Pág. 03 O Protagonismo leigo na construção de uma Sociedade mais cristã e fraterna. Pág. 06 A vida de São Bento e o Mistério de sua medalha

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Texto

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Ano I – Edição I – Julho de 2018

São Bento nasceu em Núrsia, Itália, no ano de 480. Era de família nobre romana. Desde pequeno manifestou um gosto

especial pela oração. Fundou doze mosteiros. Antes dele os monges viviam como eremitas, isolados, sozinhos. São

Bento organizou a vida monástica comunitária e os mosteiros começaram a florescer. Todos eles seguiam a

famosa Regra de São Bento. Sua festa é comemorada no dia 11 de julho.

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O Protagonismo leigo na

construção de uma

Sociedade mais cristã e

fraterna

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A vida de São Bento e o

Mistério de sua medalha

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E se aplicássemos a Regra

de São Bento em nossa

vida Familiar?

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Não é simplesmente uma

questão de fé

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Espaço de Nossa Senhora:

Escravidão de Amor

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Editorial

Anunciamos hoje a primeira edição do que chamamos de savoirs do Blog Ministério do Acolhimento. Ele nasce da necessidade de ampliar o trabalho de evangelização, utilizando também os mais novos canais de comunicação. Os que tiverem acesso a esse singelo instrumento encontrarão inspiração para viver a acolhida cristã, a partir do Magistério da Igreja, da Palavra de Deus e das Orientações Oficiais sobre o sentido espiritual das celebrações litúrgicas.

Serão apresentadas reflexões bíblicas, indicados documentos essenciais para a formação dos leigos, e destacadas iniciativas da Igreja que são exemplo de acolhimento cristão e que merecem o apoio de todos.

As edições serão digitais e a distribuição gratuita será quinzenal. O leitor poderá contribuir com o crescimento desta obra indicando temas para publicações futuras através do Blog Ministério do Acolhimento, no link “fale conosco”.

No ano em que a Igreja o celebra e exorta o serviço dos leigos, agradecemos a Deus mais uma oportunidade de servi-Lo, e sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário, disponibilizamos a primeira edição de “Ecclesia, Atualidades e Conhecimento da Doutrina da Igreja”.

Michelle Neves Editora e Mantenedora do Blog Ministério do Acolhimento

Oração da Acolhida

Ó senhor, que eu te reconheça em cada pessoa que encontrar hoje. Que na minha acolhida, o meu sorriso exprima um convite, a minha atenção revele o respeito, a escuta se torne um dom, a paciência encoraje o diálogo, a disponibilidade se transforme em serviço, a amizade se torne esperança, o otimismo renove a confiança, a alegria alimente a comunhão, e a fé gere paz! Que eu entenda que a pessoa mais importante é aquela que esta diante de mim e que a ação mais necessária é o amor.

Amém!!!

Dica de leitura

O livro da Vida - Santa Teresa D’Ávila

Grande doutora da Igreja, cujo aniversário de nascimento é comemorado no dia 28 de março.

O "Livro da Vida" é um registro autobiográfico, em que a san- ta revela os fenômenos místicos com que foi agraciada por Deus. Sua vida foi marcada quando num belo dia, rezava diante de uma imagem de Jesus sofredor, coroado de espinhos, flagelado e com as mãos atadas e perguntou-Lhe por que Ele sofria tanto. Ao que Ele respondeu - num dom místico extraordinário - que sofria por causa das conversas vãs travadas por ela no parlatório. A partir daí, Teresa se converteu. Estava com 40 anos de idade quando iniciou a sua vida mística.

“...os homens, muitas vezes enganados pelo demônio, entregam-se a pensamentos vãos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo mais as criaturas que ao Criador (Rm 1,21.25); ou então vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, expõem-se à desesperação final.” (LG 16)

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ARTIGO

O PROTAGONISMO DO LEIGO NA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE

MAIS CRISTÃ E MAIS FRATERNA

O Catecismo da Igreja Católica define como

leigo “todos os fiéis, que incorporados a Cristo

pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e a seu modo feitos participantes da função sacerdotal, profética e

régia de Cristo,

exercem, em seu

âmbito, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo.”1 A vocação laical se diferencia da religiosa e sacerdotal na medida em que alcança horizontes mais longínquos e por isso contribui para o crescimento da Igreja, e para a santificação de toda a humanidade, ordenando as coisas do mundo, de forma que

estas se desenvolvam segundo os ensinamentos de Cristo e para o louvor do Criador e Redentor.2

Mas há um fator que está acima da condição de ser leigo, que é o “ser Igreja” e o “sentir com a Igreja”, o que se caracterizada, podemos afirmar, não somente pela voluntária afirmação do que se é, mas pela ação ordenada, que se dirige para o fim último do Homem, o Reino de Deus.

