UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO SÓCIO ECONÔMICO
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
GADIEL DE VARGAS BRIZOLA
TERCEIRO SETOR
ANÁLISE CONTÁBIL DE UMA ENTIDADE ECLESIÁSTICA
JACUIZINHO 2015
TERCEIRO SETOR
ANÁLISE CONTÁBIL DE UMA ENTIDADE ECLESIÁSTICA
Monografia apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina como um dos pré-requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis
Orientadora: Profa. Dra. Maria Denize Henrique Casagrande
JACUIZINHO 2016
GADIEL DE VARGAS BRIZOLA TERCEIRO SETOR
ANÁLISE CONTÁBIL DE UMA ENTIDADE ECLESIÁSTICA
Esta monografia foi apresentada como trabalho de conclusão do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, obtendo nota média de ______, atribuída pela banca constituída pelos professores abaixo mencionados.
________________________________________ Prof.º Marcelo H. Dutra, Dr.
Coordenador de Monografia do CCN
Professores que compuseram a banca:
_______________________________________ Profa Dra. Maria Denize Henrique Casagrande
Orientadora
________________________________________ Prof. Dr. Roque Brinckmann
Membro
________________________________________ Prof. Sérgio Murilo Petri, Dr.
Membro
A minha esposa Josemara, pela dedicação, atenção e carinho em todos os momentos.
AGRADECIMENTOS
Inicialmente sou grato a Deus pelo dom da vida e pela oportunidade de conquistar mais essa vitória. À minha esposa que esteve sempre ao meu lado apoiando-me. Aos amigos e incentivadores que, de uma forma ou outra, sempre transmitiram palavras de ânimo e coragem a fim de que eu me mantivesse em plena caminhada.
Ao tutor e amigo Cícero, que logo no início do curso garantiu nosso bem-estar para que o susto do desafio não viesse nos fazer desanimar diante das dificuldades que se apresentaram nas “partidas dobradas”, mantendo as aulas divertidas e contagiantes. Ao tutor e amigo Cristiano que sempre nos incentivou e contribuiu para chegarmos ao término da graduação vencendo a cada dia os obstáculos quase intransponíveis.
Ao Polo da UAB em Jacuizinho por meio da diretora Taís, bem como de todos os colaboradores que sempre ofereceram as condições favoráveis para estudarmos mantendo o zelo da estrutura do polo e o conforto dos estudantes.
A UaB (Universidade Aberta do Brasil) em nos proporcionar o modo EAD de ensino, o que garantiu que nosso aprendizado fosse realizado a distância bem como gerenciarmos nosso próprio tempo de aprender.
A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) juntamente com seu corpo docente que ofereceu uma didática acessível aos alunos, além de recursos para que pudéssemos esclarecer todas as nossa duvidas, bem como um aprendizado eficiente e sofisticado.
A professora Dra. Maria Denize Henrique Casagrande pela eficiência e orientação, além dos conselhos que possibilitaram que esse trabalho fosse terminado dentro das exigências requisitadas.
A todos que, de uma maneira ou outra contribuíram para essa realização, muito obrigado!
"Se podes ser melhor do que és, é evidente que ainda não és tão bom como deves”. Santo Agostinho
RESUMO
BRIZOLA, Gadiel de Vargas. Contabilidade de terceiro setor: Análise de uma
entidade eclesiástica. 2015. 55 fls. Monografia (Ciências Contábeis) – Departamento de Ciências Contábeis, Universidade Federal de Santa Catarina, Jacuizinho, 2015.
A Contabilidade é uma ferramenta importante tanto para empresas do primeiro e segundo setor, como para entidades do terceiro setor, tidas como entidades sem fins lucrativos. Além de registrar os fatos contábeis ela também interpreta e estuda os fenômenos do patrimônio das referidas organizações. Nesse trabalho, será enfocada a Contabilidade Eclesiástica que é utilizada nas igrejas, os quais se enquadram como órgãos do Terceiro Setor. Como objetivo geral, propõe-se analisar os lançamentos contábeis realizados pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Salto do Jacuí. Mesmo com ênfase no social, é importante considerar que todas as organizações eclesiásticas devem registrar seus lançamentos contábeis com maior clareza possível, respeitando a legislação vigente, que rege as entidades do Terceiro Setor, sendo a NBC T – 10.19. A metodologia adotada foi qualitativa, através de levantamento de informações e análise do processo de gestão junto a uma entidade filantrópica. Como resultado, foi possível observar a necessidade que existe de um sistema de gestão contábil mais sofisticado destinado às entidades de Terceiro Setor, dentre eles, as organizações religiosas (Igrejas Evangélicas). Isso também envolve a implantação de uma equipe devidamente capacitada para administrar esse sistema administrativo no referido setor, contribuindo para o acompanhamento útil e eficaz das entradas e saídas da organização.
Quadro 1 – Setores Sociopolíticos
Quadro 2 – Modelo de Controle para Contas a Pagar Quadro 3 – Modelo de Planilha para Contas a Receber Quadro 4 – Modelo para Fluxo de Caixa
Quadro 5 – Modelo de Conciliação Bancária Quadro 6 – Modelo de Planilha de Entradas
LISTA DE ABREVIATURAS AD Salto – Igreja Assembléia de Deus de Salto do Jacuí CFC – Conselho Federal de Contabilidade
CF – Constituição Federal
CIEPADERGS – Convenção de Igrejas Evangélicas e Pastores da Assembléia
de Deus do Estado do Rio Grande do Sul
COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
DFC – Demonstração dos Fluxos de Caixa
IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal
IEADSAJ – Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Salto do Jacuí IFRS – International Financial Reporting Standards
IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica
ISS – Imposto Sobre Serviço de qualquer natureza ITG – Interpretação Técnica Geral
NBCT – Norma Brasileira de Contabilidade NBC – Norma Brasileira de Contabilidade
ONGS – Organizações Não Governamentais Sociais PIS – Programa de Integração Social
TG – Técnica Geral
1 INTRODUÇÃO... 10 1.1 TEMA E PROBLEMA... 12 1.2 OBJETIVOS ... 13 1.2.1 Objetivo Geral... 13 1.2.2 Objetivos Específicos... 13 1.3 JUSTIFICATIVA ... 13 1.4 METODOLOGIA ... 15 1.4.1 Enquadramento da pesquisa ... 15 1.4.2 Fontes de informação... 16 1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA... 16 1.6 ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA ... 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA... 18 2.1 TERCEIRO SETOR ... 18 2.1.1 Conceito... 18
2.1.2 O Terceiro Setor no mundo... 21
2.1.3 O Terceiro Setor no Brasil... 22
2.1.4 Recursos direcionados ao Terceiro Setor ... 23
2.1.5 Imunidade tributária... 24
2.2 ENTIDADES ECLESIÁSTICAS... 25
2.2.1 Reconhecimento Jurídico das Entidades Eclesiásticas... 26
2.2.2 Contabilidade Eclesiástica... 26
2.3 CONTROLE INTERNO DE UMA ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA.. 28
2.3.1 Conceito... 28
2.4 MÉTODOS DE CONTROLE INTERNO ... 29
2.4.2 Contas a Receber... 32
2.4.3 Fluxo de Caixa... 33
2.4.4 Controle Bancário ... 37
2.5 PESQUISAS SIMILARES OU CORRELATAS... 39
3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 41
3.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ... 42
3.2 ANÁLISES DOS RESULTADOS... 46
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES... 48
4.1 QUANTO AO PROBLEMA DA PESQUISA... 48
4.2 QUANTO AOS OBJETIVOS DA PESQUISA... 48
4.3 LIMITAÇÕES ... 49
4.4 RECOMENDAÇÕES PARA FUTURAS PESQUISAS... 49
1 INTRODUÇÃO
Ao estudar sobre a Contabilidade, observa-se por meio de seus principais escritores que ela é a ciência que, além de controlar o patrimônio, também estuda e analisa suas movimentações financeiras com a finalidade de representá-las graficamente destacando as variações ocorridas durante um exercício. Além disso, estabelece e conceitua as normas e critérios para a interpretação dessas contas.
