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A AÇÃO CULTURAL

DO BIBLIOTECÁRIO:

GRANDEZA

DE UM

tsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

PAPEL E

LIMITAÇÕES DA PRÁTICA

Maria Christina Barbosa de Almeida*

RESUM O: Discute os' conceitos de anim ação cultural e ação cultural em relação à

prática das bibliotecas públicas do Estado de São Paulo. Constata que o

bibliote-cário não está preparado para enfrentar esta nova dim ensão de sua profissão e

afirm a que a form ação profissional do bibliotecário deve ser repensada a fim de

responder às necessidades sociais. Propõe algum as sugestões a nível de cursos

de graduação, program as de especialização e projetos interdisciplinares, com o

possíveis soluções im ediatas para m inim izar o problem a.

PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas Públicas. Anim ação Cultural. Biblioteca. Form

a-ção.

PONMLKJIHGFEDCBA

\

Anim ar bibliotecas. Estariam elas desanim adas? A idéia de "anim

a-ção cultural" passou a circular entre os bibliotecários justam ente em um

m om ento de crise ao se perceber que a biblioteca tinha de m udar, arejar,

perm itir a entrada de energia

MLKJIHGFEDCBA

n o v a , com batendo a situação de desgaste

entrópico em que se encontrava.

O conceito surgiu prim eiro em referência a atividades próprias das

bibliotecas públicas, principalm ente das' bibliotecas infanto-juvenis, que

sem pre desenvolveram atividades de extensão ligadas, sobretudo, às

áreas da leitura e das artes. Pretendia-se "anim ar" a leitura, estim ulando

a criança e o jo v e m a ler, e utilizar as artes (as atividades de desenho, de

pintura, de m úsica, etc.) com o "isca" para o livro. Esta idéia das

ativida-des artísticas servindo d e r i s c a " para outras atividades tem sido m o t iv o

de preocupação e objeto de reflexão de vários autores nacionais e

es-* Professora do Departam ento de Biblioteconom ia e Docum entação da Escola de Com unicações e Artes

da USP. Diretora do Serviço de Biblioteca e Docum entação da ECAlUSP:

(2)

M aria Christina Barbosa de Alm eida

trangeir,os. Parece que na biblioteca, assim com o na escola, a arte ainda

tem sido usada para finalidades que escapam a seus próprios objetivos.

M as o que interessa aqui é a idéia da anim ação, a idéia de anim ar o

MLKJIHGFEDCBA

liv r o

para cham ar atenção sobre ele; a idéia de anim ar a biblioteca para im

pe-dir sua utilização sim plesm ente com o posto de cópia, perrnitindoo cum

-prim ento da obrigação de apresentar "pesquisas" escolares.

As bibliotecas públicas e s t a v a m (m uitas ainda estão) sem saída - a

escola, o v e lh o sistem a escolar as engolia. Deixaram de atender ao p o v o

para receber o escolar; seus espaços, nas férias, f ic a v a m vazios.

O desenvolvim ento de atividades de "anim ação cultural" contribuía

para transform ar a biblioteca em espaço de c o n v iv ê n c ia e troca de

expe-riências com o ela era, ainda que para poucos, nas prim eiras décadas

des-te sécu 10.

A idéiade biblioteca com o centro de c o n v iv ê n c ia e inform ação que,

no Brasil, tom ou corpo com as propostas e o trabalho de Luiz M ilanesi à

testa do Sistem a de Bibliotecas Públicas, do Estado de São paulo, deu

n o v a dim ensão às bibliotecas e à profissão de bibliotecário, sobretudo

daquele ligado à biblioteca pública.

O conceito de anim ação cultural ainda não está m uito bem delineado

na cabeça dos bibliotecários, da m esm a form a que as atividades de

ani-m ação não estão ani-m uito bem estruturadas no conjunto dos serviços da

bi-blioteca. M uitos bibliotecários, com a auto-im agem tão negativa que

cos-'tum am carregar, em função, principalm ente, de sua form ação deficiente e

dos esteriótipos seculares que Ihes im pingem , se sentiam valorizados

com a expressão que virou m oda e passaram a se auto-denom inar anim

a-dores culturais.

