tos, s u r g i u e n t ã o e n t r e o s c i e n t i s t a s a n e c e s s i d a d e m a i o r d e b u s c a r uma r e s p o s t a p a r a o a p a r e n t a m e n t o d a s p l a n t a s n a t e r r a i O p a n s e m

Texto

(1)

~ r a m i n e a s com C r i s t a i s

E . C . T E N ~ R I O UFRPE, CNPq.

D e s d e f i n s d o s é c u l o XVIII q u a n d o a i d é i a d a " c r i a ç ã o e s p e c i a l I 1 t o r n o u - s e d e s a c r e d i t a d a n o s f o r o s ~ o t â n i -

\

tos, s u r g i u e n t ã o e n t r e o s c i e n t i s t a s a n e c e s s i d a d e m a i o r d e b u s c a r uma r e s p o s t a p a r a o a p a r e n t a m e n t o d a s p l a n t a s n a t e r r a i O p a n s e m e n t o mais i n f l u e n t e q u e v i g o r o u f o i o d a c l a s s i f i c a ç ã o n a t u r a l . No e n t a n t o , e s s a n a t u r a l i d a d e t ã o p r o c u r a d a p o r a q u e l e s p e s q u i s a d o r e s t a l v e z n ã o s e i d e n t i f i c a s s e t o t a l m e n t e com o s mes -

mos c o n c e i t o s d e c l a s s i f i c a ç ã o n a t u r a l n a a t u a l i - d a d e , v i s t o q u e o s c r i t é r i o s a c e s s ó r i o s p a r a e s t a b e l e c e r uma c l a s s i f i c a ç ã o a p a r e n t e m e n t e e r a m i n c i p i e n t e s .

Nos d i a s a t u a i s , n o e n t a n t o , tê'm s i d o e x - p l o r a d o s o s m a i s r e c ô n d i t o s c a r a c t e r e s o u f a c i e s d a p l a n t a t a i s como r e l a ç õ e s b i o q u i m i c a s , a n a t g m i c a s , c i t o l Ó g i c a s ,

. . .

e t c , c a p a -

z e s q u e s ã o d e i n c r e m e n t a r o n o s s o e n t e n d i m e n t o d o p a r e n t e s c o n a t u r a l d a s p l a n t a s . D e n t r o d o s p a r â m e t r o s a n a t , í m o - b i o q u i m i c o s , o s c r i s t a i s têm s i d o v e t o r e s d e a p r e c i á v e i s i n f e r ê n c i a s f i l o g e - n é t i c a s .

O s c r i s t a i s o c o r r e m p r i m o r d i a l m e n t e em D i -

c o t i l e d ô n e a s , e d e a l g u m modo e n t r e a s ~ o n o c o t i l e d Ô n e a s , em am- b o s , numa gama i m e n s u r á v e l d e f o r m a s .

S e u s f o r m a t o s a c o m p a n h a d o s d o e s t u d o d a s u a d i s t r i b u i ç ã o é u s a d o como d i a g n ó s t i c o t a x o n ô m i c o n o e s t u d o q d a c l a s s i f i c a ç ã o d a s p l a n t a s . C o n t u d o a p a r e n t ê m e n t e , a s i n v e s t i -

g a ç õ e s v o l t a d a s p a r a a i d e n t i f i c a ç ã o d e c r i s t a i s em ~ r a m í n e a s tem Z s i d o i n f & u t i f e r a s , a t é q u e o p r e s e n t e e x a m e s e m a t e r i a l i z o u

+

c o n c r e t a m e n t e .

C a d e r n o Bmega - P e s q . p ó s - ~ r a d . UFRPE, R e c i f e 1 ( 1 ) : 1 2 - 1 5 . 1 9 7 7 . Gramíneas com Cristais - 12

E, C. TEIMÓRIO UFRPE, CMPq.

Desde fins do século XUIII quando a idéia da "criação especial" tornou-se desacreditada nos foros Botâni- cos, surgiu então entre os cientistas a necessidade maior de

1

buscar uma resposta para o aparentamento das plantas na terra ,•

0 pensamento mais influente que vigorou foi o da classificação natural. No entanto^ esoa naturalidade tão procurada por aqueles pesquisadores talvez nao se identificasse totalmente com os me_s mos conceitos de classificação natural predominantes na atuali-

s *

dade, visto que os critérios acessórios para estabelecer uma ' classificação aparentemente eram incipientes.