Segundo Sá (1998, p. 42):
A contabilidade é a ciência que estuda os fenômenos patrimoniais, preocupando-se com realidades, evidencias e comportamentos dos mesmos, em relação à eficácia das células sociais. Ela também serve como um instrumento básico para nortear os setores que, direta ou indiretamente, estão envolvidos com a empresa.
Desse modo, é importante destacar que os usuários da Contabilidade podem ser tanto pessoas físicas quanto jurídicas, públicas ou privadas. Para atuarem dentro do competitivo mercado financeiro existente, esses usuários devem conhecer as variações da empresa em que atuam identificando as práticas contábeis dentro dessa vanguarda. Os gestores, mais do que nunca, precisam monitorar de maneira precisa suas projeções a fim de atingirem o objetivo organizacional na empresa que administram.
Segundo Barros, define-se a Contabilidade como uma ciência social que estuda e pratica as funções de controle e de registro relativos aos atos e fatos da Administração bem como da Economia. A escrituração contábil é realizada por meio de técnicas de registro que realizam a representação de todas as movimentações ocorridas no patrimônio durante o exercício das atividades. Por meio dessas escriturações, são formulados relatórios que após, registrados e controlados, passam a ser interpretados pelos gestores auxiliando na tomada de decisões.
A Contabilidade é um fator que está presente no quotidiano de todas as pessoas, independente da classe social, do emprego, escolaridade ou credo religioso. Todos, de algum modo, administram seus recursos financeiros, alguns de uma maneira mais organizada, outro sem qualquer método ou forma
mais detalhada. Para algumas pessoas, somente as grandes empresas é que precisam administrar e registrar seus valores, esse pensamento ocorre, por acharem a contabilidade burocrática e difícil de entender, porém, segundo o contador Alessandro Silva, a contabilidade mede os resultados das empresas e avalia o desempenho dos negócios oferecendo diretrizes para as tomadas de decisões.
Dentro das Ciências Sociais Aplicadas, a contabilização do Terceiro Setor apresenta seus detalhes de escrituração de maneira resumida, pois não são muitos os estudos realizados nesse meio. Neste setor, estão enquadradas as organizações não governamentais (ONGs), cooperativas, instituições assistenciais, associações, institutos e fundações que, mesmo produzindo e comercializando bens, ou prestando serviços públicos, não estão enquadrados como estatais e nem visam o lucro com seus empreendimentos realizados. Nas ultimas décadas, houve um crescimento considerável nessa área e, em meio a essa ascensão, a necessidade dessas organizações demonstrarem maior clareza em seus resultados tem se tornado cada vez mais evidente.
A grande maioria dessas organizações se mantém por meio de doações, serviços voluntários, subvenções e prestação de serviços ou até mesmo por meio da comercialização de seus próprios produtos onde as arrecadações são direcionadas em projeto da própria entidade.
No Primeiro Setor, há uma legislação específica que regulamenta os registros contábeis e acompanha as movimentações do dinheiro publico. Já no Segundo Setor, as origens e aplicações de recursos estão subordinadas a uma legislação que, lado a lado aos gestores, servem como base para projeções aliadas a capacitação e a competitividade.
No Terceiro Setor, há uma legislação contábil que regulamente os registros das organizações. Trata-se da NBC T – 10.19 que realiza o cumprimento das exigências básicas além de gerenciar os recursos movimentados nesses órgãos.
1.1 TEMA E PROBLEMA
As organizações religiosas possuem uma administração financeira desde os primórdios de seu surgimento. Nesse trabalho destaca-se o segmento evangélico, considerando que há uma diferença administrativa entre as entidades católicas e protestantes. A administração das entidades católicas possui um departamento contábil que administra as arquidioceses repassando orientações às paróquias pertencentes quanto ao controle de documentos, além das movimentações contábeis. No entanto, nas entidades eclesiásticas, não há um padrão quanto à administração financeira e cada uma das organizações evangélicas é responsável por sua gestão contábil tendo apenas a legislação que enquadra as entidades de Terceiro Setor.
Segundo Garcia (2003, p. 25):
Atualmente no Brasil está vigente o princípio constitucional da separação Igreja–Estado, não podendo o Estado, intervir com relação à eleição bem como em nomeação dos oficiais da Igreja, sejam apóstolos, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional.
Nas Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus não há um padrão definido quanto à prática da contabilidade. No entanto, cada entidade, juntamente com sua diretoria e administração, cria sua forma de registro, de acordo com a legislação vigente. Isso faz com que as organizações eclesiásticas necessitem um sistema de gestão contábil que atenda de uma maneira mais eficiente as respectivas movimentações financeiras, pois se tratam de órgãos do Terceiro Setor. Quanto a essas movimentações, tem-se observado que há uma necessidade de um controle contábil melhor nesses órgãos. Talvez essa necessidade ocorra pela falta de uma padronização sistematizada que venha regular e conduzir os registros contábeis dessas entidades, pois mesmo fazendo parte do Terceiro Setor, elas possuem uma administração financeira formada e juridicamente consolidada, basicamente, por um primeiro e segundo tesoureiro, que, sob o acompanhamento de um conselho fiscal formado por pelo menos três membros titulares e três suplentes, registram regularmente as entradas e saídas de seus valores.
Como prática comum, todos os meses os setores ou congregações encaminham até o tesoureiro geral as entradas e saídas do corrente mês para que sejam elaborados os relatórios de receita e despesas que, em seguida, disponibilizam-no emlocal visível, mais precisamente em um mural nointerior dotemplo sede parafins de esclarecimento e acompanhamento das contas do pelos membros da organização. Esses registros contábeis são guardados em arquivos a fim de servirem de auxílio explicativo, caso haja algum questionamento por parte de algum membro da entidade.
Desse modo surge a pergunta: como são realizados os registros contábeis nas organizações eclesiásticas dentro do Terceiro Setor?
1.2 OBJETIVOS
A seguir apresenta-se o objetivo geral e os objetivos específicos necessários para a elaboração dotrabalho.
1.2.1 Objetivo Geral
O objetivo geral do respectivo trabalho propõe-se em verificar como são realizados os lançamentos contábeis realizados pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Salto do Jacuí/RS, referida nessa pesquisa como AD Salto.
1.2.2 Objetivos Específicos
• Analisar o método contábil de registro de entradas e saídas de doações financeiras dentro da referidajurisdição eclesiástica.
• Apontar alegislação que regetais entidades e seus enquadramentos; • Relatar a estrutura organizacional daIgreja Assembleia de Deus.
1.3 JUSTIFICATIVA
O Terceiro Setor é constituído por entidades sem fins lucrativos e desempenham um papel fundamental na sociedade atual. Por meio de suas entidades que o constitui, ele atua diante da demanda social não sanada ou resolvida pelo Estado, seja na área cultural, educacional, social ou até mesmo
religiosa. Segundo explanação da revista Época, o Estado tem negligenciado nesse quesito ao omitir-se em promover o desenvolvimento econômico, no entanto, além de estarem no posto de defesa das causas próximas dos interesses do cidadão comum, as entidades filantrópicas e sem fins lucrativos conseguiram preencher essa lacuna de uma maneira considerável.
