Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
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PODER DE MERCADO E PODER DE CONTRATO
Apresentação Oral-Estrutura, Evolução e Dinâmica dos Sistemas Agroalimentares e Cadeias Agroindustriais
JOSÉ PAULO DE SOUZA1; DECIO ZYLBERSZTAJN2.
1.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, MARINGA - PR - BRASIL; 2.UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SÃO PAULO - SP - BRASIL.
PODER DE CONTRATO E PODER DE MERCADO Resumo
Neste artigo discutem-se os problemas inerentes ao exercício de poder de mercado, resultante da busca de eficiência, sob enfoque da Organização Industrial e Nova Economia Institucional, nas relações contratuais envolvendo o segmento produtor e processador no sistema agroindustrial de carne de frango, no estado do Paraná. As estruturas existentes e evidências indicam um ambiente sujeito os desequilíbrios contratuais e exercício de poder de monopólio, cuja análise no âmbito da eficiência, sob enfoque da Teoria dos Custos de Mensuração, compreende um escopo diferenciado para definição de políticas industriais e de concorrência. Para isso, a hipótese qualitativa testada busca a verificação da possibilidade de exercício de poder de mercado, preponderantemente, na área econômica e não na área legal do direito da propriedade, nas relações envolvendo produtores e processadores nesse SAG. Considera-se, que a coordenação das relações entre os agentes do sistema agroindustrial, em parte, responde ao mercado, e seu sistema de preços e aparato legal e, em parcela significativa, responde a outras dimensões, destacando-se, neste momento, o poder contratual envolvendo produtores e processador, sujeito à apropriação de renda. Como resultado verificou-se que a possibilidade de exercício de poder de mercado, se mostrou factível. A pesquisa identificou limitações na eficiência dos arranjos de integração, nos aspectos contratados e acordados, cujos resultados não vêm atendendo as expectativas dos produtores, embora satisfaçam o processador.
Palavras-chave: Teoria dos Custos de Mensuração; SAG de carne de frango; poder de mercado e poder de contrato.
Abstract
The study of problems inherent to market power exercise, resulting from the pursuit of efficiency, based on Industrial Organization and New Institutional Economics theories, in contractual relationships involving producer and processor segments in Poultry Agribusiness System in the state of Paraná is explored in this article. Existing structures and evidences indicates an environment subject to contractual imbalances and exercise of monopoly power, whose analysis in the context of efficiency, focused on the Theory of Measurement costs, includes a different scope for the definition of industrial and competition policies. For this, the tested qualitative hypothesis aimed to verify the exercise of market power possibilities, mainly in the economic area of ownership and not in the legal rights. The coordination of relations between the agents of the agricultural system was considered to respond in part to the market and its pricing system and legal apparatus
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2 and, in significant part, to other dimensions, especially contractual power involving producer and processors, subject to the appropriation of income. As a result the possibility of market power exercise being feasible was verified. The research identified limitations in the effectiveness of integration arrangements, in contracts and agreements terms, whose results are not attending the producers’ expectations, while satisfying the processor.
Key-words: Measurement Costs Theory; poultry agribusiness system; market power and contract power.
1 INTRODUÇÃO
Nos estudos dos problemas inerentes às relações contratuais em sistemas
agroindustriais a consideração predominante está na análise de poder de mercado e
seu impacto sobre o sistema de preços. A questão da eficiência, sob amparo teórico
da Nova Economia Institucional (NEI), no encaminhamento dessas questões,
entretanto, é pouco abordada na literatura. O tratamento da relação entre poder de
mercado e eficiência, e seu impacto das relações contratuais no sistema
agroindustrial, indicado em Zylbersztajn (2005a), caracteriza-se como uma área
pouco trabalhada. Seu estudo oferece oportunidade para que as relações de poder
entre segmentos sejam compreendidas não apenas parcialmente pelo mercado, mas
pela complexidade que envolve a busca de eficiência para geração de valor.
Nessa orientação, e ao se considerar os arranjos presentes no sistema
agroindustrial, duas intenções podem ser consideradas: a formação de arranjos
contratuais formais e informais enquanto mecanismos de coordenação são
estruturados em resposta às variáveis presentes nas transações e busca de eficiência;
a busca por formas de estruturas eficientes de organização pode levar ao
estabelecimento de condições propícias ao exercício de poder de mercado. Como
mecanismo institucional confronta-se, assim, a política industrial e a antitruste. De
um lado, a necessidade de estabelecer condições para o desempenho competitivo
das empresas, em resposta as demandas sócias e econômicas incentiva a definição
de políticas favoráveis ao crescimento. De outro, a necessidade de equilibrar as
condições de competição de forma a impedir comportamentos abusivos e
prejudiciais à concorrência determinam a intervenção do Estado.
A consideração da diferença conceitual entre poder de contrato e poder de mercado, bem como dos objetivos conflitantes, quando da sua análise no âmbito da NEI, são relevantes e representa aspecto inovador. Conforme discussão apresentada em Watanabe (2007), o poder contratual está relacionado ao confronto de negociação em que existe a fraqueza contratual, enquanto o poder de mercado com a formação de monopólio, com foco no seu efeito sobre os preços. Em complemento, Zylbersztajn e Sztajn (2005) observam que, sob a ótica da economia das organizações, um contrato significa uma maneira de coordenar as transações, provendo incentivos para um comportamento coordenado na produção ou em esforços conjuntos de produção, cabendo as instituições definirem mecanismos de incentivos e “remédios para não cumprimentos de promessas”. Verifica-se então, que o tratamento da questão do poder de contrato pode ser considerado
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3 em dois momentos relevantes: no momento da contratação, envolvendo as definições dos termos do contrato e as condições da negociação (poder entre as partes); no momento da solução das disputas (ex post), envolvendo as partes objetivas do contrato.
Ao se considerar o sistema agroindustrial da carne de frango essa questão se
torna relevante, tendo em vista que as estruturas produtivas se organizam, em sua
maioria, por contratos de integração envolvendo um grande número de produtores e
um grupo reduzido de processadores, com especificidades organizacionais e
produtivas. Embora seja esse um arranjo de sucesso
1, em termos produtivos e
competitivos, em um mercado de relevância econômica, falhas de eficiência, em
função de exercício de poder de mercado, podem ser identificadas ao se constatarem
conflitos na relação entre produtor e processador. Os contratos estabelecidos podem
responder por parte das demandas por proteção e garantia, e resultar em redução de
custos, sua existência, entretanto, não assegura a eliminação da possibilidade de
capturas. As estruturas existentes indicam um ambiente sujeito a desequilíbrios
contratuais e exercício de poder de monopólio, cuja análise no âmbito da eficiência
compreende um escopo diferenciado para definição de políticas industriais e de
concorrência.
