Vantagens e Desvantagens da Construção de Usinas Gilberto Coimbra

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Vantagens e Desvantagens da Construção de Usinas Gilberto Coimbra

1) Introdução Notadamente após a Revolução Industrial que teve inÃ-cio no século XVIII, o tema relacionando energia e desenvolvimento ganhou destaque na preocupação das

indústrias e governos. De acordo com o Banco Mundial, o Brasil encontra-se entre as dez maiores economias do planeta, representando cerca de 2,8% do PIB mundial. Contudo, ainda é

considerado um paÃ-s em desenvolvimento. A composição da matriz energética brasileira no ano de 2011 ficou assim distribuÃ-da: - Petróleo e Derivados: 37,8%

- Gás Natural: 10,2%

- Carvão Mineral e Coque: 5,6% - Urânio(U308): 1,5%

- Hidráulica e eletricidade: 14,7 % - Lenha e Carvão Vegetal: 9,7% - Derivados da Cana: 15,7%

- Outros Renováveis: 4,1% Fonte: Brasil. Empresa de Pesquisa Energética. Balanço Energético Nacional: Ano Base

2011. Rio de Janeiro: EPE, 2012. 282p. Em se tratando da geração de eletricidade, há

diversas fontes de energia elétrica e cada paÃ-s busca encontrar aquela ou aquelas que mais se adequam ao seu perfil de acordo com seus recursos naturais e capacidade tecnológica. Podemos citar como fontes de energia elétrica: a geração hidráulica, termoelétrica, biomassa e biocombustÃ-veis, geração eólica, solar fotovoltaica e sistemas hÃ-bridos de energia. Como o tema desse artigo é tratar das vantagens e desvantagens da construção de usinas

hidrelétricas passaremos a focar o setor elétrico brasileiro. 2) Histórico do Setor Elétrico Brasileiro Ao final do século XIX, quando a atividade econômica do Brasil era significativamente agrária, a participação da eletricidade como fonte de energia era inexpressiva. Com o inÃ-cio da industrialização, fatores como concentração da população em centros urbanos e o surgimento de uma classe média impulsionaram seu uso. A partir de 1920, o número de usinas hidroelétricas instaladas no Brasil aumentou de forma constante. Seguindo uma tendência mundial, durante as décadas de 1940 e 1950, as usinas passaram a ser cada vez maiores a fim de reduzir os custos de instalação e de geração. A concentração do setor nas mãos de poucas empresas privadas dava-lhes poder para cobrar caro e influir nas diretrizes de crescimento econômico do paÃ-s. A Eletrobrás, embora constituÃ-da em 1962, assumiu posição ativa no setor elétrico nacional somente a partir da década de 1970. A partir daÃ-, a postura e a

atuação da estatal foram decisivas para a consolidação da nova estrutura produtiva e financeira do setor de energia elétrica. A polÃ-tica energética da Eletrobrás foi pautada por quatro itens: a) prioridade atribuÃ-da à opção hidroelétrica, em oposição Ã

termoelétrica;

b) estratégia de construir grandes usinas geradoras, de alcance regional em termos de mercado consumidor;

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d) objetivo de elaborar um padrão de financiamento do setor elétrico nacional, conjugando recursos de diferentes fontes, como tarifários, de impostos, de

empréstimos compulsórios e de empréstimos do sistema financeiro internacional. A partir da metade dos anos 1980, foi surgindo uma nova estrutura no setor elétrico quando o Estado

diminuiu gradativamente sua participação e intervenção direta e assumiu o papel de agente regulador e financiador, o que culminou num processo de privatização. Ao longo da década de 1990, o Brasil passou por profundas mudanças no setor elétrico. Durante o governo do

presidente Fernando Henrique Cardoso, foi implantado a livre concorrência para promover a eficiência no setor, além da regulação e da fiscalização do setor, em busca de

transparência a fim de atrair o capital privado. A perspectiva era privatizar praticamente todo o setor de distribuição de energia elétrica como condição necessária para a alocação de recursos, a criação de um programa de termoelétricas (Programa Prioritário de