Por causa disso o crescimento e implantação de novas Organizações Não Governamentais Sociais (ONGS), bem como de entidades filantrópicas que atuam na função de contornar esses fatores, tem ocorrido diariamente.
Nessa pesquisa foram trabalhadas algumas temáticas de prática contábil e transparência nas organizações do Terceiro Setor.
Drucker (2002, p.14, apud SANTOS 2010 p. 17):
As próprias instituições sem fins lucrativos sabem que necessitam ser gerenciadas exatamente porque não contem lucro convencional. Elas sabem que precisam aprender como utilizar as ferramentas contábeis para que estas não as dominem. Elas sabem que necessitam de gerencia para que possam se concentrar na missão.
Destaca-se o fato de que as entidades eclesiásticas necessitam usufruir de um quadro profissional que possua um bom preparo a fim de exercer a atividade escrituraria. As atividades fim, realizadas nessas entidades, são voltadas exclusivamente à filantropia, cultura e educação, além de saúde e reintegração social. Por outro lado, quanto às atividades meio, dirigem-se aos assuntos escriturais econômicos, onde cada centavo é registrado e por fim prestado conta de modo transparente e informativo aos membros em geral.
Esses registros são fundamentais em toda entidade filantrópica e, em se tratando de eclesiástica, proporciona a possibilidade de um planejamento de cada uma de suas ações. A promoção do crescimento quanto às contribuições também é um fator preponderante para a manutenção dessas entidades visto que para se manter, são necessárias arrecadações suficientes que venham suprir as necessidades dessas organizações.
1.4 METODOLOGIA
O referido trabalho classifica-se como uma “pesquisa descritiva”, cujo propósito é resolver certos problemas na gestão contábil por meio de ajustes apontados na instituição estudada, observando os procedimentos contábeis utilizados na igreja Assembléia de Deus de Salto do Jacuí.
1.4.1 Enquadramento da pesquisa
Como estudo de caso, a pesquisa fez análise de uma Organização Religiosa Evangélica, situada na cidade de Salto do Jacuí. A referida entidade está filiada à CIEPADERGS (Convenção de Igrejas Evangélicas e Pastores da Assembléia de Deus do Estado do Rio Grande do Sul) e possui 15 setores, os quais fazem parte da mesma jurisdição eclesiástica.
Dentro desse contexto, apresentam-se alguns dos aspectos legais que envolvem as entidades de Terceiro Setor focando, principalmente, na questão dos procedimentos contábeis utilizados na IEADSAJ (Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Salto do Jacuí) em suas movimentações tendo como base a legislação vigente.
O presente trabalho efetuou um levantamento de informações de forma documental na entidade em conversa com o gestor administrativo e que responde pelas movimentações financeiras. Conforme Gil (1989, p. 51), esse levantamento pode ser realizado “valendo-se de materiais que ainda não receberam nenhum tratamento analítico, ou que ainda podem ser elaborados de acordo com os objetivos da pesquisa”.
Além desse levantamento in loco, para realização e composição das informações descritas nesta pesquisa também foi necessária a realização de levantamento bibliográfico em livros ou artigos registrados por autores que já pesquisaram sobre o respectivo assunto. Essa análise detalhada e exploratória proporciona uma forma de conhecer e explicar os fenômenos que ocorrem no ramo contábil das demais entidades religiosas por meio de esclarecimento e transparência das contas contábeis das instituições do ramo religioso.
É necessário levar em conta que administrativamente todos os órgãos filantrópicos diferem uns dos outros. Apesar disso, elas fazem uso do
mesmo sistema contábil, considerando que a legislação para o Terceiro Setor é aplicável a todas as organizações filantrópicas independentemente de quais sejam suas denominações.
1.4.2 Fontes de informação
Para elaboração e composição da referida pesquisa, foram utilizadas informações contábeis específicas com respeito à entidade por meio de levantamento de dados das movimentações mensais registrados na tesouraria da instituição. Também foi realizada uma conversa com o diretor administrativo da instituição, Sr. Gesiel Silveira, que atua no Centro Administrativo da entidade sobre a movimentação contábil da organização. O Estudo de Caso junto a Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Salto do Jacuí, também contou com a averiguação dos relatórios das movimentações de entradas e saídas mensais visando esclarecer possíveis dúvidas referentes a essas movimentações dentro da entidade.
1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA
Dentro do Aspecto Espacial, a referida pesquisa delimita-se em apurar o método que é utilizado na realização das movimentações financeiras, identificando as práticas contábeis e escrituração no âmbito administrativo da igreja Assembleias de Deus no Estado do Rio Grande do Sul, tendo como foco, a entidade filiada na cidade de Salto do Jacui – RS.
No Aspecto Temporal considerou as informações contábeis e o método de movimentação realizada nos últimos dois anos, com a chegada do atual pastor. O sistema de registro e controle contábil foi implantado por essa administração, pois o pastor anterior tinha outra forma de gestão administrativa e contábil.
1.6 ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA
Este trabalho é composto por quatro capítulos, acrescentado das referências bibliográficas. No primeiro capítulo menciona-se a introdução, bem como tema, problema e os objetivos do referido estudo além de destacar a
justificativa acompanhada da metodologia e procedimentos aplicados junto a delimitação da pesquisa.
Posteriormente, relatou-se a fundamentação teórica concernente as entidades eclesiásticas junto a legislação, além de leis e conceitos aplicados as organizações do Terceiro Setor.
Por fim, apresentou-se os resultados alcançados consoantes a prática da pesquisa durante o ato exploratório. Por fim, no quarto capítulo, apresenta-se a conclusão da pesquisa bem como a sugestão de outros trabalhos que abordem a análise contábil eclesiástica. Por último, as referências bibliográficas que foram utilizadas na elaboração da referida pesquisa.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O presente capítulo aborda a legislação que rege a prática contábil no terceiro setor, mais especificamente no conceito das organizações eclesiásticas. O mesmo também discorre sobre as atividades práticas que envolvem a escrituração contábil e registros financeiros desenvolvidos nos setores subordinados a sede da Assembleia de Deus com a execução final e fechamento mensal das movimentações do livro caixa.
2.1 TERCEIRO SETOR
Ao explanar o conceito de Terceiro Setor, é possível citar a opinião de vários autores que, dentro de sua temática e estudo, apresentam as mais diversas definições sobre o assunto a fim de oferecerem uma melhor interpretação para fundamentar a prática não governamental de atividades.
2.1.1 Conceito
Romão (2011) relata que o terceiro setor engloba entidades sem fins lucrativos de cunho social ao invés de econômico em cuja essência envolve atividades culturais, artísticas e religiosas, além de trabalhos voluntários e filantropia.
As atividades desenvolvidas por esse tipo de organização promovem o bem coletivo da sociedade sem qualquer objetivo de obter lucros sendo chamadas de “entidades sem fins lucrativos”. Quando o estado, não consegue desempenhar de forma mais precisa a atividade social, o terceiro setor preenche essa lacuna, suprimindo de forma ampla e coletiva e sem qualquer objetivo de retorno financeiro. A ITG (Interpretação Técnica Geral) de 2002, item 3 do seu alcance (CFC, 2012) estabelece o seguinte:
A entidade sem fins lucrativos pode exercer atividades, tais como as de assistência social, saúde, educação, técnico-científica, esportiva, religiosa, política, cultural, beneficente, social e outras, administrando pessoas, coisas, fatos e interesses coexistentes, e coordenados em torno de um patrimônio com finalidade comum ou comunitária.