1

CIC nº 897

2 CIC nº 898

Desta forma, a ação do leigo, fora e dentro das realidades sociais, inclusive digitais, é sempre positiva, nunca se inclina para o que subtrai ou divide, mas sempre soma e multiplica, potencializando a mensagem do amor de Deus, que promove a unidade da Igreja e a vida plena.

Todas as ações que não observam tais premissas, não podem e

não devem ser

consideradas próprias do leigo cristão católico e precisam ser reordenadas, segundo a didática do Redentor, que ama o pecador, mas não o pecado.

Portanto o

protagonismo leigo se cristaliza através da sua participação no múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, cujo gérmen tem origem no batismo e se fortalece no seio da sociedade. Mas como isso acontece efetivamente?

Considerando que a causa pela qual o leigo vive é, e sempre será, a do Reino de Deus, o leigo deve se alinhar a essa premissa, abrindo-se à ação do Espírito para receber os frutos necessários para que todas as suas obras, sejam eficazes segundo o seu objetivo final.

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4 Assim, como Cristo consagrou sua missão a

Deus, através de sua vida, paixão e morte, o leigo é chamado a tornar sua vida e obras “hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Cristo” (1Pd 2,5).

Exemplos não nos faltam:

Guido Shäffer, médico, surfista e seminarista, oferecia voluntariamente seus serviços profissionais aos mais pobres, sem deixar de viver a sua juventude através do esporte, e foram os testemunhos de amor a Deus, através do próximo, que o

conduziu ao encontro da vocação sacerdotal; Odetinha, mesmo menina, tinha uma vida de oração e caridade para com os mais necessitados, Zélia e Jerônimo, que mortos no início do século passado ainda inspiram tantos fiéis, tiveram vidas marcadas por uma profunda experiência de Deus, educando seus treze filhos na fé (nove

seguiram ordem

religiosas; quatro faleceram).

Tantos outros homens e mulheres leigos

participaram do múnus Sacerdotal de Cristo, e apesar de não serem postulantes à beatificação, são reconhecidos por seu compromisso cristão, como por exemplo a Dra. Zilda Arns, médica e sanitarista que fundou a pastoral do menor, e que morreu em missão pastoral no Haiti, no ano de 2010.

E há ainda aqueles que estão bem próximos a nós, nas comunidades eclesiais, no ambiente do trabalho, ao lado de nossas casas e, os quais, sob a inspiração do Espírito, também

nos chamam a acolher Cristo na dinâmica de nossa história.

A ação do leigos também pode corresponder ao múnus profético de Cristo, ao enaltecer a fé e testemunhar a graça, são capazes de promover grandes mudanças sociais.

A força da Palavra anunciada no contexto do dia-a-dia, para crentes e descrentes, é um remédio eficaz, para uma sociedade cada vez mais submersa no pecado, pois expressa o amor, edifica pessoas e ambientes, coloca Cristo no centro do mundo.

Através do dom do ensino, tal protagonismo pode ser exercido através da formação catequética e do ensino das ciências sagradas.

Nos meios de

comunicação social e no pronunciamento acerca das questões da Igreja, de acordo com a competência de cada um, é salutar, mas deve salvaguardar com mais afinco o fortalecimento da fé de seus interlocutores, os costumes, a doutrina e a devida reverência para com os pastores3.

Importa destacar o quanto pode ser grandiosa a novidade das mídias digitais quando usadas ordenadamente para edificar a Igreja, inspirar ações, santificar homens e mulheres, ultrapassar fronteiras geográficas e existenciais, e com isso, prestar a Deus, na santidade de vida, o culto de adoração.