A compreensão dos fatores envolvidos determina um avanço nos aspectos
relacionais entre os segmentos e agentes envolvidos, na busca pela preservação de
direitos nas relações contratuais formais e informais, e no estabelecimento de
condições concorrências adequadas. Considera-se, dessa forma, que a coordenação
das relações entre os agentes do sistema agroindustrial, em parte, responde ao
mercado, e seu sistema de preços (poder de mercado) e, em parcela significativa,
responde a outras dimensões, destacando-se, neste momento, o poder contratual
envolvendo produtores e processador. Esses impactam na sistemática de
transferência de direitos de propriedade e na configuração das estruturas de
governança nesse SAG, cujo tratamento empírico se desenvolve, neste trabalho, à
luz da Teoria dos Custos de Mensuração (MEASUREMENT COST THEORY –
MCT), desenvolvida por Yoram Barzel.
Essas considerações indicam a necessária diferenciação e integração entre as
teorias de eficiência e organização industrial, tendo em vista impactar nas decisões e
definições de políticas e estratégias competitivas. A identificação de tensões nas
relações contratuais
2, formais e informais, no SAG da carne de frango, em
complemento, consolida, para esse estudo, a busca de resposta à seguinte questão de
pesquisa: Como as possíveis margens não contratáveis nas relações com os
produtores integrados definem espaço de manobra para os processadores exercerem
poder de mercado? Essa questão define como objetivo, neste artigo, analisar como,
na busca de eficiência, as margens não contratadas estabelecem possibilidades de
1 Os dados estatísticos indicam, no caso brasileiro, o aumento no volume de exportação de carne de frango de
299.218 toneladas, em 1990, para 3.286.775 toneladas, em 2007 (ABEF, 2008).
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exercício de poder de mercado, preponderantemente, na área econômica do direito
da propriedade, no SAG de carne de frango no estado do Paraná. Para isso, sua
estruturado envolve, além desta introdução: a hipótese qualitativa motivadora e
norteadora do trabalho; a revisão da literatura enfocando a relação entre a Teoria da
organização Industrial e a Teoria dos Custos de Mensuração; a metodologia adotada
para realização do trabalho empírico, a qual se sustenta em fundamentos
qualitativos; os resultados obtidos; referências utilizadas.
3 HIPÓTESES E REFERENCIAL EMPÍRICO
A hipótese indutiva, estabelecida para encaminhamento desse estudo, é que nas relações envolvendo produtores e processadores, no SAG em estudo, existe a possibilidade de exercício de poder, o que acontece, preponderantemente, na área econômica do direito de propriedade e não na área legal (aspectos contratados, identificáveis e mensuráveis). Na conduta dos agentes esse exercício pode se apresentar nas dimensões contratadas e mensuráveis, limitando a capacidade de negociação do produtor e, principalmente, nas dimensões acordadas, mensuráveis ou não, as quais podem ser impostas. Essa imposição pode ser resultado da estrutura de mercado apresentada e se relacionar a: necessidades de ajuste impostas pela pressão competitiva; adequação nas estratégias concorrenciais; necessidade de controle sobre dimensões valorizadas.
4 REVISÃO DA LITERATURA
A explicação e a compreensão de como a firma se organiza no âmbito dos sistemas produtivos, neste estudo, considera, a complementaridade de dois conjuntos teóricos, a Organização Industrial (OI) e a Nova Economia Institucional (NEI). Justifica-se, desse modo, que os arranjos se formam em resposta a diversos interesses, envolvendo tanto a demanda por eficiência, capaz de gerar valor competitivo para os integrantes, como obter poder de mercado.
A consideração dessas duas correntes permite identificar objetivos diferenciados associados às delimitações da firma em seu contexto estratégico, as quais podem explicar as decisões e formação de arranjos institucionais produtivos. Tirole (1993) observa que as razões para integração ou desintegração orientadas pela eficiência estão associadas à minimização de custos das atividades econômicas, não sendo contingenciais à existência de poder de monopólio. Essa proposição insere a estratégia competitiva como influenciador a ser considerado na análise e compreensão das motivações desses movimentos. Entretanto, identificar e compreender a natureza dos fatores originadores das estruturas de governança torna-se essencial para a definição de qualquer posicionamento quanto às razões para sua existência e suas conseqüências para o sistema econômico relacionado.
A perspectiva de novas orientações para delimitação de fronteiras, envolvendo tamanho e escopo, disponibilizou caminhos para soluções de problemas inerentes e agregou nexos de complexidade até então ausente nas análises orientadas pelos pressupostos da OI. Consolidada na denominada NEI, agregam duas correntes analíticas complementares: uma considerando a formação de estruturas para proteção contra apropriação de quase renda, envolvendo a identificação de estruturas de governança, no caso a Economia dos Custos de Transação; outra, a ser considerada neste estudo,
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5 relacionada aos Custos de Mensuração (Measuremente Cost Theory), focada na proteção do valor e dificuldades na mensuração das dimensões das transações (Zylbersztajn, 2005).
Joskow (1995) já identificava a complementaridade dessas teorias na análise das questões relacionadas às organizações, comportamento e performance. Observando que poucos mercados são perfeitamente competitivos ou puro monopólio, Joskow considera que mudanças no ambiente institucional, envolvendo direitos de propriedade, contratos, política antitruste e regulação afetam a estrutura de mercado, o comportamento das firmas, estruturas de governança e performance no mercado.
4.1 Poder de Mercado e Eficiência em Sistemas Agroindustriais
A Teoria da organização Industrial (OI), de acordo com Scherer (1970), tem origem na década de 30, cujo marco é o modelo de analise de performance envolvendo os aspectos Estrutura, Conduta e Desempenho, condicionado às condições básicas de oferta e demanda, proposta por Edward S. Mason, em Havard. Definindo como as firmas podem obter um desempenho adequado, Sherer observa que a OI identifica o conjunto de atributos e variáveis que influenciam a performance das firmas para obtenção de desempenho, e a natureza de suas relações, condicionada à estrutura de mercado em que operam, a qual determina a dinâmica em termos de condutas a serem adotadas.
A aproximação da OI com a NEI é evidenciada pela literatura (WILLIAMSON, 1996; FARINA, 1997; JOSCOW, 1995), seja pela complementaridade como pelo conflito. Williamson (1985, p. 23) observa que, quanto à abordagem “The monopoly approaches
ascribe departures from the classical norm to monopoly purpose. The efficiency approaches hold that the departures serve economizing purposes instead”. Essa posição é
corroborada por Farina (1997) e Zylbersztajn (2005). Os autores observam que existem diferenças entre as abordagens que tornam difícil sua conciliação. Enquanto na NEI o ambiente é de racionalidade limitada, envolvendo incerteza e informação imperfeita, e por conseqüência contratos incompletos, a OI pressupõe racionalidade plena, em que se apresenta a teoria da Agência. Quanto ao objetivo, Farina (1997) afirma que, na OI, a preocupação está nas conseqüências do poder de mercado e seus determinantes, o que a torna aparato natural para tratar da desregulamentação de sistemas produtivos concretos.
