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Docência, segunda aula

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Academic year: 2021

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(1)

REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS,

INCOMENSURABILIDADE E

IMPREGNAÇÃO TEÓRICA

(2)

Período pré-paradigmático: Período

em que há várias escolas

concorrendo acerca dos aspectos

mais elementares da pesquisa de um

campo específico.

(3)

Estabelecimento de um

paradigma: desaparecem as

divergências: uma das escolas

concorrentes triunfa. Ela

consegue produzir uma síntese

de maneira a atrair a maioria dos

praticantes daquela disciplina.

(4)

Paradigma:

Maneira de ver a realidade:

elementos que compõem a realidade

são pressupostos da comunidade

científica.

Maneira de fazer ciência: problemas

relevantes, métodos, instrumentos.

Conjunto de compromissos teóricos

institucionais, pessoais, ideológicos,

sociais etc.

(5)
(6)

PERÍODO DE CIÊNCIA NORMAL

Características:

1) Pesquisa orientada por um paradigma. Não há discussão acerca dos fundamentos da disciplina. 2)Não se busca descobertas, mas a melhor

articulação e extensão do paradigma vigente. 3) Progresso cumulativo: ampliação do

conhecimento dos fatos que o paradigma apresenta como relevantes, aumentando a

correlações entre esses fatos e as predições do paradigma.

(7)

Ciência normal como resolução de

quebra-cabeças

Investigação e solução de “enigmas” ou

“quebra-cabeças” (puzzles) no interior do paradigma.

Analogia com a montagem de jogos de

quebra-cabeça.

(8)

Regras do jogo na ciência normal

derivadas do paradigma:

- comprometimento com as leis,

conceitos e teorias gerais fornecidas

pelo paradigma (por exemplo, leis de

Newton).

-

comprometimento com os tipos de

instrumentos preferíveis e a maneira de

usá-los.

-

compromissos

metafísicos:

pressupostos acerca das entidades

existentes no Universo.

-

compromissos com o aumento de

alcance e precisão do paradigma

vigente.

(9)

POR QUE PARADIGMAS COMPARTILHADOS E

NÃO REGRAS DETERMINADAS?

As regras não dão conta da educação

científica: os cientistas aprendem as leis

gerais de um paradigma não através de

definições tais como “força é igual a massa

vezes a aceleração”, mas através da

observação e participação na aplicação

desses conceitos na resolução de problemas.

Aprendem dessa forma também o que é

considerado um problema relevante ou uma

solução aceitável.

(10)

CRISE

Descoberta de alguma anomalia: fenômeno para o qual o paradigma não havia preparado o

investigador.

Exemplo: movimento retrógrado dos planetas.

Resposta dos cientistas: ajustes e correções de modo a evitar colapso do paradigma.

Ptolomeu: epiciclos

http://www.lasalle.edu/~smithsc/Astronomy/retrogra d.html

(11)

 Outras anomalias foram sendo encontradas e

eram feitas tentativas de resolvê-las por

introdução de pequenos epiciclos dentro de epiciclos maiores.

 Um dos principais problemas que se constituiu

para os sucessores de Ptolomeu era a redução das discrepâncias do sistema, com tentativas de ajustar suas observações do céu ao sistema geocêntrico. Para isso eram introduzidos cada vez mais elementos na estrutura do universo. Isso caracteriza a resistência do cientista em abandonar um paradigma.

 Ao se defrontarem com anomalias os cientistas

“conceberão numerosas articulações e

modificações ad hoc (...), a fim de eliminar qualquer conflito aparente”.

(12)

VISÃO DE COPÉRNICO DA ASTRONOMIA DA ÉPOCA:

 A complexidade da astronomia estava

aumentando mais rapidamente que sua

precisão e as discrepâncias corrigidas em um ponto repareciam em outro.

 Nenhum sistema tão complicado e impreciso

como se tornara o ptolomaico poderia ser realmente a expressão da natureza.

(13)

 Se os problemas da ciência normal começam

a ser vistos como atacando os próprios

fundamentos de um paradigma vigente estes passam a ser uma fonte de crise: “Copérnico considerou contra-exemplos o que a maioria dos demais seguidores de Ptolomeu vira

como quebra-cabeças relativos à adequação entre a observação e a teoria.” (Estrutura, p.110)

(14)

COPÉRNICO (1453/1543):

HELIOCENTRISMO

Mudança na maneira de conceber a

estrutura do universo.

