comunidades virtuais
Alexandra Okada Saburo Okada Daniela M. V. Barros Daucy M. de Souza Paulo Moreira 1. Introdução.A aprendizagem aberta tem sido considerada um novo paradigma para propiciar maiores oportunidades de acesso, construção e socialização do conhe-cimento. Seu principal fundamento é o amplo acesso a materiais e tecnologias, opções em relação aos conteúdos e metodologias, e grande abertura a diversos públicos em diferentes locais, culturas e contextos (WILLINSKY, 2006; CEDERGREN, 2003; REAGLE, 2007). A educação aberta visa preparar aprendizes para que eles possam gerenciar seu próprio processo de aprendizagem. No entanto, os desafi os da aprendizagem aberta são vários. Os aprendizes precisam estar abertos para um processo mais autônomo, ter habilidades para uso das tecnologias que podem fa-cilitar seu processo de aprendizagem, e visão crí ca para selecionar o que é signi-fi ca vo e relevante. A equipe pedagógica, por usa vez, precisa oferecer apoio na preparação de conteúdos mais claros, na organização de um ambiente colabora vo e em estratégias de mediação da aprendizagem que possam guiar os aprendizes na construção de conhecimentos (OKADA A. 2007).
O tema deste capítulo foca nos desafi os dos mediadores em comunidades virtuais para promover maior par cipação e aprendizagem colabora va no processo de educação aberta.
O campo deste estudo é uma das comunidades abertas: CoLearn - Co-munidade de Pesquisa em Aprendizagem Colaborativa do Projeto OpenLearn da Open University. Os participantes do CoLearn têm utilizado duas tecnologias em diversas atividades de pesquisa e aprendizagem: o aplicativo de webconferência FM (http://fm-openlearn.open.ac.uk) e o software de mapeamento Compendium (http://compendium.open.ac.uk). O objetivo deste trabalho, que é parte de um amplo programa de pesquisa (Open Sensemaking Communities, BUCKINGHAM SHUM, 2007), é identificar quais são os recursos destas duas tecnologias e ações pedagógicas que podem favorecer intermediação pedagógica múltipla em comu-nidades online visando potencializar educação aberta e diferenciados estilos de aprendizagem.
2. Intermediação Pedagógica Múltipla e Estilos de Aprendizagem
A Intermediação Pedagógica Múl pla refere-se a uma abordagem na qual to-dos os aprendizes par cipam a vamente. Toto-dos os par cipantes podem atuar como mediadores pedagógicos ao lado dos professores e colaboradores (autores consultados e palestrantes convidados). A intermediação pedagógica múl pla propicia a aprendiza-gem mediada por todos. Todos aprendem com todos (professores, monitores, tutores e aprendizes). Todos os par cipantes são co-responsáveis e co-autores da produção cole va de conhecimentos. Todos eles auxiliam um ao outro na sua produção individual (autoria própria) e cole va (trabalho colabora vo) (OKADA S., 2008).
O processo ensino-aprendizagem se efe va numa relação entre os indivídu-os, as informações e a interpretação de signifi cados que são atribuídas para constru-ção de conhecimentos em diferentes contextos. O intermediador pedagógico (OKADA S., 2008) deve atuar a vamente como um sujeito que se insere no processo de apren-dizagem de um grupo e interage com os outros sujeitos visando à construção cole va de signifi cados. “A especifi cidade de sua intervenção educa va consiste em dedicar par cular atenção às relações e aos contextos que vão se criando, de modo a contri-buir para a explicitação e elaboração dos sen dos (percepção, signifi cado e direção) que os sujeitos em relação constroem e reconstroem” (FLEURI, 2000, p. 80).
A atuação do intermediador pedagógico amplia-se quando ele assume uma a tude interdisciplinar como busca de conhecimento e, que caracteriza o conheci-mento cien fi co, a construção de uma nova ordem educa va em acordo com o social. A intermediação online torna-se valorosa - colaborando para a transformação social - à medida que atende o pensamento complexo (MORAES, capítulo 5) e mul rrefe-rencial da interdisciplinaridade (FAZENDA, 1991). As tecnologias com seus recursos intera vos, os so wares de mapeamento cogni vo são fundamentais para que se estabeleça de forma signifi ca va e proveitosa a relação dialógica com os par cipantes da comunidade virtual através dos diversos recursos midiá cos digitais.
