PARÂMETROS DE APLICABILIDADE DO ULTRA-SOM NO TRATAMENTO DA LIPODISTROFIA GINÓIDE

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PARÂMETROS DE APLICABILIDADE DO ULTRA-SOM NO TRATAMENTO DA LIPODISTROFIA GINÓIDE

Acadêmicos: Danielle Cristina Barcelos de Almeida e Diane Viégas da Rocha Vaz

Orientadores: Profª. Hélia Pinheiro Rodrigues Correa e Profª. Rosa Maria Donadello Diogo

Maini

RESUMO

O objetivo do presente estudo foi identificar os parâmetros do ultra-som utilizados na atenção aos pacientes portado-res de Lipodistrofia Ginóide (LDG), através de um levantamento opinativo.

Em relação à casuística e métodos, aplicou-se um questionário a 20 fisioterapeutas, que atuam nas clínicas de estéti-ca loestéti-calizadas no centro do município de Nova Iguaçu. Ressaltando que, desses 20 questionários, 14 foram respon-didos e devolvidos. Foram realizadas 14 avaliações, obtendo unanimidade quanto à aplicabilidade do ultra-som no tratamento da Lipodistrofia Ginóide. As doses variaram de 0,1 a 2,0 W/cm² levando em consideração os graus da LDG. As principais conclusões demonstraram que apesar da pequena casuística, os resultados são bastante positivos em relação ao uso do ultra-som no tratamento do LDG, por constatar a unanimidade da amostra em utilizá-lo nesta patologia e de apresentar a opção de utilizar princípios ativos através da fonoforese, obtendo assim um melhor resul-tado no tratamento da mesma.

ABSTRACT

Objective: Identify, through a research, the x-ray parameters used in patients that bearer the Lipodistrofia Ginóide's. Casuistry and Methods: A questionnaire was distributed to 20 Physiotherapists that works at aesthetics clinics loca-ted in the city of Nova Iguaçu. In regards to the 20 distribuloca-ted questionnaires, 14 were answered and returned to the researcher.

Results: On the 14 accomplished evaluations; it was unanimous the advantages of the x-ray use on Lipodistrofia Ginóide's treatment. The doses varied among 0,1 a 2,0 W/cm² considering the rates of “LDG”.

Conclusions: Although there was small degree of casuistry, the results were quite positive in regards to the use of x-ray in the “LDG” treatment, verifying the unanimity of the research using this pathology and presenting the option of use active beginnings through the fonoforese, obtaining better results in the treatments.

INTRODUÇÃO

A Lipodistrofia Ginóide é caracterizada por degeneração do tecido adiposo em decorrên-cia da má circulação, pelo acúmulo de gordura e rompimento das fibras. A hiperpolimerização, que é a alteração bioquímica dos mucopolissacarídeos e dos proteoglicanos, principais

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constitu-intes da matriz intersticial, vai ocorrer na própria matriz que terá sua viscosidade aumentada, com prejuízo de suas principais funções.

O excesso de gordura acumula-se a partir do armazenamento de nutrientes que o corpo não utiliza. Os corpos dos mamíferos metabolizam o excesso de consumo calórico, seja de car-boidratos, lipídeos ou proteínas, em triglicerídeos, para armazenamento nos vacúolos (V) das células de gordura ou adipócitos. Esse armazenamento pode ser conseqüência de anomalias ine-rentes às funções enzimática ou hormonal, que diminuem os níveis de enzima lipolítica ou acele-ram a biossíntese de enzimas que favorecem o acúmulo de lipídeos.

Podemos classificar a Lipodistrofia Ginóide em quatro estágios: o primeiro é uma fase i-nicial, onde o processo já está se instalando internamente, mas não pode ser visto ou sentido; no segundo inicia-se a evolução do processo, onde as mudanças estruturais vão ficando mais impor-tantes e os primeiros sintomas passam a ser visíveis e podem ser sentidos sob palpação, a pele ganha um aspecto acolchoado e com ondulações; o terceiro é a fase em que aparecem os nódu-los, os sinais são bem visíveis, não necessitando de palpação para serem percebidos, a pele áspe-ra aparenta uma casca de laáspe-ranja e vai ocorrer também edema nas pernas e microvarizes, soma-dos a flacidez; no quarto, ela é dura e a pele fica “lustrosa”, cheia de depressões, as pernas ficam inchadas, pesadas, doloridas e a sensação de cansaço está presente, mesmo sem esforço. Seus fatores agravantes são: a alteração da microcirculação, a hereditariedade, disfunções hormonais, fatores sedentários e alimentares, estresse e outros.

O ultra-som é uma forma de energia mecânica transmitida transcutaneamente por ondas de pressão acústica de alta freqüência em organismos biológicos. É um dos recursos mais utili-zados na Fisioterapia e tem como objetivo o tratamento das mais diversas disfunções músculo-esqueléticas, circulatórias e neurais. As ondas ultra-sônicas vão ocorrer no modo contínuo, onde há uma acentuada produção de calor ou no modo pulsado, onde esses efeitos são reduzidos. Os efeitos do ultra-som no modo contínuo podem produzir um aumento na velocidade de condução do nervo sensorial e motor, na extensibilidade das estruturas ricas em colágeno, na deposição de colágeno e no fluxo sangüíneo. No modo pulsado, o ultra-som aumenta a permeabilidade vascu-lar, reduz edema, auxilia na regeneração dos tecidos, entre outros.