Conforme Romão (2011; p. 36) pode-se dizer que “o Terceiro Setor não proporciona qualquer limite de atuação para as entidades pertencentes a esse
setor de forma definida. Essa modalidade contábil é basicamente formada por organizações que, mesmo fazendo parte da iniciativa privada, desempenham um papelfilantrópico objetivando o bem coletivo da sociedade”.
Segundo abordagem do CFC (2003, p. 37):
Geralmente, essas empresas dependem de recursos que provenham de trabalhos e doações de voluntários, bem como detransferência de fundos sem ônus. As atividades dessas entidades filantrópicas são tipicamente de atuação de cunho público, porém, elas possuem personalidade jurídica de direito privado. É importante salientar que, de acordo com o Estado, faz-se necessário o desempenho do papel social de uma maneira satisfatória onde a sociedade organiza-se comofundações e associações o que ameniza ainoperância social.
Dentro dessa nova realidade, essas organizações sociais possuem algumas particularidades que necessitam de consideração dentro de seu processo de estruturação. O modelo de gestão voltada a elas deve ser fundamentado dentro de uma estrutura organizacional que seja capaz de desempenhar um projeto social.
Hudson (2004, p.11) oferece sua opinião quanto as entidades sem finslucrativos com o seguinte argumento:
Terceiro Setor consiste em organizações cujos objetivos principais são sociais em vez de econômicos. A essência do setor engloba instituições de caridade, organizações religiosas, entidades voltadas para as artes, organizações comunitárias, sindicatos, associações profissionais e outras organizações voluntárias.
Dentro desse contexto, entendem-se como entidades sem fins lucrativos a entidade com personalidade jurídica com direito privado que não distribui entre seus associados, diretores, conselho, doadores e empregados, qualquer excedente operacional líquido ou lucro, bem como, dividendos ou participações auferidos mediante a realização de suas atividades.
Para Peyon (2004, p. 12) a divisão das entidades em seus respectivos grupos se define da seguinteforma:
• 1º SETOR: Caracterizado pela União, estados e Distrito Federal, territórios, municípios, autarquias e demais entidades de caráter publico criadas porlei. Também sãoinclusas nesse setor as pessoas jurídicas de direito privado que sejam controladas pela máquina estatal.
• 2° SETOR: Caracterizado por empresas, empresários e sociedades empresariais comfinalidade delucro.
• 3° SETOR: Caracterizado pelas entidades sem fins lucrativos que não são estatais nem empresariais.
No quadro abaixo, é possível verificar essa divisão de uma forma mais clara:
Quadro 1 – Setores Sociopolíticos
1° SETOR 2º SETOR 3º SETOR
Estado – Governamental Mercado – empresas ONGs
Entidades públicas Entidades privadas Entidades privadas Semfinslucrativos Comfinslucrativos Semfinslucrativos Órgãos públicos Empresários/Sociedade Associações/fundações Organizações de
economia mista da administração publica indireta
a) Empresários, b) Sociedade
personificadas ou não personificadas, c) Sociedades
simples ou empresariais.
a) Fins privados com interesse coletivo de grupos sociais restritos.
b) Fins públicos com interesse geral de toda população Fonte: Peyon (2004, p. 12)
As diferenças ocorrem no que tange a finalidade exercida por cada uma dessas entidades, sendo que as que possuem interesse coletivo apresentam seus direitos, enquanto as que não possuem fins lucrativos atendem se necessidades dosindivíduos.
Segundo Cabral (2007, p. 17), quanto ao Terceiro Setor, observa-se o seguinte:
Explicitamente, devemos assumir o termo Terceiro Setor como um espaço relacional na sociedade com uma finalidade específica, a proteção social, no qual transitam organizações com tais ou quais características.
Segundo Chamom (2007, p. 47), “O Terceiro Setor é heterogêneo, e engloba desde as modernas práticas de gestão e fomento da cidadania até as chamadas modernizações conservadoras, as quais valorizam mais o discurso do que a prática”. No entanto, não basta dizer que ele é heterogêneo ou complexo, pois qualquer afirmativa dentro desse contexto seria simplificar o
debate sobre o tema sem considerar os anos de experiência e estudo das ciências administrativas.
A NBC (Norma Brasileira de Contabilidade) por meio da NBC T – 10.19 define o Terceiro Setor com as seguintes características:
10.19.1.2 – Destina-se, também, a orientar o atendimento às exigências legais sobre procedimentos contábeis a serem cumpridos pelas pessoas jurídicas de direito privado sem finalidade de lucros, especialmente entidades beneficentes de assistência social (Lei Orgânica da Seguridade Social), para emissão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, da competência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS).
10.19.1.3 - As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo é denominado, respectivamente, de superávit ou déficit.
10.19.1.4 - As entidades sem finalidade de lucros exercem atividades assistenciais, de saúde, educacionais, técnico-científicas, esportivas, religiosas, políticas, culturais, beneficentes, sociais, de conselhos de classe e outras, administrando pessoas, coisas, e interesses coexistentes e coordenados em torno de um patrimônio com finalidade comum ou comunitária.
10.19.1.5 – Essas entidades são constituídas sob a forma de fundações públicas ou privadas, ou sociedades civis, nas categorias de entidades sindicais, culturais, associações de classe, partidos políticos, ordem dos advogados, conselhos federais, regionais e seccionais de profissões liberais, clubes esportivos não–comerciais e outras entidades enquadradas no conceito do item 10.19.1.4.
10.19.1.6 – Aplicam-se às entidades sem finalidade de lucros os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem como as Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade.
Cada entidade filantrópica se mantém por meio de contribuições voluntárias e doações diversas e até mesmo subvenções oriundas do estado.
2.1.2 O Terceiro Setor no mundo
Quanto à carência social, não é de hoje que se observa a existência de inúmeras pessoas que necessitam de atenção assistencial na sociedade, além do mais, toda pessoa possui alguma necessidade, independente da classe social, raça ou cor. Essa realidade é notória na vida de todos.
Conforme Oliveira e Romão (2011), não há como fugir dessa evidência. Obviamente que existem muitas diferenças sociais, pois algumas dessas pessoas são desprovidas das questões mais básicas e simples para
sua sobrevivência. Elas vivem na miséria enquanto outros possuem necessidades que são essenciais, porém, ainda assim, são necessitadas.
É diante dessa realidade que nos países europeus o fato de ajudar pessoas tornou-se algo muito comum, onde os cidadãos são movidos pelo desejo de fazer caridade. É como uma força que move de forma natural a vida das pessoas. É evidente o seguinte pensamento: é melhor dar do que receber.
Conforme Hudson (1999, p. 1):
Os egípcios, na antiguidade, desenvolveram um código moral baseado na justiça social. Subordinadas a esse código, as pessoas eram motivadas a prestarem auxílio e ajuda umas as outras, desenvolvendo assim uma conduta social.
Se for feita uma análise aos tempos de Jesus, os problemas sociais existentes naquela época também faziam parte do dia a dia das pessoas. Assim como pessoas miseráveis socialmente, centenas delas buscavam um meio diferenciado de sobrevivência.
Entretanto, a todas essas necessidades, Jesus dispensava uma atenção especial por meio de uma palavra amiga, uma cura aos enfermos, e até mesmo a ressurreição de mortos, segundo relata as Escrituras. Ele era exemplo de alguém que vivia e trabalhava diuturnamente na busca do melhor para aqueles que o rodeavam. Constantemente preocupava-se com os famintos, tanto órfãos quanto viúvas, todos chamavam sua atenção para a solução do problema.
Dentro desse cenário, as organizações eclesiásticas estão entrelaçadas diretamente com a filantropia e a caridade independente da crença ou profissão de fé.