Aprender de forma signifi ca va (AUSUBEL, 1978) é inves gar, conhecer, desenvolver habilidades conectando conhecimentos existentes com novos conceitos para construir novos signifi cados. Quando aprendizes atuam como intermediadores pedagógicos trocando seus conhecimentos, questões provocadoras e opiniões crí -cas de tudo que é compar lhado abrem novas oportunidades para inves gação, pes-quisa e colaboração. “O aprendizado signifi ca vo acontece quando uma informação nova é adquirida mediante um esforço deliberado por parte do aprendiz em ligar a informação nova com conceitos ou proposições relevantes preexistentes em sua es-trutura cogni va” (AUSUBEL, 1978, p. 159).
Trata-se de um processo no qual um aprende com o outro, e cada um aprende ensinando via feedback constru vo. A par cipação a va e o desenvolvimento do pen-samento crí co através da dialogicidade e intera vidade propicia o desenvolvimento da própria autoria (DEMO, capítulo 2) no processo da aprendizagem inves ga va. O ato de conhecer indica um “ato de interpretação, uma assimilação do objeto de conhecimento às estruturas mentais do ser humano, a um sistema de signifi cações” (MERCADO, 2000, p. 5) construídas pelos próprios aprendizes via intermediação pedagógica múl pla.
A aquisição de conhecimento representa uma via de crescimento e transformação pessoal, e a sua socialização é uma forma de
crescimento e transformação cole va. Para que essa aquisição se torne signifi ca va para o indivíduo precisa ser por ele construída. Tal construção não é apenas individual. Ela é construída numa interação com o meio, e este não é apenas sico, é fundamentalmente social (BRAZ DA SILVA, 1998, p. 65).
Na intermediação pedagógica múl pla (OKADA S., 2008), aprendizes e espe-cialistas interagem com seus conhecimentos prévios aprendendo uns com os outros. Um fator importante na aprendizagem signifi ca va (AUSUBEL,1978) é a consideração de que o aprendiz já tem conhecimentos existentes. Neste processo intera vo de construção cole va de redes de signifi cados (OKADA A., 2005), par cipantes são par-ceiros na construção do conhecimento. Desse modo, a comunidade consegue através da aprendizagem colabora va signifi ca va:
1. Determinar a estrutura conceitual e proposicional do conteúdo a ser apreendido.
2. Selecionar os subsunçores necessários à estrutura cogni va para a aprendizagem signifi ca va.
3. Observar quais dos subsunçores já estão conectados nas suas estrutu-ras cogni vas através do reconhecimento do que foi compreendido e ressignifi cado.
4. Iden fi car quais subsunçores ainda faltam para aprendizagem da es-trutura conceitual do conteúdo compar lhado na comunidade para a estrutura cogni va dos par cipantes de maneira signifi ca va.
A mediação compar lhada em espaços digitais ocorre através das intera-ções sociais e cogni vas via recursos midiá cos. A atuação dos mediadores colabora-dores deve considerar a importância do mapeamento e integração da diversidade das representações informais nas narra vas da comunidade e para transformar a apren-dizagem num processo signifi ca vo. Os aprendizes como intermediadores podem negociar os múl plos discursos, interpretações e representações de conhecimento cons tuindo a prá ca da mediação colabora va (DIAS, 2008).
Os es los de aprendizagem é uma teoria que potencializa o trabalho educa- vo com o uso das tecnologias e facilita a compreensão do digital para o processo de ensino e aprendizagem. Considerando essa asser va destacamos alguns elementos com base no estudo realizado das tecnologias do Projeto OpenLearn (OKADA, BAR-ROS e SANTOS, 2008).
As plataformas de aprendizagem em geral são estabelecidas por princípios de funcionalidade e não princípios pedagógicos (VALENTE e MOREIRA, 2007). O Open-Learn baseado na Aprendizagem Aberta facilita caracterís cas que contemplam não somente os princípios pedagógicos básicos da didá ca, como também, elementos que fortalecem o trabalho educa vo com as tecnologias. Essa afi rmação se dá pelo estudo das teorias de es los de aprendizagem como área da educação que favorece a diversidade de opções metodológicas, digitais e mul mídia para que se estabeleça o processo de ensino e aprendizagem (BARROS, 2007).