(15)

Em resumo, o que caracteriza uma crise?

As anomalias encontradas são consideradas como contra-exemplos pelos seguintes

fatores:

 atacam os fundamentos de um paradigma  se apresentam em grande número

 apresentam resistência às tentativas dos

membros de uma comunidade científica normal para removê-la.

(16)

“Quando (...) uma anomalia

parece ser algo mais do que um

novo quebra-cabeça da ciência

normal, é sinal de que se iniciou a

transição para a crise e para a

ciência extraordinária”. (p. 113)

- Anomalias quando se transformam

em contra-exemplos, conduzem a

uma mudança de paradigma que

afetará profundamente o

(17)

Comportamento dos cientistas em períodos de crise:

 Insegurança profissional.

 Descontentamento e perda de confiança no

paradigma vigente.

 Tentativas de solução dos problemas começa

a ser cada vez mais radical e com regras cada vez mais frouxas.

 Cientistas normais começam a se empenhar

em disputas metafísicas e filosóficas para defender suas inovações.

(A crise é descrita como tendo um caráter psicológico)

(18)

“A proliferação de articulações

concorrentes, a disposição de

tentar qualquer coisa, a

expressão de descontentamento

explícito, o recurso à filosofia e ao

debate sobre os fundamentos,

são sintomas de uma transição da

pesquisa normal para a

(19)

REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

Mudança de paradigma: episódios

de desenvolvimento não

cumulativo na ciência, onde um

paradigma mais antigo é

substituído total ou parcialmente

por um paradigma novo e

(20)

PARALELO COM AS REVOLUÇÕES

POLÍTICAS

 Revoluções políticas: começam com o

sentimento de que as instituições existentes deixaram de responder adequadamente aos problemas postos por um meio que em parte ajudaram a criar.

 Revoluções científicas: “iniciam-se com um

sentimento crescente (...) de que o

paradigma existente deixou de funcionar adequadamente na exploração de um

aspecto da natureza, cuja exploração fora anteriormente dirigida pelo paradigma.” (Estrutura, p. 126).

(21)

Revoluções políticas:

- “visam realizar mudanças nas instituições políticas, mudanças essas proibidas por

essas mesmas instituições que se quer mudar” (p. 126)

- êxito de uma revolução política consiste no abandono parcial de um conjunto de

instituições em favor de outro.

- na medida em que a crise se aprofunda muitos indivíduos se comprometem com projeto concretos de reconstrução da

sociedade.

- dividem-se em partidos em competição, um deles tentando defender a velha constituição e outro tentando estabelecer uma nova.

(22)

“Por discordarem quanto à matriz

institucional a partir da qual a

mudança política deverá ser atingida e

avaliada, por não reconhecerem

nenhuma estrutura supra-institucional

competente para julgar diferenças

revolucionárias, os partidos envolvidos

em um conflito revolucionário devem

recorrer finalmente a técnicas de

(23)

Revoluções científicas apresentam

características semelhantes: “tal como

a escolha entre duas instituições

políticas em competição, a escolha

entre paradigmas em competição

demonstra ser uma escolha entre

modos incompatíveis de vida

(24)

ESCOLHA ENTRE PARADIGMA RIVAIS

 Debate entre paradigmas: argumentação

circular. Cada grupo utiliza seu próprio

paradigma para argumentar em favor dele.

 Circularidade: não torna os argumentos

ineficazes, eles podem ser extremamente persuasivos.

 Escolha: não é jamais resolvida empregando

(25)

Há muitos elementos envolvidos no

julgamento de um cientista em relação aos méritos de uma teoria científica. E é da

prioridade que o cientista dá a esses

elementos que depende a decisão. Podem estar incluídos fatores como a simplicidade da teoria, a habilidade dessa teoria para resolver novos problemas considerados

como relevantes, a capacidade da teoria de prever novos fenômenos ou mesmo

elementos ideológicos e psicológicos.

Conversão: fé de que o novo paradigma vai ser bem sucedido.

