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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.31 suppl.1

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Academic year: 2018

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REVISTA BRASILEIRA D E H E M ATO L O G I A E H E M O T E R A P I A REVISTA BRASILEIRA D E H E M ATO L O G I A E H E M O T E R A P I A

Editorial / Editorial

Terapia celular é a medicina do

futuro?

Cell therapy is a medicine of the future?

Milton A. Ruiz1

Sérgio P. Bydlowski2

Adriana Seber3

Nos últimos anos, a terapia celular e as células-tronco adultas e embrionárias dominaram a mídia e as esperanças dos pacientes portadores de doenças incuráveis sem pers-pectivas de tratamento eficaz pelos meios convencionais atu-almente estabelecidos. Debates éticos, religiosos discutem pontos específicos que, muitas vezes, nos confundem e difi-cultam a compreensão e influenciam os procedimentos con-sagrados há longo tempo estabelecidos, relacionados à me-dicina transfusional e ao transplante de medula óssea atual-mente denominado Transplante de Células-Tronco Hemato-poéticas. Sob esta ótica, a Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (RBHH) organizou um fascículo temático com o objetivo de fornecer subsídios para responder a questão do enunciado e esclarecer a comunidade hematológica do avanço da terapia celular em nosso país. Utilizando a temá-tica da seção educativa do último Congresso Brasileiro de Transplante de Medula Óssea, em São Paulo, convidamos todos os palestrantes participantes e muitos outros que mili-tam na área de pesquisa básica e clínica da terapia celular.

Neste ponto cremos ser importante um ponto de inflexão e ratificarmos que a terapia celular é um dos anseios mais antigos da humanidade e remonta aos primórdios, desde quan-do se pretendeu utilizar o sangue humano ou animal como terapia. Consideramos como marco da terapia celular o des-cobrimento dos sistemas de grupos sanguíneos, em particu-lar o ABO e o Rh, que propiciaram o surgimento da terapia celular de reposição e o avanço dos procedimentos cirúrgi-cos de grande porte, dos transplantes e dos tratamentos quimioterápicos das doenças neoplásicas.

Os estudos para proteção e conhecimento do tecido hematopoético e a descoberta dos antígenos leucocitários humanos propiciaram o surgimento do transplante de medu-la óssea, procedimento experimental e especumedu-lativo ao início e que hoje é uma opção terapêutica em diversas doenças e a única alternativa de cura para algumas doenças hematológicas e onco-hematológicas. Assim, a terapia celular, como está colocada, utilizou estes conhecimentos pré-adquiridos e, como tal, destruiu paradigmas de hierarquização celular e de "bom comportamento" das células em suas funções e abriu perspectivas para a terapia para doenças mais frequentes, como as cardíacas e as do sistema nervoso central, respon-sáveis pelo maior número de óbitos na população. Entramos

então na era da terapia celular regenerativa e, nesta, a comu-nidade hematológica terá um grande papel e deve participar ativamente e não desdenhar do seu papel responsável e his-tórico.1

Neste fascículo, os hematologistas encontrarão amplas revisões e descrições da experiência brasileira básica e clínica com o isolamento, caracterização e utilização de células-tronco mesenquimais, do líquido amniótico, células-tronco hemato-poéticas medulares, do sangue periférico e do cordão umbilical e a sua utilização no tratamento de doenças cardíacas, neurais centrais e periféricas, vasculares, pulmonares, endócrinas, oftalmológicas e hematológicas e, por fim, a discussão sobre a bioética nos procedimentos com células-tronco.

Assim, convidamos o leitor a compartilhar deste traba-lho de grandes pesquisadores do nosso país para se atuali-zar e participar da construção desta nova era da medicina.

Acreditamos que a terapia celular possa ser a medicina do futuro. Não sabemos se todas as doenças degenerativas terão cura através da terapia com células-tronco. Em alguns anos, será que não se padecerá mais do Mal de Alzheimer? Não haverá mais crianças em cadeira de rodas por distrofia muscular? A morte por insuficiência renal, cardíaca, hepática fará parte da história da medicina (num passado não tão lon-gínquo)? Não sabemos ao certo, mas isto é o que buscamos e é a perspectiva que se abre com a linha de pesquisa com células-tronco.2

Finalizando, caso existam dúvidas sugerimos uma bre-ve avaliação do número de artigos e de estudos em evolução nos bancos de dados ou nas plataformas de registros clíni-cos sobre terapia celular para que a resposta sobre a questão central seja esclarecida.

Referências Bibliográficas

1. Ruiz MA. A era da terapia celular. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2005;27(1):4.

2. Mimeault M, Hauke R, Batra SK. Stem cells: a revolution in therapeutics-recent advances in stem cell biology and their therapeutic applications in regenerative medicine and cancer therapies. Clin Pharmacol Ther. 2007;82(3):252-64. Revisão.

Recebido: 20/05/2009 Aceito: 20/05/2009

1Professor Colaborador da Disciplina de Hematologia e Hemoterapia

da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), SP e coordenador do Grupo de Terapia Celular do IMC/HMC – São José do Rio Preto-SP.

Editor da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia.

2Professor Associado da Disciplina de Hematologia e Hemoterapia

da Faculdade de Medicina da Universidade de SãoPaulo (USP), SP. Coordenador do Laboratório de Investigação Médica (LIM 31) da Universidade de São Paulo, (USP), SP. Chefe do Departamento de Pesquisas da Fundação Pró-Sangue, São Paulo, SP.

3Médica Pediatra. Coordenadora da Unidade de TMO do GRAACC,

SãoPaulo, SP.

Correspondência: Milton Artur Ruiz

Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 144 – Cerqueira César 05403-000 – São Paulo-SP – Brasil

Referências

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