De acordo com Alonso e Gallego (2000) os es los de aprendizagem são traços cogni vos, afe vos e fi siológicos que servem como indicadores rela vamente estáveis
de como os aprendizes percebem, interagem e respondem a seus ambientes de apren-dizagem. Em um estudo recentemente realizado, Garcia Cue (2007) defi niu es los de aprendizagem como sendo traços de preferências pelo uso dos sen dos, ambiente, cul-tura, psicologia, comodidade, desenvolvimento e personalidade. Estes traços de origem cogni va, afe va, fi siológica servem como indicadores rela vamente estáveis, de como as pessoas percebem, inter-relacionam e respondem a seus ambientes de aprendiza-gem e a seus próprios métodos ou estratégias em sua forma de aprender.
Os es los de aprendizagem referem-se às preferências e tendências indivi-dualizadas de uma pessoa de maneira acentuada que infl uenciam em sua maneira de apreender um conteúdo. Conforme Alonso et al. (2002) existem quatro es los defi ni-dos: o a vo, o refl exivo, o teórico e o pragmá co.
• O es lo a vo. As pessoas em que o es lo a vo predomina, gostam de novas experiências, são de mente aberta, entusiasmadas por tarefas novas; são pessoas do aqui e do agora, que gostam de viver novas experiências. Seus dias estão cheios de a vidades: em seguida ao desenvolvimento de uma a vidade, já pensam em buscar outra. Gostam dos desafi os que supõem novas experiências e não gostam de grandes prazos. São pessoas de grupos, que se envolvem com os assuntos dos demais e centram ao seu redor todas as a vidades. Suas caracterís cas são: animador, improvisador, descobri-dor, arrojado e espontâneo. Outras caracterís cas secundárias são: cria vo, aventureiro, inventor, vital, gerador de idéias, impetuoso, protagonista, ino-vador, conversador, líder, voluntarioso, diver do, par cipa vo, compe vo, desejoso de aprender e solucionador de problemas.
• O es lo refl exivo. As pessoas desse es lo gostam de considerar a experi-ência e observá-la sob diferentes perspec vas; reúnem dados, analisan-do-os com detalhes antes de chegar a uma conclusão. Sua fi losofi a ten-de a ser pruten-dente: gostam ten-de consiten-derar todas as alterna vas possíveis antes de realizar algo. Gostam de observar a atuação dos demais e criam ao seu redor um ar ligeiramente distante e condescendente. Suas prin-cipais caracterís cas são: ponderado, consciente, recep vo, analí co e exaus vo. As caracterís cas secundárias são: observador, recompilador, paciente, cuidadoso, detalhista, elaborador de argumentos, previsor de alterna vas, estudioso de comportamentos, pesquisador, registrador de dados, assimilador, lento, distante, prudente e ques onador.
• O es lo teórico. São mais dotadas deste es lo as pessoas que se adap-tam e integram teses dentro de teorias lógicas e complexas. Enfocam problemas de forma ver cal, por etapas lógicas. Tendem a ser perfec-cionistas; integram o que fazem em teorias coerentes. Gostam de ana-lisar e sinte zar. São profundos em seu sistema de pensamento e na hora de estabelecer princípios, teorias e modelos. Para eles, se é lógico é bom. Buscam a racionalidade e obje vidade; distanciam-se do subje- vo e do ambíguo. Suas caracteríssubje- cas são: metódico, lógico, objesubje- vo, crí co e estruturado. As outras caracterís cas secundárias são: discipli-nado, planejador, sistemá co, ordenador, sinté co, raciocina, pensador, relacionador, perfeccionista, generalizador, busca: hipóteses, modelos, perguntas, conceitos, fi nalidade clara, racionalidade, o porquê, sistemas de valores, de critérios; é inventor de procedimentos, explorador.
• Es lo pragmá co. Os pragmá cos são pessoas que aplicam na prá ca as idéias. Descobrem o aspecto posi vo das novas idéias e aproveitam a primeira oportunidade para experimentá-las. Gostam de atuar rapi-damente e com seguridade com aquelas idéias e projetos que os atra-em. Tendem a ser impacientes quando existem pessoas que teorizam. São realistas quando têm que tomar uma decisão e resolvê-la. Parte dos princípios de que “sempre se pode fazer melhor” e “se funciona signifi ca que é bom”. Suas principais caracterís cas são: experimentador, prá co, direto, efi caz e realista. As outras caracterís cas secundárias são: técni-co, ú l, rápido, decidido, concreto, obje vo, seguro de si, organizado, solucionador de problemas e aplicador do que aprendeu.