3 CIC nº 907

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5 Ao desbravar as redes sociais, não nos pode

fugir a imagem de São Paulo, que a partir da experiência de Cristo foi feito apóstolo dos gentios, anunciou o Ressuscitado, formou e acompanhou comunidades inteiras, levou a esperança e fortaleceu a fé de tantas pessoas que caminhavam “sem destino”.

Enfim, quantas oportunidades há hoje para levar a Palavra, quantas graças podem ser derramadas sobre a humanidade a partir da ação missionária desenvolvida pelos leigos mundo afora, com apenas um “clic”.

Mas o exercício do múnus profético requer maturidade e responsabilidade, pois o leigo que anuncia a si próprio, não salva nem ele mesmo. É importante compreender que o anúncio da Palavra não comporta “achismos”, tampouco justificativas bíblicas, para desferir opiniões que não abarcam a Verdade de Cristo, e aqui o múnus régio tem o papel mais importante no protagonismo leigo.

A primeira experiência de Cristo, após o batismo, foi se permitir a tentação, e reafirmar a sua obediência e fidelidade ao desígnio de Deus e com isso deixar aos seus discípulos o ensinamento acerca do dom da liberdade, que vence o pecado.

Numa época em que o prazer, o poder e o sucesso seduzem tantas pessoas, especialmente os jovens, a liberdade régia vem nos ensinar que tudo isso se dissolve e, deixa de herança somente o pecado e o vazio existencial.

O remédio para tais mazelas mundanas é o exercício das virtudes, cujo exemplo contamina positivamente instituições, comunidades, lideranças e mesmo os ambientes onde Deus é ignorado e rejeitado.

O protagonismo leigo não está, portanto, no estardalhaço da popularidade que se distância da misericórdia, dos valores morais, das bem-aventuranças.

Se todas as formas de ação que se distanciam do exemplo de Cristo são fadas ao fracasso e a dor, posto que passageiras, o protagonismo do leigo está exatamente no caminho contrário: na consciência de que Deus é absoluto e que tudo está sob o seu domínio.

Logo, a vida cristã não pode ser pautada pelo glamour do mundo, mas para o serviço do Reino, para a caridade, para o bem comum. Por isso, é tão importante discernir sempre sobre nosso animus opperandi; se nossas ações contribuem para o crescimento da Igreja, para a nossa santificação e dos nossos semelhantes, ou são reflexo das nossas paixões; se seguimos os ensinamentos de Cristo ou agimos segundo nossos próprios pensamentos e vontades, ou pior, ao sabor do momento, sem qualquer reflexão sobre as consequências dos nossos atos; se temos apreço por ações ordenadas para o fim último dos homens, enfim, se agimos como testemunhas e instrumentos vivos dos desígnios de Deus, em Cristo.

É assim que o cristão leigo exerce o seu protagonismo no mundo!

Michelle Neves

Pelo Blog Ministério do Acolhimento

Conheça mais sobre a missão

dos leigos na Igreja

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DESTAQUE

A VIDA DE SÃO BENTO E O MISTÉRIO DE SUA MEDALHA

A VIDA DE SÃO BENTO

Fonte principal de informação sobre o patriarca e legislador do monaquismo ocidental é São Gregório Magno, que lhe dedicou o inteiro livro II dos seus Diálogos.

Bento nasceu no território da Núrsia, de família abastada. Sua data de nascimento, fixada tradicionalmente em torno do ano 480, talvez possa ser atrasada de uma dezena de anos. Foi enviado a Roma para completar a sua formação literária, mas logo em seguida abandonou a atmosfera corrompida da cidade,

retirando-se para uma vida solitária na proximidade de Subiaco, após uma breve permanência em Enfide. Durante um breve período de tempo esteve na direção de um mosteiro junto a Vicovaro. Em seguida, com o aumento progressivo dos seus discípulos, fundou doze mosteiros no vale do Aniene, cada um dos quais era constituído de doze monges, sob a autoridade de um abade. Em consequência de intrigas contra ele, deixou Subiaco, talvez aí pelo ano de 529, fixando residência em Montecassino, onde fundou um mosteiro no lugar de um antigo templo pagão. Aí compôs, pelo menos em sua redação atual, a Regra para os seus cenobitas. A sua fama se ampliou cada vez mais; o rei Tótila, desejoso de conhecê-lo, foi visitá-lo em Montecassino. A data da morte de São Bento pode ser fixada provavelmente em torno de 547.

