ANA MARIA GOFFI COSTACURTA
A IMPORTÂNCIA DOS SEIS PRIMEIROS ANOS DE VIDA
NA FORMAÇÃO DO LEITOR
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Faculdade de Educação
ANA MARIA GOFFI COSTACURTA
A IMPORTÂNCIA DOS SEIS PRIMEIROS ANOS DE VIDA
NA FORMAÇÃO DO LEITOR
Trabalho apresentado como requisito de conclusão da Habilitação em
Educação Infantil à Comissão de professores responsáveis pelo Curso: Profas. Dras. Maria Ângela Barbosa
Carneiro, Marisa Del Cioppo Elias, Neide de Aquino Noffs e Neide Barbosa Saisi, sob a orientação da Profa. Dra. Marisa Del Cioppo Elias.
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Faculdade de Educação – Curso de Pedagogia
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Curso: Pedagogia
Título: “A importância dos seis primeiros anos de vida na formação
do leitor”
Autora: Ana Maria Goffi Costacurta
AGRADECIMENTOS
À minha professora e amiga, Márcia Sodero Ungaretti, por todo o apoio que vem me dando nestes últimos anos.
À Prof ª. Marisa Del Cioppo Elias, que orientou esse trabalho, pela solicitude, pelas críticas e pelo apoio.
SUMÁRIO
DEDICATÓRIA... ...iii
AGRADECIMENTOS...iv
ÍNDICE DE ANEXOS... ...vi
ÍNDICE DE FIGURAS...vii
ÍNDICE DE TABELAS...viii
RESUMO... ... ...ix
PENSAMENTO... ...x
INTRODUÇÃO... 1
1 A LEITURA…………... 4
2 A CRIANÇA DE ZERO A SEIS ANOS... 7
3. METODOLOGIA DE PESQUISA……..………... 16
4. ATITUDES E INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS SUGERIDAS ... 25
CONCLUSÃO... 41
BIBLIOGRAFIA... 43
ÍNDICE DE ANEXOS
BITS DE INTELIGÊNCIA: Raças de cães...46
ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA I: Representação esquemática do estágio do desenvolvimento neurológico humano em relação às respectivas áreas do Sistema Nervoso
Central...11
GRÁFICO I: Hábitos relacionados à leitura...20 .
GRÁFICO II: Que textos estão mais ao alcance das crianças?...21
GRÁFICO III: Quantas vezes na semana são contadas histórias para as
crianças?...23
ÍNDICE DE TABELAS
TABELA I: Estágio do desenvolvimento humano... 12
TABELA II: Tabulação do Questionário…...18
TABELA II – A: O que esperam das crianças quando forem adultas?...19
TABELA II – B: O hábito da leitura é necessário para o alcance dessa proposta?...19
TABELA II – C: Hábitos relacionados à leitura...20
TABELA II – D: Que textos estão mais ao alcance das crianças?...21
TABELA II – E: Em que passeios culturais os adultos levam as crianças?...22
TABELA II – F: Quantas vezes na semana são contadas histórias para as crianças?...23
RESUMO
Quando soube que o ato de educar deve ter a intenção de formar pessoas capazes de dar uma contribuição social adequada às capacidades específicas, e que a leitura é o meio necessário a esta participação social, optei pelo tema do presente trabalho. Nele tive a intenção de:
• Alertar os educadores para a importância dos seis primeiros anos de
vida, na Educação, com destaque na formação do leitor eficaz.
• Sugerir aos educadores comportamentos e atividades pedagógicas
que estimulem as crianças em seus seis primeiros anos de vida, facilitando a sua formação como leitoras textuais.
• Descrever os materiais e espaços necessários para estimular a
leitura nas crianças.
PENSAMENTO
“... A retomada da infância distante, buscando a compreensão do ato de” ler” o mundo particular em que me movia, me é absolutamente significativa”.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço – o sítio das avencas de minha mãe - o quintal amplo em que me achava - tudo isso foi o meu primeiro mundo. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha primeira atividade perspectiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras...
Os textos, as palavras, as letras daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros – o do sanhaço, o do bem te vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias...
INTRODUÇÃO
A história da humanidade é composta de uma série de transformações pessoais e sociais, realizadas pelo homem. É importante que este homem tenha consciência de seu poder de transformação e se responsabilize por isso. A consciência desse seu papel na história tem, na leitura, uma de suas mais importantes fontes.
O ato de escrever (simbolizar) permite ao outro compartilhar daquilo que vi; ao ler (compreender), compartilho aquilo que o outro viu. Sou mais ser para o mundo através da comunicação, portanto, da leitura. (Silva, 1996, pág. 66)
Paulo Freire (2003) já alertava para o fato de que sem a possibilidade de ler e compreender o que se lê a pessoa não pode participar do contexto em que vive, seja desfrutando dele, ou contribuindo para expandi – lo, enriquecê- lo.
No entanto, percebe – se que não existe tradição de leitura no Brasil. Sabe-se que apenas uma minoria utiliza-se da leitura como lazer ou fonte de conhecimentos. A maioria das pessoas não tem o hábito de ler e dentre essas pessoas encontramos os educadores da primeira infância. Não adianta a professora apenas levar seus alunos à biblioteca, ou então, a sala de aula ter um cantinho com livros. Para que haja um incentivo para a leitura é preciso exemplo, é preciso a prática da leitura, e, o mais importante, é preciso que o adulto reconheça a necessidade indiscutível da leitura para sua formação pessoal.
São raras as faculdades brasileiras que oferecem cursos na área de Psicologia e/ ou Metodologia da Leitura. O assunto parece se resumir aos diferentes métodos de alfabetização em que são treinados os futuros professores das primeiras séries do 1º grau, como se a leitura abrangesse apenas um processo limitado de alfabetização, isto é, decifração do código. (Silva, 1996, pág.34)
O último relatório do Banco Mundial sobre desenvolvimento econômico, elaborado em 2006, traz um capítulo sobre a importância da educação da leitura para a área da Economia, que está cada vez mais dependente da expansão tecnológica e do acesso a informações especializadas. Em seu relatório comparativo, que trata de educação básica e nível de escolaridade de mão de obra, o Brasil, entre todos os países emergentes analisados (China, Índia, México e Rússia), foi o que teve a pior avaliação. Segundo o relatório, a educação básica é tão deficiente que não consegue oferecer, à maioria dos estudantes, a formação mínima de que necessitam para operar máquinas, cuja programação exige informações especializadas. (O Estado de São Paulo, 06/10/06).