Essa teoria não tem por obje vo medir os es los de cada indivíduo e rotulá-lo de forma estagnada, mas iden fi car o es rotulá-lo de maior predominância na forma de cada um aprender e, com isso, elaborar o que é necessário desenvolver nesses indivíduos, em relação aos outros es los não predominantes. Esse processo deve ser realizado com base em um trabalho educa vo que possibilite que os outros es los também sejam presentes na formação do aprendiz.
As bases da teoria contemplam sugestões e estratégias de como trabalhar com os aprendizes para o desenvolvimento dos outros es los menos predominantes. O obje vo é ampliar as capacidades dos indivíduos para que a aprendizagem e a in-termediação sejam ações mo vadoras, fáceis e co dianas.
Esse obje vo tem como infl uência os processos ocorridos na atual socieda-de, que está imersa em muita informação, com elementos exigidos pelo mercado de trabalho aos cidadãos. Isso leva a um aprendizado con nuo, portanto, quanto mais o indivíduo ver uma variedade de formas de interpretação de conteúdos e interações, melhor conseguirá aprender e construir conhecimentos, preparando-se para as exi-gências do mundo atual.
O meio que potencializa essa tendência da sociedade da informação é o progresso tecnológico, que possui em si mesmo os es los de aprendizagem inseridos em seu tempo e espaço e possibilita um trabalho educa vo de grande extensão.
3. Apresentando o Projeto OpenLearn e a Comunidade Aberta CoLearn
OpenLearn é um projeto desenvolvido pela Open University cujo obje vo é propiciar aprendizagem aberta através do acesso de recursos educacionais aber-tos e tecnologias gratuitas para formação de redes de aprendizagem. O OpenLearn foi construído na plataforma Moodle e é composto por dois ambientes virtuais de aprendizagem: LearningSpace e o LabSpace. O Learningspace <h p://openlearn. open.ac.uk/> é um espaço de aprendizagem com materiais de acesso gratuito para estudantes, professores e ins tuições. Estas unidades, inicialmente em inglês, são baseadas em cursos atuais da Open University. O obje vo deste espaço é oferecer cada vez mais recursos educacionais abertos. O LabSpace <h p://labspace.open. ac.uk/> é um espaço de laboratório com unidades disponíveis para reconstrução em outras línguas. O OpenLearn é direcionado para um público diversifi cado:
• Indivíduos aprendizes e usuários da web interessados em expandir seus conhecimentos e aprender individualmente ou em grupo.
• Professores, tutores, pesquisadores, coordenadores de cursos e res-ponsáveis por formação con nua de profi ssionais, cujos interesses são construir e compar lhar recursos educacionais e estratégias de apren-dizagem online.
• Organizações e ins tuições do setor público e privado com obje vos de estabelecer parcerias para desenvolvimento educacional e profi ssional. A comunidade CoLearn surgiu com o lançamento do projeto OpenLearn em outubro de 2006. Atualmente possui centenas de pesquisadores de vários países, principalmente do Brasil, Portugal, Espanha e Reino Unido; e milhares de usuários visitantes. Os par cipantes são de várias áreas profi ssionais e interessados em apro-fundar conhecimentos sobre aprendizagem colabora va e tecnologias educacionais oferecidas no OpenLearn. O obje vo desta comunidade é discu r sobre o uso de duas tecnologias para aprendizagem online: (1) Compendium, so ware para mapear e gerenciar conhecimentos e (2) FM aplica vo para webvideoconferência. Para isso, os dois projetos atuais da comunidade são:
• Uso do Compendium na Pesquisa Acadêmica: o obje vo deste projeto é a construção de mapas em diversas etapas num projeto de aprendiza-gem e pesquisa online: organização de referências bibliográfi cas, análise de leitura de textos, estruturação das etapas de inves gação e planeja-mento da escrita de ar gos acadêmicos. A caracterís ca principal destes mapas é a construção colabora va e divulgação de mapeamentos que podem ser úteis para outros pesquisadores interessados no tema.
Figura1 - Compendium para mapeamento do conhecimento
Um exemplo de mapa para pesquisa e aprendizagem online é mostrado na figura 1. Este mapa sobre “Games and Learning” permite aprendizes navega-rem em nove artigos acadêmicos sobre jogos educacionais, cinco websites sobre o tema, três pesquisas de mestrado e doutorado, quatro blogs com informações atuais, dois eventos indicando conferências internacionais e dois livros publica-dos recentemente.
