreendido entre julho de 2014 e junho de 2015.

Palavras–chave: carne, cesta básica, pesquisa, preço

1. INTRODUÇÃO

A pesquisa da Cesta Básica Nacional é realizada pelo DIEESE em dezoito capitais do Brasil e acompanha mensalmente a evolução de preços dos produtos de alimentação, bem como o peso dos produtos no orçamento do trabalhador, a quantidade horas trabalhadas necessárias para adquirir a cesta e o valor do salário mínimo necessário, conforme determinação constitucional, para suprir as despesas de um trabalhador e sua família (DIEESE, 2014).

A cidade de Paraíso do Tocantins é a quinta maior do Estado com 47.724 habitantes e sua economia é basicamente constituída pelo comércio, indústrias e agropecuária (IBGE, 2013), além de ser a referência comercial da região do Vale do Araguaia.

O estudo dos preços da Cesta Básica na cidade de Paraíso do Tocantins tem repercutido bons resultados, tornando-se um importante instrumento de pesquisa e defesa para o consumidor do município e região que, através da verificação dos dados apresentados, pode alterar seus produtos geralmente consumidos por outros mais baratos que porventura possam substituí-los, podendo assim reduzir o peso que os gastos com alimentação representam no orçamento familiar.

A pesquisa realizada nos estabelecimentos varejistas que comercializam os produtos da ração diária que compõe a cesta básica tem apresentado mensalmente, através dos diversos meios de comunicação disponíveis do município, como sites e rádio, o valor médio da cesta básica, bem como sua variação percentual e influência no orçamento familiar.

A carne é o item que possui maior influência no preço da cesta e, segundo Rezende (2014), é uma importante fonte de proteínas, minerais, vitaminas e ácidos graxos indispensáveis ao organismo humano.

O Estado do Tocantins ocupa a 11ª posição no ranking dos estados produtores de carne bovina, com um rebanho que gira em torno de 8 milhões de cabeças (SEAGRO, 2014). O rebanho de Paraíso do Tocantins é composto por cerca de 84.000 cabeças (UNIREGISTRO, 2014) que abastece o município e tem uma parcela destinada à exportação.

2. MATERIAL E MÉTODOS

A metodologia, segundo Marconi e Lakatos (2010), é o conjunto de ações racionais e sistemáticas que permitem o alcance dos objetivos propostos pelo pesquisador com maior segurança por meio de caminhos traçados e detecção de possíveis erros, contribuindo assim nas possíveis tomadas de decisão do pesquisador.

A pesquisa da cesta básica realizada em Paraíso do Tocantins tem como base a metodologia utilizada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) na pesquisa da Cesta Básica Nacional.

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O Decreto Lei nº399 de 1938, que continua em vigor, define estrutura da cesta, levando em consideração as necessidades nutricionais de um trabalhador em idade adulta. Os produtos que compõem a cesta da região em que se localiza Paraíso do Tocantins (Norte/Nordeste) e suas respectivas quantidades encontram-se na Figura 1:

Figura I – Composição da Cesta Básica de Paraíso do Tocantins, conforme Decreto Lei nº399 de 1938.

Fonte: DIEESE

A cidade foi dividida em quatro regiões (Norte, Sul, Leste e Oeste) e limitou-se em quatro locais de pesquisa por região, totalizando dezesseis locais de coleta de preços. Dentro desta distribuição ficou determinado que fossem pesquisados apenas estabelecimentos bem abastecidos, ou seja, que tivessem maior fluxo de mercadorias e clientes, que comercializassem todos os itens que compõem a cesta básica e que também fossem de fácil acesso.

Foi realizado junto aos proprietários e/ou gerentes dos estabelecimentos uma entrevista para identificação das três marcas/tipos mais vendidos para cada produto da cesta em cada estabelecimento.

Para a delimitação temporal ficou estabelecido que as visitas aos locais de coleta fossem realizadas na segunda semana de cada mês, sempre no mesmo dia. Assim, um estabelecimento pesquisado na segunda semana do mês em uma terça-feira, foi visitado no mês seguinte também na terça-feira da segunda semana durante o período de realização da pesquisa.

Mensalmente, após a coleta dos preços, foram calculados os preços médios dos produtos, usando o seguinte procedimento para cada um dos produtos pesquisados:

a. Multiplicou-se os valores encontrados para cada item pelas quantidades definidas no Decreto Lei nº 399;

b. Fez-se uma média aritmética de todos os preços coletados, por estabelecimento;

c. Somou-se as médias encontradas para cada produto, em cada local pesquisado, chegando ao valor da cesta no estabelecimento;

d. Após a soma de todos os valores das cestas encontradas e dividiu-se pela quantidade de estabelecimentos, obtendo o preço médio da cesta.

