PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS GRADUADOS EM PSICOLOGIA EXPERIMENTAL:
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
Um estudo experimental sobre respostas de solucionar problemas, informar e descrever e suas possíveis relações
Ana Luiza Focchi Haddad
PUC SP
SÃO PAULO
PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS GRADUADOS EM PSICOLOGIA EXPERIMENTAL:
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
Um estudo experimental sobre respostas de solucionar problemas, informar e descrever e suas possíveis relações
Ana Luiza Focchi Haddad
AGRADECIMENTOS
A meus pais por todo carinho e incentivo que sempre me deram, vocês são muito importantes para mim. Amo vocês.
Ao Alexandre por todos os momentos maravilhosos que passo ao seu lado, por todos nossos sonhos e conquistas. E por tudo que ainda viveremos juntos.
A meu irmão Guilherme e minha cunhada Tati por sempre me receberem tão bem aqui em São Paulo.
Às amigas do mestrado, em especial a Mayra, Ana Paula, Marcela. Obrigada pela amizade de vocês.
À Rafa por estar sempre do meu lado. À Paty por inúmeras vezes me hospedar em sua casa em São Paulo e pelas infinitas risadas. À Miuxa por toda ajuda dada.
Aos funcionários do laboratório por toda paciência e ajuda que sempre me deram. Aos professores do programa por tudo que aprendi com vocês.
SUMÁRIO
Introdução ...1
Método ...16
Participantes ...16
...16
Materiais e Equipamentos ...17
Procedimento ...17
Seqüência Experimental Geral ...18
Resultados e Discussão ...27
Referências Bibliográficas ...81
Anexos ...82
Anexo I: Termo de Consentimento... 83
Anexo II: Intruções de como proceder no experimento. ...86
LISTA DE QUADROS
Quadro I: Quadro representativo da tela de solicitação da resposta de informação...20
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Freqüência dos acertos na resposta de emparelhar a figura comparação com a figura modelo, freqüência de respostas “Sim” e freqüência de descrições corretas emitidas pelos participantes do GR Pós 40...31
Figura 2: Freqüência dos acertos na resposta de emparelhar a figura comparação com a figura modelo e freqüência de respostas “Sim” emitidas pelos participantes do GRi 1 10...35
Figura 3: Freqüência dos acertos na resposta de emparelhar a figura comparação com a figura modelo e freqüência de respostas “Sim” emitidas pelos participantes do GRi 11 20...39
Figura 4: Freqüência dos acertos na resposta de emparelhar a figura comparação com a figura modelo e freqüência de respostas “Sim” emitidas pelos participantes do GRi 21 30...44
Figura 5: Freqüência dos acertos na resposta de emparelhar a figura comparação com a figura modelo e freqüência de respostas “Sim” emitidas pelos participantes do GRi 31 40...49
Figura 6: Freqüência dos acertos na resposta de emparelhar a figura comparação com a figura modelo e freqüência de descrições corretas emitidas pelos participantes do GRd 1 10. ...54
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Desempenho dos participantes dos grupos GRi em relação aos acertos na tarefa de emparelhar a figura de comparação com a figura modelo...69
Tabela 2. Desempenho dos participantes dos grupos GRd e GR Pós 40, em relação aos acertos na tarefa de emparelhar a figura de comparação com a figura modelo...70
Tabela 3. Desempenho geral dos grupos, CRd, GRi e GR Pós 40 na tarefa de emparelhamento...71
Tabela 4. Freqüência e média de ocorrências de respostas de informação “SIM” para cada participante de cada Grupo GRi e freqüência de ocorrências de respostas de informação “SIM” para os participantes do Gr Pós 40...74
Tabela 5. Proporção do total de respostas “SIM” na tarefa de informar seguida de acerto na tentativa de emparelhamento subseqüente, divididas por gurpo, por participante...75
Haddad, A. L. F. (2008). Um estudo experimental sobre respostas de solucionar problemas, informar e descrever e suas possíveis relações. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós Graduados em Psicologia Experimental, PUC SP, São Paulo. Orientador: Prof. Dr. Roberto Alves Banaco
Linha de Pesquisa: Processos básicos na análise do comportamento Núcleo de Pesquisa: Comportamento verbal
RESUMO
O presente estudo teve como objetivo investigar a influência da solicitação separada das respostas de informar e de descrever, quando solicitadas isoladamente em diferentes momentos do experimento, em uma situação de resolução de problema. A quantidade de solicitações para a resposta de informar e para a de descrever foi constante (10 oportunidades) para a maioria dos grupos. A resposta de informar consistiu em o participante clicar “SIM” ou “NÃO” na tela do computador quando questionado se sabia a solução do exercício. A resposta de descrever foi definida como a redação da descrição das contingências que operavam sobre a resolução do problema. Participaram deste estudo 72 sujeitos humanos que foram distribuídos em nove grupos experimentais. Todos participantes foram expostos a 40 tentativas de emparelhamento arbitrário da figura de comparação com a figura modelo. Para quatro grupos foi solicitada apenas a tarefa de informar, porém essa solicitação ocorreu em diferentes blocos de tentativas. Outros quatro grupos foram solicitados apenas à tarefa de descrever, essas solicitações aconteceram em diferentes blocos de tentativas. Apenas um grupo foi solicitado à tarefa de informar e à de descrever, essas solicitações ocorreram após a realização das 40 tentativas de emparelhamento arbitrário da figura de comparação com a figura modelo. A partir dos resultados encontrados sugere se que, quanto maior o número de tentativas de exposição antes das solicitações, melhor o desempenho na tarefa não verbal, maior o número de “SIM” antecedendo emparelhamentos corretos e maior a quantidade de relatos corretos. No geral, os participantes que foram solicitados apenas à resposta de informação obtiveram um desempenho superior nos acertos na tarefa de emparelhamento. A regularidade de acertos nessa tarefa exerceu influência nos desempenhos de informar e de descrever.
Haddad, A. L. F. (2008). An experimental study about solving problem responses, about informing, describing and the possible relationship among them. Master Thesis. Programa de Estudos Pós Graduados em Psicologia Experimental. PUC SP, São Paulo. Advisor: Prof. Dr. Roberto Alves Banaco
ABSTRACT
The present study aimed to investigate the influence of the separate request of the information and descripton response, when asked isolated in different moments of the experiment, on a problem solving situation. The amount of solicitation to information and description response was held constant (10 opportunities) for most of the groups. The information response consisted in the participant clicking “YES” or “NO” at the screen’s computer when asked if he/she knows the solution to the exercise. The description response consisted in writing the description of contingencies. 72 subjects humans participated of this study that was divided into nine experimental groups. All participants were exposed to 40 attempts to matching to sample task. Four groups were required only to the information task but this solicitation occurred in different block of attempts. Another four groups were required only to the description task, this request occurred in different blocks of attempts. Only one group was required to information and description tasks, this solicitation occurred after the forty attempts of matching to sample task. The results suggest the higher is the number of attempts of previous exposition before the requests, the better is the performance in the non verbal task, higher quantities of “YES” before the right choose at the matching to sample task and higher quantities of correct contingencies description are obtained. On the whole the participants that were request only to the information task had a better performance at the matching to sample task. The regularity of right answers at this task exerted influence on the performance of inform and describe.
Uma situação é considerada problemática para um indivíduo quando este não possui uma resposta que produz reforçamento (resposta solução ou resposta terminal) (Simonassi, Tourinho e Silva 2001). Sendo assim, o problema é eliminado quando surge a solução e o reforçador é obtido. Para isso, o indivíduo pode emitir respostas que modificam o ambiente ou a si próprio; tais respostas são chamadas de precorrentes, e, frequentemente são conhecidas como raciocínio, imaginação, formulação de hipóteses, entre outras. Todos esses comportamentos têm em comum a propriedade de alterar o ambiente ou o próprio indivíduo de forma a gerar estímulos discriminativos que alteram a probabilidade de ações subseqüentes (Baum, 1998). Um exemplo de comportamento precorrente, atentar, é ilustrado por Skinner (1975).