2.1.3 O Terceiro Setor no Brasil
Segundo Ebsen e Laffin (2004), o Terceiro Setor no Brasil propagou-se por meio das instituições católicas com a realização de ações sociais durante a Ditadura Militar. Essas organizações atuavam por meio da realização de forças–tarefa, que eram formadas por voluntários que apoiavam os movimentos da sociedade que, por meio de manifestações, contrariavam as
ordens do governo ditatorial daquela época. Na década de 70, o Terceiro Setor surgiu com a intenção de ocupar seu espaço na sociedade de forma não estatal, desempenhando atividades sociais e filantrópicas aos menos favorecidos.
Mesmo que o Brasil seja considerado um país solidário e voltado para os necessitados, devido aos constantes envolvimentos em causas sociais, Oliveira e Romão (2011) criticam essa realidade e descrevem a falta de organização das mais diversas vertentes de ações sociais. Essa contrariedade se dá no momento em que são oferecidos auxílios no momento em que ocorrem catástrofes e decretadas situações críticas em âmbito nacional, no entanto, o instinto solidário logo se esfria quando os problemas são sanados. Os autores salientam que, se a atenção diante dos problemas sociais fosse levada mais a sério, muitos outros problemas que ocorrem na sociedade poderiam atualmente ser amenizados. Haveria uma melhora no atendimento ao necessitado, bem como um crescente conforto aos que mais sofrem nessa nação. Oliveira e Romão ainda destacam que o Brasil ainda sofre grande influência da época da colonização onde predominava os interesses individualistas e a obsessão pelo lucro rápido. Naquele tempo, deu-se início a uma cultura que ainda está bastante saliente nos dias atuais destacando-se o egoísmo, onde ninguém tem tempo e muito menos interesse para atender as demandas sociais e as necessidades do seu semelhante.
Em contrapartida, tem sido notória a forte atuação dos direitos humanos em sua luta civil e social, o qual vem promovendo constantes ações voluntárias e filantrópicas, conquistando um espaço cada vez maior em meio à população brasileira.
2.1.4 Recursos direcionados ao Terceiro Setor
As entidades sem fins lucrativos ou organizações do terceiro setor captam seus recursos das mais diversas formas a fim de sem manterem em plena atividade. A origem desses recursos pode ser de fonte privada ou própria. No entanto, as organizações consideradas de Utilidade Pública, que são portadores do certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, proveniente do Conselho Nacional de Assistência Social, poderão receber doações periódicas
ou extraordinárias governamentais. Essas entidades podem ser de caráter de assistência à saúde, educação, além de caritativo e filantrópico, além de outros exemplos (OLAK, 2010).
No caso de instituições religiosas, a captação de todos os recursos ocorre oriunda da décima parte da renda disponibilizada pelos fiéis (dízimo), bem como de ofertas e doações voluntariamente disponibilizadas pelos membros e participantes da comunidade eclesiástica.
A administração financeira é realizada por um tesoureiro que é responsável por todos os registros dessas movimentações, bem como aos pagamentos e recebimentos da instituição destinados à manutenção da entidade.
2.1.5 Imunidade tributária
A legislação vigente e específica para as entidades pertencentes ao Terceiro Setor vigente no país é a CF/1988, art. 150 VI b; bem como a Lei 10.406 do Código Civil, publicada em 10 de Janeiro de 2002. Essa lei trata da imunidade de tributações para essas instituições, tais como COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), PIS (Programa de Integração Social) sobre o faturamento, IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido), impostos federais e ISS (Imposto Sobre Serviço). O pagamento do PIS é obrigatório sobre a folha de pagamento dos funcionários das entidades religiosas.
Para que essas instituições gozem dessa imunidade, devem se enquadrar nos requisitos exposto na Lei n° 9.532/91 , caso contrário, ficarão sujeitas aos impostos comerciais devidos.
Conforme o art. 12 da Lei n°9.532/97, observa-se o seguinte:
Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º. Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferido em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável.
§ 2º. Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere esse artigo estão obrigadas a atender os seguintes requisitos:
a) Não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados;
b) Aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais;
c) Manter a escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão;
d) Conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial;
e) Apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal;
f) Recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes;
g) Assegurar à destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda as condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público.
h) Outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere esse artigo.
No entanto, a imunidade tributária não pode ser confundida com outros institutos como a isenção, não incidência e alíquota zero, os quais, assim como ela, também são capazes de excepcionar a regra, que é a tributação.
2.2 ENTIDADES ECLESIÁSTICAS
Dentro da classificação do Terceiro Setor, encontram-se as entidades eclesiásticas, ou organizações religiosas. Estas, além da atividade espiritual, atuam por meio da filantropia promovendo atividades sociais, culturais e ações comunitárias no combate a fome e as necessidades que se proliferam em sua volta. Anteriormente, estas organizações estavam enquadradas como associações, mas com a Lei Federal 10.825/03, foram classificadas como pessoas jurídicas de direito privado.
Conforme Olivo (2005), cada uma destas organizações passou a ser consideradas Organizações Sociais. Esse título foi determinado pelo Estado às pessoas jurídicas de direito privado voltadas às atividades sociais sem fins lucrativos.
Segundo Venosa (2006, p. 244), as pessoas jurídicas de direito privado originam-se da vontade individual, propondo-se à realização de
interesses e fins privados, em benefício dos próprios instituidores ou de determinada parcela da coletividade.
2.2.1 Reconhecimento Jurídico das Entidades Eclesiásticas
Conforme Oliveira e Romão (2011) é necessário salientar que no antigo Direito Romano, não havia a pessoa jurídica. Este conceito foi desenvolvido pelo Direito Canônico, onde se percebia que a igreja era uma sociedade autônoma, auto-suficiente para atingir seus propósitos bem como se autogovernar.
O Código Civil (BRASIL, 2002), no artigo 44, § 1º, estabelece o seguinte:
São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar–lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento.
Diante do exposto, verifica-se que as entidades eclesiásticas podem se auto regulamentar, bem como definir a sua própria estrutura interna e organização de cunho administrativo e organizacional. No entanto, elas não podem fugir da estrutura jurídica imposta pelo Código Civil, pois, em se tratando de demandas judiciais, as igrejas ficam a mercê do julgamento dos juízes que podem tomar como base as estruturas jurídicas dessas instituições onde se assemelham, como por exemplo, associações civis (OLIVEIRA e ROMÃO, 2011).
2.2.2 Contabilidade Eclesiástica
A contabilidade de uma organização religiosa encontra-se subordinada a um controle que, de certa forma, não se modifica. Na Norma Brasileira de Contabilidade é possível confirmar as regras contábeis para as organizações sem fim lucrativo (CFC, 2012).
ITG 2002 4 – Aplicam-se à entidade sem finalidade de lucros os Princípios de Contabilidade e esta Interpretação. Aplica-se também a NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas ou as normas completas (IFRS completas) naqueles aspectos não abordados por esta Interpretação.
Isso demonstra que qualquer registro contábil realizado por uma organização religiosa, deve ser feito seguindo os padrões determinados pelas Normas, Resoluções e Princípios da Contabilidade.
Vale destacar que os Princípios da Contabilidade encontram-se relacionados no Art. 3° da Resolução n° 750/93, e a tualizada pela Resolução n° 1.282/10 CFC: o da Entidade, da Continuidade, da Oportunidade, do Registro pelo Valor Original, da Competência e o da Prudência.