Ao lado dessa dificuldade técnica verifica-se, constantemente, a falta de conhecimento das demais áreas da formação humana, sejam elas físicas, afetivas, científicas ou comportamentais e que facilmente podem-se encontrar, nas inúmeras publicações lançadas a todo instante no mercado, em formatos de revistas, jornais, livros, e de infindáveis textos da informática.
aquisição de hábitos, como o da leitura. Esses dados são encontrados nos estudos de educadores como: Coll (2004), Corominas (2005) e Valls (1992). Assim sendo, a proposta deste trabalho é de:
• Alertar os educadores para a importância dos seis primeiros anos de
vida, na Educação, com destaque na formação do leitor eficaz.
• Sugerir aos educadores comportamentos e atividades pedagógicas
que estimulem as crianças em seus seis primeiros anos de vida, facilitando a sua formação como leitoras textuais.
• Descrever os materiais e espaços necessários para estimular a
leitura nas crianças.
Para alcançar esses objetivos, procurei evidenciar neste trabalho idéias que estimulassem e facilitassem a leitura textual, visando obter um número cada vez maior de leitores conscientes. Nele fiz constar a importância da valorização da “leitura de mundo” para a faixa etária de 0-6 anos. Como nessa fase a criança ainda não é leitor de texto, destacou-se a figura do adulto nas suas atitudes e intervenções favoráveis ao desenvolvimento da leitura da imagem e da leitura textual ou “leitura de palavras”.
Depois de considerar o que é leitura, quem é a criança de que estamos tratando, realizei uma pesquisa de campo com a finalidade de verificar o grau de importância que os adultos estão atualmente dando para a leitura como fator educacional. No último capítulo, relaciono sugestões para a intervenção pedagógica que entendo, são facilitadoras da formação do leitor eficaz.
1 - A LEITURA
Segundo a definição encontrada no Dicionário Houaiss (2001), leitura é a ação
ou efeito de ler; ato de decifrar significados gráficos que traduzem a
linguagem oral; ação de tomar conhecimento do conteúdo de um texto escrito,
para se distrair ou se informar.
Para alguns educadores, a leitura é basicamente um processo de decodificação, que relaciona os símbolos escritos aos sons falados. Uma vez que essas associações sejam aprendidas, a criança é uma leitora. Embora incluindo esta definição, outros educadores afirmam que o processo de leitura é muito mais do que decifrar códigos; afirmam que ler é obter sentido da página impressa. Paulo Freire, ampliando ainda mais o conceito de leitura, diz:
Aprender a ler é, antes de tudo, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não em uma manipulação mecânica de palavras, mas em uma relação dinâmica que vincula linguagem e realidade. Mas é importante dizer, que da “leitura” do meu mundo, da rica experiência de compreensão do meu mundo imediato, é que eu comecei a ser introduzido na leitura da palavra. A decifração da palavra fluía naturalmente da “leitura” do mundo particular. (Freire, 2003,pág.8)
Com base em Paulo Freire (2003), entendo que a figura do adulto deverá trazer, para a criança, o maior número possível de imagens, assuntos e experiências, para aumentar seu universo vocabular, ampliando sua realidade ou “leitura do mundo”. Quanto mais ampla for sua “leitura de mundo”, mais significativa será sua “leitura da palavra”.
Este conceito de leitura significativa, que tem sentido para o leitor, ocorre quando ele procura seus interesses no texto, quando ele interage com o texto, não ficando na simples decodificação.
Assumir o controle da própria leitura implica ter objetivos para ela, assim como poder gerar hipóteses sobre o conteúdo que se lê. (Gallart, 1998, pág.47)
A leitura crítica, a solução de problemas e outros processos complexos, também devem ser incluídos em qualquer programa pedagógico voltado para a leitura.
(Spodek, 1998, pág. 264)
Ao relacionar o ato de ler a crianças menores de seis anos, pode parecer que se está exigindo precocemente capacitações que as crianças ainda não têm. Esta hipótese é contestada por Smith (1999, pág. 17) quando apresenta a seguinte opinião:
A leitura não exige de nossos olhos nada que eles já não façam, quando olhamos ao redor de uma sala. A leitura não exige nenhuma habilidade lingüística que não tenha sido demonstrada na compreensão da fala. E aprender a ler não envolve nenhuma habilidade especial de aprendizagem. As crianças são aprendizes altamente habilitados e experientes,...
Smith alerta, no entanto, para o fato de que a linguagem deve ter sentido e utilidade para a criança que está aprendendo a ler e, portanto, deve ser mediada por adultos que conheçam a criança, individualmente, e os temas de leitura que lhe são apresentados.
mundo valoriza muito a escrita e assim, deseja ter o domínio desse meio de comunicação que o mundo a seu redor valoriza.
2 - O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE ZERO A SEIS
ANOS
A criança atual, principalmente aquela que é criada nos centros urbanos, difere das crianças do passado por não ter a mesma liberdade para as brincadeiras de rua, que são estímulos importantes para a auto - superação e para a criatividade. Essa criança está mais sedentária e desestimulada em relação a tudo o que exige esforço pessoal. Com a chegada da televisão e do computador, as crianças, atraídas pelas imagens e informações “prontas” que esses aparelhos fornecem, intensificaram a atitude sedentária, mas nela não está incluído o interesse pelas boas leituras, mesmo a leitura para lazer, isto porque toda leitura exige esforço para se estabelecer relações e criar imagens que favoreçam um bom aproveitamento.
Em função desse desinteresse pela leitura, vê-se a necessidade de estimular o seu hábito desde o nascimento, para que se possa prevenir o distanciamento atual que vem ocorrendo, intensificando-se o esforço necessário para o amadurecimento pessoal em todas as capacitações humanas, incluindo-se a capacidade para uma leitura eficaz.
Estudos mostram as causas desse desinteresse e fornecem sugestões. A neurociência, por exemplo, tem se desenvolvido muito no que se refere aos estudos do sistema nervoso, como vemos nos trabalhos de Doman¹, de Carla Shatz² da Universidade da Califórnia, ou ainda Rodolfo Llinas³, da Universidade de Nova York. Sabe-se que, para cada aprendizagem, há a necessidade de um determinado nível de amadurecimento neurológico, o “período sensitivo adequado” também conhecido por “janela de oportunidade”.