“Quando voltamos os olhos para um objeto e o focalizamos, ou cheiramos um odor, ou degustamos um líquido com a língua, ou passamos o dedo sobre uma superfície, fazemos com que o estímulo seja mais eficaz. Há dois estágios: 1) atentar para dado estado de coisas e 2) responder a ele de algum outro modo. No curso normal dos eventos, o reforço do segundo estágio fortalece o primeiro” (p.115).
Uma resposta que resolva um problema pode ser gerada em uma contingência que modele um comportamento específico como em uma contingência que é especificada por estímulos antecedentes. Estes estímulos, por sua vez, podem ser construídos ou pelo próprio solucionador ou por outros (Skinner, 1969a).
Quando um estímulo discriminativo é verbal e indica uma contingência; ele é classificado como uma regra (Skinner, 1969a) Pode se dizer que um indivíduo formulou uma regra quando sabe descrever seu comportamento ou quando sabe descrever as variáveis que controlam esses comportamentos.
As relações que os indivíduos estabelecem com o ambiente, os afetam e os modificam, mesmo que tais relações não tenham sido descritas por eles mesmos ou por qualquer outra pessoa. Não é necessária a descrição de uma contingência para que esta afete o indivíduo que se comporta (Sério, 2004). Desta forma nem todos os problemas solucionados remetem necessariamente à formulação de regras.
Regras que descrevem corretamente um conjunto de contingências de reforçamento podem auxiliar o indivíduo a emitir comportamentos de maneira mais eficiente quando submetido a determinadas contingências (Souza, 2006). Skinner, (1969b) exemplifica essa afirmação com a seguinte frase:
Algumas pesquisas têm sido feitas para verificar a relação entre descrições verbais e o desempenho em tarefas não verbais. Uma destas pesquisas é a de Simonassi, Oliveira e Sanábio (1994). Participaram desse trabalho 32 alunos universitários que foram submetidos a uma condição experimental em que deveriam sentar em frente a uma mesa que continha uma pilha de cartões numerados e duas caixas; uma verde à direita e outra vermelha à esquerda. Estas caixas permaneciam na mesma posição durante todo experimento. Os participantes foram instruídos a pegar os cartões e colocá los, um de cada vez, nas caixas dispostas. A cada cartão colocado em um das caixas o experimentador dizia, “Certo” ou “Errado” a depender das seguintes contingências programadas: colocar cartões com números pares na caixa verde – certo; colocar cartões com números pares na caixa vermelha – errado; colocar cartões com números ímpares na caixa verde – errado; colocar cartões com números ímpares na caixa vermelha – certo. Uma tentativa foi definida como a resposta de colocar o cartão em uma das duas caixas e sua conseqüência programada (“certo” ou “errado”).
Após as tentativas de número 1, 3, 5, 10, 25, 40, 60, 90, 120, 160 e 210, era solicitado aos participantes que escrevessem em uma folha como estavam fazendo para resolver o exercício. O critério de encerramento do experimento foram 10 respostas corretas consecutivas e caso o participante não atingisse esse critério, o experimento era finalizado após 210 tentativas. As respostas registradas foram a de escolher e de escrever.
Nas tentativas 5, 10 e 25 está concentrado o maior número de porcentagem de formulação de regras; 73,7%. Os autores puderam concluir que para a regra ser formulada foi necessária a exposição do sujeito às contingências e o momento da formulação das regras variou entre os participantes.
Outro dado relevante é que os acertos ficaram mais freqüentes antes que a regra fosse formulada para aqueles participantes que a formularam. Tanto os participantes que formularam a regra como aqueles que não a formularam obtiveram acertos sistemáticos na tarefa, apresentando curvas típicas de aprendizagem.
Os autores discutem que o critério de 10 acertos consecutivos para o encerramento do experimento pode ter sido um dos fatores que contribuiu para que 13 dos 34 participantes não formulassem as regras; se houvesse mais exposição às contingências antes do término do experimento (25 acertos consecutivos) facilitaria a discriminação das contingências por parte do participante.
fazendo para resolver o exercício em uma folha de registro. A caixa verde estava localizada à direita do participante e a vermelha, à esquerda, durante todo experimento.
O critério de encerramento da sessão eram 10 acertos consecutivos na tarefa de escolha e caso o participante não atingisse esse critério o experimento era encerrado após 30 tentativas. As respostas analisadas foram a de escolher e de escrever.
Dez participantes formularam a regra; a descrição desta ocorreu entre as tentativas 3 e 9 para 80% destes participantes. Para 8 dos participantes que descreveram a contingência, a porcentagem de acertos aumentou antes da descrição ser formulada. Os participantes que não descreveram a contingência também obtiveram aumento na porcentagem de acertos na tarefa de escolha. 7 participantes iniciaram a formulação da regra em uma tentativa e a formularam completamente tentativas depois. Para 3 participantes a formulação da regra foi iniciada e concluída na mesma tentativa, e um destes participantes formulou a descrição da contingência logo na primeira tentativa. Os autores discutem que ele formou a descrição por exclusão. Nesse estudo 2 participantes não exibiram curvas típicas de aprendizagem e nem formularam regras.
Ainda, nessa linha de pesquisa Simonassi, Tourinho e Silva. (2001) realizaram um trabalho analisando a resolução de problemas e a descrição da resolução.
A tela do monitor era sensível ao toque, o participante deveria tocar a carta superior (resposta de observação). Em seguida, uma letra ou número era sobreposto a esta carta, e, na presença deste estímulo, o participante deveria tocar uma das cartas abaixo
As contingências programadas para todos os grupos foram: escolher a carta verde na presença do estímulo modelo “10” estava correto e escolher a carta vermelha, na presença desse mesmo estímulo, estava incorreto. Escolher a carta vermelha na presença do estímulo modelo “A” era considerado correto e, nessa mesma condição, escolher a carta verde estava incorreto. Para os grupos nos quais foram utilizados estímulos modelo complexo, a escolha da carta vermelha na presença de qualquer letra era considerada correta. . Os acertos tinham como conseqüência o aparecimento do mesmo estímulo da carta superior sobreposto a uma das cartas abaixo, um som de bip, a palavra “CERTO” na tela e um ponto adicionado ao contador de acertos, os erros eram consequenciados somente com a palavra “ERRADO” na tela e um ponto adicionado ao contador de erros.
Em seguida, uma nova tela aparecia com a seguinte mensagem: “Se você sabe a solução do exercício das cartas, toque a tela no quadrado SIM, da direita; caso não saiba toque a tela do quadrado NÃO, da esquerda” (p.137). Apenas se o participante escolhesse a tecla SIM, era solicitado a relatar por escrito como estava fazendo para resolver o exercício.
cada Sim e Complexo Relato ao Final. O critério de encerramento do experimento para todos os grupos foi de 40 tentativas realizadas. Cada tentativa foi definida como a resposta de observação, resposta de comparação e a conseqüência “CERTO” ou “ERRADO”.
Os autores avaliaram o desempenho dos participantes em relação à resposta de informar; analisaram as tentativas em que foram emitidas, e, em relação à resposta de redigir; analisaram as tentativas em que ocorreram e consideraram corretas apenas as descrições equivalentes à contingência programada.
Os resultados expostos abaixo referentes à resposta de informar e a de redigir não se referem à quantidade de emissão destas respostas e sim à ocorrência em pelo menos uma tentativa durante o experimento. De acordo com os resultados obtidos, no grupo Simples Relato a Cada Sim, 13 participantes responderam “SIM” na tarefa de informar, sendo que destes, 11 descreveram corretamente as contingências . No grupo Simples Relato ao Final 15 participantes responderam “SIM” na tarefa de informar e, destes, 9 descreveram corretamente as contingências. No grupo Complexo Relato a Cada “SIM”, 13 participantes responderam “SIM” na tarefa de informar, e dentre esses, 9 descreveram corretamente as contingências. No grupo Complexo Relato ao Final, do total de 15 participantes que responderam “SIM” na tarefa de informar, 10 descreveram corretamente as contingências.