Não posso concordar com o novo rótulo porque encaro a anim ação

cultural não com o profissão, m as com o d im e n s ã o de um grande núm ero

de profissões. [)a m esm a form a que o bibliotecário, o sociólogo, o

assis-tente social, o arte-educador, o m úsico, o professor etc. podem

desenvol-v e r essa dim ensão de sua profissão. O sujeito não v a i exercer um a n o v a

profissão, m as v a i contextualizar sua ação.

Cabe aqui distinguir o agente cultural do anim ador cultural. O

tra-balho do agente cultural im plica, m ais que anim ar, agir sobre,

transfor-m ar a partir da existência de um a intenção e de um a lv o . A expressão

"a-ção cultural" ou m esm o, "ação sócio-cultural" (já que não há ação

cultu-ral que não seja social), é m uito m ais carregada de poder transform ador

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R . b r a s , B i b t i o t e c o n . e D o e . , S ã o P a u l o , 2 0 ( 1 / 4 ) : 3 1 - 8 , j a n j d e z . 1987

A Ação Cultural do Bibliotecário: G randeza de um Papel e Lim itações da Prática

1 \

I,

do que "anim ação cultural", que m uitas v e z e s se refere até à anim ação

institucionalizada, v o lt a d a para o consum o, utilitária e alienante. Por

ou-tro lado, a palavra "anirnador" já está entre nós m uito desgatada,

po-dendo ser adotada para o locutor de rádio, para o apresentador de TV,

para o palhaço e até para o recreacionista que anim a festinhas infantis.

T a lv e z um a das m aiores diferenças entre o anim ador e o agente

es-teja justam ente no objetivo daatuação de cada um . No caso do anim ador,

a, ênfase está no consum o, enquanto que o agente enfatiza a criação, a

expressão das pessoas. O que se fazia--e ainda se faz - nas bibliotecas

públicas era . t 'a n i m a ç á o " , eram atividades com o objetivo de se consum ir

o liv r o de fazer o "rnarketinq" da biblioteca. A ação cultural vai m ais

fundo. Busca a expressão e a criatividade dos indivíduos no grupo e na

com unidade. Está ligada à idéia de transform ação, de em ancipação .a

par-tir da expressão. Diz respeito não apenas a produtos culturais acabados,

com o tam bém às condições que le v e m à capacidade criativa, à produção

cultural. Relaciona-se, por outro lado, ao processo de educação c o le t iv a ,

no m om ento em que d e s e n v o lv e atividades práticas e em que abre espaço

para a troca de inform ações e a discussão sobre tem as de interesse do

grupo. É a educação "lato sensu", paradoxalm ente anti-escola.

A ação cultural, tal com o é entendida aqui, não tem lim ites de

con-teúdo, nem é restrita a determ inados espaços. Assim , pode ter com o

cam po a Arte, a Política ou a Culinária, por exem plo. Não tem nada av e r

com "alta" cultura ou "baixa" cultura; o im portante é que seja um plano

de ação para um a determ inada com unidade ou grupo. M ais im portante

ainda é que seja um plano d e s e n v o lv id o pelo próprio grupo. Quando esse

atinge esta situação, toda a com unidade ou todo o grupo é agente, e o

agente "profissional", t a lv e z o estim ulador prim eiro, passa a ter um

pa-pel m uito m ais acentuado de planejador e adm inistrador de recursos para

que as ações se sucedam . É preciso enfatizar que cabe, fundam entalm

en-te, ao agente cultural deflagrar processos. Teoricam ente, não seria

obri-gação sua adm inistrar processos decorrentes de sua ação. Chega a ser

até perigosa esta adm inistração, pois pressupõe sem pre o controle. M as

t a lv e z ainda tenha que ser um pouco assim entre nós, já que não tem os

tradição de participação política. Por outro lado, não se pode encarar

, com o lógica, racional e espontânea a participação. M esm o as pessoas que

têm consciência política e que geralm ente participam de m o v im e n t o s

co-letivos apresentam m om entos em que se dedicam inteiram ente a seus

in-~

(3)

WS

q

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M aria Christina Barbosa de Alm eida

teresses particulares, desligando-se, tem porariam ente, das ações de

inte-f€SSe público. Assim , nem todos participam de tudo 0-tem po todo. Daí o

papel do agente, estim ulando a participação. Sua atuação é m ais a de

co-ordenar e instigar do que de intervir diretam ente; a idéia de adm inistrar

MLKJIHGFEDCBA

d e v e estar m uito m ais v o lt a d a

PONMLKJIHGFEDCBA

à elaboração de projetos e ao provim ento

de recursos do que ao controle propriam ente dito. A tendência d e v e ser a

de auto-ges· tão.