Quanto à complementaridade, Farina (1997, p. 21) afirma, enfocando a Economia dos Custos de Transação, que a sua contribuição para a OI “[...] localiza-se na determinação de estruturas de mercado, especialmente no tocante ao grau de integração vertical”. Para a autora, metodologicamente, ambas se aproximam por assumir hipóteses de sobrevivência (maximização de lucros na OI e minimização de custos na ECT). O reconhecimento das instituições, conforme proposto por North (1991), como determinante no envolvimento operacional e estratégico das firmas, surge em Joskow (1995) como integrante da forma evoluída da OI, a qual denomina de “The Modern Industrial
Organization Pathway”. Nesse aspecto, a legislação antitruste configura a presença das
instituições enquanto reguladora da estrutura de mercado e defesa da concorrência.
Verifica-se, nesse aspecto, que a percepção da eficiência, que pode ter sua efetividade condicionada a compromissos contratuais (microinstituições), confronta-se com os objetivos de equilíbrio de mercado da política antitruste (macroinstituição). O reconhecimento da diferença de propósitos, por sua vez, permitiu a ponderação analítica das estratégias competitivas das firmas orientadas para eficiência. Os pressupostos da eficiência passaram a ser considerados na política antitruste americana, conforme
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6 Williamson (1985), a partir dos anos 70, sendo que até então essa questão envolvia medidas de concentração e barreiras de entrada. Williamson (1985, p. 383) afirma:
“The perverse hostility with which efficiency differentials were once regarded gave way to an affirmative valuation of efficiency benefits. And business practices that were previously suspect, because they did not fit comfortably with the view of the firm as a production function, were reinterpreted in a large context in which – implicitly or explicitly – transactions costs economizing was introduced”.
No caso do Brasil, entretanto, a Lei antitruste, promulgada pela Lei 8884/94, guarda estreita relação em sua concepção aos pressupostos da Organização Industrial, e visa à regular dois aspectos principais: a conduta dos agentes no processo competitivo; as estruturas de mercado concentrados (CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DEFESA ECONÔMICA – CADE, 2008)3. No âmbito da eficiência envolvendo sistemas agroindustriais, entretanto, demanda consideração as determinações relacionadas aos limites das firmas, em função das condutas direcionadas à coordenação horizontal e vertical, tendo em vista estarem associadas à possibilidade de restrição à concorrência e ao exercício de poder de monopólio.
Em contraposição a essas restrições, verifica-se que o equilíbrio ou convergência entre eficiência (NEI) e poder de mercado (OI) configura condições para a existência de mercados competitivos positivos. Na percepção de Joskow (1995),
[...] the Modern Industrial Organization Pathway also provides linkages to the Governance Structure Pathway because the presence of imperfect competition may make vertical integration or nonstandard contracts attractive alternatives either to respond to market imperfections (e.g. P>MC) or to enhance market power, before taking into account various transactions costs considerations that may, under some circumstances, provide an explanation for vertical integration and non-standard contracts as well. (JOSKOW, 1995, p. 251).
Farina (1997) afirma que, em ambientes de intensa concorrência, se a rede de relações contratuais4 não for eficiente, abrirá espaço para outros planos lucrativos de entrada para rivais potenciais, determinando a efemeridade da posição dominante que não seja baseada em maior eficiência. Por outro lado, a existência dessa rede de relações pode estabelecer condição para construção de capacidade competitiva e eliminar barreiras. Nesse aspecto, a existência de contratos não define, necessariamente, possibilidades de construção de barreiras à entrada, ou possibilidade de exercício de poder de monopólio, tendo em vista que a eficiência constitui condição para concorrência. Essa existência, porém, podem não ser suficiente para limitar ações abusivas ou evitar estruturas anticompetitivas, pelo estabelecimento de posição de domínio e mercado relevante. Considera-se nesse sentido, que as condições ex post da relação contratual, também, podem ser afetadas pelo comportamento das partes, podendo se configurar tanto em
3
Os passos a serem observados pelo CADE para a análise da constatação de exercício de poder de mercado, envolvendo a conceituação de mercado relevante, a análise das condições de exercício de poder de mercado e o exame das eficiências geradas pela operação, podem ser aprofundados em Oliveira e Rodas (2004) e Gama (2006).
4 Farina (1997, p. 108) define: “Uma rede de contratos com fornecedores e distribuidores pode representar
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7 penalidades pós-contratuais (retenção de pagamento, deságio por falta de padrão ou assimetria informacional, dentre outras) como nas expectativas de recontratação.
Verifica-se, nesse sentido, que as possibilidades de exercício de poder de mercado existem. Entretanto, a construção de estruturas de governança apropriadas não se sustenta, essencialmente, nessa orientação e demandam diferentes formas de relações horizontal e vertical para seu fim. Conforme verificado, o poder contratual se relaciona ao confronto de negociação em que existe a fraqueza contratual, enquanto o poder de mercado com a formação de monopólio, o que impacta, entretanto, na definição dos termos a serem contratados e na solução de disputas ex-post.
Embora conceitualmente divergentes, o impacto dos objetivos dessas linhas convergem na limitação de comportamentos de natureza anticompetitivos. Em que pese as dúvidas quanto aos julgamentos relativos ao exercício de poder de monopólio, a essência de sua execução reside no aspecto comportamental, na consideração da racionalidade limitada dos agentes e possibilidade de comportamento oportunista. Enquanto no poder de monopólio o objetivo é a gestão direcionada a limitação da concorrência, nas relações contratuais, por outro lado, e seguindo a linha de posicionamento de Williamson (1985), a possibilidade de práticas abusivas pode estar associada ao alcance desse objetivo ou intenção. Essa inter-relação pode identificar um efeito causal simples: condutas abusivas em contratos formais ou informais se associam à busca de posição favorável no mercado relevante ou de concorrência, notadamente, na oferta de ativos específicos, com impacto nos custos de produção ou disponibilidade do produto. De forma inversa, limitações ou ajuste de poder entre as partes minimizariam possibilidades de exercício de poder de monopólio (Figura 01).
Poder de mercado Poder de contrato
Concentração (Estrutura)
Condutas anticompetitivas
Equilíbrio nas negociações (esforço conjunto de produção)
Posição favorável no mercado de concorrência ou relevante Ajuste de poder na relação Intenção competitiva Ex-ante Ex post Ambiente Institucional Ambiente Organizacional Contratos
Fig. 01: Convergência entre poder de mercado e poder de contrato (Fonte: autores).
Verifica-se assim, que a dicotomia teórica que se apresenta quando se confronta poder de contrato, estabelecido na busca de garantia de direitos de propriedade, e poder de mercado pode definir um contexto de interdependência no tratamento dos aspectos estratégicos do desempenho das organizações frente à política antitruste. Nas relações verticais, as condutas dos agentes envolvidos podem indicar objetivos de eficiência em sua
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8 essência, definindo estruturas adequadas a isso, mas resultar em comportamentos que configuram exercício de poder de monopólio, merecendo atenção.
4.2 A Eficiência na Teoria dos Custos de Mensuração
Questionando, da mesma forma que a ECT o modelo Walrasiano, a MCT aborda a questão da coordenação horizontal e vertical sob a perspectiva da proteção do valor e da dificuldade de medir as dimensões dos atributos transacionados. Como na ECT, o modelo de Barzel se alinha ao objetivo de redução dos custos de transações, seguindo o modelo proposto por Coase (1937), entretanto, difere da ECT em termos de unidade de análise e pressupostos. Zylbersztajn (2005b) observa que na MCT, a unidade de análise é a transação decomposta em dimensões, sendo que um conjunto de direitos econômicos e legais são trocados e garantidos pelo estado ou de forma privada.