Alves (2003) realizou uma replicação sistemática do trabalho de Simonassi e cols. (2001) com os seguintes objetivos:
“... (1) verificar a efetividade de contingências experimentais programadas para tornar públicas respostas encobertas numa situação de resolução de problemas; (2) investigar se pode ocorrer relação entre a descrição do próprio comportamento e as contingências experimentais constituintes de um exercício de resolução de problemas, tornando disponível a resposta solução” (p.26).
exercício, quer informasse que não sabia, era solicitado a descrever. A quantidade de solicitações da resposta de informar e de descrever também foi configurada de maneira distinta de Simonassi e cols. (2001).
Cada grupo foi exposto a 40 tentativas de resolução de problema e foram classificados da seguinte maneira a depender da contingência programada:
Grupo GR Todas: após cada tentativa de emparelhamento a resposta de informar se sabia ou não resolver o exercício foi solicitada, e em seguida o participante era solicitado a descrever (redigir) como estava fazendo para resolver o problema. Cada participante teve 40 oportunidades para a tarefa de informar e de descrever.
Grupo GR 10: As respostas de informar e descrever foram solicitadas a partir da tentativa de número 10 até a de número 40.
Grupo GR 20: As respostas de informar e descrever foram solicitadas na tentativa de número 10 e na tentativa de número 20 até a de número 40.
Grupo GR 30: As respostas de informar e descrever foram solicitadas na tentativa de número 10 , 20 e na tentativa de número 30 até a de número 40.
Grupo Relato ao Final: as respostas de informar e descrever foram solicitadas nas tentativas de número 10, 20, 30 e 40.
vezes seu relato com o reforçamento diferencial programado na tarefa de resolução de problema.
Entretanto Alves (2003) indicou que as contingências verbais do experimento não foram as únicas variáveis que possibilitaram a ocorrência de respostas de emparelhamento corretas. Alguns participantes (levando em consideração todos os grupos) realizaram escolhas corretas em freqüências consideráveis sem a solicitação das tarefas adicionais de informar e descrever. Tal fato possibilita a discussão de que a contingência de reforçamento diferencial “CERTO” e “ERRADO” das respostas de escolha afetou o desempenho dos participantes na tarefa de emparelhamento. Para alguns sujeitos saber descrever como resolviam o exercício não foi necessário para a emissão de respostas de escolhas corretas, considerando que alguns participantes realizaram escolhas corretas, mesmo informando não saber como resolver o exercício.
A resposta “SIM” só foi considerada preditiva da descrição correta quando os participantes estavam acertando na tarefa de emparelhamento.
Oliveira (2005) realizou uma replicação dos trabalhos de Simonassi e cols. (2001) e Alves (2003), com algumas diferenças no procedimento. Um dos interesses nesse estudo foi verificar se apenas a solicitação da resposta de informação após cada tentativa contribuiria para a descrição da contingência independente da solicitação da descrição. Os objetivos do trabalho de Oliveira (2005) foram analisar:
contingência passo a passo, se ocorre descrições fragmentadas, (5) verificar se a solicitação da resposta “SIM” ou “NÃO” pode interferir na precisão da descrição da contingência e no momento em que as descrições corretas são feitas” (p. 41).
Participaram desse estudo 25 sujeitos humanos, alunos do ensino médio e ensino técnico em informática, que foram distribuídos em 5 condições experimentais que variaram de acordo com a quantidade da solicitação da resposta de descrever. A resposta de informação foi solicitada nas 40 tentativas para todos participantes. Em relação à resposta de descrever, o procedimento utilizado foi o mesmo empregado por Alves (2003) de acordo com as contingências programadas para cada grupo. Assim, os grupos foram configurados da seguinte maneira:
Grupo GR Todas: As respostas de informar e de descrever foram solicitadas em todas tentativas.
Grupo GR 10: A resposta de informar foi solicitada em todas tentativas e a de descrever foi solicitada a partir da tentativa de número 10 até a de número 40.
Grupo GR 20: A resposta de informar foi solicitada em todas tentativas e a de descrever foi solicitada na tentativa de número 10 e na tentativa de número 20 até a de número 40.
Grupo GR 30: A resposta de informar foi solicitada em todas tentativas e a de descrever foi solicitada na tentativa de número 10, na tentativa de número 20 e na tentativa de número 30 até a de número 40.
Os estímulos modelo utilizados neste estudo foram o número “10” e qualquer letra do alfabeto (estímulo modelo complexo), diferente de Alves, que utilizou apenas a letra “A” e o número “10”. Outra diferença no procedimento foi o fato de os participantes escreverem a resposta de descrição no ao invés de redigirem manualmente, como nos estudos citados anteriormente.
No geral, os resultados obtidos por Oliveira (2005) demonstraram que a resposta de informação “SIM” e as respostas de descrição correta das contingências estiveram fortemente relacionadas às respostas corretas da tarefa de emparelhamento; os participantes que tiveram maior número de acertos na tarefa de emparelhamento foram o que mais vezes responderam “SIM” e os que descreveram corretamente as contingências em maior número de vezes. Antes que a descrição da contingência fosse elaborada os participantes aumentaram a freqüência de acertos na tarefa de emparelhamento, o que aponta que os acertos ocorreram mesmo quando os participantes não sabiam descrever seu comportamento e a exposição à contingência programada foi necessária para que os participantes viessem a descrevê la.
probabilidade de aumentarem a regularidade de acertos nos emparelhamentos e melhor o desempenho em relação à tarefa de descrição.
A partir dos resultados anteriores, indicando que a quantidade de solicitações é relevante no desempenho final na tarefa de escolha conforme o modelo e na descrição verbal desses desempenhos, Souza (2006) realizou um trabalho visando isolar o efeito da quantidade de oportunidades para relatar e o efeito da tentativa nas quais as solicitações eram introduzidas. Para tanto seu trabalho teve a proposta de “... avaliar a influência específica da tentativa na qual as solicitações de informação e descrição sobre o desempenho em uma tarefa não verbal são introduzidas, mantendo se constante a quantidade de solicitações feitas à maioria dos grupos” (p. 14).
Participaram desse estudo 50 estudantes universitários que foram distribuídos em 5 grupos. O procedimento ao qual os participantes foram submetidos foi semelhante ao do trabalho de Alves (2003), com modificações no número de solicitações para informar e descrever e no momento em que estas foram inseridas. Exceto para um grupo, em que quantidade de solicitação para informar e descrever foi uma, os demais grupos foram solicitados 10 vezes a realizarem tarefa de informar e de descrever. Os grupos foram configurados da seguinte maneira:
GR 1 10: a tarefa de informar se sabia ou não resolver o exercício e a tarefa de descrever como estava fazendo para resolvê lo foi solicitada ao participante nas tentativas de número 1 a 10.
GR 21 30: a tarefa de informar se sabia ou não resolver o exercício e a tarefa de descrever como estava fazendo para resolvê lo foi solicitada ao participante nas tentativas de número 21 a 30.
GR 31 40: a tarefa de informar se sabia ou não resolver o exercício e a tarefa de descrever como estava fazendo para resolvê lo foi solicitada ao participante nas tentativas de número31 a 40.
GR Pós 40: os participantes tiveram apenas uma oportunidade, para informar e para descrever, que ocorreu após a tentativa de número 40.
Todos os participantes foram expostos a 40 tentativas, tendo como estímulos modelo a letra “A” e o número “10”. Não havia conseqüência diferencial para a escolha da tarefa de informação “SIM” ou “NÃO”, ambas as respostas eram seguidas pela solicitação da descrição da contingência.
Alguns estudos, como o de Simonassi e cols. (2001) e Oliveira (2005) solicitaram a resposta de informação em todas as tentativas, variando apenas a quantidade de solicitações da resposta de descrever. Alves (2003) avaliou o efeito da quantidade de solicitações na mesma tentativa da resposta de informar e descrever. Souza (2006) solicitou na mesma tentativa a resposta de informar e de descrever, em diferentes momentos do experimento.
Participantes:
Participaram deste estudo 72 sujeito humanos, de ambos os sexos, sem história experimental prévia. Os participantes tinham idade entre 18 e 50 anos e foram distribuídos em 9 condições experimentais com 8 participantes cada. O grau de escolaridade mínima exigido para a participação da pesquisa foi a conclusão do ensino médio. O recrutamento dos participantes foi feito através de contato pessoal da pesquisadora.