MEDALHA DE SÃO BENTO

A Medalha de São Bento é um objeto sagrado examinado e aprovado pela Igreja, e que reúne a virtude triunfante da Santa Cruz, que nos salvou, à recordação de São Bento, um dos mais ilustres servidores de Deus.

A honra de figurar na mesma medalha com a imagem da Santa Cruz foi concedida a São Bento, por um Breve do Papa Bento XIV (em 12.03.1742), com a finalidade de indicar a eficácia que aquele sagrado sinal teve em suas mãos. São Gregório Magno, que escreveu a vida do santo Patriarca, no-lo representa dissipando com o sinal da Cruz suas próprias tentações, e quebrando com o mesmo sinal, feito sobre uma bebida envenenada, o cálice

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7 que a continha. Além da imagem da Cruz e da

figura de São Bento, a medalha traz ainda certo número de letras, cada uma das quais representa uma palavra latina. Essas letras misteriosas acham-se dispostas na face da medalha em que está representada a Santa Cruz. Examinemos, em primeiro lugar, as quatro que vêm colocadas entre as hastes da referida Cruz:

“C S P B”, que significam: Crux Sancti Patris Benedicti; em português, Cruz do Santo Padre Bento. Na linha vertical da cruz, lê-se: “C S S M L”, o que quer dizer: Crux Sacra Sit Mihi Lux; em português, A Cruz

Sagrada seja a minha luz. Na linha horizontal da mesma Cruz, lê-se: “N D S M D”, o que significa: Non Draco Sit Mihi Dux; em português: Não seja o dragão o meu guia. Reunindo-se essas duas linhas forma-se um verso latino, pelo qual o cristão exprime sua confiança na Santa

Cruz e sua

resistência ao jugo

que o demônio lhe quer impor.

Ao redor da medalha existe uma inscrição mais extensa, a qual em primeiro lugar apresenta o santíssimo nome de Jesus, expresso pelo monograma bem conhecido: IHS (Iesus Hominum Soter; Jesus Salvador dos Homens). A fé e a experiência nos certificam a onipotência desse nome divino. Vêm depois, em sentido horário, as seguintes letras: “V.R.S.N.S.M.V.S.M.Q.L.I.V.B.”. Essas iniciais representam os dois versos que seguem:

Vade retro Satana; nunquam suade mihi vana:

Sunt mala quae libas; ipse venena bibas.

Em português: Retira-te, Satanás; nunca me aconselhes coisas vãs, é mau o que tu me ofereces: bebe tu mesmo teus venenos.

O documento mais antigo contendo as inscrições da medalha data do século XV – muito posterior, portanto, a São Bento. A devoção à medalha provavelmente teve origem no território da atual Alemanha e começou a se difundir a partir do século XVII.

O uso da medalha, como visto acima, é aprovado pelo Magistério da Igreja desde o século XVIII. Trata-se, portanto, de um sacramental, ou seja, um “sinal sagrado (...) pelo qual são santificadas as diversas circunstâncias da vida” (CIC 1667). O cristão não deve pensar que o simples uso de um sacramental, tal como a medalha de São Bento, é suficiente para afastar todos os assaltos do inimigo ou outros males físicos e espirituais. Como sinal sagrado, o sacramental existe para ser um poderoso auxílio, a fim de que, tendo sempre à vista, lembremo-nos de Deus, da necessidade de levar uma vida de caridade e oração e da frequência aos sacramentos da Igreja, sobretudo ao sacramento da Penitência e da Eucaristia. Usar a medalha de São Bento deve nos recordar ainda a intercessão contínua desse grande santo por todos nós. Agindo assim, estaremos afastando toda a mentalidade mágica e supersticiosa que ronda e deturpa o sentido verdadeiro dos sacramentais da Igreja.

Fonte: Site do Mosteiro de São Bento Rio de Janeiro

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E SE APLICÁSSEMOS A REGRA DE SÃO BENTO

EM NOSSA VIDA FAMILIAR?