Nos dias atuais, no entanto, tem sido ex- piorados os mais recônditos caracteres ou facies da planta tais como relações bioquímicas, anatômicas, citológicas, etc, capa - zes que são de incrementar o nosso entendimento do parentesco ' natural das plantas. Dentro dos parâmetros anatamo-bioquímicos, os cristais têm sido vetores de apreciáveis inferências filoge- néticas.

Os cristais ocorrem primordialmente em D_i cotiledôneas, e de algum modo entre as Monocotiledôneas, em am- bos, numa gama imensurável de formas.

Seus formatos acompanhados do estudo da

1

sua distribuição é usado como diagnóstico taxonômico no estudo' da classificação das plantas. Contudo aparentemente, as invest^

gaçoes voltadas para a identificação de cristais em Gramíneas '

£ f r

tem sido infiutiferas, ate que o presente exame se materializou concretamente.

Caderno Qmega - Pesq. Pés-Grad. UFRPE, Recif e I (1): 12-1-5.1977,

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T E N Ó R I O , - Gramineas com C r i s t a i s -

C r i s t a i s em Gramineas

A l o c a l i z a ç ã o de c r i s t a i s em Gramineasf a t é e n t ã o não t i n h a e n c o n t r a d o s u c e s s o , mesmo a s s i m , Molishem 1918, r e l a t o u a o c o r r ê n c i a de c r i s t a i s em ~ r a m i n e a s , M e t c a l f e em s u a o b r a Anatomia d a s M o n o c o t i l e d o n e a s Gramíneas r e a l i z o u 1 e s t u d o em v á r i o s e x e m p l a r e s d a s d i v e r s a s s u b f a m i l i a s e c o n c l u -

i u que s i m p l e s m e n t e não e n c o n t r o u c r i s t a i s n e s t e grupo d e p l a n -

t a s mesmo usando a l u z p o l a r i z a d a . T o d z v i s no n o s s o e s t u d o da s u b f a m i l i a C e n t o s t e c o i d e o e f o i p o s s í v e l a i d e n t i f i c a ç ã o de c r i s t a i s nos g ê n e r o s . Z e u g i t e s , C a l d e r o n e l l a , C e n t o s t e c a e Bromunioha.

P a r t i c u l a r m e n t e c u r i o s o é a o c o r r ê n c i a ' de c o r p o s c r i s t a l i n o s no p a r de e s p é c i e s , Z e u q i t e s c a p i l l a r i s e - Z . s a g i t t a t u s ( ~ i g . 1 2 ) , s e ç õ e s p a r a d é r m i c a s e t r a n s v e r s a i s mostraram a p r e s e n ç a de numerosos c o r p o s c r i s t a l i n o s de forma e l i p t i c a s , s u b - e l í p t i c a s , ou f o r m a s d e r i v a d a s , o c o r r e n d o no '

lÚmem d a s c é l u l a s m e s o f í l i c a s . Quando a s s e ç õ e s r e f e r i d a s f o - ram i l u m i n a d a s , com o s p r i s m a s de N i c o l em p o s i ç ã o c r u z a d a ; t a i s c o r p o s m a n i f e s t a r a m - s e i n t e n s a m e n t e l u m i n o s o s , r e v e l a n d o a p r e s e n ç a de e s t r u t u r a c r i s t a l i n a .

R e g r a - g e r a l , o s c r i s t a i s foram unicamen -

t e documentados n a s c ~ l u l ~ m e s o f í l i c a s , c a r e n t e s p o r t a n t o a s c é l u l a s i n c o l o r e s ou e s c l e r e n q u i m > t i c a s .

É s i g n i f i c a n t e r e f e r i r que T e n ó r i o em s u a r e v i s ã o do g ê n e r o Z e u q i t e s e n f a t i s o u que a s d u a s e s p é c i e s de ~ e u ~ i t e s mencionadas acima que crescem n a s r e g i õ e s c e n t r a i s mexicanas em a r e a s e c 0 1 6 ~ i c a m e n t e *. c o m p a t í v e i s , mas s o b r e t u d o f

a l o p á t r i c a s em s u a d i s p ê r s ã o c o n s t i t u i a m t á x o n s proximamente' r e l a c i o n a d o s q u a n t o a m o r f p l o g i a dos s e u s r e p r e s e n t a n t e s . Even -

t u a l m e n t e , ~ e n ó r i o em 1976 mostrou que a s mesmas e s p é c i e s mos -

travam-se anatomicamente a p a r e n t a d a s . Nenhuma o u t r a e s p é c i e

c a d e r n o 6mega - Pesq. pós-Grad. U F R P E , R e c i f e 1(1) : 12-15. 1977.