A ação cultural não está lim itada a espaços específicos. No caso de

biblioteca, ela pode ser um a ação cultural a partir d a biblioteca, m as

nun-ca n a biblioteca. É diferente da idéia de anim ação cultural; pode-se

ani-m ar uani-m a biblioteca ou se planejar atividades de anim ação na biblioteca.

A ação cultural não tem paredes: um a v e z deflagrada poderá se m

ultipli-car, se m odificar e tornar m uito difícil o controle sobre ela. Os espaços

são apenas pontos de partida. Os benefícios da ação escaparão desse

es-paço. É' o problem a da bibliotecã da cidadezinha do interior. É ponto

pa-cífico que para que esse oroüssíonar possa d e s e n v o lv e r um trabalho

con-seqüente, é preciso que ele saia da biblioteca e v á para a rua conhecer a

com unidade a que pretende atender. É m uito p r o v á v e l que sua prim eira

grande interferência não se realize dentro da biblioteca, geralm ente tão

pouco freqüentada, m as, na rua, onde o p o v o está. A partir daí, a

biblio-teca poderá m udar sua im agem e am pliar seu papel.

Inform ação é poder, sim , m as só para aqueles que têm acesso a ela.

E não se trata apenas de acesso físico: trata-se de acesso a seu conteúdo.

Trata-se da capacidade de poder ler, de poder entender, de incorporar,

de v iv e n c ia r , de se integrar, de se reconhecer, e de decidir sobre o que

lhe diz respeito: O bibliotecário precisa com preender que dissem inar

in-form ação é diferente de dar acesso~Dissem inar está m ais v o lt a d o ao

con-sum o; é papel da anim ação. Funciona com o instrum ento de estím ulo ao

consum o da inform ação, .m as não e n v o lv e , obrigatoriam ente, reflexão

sobre o significado dessa inform ação no contexto social, nem discute as

im plicações da posse dessa inform ação. Dar acesso é parte da ação

sócio-cultural, do processo de desenvolvim ento de um a com unidade. Im plica

fornecer todos os m eios para que a com unidade sea p r o p r ie da inform ação,

'encerada essa apropriação com o o resultado de um processo dentro do

ci-cio inform ação-reflexão-expressão (ação/criação). Este processo, sendo

cíclico, pode apresentar diferentes m om entos de deflagração; o papel do

bibliotecário/agente cultural está justam ente em influir para a entrada da

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A Ação Cultural do Bibliotecário: G randeza de um Papel e Lim itações da Prática

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com unidade neste ciclo. Este esforço, em si, já é parte de um a ação

sócio-.cultural. Envolve contato, troca, participação; enfim , ação coletiva, e sua

m anutenção pode criar um potencial in o v a d o r e transforrradorirreverslvel,

O Agente cultural está geralm ente ligado a um a instituição, seja ela

o M useu, a Biblioteca, a Igreja ou o partido político. Aí está seu prim eiro

,dilem a. No caso de um a biblioteca pública, ela é pública porque é m

anti-da pelo Estado; não há um a relação direta de "pública" com "de

pro-priedade do p o v o " . Surgiu até o conceito de biblioteca popular, utilizado

quando se deseja fazer referência àquela que é com unitária, do p o v o L O

fato de ser o Estado

a

patrão e p r o v e d o r já am arra alguns objetivos e

oportunidades práticas de ação. O agente trabalha m uitas v e z e s com

cam isa de força. Com o m udar, se o patrão quer m anter?Côm o atuar nas

fam osas, "brechas" do sistem a?

Nos lugares em que já existe v id a com unitária o trabalho é só de

di-nam ização: trata-se de dar apoio para que a com unidade descubra suas

próprias soluções para os problem as que a afligem . Isto se dá pelo

estí-m ulo à criação de grupos de pressão, pela participação, enfim , da com

u-nidade nos assuntos que Ihes dizem respeito.'