• Uso do FM para webconferências temá cas: o obje vo deste projeto é organizar webconferências temá cas explorando os recursos do FM. In-tegra a apresentação e os recursos intera vos. A caracterís ca principal desses encontros é a divulgação de trabalhos recentes de pesquisa. Pro-picia material audiovisual que pode ser reu lizado por qualquer professor acadêmico interessado no tema com seus estudantes.
Figura 2 - FM tool para web/videoconferência
A webconferência da fi gura 2 mostra a interação entre mais de 50 par ci-pantes: três apresentadores que estavam em países diferentes: Portugal, Inglaterra e Espanha indicados pelo mapa cronológico (parte inferior), a diretora da escola (1ª. imagem à direita), o intermediador (2ª. imagem) e o grupo de professores e estudan-tes da escola (3ª. imagem do auditório). Os par cipanestudan-tes interagiram com webcam, microfone e caixa de sons conectados no micro. No fi nal do evento a conferência fi ca à disposição para qualquer usuário da Internet.
A fi gura 3 apresenta um outro exemplo de como a COLEARN tem u lizado o mapa para criar recursos educacionais abertos para intermediar a aprendizagem. O usu-ário pode u lizar o Compendium para mapear informações de várias fontes, qualquer imagem, texto, video e site de uma webconferência podem ser trazidos da internet. O mapa pode conter também, por exemplo, site de cursos abertos do OpenLearn, conceitos do Wikipedia, fotos do Flickr, e sites do FM com a discussão do tema. No mapa, os par ci-pantes podem adicionar suas questões (1), comentários (2), estabelecer várias conexões e classifi car os componentes de mul mídia (3) analisados com categorias e ícones. Os aprendizes podem compar lhar seus mapas dentro do ambiente virtual da comunidade.
A integração do FM e Compendium (OKADA et al, 2008) tem sido um fator importante para a comunidade CoLearn aprender colabora vamente, dentro de grupos com mesmo interesse, no tempo disponível, pois todas as ações são decorrentes de ini-cia vas próprias dentro de um tempo determinado pelo aprendiz. Essa integração das tecnologias tem favorecido a aprendizagem informal (OKADA e MOREIRA, 2008). Novos par cipantes podem ingressar nessa comunidade aberta a qualquer momento, podem acessar mapas de conhecimentos de acordo com o seu tema de interesse, fazer o down-load e reconstruí-lo. Aprendizes podem rever os eventos e acessar apenas os momentos desejados; e, então, refl e r e propor novas discussões ou novos mapeamentos.
As caracterís cas iden fi cadas no CoLearn com base na teoria dos es los de aprendizagem se destacam em:
• Diversidade de recursos mul mídia simultâneos.
• Interação em um nível maior do que se possibilitou até o momento em plataformas de aprendizagem.
• Possibilidade de planejar, de analisar, de discu r e de comunicar em um mesmo momento com obje vo educacional.
• Autonomia pedagógica e de recursos da plataforma.
• Diversidade nos formatos de conteúdos a serem apresentados.
A atuação de intermediadores pedagógicos múl plos potencializa-se com o uso das tecnologias Compendium e FM apoiado em princípios didá cos para ambientes vir-tuais colabora vos (JONASSEN, 1991 apud. VALENTE e MOREIRA, 2007) para promover diversidade e ampliação das estratégias de ensino e aprendizagem, conforme a fi gura 4.
Complexo Intencional Ativo Pragmático Construtivo Colaborativo Conversacional Reflexivo Teórico Contextualizado
Figura 4 - Princípios para Intermediação em Comunidades Virtuais de Aprendizagem (modelos adaptado pelos autores com base em Jonassen s/d)
4. Procedimentos Metodológicos e Análise do estudo desenvolvido
Tendo por obje vo iden fi car quais são os recursos destas duas tecnologias e ações pedagógicas que podem favorecer intermediação pedagógica signifi ca va, a metodologia de pesquisa u lizada foi o estudo de caso. Nesse estudo de abordagem qualita va e descri va com base na experiência realizada, analisa-se webconferências e mapas desenvolvidos da comunidade CoLearn na qual os par cipantes – educadores, pesquisadores e aprendizes – discutem sobre es los de aprendizagem e tecnologias.
A hipótese desse estudo é que o espaço desenvolvido da comunidade de pesquisa aberta (OpenLearn – CoLearn) proporciona um trabalho educa vo de inter-mediação pedagógica que contemple aprendizagem signifi ca va.