Cada participante preencheu e assinou um termo de consentimento antes de sua participação na pesquisa (Anexo I). Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de ética da PUC – SP.
As sessões experimentais ocorreram em uma sala de reunião de um consultório médico, onde foram dispostos os materiais necessários para a realização da pesquisa.
Materiais e Equipamentos:
Foram utilizados no experimento um computador da marca ACER, um mouse, uma cadeira, uma mesa, bloco de papel para o preenchimento manual do relato pelos participantes, um cartão contendo as instruções de como proceder no experimento (Anexo II), uma caneta e uma caixa de papel com uma abertura na parte superior, na qual os participantes inseriram os relatos escritos.
Foi utilizado um software executado em ambiente Windows elaborado pelo programador Thomaz Woelz. O software apresentava contingências semelhantes às planejadas pelo programa de Simonassi, Tourinho e Silva (2001). O programa disponibilizava aos participantes os seguintes tipos de estímulos: número 10, letras A (em maiúsculo), cartas de cor azul, verde e vermelha. O programa também disponibilizou o registro de informações sobre o desempenho dos participantes a cada etapa do experimento como: número de tentativas, estímulos apresentados, respostas emitidas, conseqüências das respostas, número total de erros e acertos e tempo de emissão da resposta após o aparecimento dos estímulos.
Procedimento:
Seqüência Experimental Geral:
A sessão experimental foi realizada individualmente e consistiu de 40 tentativas de emparelhamento da figura modelo com a figura comparação. Cada tentativa foi definida como a tarefa de emparelhar os estímulos modelo com os estímulos comparação, tendo como conseqüência a apresentação da palavra “CERTO”, um som de e um ponto adicionado no contador de acerto, ou apenas a palavra “ERRADO” e um ponto adicionado no contador de erro.
Durante a realização do experimento esteve disposto sobre a mesa o computador, mouse, bloco de papel, caneta, caixa de papel e o cartão de instrução de como proceder durante o experimento, que pôde ser consultado a qualquer momento.
A mesma instrução do cartão também foi apresentada na primeira tela do computador, antes do início do experimento. O texto da instrução era o seguinte:
“Você terá a sua frente uma tela de computador com três cartas. Sua tarefa será, inicialmente, clicar com o cursor do mouse sobre a carta de cor azul, localizada na parte superior da tela, e, em seguida, numa das duas cartas abaixo, de cor verde ou vermelha. Ao clicar sobre uma das duas cartas abaixo, o computador informará “CERTO” ou “ERRADO”. Tente acertar o máximo possível. Quando o estudo terminar você será avisado(a). Compreendeu? Caso seja necessário, poderá consultar a instrução que está ao lado. Aperte qualquer tecla para iniciar a tarefa ...”
(cartas comparação). Dois contadores de 1cm X 2cm estavam localizados no canto superior esquerdo do monitor. Um dos contadores registrava respostas corretas e outro, incorretas.
Quando o participante clicava com o mouse na carta de cor azul (resposta de observação), esta resposta produzia um estímulo modelo sobreposto à carta azul que poderia ser o número “10” ou a letra “A” em maiúsculo. Na presença de um desses dois estímulos modelo o participante deveria clicar com o mouse em uma das duas cartas localizadas abaixo, de cor verde ou de cor vermelha. De acordo com as contingências programadas, quando a letra “A” estivesse sobreposta à carta modelo, o estímulo comparação correto seria a carta de cor vermelha. Assim, clicar com o mouse na carta inferior de cor vermelha produzia a letra “A” sobreposta a esta carta, o som de bip, a palavra “CERTO” entre as cartas laterais verde e vermelha e um ponto no contador indicando escolha correta. Uma resposta na outra carta (de cor verde) produzia apenas a palavra “ERRADO” entre as cartas laterais verde e vermelha e um ponto no contador indicando erro.
A configuração das 40 tentativas da tarefa de escolha conforme o modelo foi a mesma para todos os grupos, porém a solicitação das tarefas adicionais de informar se sabiam ou não resolver o exercício (tarefa de informação) e de descrever como faziam para resolver o exercício (tarefa de descrição) variaram de acordo com os diferentes grupos: alguns foram solicitados apenas a executarem a tarefa de informar, outros apenas a tarefa de descrever, enquanto outro grupo foi solicitado a realizar ambas as tarefas. As configurações dos diferentes grupos estão descritas a seguir.
Grupos Informação (GRi): Após a tarefa de emparelhamento, o programa apresentava uma nova tela solicitando ao participante que informasse se sabia ou não resolver o exercício (tarefa de informação). Esta tarefa foi solicitada tanto quando o participante emitisse erros quanto acertos na tarefa de emparelhamento. Desta forma, a seguinte frase era disposta na tela do computador:
Quadro I: Quadro representativo da tela de solicitação da resposta de informação.
“Se você sabe a solução do exercício das cartas, clique no quadrado “SIM”, da esquerda. Caso não saiba a solução do exercício, clique
no quadrado “NÃO”, da direita”.
Tanto após a emissão do “SIM” ou “NÃO” na tarefa de informação uma nova tentativa de resolução de problema era iniciada.
Grupos descrição (GRd): os participantes dos grupos que foram solicitados apenas à tarefa de descrever, realizaram a tarefa de emparelhamento e, em seguida, independente da resposta de escolha, a seguinte instrução aparecia na parte superior da tela do computador .
“Escreva no papel, que se encontra do seu lado direito, como você está fazendo para resolver o exercício. Depois, coloque o papel dentro da caixa ao seu lado direito”.
E na parte inferior da mesma tela:
“Após escrever no papel sua resposta e depositar o papel na caixa, clique com o mouse nesta tela”.
O participante deveria escrever como estava fazendo para resolver o exercício em um papel, dobrá lo e depositá lo na caixa de papel, e, em seguida, clicar com o mouse na tela do computador, iniciando assim uma nova tentativa.
Grupo GR Pós 40 : o grupo que foi solicitado a realizar a tarefa de informação e descrição, realizava as 40 tentativas da tarefa de emparelhamento e após, era solicitado a realizar a tarefa de informação, apresentada no Quadro I.
Quer o participante tivesse respondido “SIM” ou “NÃO” na tarefa de informação, a tarefa de descrever era solicitada e a seguinte mensagem aparecia em uma outra tela:
“Escreva no papel, que se encontra ao seu lado direito, como você está fazendo para resolver o exercício. Depois, coloque o papel dentro da caixa ao seu lado direito”.
E na parte inferior da mesma tela:
O participante deveria escrever como estava fazendo para resolver o exercício em um papel, dobrá lo e depositá lo na caixa de papel, e, em seguida, clicar com o mouse na tela do computador, finalizando o experimento.
Delineamento:
Os 72 participantes foram distribuídos em 9 grupos com 8 participantes cada. Todos foram expostos a 40 tentativas.
A combinação experimental foi diferente para cada grupo:
GRi: para quatro grupos foi solicitada apenas a tarefa de informar. Porém para cada um desses grupos a solicitação dessa tarefa iniciou se em tentativas diferentes. O número de solicitações para informar foi o mesmo em todos esses grupos: ocorreu em 10 ocasiões consecutivas.
GRd: para outros quatro grupos foi solicitada apenas a tarefa de descrever. O número da tentativa em que as solicitações foram introduzidas foi diferente para cada um destes grupos. O número de solicitações para descrever foi o mesmo em todos esses grupos, ou seja, ocorreu em 10 ocasiões consecutivas.
Gr Pós 40: nesse grupo houve a solicitação para informar e descrever. As solicitações foram realizadas após as 40 tentativas da tarefa de emparelhamento.
Quadro II: Conjunto de tentativas no qual houve a solicitação da resposta de informação, descrição e ambas respostas para todos os participantes nos nove grupos.