Termelétricas-PPT) e implantação do Mercado Atacadista de Energia (MAE). Atualmente Câmara de Comércio de Energia Elétrica - CCEE. Foi então criada a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para atual como agente regulador do setor. O então modelo proposto para o setor elétrico não chegou a ser totalmente implementado, pois o processo de

privatização não foi concluÃ-do, da mesma forma que o PPT não se realizou. Além disso, permaneceram as incertezas regulatórias, o que desestimulou o investimento privado. Por meio do Modelo Institucional do Setor Elétrico (MISE), representado pela Lei 10.848, de 15 de março de 2004, o governo, como poder concedente, retoma o papel central nas decisões. A formulação de polÃ-ticas públicas e a realização de estudos prospectivos de planejamento da expansão do setor energético, em particular do setor elétrico, são novamente competências do MME. Outra caracterÃ-stica marcante do setor elétrico brasileiro é a centralização da produção, que é distribuÃ-da pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), formado pela empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte. Apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade do paÃ-s encontra-se fora do SIN, em pequenos sistemas isolados, localizados principalmente na região Norte. A publicação da Medida Provisória nº 579, em 11 de setembro de 2012, convertida na Lei 12.783, de 11 de janeiro de 2013, estabeleceu um novo marco regulatório para o setor elétrico brasileiro, e explicita a disposição do governo federal de reduzir tarifas e criar um ambiente de maior competitividade para o PaÃ-s. O novo cenário possibilitou a prorrogação dos contratos de concessão que venceriam em 2015 e 2017 por até 30 anos, caso as concessionárias aceitassem a remuneração de ativos já amortizados e depreciados limitada ao custo de manutenção e operação. Se a condição não fosse aceita, o concessionário poderia manter a remuneração pela regra antiga e os ativos seriam novamente licitados ao final das concessões.Ainda há um debate grande no paÃ-s sobre os prós e contra dessa medida. Governo, empresas geradoras de energia elétrica, seus

trabalhadores, a sociedade em geral, aguardam os desdobramentos dessa medida para apurar os reais benefÃ-cios da mesma. 3) Universalização do Acesso à Energia Elétrica no Brasil Garantir o acesso à energia elétrica pela população é um desafio constante, não só para os paÃ-ses em desenvolvimento, mas também para alguns paÃ-ses que, embora classificados como desenvolvidos, apresentam áreas rurais ou isoladas não eletrificadas. Altos custos de instalação e baixa densidade de consumo de energia colaboram para a baixa atratividade financeira e, assim, afastam possÃ-veis investidores privados. Resta, portanto, aos governos assumirem essa responsabilidade por intermédio da adoção de polÃ-ticas e programas que permitam aos cidadãos oportunidade de acesso à energia. No Brasil, ao longo das últimas décadas, diversos programas de eletrificação foram incentivados e conduzidos por governos federais, estaduais e algumas iniciativas de concessionárias. Dois dos mais recentes programas propostos e conduzidos pelo governo federal merecem ser citados: o Luz Para Todos ( criado pelo Decreto 4.873, de 11 de novembro de 2003 ). A ligação da energia elétrica é gratuita e inclui a instalação de três pontos de iluminação e duas tomadas de uso geral. E o PRODEEM, cujo principal objetivo foi atender comunidades carentes isoladas, não supridas por energia elétrica da rede convencional. O PRODEEM utilizou-se de quaisquer sistemas alternativos com destaque para os sistemas fotovoltaicos beneficiando escolas e residências, para o

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beneficiamento de água e para a iluminação pública, destinados unicamente a aplicações comunitárias. 4) Geração Hidroelétrica O uso de recurso hÃ-dricos para geração de energia elétrica é privilégio de poucos paÃ-ses. Disponibilidade dos mananciais, extensão de territórios e condições geográficas são fatores determinantes. A renovabilidade da fonte primária é um atrativo importante para esse tipo de empreendimento, contudo a geração hidroelétrica não é completamente isenta de impactos ambientais. Destaque importante é a condição do Brasil nesse cenário, como o segundo maior produtor de energia elétrica a partir dessa fonte primária e segundo maior em termos de participação na matriz geração interna. Isso é resultado do potencial hÃ-drico do paÃ-s e das ações e estratégias adotadas pelo governo ao longo da história do setor energético brasileiro. A tabela a seguir apresenta dados sobre a geração hidroelétrica em nÃ-vel mundial.

