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GERMOPLASMA VEGETAL INTERCÂMBIO E QUARENTENA DE

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Academic year: 2021

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1. Intercâmbio

A pesquisa agropecuária é dinâmi-ca e necessita estar sempre criando e/ou adaptando novas metodologias para garan-tir ao povo brasileiro uma alimentação rica e saudável. A maior parte dos produtos que fazem parte da nossa alimentação não é originária do Brasil,

mas foi introduzida após vir por outros pa-íses e adaptada às nossas condições. Entre esses produtos estão arroz, o feijão, milho, soja, trigo, frutíferas e hortaliças exóticas. Com isso, a agricultura brasileira tem-se beneficiado com a introdução de germoplasma de diversas espécies vegetais, que permitiram ao país, por meio da pesqui-sa, obter variedades adaptadas às nossas

condições edafoclimáticas, resistentes a pragas e altamente produtivas.

As novas leis de propriedade inte-lectual, que limitam as condições de uso do germoplasma introduzido, vão, conseqüen-temente, reduzir o volume de germoplasma

vegetal intercambiado, devido às várias restrições impostas em um acordo de transferência de germoplasma vegetal.

Para viabilizar a importação de germoplasma vegetal, estratégica para o país e de fundamental importância para o enriquecimento genético dos progra-mas de melhoramento, sem o que as pesquisas agrícolas ficariam comprometi-das, é necessário que haja uma regula-mentação fitossanitária que estabeleça os critérios para uma importação segura e que, ao mesmo tempo, não a prejudique.

A legislação brasileira sobre importação e quarentena de material vegetal baseia-se no Decreto-lei nº 24.114, de 12 de abril de 1934, assim como nas portarias complementares que regulamentam o assunto e

estabelecem normas de acordo com as necessidades de cada caso. A Portaria nº 224, de 3 de maio de 1977, credencia a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) por meio de sua Unidade Descentralizada - Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (cenargen)

autorizando-a a proceder o intercâmbio de germoplasma e a adotar os procedimentos de quarentena, bem como a dar pareceres técnicos nos processos de importação de germoplasma no interesse da Embrapa e de outras instituições do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), coordena-do por ela.

O intercâmbio e os procedimentos quarentenários de vegetais e de solo para pesquisa ou outros fins científicos foram normatizados pela Portaria nº 148, de 15 de junho de 1992, como descrito resumida-mente a seguir:

INTERCÂMBIO E QUARENTENA DE

GERMOPLASMA VEGETAL

IIn

Introdução de materiais estratégicos para pesquisa agrícola nacional e onterceptação de pragas querentenárias

Maria de Fatima Batista (PhD); José Nelson L. FOnseca (Bsc); Renata C.V. Tenente ( Pós-PhD); Marta A.S. Mendes (Msc); Maria Regina V. de Oliveira (PhD); Denise N. Ferreira (ms); Pesquisadores do cenargem. Email: [email protected] Fotos cedidas pelos autores

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Os pedidos de importação de germoplasma das unidades da Embrapa devem ser encaminhados diretamente ao Cenargen, à Área de Intercâmbio e Quaren-tena de Germoplasma Vegetal (AIQ), que providenciará o parecer técnico, para, jun-to com o requerimenjun-to e a listagem do material, obter a "Permissão de Importa-ção" junto ao Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal (DDIV) do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MA). Os requerimentos das importações solicitadas pelos demais órgãos oficiais e particulares de pesquisa deverão ser enviados à Dele-gacia Federal de Agricultura (DFA) do seu respectivo Estado, que o encaminhará ao DDIV e este, antes de emitir a "Permissão de Importação", solicitará um parecer técnico ao Cenargen. Os procedimentos seguintes da importação serão feitos pela DFA e a quarentena, pelo Cenargen.

As espécies vegetais são classifica-das em duas categorias: de livre importação e de importação restrita. Os materiais vege-tais de livre importação necessitam apenas do Certificado Fitossanitário para seu inter-câmbio; já os de importação restrita neces-sitam de declarações adicionais no Certifi-cado Fitossanitário. As exigências que de-vem constar nas declarações adicionais estão estabelecidas nas portarias comple-mentares.

A Portaria n.º 437, de 25 de novem-bro de 1985, regula as importações de sementes e/ou mudas para o comércio. Nesse caso, o pedido é formulado à DFA do Estado correspondente, que, achando necessário, solicita parecer técnico de algu-ma instituição para assegurar a importação. Os demais procedimentos são esta-belecidos pelo DDIV, que prescreve as medidas de quarentena, as quais, então, são acompanhadas e fiscalizadas, até a liberação, pela DFA do Estado.

No que se refere à exportação de vegetais para o comércio, as normas estão estabelecidas na Portaria n.º 93, de 14 de abril de 1989, publicado no Diário Oficial da União(Brasil, 1982).

2. Quarentena

A palavra "quarentena" é derivada do Latim "quadraginata" e do Italiano "quaranta", que significa quarenta. No itali-ano, a palavra "quarantina" foi original-mente, aplicada para o período de 40 dias de isolamento requerido para que um navio, incluídos seus passageiros e a carga, permanecesse ancorado em um porto de chegada quando proveniente de um país onde ocorressem doenças epidêmicas, de modo que, naquele período, fossem de-senvolvidos e subseqüentemente detecta-dos os sintomas de algumas dessas doen-ças nos passageiros, antes do seu desem-barque (Kahn, 1989).