Os seguintes aspectos configuram a MCT para a análise empírica, no análise de Zylbersztajn (2005b): a decomposição das transações em dimensões a serem mensuradas, como unidade de análise; o oportunismo implícito, a racionalidade limitada e a impossibilidade de mensuração em contratos incompletos, como concepção; a dificuldade de mensurar, determinando a integração vertical e horizontal, como pressuposto; a organização interna resultante da perspectiva da maximização do valor em qualquer momento no tempo. Os níveis de dificuldades para medir as dimensões, dada a sua variabilidade, e de garantir direitos de propriedade, determinariam a estrutura adequada de governança, no contexto horizontal e vertical. Nesse aspecto a propriedade seria eficientemente alocada com a parte que afeta a variabilidade do produto, e que seja capaz de oferecer garantias.
O direito de propriedade envolve, nessa orientação, conforme proposto por Barzel (2003), a distinção entre direitos de propriedade econômicos (benefícios) e direitos de propriedade legais (posse). O direito econômico, em termos de utilidade, reflete a habilidade de se beneficiar de um produto ou serviço, via consumo direto ou por intermédio da troca por outros produtos ou serviços5. O direito econômico sobre um ativo seria, geralmente, menor do que o valor presente dos produtos ou serviços gerados por esse ativo. “Legal rights are the rights that the state recognizes as those of a particular
individual or set of individuals” (Barzel, 2003, p. 51). A expectativa é que, transações
fáceis de mensurar sejam garantidas pelo estado e outros atributos por contratos de longo prazo (BARZEL, 2001).
Os custos de transação emergem, nesse caso, como os recursos que são utilizados para estabelecer e manter direitos econômicos. Se os custos de transação são zero, significa que os direitos de propriedade são perfeitamente estabelecidos e mantidos. Nesse aspecto, Barzel (1997, p. 2) ajusta a definição de custos de transação como: “[...] the costs
associated with the transfer, capture, and protection of rights.” Os custos dos ativos
relacionados com problemas de hold up, dessa forma, delimitam o tamanho da firma, e definem os custos de propriedade. Como na ECT, a busca pela redução dos recursos associados à captura oportunista, segundo Barzel (2005), aponta a integração vertical como alternativa factível, além da padronização de ativos idiossincráticos como meio para evitar a disputa. A padronização reduz a quase renda e o incentivo para captura..
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9 A adoção da apropriação da quase renda como variável, na MCT, dessa forma, remete à inserção de três pontos fundamentais com impacto na decisão de integrar verticalmente: direitos de propriedade; a informação; o custo de mensuração. Barzel (2005, p. 368) observa:
The existence of capture opportunities implies that (economic) property rights are not well delineated. When measurement is costless, writing and enforcing complete contracts is trivial, and ownership is well defined. Neither specialized assets` quasi rents nor anything else will then be captured. Measurement, however, is costly and subject to error, so transactors are not certain how they will fare in their changes; their economic rights are not well defined. Capture opportunities exist everywhere, and transactors will spend resources to capture what they can.
Firmas integradas nessas condições têm vantagem sobre os rivais. O autor afirma que, nesse contexto, “[...] ownership arrangements are determined by costs and costs is
determined by the pattern of ownership”. Além disso, a necessidade de controle, também,
se estabelece como variável influenciadora. Hart e Moore (1990) observam que a abordagem dos direitos de propriedade considera que a posse de direitos de controle é fundamental para a decisão de integrar. Conforme eles, a obtenção de lucros a partir de uma segunda firma (profit stream) pode ser realizada por contratos, mas se o objetivo é ter controle precisa integrar suas atividades (residual control rights). Dessa forma, Zylbersztajn (2005, p. 6) conclui: “Therefore, strict control is associated with vertical
integration, while market transactions are chosen when low asset specificity prevails, leaving less room for expropriation”.
O segundo ponto, a informação, para Barzel (2005), se estabelece como essência para garantia dos direitos de propriedade, influenciando na decisão de integrar ou não as atividades. Sem informação não há definição do que se possui. A integração vertical definiria um arranjo adequado na ausência ou limitação de informações ou para sua transmissão efetiva quando envolve diferentes estágios6. A mensuração, nesse aspecto, caracteriza para Barzel uma particular forma de informação. Quanto ao custo de mensuração, terceiro ponto, verifica-se que a mensuração tem um custo e, em determinadas condições, o mercado pode ser a mais cara instituição para organizar a produção do que a firma, notadamente em mensuração repetitiva.
Dessa forma, considerando a dificuldade de medir as variáveis relacionadas aos atributos de transação, Barzel (2003) identifica uma forma alternativa para justificar a integração vertical e tratar das relações contratuais, i.e., dos limites da firma. Zylbersztajn (2005b, p. 10), nessa orientação, observa que: “The scope of the firm is defined by the set
of contracts that affect product variability”. O autor observa que a variabilidade ou
responsabilidade estão relacionadas aos direitos residuais e a teoria se aplica nas questões em que produtos ou serviços podem ser contratados ou possuídos.
A impossibilidade de obter informação efetiva no processo ou no consumo ou de medir de forma objetiva e verificável limitaria o uso de contratos nas transações ou
6
Barzel (2005, p. 367) identifica as seguintes implicações quando considera a especialização e estágios produtivos: a integração vertical aumenta com o número de passos verticais na produção; a produção se torna mais especializada quando o custo da organização das relações verticais cai; a produção se torna mais integrada quando os ganhos da especialização aumentam.
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10 mercado. Além disso, na proposição de Barzel (2005), a formação de organizações integradas acontece quando o custo de mensurar produtos transacionados é alto. Zylbersztajn7 (2005b, p. 6) resume da seguinte forma: “The easy-to-measure dimensions
are contracted, whilst the difficult-to-measure attributes make room for capture of value and are expected to remain within the firm. High measurement cost invokes the capture of value”.
Essa discussão oferece explicação e compreensão da origem de estruturas que se estabelecem objetivando a tratar dos problemas de propriedade e mensuração que envolvem os sistemas produtivos. Suas indicações oferecem mecanismos analíticos complementares na identificação dos objetivos dessas construções, que se justificam na busca de eficiência, envolvendo a viabilidade operacional e redução de custos de transação. 5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Diante dos objetivos definidos, estabeleceu-se como orientação para o desenvolvimento desta pesquisa àquela fundamentada na abordagem humanista (BARROS, LEHFELD, 1986), por intermédio da adoção do estudo Qualitativa. Tal posicionamento leva ao entendimento dos fenômenos organizacionais sob a perspectiva do comportamento e interação de seus atores. Neste trabalho, a Pesquisa Qualitativa é tipificada como descritiva, envolvendo a pesquisa documental e bibliográfica e a pesquisa de campo, essa última definida pela coleta de dados no local do surgimento do fenômeno.