Dados mundiais de geração hidroelétrica - 2009 Fonte: International Energy Agency. Key World Energy Statistic 2011. DisponÃ-vel em

www.iea.org 5) Vantagens e Desvantagens da Construção de Usinas Hidrelétricas Nas usinas hidrelétricas, a água do lago ( ou reservatório ) formado pelo fechamento da barragem é transportada por canais, túneis e/ou condutos metálicos até a casa de força, onde passa por uma turbina hidráulica acoplada a um gerador, no qual a potência mecânica é transformada em potência elétrica. Depois de passar pela turbina, a água retorna ao leito natural do rio. A energia é conduzida por cabos ou barras condutoras dos terminais do gerador até o

transformador elevador, no qual sua tensão é elevada para permitir a condução, pelas linhas de transmissão, até os centros consumidores, onde, por meio de transformadores

abaixadores, o nÃ-vel de tensão é levado aos nÃ-veis indicadores para utilização. De forma resumida as vantagens e desvantagens da construção de uma usina hidrelétrica são: 5.1) Vantagens: - Baixo custo do megawatt;

- Forma de energia limpa, sem poluentes; - Geração de empregos; - Desenvolvimento Econômico;

- Regulação do curso do rio;

- Controle de enchentes e secas na região. 5.2) Desvantagens - Desapropriação de terras produtivas pela inundação;

- Impactos ambientais ( fauna e flora ), perda da vegetação e da fauna terrestres; - Impactos sociais ( relocação e desapropriação de moradores );

- Interferência na migração dos peixes; - Alterações na fauna do rio;

- Perdas de heranças históricas e culturais; alterações em atividades econômicas tradicionais da terra. Discorrendo sobre vantagens e desvantagens acrescentamos que, em comparação com as alternativas economicamente viáveis, as centrais hidrelétricas são consideradas formas mais eficientes, limpas e seguras de geração de energia. Suas atividades provocam emissão incomparavelmente menor de gases causadores do efeito estufa do que as das termelétricas movidas a combustÃ-veis fósseis, além de não envolverem riscos

implicados, por exemplo, na operação de usinas nucleares ( vazamento, contaminação de trabalhadores e da população com material radioativo, etc ). Uma descoberta mais recente a favor das usina hidrelétricas é o método para aproveitamento da madeira

inundada, que foi adotado na usina de TucuruÃ-, no rio Tocantins. Por outro lado, a construção e a utilização de usinas pode ter uma série de consequências negativas, que abrangem desde alterações nas caracterÃ-sticas climáticas, hidrológicas e geomorfológicas locais até a morte de espécies que vivem nas áreas de inundação e nas proximidades. A construção da usina de Porto Primavera, por exemplo, reduziu a planÃ-cie de inundação do alto rio Paraná a quase metade dos 809km originais. O desajuste do regime hidrológico afeta a biodiversidade da planÃ-cie e pode acarretar a interrupção do ciclo de vida de muitas espécies ( mais

comumente de peixes de grande porte e migratórios ) e a multiplicação de espécies

sedentárias ( de menos valor ), o que, consequentemente, afeta as populações ribeirinhas que vivem da pesca. Além disso, o represamento do rio e a formação do reservatório, aliado às modificações no ambiente decorrentes da presença do homem ( principalmente pelas

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migrações relacionadas à obra) provocam o desequilÃ-brio do ecossistema e favorecem a propagação de endemias como a esquitossomose, a malária e o tracoma. Ao expulsar comunidades de seus locais de origem, a inundação das represas também provoca impactos socioeconômicos de difÃ-cil superação, especialmente no caso de populações de baixa renda e que apresentam condições precárias de educação, saúde e alimentação, como ocorreu com a construção do reservatório de Sobradinho, no rio São Francisco, que afetou cerca de setenta mil habitantes, que viviam basicamente da agricultura de vazante, da pesca artesanal e da criação de caprinos, a maioria dos quais teve grandes dificuldades de

adaptação aos locais para onde foram transferidos e à prática de novas atividades para garantir o sustento. A situação é menos complicada quando a população atingida