Regra de São Bento é a normativa que o

santo padroeiro da Europa estabeleceu para suas comunidades monásticas. Elas deveriam preservar a civilização, a cultura, a paz e o amor num contexto de violência, corrupção e saqueamento que marcava o Império Romano. Seus 73 capítulos, guiaram, durante 15 séculos, a vida de dezenas de milhares de homens e mulheres em centenas de comunidades de todo o mundo. Podemos considerá-la uma “fórmula comprovada” de como viver como cristãos em comunidade. E se tentássemos aplicar a Regra na vida familiar do século XXI? As famílias cristãs desse século também tentam ser como os mosteiros do século V, ou seja, ilhas de paz, amor e respeito a Deus, cercadas por um ambiente exterior hostil, bárbaro e impiedoso, que vive de criar ruínas e saqueá-las.

Esta é a tese de um livro de 2014 do sacerdote beneditino Massimo Lapponi, publicado na Itália com o título de “São Bento e

a vida familiar” (Libreria Editrice Fioentina,

versão em espanhol em ebook e WordPress). Ele destaca que a Regra Beneditina, quando aplicada à vida familiar, produziria mudanças nestas seis áreas:

1) Mudanças no trabalho

Como num mosteiro (com seu ora et labora), todos deveriam ajudar nos afazeres domésticos, aceitariam os trabalhos e os encarariam como um serviço como outro qualquer. Além disso, ficaria claro que a vida profissional não deveria ser mais importante do que a vida familiar.

Os filmes e as brincadeiras deveriam ser compartilhados com todos. Existiriam desafios de recreação e brincadeiras comuns depois do jantar em família, dando uma pausa no ritmo para nos encontrarmos e descansarmos. “O repouso é um momento de comunhão com Deus e com as almas e de alegria por essa comunhão”, escreve o autor.

2) Mudanças nos momentos de descanso

Os filmes e os jogos seriam compartilhados com todos. Existiriam momentos de recreação e brincadeiras comunitárias depois do jantar em família, dando uma pausa no ritmo para descansar. “O Repouso é um tempo de comunhão com Deus e com as almas, e de alegria por essa comunhão”, escreve o autor.

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3) Mudanças nas refeições

Rezaríamos antes das refeições. E todos os membros da família comeriam juntos, não em horas diferentes ou em salas e quartos separados. Seria um momento de conversa, de troca de ideias e experiências. O ato de fazer uma refeição com todos reunidos ajuda a família, não somente porque dizem os beneditinos, mas também porque isso foi comprovado em vários estudos sociológicos. Mas, para isso, a TV deve estar desligada.

4) Mudanças nos hábitos de consumo

Uma família “ao estilo beneditino” evitará o luxo e a superficialidade. Não encherá os quartos dos filhos de coisas e brinquedos. Será estabelecida uma grande sobriedade no uso dos aparelhos eletrônicos, tanto entre os pais, quanto entre os filhos (horários de telas apagadas, limitar o uso de telas etc). A família tentará fazer com que o uso de aparelhos eletrônicos seja comunitário: melhor ver juntos uma película do que cada um ir jogar um game diferente em seu dispositivo particular. De qualquer forma, reduzindo o tempo de exposição a esses dispositivos, a leitura e o diálogo serão fomentados.

5) Mudanças na vida de oração

Haveria um lugar e um horário para rezar. Pode ser um pequeno altar para a oração comunitária. Mas a “invasão mundana” deverá ser bloqueada, criando um clima em que pais e filhos possam se encontrar com Deus todos os dias.

6) Mudanças na caridade e solidariedade

A família tentará evitar centrar-se ou fechar-se em si mesma: será acolhedora, buscará aliviar os sofrimentos alheios, colocará os filhos em contato com os menos favorecidos.

Dessa forma, Massimo Lapponi incentiva os leitores a colocar essas medidas em prática. “As famílias de hoje são chamadas a ser ilhas luminosas de fé, de educação no seu bairro, no colégio, no supermercado, no parque, com os amigos… Trata-se de construir o futuro, como fizeram os filhos de São Bento, buscando a Deus”, disse o autor.

Lapponi apresenta o livro com uma citação de São Cipriano: “Não falamos de grandes coisas; apenas as vivemos”.

Artigo originalmente publicado por Religión

en Libertad, traduzido e adaptado ao

português. Publicado no site Aleteia.