Obtido o valor da cesta, encontrou-se a quantidade de horas que um trabalhador necessita trabalhar para adquirir a ração diária. Para isso, divide-se o salário mínimo vigente pela jornada de trabalho adotada na Constituição (220 Hs/mês, desde outubro de 88). Aplicou-se então, a seguinte fórmula:

Salário Mínimo/220 = Custo da Cesta/X X = (Custo da Cesta/Salário Mínimo) X 220

ALIMENTOS UNIDADE DE MEDIDA QUANTIDADES

Carne kg 4,5

Leite l 6

Feijão kg 4,5

Arroz kg 3,6

Farinha kg 3

Tomate kg 12

Pão Francês kg 6

Café em Pó kg 0,3

Banana unid. 90

Açúcar kg 3

Óleo ml 750

Manteiga kg 0,75

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O levantamento mensal permite acompanhar a evolução do poder aquisitivo dos salários dos trabalhadores e comparar o preço da alimentação básica, determinada por lei, com o salário mínimo vigente.

Durante a pesquisa foram levantados os preços apenas da carne bovina, sendo selecionados o coxão mole, o coxão duro e o patinho, que são os cortes mais consumidos, conforme entrevista realizada com os proprietários e gerentes dos locais de pesquisa.

Para fundamentar o presente estudo, além dos dados da pesquisa, realizou-se também uma pesquisa bibliográfica que abordou o assunto, colhendo informações necessárias para uma melhor compreensão do tema e consequente desenvolvimento do trabalho. Para esse fim, utilizou-se artigos, dissertações e teses contidos em bases de dados diversas.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A carne é um dos principais itens consumidos pelo ser humano pelo fato de ser uma importante fonte de proteínas, minerais, vitaminas, ácidos graxos indispensáveis ao organismo humano e água. As carnes magras apresentam em torno de 75% de água, 21 a 22% de proteína, 1 a 2% de gordura, 1% de minerais e menos de 1% de carboidratos. A quantidade de calorias (conteúdo energético) é relativamente pequena, com média de 105 kcal/100g de carne crua (MAPA, 2014).

O consumo de carne bovina é condicionado por fatores como renda per capita da população, pelo seu próprio preço e também pelos preços de seus substitutos, principalmente as carnes de aves e de suínos (Araujo et al, 2008).

Segundo o mesmo autor, além desses, existe ainda outro fator determinante no consumo que é a modificação nas preferências dos consumidores, fator esse que pode alterar significativamente a demanda pelo produto. Essa preferência de compra dos indivíduos é impulsionada por variáveis sociais, demográficas, culturais e psicológicas como, por exemplo, estilo de vida.

A quantidade média de carne vermelha consumida no Brasil, por habitante, é de aproximadamente 37,9 Kg/ano (CONAB, 2014). Estima-se que em 2023, com o aumento da população e da renda, esse consumo per capita será de aproximadamente 50 Kg de carne por ano.

Gallo (2007) afirma que os preços dos produtos agrícolas são muito instáveis devido, principalmente, à sua natureza biológica que sofre ação direta dos métodos de manejo, instabilidade do clima e doenças, influenciando diretamente na diferença existente entre a produção planejada e a produção efetivamente obtida no final do processo. Assim como os demais itens agrícolas componentes da cesta básica, o preço da carne também sofre ação de agentes externos.

Por meio da análise dos resultados pode-se verificar as variações no preço da carne, bem como dos demais itens que compõem a cesta. A Figura 2 traz uma breve apresentação dos dados obtidos nos período compreendido entre julho de 2014 e junho de 2015.

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Figura 2 – Preços médios da cesta e dos itens, nas quantidades estipuladas, pesquisados entre julho/2014 e junho/2015

Fonte: elaborada pelo autor. Preços expressos em Reais (R$).

Dentre os preços registrados, nota-se que o produto que exerce maior influência no preço final da cesta é a carne. O peso médio mensal do produto em relação ao preço total da cesta é de 27,77%.

O preço médio da carne no período foi de R$71,30, variando entre R$61,80, registrado em julho/2014 e atingindo o ponto mais alto em junho/2015 chegando a R$76,32, ou seja, entre o menor e o maior preço verifica-se uma variação de 23,5% num curto período de 12 meses.

A Figura 3 traz o gráfico com a variação mensal do preço da carne ao longo da pesquisa.

Figura 3 – Variação do preço da carne no período pesquisado (%).