Nesta filosofia, a operacionalização da pesquisa envolveu, alem da construção de referencial analítico, o levantamento de aspectos empíricos e a análise com adoção de métodos de segmentação e a análise de conteúdo e discurso, buscando-se a comparação entre as práticas observadas nos subsistemas em estudo e sua compreensão e estruturação a partir dos aspectos teóricos desenvolvidos. A execução da parte empírica do projeto envolveu o estudo do impacto ou influência dos contratos nas relações entre o segmento produtor e processador, no sistema agroindustrial de carne de frango, especificamente no estado do Paraná, e as conseqüências de margens contratáveis e não contratáveis, ou acordadas, nessas relações. Procurou-se, dessa forma, levantar evidencias, exclusivamente, pelo lado do produtor da sua percepção quanto à captura oportunista por parte do processador, configurando poder de mercado, sob orientação do pressuposto e da hipótese qualitativa estabelecidos, os quais definiram a orientação teórico-analítica.
7 Zylbersztajn (2005b, p. 6) observa que Barzel não considera questões comportamentais, como oportunismo,
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11 integrados abate processamento T1 T2 independentes distribuição T3 consumo cooperados Cooperativa de Abate e processamento
Fig. 02: Modelo estrutural do SAG de carne de frango envolvendo cooperativas e empresas privadas.
Para a realização do trabalho empírico foram identificados os arranjos e analisado o problema proposto na relação T1, que envolve produtores integrados a cooperativas ou empresas privadas e produtores independentes (FIGURA 02). A exeqüibilidade dessa fase pode ser assegurada pela verificação da pré-existência de arranjos organizacionais caracterizando articulação vertical entre produtores e processadores nos três tipos identificados, permitindo a comparação desse aspecto entre os diferentes arranjos envolvidos. Nesta fase as características ex ante e ex-post dos contratos existentes, a percepção dos produtores, fontes primárias, acerca da influencia dos contratos nas relações de poder e na gestão de seus negócios, as intenções percebidas na contratação, bem como as conseqüências dessas intenções em termos de possibilidades de exercício de poder monopólio (concentração pela interação estratégica) e ganhos de eficiência foram foco de análise. O trabalho de campo foi levado a efeito a partir de entrevistas semi-estruturadas. Segundo Merriam (1998), na pesquisa semi-estruturada a ordem das questões é mais flexível ou a entrevista é um mix de questões mais ou menos estruturadas. As questões foram segmentadas conforme orientação teórica, agrupadas em: caracterização; característica e formas de relacionamento; características dos aspectos contratados; características dos aspectos cordados.
Nessa orientação foram ouvidos 15 produtores cooperados, 14 produtores integrados, nas estruturas cooperativas e privadas, com contratos formalizados, e dois atuando de forma independente, com contratos informais com processadores privados. Os entrevistados foram selecionados intencionalmente por critério de julgamento, considerando-se o tempo na atividade ou a indicação de outros produtores, caracterizando uma amostragem não-probabilística. As entrevistas foram realizadas em sua maioria nas propriedades rurais, localizadas nas regiões, Oeste e Noroeste do Paraná.
A amostra utilizada para realização das entrevistas, conforme Tabela 01, envolveu produtores com diferentes tempos de permanência na atividade, dos quais grande parte está envolvida com a produção de frango de corte há mais de dez anos. A amostra identifica proprietários de barracões com capacidade variando de 9.000 até 29.000 frangos, por
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12 barracão, o que define uma capacidade média de alojamento, entre os entrevistados de 33.000 frangos, os quais recebem de 6 a 7 alojamentos por ano.
Tabela 01: Características quantitativas dos entrevistados
Descriptive Statistics
Nº Minimum Maximum Mean Std. Deviation
Tamanho (alqueires) 31 1,2 75 14,577 17,877
Tempo na atividade (anos) 31 2 34 14,338 7,053
Distância do processador (km) 31 3,5 100 27,645 23,391
Barracões 31 1 5 2,0967 1,193
Produção (unidades) 31 9.000 84.000 33.448,39 19,392
(Fonte: autores)
Embora as entrevistas buscassem profundidade na coleta das informações de forma a atender ao problema de pesquisa estabelecido, a capacidade de extrapolação dos resultados fica limitada tendo em vista que, embora representem o segmento de produtores de frango, não são representativos da população total, tendo em vista que existem no estado cerca de 7.000 produtores integrados no estado do Paraná, conforme relatório Seab/Deral (2008)
6 TCM E PODER DE MERCADO NO SAG DE FRANGO DE CORTE EM ARRANJOS LOCALIZADOS NO PARANÁ
A avicultura participava, em 2006, no estado do Paraná com cerca de 15% no VBP, e no grupo pecuária tinha a maior participação, respondendo por 38,7% da renda bruta do estado, enquanto o segundo colocado, o segmento bovino, respondia por 22,3% (SEAB/DERAL, 2008b). O mesmo relatório informava que o frango de corte era responsável por 11% da renda bruta estadual, sendo o segundo maior produto em arrecadação, com grande concentração na região Oeste do estado. Essa constatação direcionou a concentração da seleção das entrevistas nessa região. As estruturas de governança organizadas por cooperativas ou empresas privadas para coordenar a produção de frangos, cujos produtores participantes foram objeto de entrevistas, apresentam similaridades e especificidades, as quais, entretanto, não foram objeto de análise nesse estudo, cujo foco está na relação contratual presente nos dois sistemas.
A produção de frango, para os entrevistados, responde em média por mais de 60% da renda anual, e o sucesso na atividade depende principalmente de dois fatores: manejo adequado; manutenção da qualidade sanitária do ambiente e animais. Nesse aspecto, o custo elevado das instalações e a necessidade de um constante ajuste tecnológico e de manejo, que se ajusta tanto ao lote de pintainhos recebidos quanto às estações, caracterizam os principais fatores limitadores da eficiência desses produtores. Para a entrada no negócio de produção de frangos, o principal requisito é a posse de aviário com padrão tecnológico, além de atendimento aos demais requisitos contratuais e localização geográfica adequada (distante de outros aviários e matrizeiros), inseridos na discussão apresentada. Analisa-se, nesse aspecto, a possibilidade de exercício de poder de monopólio a partir: da estrutura de governança estabelecida; dos comportamentos verificados nas relações contratuais, principalmente, de acordos envolvendo produtores e integradora, na forma cooperativa ou privada.
Esses fatores, inicialmente apresentados, buscam explicar as condições em que o exercício de poder de mercado poderia ocorrer, embora a eficiência justifique sua intenção.
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13 O comportamento dos agentes é analisado considerando-se aspectos relacionados ao mercado, na linha de atuação do CADE e, principalmente, fatores extra-mercado, em resposta aos objetivos de eficiência (direito legal e direito econômico). De um lado trata-se da análise do objetivo de: controle da produção e capacidade produtiva; da coordenação; da existência de barreiras e formação de mercado relevante, resultantes da estrutura de governança estabelecida. Por outro, da consideração: dos comportamentos relacionados às fraquezas contratuais pela fixação e execução de contratos; dos acordos e solução de disputas no âmbito econômico, na linha proposta por Barzel.
a) Controle da produção e capacidade produtiva
A capacidade produtiva envolve duas considerações: a possibilidade de expansão do produtor e a de processamento da integradora. Concentrando-se a análise no segmento produtor, o alojamento no produtor segue a programação de abate do processador, e depende de sua capacidade de abater e fornecer os recursos necessários à produção, impondo limites aos objetivos de ampliação da capacidade de alojamento e manejo no segmento produtor.