TENÓRIO. - Gramineas com Cristais

Cristais em Gramineas

A localização de cristais em Gramineas' até então não tinha encontrado sucesso, mesmo assim, Molish em 1918, relatou a ocorrência de cristais em Gramineas, Metcalfe em sua obra Anatomia das Monocotiledoneas Gramineas realizou' estudo em uérios exemplares das diversas subfamilias e concljj iu que simplesmente nao encontrou cristais neste grupo de plari tas mesmo usando a luz polarizada. Todavia no nosso estudo da subfamilia Centostecoideae foi possivel a identificação de cristais nos gêneros. Zeugites, Calderonella, Centosteca e Bromuniola,

Particularmente curioso é a ocorrência' de corpos cristalinos no par de espécies, Zeugites capillaris e 2_. sagittatus (Fig. 12), Seções paradérmicas e transversais mostraram a presença de numerosos corpos cristalinos de forma elipticas, sub-elipticas, ou formas derivadas, ocorrendo no ' lumerq das células mesofílicas. Quando as seções referidas fo- ram iluminadas, com os prismas de IMicol em posição cruzada ; tais corpos manifestaram-se intensamente luminosos, revelando a presença de estrutura cristalina.

Regra-geral, os cristais foram unicamB_n te documentados nas células mesofílicas, carentes portanto as

, »

células incolores ou esclerenquimaticas.

É significante referir que Tenório em sua revisão do gênero Zeugites enfatisou que as duas espécies de Zeugites mencionadas acima que crescem nas regiões centrais mexicanas em areas ecologicamente compatíveis, mas sobretudo' alopátricas em sua dispersão constituíam táxons proximamente' relacionados quanto a morfplogia dos seus representantes. Even tualmente, Tenório em 1976 mostrou que as mesmas espécies mo_s travam-se anatomicamente aparentadas. Nenhuma outra espécie '

Caderno âmega - Pesq. Pos-Grad. UFRPE, Recife I (1) ; 12-15. 1977.

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~ r a m i n e a s com C r i s t a i s

F i g u r a 1. s e ç ã o T r a n s v e r s a l

Z e u g i t e s c a p i 1 A a f i . s ( p r i n g l e 1 0 3 8 6 )

F i g u r a 2 , s e ç ã o P a r a d e r m a l

Z e u g i t e s c a p i l l a r i s ( ~ r i n g l e 1 0 3 8 6 ) Gramíneas com Cristais

Figura 1. Seção Transversal

Zeuqites capilisris (Pringle 10386)

Figura 2. Seção Paradermal

Zeugites capillaris (Pringle 10386)

(4)
(5)

T E N ~ R L O , - Gramineas com C r i s t a i s

' ' -

1 5 d e Z e u g , i t e s , n o , e , n t a n t o , a p r e s e n t o u q u a l q u e r t r a ç o de e s t r u t u -

r a c r i s t a l i n a n o s s e u s t e c i d o s f o l i a r e s .

As e s p é c i e s C o l d e r o n e l a q e n t r i , Centos- -

teta l o n q i l a m i n a e Bromuniola q o s s w e i l e r i t o d o s membros d a s u b f a r n i l i a C e n t o s t e c o i d e a e mostraram c é l u l a s m e s o f í l i c a s com c o r p o s c r i s t a l i n o s , porem, r e g r a - g e r a l menores em dimensões

8

e menos numerosos do que a q u e l e s comuns à s e s p é c i e s r e f e r i d a s de Z e u g i t e s .