Ó meu Deus, quando tomo consciência da Vossa imensidade e beleza, alegro-me indizivelmente por ser tão grande o senhor a quem sirvo. Com amor e alegria cumpro a Sua santa vontade, e quanto mais

O conheço, tanto mais ardentemente desejo amá-Lo. Abrasa-me o desejo de O amar cada vez mais.

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10 ATUALIDADE

NÃO É SIMPLESMENTE UMA QUESTÃO DE FÉ

Faz tempo que o tema “descriminalização do aborto” é assunto em diversos âmbitos da sociedade brasileira, e não é para menos. Há décadas, grupos de ativistas, cada hora com um argumento diferente, tentam sem sucesso, a mudança da lei para legalizar a prática, além dos casos previstos no Código Penal (gravidez mediante estupro, risco iminente da vida da mãe).

Em pesquisa realizada pelo Ibope, no ano de 2017(https://bit.ly/2AM3htA), apenas 10% (dez por cento) das pessoas entrevistadas, concordaram com a frase “O aborto deveria ser permitido no Brasil em qualquer circunstância.” O tema da pesquisa de opinião pública “ENTRE A DESCRENÇA NO PRESENTE E A

ESPERANÇA NO FUTURO” revela, ousamos afirmar, que 90% (noventa por cento) da população brasileira mesmo diante de um contexto de crise econômica, corrupção, violência generalizada, crê num futuro melhor e descartam absolutamente, quaisquer propostas onde a vida, que é um direito

fundamental e inviolável, como reconhecido na Carta Constitucional, sofra qualquer ameaça.

O resultado não é fruto de uma cultura judaico-cristã, religiosa, arcaica, retrógrada, discriminatória, e que precisa de um choque de evolução, como os defensores do aborto, mais conhecidos como promotores da cultura da morte, tentam se fazer acreditar, mas é o retrato fiel de um povo consciente de que o direito à vida, desde a concepção até a morte natural, como previsto no Código Civil Brasileiro, no seu artigo 2º, é a base de todos os demais direitos e do próprio Estado Democrático de Direito.

Sendo um direito fundamental e inviolável, a vida não está elencada em primeiro lugar no caput do artigo 5º da Constituição Federal à toa. Trata-se, o citado dispositivo legal, de uma

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11 cláusula pétrea, e por isso, de singular

importância, só passível de mudança, com uma nova constituinte.

Outrossim, a Nação Brasileira, legitimamente representada, também é signatária de Tratados Internacionais (Declaração Universal de

Direitos Humanos e Pacto de São José da

Costa Rica) que têm força supraconstitucional,

e assim, está comprometida a defender a vida, desde a concepção.

A razão pela qual os defensores do aborto não desistem da sua descriminalizaçã o é velha conhecida pelo senso comum, são eles, de fato, totalmente

alheios ao direito

da mulher

(especialmente as negras e pobres), uma vez

que não lutam pelas suas necessidades mais urgentes, o que podemos constatar pelos baixíssimos investimentos na pesquisa e no tratamento contra o câncer de mama, acompanhamento à gestação, formação profissional, creches populares, direitos trabalhistas, sem contar a carência de outros projetos de lei que beneficiariam essa camada da população.

E para piorar, omitem as consequências psicológicas e físicas sofridas pelas mulheres

quando (e se) praticarem o aborto. Portanto, vendem uma ideia de “aborto seguro”, quando na realidade ele não existe, nem mesmo para a mãe.

Seu ideal também não é econômico, posto que as mais conceituadas academias afirmam em suas pesquisas que o aborto não é a solução para o controle da natalidade, o desenvolvimento sustentável e consequente a extinção da miséria . Ao contrário! É de fácil acesso os dados científicos que comprovam que em países que adotam o aborto “sem consequências e responsabilidade s”, como por exemplo, Cuba, a população foi reduzida e envelheceu, na miséria (https://bit.ly/2Km vTPm), causando também danos aos sistemas de previdência social, gravemente atingidos pela redução da natalidade e o aumento da longevidade.

O infanticídio de meninas na China, tema silenciado pelos defensores do aborto e todas as feministas, cujos detalhes da execução causam horror a toda a humanidade, gerou consequências sérias ao país, que depois de trinta anos, resolveu suspender a política de controle de natalidade, até então adotada, face ao total desequilíbrio previdenciário. (https://bit.ly/2IxZ68o).