¹ Istitutes for the Achievement of Human Potential, Pensilvânia ² “Fertile Minds” InTime, fevereiro de 1997
Esses estudos revelam que o desenvolvimento da rede neurológica faz - se mais intenso nos primeiros anos de vida. Sabe-se, por exemplo, que na idade de três anos, a criança está em condições de associar as cores que tem a sua volta, aos seus respectivos nomes. Uma experiência que comparou crianças indígenas com crianças esquimós demonstrou que as indígenas eram capazes de reconhecer muitos tons de verde, diferentemente da esquimó que era capaz de identificar muitos tons de branco, pela presença da neve e do gelo. (Lima, 2001, pág. 17)
O cérebro desenvolve-se a uma velocidade impressionante no início da vida, aumentando de 25% de seu eventual peso adulto ao nascimento para 75% do peso adulto aos dois anos. De fato, os últimos três meses pré- natais e os dois primeiros anos de vida foram nomeados de período de rápido crescimento cerebral porque mais da metade do peso adulto do cérebro é adicionado nesse período. Entre o sétimo
mês de gestação e o primeiro aniversário da criança, o cérebro aumenta seu pesoao
redor de 1,7 gramas por dia, ou mais de uma miligrama por minuto. (Shaffer, 2005,
pág. 147))
Completando essa idéia, têm-se os seguintes dados levantados por Doman, (in Véras, s/d, pág.3):
• O cérebro humano contém mais de 10 bilhões de neurônios • O cérebro cresce com o uso.
• Atualmente, utilizamos uma porcentagem mínima destes neurônios.
• Todo o crescimento significativo do cérebro está completo aos seis anos
de idade.
• Quando melhoramos uma função do cérebro, melhoramos em certo grau,
todas as demais funções.
• O cérebro das crianças cresce tanto quanto lhe damos a oportunidade para
que cresça.
• Todos os sentidos são importantes para a aprendizagem, destacando-se
sobretudo a visão, a audição e o tato.
• Para o momento evolutivo propício para determinada aprendizagem dá-se
o nome de período sensitivo.
Ainda, segundo o Prof. Alcazar (1992, pág.6) do Centro de Investigação de Fomento Centros de Ensino da Espanha, calcula-se que:
• Ao redor dos três anos a rede neurológica se configura por volta de 50%
• Ao redor dos sete anos, a rede neurológica se configura em 80%
• Ao redor dos dez anos, a rede neurológica se configura em 90%
É claro que dominar a leitura é um processo difícil e que a facilidade vai depender das oportunidades de contato com a escrita que se oferece para a criança. Se durante os seis primeiros anos a criança dispõe de um meio ambiente carregado de estímulos adequados, as possibilidades físicas, intelectuais e comportamentais serão extraídas naturalmente e manifestar – se - ão com menor esforço e maior prazer do que se forem exigidas em períodos sensitivos inadequados.
Como testemunho da importância desses estímulos sensoriais para o desenvolvimento cognitivo humano tem-se, por exemplo, casos de pessoas com a Síndrome de Down, com diferentes graus de desenvolvimento, motivados pela quantidade de estímulos proporcionados na infância, havendo entre elas, algumas que chegam à faculdade. (Westin, In: OESP, 18/10/06)
Assim, mais importante do que considerar a idade cronológica da criança, é focar o nível de maturidade em que ela se encontra.
TABELA 1 - ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO NEUROLÓGICO HUMANO
Legenda
Idade Maturacional
Superior: Crianças estimuladas intencionalmente Médio: Crianças estimuladas naturalmente
Inferior: Crianças parcialmente privadas de estímulos naturais
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Na figura 1, vê-se o conjunto das áreas do Sistema Nervoso Central, representadas cada uma por uma cor. Essa cor é reproduzida no quadro 1, definindo-se:
• O estágio do desenvolvimento cerebral com sua área respectiva dentro
do Sistema Nervoso Central
• As idades em que ocorrem a maturidade, identificando-se:
- superior: idade maturacional da criança estimulada intencionalmente. - médio: idade maturacional da criança estimulada naturalmente.
- inferior: idade maturacional da criança parcialmente privada de estímulos naturais.
• Competência visual: a resposta dada pelas crianças aos estímulos
visuais, em cada estágio de desenvolvimento.
• Competência de linguagem: representa o grau de desenvolvimento da
linguagem em cada estágio de desenvolvimento.
Sabe-se que a inteligência de uma criança depende 70% da educação, ou seja, dos
estímulos recebidos, e apenas 30% da herança genética. (Manglano, 2006, pág.25)
Com base em Shaffer (2005) e Coll (2004), foram encontrados os seguintes dados:
A criança de um ano e meio > Desmonta e monta brinquedo desmontável. Coloca objetos "em cima de", "embaixo de", "dentro", "fora". Constrói torres. Vira página de livro, uma de cada vez. Dobra papel pela metade imitando. Desenha círculo. Combina objetos semelhantes. Vira maçaneta de porta, Aponta para grande ou pequeno quando lhe pedem. Reconhece músicas que lhes são familiares. Dá cambalhota para frente e para traz. Gosta de completar versos que lhe são familiares, folheiam livros, reconhecem imagens, chamando-as pelo nome próprio de sua linguagem.
A criança de dois a três anos > Tem seu maior desenvolvimento no campo da sensibilidade. Gosta de atividade física gosta de ouvir música e dançar. Possui certa coordenação viso-manual. Completa desenhos simples. Traça uma linha unindo dois pontos. Compreende mais palavras do que fala. Nas brincadeiras pode se utilizar do monólogo. Utiliza o “porquê ”, que permite um amplo conhecimento. Está no período ideal para a aprendizagem de outras línguas. No aspecto cognitivo, a criança liberta – se da realidade e capaz de entrar na fantasia. Aprende por imitação. A fantasia distorce sua realidade, surgindo o medo. Tem consciência clara de si. Gosta de colaborar com o adulto e de ouvir as mesmas histórias repetidamente. É capaz de reconhecer algumas letras e associar marcas comerciais a seus respectivos logotipos.
os dedos polegar e indicador. A curiosidade a leva a folhear livros que lhe estão accessíveis.