(26)

“...como o próprio Copérnico reconheceu, a verdadeira atração da astronomia centrada no Sol era mais estética do que pragmática (...) ela explica a principal característica

qualitativa do movimento planetário sem usar epiciclos. O movimento retrógado, em particular, é transformado em consequência natural e imediata da geometria das órbitas centradas no Sol. Mas só os astrônomos que valorizassem mais a clareza quanlitativa do que a exatidão quantitativa (e houve alguns, Galileu entre eles) podiam considerar esse

argumento convincente em face do complexo sistema elaborado no De Relutionibus.” (A

(27)

INCOMENSURABILIDADE E O CARÁTER

NÃO CUMULATIVO DAS REVOLUÇÕES

“Aquele que leva a sério o fato

histórico deve suspeitar de que a

ciência não tende ao ideal sugerido

pela imagem que temos do seu

caráter cumulativo.” (p. 130)

Novas teorias surgem a partir de

mudanças destrutivas nas crenças

sobre a natureza.

(28)

EXEMPLO: FÍSICA NEWTONIANA E

RELATIVIDADE

 Fundamentalmente incompatíveis

 A relatividade einsteniana não é uma

extensão da mecânica newtoniana.

 Conceitos de massa, espaço e tempo não são

idênticos nas duas teorias: massa

newtoniana é conservada; massa einsteniana é conversível com energia; espaço

newtoniano é plano; espaço einsteniano é curvo.

 Incomensurabilidade: mudanças nos

(29)

Conceito de espaço em Newton e

Einstein

(30)

Ao tentar derivar leis newtonianas das leis einstenianas temos que “alterar

simultaneamente os elementos estruturais fundamentais que compõem o universo ao qual se aplicam”. (...) Essa necessidade de

modificar o sentido de conceitos estabelecidos e familiares é crucial para o impacto

revolucionário da teoria de Einstein. Embora mais sutil que as mudanças do geocentrismo para o heliocentrismo (...) a transformação resultante não é menos destruidora para um paradigma previamente estabelecido. (...) a transição da mecânica newtoniana para a einsteniana ilustra com particular clareza a revolução científica como sendo um

deslocamento da rede conceitual através da qual os cientistas veem o mundo”.(p. 137).

(31)

INCOMENSURABILIDADE

 Há diferenças irreconciliáveis entre

paradigmas sucessivos.

 Paradigmas sucessivos nos ensinam coisas

diferentes acerca das entidades do universo e o comportamento dessas entidades.

 Mudam os métodos, problemas e padrões de

(32)

“...a recepção de um novo paradigma requer com frequência uma redefinição da ciência correspondente.” (p. 138)

“A tradição científica normal que emerge de uma revolução científica é não somente

incompatível, mas verdadeiramente incomensurável com aquela que a precedeu.” (p. 138)

(33)

“...problemas anteriormente tidos como

triviais ou não existentes podem converter-se, com um novo paradigma, nos arquétipos das realizações científicas importantes. À

medida que os problemas mudam, mudam também, seguidamente, os padrões que

distinguem uma verdadeira solução científica de uma simples especulação metafísica, de um jogo de palavras ou de uma brincadeira matemática.” (p. 138)

(34)

Exemplo: escolásticos e aristotélicos explicavam a queda de uma pedra dizendo que sua “natureza” a impulsionava para o centro. Depois do século XVII isso se tornou apenas um jogo de palavras tautológicos. A partir de então, todo o fluxo de percepções sensoriais, incluindo cor, gosto e mesmo

peso, seria explicado em termos de tamanho, forma e movimento dos corpúsculos

elementares da matéria fundamental (átomos).

(35)

 Exemplo na química:

 Antes da revolução na química:

Problema: explicar as qualidades das substâncias químicas e as mudanças experimentadas por essas substâncias durantes as reações.

Padrões de solução: com o auxílio de um número de “princípios” elementares (entre eles o flogisto) os químicos deviam explicar porque algumas

substância são ácidas, outras metalinas, combustíveis etc.

Reforma de Lavoisier: elimina os “princípios” químicos, privando a química do seu poder de

explicação. Torna-se necessário uma mudança nos padrões científicos para compensar essa perda. A combustão antes explicada por princípios como o flogisto passou a ser explicada como a combinação de uma substância inflamável com o oxigênio.

(36)

“Ao aprender um paradigma, o cientista adquire ao mesmo tempo uma teoria, métodos e padrões científicos, que

usualmente compõem uma mistura

inexplicável. Por isso quando os paradigma mudam, ocorrem alterações significativas nos critérios que determinam a legitimidade tanto dos problemas como das soluções

(37)

MUDANÇA DE PARADIGMA COMO

MUDANÇA DE CONCEPÇÃO DE

MUNDO

 Paradigmas além de serem constitutivos da

ciência são em algum sentido constitutivos da própria natureza.