Solicitação da resposta de
informação
GRi 1 10: da tentativa de nº 1 à de nº 10 (10 vezes)
GRi 11 20: da tentativa de nº 11 à de nº 20 (10 vezes)
GRi 21 30: da tentativa de nº 21 à de nº 30 (10 vezes)
GRi 31 40: da tentativa de nº 31 à de nº 40 (10 vezes)
Solicitação da resposta de descrição
GRd 1 10: da tentativa de nº 1 à de nº 10 (10 vezes)
GRd 11 20: da tentativa de nº 11 à de nº 20 (10 vezes)
GRd 21 30: da tentativa de nº 21 à de nº 30 (10 vezes)
GRd 31 40: da tentativa de nº 31 à de nº 40 (10 vezes) Solicitação da resposta de informação e descrição
1) Grupo GRi 1 10: para este grupo a tarefa de informar se sabia ou não resolver o exercício foi solicitada nas tentativas de nº 1 até a de nº 10.
2) Grupo GRi 11 20: a tarefa de informar se sabia ou não resolver o exercício foi solicitada nas tentativas de nº 11 até a de nº 20.
3) Grupo GRi 21 30: os participantes deste grupo foram solicitados a tarefa de informar se sabiam ou não resolver o exercício nas tentativas de nº 21 até a de nº 30.
4) Grupo GRi 31 40: a tarefa de informar se sabiam ou não resolver o exercício foi solicitada nas tentativas de nº 31 até a de nº 40.
5) Grupo GRd 1 10: a tarefa de descrever como estava fazendo para resolver o exercício foi solicitada nas tentativas de nº 11 até a de nº 20.
6) Grupo GRd 11 20: os participantes foram solicitados à tarefa de descrever como estavam fazendo para resolver o exercício nas tentativas de nº 21 até a de nº 30.
7) Grupo GRd 21 30: a tarefa de descrever como estavam fazendo para resolver o exercício foi solicitada nas tentativas de nº 21 até a de nº 30.
8) Grupo GRd 31 40: os participantes deste grupo foram solicitados à tarefa de descrever como estavam fazendo para resolver o exercício nas tentativas de nº 31 até a de nº 40.
As respostas de descrição tiveram 3 classificações diferentes: correta, incorreta ou fragmentada.
As respostas foram consideradas corretas quando tiveram na descrição todos os termos da contingência programada. Assim, o participante deveria redigir de alguma maneira que letra correspondia à carta vermelha e que número correspondia à carta verde. Não foram consideradas corretas as descrições que relacionaram os estímulos modelos com a posição das cartas (esquerda ou direita), pois os estímulos comparação foram distribuídos aleatoriamente para que o participante não ficasse sob controle da posição. Alguns exemplos de descrições corretas obtidas no trabalho de Oliveira (2005) foram:
a) “Números equivalem à carta verde e letras à carta vermelha”.
b) “Vermelho = Letras Verde = Números”.
As descrições foram consideradas fragmentadas quando contiveram partes das contingências programadas. Alguns exemplos obtidos no trabalho de Oliveira (2005) foram:
a) “As letras são no quadrado vermelho”.
Por fim, foram consideradas incorretas as descrições que não contiveram as contingências e nem parte delas.
a) “Eu acho que as letras que forem par são vermelha e ímpares verde”.
b) “Quando eu clico na resposta sim do lado direito da tela, eu clico na carta vermelha do lado esquerdo da tela, e quando eu clico na resposta não do lado esquerdo da tela, eu clico na carta verde do lado direito”.
Respostas que indicam permanência na descrição já elaborada, tais como “idem”, “igual ao anterior”, “o mesmo”, etc, foram computadas da mesma maneira que a última descrição que antecedeu a esse tipo de resposta. Assim, se houvesse uma seqüência do tipo:
n) A = vermelho n+1) idem n+2) idem
Eram computadas 3 respostas fragmentadas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados dos 9 grupos constituintes do experimento serão apresentados de
acordo com as configurações programadas para cada um deles. Nos grupos GRi 1 10, GRi
11 20, GRi 21 30 e GRi 31 40 serão analisados os desempenhos dos participantes na
tarefa de emparelhamento arbitrário da figura modelo com sua figura de comparação
(resposta de escolha) e o desempenho na tarefa de informar se sabia resolver o exercício
(resposta de informação). Nos grupos GRd 1 10, GRd 11 20, GRd 21 30 e GRd 31 40
serão analisados os desempenhos dos participantes na tarefa de emparelhamento arbitrário
da figura modelo com sua figura de comparação (resposta de escolha) e o desempenho na
tarefa em descrever como faziam para resolver o exercício (resposta de redigir). No grupo
GR Pós 40 serão analisados os desempenhos dos participantes na tarefa de emparelhamento
arbitrário da figura modelo com sua figura de comparação (resposta de escolha), o
desempenho na tarefa de informar se sabia resolver o exercício (resposta de informação) e
o desempenho na tarefa em descrever como faziam para resolver o exercício (resposta de
redigir).
Grupo GR Pós 40
A Figura 1 representa o desempenho do Grupo Gr Pós 40 nas três tarefas
constituintes do experimento. Os participantes 1, 5 e 7 exibiram acertos sistemáticos na
tarefa de emparelhamento e emitiram resposta “SIM” na tarefa de informação precedendo
a descrição correta das contingências. Para estes participantes as condições de
reforçamento diferencial propostas no experimento foram suficientes para que os acertos na
tarefa de emparelhamento fossem emitidos na grande maioria das tentativas. Estes
participantes já apresentavam uma média de acertos elevados antes da solicitação da tarefa
de informar e descrever. Os dados dos participantes citados (1,5 e7) são semelhantes aos
resposta de informação “SIM” precedendo descrições corretas já apresentavam uma
freqüência elevada de acertos na tarefa de emparelhamento.
Os participantes 2, 3 e 4 também responderam “SIM” na tarefa de informar, porém
não descreveram corretamente as contingências e nem apresentaram desempenho que
sugere que tenham aprendido a emparelhar corretamente a figura comparação com sua
figura modelo. Os participantes 6 e 8 responderam “Não” quando solicitados, não
descreveram corretamente as contingências e não obtiveram acertos sistemáticos na tarefa
de emparelhamento. Podem ser observados, no desempenho dos participantes 2, 3, 4,6 e 8
Em relação ao desempenho do Grupo GRi 1 10 (Figura 2) os participantes 4 e 8 apresentaram acertos sistemáticos na tarefa de emparelhamento. Para ambos, os erros estão concentrados no bloco inicial (bloco no qual foram feitas as solicitações da resposta de informação). A partir da oitava tentativa, o participante 4 apenas emitiu acertos na tarefa de escolha e apresentou correspondência entre responder “Sim” e acertar na tarefa de escolha. O participante 8 respondeu “Sim” apenas na última oportunidade em que foi solicitado, ou seja, na décima tentativa e a partir da décima segunda tentativa este participante obteve acertos na tarefa de emparelhamento.
Como pode ser visto nos gráficos da Figura 3, o desempenho dos participantes do
Grupo GRi 11 20 demonstra que apenas os participantes 1 e 5 obtiveram curvas que
indicam aprendizagem na tarefa de escolha conforme o modelo e que foram os únicos que
responderam “Sim” na tarefa de informação precedendo 100% de acertos na tarefa de
emparelhamento. Estes participantes já apresentavam acertos na tarefa de emparelhamento
antes do início da solicitação da resposta de informação, e começaram a acertar
consistentemente após a oitava tentativa, indicando que foram necessárias poucas
exposições ao exercício para que soubessem a resposta correta. Os demais participantes (2,
3, 4, 6, 7 e 8) obtiveram acertos próximos a 50% na tarefa de emparelhamento. Suas
respostas de informação “SIM” foram emitidas em freqüência mais baixa que pelos
participantes 1 e 5 e com menor correspondência entre “SIM”e acertos subseqüentes na
tarefa de emparelhamento.
Os participantes 4 e 7, responderam “Não” em todas as oportunidades para informar
se sabiam resolver o problema. Nota se que os participantes (1 e 5) que obtiveram mais
acertos na tarefa de emparelhamento apresentaram maior número de emissão de “SIM”.
Oliveira (2005) em sua pesquisa solicitou em algumas tentativas apenas a resposta
de informação. Os dados obtidos pela autora estão em concordância com os do presente
estudo, em relação aos participantes 1 e 5, no sentido de que a resposta de informação
“SIM” foi considerada preditiva de acertos na tarefa de emparelhamento na tentativa
subseqüente, quando os participantes já apresentavam regularidade de acertos na tarefa de
emparelhamento. Esses dados podem ser comparados aos encontrados em Souza (2006).