A criança de cinco anos > Vai do concreto e conhecido para as primeiras abstrações. É capaz de imaginar objetos ausentes. Recorta com os dedos. Salta alternando os pés. Sua coordenação permite aprender a nadar, andar de bicicleta, e outros. capaz de costurar com uma agulha grande. Utiliza 2500 palavras que correspondem a seus interesses. Emprega à linguagem adequada à comunicação e à realidade. Resolve problemas simples. Começa a descobrir as causas da realidade a seu redor. Tem pouca noção de espaço e tempo. Pega, quando lhe pedem, o número especificado de objetos. Desenha, recorta e cola gravuras simples. Inventa histórias com sua imaginação. Já é capaz de ler palavras e frases.
3- METODOLOGIA DE PESQUISA
A importância do hábito da leitura de que tratamos neste trabalho exige uma pesquisa que traga uma idéia do quanto se considera a leitura como sendo um fator educacional necessário. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que parte da idéia de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, e uma interdependência viva entre o sujeito e a leitura. O conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa; o sujeito-observador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta o fenômeno, atribuindo-lhe um significado.
O questionário será aplicado em uma amostra de 54 adultos, entre pais e professores de crianças que freqüentam a Educação Infantil. A primeira pergunta estará voltada a identificar qual a meta educacional pretendida pelos adultos entrevistados. As outras quatro perguntas estarão voltadas a identificar a presença da leitura na rotina diária destes adultos.
O questionário (anexo 1) ficou constituído, portanto, das seguintes questões: 1. O que se espera de uma criança, quando for adulta.
2. Se os adultos entrevistados consideram o hábito da leitura, fator necessário para a formação de sua criança.
3. Que estímulos facilitadores da leitura, os adultos entrevistados estão dando para suas crianças.
4. Se os adultos entrevistados contam história para suas crianças.
VOCÊ É PAI ( ) MÂE ( ) PROFESSOR(A) ( )
1. Em sua opinião, o que MAIS se deve esperar de uma criança, quando adulta? - que ela ajude a melhorar a sociedade ( )
- que ela tenha sucesso e tudo mais que quiser ( ) - que ela se sinta feliz e integrada ao seu mundo ( )
2. O hábito da leitura é necessário para o alcance dessa proposta de vida? - Sim ( ) - Não ( )
3. A partir de sua experiência, responda SIM (S) ou NÃO (N) às questões abaixo:
• Você, em geral, lê quando está junto de suas crianças? S ( ) N ( ) • Rótulos, listagens, manuais são lidos com suas crianças? S ( ) N ( ) • Notícias de jornais são comentadas com suas crianças? S ( ) N ( ) • As crianças têm acesso fácil aos livros/revistas/jornais? ( ) S ( ) N ( ) • Que textos estão maisao alcance das crianças?
- livros infantis/ juvenis? ( ) S ( ) N ( ) - livros de artes ( ) S ( ) N ( )
- livros com fotografias de animais, plantas, etc? ( ) S ( ) N ( ) - revistas infantis, gibis ( ) S ( ) N ( )
- nunca pensei nesta questão ( )
• Você leva suas crianças a passeios culturais em:
- parques ( )
- teatros/ concertos musicais ( ) - viagens ( )
- museus ( )
- bibliotecas/ livrarias ( ) - shopping centers ( ) - supermercados ( ) - parque de diversões ( ) 4> Quantas vezes na semana você conta histórias para suas crianças?
1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5 ( ) 6 ( ) 7 ( ) nunca ( ) de vez em quando ( ) 5 Quantos livros você, adulto, lê em média por ano?
O que espera de uma criança quando for adulta?
Total de cada opção dada pelos
35pais
Total de cada opção dada pelos 24 professores
Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
que ela ajude a melhorar a
sociedade 14 10
24 > 41%
que ela tenha sucesso e tudo mais que quiser
4 7 11 > 20%
que ela se sinta feliz e integrada
ao seu mundo 24 11
35 > 59%
O hábito da leitura é necessário para o alcance dessa proposta de vida?
35 24 59 > 100%
Hábitos relacionados com a leitura?
Você, em geral, lê quando está junto de suas crianças?
31 24 55 > 93%
Rótulos, listagens, manuais são
lidos com suas crianças? 18 18
36 > 61%
Notícias de jornais são
comentadas com suas crianças? 22 14 36 > 61%
As crianças têm acesso fácil aos
livros/revistas/jornais? 29 22 51> 86%
Que textos estão maisao alcance das crianças?
livros infantis/ juvenis? 27 24 51> 86%
livros de artes 7 13 20 > 37%
livros com fotografias de
animais, plantas, etc? 24 18
42 > 71%
revistas infantis, gibis 20 18 38 > 64%
Você leva suas crianças a passeios culturais em:
parques 32 13 45 > 76%
teatros/ concertos musicais 16 14 30> 51%
viagens 23 4 27 > 46%
museus 11 12 23 > 39%
bibliotecas/ livrarias 22 8 30> 51%
shopping centers 26 0 26 > 44%
supermercados 25 2 27 > 46%
parque de diversões 23 2 25 > 42%
Quantas vezes na semana você conta histórias para suas crianças?
1 4 0 4 > 6,5%
2 3 3 6 > 10%
3 10 3 13 > 22%
4 3 5 8 > 13,5%
5 3 9 12 > 20%
6 2 1 3 > 5%
7 5 3 8 > 15%
nunca 0 0 0%
de vez em quando 5 0 5 > 8%
Quantos livros você, adulto, lê em média por ano?
1 9 3 12 > 20%
De 2 a 5 9 15 24 > 41%
De 6 a 10 10 3 13 > 22%
O que esperar de uma criança quando for adulta?
Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada
pelos 24 professores Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
que ela ajude a melhorar a
sociedade 14 10 24 > 41%
que ela tenha sucesso e
tudo mais que quiser 4 7 11 > 20%
que ela se sinta feliz e
integrada ao seu mundo 24 11 35 > 59%
COMENTÁRIO:
O índice de 20% que identifica uma atitude mais egocêntrica permite concluir que 80% dos adultos educam para formar pessoas que venham a dar uma contribuição para o mundo.