Ações Pedagógicas planejadas por Intermediadores
As primeiras ações dos intermediadores pedagógicos focaram no planeja-mento das a vidades pedagógicas. Neste planejaplaneja-mento foram u lizados a metodo-logia de integração de webconferências e mapas cogni vos para construção colabo-ra va de signifi cados (OKADA et al, 2008a). As etapas foram divididas em (1) Estudo inicial através de mapas construídos, (2) Seminário do tema com discussão síncrona e (3) Estudo refl exivo via Mapeamento da Conferência e discussão assíncrona.
Tabela 1 - Planejamento de a vidades pedagógicas via webconferências e mapas cogni vos para construção colabora va de signifi cados (OKADA A., 2008)
Na aprendizagem aberta, os par cipantes podem fazer escolhas das a vida-des de acordo com seus interesses e muitas vezes de tempo disponível. No entanto, para que ocorram um aprofundamento do tema, construção de signifi cados e apren-dizagem aberta signifi ca va, torna-se necessário que os intermediadores planejem um conjunto de ações que possam despertar uma par cipação a va. Nesse sen do, a organização do ambiente, estruturação de materiais, escolha de tecnologias e o pla-nejamento de a vidades devem ser integrados visando à aprendizagem colabora va diversifi cada com as tecnologias, conforme a fi gura 5.
Figura 5 - Design do Ambiente Virtual de Aprendizagem do CoLearn
Recursos tecnológicos u lizados por Intermediadores
Conforme a fi gura 5, os intermediadores agendaram a FM webconferência e publicaram com antecedência os slides no Slideshare incorporando a apresentação dentro do LabSpace. Após o evento, sinte zaram as perguntas e respostas discu -das num Compendium mapa de idéias-chave. Este mapa oferece uma visão geral do conteúdo da webconferência e localização de determinados momentos do evento descrito pelos ícones. O mapa funciona como um guia para rever as falas dos par ci-pantes e como um resumo conceitual do conteúdo discu do.
Os recursos tecnológicos do Compendium e FM permi ram que os pesqui-sadores pudessem contribuir também compar lhando outros mapeamentos (fi gura 6) da análises da webconferência. Estes mapas exerceram um papel importante na avaliação forma va do grupo oferecendo um panorama geral da par cipação, intera-ção e colaboraintera-ção.
O mapa do Compendium na fi gura 6 apresenta alguns indicadores para aná-lise qualita va:
• Dentre os nove par cipantes, cinco estavam com webcam e quatro ape-nas interagindo via teclado e microfone (fi g. 4. Par cipants).
• O seminário envolveu três países: Espanha, Inglaterra e Brasil (fi g 4.
We-bconference) e foi assis do por 169 vezes em diversos países da Europa,
Brasil e EUA (fi g 4. Replay).
• A dinâmica contemplou uma comunicação não apenas centrada no apre-sentador (fi g. 4. Broadcast dominance ), mas numa construção cole va que ocorreu via texto (fi g. 4. Chat dominance).
• A mediação do evento permi u uma intera vidade presente no decor-rer de todo o evento (fi g. 4. Broadcast me line).
Figura 6 - Mapa no Compendium de Indicadores para Análise da Webconferência. Fri, 7 Mar 2008 13:00 CPLP Estilos de Aprendizagem e Uso das Tecnologias
Apresentações iniciais Introdução 2 * * 2 2 2 2 2 * * * *
Elisa Lucila Adriana Ana Gineusa
Estilos de Aprendizagem 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * 2 * Palavras-chave Abertura Estilos de aprendizagem-Concepções teóricas iniciais Estilos de aprendizagem-Concepções teóricas mais recentes Estilos de aprendizagem Aberta Estilos + Tecnologias + Aprendizagem Aberta Valorização das Individualidades Aprendizado Flexivel Aprendizado Colaborativa Lista de Perguntas Kolbe - Teoria de Estilos - Estilos de Aprendizagem nas empresas Reflexões sobre Estilos de Aprendizagem Algumas Ações Alguns desafios Trabalhos e Pesquisas sobre Estilos de Aprendizagem
Dica de livro sobre o Perfil cognitivo do leitor imersivo
Discussões
Discussao 1: Como os ambientes virtuais podem
ser usados para propiciar uma aprendizagem mais autonoma e integradora?