No tratamento da lipodistrofia ginóide esses efeitos ocorrem nos adipócitos, aumentando a atividade metabólica celular, favorecendo a liberação de ácidos graxos (AGL), colesterol total (CT) e outros lipídios da membrana celular e de seu interior. Além desses efeitos, o ultra-som

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entre as células, o que não só favorece as variações transitórias dos níveis de lipídios intersticiais e plasmáticos, como induz o aumento da permeabilidade à glicose, facilitando a drenagem dos lipídios pelo sistema linfático, melhorando a redistribuição de gordura corporal.

A utilização do ultra-som é importante em todos os estágios da lipodistrofia ginóide, de forma combinada ou isolada. A fonoforese é uma forma combinada onde se coloca, no gel de acoplamento, um fármaco ativo, potencializando os seus efeitos.

Apesar do ultra-som ser muito utilizado na prática clínica em dermato-funcional, dispõe-se de raras informações sobre o emprego do referido recurso na assistência fisioterapêutica. Sen-do assim, através de um levantamento opinativo, temos como objetivo no presente estuSen-do identi-ficar os parâmetros do ultra-som utilizados na atenção aos pacientes portadores de LDG.

MATERIAIS E MÉTODOS

População e Amostra

A população foi composta de fisioterapeutas que atuam nas clínicas de estética localiza-das no centro do município de Nova Iguaçu, totalizando a amostra não probabilística de 14 pro-fissionais, ressaltando ter sido entregue por nós a 20 fisioterapeutas e obtendo respostas de 14.

Instrumento e Procedimento

O presente estudo foi desenvolvido através da aplicação de um questionário, tendo sido inicialmente procedida a validação do questionário piloto para posteriormente aplicá-los aos fisi-oterapeutas em dia e hora predeterminadas.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os resultados encontrados na questão número 01, que trata do emprego do ultra-som no tratamento da Lipodistrofia Ginóidecorroboram com a citação do autor (2). A freqüência de 3MHz é tida como a mais utilizada, sendo o modo contínuo, o único empregado. Nas questões 05, 06, 07 e 08, no tocante às doses administradas no LDG, foi possível verificar que as mesmas foram diferenciadas de acordo com o grau de LDG, como mostra o gráfico 01; nos graus 01 e 02, os resultados tenderam para as doses intermediárias, enquanto que nos graus 03 e 04 os mesmos tenderam para as maiores doses.

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0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Q n t. de F is iot e ra p eut a s 0,1 a 0,5 0,6 a 1,0 1,1 a 1,5 1,6 a 2,0 Intensidade em W/cm²

Freqüências Utilizadas nos diferentes graus da LDG

Grau 1 Grau 2 Grau 3 Grau 4

Os participantes foram unânimes quanto à utilização da fonoforese no tratamento da LDG, demonstrando que existe a opção de agregar aos efeitos do ultra-som a possibilidade de introduzir princípios ativos. Quanto ao princípio ativo utilizado e ao critério adotado para deter-minar o tempo de tratamento em cada área, os profissionais responderam de forma bastante vari-ada, onde encontramos a Cafeína, Centella Asiática e Thiomucase como os mais utilizados, co-mo co-mostra o gráfico 02.

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0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Qn t. d e F isi o ter ap eu ta

Tipos de Agentes Ativos

Tipos de Agentes Ativos

Cafeina Thiomucase Centella Asiática Aminofilina Mentol Algas Marinhas Castanha da Índia

Silício de Acido Manurônico Calêndula

Fucus Vesiculosos Cavalinha

Gingko Biloba

CONCLUSÃO

Pelos resultados obtidos, concluiu-se que o ulsom é um recurso muito utilizado no tra-tamento da Lipodistrofia Ginóide, sendo a freqüência de 3 MHz e o modo contínuo os mais em-pregados. As doses administradas e o tempo de tratamento variam de acordo com o grau da LDG. Os participantes foram unânimes quanto à utilização de Fonoforese associada ao ultra-som.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) MACEDO, A.C. B & GEWEHR, P. Programa de verificação e controle de equipamentos

de ultra-som terapêuticos. vol. 6. n.º 5. Revista Fisioterapia Brasil, 2005, p.339-344.

2) DURIGAN, J.L.Q & CANCELLIERO, K.M. & REIS, M.S., et al. Mecanismos de interação

do ultra-som terapêutico com tecidos biológicos. vol. 7. n. 2. Revista Fisioterapia Brasil,

2006, p.142-148.

3) SALVO, R.M.D. Controlando o surgimento da celulite. vol. 8. Cosmetics & Toiletries, 1996, p.56-60.

4) MIGUEL, L.I. Aspectos Clínicos e Terapêuticas Propostas para o Tratamento e Prevenção

da LDG – Lipodistrofia Ginóide: “Celulite”. n.º 15. Reabilitar, 2002, p.36-39.

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5) KEDE, M. P. V. & SARATOVICH, O. Dermatologia Estética. São Paulo: Atheneu, 2004, 337-342.

6) MERLEN, J.F. Microcirculação e Linfáticos. vol. 15. n. 4. Revista Brasileira Cardiovascu-lar, 1985, p.37-42.

7) GONÇALVES, W.L.S & CIRQUEIRA, J.P. & SOARES, L.S. & BISSOLI, N.S. & MOY-SÉS, M.R. Utilização da Terapia Ultra-sônica de baixa intensidade na redução da

Lipodis-trofia Ginóide: uma terapia segura ou risco cardiovascular transitório? Um estudo

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