Tabela II – B: O hábito da leitura é necessário para o alcance dessa proposta?
O hábito da leitura é necessário para o alcance dessa proposta de vida?
Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada
pelos 24 professores Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
35 24 59 > 100%
COMENTÁRIO:
Gráfico I Hábitos relacionados a leitura 61% 86% 93% 61% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Adulto lêem junto de sua crianças
Rótulos, listagens e manuais são lidos com as crianças
Notícia de jornal são comentadas com as crianças
livros, revistas e jornais de fácil acesso as crianças
COMENTÁRIO:
Os adultos entrevistados estão vivendo os estímulos naturais que facilitam o hábito da leitura.
Hábitos relacionados com
a leitura Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada
pelos 24 professores Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
Você, em geral, lê quando está junto de suas crianças?
31 24 55 > 93%
Rótulos, listagens, manuais são lidos com suas
crianças?
18 18 36 > 61%
Notícias de jornais são comentadas com suas crianças?
22 14 36 > 61%
As crianças têm acesso fácil
Tabela II – D: Que textos estão mais ao alcance das crianças?
Gráfico II Textos que estão mais ao alcance das crianças
86% 37% 71% 64% 0% 20% 40% 60% 80%
100% Livrosinfantis/juvenis
livros de artes
livros de fotografias de animais, plantas e outros
revistas infantis e gibis
COMENTÁRIO:
Livros de arte: o índice de 37% pode revelar:
- desconhecimento/desinteresse dos adultos pelo tema “arte” - a crença na incapacidade das crianças para lê-los
Que textos estão maisao
alcance das crianças? Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada
pelos 24 professores Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
livros infantis/ juvenis?
livros de artes 27 24 51> 86%
livros com fotografias de animais, plantas, etc?
7 13 20 > 37%
revistas infantis, gibis 24 18 42 > 71%
Tabela II–E: Em quais passeios culturais os adultos levam as crianças?
Você leva suas crianças a
passeios culturais em: Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada
pelos 24 professores Total de resultados encontrados nos 59
adultos entrevistados
parques 32 13 45 > 76%
teatros/ concertos musicais 16 14 30> 51%
viagens 23 4 27 > 46%
museus 11 12 23 > 39%
bibliotecas/ livrarias 22 8 30> 51%
shopping centers 26 0 26 > 44%
supermercados 25 2 27 > 46%
parque de diversões 23 2 25 > 42%
COMENTÁRIO:
Tabela II – F: Quantas vezes na semana é contada história para as crianças?
Quantas vezes na semana você conta histórias para suas crianças?
Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada pelos 24 professores
Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
1
2 4 0 4 > 6,5%
3 3 3 6 > 10%
4 10 3 13 > 22%
5 3 5 8 > 13,5%
6 3 9 12 > 20%
7 2 1 3 > 5%
nunca 5 3 8 > 15%
de vez em quando 0 0 0%
5 0 5 > 8%
Gráfico III. Quantas vezes por senama é contada história para as crianças
de vez/qdo 1 vez 2 vezes 3 vezes 4 vezes 5 vezes 6 vezes 7 vezes 8% 6,5 10% 22% 13,5 20% 5% 15% COMENTÁRIO:
Tabela II – G: Quantos livros os adultos lêem por ano?
1 De 2 a 5 De 6 a 10 Mais de 10 nenhum
Gráfico IV. Quantos livros os adultos lêem por ano
5%
12% 20% 41% 22%
COMENTÁRIO:
O índice de apenas 95% (20% + 41% + 22% + 12%) de pessoas que lêem livros por ano, é compatível com a amostra pesquisada, composta, na sua maioria, por pessoas com nível universitário, além de se haver, na amostra pesquisada, muitos evangélicos que têm por costume a leitura da Bíblia.
Quantos livros você, adulto, lê em média por
ano?
Total de cada opção dada pelos 35pais
Total de cada opção dada
pelos 24 professores Total de resultados encontrados nos 59 adultos entrevistados
1 9 3 12 > 20%
De 2 a 5 9 15 24 > 41%
De 6 a 10 10 3 13 > 22%
Mais de 10 4 3 7 > 12%
4- ATITUDES E INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS
SUGERIDAS
A inteligência, capacidade do homem de poder reconhecer o que lhe é bom para sua
realização e evitar o que lhe é ruim é aprofundada em sua habilidade de ler. (Valls, 1989, pág.1)
A média de leitura dos brasileiros é de dois livros por ano, talvez se conseguirmos aumentar esse número, a sociedade se comunique mais e melhor. (Kuntz, In: Ser Família, 2007, pág. 20)
Quando educar
Shaffer em seu livro Psicologia do desenvolvimento (2005, pág. 209), afirma que bebês de 2 a 3 meses de idade são capazes de reter uma informação significativa por semanas ou mais, respondendo a um estímulo que já conhecem, e que ocorra nas mesmas circunstâncias em que ocorreu, anteriormente, o mesmo estímulo. Essa experiência foi feita colocando-se um móbile ao tornozelo do bebê, de modo que o bebê movia o móbile, com o movimento de sua perna.
Já que os recém – nascidos são capazes de associar seus comportamentos com suas conseqüências, eles deveriam aprender, logo que possam obter respostas favoráveis de
outras pessoas. Por exemplo, os bebês podem realizar gestos sociáveis como o sorriso
ou balbucio porque descobrem que essa resposta normalmente atrai a atenção e o afeto de seus cuidadores. (Shaffer, 2005, pág. 209).
No que se refere ao hábito da leitura para bebês, Fabiana Faria (2007), diz:
mais duvida de que, quanto mais cedo a leitura for introduzida na vida dos pequenos, melhor,pois isso faz que eles aumentem o vocabulário e passam a se expressar melhor.
Oferecer estímulos com intencionalidade
O ato de educar, definido como sendo “dar a alguém todos os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento de sua personalidade” (Houaiss, 2001), exige do educador, saber que personalidade quer formar, ou seja, ele deve ter permanentemente uma intencionalidade prévia para sua ação educativa.