apresenta nÃ-vel mais elevado de educação formal, como ocorreu em Itaipu. A degeneração de valores etnoculturais é outro risco apresentado pelas atividades que envolvem a instalação de usinas hidrelétricas, mais intenso quando atinge comunidades indÃ-genas ( foi o que

aconteceu nas usinas de Balbina – com os Waimiri-Atroari ) e TucuruÃ- – com os Paracanã. Não podemos deixar de citar dois desastres ambientais relacionados a construção de

hidrelétricas: Três Gargantas, na China e Balbina, nas proximidades de Manaus. A China

concluiu em 2006 a maior hidrelétrica do mundo no rio Yangtzé com capacidade de geração de 18,5 GW e um vertedouro projetado para uma vazão de 111.000m³/s. Essa obra superou a binacional Itaipu no rio Paraná com 14 GW. Contudo os impactos ambientais e sociais dessa construção provocaram crÃ-ticas no mundo inteiro e na própria China. Foi necessário o deslocamento de 1,2 milhões de pessoas de duas cidades e 116 comunidades ribeirinhas. O alagamento deve cobrir o habitat natural de 57 tipos de plantas perigosamente em risco de extinção e ameaça pelo menos mais de 400 espécies. O Brasil, em sua história recente, tem como exemplo marcante de impacto ambiental o ocorrido com a hidrelétrica de Balbina, localizada no rio Uatumã, nas proximidades de Manaus. A obra é considerada um desastre do ponto de vista técnico, financeiro, social e ecológico. A área inundada foi de 2.360km² para gerar apenas 250 MW de energia. Comparando com Itaipu, esta tem um reservatório de

1.350km² e produz 14.000 MW. 6) Propostas para minimizar as desvantagens na construção de usinas hidrelétricas Especialistas apontam como providências imprescindÃ-veis para

minimizar alguns dos efeitos adversos da construção e uso de centrais hidrelétricas o reflorestamento das margens dos reservatórios e de seus afluentes; os programas de

conservação da flora e da fauna e implantação de áreas protegidas; o inventário, resgate, relocação e monitoramento de espécies ameaçadas de extinção que ocorriam na área atingida; a avaliação dos efeitos do enchimento dos reservatórios sobre as águas

subterrâneas; o monitoramento da qualidade da água; a realização de estudos arqueológicos antes do enchimento do reservatório ( na usina de Samuel, no rio Jamari, esse procedimento levou ao resgate de fatos históricos da região, que remontam a dez mil anos). Outro consenso entre os estudiosos é a vantagem de realização de um plano de longo prazo que privilegie, sempre que possÃ-vel, a abertura em sequência das bacias de determinada região ( por oposição à prática usual de construção de usinas dispersas em bacias distintas ). Por esse método, só se iniciaria a exploração de uma bacia após outra estar quase concluÃ-do o aproveitamento de outra da região. Assim, por exemplo, a usina de Belo Monte, no rio Xingu, só seria construÃ-da após a implementação da maioria dos aproveitamentos do médio Tocantins; a bacia do Tapajós só seria explorada após estar quase esgotado o potencial do Xingu, e assim por diante. Além dos benefÃ-cios ambientais – sobretudo o gerenciamento mais eficaz dos ecossistemas -, esse sistema acarreta uma série de benefÃ-cios econômicos, como a otimização do

aproveitamento de estradas de acesso e sistemas de transmissão. Entre os diversos instrumentos criados nos últimos anos para ordenar a exploração do potencial hidrelétrico brasileiro e aprimorar as práticas ambientais no setor, alguns dos principais são a Resolução Aneel 393/98 – que estabelece que os detentores de registro de estudos de inventário deverão fazer consulta formal aos órgãos estaduais e federais incumbidos da gestão de recursos hÃ-dricos, e aos órgãos ambientais, para definir os estudos relativos a esses aspectos – e a Lei 9.433, de 1997, que instituiu a PolÃ-tica Nacional de Recursos HÃ-dricos e criou o Sistema Nacional de

