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MASCULINO, FEMININO E CICLO VITAL:

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Academic year: 2021

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Daniela da Silva Vera (Bolsista de iniciação cientifica/CNPq)

Afiliação Institucional: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. E-mail: [email protected]

Eixo do XIV Encontro: Gênero, sexualidade, etnia e geração. Grazieli Franco Pereira (Bolsista de iniciação cientifica/CNPq) Marlene Neves Strey (orientadora)

MASCULINO, FEMININO E CICLO VITAL: um Estudo Exploratório.

O presente projeto está inserido no Grupo de Pesquisa Relações de Gênero da PUCRS, coordenado pela Profa. Dra. Marlene Neves Strey, e faz parte do Projeto Guarda-Chuva “Gênero, Gerações e Subjetividade”, em uma de nossas linhas de pesquisa “Gênero e Questões Contemporâneas”. Objetiva-se investigar o que é considerado ser masculino ou feminino pelas pessoas além de compreender se existem ou não diferenças de conceituação da masculinidade e da feminilidade ao longo das faixas etárias, sexo, nível de escolaridade e tipo de atividade exercida. Os conceitos de feminilidade e masculinidade são intuitivamente atraentes e significativos para a maioria das pessoas, assevera Janet Hyde (1995). Para essa autora, em geral, as pessoas têm uma idéia, mais ou menos delineada, sobre quais são as características que fazem um homem ser “masculino” e uma mulher ser “feminina” e que serem assim (masculinos ou femininos) é certamente o ideal. E isso não seria opinião apenas do senso comum, mas que também está na base de muitas teorias psicológicas tradicionais. No entanto, Hyde também lembra que, nas últimas décadas, tem surgido um outro ideal para ambos os sexos, a androginia. Nosso interesse em pesquisar sobre os conceitos M-F elaborados pelas pessoas ao longo do ciclo vital se justifica porque a opressão de homens e mulheres pode ser oriunda, entre outras fontes, dos estereótipos que determinam o seja ser masculino ou feminino e a sua atribuição a homens e mulheres, podendo causar limitações, barreiras e prejuízos a quem diverge dos traços M-F preconizados, tanto pela

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sociedade/cultura, quanto pelos próprios indivíduos. Conforme Miriam Dinerman (2004) sustenta, dependendo de como definimos as coisas, nós mesmos(as), o mundo, o nosso auto-conceito, a situação pode mudar drasticamente, pois poderemos fixar nossa atenção a certos aspectos e afastar-nos de outros que talvez fossem mais importantes. No caso, ser masculino pode ser visto como ser agressivo ou mesmo violento na solução dos problemas, enquanto ser feminina pode ser considerado como ser sensível, cordata e submissa aos desejos dos demais. Agora, como seria o caso dos homens que se consideram ou são considerados femininos e das mulheres que se consideram ou são consideradas masculinas? Provavelmente a resposta a essas questões nos levariam a descobrir mais preconceito, limitações e sofrimento. A partir da revisão geral da literatura do projeto, passamos a revisar conceitos centrais da Masculinidade, Feminilidade e Androginia. O que é ser feminina, masculino, andrógino(a)? A resposta ou respostas podem vir desde muitas perspectivas, tendo em vista que é uma discussão que se trava há longa data na Psicologia. Esclarecer essa discussão demandaria descrever um longo processo histórico, o que não cabe neste projeto. Assim, mencionaremos dois tipos de enfoque. Aquele que vê essas características como dotações biológicas (embora assumamos que sejam fundamentalmente culturais) e a maneira como a Psicologia os conceitua em termos teórico-metodológicos. Quando uma característica masculina ou feminina é vista como derivada ou produto do biológico, apesar de ser culturalmente construída, terá uma importância muito maior do que se fosse considerada apenas cultural. A perspectiva biológica enfatiza as diferenças entre o homem e a mulher, tais como as habilidades mecânicas versus habilidades verbais, que aparecem cedo na infância e persistem através da vida adulta (Vanderberg & Kruse, 1979; Petersen & Crockrett, 1985, apud Strey, 1994). Obviamente, se as diferenças sexuais são inatas, devem permanecer estáveis. Ou seja, as diferenças sexuais que são continuadas, universais e estáveis, são enfatizadas em apoio à afirmação de que são determinadas mais pela natureza do que pelo ambiente (Money et al., 1972. 1975, 1979, apud Strey, 1994). A formação de estereótipos é fundamental na biologização de influências sociais e culturais (Frable & Bem, 1985; Jablonski, 1988; Del Valle, 1989; Dio Bleichar, 1992). Cada sociedade atribui determinados papéis a homens e mulheres e estes papéis, frequentemente, ou quase sempre, ajustam-se perfeitamente a certas idéias de como são ambos os sexos. Ainda que os estereótipos não sejam regras ou normas, podem chegar a ter um efeito normativo sobre idéias e características de personalidade e comportamentais. Ao ser algo fixo, o estereótipo limita as possibilidades de