Oferecer estímulos com flexibilidade
A meta proposta neste trabalho foi a de favorecer o hábito para uma leitura eficaz, capaz de formar e realizar o homem. Os dados levantados na pesquisa bibliográfica, citados nos dois primeiros capítulos deste trabalho, comprovam a necessidade da conscientização e utilização de técnicas de aprendizagem adequadas aos períodos sensitivos do crescimento do cérebro nos primeiros anos de vida, iniciando-se, o quanto antes, um amplo desenvolvimento das capacidades potenciais de cada criança. Para tanto, deve-se oferecer e nunca exigir, uma rica e organizada estimulação que torne possível a cada criança, segundo suas possibilidades pessoais, atingir seu nível ideal de maturidade neurológica. Isto facilitará, entre as demais aprendizagens, a leitura significativa pretendida.
O princípio sugerido, “oferecer com flexibilidade” opõe-se à idéia de “excessos de cobrança”, de “exigências precoces”, que podem constranger as crianças e prejudicar seuaprendizado.
Saber mais para ajudar mais
É importante salientar que esta estimulação não tem por objetivo transformar a Educação Infantil em um laboratório onde se fabricam “crianças – prodígio”. O verdadeiro intuito está em disponibilizar meios que proporcionem a cada criança o desenvolvimento possível de sua capacidade, para que se tornando mais capacitada, possa contribuir mais. Dentro de um ambiente positivo e alegre, propõe-se o desenvolvimento pessoal completo abarcando-se os aspectos: orgânico e intelectual a serviço do aspecto social. O respeito ao ritmoda criança, a todas as fases de desenvolvimento pelas quais deve passar é fundamental para o seu amadurecimento global e para sua colaboração adulta na sociedade em que estiver inserida.
Podemos explicar com clareza para as crianças que quanto mais conhecimento elas tiverem, mais elas poderão ajudar seus amigos.
Se as crianças entendem que estão aprendendo para ajudar os amigos dentro de sua capacitação pessoal, elas não terão a angústia própria do medo de errar, pois não serão cobradas além de suas capacidades, para atender uma satisfação de orgulho dos pais ou professores.
A rotina
Segundo Alcazar (1992), para o desenvolvimento de hábitos saudáveis nas crianças, deve-se ter bem claro o que se espera dessa criança quando for adulta. Se esperamos que nossas crianças tenham condições de contribuir para a sociedade, temos de nos ocupar de criar nelas hábitos da ordem, da sinceridade, da generosidade e outros que fazem parte da ordem como os hábitos da higiene, alimentação e sono.
A nutrição
Como condição primeira e indiscutível, tem-se o cuidado com a nutrição da criança, fator imprescindível ao seu desenvolvimento neurológico. É de grande responsabilidade do adulto, criar bons hábitos alimentares em suas crianças. O bom senso será seu melhor guia.
A higiene
A criança desde seu nascimento deve ter, dentro do possível, suas atividades de higiene com horários programados. Com o tempo, a criança vai adquirindo uma maior autonomia, acompanhada da supervisão adulta, ao mesmo tempo exigente e confiante da resposta que a criança é capaz de dar. Não se pode rotular a criança de preguiçosa, quando ela deixa de cumprir o hábito esperado. É uma boa sugestão dizer a ela apenas que tínhamos certeza de que ela escovaria os dentes após o almoço, e que temos certeza de que ela não vai mais esquecer se de fazê-lo.
O hábito do sono
Condições ambientais e pessoais adequadas
Para que as atividades alcancem os objetivos propostos de facilitar a aprendizagem da leitura, Doman (2004) recomenda:
• O adulto, pai, mãe e professor (a), todos os três devem atuar em harmonia
na formação da criança que têm sob sua responsabilidade, dedicando-lhe o tempo que for necessário.
• O adulto deve estar bem consigo mesmo, feliz por sua atividade que
beneficia a criança.
• O adulto deve centrar-se na atividade, procurando abstrair-se de seus
problemas pessoais cotidianos.
• Não pode haver interrupções ou interferências.
• O adulto deve tornar a atividade, uma experiência agradável. • Deve-se criar o “canto de trabalho”.
• Evitar trabalhar, tendo-se ao lado outras crianças brincando, assistindo
T.V. ou fazendo outras atividades recreativas.
• As informações que serão passadas às crianças devem ser claras e
precisas.
• Toda informação apresentada em forma de figura deve ser uma
REPRODUÇÃO FIEL, de um tamanho que permita à criança, distinguir todos os detalhes.
• Para centralizar a atenção da criança em uma apresentação de fotos de
animais, bandeiras, presidentes de países, e outros, é importante que não se tenha objetos atrativos em redor como brinquedos ou desenhos do tipo Disney.
• Uma sessão de informações deve durar no máximo 30 segundos para que
a criança não canse e termine a atividade com a atitude de “quero mais”.
• Todo instante é uma nova oportunidade de se criar mais uma intenção
Autoridade com afeto
O afeto vivenciado por meio do carinho orientador e exigente dá para a criança a segurança emocional necessária à recepção e incorporação da aprendizagem. Vale esclarecer o termo autoridade, como sendo a atitude voltada ao crescimento da criança enquanto o autoritarismo, que deve ser evitado, é a intervenção centrada nos interesses particulares do adulto com prejuízo para o educando. O medo de ser reprovado pelo adulto pode bloquear as sinapses neurológicas, impedindo a formação de novos conhecimentos. Por outro lado, a autoridade verdadeira, que quer o melhor para a criança, quando é necessário, coloca limites aos comportamentos que podem prejudicar a educação da criança.
Faustino e Florentino Rodao Cuenca, em seu livro “Como desenvolver a psicomotricidade da criança” (1984), salientam o caráter decisivo da participação da família na Educação, o que torna, por meio de sua natural relação afetuosa, a assimilação das atividades, mais fácil e alegre.
Contar história
Os contos de fada, as histórias infantis, assim como as histórias de família vividas e contadas pelos pais, avós, são um vínculo afetivo de grande importância. O “contar histórias” deve ser incluído na rotina diária, pois contribui para a estabilidade emocional da criança.
A emoção
Sabe-se que a emoção, como conjunto de reações químicas e neurais causadoras de profundas mudanças no corpo e na mente, causa a liberação de neurotransmissores acelerando os circuitos cerebrais e conseqüentemente facilitando a armazenagem de informações.
batimentos cardíacos, situações emocionantes ativam o cérebro, estimulando a ação. Ocorre então a liberação de neurotransmissores. Com isso, os circuitos cerebrais ficam mais rápidos, facilitando o armazenamento de informações e resgate das que estão guardadas.