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Gerenciamento de Recursos HÃ-dricos. A lei determina a articulação entre a atuação dos empreendedores, os usuários e os setores e órgãos regionais, estaduais e federais

responsáveis pelo planejamento de recursos hÃ-dricos; estabelece a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e zonas costeiras; e estipula que os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hÃ-dricos serão aplicados na bacia em que foram gerados e usados para financiar pesquisas, projetos e obras incluÃ-das nos Planos de Recursos HÃ-dricos. O gerenciamento de bacias hidrográficas por meio da integração e participação dos usuários de sua águas, de representantes dos municÃ-pios afetados e da administração federal é feito com sucesso nos Estados Unidos ( com a Tennesse Valley Authority ) e na França, que foi dividida em seis bacias hidrográficas, cada qual com agência financeira própria, encarregada de cobrar taxas pelo uso das águas e administrar esses recursos. Cada comitê de bacia tem a incumbência de aprovar periodicamente um programa plurianual, o orçamento anual e as tarifas a serem cobradas aos usuários. 7) A Construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) A construção de grandes usinas hidrelétricas tem sido alvo de crÃ-ticas pelas questões ambientais e sociais. Tal condição melhora o cenário para a

instalação das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). As PCHs representam 1,7% da matriz elétrica do paÃ-s, com 320 unidades, perfazendo o total de 2,4 GW de potência instalada ( ano base 2010 – Empresa de Pesquisa Energética). A Resolução da ANEEL 394, de 04 de dezembro de 1998, estabelece que os aproveitamentos com caracterÃ-sticas de PCH são aqueles que tem potência entre 1 e 30 MW e área inundada de até 3km², para a cheia centenária. A Lei 9.648, de 27 de maio de 1998, autoriza a dispensa de licitações para empreendimentos hidrelétricos de até 30 MW de potência instalada, para autoprodutor e produtor independente. A concessão é outorgada mediante autorização, até esse limite de potência, desde que os empreendimentos mantenham as caracterÃ-sticas de PCH. Dentre as vantagens da utilização das PCHs está a possibilidade da geração distribuÃ-da. Em geral, abastecem pequenos

centros consumidores, inclusive indústrias, e não necessitam de instalações sofisticadas para o transporte de energia. O potencial de aproveitamento hidrelétrico por região, a partir de PCH, é demonstrado abaixo: Fonte: Centro de Referência Em Pequenas Centrais Hidroelétricas. DisponÃ-vel em

www.cerpch.unifei.edu.br É válido destacar a Região Norte que, apesar de possuir enormes bacias hidrográficas, não reúne condições suficientes para o aproveitamento de PCHs. Da mesma forma, é importante ressaltar a Região Nordeste, cujo relevo e caracterÃ-sticas de solo e clima dificultam o uso dessa tecnologia. 8) Considerações Finais Não podemos, no presente momento, de forma taxativa dizer NÃO a construção de usinas hidrelétricas pelos grandes impactos ambientais e sociais apresentados. Ainda não se encontra análises de especialistas quantificando os prós e contras de utilizarmos a energia hidráulica. É um balanço talvez impossÃ-vel de se fazer entre vantagens e desvantagens. A civilização ocidental optou pelo desenvolvimento material para garantir melhor qualidade de vida e conforto nas residências. Verdade que se excedeu. Acabamos num consumismo exagerado sem razão de ser. E para mover toda essa máquina industrial e de serviços, o mundo necessita de muita energia. O Brasil é um paÃ-s de grande potencial hidráulico. Como não aproveitá-lo? Entretanto, a experiência mostra que o projeto e a construção de uma usina hidrelétrica requerem muito mais que um rio e área para formação do lago. Exige também planejamento detalhado que envolve

engenheiros, biólogos, antropólogos e arqueólogos, entre outros. Cada caso será um caso e não podemos radicalizar abandonando o uso da energia hidráulica, principalmente num paÃ-s como o Brasil. Necessitamos continuar com investimentos para uso, cada vez mais, de fontes de energias renováveis e sempre buscando minimizar os impactos ambientais e sociais resultantes. Aqui cabe reivindicar mais investimentos na geração de energia eólica e solar, pois novamente nosso paÃ-s é privilegiado por suas condições naturais. Mas vou apresentar um dado não muito animador. Assistindo a uma reportagem da DW, TV alemã, foi dito que na Alemanha há mais de 23 mil cataventos e que geram apenas 8% da necessidade de energia do paÃ-s. Ou seja, ainda é uma utopia achar que apenas com fontes de energia eólica e solar vamos mover o Brasil ou o mundo. Podemos sim, melhorar a situação com a ampliação do uso de fontes de