Capítulo 9, passagens ambíguas:

 “Guiados por um novo paradigma, os cientistas

adotam novos instrumentos e orientam seu olhar em novas direções. E o que é ainda mais importante: durante as revoluções, os cientistas veem coisas novas e diferentes quando,

empregando instrumentos familiares, olham para os mesmos pontos já examinados

(38)

 “Na medida em que seu único acesso a esse

mundo dá-se através do que veem e fazem, poderemos ser tentados a dizer que, após uma revolução, os cientistas reagem a um mundo diferente.” (p. 148)

(39)

 Mudança científica pode ser comparada a

uma mudança de Gestalt: o que eram patos no mundo do cientista antes da revolução posteriormente são coelhos.

“Transformações desse tipo, embora sejam graduais e quase sempre irreversíveis, acompanham comumente o

(40)

IMPREGNAÇÃO TEÓRICA DA

PERCEPÇÃO

 Tese segundo a qual o que um sujeito

percebe pode variar conforme as crenças, informações e teorias que ele possui

previamente:

“Ao olhar para uma carta topográfica, o estudante vê linhas sobre o papel; o

cartógrafo vê a representação de um terreno. Ao olhar uma fotografia da câmara de

Wilson, o estudante vê linhas interrompidas e confusas; o físico um registro de eventos

subnucleares que lhe são familiares.” (p. 148)

(41)

 “Somente após várias dessas transformações

de visão é que o estudante se torna um habitante do mundo do cientista, vendo o que o cientista vê e respondendo como o cientista responde.” (p.1 48)

 Esse mundo aprendido pelo cientista não

está fixado de uma vez por todas, mas é determinado pelo meio ambiente

conjuntamente com um paradigma no qual o estudante foi treinado.

 Com a mudança de paradigma em períodos

de revolução a percepção é reeducada: aprende-se a ver uma nova forma em

algumas situações com as quais já se estava familiarizado.

(42)

 Experiências psicológicas demonstram que a

percepção dos objetos varia com a

experiência e o treino prévio do participante.

 Exemplo: lentes inversoras. O sujeito

inicialmente vê o mundo todo de cabeça

para baixo. Isso porque no começo o aparato perceptivo funciona como fora treinado na ausência desses óculos. Logo que começa a aprender a lidar com o seu novo mundo, todo o seu campo visual se altera. Então os

objetos passam a ser assimilados em um novo campo visual. “O homem acostumado às lentes invertidas passa por uma

transformação revolucionária da visão.” (p. 149)

(43)
(44)

 Cartas anômalas (p. 89-90)

Esse experimento nos mostra que aquilo que vemos depende, entre outras coisas, de nossas expectativas. Como diz Hanson , “no ver existe

(45)

 Paradigma: pré-requisito para a percepção.

“O que um homem vê depende tanto daquilo que ele olha como daquilo que sua

experiência visual-conceitual prévia o ensinou a ver.” (p. 150)

Exemplo de impregnação teórica na ciência: descobrimento de Urano por William

(46)

Quando a sugestão de que o que era

primeiramente estrela e depois cometa, se tratava na verdade de uma órbita planetária, “o mundo dos astrônomos profissionais passou a contar com um planeta a mais e várias

estrelas a menos. Um corpo celeste, cuja aparição fora observada de quando em

quando durante quase um século, passou a ser visto de forma diferente depois de 1781, porque, tal como uma carta anômala, não mais se adaptava às categorias perceptivas

(estrela ou cometa) fornecidas pelo paradigma anteriormente em vigor.” (pp. 152- 153)

(47)

 A pequena mudança de paradigma forçada

por Herschel “provavelmente ajudou a preparar astrônomos para a descoberta

rápida de numerosos planetas e asteróides após 1801” (p. 153). Vinte planetas foram

identificados durante os primeiros 50 anos do século XIX.

 Mudanças na percepção são induzidas por

(48)

Exemplo: astronomia

“...será possível conceber como acidental o fato de que os astrônomos somente tenham começado a ver mudanças nos céus – que anteriormente era imutável – durante o meio século que se seguiu a apresentação do novo paradigma de Copérnico?”

- Manchas solares, montanhas na lua vistas

por Galileu.