Conforme Delaméa (2001), o amplo universo da contabilidade eclesiástica está dividido primeiramente, em ciência social, no qual o próprio objeto é o patrimônio, sendo este, uma questão de conhecimento científico. Por outro lado, existe a questão de que a contabilidade possui um compromisso ético e social desempenhando a responsabilidade de fornecer as mais diversas informações à sociedade. Estas informações devem ser transparentes no que se refere ao patrimônio da entidade. Alem de proporcionar à administração eclesiástica, as mais diversas informações seguras e eficazes para a gestão da organização, resulta em proteção ao patrimônio da entidade.
Dentro desse quesito, se insere as consultorias contábeis à gestão que propõem a saúde financeira da igreja. Uma consultoria pode atuar formulando projeções e análises gráficas que contribuam para o bom andamento contábil da organização, informando as entradas e saídas financeiras. Oliveira e Romão (2011) destacam que muitas entidades religiosas que, por não terem um mínimo de conhecimento contábil, fazem errados suas escriturações contábeis, ignorando muitos detalhes que pertencem à contabilidade.
Em muitas organizações eclesiásticas, acredita-se que somente o Livro Caixa é o suficiente para a contabilidade, porém, muitos dos demais registros não são contemplados por ele. O Livro Caixa somente demonstra as contas de despesa e receita, não as patrimoniais.
É importante destacar que existem dois tipos de contas contábeis: as qualitativas e quantitativas. As primeiras são aquelas que sofrem alteração patrimonial e podem ser transformados de espécie (dinheiro) para imóvel ou terreno. Por outro lado as quantitativas sofrem aumento ou diminuição do patrimônio. Ao receber um dízimo, por exemplo, a organização religiosa
registra como uma entrada de receita, o que repercute no aumento do patrimônio (OLIVEIRA e ROMÃO, 2011).
Segundo os autores, o Livro Caixa não é exigido pelo fisco em caráter de fiscalização muito menos pela contabilidade. Ele apenas auxilia o controle dos registros contábeis da empresa proporcionando a transparência que resulta em credibilidade e confiança em sua escrituração. Junto com o Livro Caixa, existem outros livros que servem apenas para controle da entidade: Livro de Contas-Correntes, Livro de Contas a Pagar e o Livro de Registros de Bens Temporais o qual registra todos os ativos imobilizados da instituição. Todos eles servem apenas para controle.
Segundo Benício (2000, p. 45),
Nos controles devem ser registradas todas as opções financeiras da organização de tal forma que, quando necessário, possa ter uma visão clara, detalhada e simplificada de como a organização manuseia seus recursos diariamente. Dentre os principais métodos utilizados para o controle financeiro destacamos o fluxo de caixa, o
controle bancário, contas a receber e contas a pagar.
Além dos livros de registros contábeis, existem as demonstrações contábeis que serão abordadas com maiores detalhes e de forma mais ampla em outra uma outra oportunidade.
2.3 CONTROLE INTERNO DE UMA ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA
A função do Controle Interno dentro da administração eclesiástica propõe a averiguação e o controle, além de atentar aos cuidados quanto aos procedimentos adotados, tendo como base um conjunto de métodos que são aplicados durante a rotina de trabalho com o propósito de promoverem informações e resultados confiáveis à instituição.
2.3.1 Conceito
A presença de pessoal dentro de uma instituição que sejam comprometidos com a atividade desenvolvida é primordial para o desenvolvimento de um bom Controle Interno. O comprometimento com a missão da entidade faz com que os que integram a administração trabalhem focados na realização de uma atividade com excelência. No entanto, toda
instituição almeja conduzir seus trabalhos com seus recursos controlados e ajustados de maneira sólida, e para isso, se faz necessário a aplicação do Controle Interno com a finalidade de controlar e verificar os procedimentos adotados na execução e aplicação dos recursos de maneira responsável e bem aproveitada.
Com base na NBCT, o Controle Interno refere-se ao:
Conjunto de recursos, métodos e processos adotados pela instituição governamental a fim de:
a. Assegurar a proteção dos ativos e a veracidade dos componentes patrimoniais;
b. Garantir a observância da validade, legalidade e regularidade das transações;
c. Promover e manter a confiabilidade do sistema de informações contábeis;
d. Comprovar os atos e fatos que afetem ou possam afetar o patrimônio;
e. Garantir a integralidade e exatidão dos registros contábeis;
f. Prevenir práticas ineficientes e antieconômicas, bem como erros e fraudes, malversação, abusos, desvios e outras inadequações; g. Possibilitar a eficácia da gestão e garantir a qualidade de informação;
h. Garantir a execução dos planos e políticas definidas pela administração;
i. Garantir aderência das demonstrações contábeis aos princípios fundamentais e NBCT.
No entanto, além dos métodos ora descritos, se faz necessário uma equipe de pessoal treinado e capacitado para desenvolver as atividades administrativas na entidade, bem como desenvolver um sistema adequado para a realização da gestão organizacional.
2.4 MÉTODOS DE CONTROLE INTERNO
A utilização de um Controle Interno eficiente proporcionará uma coleta abrangente de informações úteis bem como a correção de possíveis falhas na gestão administrativa, além de detectar e constatar qualquer situação que comprometa a eficácia operacional na administração eclesiástica.
Conforme Silva (1977, p. 80):
Controle é o processo administrativo que consiste em verificar se tudo está sendo feito de acordo com o que foi planejado e as ordens dadas, bem como assinalar as faltas e erros, a fim de repará–los e evitar sua repetição.
A utilização desses controles de uma forma organizada proporciona ao gestor uma tomada de decisões positivas com tranquilidade de confiança no que tange a gestão de negócios, bem como uma visão mais abrangente concernente a situação da organização.
No Portal de Auditoria, encontram-se as seguintes informações referindo-se ao auxilio que o Controle Interno proporciona a gestão administrativa da entidade:
a. Segurança e proteção dos ativos e arquivos de informação; b. Documentação e registros adequados;
c. Segregação de funções;
d. Procedimentos adequados de autorizações para o processamento das transações;
e. Verificação de pendências.
Por outro lado, o referido portal relata as funções dos gestores na realização de suas tarefas. Cada uma dessas atividades proporcionará o crescimento operacional além de bons resultados.
2.4.1 Contas a Pagar
O gerenciamento dos gastos e o controle das contas dentro de uma organização são segmentos que devem ter pleno acompanhamento por parte das entidades, tendo em vista que essas movimentações proporcionam uma projeção correta dentro das obrigações financeiras da organização.
Para que haja uma boa administração e disponibilização dos referidos recursos é preciso que haja um provisionamento dessas despesas bem como seus vencimentos a fim de que todos os compromissos financeiros sejam cumpridos da forma mais vantajosa possível para a entidade evitando atrasos e desconforto moral e financeiro.
Segundo o site MahaGestão1, apesar de parecer uma tarefa
relativamente simples, o controle de contas a pagar é um fator importante para que a empresa mantenha seus compromissos em dia. Para fazer o registro no controle interno da empresa, destacam-se os seguintes dados:
a. Número do documento; b. Data de vencimento;
c. Condições de pagamento (à vista, 30, 45, 60 dias etc.); d. Fornecedor ou emitente;
e. Forma de pagamento;
f. Natureza dos pagamentos (despesas de energia, telefone, aluguel, tarifas bancárias, pagamentos a terceiros, condomínio etc); g. Tipo do título (documento que representa a obrigação);
h. Valores unitários;
i. Total a pagar, entre outras informações que forem relevantes para seu controle interno.
Por outro lado, o site ainda destaca que esse controle permite, entre outras coisas, conhecer os montantes, bem como vencer e estabelecer prioridades de pagamento caso a empresa apresente alguma dificuldade financeira. Além disso, facilita também a previsão de entradas e saídas futuras, auxiliando na elaboração do fluxo de caixa da empresa.