No caso da cooperativa, é ofertada aos cooperados a possibilidade de inscrição para expansão, o que não é facilitado, conforme observam: “Para entrar não libera, tem que comprar o ponto (compra o aviário) e traz de onde quiser”. Nos integrados a empresas privadas, a maior dificuldade está em obter financiamento. Um entrevistado resume essa situação, que é unânime entre os produtores ouvidos, para ele o problema é “[t]er recursos financeiro, tem que ter garantia para financiar, tem que ter cadastro aprovado no banco, e em segundo a empresa deve precisar de matéria-prima, dá preferência para quem já está no negocio, no momento está precisando”.
Quanto ao controle da produção, cabe ao produtor atender às exigências da integradora, desde a localização, formas de manejo e recebimento e entrega dos lotes. Conforme ratifica um produtor, “a integradora tem onde colocar o frango e quer seguir o padrão do mercado, define o que quer, controla a produção, com 35 dias mando o peso e a empresa sabe quanto abate por dia”.
b) Coordenação de grupo de empresas
Além de controlar todo o processo, a coordenação se estabelece desde o início na atividade, até no sistema de manejo e entrega do frango para abate. Os produtores identificam as exigências e se ajustam ou buscam se adaptar. Um entrevistado afirma: “tem muita exigência, tecnologia, atender meio ambiente, reserva natural, não aceita mais o uso de ventilador, tem que ser exaustor, tem cinco anos para ajustar”. Dessa forma, o processador determina o comportamento geral para os integrados, embora nem todos atendam uniformemente, o que é motivo de discussões, e que impacta na remuneração. No manejo, os sistemas de acompanhamento e remuneração estabelecem movimentos alinhados às necessidades de quantidade e atributos do processador. Isso pode ser percebido na própria consideração dos aspectos geradores de vantagem competitiva entre os produtores. Conforme afirma um produtor: “tenta buscar vantagem, tendo capricho no manejo e equipamento bom, mas se pintainho vem ruim não dá resultado”. Além disso, o sistema de carregamento das aves é coordenado pelo processador, impactando nos resultados dos produtores, o que gera conflitos, notadamente na ocorrência de atrasos, aspecto a ser aprofundado, ainda, nesta seção. Mesmo em casos em que não seja responsável pelo carregamento, o processador estabelece a estrutura e programação para que isso aconteça conforme a necessidade.
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c) Barreiras à entrada
No setor, conforme entrevistas, é unânime a observação de que as barreiras à entrada para o produtor se estabelecem na necessidade de investimento e localização, determinadas pelo processador, já pelo lado dos processadores, essa situação se estabelece pela estreita dependência a um volume de frango vivo, e que atenda aos padrões de comercialização demandados. Conforme afirmam os produtores, as mudanças ocorrem lote a lote, seguindo as determinações do processador, que coordena vários estágios do processo produtivo. A existência dessas barreiras é ratificada, ainda, ao se analisar duas situações: a desvantagem para o produtor na relação e as opções para comercialização. A consideração da desvantagem na relação como forma de análise pode se justificar pela verificação da posição de grande maioria dos entrevistados acerca da elevada dependência do processador e não ter como aproveitar as oportunidades do mercado. Conforme afirmam: “às vezes não tem concorrência e não há negociação”; “fica descontente quando não recebe frango bom, tem lotes ruins e depende deles”. Além disso, quando questionados acerca das opções para comercializar, grande parte dos produtores foram enfáticos em afirmar “não existe outro comprador”. A posição de um entrevistado independente define sua condição de vantagem: “tem opção de alojar de qualquer processador, procura onde tira mais novo, quando não exporta não precisa padrão”.
d) Fraquezas contratuais: direito legal
As exigências para inicio do contrato, o qual é padrão, para os produtores, podem se estabelecer, de forma geral, em alguns dos seguintes aspectos, variando de integradora para integradora: apresentar a infra-estrutura tecnológica necessário para produção (aviário padrão); fazer aquisição de insumos para criação; fazer o carregamento dos frangos terminados; atender às condições de manejo estabelecidas; não ter outro tipo de criação de aves na propriedade. Embora não haja menção por parte dos entrevistados, nos contratados relacionados aos sistemas analisados, todos os produtores são fiel depositário. Para o produtor, cabe ao processador fazer o pagamento conforme metodologia e tabela de preços de acordo com a pontuação, fornecer assistência técnica e veterinária; fornecimento de pintainhos e ração. Os custos, relacionados à aquisição de alguns insumos, investimentos em infra-estrutura física das instalações e propriedade, e as limitações a diversificação são apresentados como fatores que dificultam a contratação.
Todos afirmam que os contratos exigiram investimentos específicos, no caso o aviário, envolvendo blindagem e equipamentos relacionados à alimentação e ambiência. Por outro lado, não há contrato de preço, que se define a partir da sistemática de remuneração equivalente a pontuação obtida multiplicada pelo peso obtido, levando em conta produtividade, descontos e bônus.
Conforme os entrevistados as ocorrências de mercado impactam sobre a remuneração, seja pela elevação no período de intervalo para alojamento quanto pela redução do preço, embora se observe que, se o preço cai a integradora procura segurar o valor mínimo. Esse aspecto é argumentado por quem se encontra nesse tipo de contrato: “Paga pela média da semana, se ficar acima ganha mais, já assumiram problemas antigamente, hoje paga pela média, o problema é que aviários modernos fazem sua média cair. Pessoal reclama porque aviário antigo não pode competir com aviário novo, quando fez aviário não tinha a estrutura tecnológica que tem hoje. Começaram a produção de frango e agora são penalizados. Quem tem capital tem média maior, teria que ter uma classificação separada”. A busca de equilíbrio na distribuição de ganhos e prejuízos segue a orientação do contrato,
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15 se lote é ruim recebe punição, conforme histórico verificado na planilha, e recebem indenização do processador se não sabem a origem da perda, tudo acompanhado pelo técnico ou veterinário. Conforme já mencionado a negociação ex post é limitada, o peso é discutível, e as condenações são questionáveis, sendo que em alguns casos o produtor recebe indenização na forma de bonificação. Dessa forma, atrasos no fornecimento de ração e carregamento são objeto de indenização. Entretanto, mesmo a bonificação, é motivo de questionamento, um dos produtores afirma: “vem tirando o frango com 46 dias de idade, e recebe em média 0,31 centavos, recebendo apenas frango misto. Não recebe bonificação por equipamento, tem bonificação por idade e aspecto sanitário, mas a bonificação serve para que eles (o integrador) definam quanto querem pagar, se fosse pelo numero certo daria o valor correto”. Conforme afirma um entrevistado: “processador divide o prejuízo, o granjeiro é responsável, recebe por pontuação, às vezes tem bonificação, mas não é muito”.