- Cometas se movimentando através do

(49)

 “A própria facilidade e rapidez com que os

astrônomos viam novas coisas ao olhar para objetos antigos com velhos instrumentos

pode fazer com que nos sintamos tentados a afirmar que, após Copérnico, os astrônomos passaram a viver em um mundo diferente.” (p. 154)

(50)

Transformações similares de percepção na história da química:

“Lavoisier viu oxigênio onde Pristley viu ar desflogistizado e outros não viram

absolutamente nada.” (p. 155)

Ao aprender a ver oxigênio Lavoisier precisou modificar sua concepção a respeito de

muitas outras substâncias que lhe eram familiares. Ex: teve que ver um material composto onde Pristley viu uma terra elementar.

(51)

 O que ocorre é uma mudança de interpretação?

Pristley e Lavoisier viram as mesmas coisas mas interpretaram de maneira diferente?

O que ocorre durante uma revolução não é

totalmente redutível a uma reinterpretação de dados. Os dados não são inequivocamente

estáveis. O oxigênio não é ar desflogistizado. Os dados que os cientistas coletam através dos

objetos são diferentes em si mesmos. “Em vez de ser um intérprete , o cientista que abraça um novo paradigma é como o homem que usa

lentes inversoras. Defrontado com a mesma constelação de objetos que antes e tendo consciência disso, ele os encontra, não

obstante, totalmente transformados em muitos de seus detalhes.” (p. 159)

(52)

 A experiência dos sentidos não é fixa e neutra. “O

pato-coelho mostra que dois homens com as mesmas

impressões na retina podem ver coisas diferentes.” (p. 165)

Os cientistas não vêem algo como alguma outra coisa;

eles simplesmente o vêem.

 O acesso à natureza depende das categorias perceptuais

que são moldadas por um paradigma. Por tal razão, o modo de acesso à natureza muda quando muda o

paradigma, pois novas crenças e expectativas farão com que os mesmos objetos sejam vistos de modo diverso e novos objetos sejam vistos ao olhar para as mesmas

direções. É o modo de acesso à natureza que muda, não a natureza mesma (a qual nunca temos acesso direto). (Possível interpretação das passagens ambíguas)

(53)

Síntese:

 Revoluções científicas: mudança de paradigma.

 Escolha entre paradigmas rivais: depende de

argumentos de persuasão e da importância dada pelos cientistas a fatores como a habilidade de resolução de certos problemas, capacidade de

prever novos fenômenos ou até mesmo elementos ideológicos ou psicológicos.

 Progresso não cumulativo: incomensurabilidade

 Incomensurabilidade entre paradigmas: mudanças

de linguagem, mudanças nos métodos, problemas e padrões de solução, mudança de visão de

mundo.

 Impregnação-teórica: a percepção depende em

parte das crenças e expectativas daquele que percebe. Na ciência os paradigmas são

pré-requisitos da percepção. Não há dados fixos nem observações neutras.

(54)

Ressalva: rupturas no progresso científico são teóricas, os fenômenos observacionais são preservados:

 “É assim que a ciência avança: cada novo

esquema conceitual abrange os fenômenos explicados pelos seus predecessores e

acrescenta-lhes algo. [No entanto], só a lista de fenômenos explicáveis é que cresce; não existe processo cumulativo semelhante para as explicações em si. Conforme a ciência

progride, os seus conceitos são

repetidamente destruídos e substituídos...” (A revolução copernicana, p. 280)

(55)

PROGRESSO NA CIÊNCIA

 Sugere que a meta da ciência não é atingir um

ideal de verdade como querem as epistemologias mais tradicionais.

Propõe que seja entendido como uma evolução a

partir de um início primitivo, onde cada estágio se

caracteriza por uma compreensão sempre mais refinada e detalhada da natureza, e não uma evolução em direção a algo.

 Analogia com a evolução das espécies proposta

por Darwin: não há um objetivo posto de antemão por Deus ou pela natureza. A seleção natural é

responsável pelo surgimento gradual de

organismos mais elaborados, mais articulados e mais especializados.

(56)

 O desenvolvimento científico “pode ter

ocorrido, como no caso da evolução

biológica, sem o benefício de um objetivo

preestabelecido, sem uma verdade científica permanentemente fixada, da qual cada

estágio do desenvolvimento científico seria um exemplar mais aprimorado”. (p. 217)

Referências

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