No grupo GRi 21 30 (Figura 4), os participantes 2,3, 4, 6 e 7 obtiveram
desempenho que sugere aprendizagem na tarefa de escolha conforme o modelo. O
participante 2 obteve alguns erros na tarefa referida em algumas das tentativas anteriores à
solicitação da resposta de informação, porém a partir da tentativa 25 obteve apenas acertos
nesta tarefa e houve correspondência entre as respostas de informação “Sim” e acertos na
tarefa. Os participantes 3, 4, 6 e 7 apresentaram acertos sistemáticos na tarefa de
emparelhamento antes da solicitação da resposta de informação e as respostas “Sim”
quando emitidas foram preditivas de acertos na tarefa de emparelhamento. Novamente os
participantes que apresentaram regularidade de acertos na tarefa de emparelhamento antes
da solicitação da tarefa de informação emitiram “SIM” predizendo acertos na tentativa
subseqüente.
Outra relação percebida entre regularidade de acertos na tarefa de escolha conforme
o modelo e a emissão de “SIM” é o fato de que quanto mais cedo a solicitação da tarefa de
informação o participante apresentou acertos sistemáticos na tarefa de emparelhamento,
maior foi a probabilidade deste emitir “Sim” na tarefa de informação. O participante 3
passou a emitir somente acertos na tarefa de emparelhamento a partir da tentativa 18;
quando foi solicitado nas tentativas 21 e 22, a informar se sabia a solução do problema
respondeu “Não”. A partir da tentativa 23 respondeu apenas “Sim”. Já o participante 7,
começou a acertar na tarefa de emparelhamento a partir da tentativa 10 e quando foi
solicitado a informar se sabia a solução do problema na tentativa 21 respondeu “Não” e a
partir da tentativa seguinte apenas emitiu “SIM”. O participante 4 não emitiu nenhum erro
Os participantes 1,5 e 8 obtiveram desempenho próximo ao acaso na tarefa de
emparelhamento, como pode ser visto nos gráficos da Figura 4. Os participantes 5 e 8,
No que diz respeito ao Grupo GRi 31 40, os participantes 2,3, 5, 6 e 8 obtiveram
acertos sistemáticos na tarefa de emparelhamento e emitiram respostas de informação
“Sim” seguidas por acertos na tarefa de emparelhamento. Esses participantes obtiveram
acertos sistemáticos na tarefa de emparelhamento precedendo a emissão da resposta de
informação “Sim”.
Já o participante 1 obteve o pior desempenho do grupo sendo o único em que o
número de erros foi superior ao número de acertos. Em todas as solicitações da resposta de
informação respondeu “Não”. Os participante 4 e 7 tiveram erros freqüentes e em grande
quantidade. Em relação à tarefa de informação responderam “Sim” em três e seis
ocasiões, respectivamente. O bloco de tentativas em que foram feitas as solicitações para
informar foi aquele em que o participante 4 apresentou maior número de acertos na tarefa
de emparelhamento.
No trabalho de Souza (2006) ficou constatado que o grupo (GR 31 40) que foi mais
exposto às contingências antes da solicitação da tarefa de informar e de descrever, foi o que
obteve o melhor desempenho nas três tarefas constituintes do experimento: logo apresentou
maior número de acertos na tarefa de escolha conforme o modelo, na quantidade de
respostas de informação “SIM” antecedendo relatos corretos e na quantidade de relatos
corretos por participante. No presente trabalho, os grupos GRi 21 30 e GRi 31 40
obtiveram a maior média de acertos na tarefa de emparelhamento, porém o GRi 31 40
obteve o maior número de emissão de “SIM” e o maior número de emissão de “SIM”
antecedendo emparelhamentos corretos quando comparados aos demais grupos GRi,
inclusive com o GRi 21 30.
Apesar de não haver diferenças no desempenho dos participantes dos grupos GRi
21 30 e GR 31 40 na tarefa de emparelhamento vemos que os participantes de ambos os
grupos que obtiveram desempenho acurado começam a acertar antes da tentativa número
participante 3 começa a emitir apenas acertos na tentativa 18, o participante 4 não emitiu
nenhum erro, o participante 6 apenas acertou a partir da tentativa 9 e o participante 7 não
errou mais a partir da décima tentativa. No GRi 31 40 o participante 2 errou apenas a
tentativa inicial, o participante 3 emitiu apenas acertos a partir da tentativa 11, o
participante 5 apenas acertou a partir da tentativa 5, o participante 6 não errou mais a partir
da tentativa 14.
Pode ser percebido em relação ao desempenho dos participantes do GRi 21 30 e
GRi 31 40 que o momento em que foi solicitada a tarefa de informação não teve influência
significativa nos acertos na tarefa de escolha, uma vez que quase todos participantes
começaram a acertar antes da tentativa de número 20, tentativa na qual iniciaram se as
solicitações de informar ao GRi 21 30. Porém o mesmo não é verdadeiro em relação à
emissão de “SIM” e de “SIM” antecedendo emparelhamentos corretos na tentativa
subseqüente; uma vez que o GRi 31 40 obteve a maior média de emissão de “SIM” e de
“SIM” antecedendo emparelhamentos corretos entre todos os grupos GRi, sendo seguido
pelo GRi 21 30 nesses dois desempenhos. O GRi 11 20 obteve a terceira maior média de
emissão “SIM” antecedendo acertos na tarefa de emparelhamento e a pior média nesse
desempenho foi do GRi 1 10.
Assim como Souza (2006) os dados deste estudo indicam que quanto mais exposto
o participante estiver à tarefa de escolha conforme o modelo antes da solicitação da tarefa
de informação, melhor será o desempenho na tarefa de emparelhamento, maior a
quantidade de respostas de informação “SIM”. Os dados encontrados neste estudo também
GRd (Grupo descrição)
Dentre os participantes do GRd 1 10 (Figura 6), pode ser observado que apenas os participante 1 e 4 obtiveram desempenhos que demonstram que aprenderam a solucionar o exercício. O participante 1 foi o único do grupo que descreveu corretamente as contingências. Inicialmente, formulou descrições fragmentadas, ou seja, descrições que continham apenas uma parte da contingência programada e apresentou erros na tarefa de emparelhamento. A partir da tentativa 8, descreveu corretamente as contingências e exibiu apenas acertos na tarefa de emparelhamento. Nas outras duas solicitações da tarefa de descrever, redigiu corretamente o procedimento que estava utilizando para resolver o exercício. Os dados desse participante se assemelham aos resultados de Alves (2003) que sugeriu que a descrição da contingência pode exercer influência significativa no desempenho verbal e não verbal, haja vista que esse participante após descrever as contingências corretamente apenas acerta na tarefa de emparelhamento e realiza descrições corretas.
O desempenho dos participantes 2,3,5,6 e 7 na tarefa de emparelhamento foi próximo à metade das oportunidades e as descrições realizadas por esses participantes não faziam menção às contingências programadas e nem a parte delas.
No Grupo GRd 31 40, os participantes 1 e 7 apresentaram desempenho com elevado número de acertos na tarefa de emparelhamento e descrição correta das contingências. Ambos obtiveram uma freqüência considerável de acertos antes da solicitação da descrição das contingências. Assim como em Souza (2006), esses dados sugerem que a exposição às contingências antes da solicitação da descrição pode ter contribuído a um melhor desempenho do participante na tarefa de emparelhamento e na tarefa de descrever.
Os dados referentes ao Grupo GRd 31 40 não equivalem aos de Simonassi e cols. (1994). Nesse estudo, o maior número de descrições corretas ocorreu entre as tentativas 5 a 25, e no presente estudo ocorreu entre as tentativas 31 40.
Já o participante 2 errou apenas nas três tentativas iniciais apresentando uma elevada média de acertos até a tentativa 30, quando foi introduzida a solicitação da tarefa de descrição nas tentativas seguintes (31 40), esse participante apresentou alguns erros e não descreveu corretamente as contingências. Esse dados sugerem que a solicitação da resposta de descrição pode ter prejudicado o desempenho apresentado anteriormente pelo participante. Os participantes 3, 4, 5, 6 e 8, apresentaram um desempenho com acertos e erros intercalados durante todo experimento e não descreveram corretamente as contingências.