Destaca-se que, conforme depoimentos, a vinculação à associação permite melhor condição de negociação e minimiza possibilidades de punição. Conforme entrevistados, “se entrar na justiça é eliminado” e “se bater de frente, sabe que pode ter formas de penalização, como receber lotes ruins, com menos idade nos pintainhos”, ou ainda, ficar sem alojar. Por outro lado, observam que a manutenção de um bom relacionamento pode ter benefícios como “receber lotes melhores ou cortarem lotes que só geram despesas”. Alterações não previstas, para a maioria dos entrevistados, são resolvidas pelo integrador. Em alguns casos relatam que acontece, apenas, uma explicação do porque da decisão já tomada, conforme afirmam: “eles resolvem”.
Não se observou, entretanto, relato de descumprimento de contrato por parte do integrado ou integrador, mas a percepção de excesso de flexibilidade favorecendo o processador é destacada pela maioria dos entrevistados, i.e., uso de contratos com baixo nível de especificações, i.e., sem informações plenas. Isso é sintetizado na fala de um entrevistado “Não sabe até que ponto vai. No preço não tem cumprimento de contrato, às vezes acha que não houve, mas outras cláusulas dizem que tem que acompanhar as mudanças de preço e tecnologia. Fizeram o contrato de forma a ter flexibilidade”. Nos produtores, o relato de não cumprimento de contato é pouco observado, sendo que, quando ocorre o produtor pode ficar sem alojar por certo período.
e) Aspectos acordados: direito econômico
De acordo com Barzel, a possibilidade de apropriação de direito de propriedade se estabelece, principalmente, em aspectos acordados, sendo analisado se é nesses aspectos que o exercício de poder de mercado, também, pode se apresentar. Na pesquisa os entrevistados afirmam existir aspectos acordados. Conforme se observou, os acordos se configuram, de forma especifica, a partir de recomendações para mudanças no manejo e aquisição de equipamentos para o aviário, originárias de técnicos, veterinários ou de reuniões, no caso de cooperativas. Os entrevistados observam de forma unânime que os aspectos acordados visam a atender ou a demanda do mercado ou a busca por maior produtividade, impactando de forma direta ou indireta na remuneração. Diretamente melhoram a produtividade, melhorando a ambiência, manejo e rendimento, indiretamente orientam o pagamento de bônus.
Dentre as exigências mais significativas para os entrevistados estão: a instalação de silos; sistemas automáticos de alimentação; controle de temperatura nos aviários; a blindagem dos aviários. Esse aspecto é ratificado por um entrevistado que afirma: “tem que investir
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16 conforme acordo, agora tem que investir porque o mercado está exigindo. Uma parte ajuda no resultado, outra não altera produtividade só condições de cria e segurança; às vezes se ajusta a outros sistemas para melhorar produtividade”. Os entrevistados destacam, ainda, que a colocação de equipamentos nos barracões caracteriza um processo de atualização, normalmente não contratado, que ajuda o produtor a se manter na atividade. Entretanto, enquanto alguns relatam ser uma melhoria estimulada com bônus, outros relatam que o atendimento aos acordos é condição para ficar no negócio. Nesse caso, até o inicio de outra atividade no aviário, como plantio de eucalipto, é mencionado como orientação da integradora por um grupo de produtores, de forma a obter mais diversificação e proteção ao aviário. Conforme afirmam: “[...] por exemplo, o caso dos eucaliptos, como área de sustentabilidade, definem o que tem que fazer e dão o prazo”. Conforme observam: “Estão pedindo melhorias, alegando que vai ganhar mais bonificação. Se melhorar ou atender os investimentos ganha um percentual. Não exigem, mas se fizer tem percentual a mais de ganhos ou bônus”; por outro lado, “quando o equipamento não está atualizado, se não coloca não aloja, é pressionado para colocar, não tinha muita opção”.
Nota-se que os mecanismos adotados para monitoramento dos acordos são os mesmo presentes nos aspectos contratados, conforme entrevistados. Cabe aos técnicos e veterinários a verificação acerca do cumprimento das orientações e atualizações nos aviários e a comunicação para pagamento de bônus. As perdas, para grande maioria dos entrevistados só são divididas se houver comprovação de problemas oriundos da integradora, que em certos casos, é difícil se identificar ex-ante, como envio de lote de pintainhos de baixa qualidade, falta ou problemas na ração, atraso no carregamento.
Como conseqüência, as reclamações acerca da forma de acerto, baixo retorno sobre o investimento e falhas na assistência e reposição de perdas são relatados pela grande maioria dos entrevistados. Conforme afirmam: “discordo do acerto, porque não tem como confirmar. Na lavoura é especificado, na integradora não tem como fiscalizar. Tem que aceitar o resultado, não sabe se a bonificação é correta”; “é contra a bonificação, porque é em cima de itens e não sabe o que ganham. O investimento dobrou, e o pagamento não aumentou e sabe que a integradora tem lucro, ganha em cima dos produtos repassados e da renda do produto final”. Conforme já visto, embora tenham reclamações, a mudança para outra atividade é dificultada pela falta de opção, notadamente, para o pequeno produtor, conforme relata um deles: “contrato só firma o acordo. Mas o maior ganho é para o processador, o preço do frango é sempre o mesmo. Ninguém para porque não tem outra atividade”.
6.2 Análise Geral
A estrutura de governança utilizada no SAG de frango se ajusta a necessidade de controle e coordenação, de forma a garantir padrões e quantidade, se alinhando as considerações de Barzel, Hart, Moore e Zylbersztajn. Justifica-se, nesse aspecto, pela busca de produtividade, geração de volume, necessidade de coordenação, dado aos padrões sanitários e qualitativos necessários e redução de custos de mensuração de maneira continuada.
Embora o contrato estabeleça garantias e mecanismos de enforcement, configurando Direito Legal, mecanismos de reputação e domínio nas decisões podem permitir ao processador se apropriar dos resultados de eficiência obtida. Além disso, a não disponibilização da informação plena, que pode identificar contratos com nível de
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17 especificação baixo, pode caracterizar a busca intencional pela flexibilidade nas relações pelo lado do processador, e propiciar condições para apropriação de renda. Como conseqüência, o equilíbrio nos ganhos, resultante da estrutura de governança estabelecida, não é percebido no segmento produtor. A dependência organizacional e produtiva do segmento produtor e a adoção de poucas especificações, em complemento, dificultam o uso do aparato legal para resolução de conflitos. Verifica-se, dessa forma, que não há uma preocupação em se utilizar o sistema de garantia pelo enforcement do estado, a partir da especificação completa nos contratos, uma vez que a estrutura de governança verificada permite maior domínio por parte do processador nas ações relacionadas aos atributos transacionados.