O MahaGestão ainda aponta o seguinte:
Ao registrar o título informando tipo e valor, você já terá documentado em seu controle interno a quantidade e os valores de cada tipo de título a pagar. Bastará, então, filtrar esses dados e fazer os cálculos dos valores totais a serem pagos utilizando o método adotado por sua empresa.
Desta forma, ao registrar o título informando tipo e valor, a entidade já terá documentado e em seu controle interno a quantidade e os valores de cada tipo de título a pagar. Basta, então, filtrar esses dados e fazer os cálculos dos valores totais a serem pagos utilizando o método adotado por sua empresa.
Conforme o SEBRAE:
Por meio deste relatório todos os compromissos da empresa são controlados, fornecendo ao administrador a possibilidade de verificar todos os seus compromissos por: fornecedor, tipo de pagamento, títulos a pagar e títulos pagos, duplicatas em atraso, em qualquer intervalo de datas.
Para a implantação do controle de contas a receber existe no mercado os modelos em papel (ficha), e também softwares (alguns até gratuitos), veja qual é o mais adequado para sua empresa. (SEBRAE, 2014)
Cada organização tem condições de montar sua própria maneira ou método de controle para contas a pagar evidenciando, sempre que possível, os compromissos a serem pagos evitando assim qualquer tipo de atraso. Apresenta-se o modelo sugerido pelo SEBRAE, conforme o Quadro 2.
Empresa: Mês:
CONTROLE DE CONTAS A PAGAR PAGAMENTO
Data Doc. Venc. Valor Data Venc. Valor Desconto Juros Obs.
Fonte: SEBRAE (2015) - Sandra Tocantins – Analista no SEBRAE-AP
O mais importante é que se possa destacar de uma forma clara e objetiva cada um dos compromissos que precisarão ser quitados, além da previsão dos recursos que deverão ser desembolsados.
2.4.2 Contas a Receber
Nesse item, normalmente os valores recebidos são oriundos de atividades realizadas pela organização. Podem ser por meio de serviços prestados ou da venda de algum produto, porém, normalmente ocorrem por meio de doações, contribuições voluntárias e até mesmo subvenções.
Essas movimentações exigem da entidade um controle que seja o mais eficiente possível além de um sistema que seja organizado e que venha a evitar possíveis atrasos.
Segundo Coqueiro (2011, p. 37), os principais eventos nessa transação são:
Essas transações devem ser suportadas por documento fiscal ou outro documento que tenha validade jurídica. Nesta tem-se como agravante o não recebimento decorrentes de créditos concedidos mal avaliados. O que requer atenção especial na concessão de créditos.
Essas transações devem ser realizadas por pessoas que possuam idoneidade e responsabilidade, pois, além de movimentar os valores os responsáveis devem estudar estratégias e programar futuros desembolsos.
Cada uma dessas contas necessita ser evidenciadas com as respectivas datas de vencimentos constando em planilhas que destaquem com clareza a natureza da devida operação, data de recebimento e informações necessárias a fim de que o controle dessa transação seja eficiente.
A planilha abaixo é um dos modelos que pode ser adotada para relatar as movimentações informadas acima:
Quadro 3 – Modelo de Planilha para Contas a Receber Empresa:
CONTROLE DE CONTAS A RECEBER
Controle por data de vencimentos Mês/Ano
DIA CLIENTE DESCRIÇÃO VALOR RECEBIMENTO
(R$) Data (R$)
Fonte: http://www.spartansite.com.br/curso/sebraemg_financeiro.htm (Acesso em
20/02/2015)
Esse controle proporciona ao gestor o conhecimento necessário concernente as contas a receber, os clientes que pagam em dia, além da observação do montante recebido pela organização. Por outro lado, é possível, a partir desse conhecimento, visualizar o perfil de cada um dos clientes e auxiliará numa possível cobrança dos inadimplentes, bem como fornecer informações para o fluxo de caixa.
2.4.3 Fluxo de Caixa
A análise das organizações em geral depende de um bom fluxo de caixa, pois ele participa como um instrumento que proporciona à organização uma visão geral de suas obrigações e recursos para alguma necessidade futura.
Segundo Assaf (2002, p. 39), o fluxo de caixa é “[...] um instrumento que relaciona os ingressos e saídas de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo.”
Um bom fluxo de caixa viabiliza maior agilidade e segurança nas atividades financeiras da entidade. Caso seja elaborado de forma eficiente, ele irá evitar situações constrangedoras e desagradáveis ao órgão como falta de recursos a fim de cumprir com suas obrigações dentro da data prevista. Por
outrolado, auxilia no planejamento no saldo de caixa da organização no caso das necessidades deinvestimentos.
Para Zdanowicz (1989, p.16),
O fluxo de caixa realiza uma projeção básica das entradas e saídas dos recursos financeiros da entidade dentro de um determinado período, com objetivo de prever a necessidade de captação de empréstimos além de efetuar possíveis aplicaçõesfinanceiras.
O autor ainda salienta que existem mais alguns objetivos que se relacionam aofluxo de caixa que são os seguintes:
• Proporcionar um levantamento dos recursos necessários para execução do planejamento da empresa e para realizar suas transações econômico-financeiras;
• Estudar, antecipadamente, qual a melhor forma de aplicar os recursos financeiros da empresa para que eles não fiquem ociosos;
• Utilizar as informações das projeções de vendas, produção e despesas operacionais, além dos dados que se referem aos prazos médios de rotação de estoques, de valores a receber e de valores a pagar para o planejamento e controle dos recursos financeiros;
• Cumprir com seus compromissos no vencimento;
• Buscar o perfeito equilíbrio entre osingressos e desembolsos de caixa;
• Verificar qual o empréstimo menos oneroso para a empresa, se ela necessitar utilizar.
• Evitar que a organização gaste mais em momentos em que há pouco dinheiro em caixa;
• Controlar os saldos de caixa e dos créditos a receber pela empresa e;
• Coordenar os recursos que serão alocados no ativo circulante, vendas, débitos einvestimentos.
Ainda, dentro da estrutura da demonstração dofluxo de caixa, Campos Filho (1999, p. 25) destacam que o mesmo é de fácil entendimento e atende todos ostipos de empresas, pois a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é composta por pelo menos quatro grandes grupos:
• Disponibilidades;
• Atividades Operacionais; • Atividades de Financiamentos; • Atividades deInvestimentos.
Esses quatro grupos se destacam a fim de demonstrar a situação financeira da organização, pois apresente de uma forma que é facilmente interpretada por qualquer um dos usuários e gestores proporcionando
informações detalhadas que poderão contribuir no processo de tomada de decisão.
Segundo Frezatti (2000, p. 28), oimportante é que a demonstração do fluxo de caixa obedeça aos seguintes aspectos:
• Funcionalidade – um modelo que seja entendido e utilizado maneirafácil e simples;
• Exeqüibilidade – possibilidade de realização;
• Clareza quanto aos objetivos – deve-se ter em mente para qual objetivo ofluxo de caixa está sendo elaborado;
• Custo de obtenção, custo–benefício gerado – não se deve gastar mais que o benefício gerado pelo relatório.
Desta forma, a análise financeira da entidade, por meio das Demonstrações de Fluxo de Caixa e em conjunto com as demais demonstrações contábeis, auxilia os gestores e usuários dentro de uma avaliação correta da situaçãofinanceira da entidade.
Cada organização deve elaborar seu próprio fluxo de caixa e mantê-lo em constante atualização visando o bom acompanhamento de suas atividades. No exemplo abaixo, é possível observar como funciona o trânsito dessa movimentação.