Nos lugares onde as relações com unitárias são m ais fracas ou

ine-xistentes o prim eiro trabalho do agente é de quebrar o isolam ento das

pessoas e tentar form ar grupos com interesses com uns. Os bibliotecários

podem , por exem plo, incentivar a criação de grupos ligados às artes

(tea-tro, fotografia, m úsica etc.) ou à literatura (poesia, conto, cordel etc.) ou

ainda a tem as específicos (m ulher, negro etc.). Esses grupos podem ser

estim ulados a se apropriar da biblioteca e a reivindicar recursos, n o v o s

s e r v iç o s , n o v o s espaços. É a idéia da gestão participativa que, além dos

objetivos específicos que pode alcançar, tem com o principal benefício

so-cial a própria organização da com unidade. Pesquisas ligadas aos m o v

i-m entos sociais urbanos têm constatado que pessoas que integram algum

tipo de m o v im e n t o ou ação com unitária geralm ente continuam tendo

'al-gum tipo de participação social, m esm o quando a finalidade daquele m

o-v im e n t o específico foi alcançada. A ação treina para a ação. Isso justifica

a t e n t a t iv a , por m enor que seja, de estim ular a criação de grupos ef a v o

-recer o trabalho cooperativo.

O trabalho do agente está na dependência de três fatores: sua

rela-ção com o am biente, o dom ínio da técnica e a clareza de seus objetivos.

Isso nos le v a a refletir sobre a form ação dOaJente cultural. Em bora

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M aria Christina Barbosa de Alm eida

se parta do princípio de que não se trata de um a profissão, m as de um a

dim ensão de várias profissões, não se pode deixar de destacar que há

um a bagagem com um que esses agentes devem trazer. Essa bagagem

passa 'a opor reflexões que vão desde o conceito de cultura, de arte, de

educação e de política, até o dom ínio de técnicas do trabalho com

gru-pos, de des~nvolvim ento de projetos culturais e de adm inistração de

es-paços culturais. Isso sem falar do saber específico de cada profissionat,

ligado

PONMLKJIHGFEDCBA

à sua área de atuação.

Neste sentido, não se considera m ais adequado para biblioteca

pú-blica o bibliotecário que só sabe, "biblioteca", ou seja, que

tem

apenas

com petência técnica para trabalhar com seu objeto, a inform ação. A

in-form ação, em si, não provoca nada de novo. É preciso colocá-Ia em

cir-culação de tal form a que ela passe a adquirir significado para as pessoas,

que ela, de fato, interfira na vida das pessoas. Para isso o bibliotecário

deve conhecer m uito m ais do que a form a de seu objeto; deve dom inar

seu conteúdo. É tam bém indispensável que ele conheça seu usuário real

e potencial, saiba de suas relações com a inform ação, com a biblioteca e

com as outras pessoas, E isso não se aprende no Curso de

Bibliotecono-m ia e DocuBibliotecono-m entação.

O referido curso tal com o está estruturado pelo Conselho Federal de

Educação, é curso generalista, form a profissionais polivalentes para

atender a um a dem anda de m ercado que raram ente é polivalente, Desde

o final dos anos 60, já ficou bem clara a idéia de ser o bibliotecário

diri-gido ou orientado para seu usuário. Neste sentido, não há lugar para o

polivalente que boa parte das escolas despejam -no m ercado. O usuário

tem

um perfil que pode ser definido a partir da especialidade, da faixa

etária, da cateqor ía etc. Tem , enfim , um a especificiç1ade que o

bibliotecá-rio

tem

que ter capacidade de conhecer e atender.

No que diz respeito ao profissional de biblioteca pública, a situação

é ainda m ais com plicada, em bora existam aqueles que acreditam ser este

o grande espaço do bibliotecário polivalente. M as não é, pois não há

usuário ~'polivalente"

O espaço da biblioteca pública pode ser entendido com o

polivalen-te, em função da heterogeneidade de seu acervo, serviços e usuários.

Is-so não im plica possuir funcionários polivalentes, m as em apresentar um

quadro de pessoal diversificado. Seja qual for a form ação e o nível de

MLKJIHGFEDCBA

e x

-celência do bibliotecário ele não poderá nunca resolver sozinho e

eficaz-36

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A Ação Cultural do Bibliotecário: G randeza de um Papel e Lim ifações da Prática

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m ente todos os problem as da biblioteca pública. Este é essencialm ente o

espaço da interdisciplinaridade.

O trabalho interdisciplinar não envolve apenas um conjunto de

pro-fissionais de diferentes form ações desenvolvendo atividades paralelas,

m as indivíduos interagindo nas suas áreas de com petência e integrados

ao todo .ern função de objetivos e projetos com uns.