A Tabela 1 e 2 demonstram, separadamente o desempenho na tarefa de
emparelhamento, dos participantes dos 9 grupos .
Tabela 1. Desempenho dos participantes dos grupos GRi em relação aos acertos na tarefa de emparelhar a figura de comparação com a figura modelo.
Participantes Grupos
GRi 1 10 GRi 11 20 GRi 21 30 GRi 31 40
P1 23 32 18 18
P2 20 18 31 39
P3 25 20 31 33
P4 34 19 40 22
P5 20 38 20 39
P6 27 17 36 34
P7 25 16 34 21
P8 35 18 17 21
Tabela 2. Desempenho dos participantes dos grupos GRd e GR Pós 40, em relação aos acertos na tarefa de emparelhar a figura de comparação com a figura modelo.
Grupos
Participantes
GRd 1 10 GRd 11 20 GRd 21 30 GRd 31 40 Gr Pós 40
P1 36 20 22 37 32
P2 18 34 19 31 23
P3 17 22 21 17 17
P4 38 17 27 18 23
P5 17 21 19 21 35
P6 16 19 23 18 22
P7 17 24 19 39 36
P8 ''' 19 11 20 18
Média 22,7 22 20,1 25,1 25,7
Pode ser observado na Tabela 1 as médias de acerto de cada grupo GRi na tarefa de
emparelhamento. O GRi 1 10 apresentou uma média de 26,1 emparelhamentos corretos,
equivalente a 65% de acertos. O grupo GRi 11 20 apresentou média de acertos de 22,2
emparelhamentos corretos, o que equivale 55,% de acertos. Os participantes do grupo GRi
21 30 e GRi 31 40 obtiveram uma média de acertos de 28,37, o que corresponde a 70.9%
do total.Desta forma, os grupos GRi 21 30 e Gri 31 40 obtiveram as melhores médias na
tarefa de emparelhamento
Na Tabela 2 estão expostos os dados do desempenho dos Grupos GRd e GR Pós 40
na tarefa de emparelhamento. O grupo GRd 1 10 obteve uma média de acertos de 22,7,
equivalente a 56,7% do total. O Grupo GRd 11 20 apresentou uma média de acertos de 22,
que corresponde a 55%. O Grupo GRd 21 30 apresentou uma média de 20,1
emparelhamentos corretos, o que equivale a 50.25% . O grupo GRd 31 40 apresentou uma
GRd 31 40 foi o que obteve a melhor média de acertos na tarefa de emparelhamento. O GR
Pós 40 obteve uma média de acertos de 25,7, que equivale a 64,2%.
Analisando, individualmente, os dados dos participantes de cada grupo, nota se que
no GRi 1 10, nenhum participante teve quantidade acertos inferior à média, no GRi 11 20,
os participantes 2,4,6,7 e8 obtiveram menos acertos que a metade das oportunidades a que
foram submetidos. Já no GRi 21 30, os participantes 1 e 8 acertaram em menos de 20
tentativas e no GRi31 40, apenas o participante 1 obteve o desempenho citado. O Grupo
GRd 1 10 foi dentre todos os do estudo aquele que obteve o maior número participantes
(participantes 2,3,5,6 e 7) com acertos inferior à metade. No Grupo GRd 11 20, os
participantes 4,6 e 8 acertaram menos que 20 tentativas, no GRd 21 30 os participantes
2,5, 7 e 8 tiveram um número de acertos inferior a 20. No grupo Grd 31 40 os participantes
3,4 e 6 obtiveram menos acertos que a metade. Finalizando, no Gr Pós 40, os participantes
3 e 8 obtiveram quantidade de acertos inferior a 20.
Em relação a todos os grupos do experimento, os grupos GRi 21 30 e GRi 31 40
obtiveram a maior média de acertos na tarefa de emparelhamento.Entre os grupos que
foram solicitados apenas a tarefa de descrever (GRd), o Grupo Grd 31 40 foi o que obteve
a maior média de acertos nesta tarefa.
A Tabela 3 exibe o desempenho de todos os grupos GRi, GRd e do grupo Gr Pós
40. O GRi foi o grupo que obteve maior média de acertos na tarefa de emparelhamento
entre todos do experimento, seguido pelo GR Pós 40 e por fim pelo GRd.
O presente trabalho foi realizado sob condições semelhantes ao de Souza (2006),
exceto pela diferença que no estudo do referido autor todos participantes foram solicitados
a tarefa de informar e descrever na mesma tentativa e no presente estudo, alguns
participantes foram solicitados apenas a tarefa de informar enquanto outros apenas a tarefa
de descrever. Apenas o Grupo Gr Pós 40 do presente trabalho, teve configurações idênticas
as do trabalho de Souza (2006). Este grupo foi solicitado a informar e descrever na mesma
tentativa, ou seja, na tentativa 40.
Comparando os dados de ambos os trabalhos em relação a acertos na tarefa de
emparelhamento, nota se que no trabalho de Souza (2006), o GR 1 10 obteve média de
27,6 emparelhamentos corretos (69% de acertos), GR 11 20 obteve média de 25
emparelhamentos corretos (62,5% de acertos), GR 21 30 acertou em média 26,5 (66,25%)
e GR 31 40 acertou em média 29,9 (74,75%).
Ao compararmos os dados de Souza (2006) com os grupos que foram solicitados
apenas à tarefa de informação (GRi), nota se que, exceto em relação aos grupos GRi 21 30
e GR 21 30, dos dois estudos em comparação, os demais grupos de Souza (2006)
obtiveram média superior aos do presente trabalho. A média total dos quatro grupos do
trabalho de Souza (2006) na tarefa de emparelhamento é 27,25 enquanto a do presente
trabalho referente aos quatro grupos GRi é de 26,26.
O fato dos participantes dos grupos do trabalho de Souza (2006), serem solicitados
à tarefa de descrever após a tarefa de informar pode ter tido alguma influência nos
resultados encontrados nos dois trabalhos em relação à tarefa de emparelhamento. Ao
serem solicitados a redigir como faziam para solucionar o problema, os participantes do
trabalho de Souza (2006), tiveram maior probabilidade de “tatear” os três termos da
contingência programada e de comparar o relato com o próprio desempenho na tarefa de
Comparando agora os dados de Souza (2006), em relação à tarefa de
emparelhamento, com os dados dos grupos aos quais foi solicitada apenas a tarefa de
descrever (GRd), nota se que todos os grupos do presente trabalho obtiveram um
desempenho inferior aos observados em Souza (2006). A média total dos quatro grupos
GRd na tarefa de emparelhamento foi de 22,4.
O grupo Gr Pós 40, no presente estudo alcançou uma média de acertos na tarefa de
escolha conforme o modelo de 25,7 contra 22,9 no trabalho de Souza (2006). No geral, o
Gr Pós 40 obteve uma média de acertos superior aos grupos GRd. Esses resultados se
opõem aos obtidos em Souza (2006), pois este grupo foi o que obteve a pior média de
acertos na tarefa de emparelhamento entre os demais.
Apesar do presente trabalho ter obtido um desempenho inferior no que diz respeito
à tarefa de emparelhamento em relação aos grupos GRi e GRd quando comparado ao
trabalho de Souza (2006), algumas semelhanças são encontradas nos resultados. Desta
forma, os grupos que foram solicitados mais tarde a informar se sabiam a solução do
exercício (GRi 21 30 e GRi 31 40) ou descrever como faziam para resolvê lo (GRd 31 40)
foram os que obtiveram o melhor desempenho na tarefa de emparelhamento, assim como
A Tabela 4 demonstra o desempenho dos participantes do grupo GRi e GR Pós 40
na tarefa de informação.
Tabela 4. Freqüência e média de ocorrências de respostas de informação “SIM” para cada participante de cada Grupo GRi e freqüência de ocorrências de respostas de informação “SIM” para os participantes do Gr Pós 40.