Discussao 2: Cursos que valorizam o pragmatico, influencias socio-historicas e uso das tecnologias Discussao 3: Autoreflexão, Estilos de Aprendizagem x Estilos Cognitivos e tecnologicos Finalização Finalização Agradecimentos 12 19 11 * * 8 Dicas de Sites
Os intermediadores construíram também no Compedium um mapa de na-vegação da discussão como uma síntese geral do conteúdo abordado (fi gura 5). Com estes mapas, os par cipantes puderam navegar em pontos específi cos, e então, con- nuaram a discussão no fórum com comentários sobre o processo e feedback geral do evento realizado e mapas construídos.
Os par cipantes observaram que a intermediação pedagógica com base na concepção de aprendizagem aberta pode contemplar os diversos es los de aprendi-zagem. Par cipantes comentaram que
... Som, imagem, interação, texto. Os recursos buscam contemplar a aprendizagem através de todos os es los... É pragmá co porque você tem que fazer e explorar os caminhos para fazer. É a vo, sim, porque você busca e tem informação. É refl exivo, pois permite guardar e reconstruir coisas. É teórico, pois ajuda a planejar. Par cipante A.
Alguns par cipantes que não par ciparam da conferência trouxeram alguns comentários interessantes sobre es los de aprendizagem com o Compendium:
O mapa antes mesmo de navegar é uma foto do conteúdo da conferência. Ao navegar, permite explorar (com detalhes ou obje vamente) apenas pontos de interesse. Nesse caso, colegas, acredito que o mapa pode ajudar os:
a) a vos: ávidos por informações novas,
b) refl exivos:para localizar pontos específi cos e ponderar várias vezes se necessário...
c) teóricos: interessados em estabelecer conexões conceituais. d) pragmá cos: para localizar questões e exemplos prá cos.
Par cipante B
O Compendium foi u lizado para representar com mais detalhes pontos es-pecífi cos do debate através de um mapa do diálogo. A fi gura 6 permite visualizar que neste debate surgiram 3 perguntas ? e 10 idéias que podem ser localizadas em três momentos cronológicos diferentes do FM . O mapa também permite visualizar 3 re-fl exões sobre as tecnologias.
Fri, 7 Mar 2008 13:00 CPLP Estilos de Aprendizagem e Uso das Tecnologias
Existem influências sociohistóricas?
Os estilos que justificam as tecnologias na educação porque possibilitam diferentes instrumentais para materiais diferenciados, confere? Tecnologia é importante pois através dela podemos
atender os diversos estilos Possibilidade e flexibilidade Potencializar o desenvolvimento de habilidades dos aprendizes
Potencializar o ambiente de aprendizagem
é teórico pois ajuda
planejar É algo fantástico. Conversamos por email e não vemos a pessoa, não ouvimos a voz da pessoa, não conhecemos muito a pessoa... e derepente nos deparamos com ela e temos a sensação de que a conhecemos já há muito
tempo é reflexivo, pois permite
guardar e reconstruir coisas é ativo sim, porque vc busca, tem informação é pragmático porque vc tem que fazer e vc tem os
caminhos para fazer
Perguntas Comentários
A tônica do pragmático nos ambientes é complexa. As tecnologias tem opções
mas precisamos direcionar. A tecnologia e a educação devem atuar
em conjunto...
Este trabalho do FM que está dentro da filosofia de aprendizagem aberta. A
tecnologia tem vários elementos - que contemplam todos os estilos - multimídia som imagem interação texto escutar ouvir texto... aprendizagem e estilos...
Busca contemplar a aprendizagem... Trata-se de um assunto
que merece pesquisa. O percurso cultural, histórico, social e antropológico que o indivíduo tem na sua formação influencia no seu estilo de aprendizagem sim. Observações no FM sobre Tecnologias Nos comunicamos na internet mas não temos idéia do que o outro está pesquisando... Precisa a pessoa estar do outro lado na Espanha... para ter esta relação mais intensa... no Brasil não nos falávamos tanto...
* * *
2 2 2
*
Quanto os cursos de Ead Pragmáticos...Isso está
ligado com suas finalidades?
?
?
?
Como se pode observar no mapa da fi gura 6, é possível perceber que os par cipantes durante o evento iden fi caram também alguns aspectos do uso da tecnologia em relação à proximidade virtual que também é um fator importante na aprendizagem seja, entre aprendizes com mesmo es lo ou diferente também.