É interessante observar que em qualquer biblioteca m antida por

ór-gãos da Adm inistração Pública, quer seja na escolar o u universitária,quer

seja, ainda, na próprja biblioteca pública, é com um encontrar-se

funcioná-rios com as m ais diversas funções e form ações, indo desde jardineiros em

bibliotecas que nem têm jardim , até costureiros e serventes cansados, os

professores readaptados que não podem dar aulasp(Não se entenda por

interdisciplinaridade esse despejar de funcionários na biblioteca. Isso é

desvio de função, resultado das m ais diversas arbitrariedades e de

ca-suísm o tão freqüentem ente encontrados em nossa adm inistração pública.

Interdisciplinaridade é outra coisa. É projeto. É ação integrada.

conse-qüentem ente, cuja eficácia depende, em grande parte, da atuação do

bi-bliotecário. Ele

tem

que ter flexibilidade para, em prim eiro lugar, não

en-carar a biblioteca com o reserva de m ercado seu e, em segundo lugar,

pa-ra conseguir dialogar com outros profissionais de form a que, cada um

dentro de sua com petência e de sua linguagem , possa articular linhas de

ação integradas.

O bibliotecário, para atuar em projetos interdisciplinares, precisa

estar aberto para 0 trabalho em equipe e ter um conhecim ento m ínim o do

conteúdo e das dem ais áreas. Isto o currículo m ínim o não prevê e a m

aio-ria dos cursos não oferece. Os cursos de Biblioteconom ia e Docum

enta-ção que fazem parte de um a U-niversidade teriam possibilidade de, ao

m enos, oferecer aos alunos um elenco de disciplinas optativas que seriam

cursadas em função de seu interesse, levando em conta sua opção

profis-sional futura. Assim , por exem plo, o aluno interessado em biblioteca

pú-blica cursaria determ inadas disciplinas nas áreas de Ciência Política,

Educação, Ciências Sociais, Arte-Educação, Psicologia etc. Não ser iam

disciplinas direcionadas a seus problem as profissionais específicos, m as

contribuiriam para am pliar a dim ensão de sua prática, conscientizando o

aluno das im plicações de sua ação, senslbitizando-o em relação ao objeto

de cam pos de trabalho relacionados e até fazendo brotar idéias para

fu-turos trabalhos interdisciplinares. Seria o currículo rnultidisciplinar m

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M aria Christina Barbosa de Alm eida

tado pelo àluno em função de um futuro trabalho interdisciplinar. Essa é

a alternativa viável para hoje e que poderá preparar terreno para um

fu-turo currículo que, ao invés de justapor as disciplinas, as integrasse num

todo orgânico.

De qualquer form a, por m elhor que possa ser o currículo do curso

de

PONMLKJIHGFEDCBA

q r a d u a ç â o do bibliotecário/agente cultural, ele jam ais poderá se

con-tentar com essa form ação. É um a profissão que exige constante

.atualiza-ção e pesquisa perm anente.

A eficácia do bibliotecário/agente cultural está em sua capacidade

de estabelecer relações, captar e canalizar anseias, traduzir esses anseias

em projetos e interferir na sua com unidade. Seu estím ulo prim eiro são

suas próprias inquietações. A partir daí, e com o auxílio da Universidade,

é no processo de ação e reflexão sobre o trabalho que desenvolve com a

com unidade que vai poder firm ar seu papel e transform ar as bibliotecas

em pólos dinâm icos de ação sócio-cultural.

ABSTRACT: The concept of cultural prom otion and cultural actions is discussed

in view of pertinent activities developed in São Paulo State Public Libraries.

Des-pite individual efforts, it m ay be concluded that the Iibrarian is not prepared to

fa-ce this new dim ension of the profission. It is suggested that library education be

adapted to m eet the social needs. Som e innovations in undergraduate courses as

well as specialization program s and interdisciplihary projects are seen as

possi-ble and im m ediate solutions to m inim ize the problem .

KEY W O RDS: Cultural prom otion activities. Public Libraries Librarian, Library

Education.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BARBO SA, Anna M ae Tavares Bastos.

MLKJIHGFEDCBA

A r t e - e d u c a ç ã o : conflitos/acertos. São Pau 10, M ax Lim

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Referências

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