Nunca ignorar a criança
Para o desenvolvimento da inteligência lingüística, Manglano (2007, pág.25) recomenda dar atenção aos bebês com idade inferior a 5 meses com as atitudes:
• Atender ao choro que é a forma de comunicação dos bebês • Acalmá-lo com palavras
• Repetir os sons emitidos pelo bebê, com alegria.
Quando começam a utilizar palavras, Manglano (2007) recomenda as atitudes:
• Responder às suas palavras • Usar um vocabulário correto • Fazer perguntas curtas
• Expor as outras línguas, separadamente.
Aumentar a leitura de mundo
Com base no princípio de Paulo Freire (In: Martins, 1998, pág.10), que entende a leitura da palavra decorrente da leitura de mundo, o adulto pode, com intencionalidade educativa, incluir em sua rotina as atividades:
• Ler quando está junto de suas crianças
• Ler com as crianças, rótulos, listagens e manuais. • Comentar notícias de jornais
• Manter ao alcance das crianças:
livros infantis livros de artes
livros com fotos de animais, plantas, e outros revistas infantis
• Levar as crianças as passeios culturais em parques, teatros, concertos
Bits de inteligência
Uma atividade enriquecedora da leitura de mundo é a apresentação dos “bits de inteligência”, idealizados por Glenn Doman (2004).
Entende-se que é possível ampliar o mundo em que uma criança está inserida, se apresentarmos a ela fatos e fotos de diversas realidades. Doman (id) acredita que a apresentação de figuras de uma mesma categoria, por exemplo, raça de cães ou bandeiras de países americanos ou qualquer outro tema, se apresentados em uma mesma atividade, podem inclusive desenvolver a capacidade de abstração da criança e, conseqüente, aplicação em outras imagens da mesma categoria, ampliando ainda mais a sua leitura de mundo.
Os Bits de Inteligência são imagens claras e objetivas de informações de um determinado tema. Cada imagem é afixada em uma cartolina branca de 30 cm². No verso da cartolina coloca-se o nome e alguns dados da respectiva imagem. Recomenda-se que seja apresentada uma quantia de 8 a 12 imagens de um tema, três vezes ao dia, por 15 dias. A cada 15 dias troca-se o tema, recomeçando com novas imagens. (em anexo, modelos de Bits de inteligência)
Bits de palavras
que se apresentem à criança as 5 palavras, três vezes ao dia, por 15 dias. A cada 15 dias troca-se o tema das palavras. (em anexo, modelos de Bits de palavras)
Exercícios de psicomotricidade
Os desenvolvimentos físico e intelectual estão intimamente ligados. Quanto melhor forem as capacidades motoras da criança, maior será seu desenvolvimento neurológico.
A partir de estudos sobre desenvolvimento neuro-motor, realizados por Doman (2004) por mais de dez anos em vários continentes, ele chegou às seguintes conclusões:
• A causa de problemas de leitura, na grande maioria das vezes está em uma
deficiência de exercícios motores.
• A convergência visual necessária para o aprendizado da leitura é formada
nos exercícios de engatinhar e braquear.
• A lateralidade é estimulada com exercícios de rastear.
• Os exercícios aeróbicos desenvolvem a capacidade pulmonar necessária
ao fornecimento de oxigênio ao cérebro que consome 35% do oxigênio apreendido na respiração. (Doman, 2004)
Descrição dos exercícios recomendados a) Braquear
Para uma maior eficácia do exercício, recomenda-se:
• O acompanhante da criança deve colocar a escada um palmo acima de sua
cabeça. Para o uso independente da criança, a escada horizontal deve ser colocada de modo que a criança a alcance na ponta dos pés.
• Acompanhe a criança, com entusiasmo.
• Segure a criança pela cintura; nunca pelos pés ou pernas. • Balance a criança para frente e para trás, ajudando o impulso.
• Para os bebês até os seis meses de idade, recomenda-se oferecer os dedos
indicadores do adulto para que os segurem com suas mãozinhas. b) Caminhar:
Recomenda-se que este exercício:
• Seja feito sobre uma passarela, banco sueco ou traço delineado no chão. • O dedo indicador direito aponte para a ponta do pé esquerdo e vice –
versa. c) Correr:
Para uma programação de corridas eficaz, orienta-se que:
• Caminhe e corra com a criança, sempre no mesmo local. • Corra devagar, sem parar.
• Durante a corrida, cante, brinque e encoraje. • Corra no mínimo, três vezes por semana. • Use roupas e calçados adequados.
d) Engatinhar:
Para um engatinhar eficaz sugere-se que:
• A criança mantenha a cabeça um tanto levantada, olhando para frente. • Alterne os movimentos de braços e pernas.
• Arraste suavemente o peito do pé, tocando-o no chão.
e) Nadar:
Para um bebê, o programa de natação pode começar na banheira. Diariamente entrar com o bebê e brincar na água. Nos dois primeiros meses de vida a criança mantém os reflexos respiratórios intra-uterinos, mergulhando tranqüilamente. É um esporte para toda a vida.
f) Equilibrar:
Além das atividades citadas, recomenda-se para o desenvolvimento do equilíbrio físico os exercícios de::
• Cambalhota
• Rolar sobre si mesmo
• Andar sobre uma muro baixo, trava, banco ou traçado no chão • Subir em árvores
• Pular de diferentes formas • Girar, balançar
• Chutar bola
• Ginástica olímpica • Boliche
Pode-se dizer que o Boliche trata-se de um esporte completo, porque ele proporciona um “fechamento” das partes cognitivas, emotivas e motrizes, do bolichista. Além do eu com a prática do Boliche, pode se melhorar o desempenho das estruturas
desenvolvimento da orientação temporal e espacial e da percepção espacial, elementos fundamentais no dia-a dia da criança na busca da construção de
conhecimentos, desenvolvendo habilidades que auxiliam, por exemplo no processo de aquisição de leitura e escrita, utilizadas pela criança para ordenar elementos de uma silaba, construífases (Cardoso2007, pág. 1)
Pode-se variar o tempo dedicado a cada exercício, recomendando-se que o tempo total não seja inferior a 15 minutos diários. Integrar diferentes exercícios em uma única atividade, torna-os mais atrativos. Esses exercícios podem ser realizados em parques ou jardins utilizando-se de recursos naturais, ou ainda dentro de ambientes utilizando-se bancos, mesas. A princípio, é suficiente oferecer um modelo com clareza, e deixar a criança tentar imitá-lo, sem preocupação com o período de tempo transcorrido. Dia a dia pode - se aumentar o período de exercícios. Mais importante do que a quantidade de tempo dedicado, é a freqüência com que são realizados. SEMPRE sem forçar e com muita alegria!