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

Verifica-se que o período de variação mais significativa se deu entre os meses de outubro e novembro de 2014, quando a variação no preço do produto chegou a 10,8%, pulando de R$66,63 para R$73,84. Essa variação súbita pode ser explicada por dois principais motivos: instabilidade climática e exportação.

Segundo o DIEESE(2014), no início do ano de 2014, a falta de chuvas encareceu os custos de produção fazendo com que os produtores reduzissem seus rebanhos. Com isso, faltou gado de reposição, elevando assim o preço da arroba. No período de entressafra, que compreende os meses de setembro a novembro, o gado para abate ainda se encontra em fase de crescimento, reduzindo assim a oferta no mercado, elevando automaticamente o preço.

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Além disso houve também o crescimento da demanda por exportação de carne, fator esse que também contribuiu para a elevação dos preços no mercado interno, uma vez que é economicamente mais atraente para o produtor exportar, o que reduziu mais ainda a oferta nacional.

4. CONCLUSÃO

A carne é uma das principais fontes de proteínas e sais minerais para o ser humano. De acordo com o Decreto Lei nº399 de 1.938 a quantidade mínima mensal necessária para o sustento de um trabalhador em idade adulta é 4,5 Kg. Embora pareçam divergentes as quantidades estipuladas na cesta e o consumo médio anual por habitante, cabe salientar que a quantidade estipulada na cesta é a quantidade necessária para o sustento de um trabalhador adulto em termos nutricionais.

No período pesquisado o preço da carne teve variações percentuais significativas devido principalmente a fatores climáticos e econômicos e, pelo fato de ser o item com maior peso no valor total da cesta básica, qualquer variação no valor do item causa impacto no preço final da cesta e, consequentemente, na economia doméstica do trabalhador paraisense.

5. AGRADECIMENTOS

Agradecemos primeiramente a Deus, que nos deu a capacidade e a saúde necessária para fazer esse estudo. Aos professores que nos instruíram durante o processo. Ao IFTO que acreditou na importância desse trabalho e nos proporcionou essa oportunidade de adquirir um pouco mais de conhecimento.

REFERÊNCIAS

ARAUJO, A. P.; LUNKES, F. F.; RODRIGUES, W. Competitividade do sistema agroindustrial da carne bovina no estado do Tocantins. 2008. Acesso em 16 Ago 2015.

Disponível em: http://www.sober.org.br/palestra/9/878.pdf

CONAB. CARNE. 2014. Acesso em 30 Jul 2015. Disponível em: http://www.conab.gov.br DIEESE. Cesta Básica: preço aumenta em 16 capitais. Acesso em 01 Ago 2015. Disponível em: http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/2014/201409cestabasica.pdf

DIEESE. Cesta Básica: preços aumentam em 17 capitais. Acesso em 05 Ago 2015. Disponível em: http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/2014/201410cestabasica.pdf

DIEESE. Cesta Básica Nacional Metodologia. 1993. Acesso em 05 Ago 2015. Disponível em http://www.dieese.org.br/metodologia/metodologiaCestaBasica.pdf

DIEESE. Metodologia da Cesta Básica Nacional Versão Preliminar. 2009. Acesso em 09 Ago 2015. Disponível em: http://www.dieese.org.br/metodologia/metodologiaCestaBasica.pdf GALLO, G. Análise da sazonalidade do preço do tomate no Ceasa da grande Florianópolis.

2007. Acesso em 25 Jul 2015. Disponível em: http://tcc.bu.ufsc.br/Economia293476

IBGE. Cidades@. 2013. Acesso em 09 Ago 2015. Disponível em: http://cod.ibge.gov.br/232Z3 IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – Método de Cálculo dos Itens Sazonais Alimentícios. Acesso em 08 Jul 2015. Disponível em:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/srmipca.pdf

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MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos da metodologia científica. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MAPA - MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Plano Mais Pecuária. 2014. Acesso em 16 Ago 2015. Disponível em:

http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Ministerio/Publicacao_v2.pdf

REZENDE, M. A importância do consumo da carne vermelha. 2014. Acesso em 05 Ago 2015. Disponível em:

http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=25980&secao=Sanidade%2 0Animal

SEAGRO. População Bovina estado do Tocantins. 2013. Acesso em 15 Ago 2015.

Disponível em: http://central3.to.gov.br/arquivo/182288/

UNIREGISTRO. Paraíso do Tocantins/TO. 2014. Acesso em 28 Jul 2015. Disponível em:

http://www.uniregistro.com.br/cidades-do-brasil/tocantins/paraisodotocantins/

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