Figura 1 – Representação de Fluxo de Caixa
1 2 3 4 5 6 ...N
Fonte: ZDANOWICS (1989, p. 56)
Um bom Fluxo de Caixafaz com que situações constrangedoras sejam evitadas dentro de uma organização. Situações como o cumprimento das
1 2 3 4 5 6 ...N CAIXA INGRESSO DE RECURSOS DESEMBOLSO DE RECURSOS
obrigações ou a falta de recursos são alguns dos percalços que podem ser sinalizados a fim de que a entidade prossiga seu percurso de forma administrativamente em dia.
Segundo aponta Matarazzo (2010, p. 234), é por meio do demonstrativo do Fluxo de Caixa é que a empresa demonstra sua auto– suficiência no financiamento de seu giro. Para ele, os principais objetivos da Demonstração do Fluxo de Caixa são:
• Avaliar alternativas deinvestimentos;
• Avaliar e controlar aolongo dos tempos as decisõesimportantes que sãotomadas na empresa, com reflexos monetários;
• Avaliar as situações presentes e futuras do caixa da empresa, posicionando-a para que não chegue a situações deliquidez; • Certificar que os processos momentâneos de caixa estão sendo
devidamente aplicados. Determinar quanto de recursos próprios a empresa dispõe em dado período, e aplicá-lo de forma mais rentável possível, bem como analisar os recursos de terceiros que satisfaçam as necessidades da empresa.
Um Fluxo de Caixa bem elaborado pode,inclusive, auxiliar dentro dos objetivos e metas a serem alcançadas pela entidade, bem como auxiliar na projeção do que tem a receber e pagar. É possível visualizar essa projeção no Quadro 4.
Quadro 4 – Modelo para Fluxo de Caixa
FLUXO DE CAIXA SEMANA 01 SEMANA 02 SEMANA 03 Previsões Previsto Realizado Previsto Realizado Previsto Realizado SALDOINICIAL ENTRADAS VENDA À VISTA RECEBIMENTO À PRAZO RESGATE DE APLICAÇÃO TOTAL DE ENTRADA SAÍDA FORNECEDORES PESSOAL ENCARGOS SOCIAIS MATERIAL DE CONSUMO TOTAL DE SAÍDAS SALDO ATUAL SALDO ANTERIOR
Por meio do modelo (Quadro 4), a organização pode planejar seufluxo monetário antecipadamente. Realiza–se, assim, uma estimativa das entradas e saídas, bem como dos gastos e receitas para os meses subsequente permitindo que o planejamento e a programação de novos projetos sejam possíveis, além da verificação sobre a necessidade ou não de captação de novos recursos.
Conforme Tung (1993, p. 294), é por meio do caixa que os valores são recebidos pelo menos de quatrofontes:
• Recebimento à vista;
• Recebimento por meio de cobradores;
• Depósitos por meio de clientes contra duplicatas; • Cheques nominais recebidos pelo correio.
Todos os valores que são recebidos em caixa devem ser depositados em uma conta corrente da instituição e aplicados conforme sua necessidade. No entanto, podem também ocorrer retirada de vales ou adiantamentos para cobrir despesas diversas. Todas essas movimentações devem ser devidamente registradas no movimento de caixa.
2.4.4 Controle Bancário
Outroitemimportante, é que a entidade deve possuir um bom controle bancário, além de um acompanhamento eficiente dos referidos valores que são movimentados por meio dos bancos onde ainstituição possui contas. Junto a essas movimentações, a organização pode obter o controle detalhado dos valores que são recebidos por meio de depósitos próprios ou de doações, bem como de saques ou recebimentos diversos.
Esse controle deve ser realizado diariamente por meio de um acompanhamento dos recebimentos, depósitos, cheques, recebimento de avisos bancários e cobranças de duplicatas.
Poderá ser aberto quantas contas achar necessário, visto que em algumas situações, ela poderá necessitar de contas individualizadas que podem ser úteis no recebimento de algum recurso oriundo de algum convênio.
O Controle Bancário tem a finalidade de acompanhar diariamente as movimentações e transações da organização por meio de registros, cheques e fichas de controles, borderô de aviso de cobranças, além da cobrança de duplicatas e comprovantes de deposito e transações bancárias.
Cada instituição filantrópica tem a liberdade de elaborar seu próprio modelo de registros para as mais diversas movimentações e transações financeiras nos bancos. Essas movimentações devem priorizar sempre o controle dos cheques emitidos, além de sua destinação bem como a data e o valor. Para a realização de um controle mais eficiente, os extratos bancários devem ser conciliados todos os dias para que ao término de cada dia, a administração da entidade possa mensurar e acompanhar a posição correta de cada um dos registros e valores registrados internamente na organização.
Utilizando a conciliação bancária, considerando o confronto dos valores registrados no extrato bancário juntamente com os lançamentos realizados pela entidade o administrador da instituição pode detectar possíveis divergências nas informações e reajustá-las corrigindo-as a tempo.
Apresenta-se no Quadro 5 um modelo de conciliação bancária:
Quadro 5 – Modelo de Conciliação Bancária CONCILIAÇÃO BANCÁRIA
Nome da Entidade: Igreja Assembleia de Deus em Salto do Jacuí Banco: SICREDI
Conta Corrente: 456.1134-1 Conta do Razão: 4.7.3.906
1. Saldo em conta corrente em 24.02.2015 700,00 2. Mais ( + )
2.1 Débitos Contabilizados e não constantes no extrato 100,00 3. Menos ( - )
3.1 Cheques emitidos e não compensados 50,00
4. Saldo Bancário Ajustado (1+2-3) 750,00
5. Saldo Contábil 750,00
Cheques emitidos e não compensados
Cheque Emitido em Compensado em Histórico Valor
65456 18.02.2015 21.02.2015 Oficina 50,00 Total 60,00 Observações Local e data Salto do Jacuí, 01.03.2015 Responsável Visto
Fonte: Manual de procedimentos contábeis e prestação de contas das entidades de interesse social
Tendo como objetivo a transparência e o controle, cada cheque emitido deve ser nominal ao credor, normalmente assinados pelo presidente da entidade e pelo tesoureiro.
Observou-se que, por intermédio do Controle Bancário, ficam evidentes os valores contidos nele, salientando os recursos que estão aplicados na conta corrente, a fim de programação do orçamento para investimentos e aplicações que visa o retorno à entidade.
2.5 PESQUISAS SIMILARES OU CORRELATAS
Autor Objetivo Resultado Instrumento de Pesquisa ou Observações
Voese; Diniz e Pacheco (2014);
Terceiro Setor tem como propósito central a provisão de um bem ou serviço de interesse público. No Brasil, atua em vários segmentos sociais como saúde, educação, assistência social e renda em mais de 600.000 instituições movimentando um montante financeiro de cerca de 5% do PIB nacional. O IDHM, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, se caracteriza justamente por considerar dimensões como a longevidade (saúde), educação, e renda, para aferir o desenvolvimento de uma determinada população, ou seja, o Terceiro Setor aplica os recursos públicos em ações de apoio ao Primeiro Setor, estas
Os resultados mostram uma variação
constante positiva em torno de vinte por cento no IDH–M dos
municípios
pesquisados, porém, todos com índice abaixo da média estadual e nacional. As variações nos repasses mostram-se mais acentuadas com município aumentando em mais de trezentos por cento, enquanto outro retrocedendo em mais de noventa por cento, permitindo compreender que no período de 2000 a 2010 a variação positiva constante do IDH–M não sofreu intervenção das variações das
subvenções públicas.
Realizou-se uma análise entre os valores repassados ao Terceiro Setor por meio de subvenção pública, e as variações ocorridas no IDH–M dos municípios da microrregião de Ibaiti–PR no período de 2000 a 2010.