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desenvolvimento pessoal ou grupal em uma direção mais livre ou atípica. Existe uma tendência histórica e sistemática de hierarquização entre homens e mulheres que pode produzir e parece que produz, diferenças no auto-conceito de ambos os sexos. As crianças crescem em sociedades que acreditam que homens e mulheres são psicologicamente distintos e isto parece incentivá-las a perceber-se a si mesmas de maneira congruente com seus próprios modelos de gênero. No entanto, isto não é meramente uma questão cognitiva. A maioria das sociedades realiza práticas de socialização diferenciadas com as crianças, tratando cada sexo de maneira distinta, incentivando diferentes tipos de roupas, brinquedos, brincadeiras, esportes, comportamentos, atitudes, etc. A participação nessas atividades socializadoras e as recompensas associadas a elas são outras razões para esperarmos que mulheres e homens percebam a si mesmos(as) de forma distinta, desenvolvendo auto-conceitos também distintos. O outro enfoque que queremos apresentar é o das diversas formas que a Psicologia costuma conceituar a masculinidade-feminilidade (M-F). A visão mais simples da M-F consiste na aceitação de dois tipos de pessoas, as masculinas e as femininas (seriam, em princípio, a correspondência entre homens e mulheres). O contínuo M-F, seria mais complexo e as pessoas poderiam ser mais masculinas ou mais femininas em diferentes pontos de um contínuo. Assim, a masculinidade estaria num pólo do contínuo e a feminilidade no outro. Portanto, masculinidade e feminilidade se opõem (Hyde, 1995), mas, a autora se pergunta: por que alguém não poderia ser, ao mesmo tempo, masculina e feminina? Foi para responder a essa questão que surgiram os estudos sobre a androginia, que se baseiam em um modelo M-F bidimensional, como duas dimensões independentes. No entanto, Hyde aponta que a partir das diversas pesquisas e modelos propostos (por exemplo, Bem, 1974, 1975, 1981, 1983; Spence & Helmreich, 1978, 1081, apud Hyde, 1995) foram feitas inúmeras críticas também ao conceito de androginia, principalmente porque se basearia em supostos tradicionais sobre a masculinidade e a feminilidade. Não estamos, nesse momento, querendo medir, mas sim compreender o que é masculinidade e feminilidade para as pessoas de uma maneira geral, a fim de verificar se existem diferenças ou não ao longo do ciclo vital na definição do que sejam esses conceitos. Este estudo seguirá um delineamento quantitativo-qualitativo. A parte quantitativa do estudo nos permitirá fazer comparações iniciais entre as variáveis idade, sexo, escolaridade e atividade exercida, em termos de freqüências e médias. A parte qualitativa permitirá investigar mais profundamente os significados que a masculinidade e a feminilidade têm para a nossa amostra. Como se

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trata de um estudo exploratório, sem pretensões a estabelecer inferências estatísticas, nem generalizações, não serão tomadas medidas para compor uma amostra devidamente controlada em termos de representatividade e tamanho. Deverão participar do estudo todas as pessoas que concordarem em responder ao questionário (anexo) e que tenham pelo menos 20 anos de idade, saibam ler e escrever. O número mínimo a ser considerado será de cinqüenta mulheres e cinqüenta homens distribuídos nas faixas etárias dos 20, 30, 40, 50 e 60 anos ou mais. Como instrumento de pesquisa será utilizado um questionário para a coleta de alguns dados demográficos (Sexo, idade, estado civil, nível educacional, atividade exercida) e duas perguntas abertas: “o que ser feminina”? e “o que é ser masculino”?. Essas duas perguntas são decorrentes de instrumento utilizado em sala de aula para levantamento das representações sobre homem e mulher, no qual “ser feminina” é uma das respostas mais freqüentes para representar mulher e “ser masculino” é uma das respostas mais freqüentes para representar homem. (ver estudo 3 neste projeto). O instrumento será primeiramente aplicado em um pequeno estudo piloto que servirá de treinamento na sua utilização para a equipe do Grupo de Pesquisa Relações de Gênero e também para a verificação de eventuais problemas na escritura das questões que o compõem. Os questionários serão distribuídos entre os membros do Grupo de Pesquisa Relações de Gênero, a fim de serem aplicados às pessoas com as quais tenham contato, buscando uma amplitude de características (homens e mulheres de idades, escolaridade e exercício de atividades variadas). Na medida em que os questionários respondidos forem sendo computados, buscar-se-á equipará-los em termos de que não sejam apenas respostas majoritárias de mulheres ou de homens, ou de pessoas na faixa dos 20 anos apenas ou dos 40 ou 50 anos. Os dados demográficos serão levantados e computados em termos de freqüências e médias. As respostas às questões “o que é ser feminina” e “o que é ser masculino”, serão categorizados segundo as indicações de Bardin (1997) para uma análise quantitativa e também para uma análise qualitativa. A partir desses dois tipos de análise, os resultados serão discutidos à luz das teorias de gênero que enfocam a masculinidade e a feminilidade e o seu sentido na produção de relações de poder.

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REFERÊNCIAS

Bardin, Lawrence (1997). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

Del Valle, Teresa (1989). El momento actual en la antropología de la mujer: Modelos y paradigmas. El sexo se hereda, se cambia y el género se construye. In: Actas de las VII Jornadas de Investigación Interdisciplinaria. Madrid: Instituto Universitario de Estudios de la Mujer. Universidad Autónoma de Madrid.

Dinerman, Miriam (2004). Editorial. Definitions and their consequences. Affilia, Vol. 19, Nº 4, p. 353-357.

Dio Bleichmar, Emilce (1992). Del sexo al género. Psiquiatría Pública, Vol. 4, Nº 1, p. 17-30.

Frable, D.; Bem, S. (1985). If you’re gender schematic, all members of the opposite sex look alike. Journal of Personality and Social Psychology, Vol. 49, p. 459-468. Hyde, Janet (1995). Psicología de la mujer. La otra mitad de la experiencia humana. Madrid: Ediciones Morata.

Jablonski, Bernardo (1988). Categorização e estereótipos sociais. In: Anais do Simpósio Brasileiro de Pesquisa e Intercâmbio Científico. Recife: Anpepp.

Richardson, L. W. (1981). The dynamics of sex and gender. Boston: Mifflin.

Strey, Marlene Neves (1994). La construcción del proyecto profesional en la mujer. Tese de Doutorado. Madrid: Universidad Autónoma de Madrid.

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