C a l d e r o n e l l a a p r e s e n t a d u a s e s p é c i e s a l o p á t r i c a s , que desenvolvem-se n a s f l o r e s t a s t r o p i c a i s pana- menhas, mas c u j a s e s p i c u l a s , p a r t i c u l a r m e n t e , s ã o b a s t a n t e a p a r e n t a d a s . Contudo, C a l d e r o n e l l a s y l v a t i c a 6 d o t a d a de uma e s t r u t u r a a n a t 6 m i c a de menores p r o p o r ç Õ e s , e com a ' a u s ê n c i a de c r i s t a i s nos 1Úmens c e l u l a r e s .

Das e s p é c i e s de C e n t o s t e c a , u n i c a m e n t e t C , l o n g i l a m i n a a p r e s e n t o u c o r p o s c r i s t a l i n o s e e s s e s , v i a - d e -

-

r e g r a , b a s t a n t e i r r e g u l a r e s . Bromuniola q o s s b e i l e r i , de-algum -modo, r e p e t i u a c o n d i ç ã o e n c o n t r a d a em C e n t o s t e c a .

T o r n a - s e b a s t a n t e c u r i o s e , que s o m e n t e t o s g ê n e r o s da t r i b o p a n t r o p i c a l Z e u g i t a e m o s t r a s s e a p r e s e n ç a de c r i s t a i s , d e n t r e a q u e l e s que vegetam no o c i d e n t e , E que a - p e n a s C e n t o s t e c a , u b i q u i t á r i a p a r a a s f l o r e s t r o p i c a i s a s i á t i -

tas, e a i n d a o c o r r e n d o em Madagascar e A f r i c a , além da Bromu- n i o l a , e s p é c i e a f r i c a n a de d i s p e r s ã o muito r e s t r i t a , ambas da t r i b o C e n t o s t e c e a e , fossem p o r t a d o r e s da mensagem n e c e s s a r i a l

/

p a r a a formação m e t a b ó l i c a de c r i s t a i s , e n t r e o s g ê n e r o s d i s - p e r s o s p e l o O r i e n t e ,

P a r e c e e v i d e n t e que ê s t e t r a b a l h o , r e - p r e s e n t a a p r i m e i r a c o n t r i b u i ç ã o c i e n t í f i c a , r e l a t a n d o a p r e - s e n ç a d e c r i s t a i s em l á m i n a s de ~ r a m í n e a s , quando i n v e s t i g a d m s o b l u z p o l a r i z a d a ,

Caderno Ômega - Pesq. ~ 6 s - ~ r e d . U F R P E , R e c i f e 1 ( 1 ) :12-15 1977.

TEiMÓRIO. - Gramineas com Cristais - 15

de Zeugites, no entanto, apresentou qualquer traço de estrutu ra cristalina nos seus tecidos foliares.

As espécies Calderonela gentri, Centos- teca longilamina e Bromuniola qossueileri todos membros da ' subfamília Centostecoideae mostraram células mesof; Licas com corpos cristalinos, porem, regra-geral menores em dimensões e menos numerosos do que aqueles comuns as espécies referidas ' de Zeugites.

Calderonella apresenta duas espécies ' alopatricas, que desenvoluem-se nas Florestas tropicais pana- menhas, mas cujas espiculas, particularmente, são bastante ' aparentadas. Contudo, Calderonella syIvatica é dotada de uma estrutura anatômica de menores proporções, e com a ausência ' de cristais nos lúmens celulares.

Das especies de Centosteca, unicamente' Ç. longilamina apresentou corpos cristalinos e esses, via-de-

regra, bastante irregulares. Bromuniola gossúeileri, de-algum -modo, repetiu a condição encontrada em Centosteca.

Torna-se bastante curiose, que somente' os gêneros da tribo pantropical Zeugitae mostrasse a presença de cristais, dentre aqueles que vegetam no ocidente, E que a- penas Centosteca, ubiquitária para as flores tropicais asiáti cas, e ainda ocorrendo em Madagascar e África, além da Bromu- niola , espécie africana de dispersão muito restrita, ambas da tribo Centostecaae, fossem portadoras da mensagem necessária' para a formação metabolica de cristais, entre os generos dis- persos pelo Oriente,

Parece evidente que êste trabalho, re -

^ % presanta a primeira contribuição científica, relatando a pre- sença de cristais em lâminas de Gramineas, quando investigados sob luz polarizada.

Caderno Ômega - Pasq. Pos-Grad. UFRPE, Recife I (l) íIZ-IS- 1977.

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Referências

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