Neste diálogo transcrito do FM e registrado no Compendium, observa-se que dois par cipantes registraram uma familiaridade devido à comunicação via FM com som, voz e imagem.
Nos comunicamos na internet mas não temos idéia do que o outro está pesquisando ... Precisa a pessoa estar do outro lado na Espanha... para ter esta relação mais intensa... no Brasil não nos falávamos tanto... Par cipante B
É algo fantás co. Conversamos por email e não vemos a pessoa, não ouvimos a voz da pessoa, não conhecemos muito a pessoa... e de repente nos deparamos com ela e temos a sensação de que a conhecemos já há muito tempo Par cipante C
No fórum, par cipantes também iden fi caram alguns desafi os ainda não esclarecidos com o debate e também novos ques onamentos.
Tenho observado que muitos aprendizes têm difi culdades com ambientes de mul mídia e, ás vezes, fi cam perdidos com esta variedade de som, imagem, textos, ícones e botões... (perguntas freqüentes: Onde clico? Onde ler? Onde ver? ...)
Algumas pessoas reclamam que não gostam de ambiente poluído; e, muitos recursos midiá cos atrapalham e confundem. Outros reclamam também da navegação hipertextual gráfi ca oferecida em algumas páginas web e sentem difi culdade de leitura. Inclusive existem também aqueles que consideram que a visualização mul linear de alguns mapas difi cultam a compreensão do conteúdo e preferem uma estrutura seqüencial.
O estudo de es los de aprendizagem pode trazer indicadores destes aprendizes que sentem uma difi culdade maior com a tecnologia visando oferecer alguns indícios para organização de prá cas e esté cas pedagógicas mais claras e signifi ca vas? Par cipante D
5. Considerações Finais
O presente estudo a ngiu o obje vo planejado porque iden fi cou os recur-sos das tecnologias do Projeto OpenLearn e as ações pedagógicas que podem favo-recer diferentes es los de intermediação da aprendizagem. Isso ocorreu mediante o trabalho de refl exão realizado com os recursos na comunidade e com pesquisadores analisando os elementos ali caracterizados.
A hipótese deste estudo foi confi rmada porque iden fi cou que o espaço desenvolvido da comunidade de pesquisa aberta OpenLearn COLEARN facilita e pro-porciona um trabalho educa vo que seja jus fi cado e contemple a aprendizagem signifi ca va na qual os aprendizes constroem e compar lham signifi cados através de vários formatos e mídias.
Este estudo possibilitou uma primeira refl exão das possibilidades que esta-mos visualizando dessas tecnologias para aprendizagem aberta. A par r daí, preten-demos ampliar e concre zar uma inves gação mais ampla.
6. Agradecimentos
Aos pesquisadores do COLEARN que par ciparam de nossas a vidades so-bre Es los de Aprendizagem e o Uso de Tecnologias e estão contribuindo volunta-riamente com ampliação e divulgação de recursos educacionais abertos. À equipe OpenLearn, que tem oferecido suporte no decorrer de nossos estudos no ambiente LabSpace.
7. Referências Bibliográfi cas
AUSUBEL, D. P. Teoria de Ausubel. In: Hanesian, H. Educa onal Psychology: a cogni ve view. Nova York: Editora Rinchart and Winston, 1978.
ALONSO, C. M.; GALLEGO, D. Aprendizaje y ordenador. Madrid: Dykinson, 2000.
ALONSO, C. M.; GALLEGO, D. J.; HONEY, P. Los es los de aprendizaje: procedi-mientos de diagnós co y mejora. Madrid: Mensajero, 2002.
BARROS, D. M. V. Tecnologias de la Inteligência: ges ón de la competência pedagógica virtual. Madrid: Popular, 2007.
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8. Fórum de Discussão
1. Quais os desafi os da Aprendizagem Aberta em comunidades virtuais? 2. Quais as ações pedagógicas descritas pelos autores podem favorecer a
intermediação pedagógica em comunidades online visando à aprendiza-gem signifi ca va?
3. Quais as aplicações de mapeamento que podem facilitar a atuação de intermediadores pedagógicos em comunidades visando contemplar os diferenciados es los de aprendizagem?
9. Conceitos descritos pelo(s) autor(es)
Consulte no glossário: Intermediação Pedagógica Múl pla, Es lo de Apren-dizagem A vo, Es lo de AprenApren-dizagem Refl exivo, Es lo de AprenApren-dizagem Teórico, Es- lo de Aprendizagem PragmáEs- co.