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12 Em todos esses casos, e em outros mais, a

prática do aborto não atinge só o nascituro, que inocente, é condenado à morte sem mesmo poder exercer o direito de se defender - o que também um direito tutelado pela legislação pátria -, mas toda a sociedade.

A verdade é que a insistência dos defensores da descriminalização do aborto, não visa o bem comum, a justiça e a equidade, mas interesses (financeiros e ideológicos) de grupos que buscam abocanhar o dinheiro público, com o argumento falacioso de que a prática (criminosa) deve ser financiada pelo Estado, e com isso engordar algumas contas pessoais, o que quer dizer que muitos são meros ativistas, que repetem de forma barulhenta e agressiva um discurso montado, cujo teor não conseguem sequer sustentar. Assim, descomprometidos com as prerrogativas da sociedade, não medem esforços para alcançar seus objetivos.

E é isso que representa a ADPF 442, cujo julgamento está previsto para os dias 03 a 06 de agosto. Proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), cuja marca é o pouco (ou nada) que fez de concreto

para a tutela dos direitos mais urgentes das mulheres brasileiras, e que agora, confronta o entendimento dos parlamentares

constitucionalistas.

A criminalização do aborto, prevista no Código Penal de 1940, recepcionada pelo

legislador constituinte, que reconheceu ser da competência do legislador ordinário disciplinar a matéria, não concedeu às mulheres o direito de praticar o aborto, mas isso não quer dizer que houve, em algum momento, omissão do Poder Legislativo sobre o assunto.

No ano de 1991, o Projeto de Lei 1135, proposto pelo Deputado Eduardo Jorge (PT/SP) e Sandra Starling (PT/MG), tinha como objetivo a extinção do artigo 124 do Código Penal. Após os trâmites legais, a Câmara dos Deputados, através da Comissão de Seguridade Social e Família, entendeu por rejeitar o projeto, mantendo a criminalidade do aborto (https://bit.ly/2tyAk30).

Só na Câmara dos Deputados tramitaram ou estão em trâmite nove projetos de leis e dois requerimentos sobre o tema aborto: PL 20/1991; PL 343/1999; PL 1459/2003; PL 489/2007; PL 1545/2011. PL 5069/2013; PL 882/2015 (de autoria do Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ); PL 4642/2016; REQ. 143/2016 e REQ. 22/2016 e no Senado Federal dois Projetos de Lei e um requerimento: PL

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13 461/2016, PL 46/2017; REQ. 24/2015.

Ou seja, se não houve mudança da lei adjetiva penal, foi porque assim entendeu os legítimos e eleitos representantes do povo brasileiro (o qual fazem parte, políticos do PSOL), que preferiu manter a tipificação do aborto como crime. Logo, não há que se Arguir Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).

O que o partido busca é usurpar a competência do Poder Legislativo, cuja capacidade jurídica de legislar emana do povo, por voto direto, judicializando o tema.

Ao “transferir” a causa para o Supremo Tribunal Federal, visa que esse ultrapasse sua

função de legislador negativo, cabível no controle concentrado da constitucionalidade, e atue como legislador ordinário, em clara tentativa de violação ao Princípio da Separação de Poderes.

Por fim, há que se concluir que a ADPF 442 é a comprovação de que o partido não está comprometido com os anseios do povo, desrespeita os eleitores e todo o corpo legislativo da Nação, sendo a referida arguição, um incontestável atentado ao Estado Democrático de Direito.

Michelle Neves Advogada

Oração a Nossa Senhora Protetora dos Nascituros

Por Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ

Senhora e Mãe nossa, é com santa angústia e zelo fraterno que nos dirigimos a ti, amiga e defensora de todas as crianças, nascidas e por nascer. Tu foste "às pressas" para santificar, por meio do teu Filho, Jesus, a uma criança que estava prestes a nascer. Cuidaste de tudo, com carinho e desvelos de Mãe. Agora, queremos invocar-te como PROTETORA DOS NASCITUROS, muitos em perigo de serem assassinados, trucidados, antes de verem a luz do dia. É o maior escândalo, o pior crime contra a humanidade toda. O útero materno, querida Mãe, tornou-se o lugar mais inseguro e violento da terra. Tu bem o sabes e, certamente, choras como choraram as mães de Belém, na matança dos seus inocentes filhinhos (Mt 2,16-17). Vem, depressa, em socorro de todos os NASCITUROS, levando-lhes, com teu Jesus, a certeza e a garantia

de VIDA, de sobrevivência digna, de acolhida num lar afetuoso e de merecida educação. Tu o podes fazer, porque levas Jesus contigo, e porque "para Deus nada é impossível" (Lc 1,37). Antecipadamente, ó Mãe e PROTETORA DOS NASCITUROS, te agradecemos este imenso favor: por Jesus Cristo, teu Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