A estreita dependência à existência de um grupo de produtores estabelece uma barreira organizacional á entrada, justificando os arranjos adotados. Essa necessidade de coordenar um grupo de produtores de forma a obter uma escala de produção dinâmica e específica, pode atuar como barreira e impedir as entrada de novos concorrentes. Essa condição pode elevar os custos tanto de produção quanto de transação, tento em vista determinar a busca sistemática para assegurar os direitos sobre os atributos mensuráveis, por parte dos produtores, limitando os ganhos de eficiência resultantes da estrutura de governança estabelecida nos dois segmentos (FIGURA 03). Os aspectos acordados influenciam a estrutura de mensuração e remuneração. A existência de reclamações acerca do cumprimento de acordos, e duvidas quanto à remuneração representam fortes indícios de problemas de mensuração e, conseqüentemente, de informação e garantia de direito de propriedade. Como resultado, apesar de não se identificar uma estrutura alternativa, a eficiência da estrutura estabelecida pode ser comprometida e a possibilidade de exercício de poder de mercado por parte do processador se configura (FIGURA 03).
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18 ESTRUTURA Poder de oligopsônio Controle da produção Coordenação efetiva Barreiras organizacionais à entrada CONDUTAS Padrões obrigatórios Exigência de Investimentos Controle da mensuração Centralização da decisão Contrato padronizado
Forma de remuneração e metodologia contratadas Contratação de atributos mensuráveis Contratos com especificações incompletas
Flexibilidade ao processador Existência de aspectos acordados
Indícios de poder de monopólio Exigências acordadas e não especificadas
Dominância produtiva Benefício direto ao Processador
Retorno parcial ao produtor Dúvidas quanto aos resultados
da mensuração Pouca opção ao produtor
Esforço conjunto de produção Tolerâncias para investimento Renegociação pela associação Produtor com baixo poder de negociação
Descontos e punições em atributos mensuráveis Bonificação de perdas
Possibilidade de captura de valor e limites à eficiência
Ex-ante
Ex post Ambiente Institucional
(leis, cultura, costumes)
Ambiente Organizacional (sindicatos, associações, bancos)
Poder de Mercado Poder de Contrato
Fig. 03: Características de poder de mercado e de contrato entre os segmentos produtor e processador no SAG em estudo (Fonte: autores)
Conforme apresentando na Figura 03, uma vez que existe por parte desse: controle do processo produtivo, sendo que, no limite, o produtor pode ficar sem produzir, como forma de punição, dado ao nível de dependência produtiva estabelecido; coordenação estreita de todo o processo, em que se determinam quando e quanto o produtor pode produzir, o que é mensurado e avaliado, e a sistemática de remuneração, o que é normalmente comunicado, mas não discutido, e até interferir no nível de atendimento aos atributos; estabelecimento de barreiras organizacionais à entrada, tanto para novos concorrentes como fornecedores, definida pela necessidade de coordenar e controlar um grupo relativo de produtores capazes de responder as demandas em termos de quantidade e atributos, definindo um mercante relevante organizacional pelo lado da oferta.
A mensuração envolvendo aspectos produtivos e o produto resultante apresenta, pelo menos, dois impactos nas relações envolvendo produtores e processador: aspectos e ocorrências não verificáveis ou prevenidas ex-ante pelo produtor no produto final, mesmo contratadas, geram dúvidas quanto aos resultados das medições e remuneração oferecida, com possibilidades de apropriação; exigências de investimentos mensuráveis, exigidos pelo processador, mas de difícil realização para o produtor, muitos vezes acordados, podem caracterizar apropriação de renda uma vez que vincula a remuneração do produto a fatores exógenos e gera benefícios diretos na comercialização para a integradora.
Além disso, nos aspectos acordados, as exigências continuadas em termos de mudanças tecnológicas e produtivas, e até diversificação, e a sistemática de remuneração por intermédio de pontuação, favorecidas por cláusulas de flexibilidade ou o uso de
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19 contratos incompletos, notadamente em termos de condições de descontos, os quais são questionados pelos produtores, definem indícios de práticas dominantes por parte das integradoras, com possibilidades de captura de valor. Nota-se que os contratos estabelecem alguns aspectos relacionados à produção e condições de operação, mas não contemplam todos os fatores envolvidos, os quais caracterizam acordos, ou direito residual de decisão administrativa, que na maioria das vezes recaem em prejuízo ao produtor, tendo em vista envolverem investimentos ou possibilidades de penalização e não distribuição adequada do risco.
A sistemática de pagamento de bônus e descontos direciona ao produtor toda a responsabilidade pela não obtenção dos resultados esperados, em que os descontos deixam dúvidas quanto à metodologia de mensuração utilizada e realizada. Embora o mercado impulsione algumas orientações, em termos de manejo e cuidados sanitários e, em certas circunstâncias, remuneração, não é capaz de responder por todas as determinações impostas ao produtor em termos de mensuração, estrutura e práticas produtivas e resultados alcançados. Dessa forma, verifica-se que os investimentos são continuadamente exigidos do produtor, e mesmo sob condição de tolerância para sua realização, condicionam a remuneração, mas não se mostra, claramente, como retornam e nem em quanto tempo serão recuperados, evidenciando a limitação do arranjo na distribuição dos riscos inerentes à produção.
Além disso, o fato de se verificar que posturas questionadoras por parte do produtor, podem interferir nos resultados produtivos, sinaliza a potencialidade e condição do processador para exercer dominância sobre essa relação, podendo prejudicar ou beneficiar o produtor, mesmo em aspectos contratados. Nota-se, porém, que a possibilidade de exercício de poder de mercado não significa que o arranjo não seja eficiente. Conforme se verificou, entretanto, pode limitar a eficiência pretendida, elevando custos de produção e transação e, até, inviabilizar no longo prazo a manutenção da atividade no segmento produtor. Em termos estruturais não oferece alternativas ao produtor, que dada ao conhecimento especializado, ao investimento realizado e a estrutura de mercado, tem dificuldades para mudar de processador ou atividade. Verifica-se, entretanto, que o estabelecimento de atributos mensuráveis por sua vez, permite que condições favoráveis sejam alcançadas, uma vez que a negociação sobre fatores objetivos pode ocorrer. Nesse aspecto, produtores integrados a associações parecem estar alcançado melhores resultados na negociação coletiva de suas demandas, podendo ser uma alternativa a eficiência do modelo, dados às condições de mensuração estabelecidas.
7 CONCLUSÃO
Neste artigo discutiram-se as relações contratuais formais e informais no sistema agroindustrial de carne de frango, à luz do confronto entre o objetivo de eficiência e exercício de poder de mercado, oferecendo-se para isso, uma análise extra-mercado. O sistema de coordenação e a sistemática de regulação foram compreendidos, dessa forma, sob enfoque da Organização Industrial e da Nova Economia Institucional. Essa ultima representada pela Teoria dos Custos de Mensuração, proposta por Yoram Barzel, cujo enfoque da eficiência como pressuposto central foi ratificada pela pesquisa empírica.
A discussão teórica estabeleceu a busca de equilíbrio entre eficiência e desempenho, alinhando-se estrutura de governança e atributos mensuráveis, considerando-se estrutura de mercado e comportamento dos agentes. O trabalho empírico, entretanto, embora ratificasse os motivos para adoção da estrutura de governança, efetivada na forma