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energias alternativas. Obter ganhos de escala na produção de energia eólica e solar e com isso, quem sabe, não necessitaremos da construção de grandes hidrelétricas. Já seria um considerável avanço. Temos que buscar diversas ações para solucionar a questão

energética global passando pelo avanço tecnológico e também por mudanças culturais relacionadas ao consumo de bens e serviços. Citando o jornalista André Trigueiro, Nós

precisamos disseminar os valores do consumo consciente com urgência porque o tempo corre, os anos passam, e a sociedade de consumo vai se sofisticando na direção contrária à da

sustentabilidade. ( TRIGUEIRO, 2012, P.17 ) Precisamos dizer NÃO a publicidade infantil, que vem transformando hábitos e valores das crianças que preferem comprar do que brincar. O controle populacional também precisa entrar na pauta dos paÃ-ses a despeito de se ter que enfrentar posições religiosas contra essa medida. Necessitamos de um novo olhar para o mundo bem como necessitamos do esforço coletivo: cidadãos reduzindo seu consumo exagerado e dando preferência a aquisição de produtos oriundos de empresas que mostram

responsabilidade social e ambiental; cidadãos que não descartem de forma irregular o lixo doméstico ; empresas investindo em reciclagem, em tecnologia para reduzir o consumo de recursos naturais e criando produtos sustentáveis. Os governos investindo em pesquisa energética, financiamento à s empresas que querem mudar os perfis dos seus processos e produtos com menor impacto ambiental ( ecodesign ), transporte público, saneamento básico, educação ambiental. As possÃ-veis soluções não serão fáceis de serem atingidas mas precisamos começar. Com as pequenas contribuições de cada um, a cada ano vamos atingindo metas melhores. E vamos rumando para o desenvolvimento sustentável onde teremos qualidade de vida com a certeza de que gerações futuras também poderão viver em

segurança, afastando do planeta o fantasma das catástrofes ambientais que ameaçam a vida humana. Enfim, a felicidade humana passa mais pelo cultivo do espÃ-rito, a melhoria das

relações interpessoais, o autoconhecimento e o contato com as artes. Precisamos nos

convencer que o consumismo não substituirá o valor da felicidade interior proporcionado por uma vida espiritual elevada. É notório perceber que as pessoas querem viver com mais conforto e tecnologia. Viver como os silvÃ-colas não nos interessa mais. Entretanto precisamos saber o que é mais importante para a felicidade humana. E o planeta será mais respeitado e não se

vingará das nossas ações. 9) REFERÊNCIAS BOFF, Leonardo . Sustentabilidade – O Que É – O Que Não É. 1ª ed. Petrópolis: Vozes. 2012. 200p. Brasil. Empresa de Pesquisa Energética. Balanço Energético Nacional: Ano Base 2011. Rio de Janeiro: EPE, 2012. 282p. Centro de Referência Em Pequenas Centrais Hidroelétricas. DisponÃ-vel em

www.cerpch.unifei.edu.br FREITAS, Juarez . Sustentabilidade – Direito ao Futuro. 2º ed. Belo Horizonte: Fórum.

2012. 347p. International Energy Agency. Key World Energy Statistic 2011. DisponÃ-vel em

www.iea.org NETO, Manuel Rangel Borges; CARVALHO, Paulo . Geração de Energia Elétrica –

Fundamentos. 1ª ed. São Paulo: Érica. 2013. 147p. TRIGUEIRO, André . Mundo

Sustentável 2 – Novos Rumos Para Um Planeta em Crise. 1ª ed. São Paulo: Globo. 2012. 399p. ZHOURI, Andréa. As Tensões do Lugar – Hidrelétricas, Sujeitos e Licenciamento Ambiental. 1ª ed. Belo Horizonte: UFMG. 2011. 327p. Â

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