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14 Espaço de Nossa Senhora

ESCRAVIDÃO DE AMOR

A palavra "escravidão", por si só, nos assusta... Lembra a história de sofrimentos físicos, privação da liberdade, olhares vazios, rotina sufocante... E faz com que nossos rostos apresentem um susto inicial...

E aí ouvimos falar dos Escravos de Nossa Senhora... Quando associamos a Mãe à escravidão, logo percebemos que a imagem inicial não combina com o relacionamento que

mantemos com

Maria. E este é o caminho que nos indica São Luís Maria Grignion de Montfort, seguido desde a juventude pelo Beato João Paulo II, como um caminho "fácil, curto, perfeito e seguro para o céu" (TVD 152).

Em que consiste, então, a escravidão a Nossa Senhora?

É o voto realizado por justos e santos, de livre, espontânea e amorosa vontade, a Deus e ao seu serviço. É o dar-se integralmente com tudo que possui ou possa adquirir, sem nenhuma exceção, sem nada exigir. É colocar-se totalmente na dependência de Jesus, pela honra exclusiva de lhe pertencer.

E como dar mais honra e prazer ao Rei do que tornar-se mais perfeitamente escravo, se não como escravo da Rainha? Como cumprir o voto com a dignidade que lhe cabe do que através da Mulher pela qual Jesus nos veio? Não foi este também o caminho escolhido por

Ele e pelo qual passou a maior parte de sua Vida, além de anunciar que Ele seria o Caminho?...

Que ideal maior não é o assumir com plenitude os votos de nosso Batismo?

O conceito de "escravidão", com certeza, já se tornou outro em nossos corações... Despertou em nós a vontade... Cresceu em nós o amor... Inspirou-nos a sair de nós mesmos e ir ao

encontro...

Encontro nosso com o amor de Deus através de Maria. Anseio que só o Filho pode saciar... Viver na perspectiva do Reino, já presente entre nós. Mas a palavra "escravidão" também é carregada de força. Sabemos dos problemas que precisamos enfrentar em nós e entre nós. Vivemos num mundo que é indiferente a Deus e isto nos causa dor e confusão. Nem sempre somos cristãos o suficiente para testemunhar nossa fé... E fazemos escolhas que não queremos... (cf. Rm 7, 19)

Ser "escravo" é não ter escolha. É assumir quem somos e fazer o que Ele nos disser (cf. Jo 2, 5)... É ter a consciência de viver em um campo de batalha, armados com os instrumentos da fé, comandados por Maria, sem medo de enfrentar o que poderia nos afastar de Deus... É sermos conduzido pelas mãos da Mãe...

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15 E quem são estes escravos de Maria?

São os "... verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, andando nas pegadas de sua pobreza e humildade, do desprezo do mundo e caridade, ensinando o caminho estreito de Deus na pura verdade, conforme o santo Evangelho... sem se preocupar nem fazer acepção de pessoa alguma, nem poupar, escutar ou temer nenhum mortal, por poderoso que seja. Terão na boca a espada de dois gumes da palavra de Deus; em seus ombros ostentarão o estandarte da cruz, na direita, o crucifixo, na esquerda o rosário, no coração os nomes sagrados de Jesus e de Maria e, em toda a sua conduta, a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo." (TVD 59)

Que bonito é ser escravo de Jesus através de Maria!... É viver no mundo sem ser do mundo!...

Quer conhecer mais? São Luís Maria Grignion de Montfort organizou este caminho através do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Eis alguns lugares na rede que você pode ter acesso a este e a outros materiais de aprofundamento:

Consagra-te.com - https://bit.ly/2KsQbH4

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem/RJ - https://bit.ly/2Mnwb92

Vandeia Ramos Consagrada Mariana

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