Brincadeiras
É importante salientar a imperiosa necessidade de se proporcionar às crianças uma infância sem atropelos onde haja, ao lado das atividades sugeridas, sempre um tempo também para brincar, tempo este essencial ao bom desenvolvimento emocional e intelectual, uma vez que as crianças têm a oportunidade de espontaneamente expor sua personalidade, emoções e fantasias.
personalidade e até colocar emoções para fora. Segundo a autora, isto também estimula um desenvolvimento mais sadio emocionalmente.
O exemplo
A educação se faz pelo exemplo. É assistindo ao pai como ele é que se constrói para os filhos um modelo. Modelo não significa “clone”. Não se deseja que o filho seja igual ao pai. Modelo significa critérios que favoreçam um sistema de orientação.
(Reginato, In: revista “Ser Família”, 2007, pág. 30)
Em um lar onde se valoriza a leitura, no qual se tem um acesso fácil aos livros, com cantos de leitura, onde há comentários de textos lidos, e se vêem os pais estudando ou optando pela leitura como meio de lazer, com certeza é oferecido às crianças o prazer pelos textos. No depoimento da Dra. Iscia Lopes Cendes, médica geneticista, professora da UNICAMP, esta diz:
“Para ser um bom cientista, ajuda muito ter crescido em um lar em que o estudo é valorizado e o acesso ao conhecimento seja valorizado.” (In: revista VEJA, 11/10/06, pág. 91)
Clube de alfabetização
Termo dado por Frank Smith (1999) para designar o ambiente natural de leitura em que a criança, que se sabe incluída, desenvolve-se como leitor mais facilmente. Para Smith, “saber-se incluída” no clube de alfabetização, significa perceber-se membro de um grupo, que tendo como interesse comum a linguagem escrita, faz com que a criança respeite e se inclua como mais um potencial leitor eficaz. A existência de ”pistas” possibilita a inferência da leitura.
lêem e escrevem mais rapidamente e se tornam capazes de buscar as informações de que necessitam”. Essa autora também nos fala que “faz sentido oferecer textos a estudantes não alfabetizados, como canções, poesia e parlendas que são úteis para se chegar à incrível magia de “a criança ler, sem saber ler”. Quando ela decora uma cantiga, pode acompanhar com o dedinho as letras que formam as estrofes. Conhecendo o que está escrito, resta descobrir como foi feito. Se o alunos sabem que o título é Atirei o Pau no Gato, eles tentam ler e verificar o que está escrito com base sobre as letras e as palavras sempre acompanhados pelo educador. O leitor eficiente só inicia a leitura depois de conhecer o título do texto, sua forma, veículo de informação (revista jornal, livro, etc) e as figuras que o acompanham para imaginar o tema. Um exemplo é o de uma pessoa que desconheça a língua alemã, tentar ler um jornal alemão que nunca foi visto. Mesmo sem saber decifrar as palavras, é possível “ler”. Se há uma foto de dois carros batidos, por exemplo, deduz - se que a reportagem é sobre acidente. Ao mostrar várias formas de textos, o educador permite à criança conhecer os aspectos de cada tipo de leitura e as pistas que trazem sobre o conteúdo. Assim, se é capaz de antecipar o que virá no texto, contribuindo para a qualidade da leitura“
Uso intencional da televisão
De todas as atividades e atitudes sugeridas, Manglano (2007, pág.26) lista os princípios que regem a estimulação infantil:
• Alegria, alegria e alegria.
• Parar antes da criança querer parar • Passar sempre novas informações • Seguir o interesse da criança • Nunca testar
• Nunca forçar
CONCLUSÃO
Depois de considerar o que é leitura, quem é a criança de que estamos tratando, a minha pesquisa demonstrou um aumento na conscientização da importância da leitura como fator educacional. A pesquisa revelou também que as pessoas entrevistadas estão vivendo os estímulos naturais, que facilitam o hábito da leitura.
Este resultado, por ser uma amostra muito pequena, realizada basicamente na região centro – sul da cidade de São Paulo, entre pessoas de nível universitário e maiores recursos culturais, contraria a visão negativa atribuída à realidade educacional brasileira, citada na introdução do trabalho. Assim sendo, entendo que o questionário teve, para os adultos pesquisados, o papel de recordar e fortalecer a importância do hábito da leitura na educação, e por meio das perguntas realizadas, sugerir uma maior intenção educativa para os comportamentos questionados.
Desta forma, o desenvolvimento desta pesquisa contribuiu com os objetivos propostos neste trabalho, bem como procurou alertar e dar sugestões de comportamentos para o desenvolvimento do hábito da leitura.
A intenção educativa só pode existir se o adulto responsável pela educação de sua criança tem uma meta definida. Somente um “para quê” educar, justifica o como educar.
A análise dos dados revelou que quando questionados, todos os adultos colocam uma expectativa para suas crianças quando forem adultas. Fica a pergunta: “Se não é colocada esta questão por terceiros, os adultos terão uma meta educacional para suas crianças?”.
Mais uma vez entendo que o questionário contribuiu como alerta a esta necessidade na Educação. Se o adulto sabe a personalidade que pretende formar, reconhece a importância da leitura textual nesta formação, conscientiza-se das atitudes e atividades que facilitam o hábito da leitura e, acredita na enorme capacidade de aprendizagem nos primeiros anos de vida, a Educação, ciência responsável pela formação humana, certamente intensificará a responsabilidade das pessoas pelo mundo que têm a sua volta.
Aprender a ler é, antes de tudo, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não em uma manipulação mecânica de palavras, mas em uma relação dinâmica que vincula linguagem e realidade. (Freire, 2003, pg.8)
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ANEXOS
Bits de Inteligência
AIREDALE TERRIER FIGU
HUSKY SIBERIANO
GOLDEN RETRIEVER
Bits de Palavras