Grupos_____ Participantes
GRi 1 10 GRi 11 20 GRi 21 30 GRi 31 40 GR Pós 40
P1 9 8 8 0 1
P2 0 7 10 10 1
P3 10 5 8 9 1
P4 8 0 10 2 1
P5 8 10 0 10 1
P6 7 1 10 10 0
P7 0 0 9 6 1
P8 1 9 0 10 0
Média 5,3 5 6,8 7,1
Nota se a partir dos dados da Tabela 4, que os grupos GRi 1 10 e GRi 11 20, em média, emitiram respostas de informação “SIM” em aproximadamente 50% do total de 10 tentativas em que foram solicitados. O grupo GRi 21 30 obteve uma média de 6,8 e GRi 31 40 obteve a média mais alta de emissão da resposta de informação “SIM”, o valor de 7,1.
Seis participantes do GR Pós 40 (75%) emitiram “SIM” na única oportunidade em que foram solicitados a informarem se sabiam ou não resolver o problema. Este número foi superior ao encontrado no trabalho de Souza (2006), no qual apenas 20% dos participantes emitiram “SIM”. Esta maior emissão de “SIM” do Gr Pós 40 do presente trabalho confirma os dados de que a emissão de respostas positivas na tarefa de informação variou em função dos acertos na tarefa de emparelhamento, haja vista o desempenho superior nesta tarefa do GR Pós 40 do presente estudo.
A Tabela 4 mostra a fração entre a quantidade de respostas de informação “SIM” seguidas de acerto na tentativa posterior na tarefa de emparelhamento e o número total de respostas de informação “SIM” emitidas.
Tabela 5. Proporção do total de respostas “SIM” na tarefa de informar seguida de acerto na tentativa de emparelhamento subseqüente, divididas por gurpo, por participante.
Grupos Participantes
GRi 1 10 GRi 11 20 GRi 21 30 GRi 31 40
P1 7/9 8/8 7/8 0/0
P2 0/0 5/7 2/10 10/10
P3 6/10 4/5 8/8 9/9
P4 4/8 0/0 10/10 1/2
P5 4/8 10/10 0/0 10/10
P6 4/7 1/1 10/10 10/10
P7 0/0 0/0 9/ 9 2/6
P8 0/1 4/ 9 0/0 10/10
GRi 31 40 essa proporção aumentou para 0,6, tendo o GRi 31 40 a maior proporção de “SIM” predizendo acertos na tarefa de emparelhamento: 0,72. No GRi 21 30 e GRi 31 40, 4 e 5 participantes, respectivamente, acertaram a tarefa de emparelhamento subseqüente em todas as ocasiões que informaram saber resolver o exercício. No trabalho de Souza (2006) a proporção de “SIM” antecedendo emparelhamentos corretos foram: grupo GR 1 10, 0,53; GR 11 20, 0,5; GR 21 30, 0,72 e GR 31 40, 0,69. Os grupos GRi 11 20 e GRi 31 40 do presente trabalho obtiveram maior proporção de “SIM” antecedendo emparelhamentos corretos que o GR 11 20 e GR 31 40 do trabalho de Souza (2006).
Esses resultados também estão de acordo com os de Souza (2006): quanto mais expostos às contingências os participantes estivessem antes da solicitação da tarefa de informação maior a média de “SIM” antecedendo acertos na tarefa de emparelhamento subseqüente.
A Tabela 6 representa o desempenho dos grupos GRd e do GR Pós 40 na tarefa de descrição.
Tabela 6: Número de relatos corretos, incorretos e fragmentados por participante de cada grupo GRd.
Grupos Participantes
GRd 1 10 GRd11 20 GRd 21 30 GRd 31 40 GR Pós 40
P1 3 F/ 3C/ 4 I 10 I 10 I 10 C 1 C
P2 10 I 10 I 10 I 4 F / 6 I 1 I
P3 1 F / 9 I 10 I 10 I 10 I 1 I
P4 10 I 10 I 10 I 10 I 1 I
P5 10 I 10 I 10 I 10 I 1 C
P6 10 I 10 I 10 I 10 I 1 I
P7 10 I 10 I 10 I 10C 1 C
P8 ''' 10 I 10 I 10 I 1 I
Número de participantes
com relatos corretos
1 0 0 2 3
Legenda: C: descrição correta F: descrição fragmentada I: descrição incorreta
os participantes 1, 5 e 7 produziram descrições corretas, mostrando que o GR Pós 40 obteve um número superior de descrições corretas que os grupos GRd,
No estudo de Souza (2006), de maneira geral, os participantes obtiveram um desempenho superior em relação à tarefa de emparelhar e de descrever quando comparados aos do presente estudo. Desta forma, no GR 1 10 e 11 20 pelo menos 3 participantes descreveram corretamente em algum momento as contingências, no GR 21 30 este número foi 4 e no GR 31 40 este número subiu foi de 6 participantes.
Como já foi dito essa diferença na quantidade de relatos corretos entre ambos os trabalhos pode ter sido influenciada pelo desempenho pouco acurado dos participantes dos grupos GRd na tarefa de emparelhamento. Uma hipótese que pode ser levantada em relação ao desempenho com poucas descrições corretas dos grupos GRd é que muitos participantes vinham apresentando erros freqüentes na tarefa de emparelhamento antes da solicitação da tarefa de descrever, e quando foram solicitados a redigir; realizaram descrições incorretas que podem ter sido punidas pelos erros subseqüentes na tarefa de emparelhamento.
Outro fator diz respeito à diferença nas configurações experimentais desses trabalhos. Os grupos GRd não foram solicitados a realizar a tarefa de informação em conjunto com a de descrição como ocorreu em Souza (2006). Neste trabalho os participantes ao serem questionados se sabiam a solução do exercício antes de serem solicitados a descrevê la tiveram maior número de oportunidades de ficarem mais “sensíveis” à situação experimental a que foram expostos e ao próprio comportamento verbal.
às descrições corretas dos participantes dos grupos GRd. Uma hipótese levantada para este dado é a de que informar “SIM” ou “NÃO” tenha um grau de dificuldade inferior ao de descrever corretamente as contingências experimentais. Desta forma, apenas responder “SIM” na tarefa de informação pode ter ocasionado: que o participante comparasse seu desempenho na tarefa de informação com seu desempenho na tarefa de emparelhamento e que a resposta de informação “SIM” fosse mantida pela comparação feita com próprio desempenho na tarefa de emparelhamento e com as conseqüências diferenciais “CERTO” e “ERRADO”.
Em suma, os principais resultados encontrados no presente trabalho foram os de que apenas a solicitação da tarefa de descrever não influencia a melhora no desempenho de emparelhamento e no desempenho de descrição das contingências. Estes desempenhos parecem estar mais relacionados ao sucesso na tarefa de emparelhamento. Esses dados corroboram os do grupo GR Pós 40 que tiveram resultados superiores ao GRd no desempenho da tarefa de emparelhamento e na tarefa de descrever.
A tarefa de informação pareceu ser uma variável relevante tanto no desempenho verbal como não verbal, haja vista o desempenho superior na tarefa de emparelhamento e na tarefa de informação dos grupos que foram solicitados a informar quando comparado aos demais grupos.
descrições corretas das contingências, concordando com toda linha de pesquisa anterior a este estudo de que descrições verbais das contingências não são indispensáveis para um desempenho acurado em tarefas não verbais.
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Alves, A. M. S. (2003). Efeitos da solicitação de relatos sobre resolução de problemas no desempenho de escolher: uma replicação de Simonassi, Tourinho e Silva (2001). Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós Graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento, PUC SP, São Paulo.
Baum, W. M. (1998). Compreender o behaviorismo. Porto Alegre: Artmed.
Matos, M.A. (2001). Comportamento governado por regras. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 3, 51 66.
Oliveira, B. F. L. (2005). Efeito de contingências programadas na construção de descrições de contingências: uma replicação a Simonassi, Tourinho e Silva (2001) e Alves (2003). Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós Graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento, PUC SP, São Paulo.
Skinner, B. F. (1969a). Contingencies of reinforcement: a theoretical analysis. New York: Appleton Century Crofts.
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Skinner, B. F. (1975). Tecnologia do Ensino. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.
ANEXO I