Quarentena vegetal, literalmente, e por extrapolação, significaria o isolamento de plantas por 40 dias, como período de

incu-bação para o aparecimento e detecção de sintomas de doenças. Na verdade, este procedimento constitui apenas uma fração das diversas ações que podem ser utiliza-das em um programa de exclusão de organismos indesejáveis (Kahn, 1989).

A quarentena vegetal tem como objetivo prevenir a introdução de organis-mos nocivos em áreas isentas, utilizando a exclusão como estratégia no controle con-tra pragas exóticas, sendo aplicada a pro-dutos de importação e exportação (Kahn,

1989), Marques et al., 1995). Portanto, a quarentena deve ser encarada como uma das facetas nos programas nacionais de controle ou manejo integrado de pragas. As suas ações são baseadas em atos legislativos e em procedimentos técnicos, cuja eficácia depende fundamentalmente da existência de pessoal treinado e de estrutura operacional adequada. O serviço de qua-rentena também deve envolver uma ativa cooperação de toda a comunidade, à me-dida em que as restrições impostas pela

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legislação sejam devidamente aceitas e acatadas integralmente. A quarentena de produtos importados utiliza ações regula-doras para excluir pragas que possam infestar ou contaminar materiais vegetais. Se não forem interceptadas, essas pragas poderão ser disseminadas e causar grandes prejuízos ao país importador. A quarentena de produtos para exportação utiliza proce-dimentos para proteger a agricultura dos países importadores, de acordo com os regulamentos ou condições especificadas por estes (Kahn, 1989).

O uso da exclusão para prevenir a introdu-ção de uma determinada praga pode ser simplificado como um esforço para elimi-nar ou reduzir severamente sua população, por meio de medidas reguladoras, ao longo de sua trajetória de entrada (Foster, 1991). A quarentena deve basear-se em evidênci-as biológicevidênci-as e nunca ser resultante de pressões políticas ou econômicas. A pri-meira e básica preocupação deve ser o conhecimento da situação dentro e fora do país em relação à ocorrência de pragas, com o objetivo de determinar riscos poten-ciais e estabelecer medidas de precaução por ocasião da introdução de plantas ou partes de plantas.

Por outro lado, a quarentena, particular-mente a de germoplasma, não deve funci-onar como uma barreira que venha preju-dicar o trabalho dos melhoristas ou mesmo o comércio de germoplasma melhorado; a sua função deve ser a de "filtro", a fim de evitar a entrada de pragas exóticas que eventualmente possam estar associadas ao material introduzido. As medidas de qua-rentena não devem ser estáticas ou defini-tivas, elas devem ser alteradas sempre que as condições mudarem ou novos fatos se tornarem evidentes. Assim, restrições po-dem e devem ser incluídas dependendo da situação.

Em geral a atitude dos melhoristas em relação à entrada de germoplasma no país é visivelmente liberal, enquanto a dos res-ponsáveis pela quarentena tende a ser conservadora (Kahn, 1989).

O Cenargen tem adotado um enfoque positivo quanto à introdução e quarentena

de germoplasma, sem, contudo, contrariar a legislação vigente. Procedimentos mais rígidos são adotados quando, por evidên-cias biológicas, os riscos são considerados grandes.

O importante é fazer chegar ao melhorista o germoplasma indispensável ao seu pro-grama de melhoramento, com o menor risco possível de introdução de novas pragas.O valor da quarentena vegetal não pode ser demonstrado experimentalmente (Neergard, 1977 citado por Marques et al., 1995), mas pode ser avaliado em função das conseqüências desastrosas resultantes da introdução de pragas exóticas em áreas produtoras. Estas conseqüências podem ser de diversas naturezas, como danos e perdas de

cultivos; perda de mercados de exportação; pela presença de pragas de importância quarentenária no País; aumento dos gastos com controle de pragas; impacto sobre os

programas de manejo integrado de pragas em execução ou em desenvolvimento; da-nos ao ambiente, pela frequente necessida-de necessida-de aplicação necessida-de necessida-defensivos; para o controle da espécie introduzida; custos so-ciais, como desemprego, por causa da eli-minação ou da diminuição de um determi-nado cultivo em uma região; ou redução de fontes de alimento importantes para a popu-lação (Brasil, 1995).

O movimento desordenado de material ve-getal inevitavelmente envolve riscos de in-trodução de pragas em áreas não contami-nadas. Importações inadvertidas de material vegetal tem causado sérios prejuízos à agri-cultura

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brasileira. Exemplos mais conhecidos são: o cancro-cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas campestris pv. citri (Hasse) Dye, que exigiu gastos acima de 5 milhões de dólares para sua erradicação, que mes-mo assim continua presente em São Paulo e em outras partes do país; o vírus da tristeza do Citrus, que na época da sua introdução

dizimou parte dos nossos pomares; o fun-go Peronosclerospora sorghi (Weston & Uppal) C. G. Shaw em sorgo; a ferrugem do cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix Berk & Br., introduzida no Brasil em 1970 e que quando não controladopode causar perdas em torno de 30 por cento na produção, o que eqüivale a, aproximada-mente, 500 milhões de dólares (Mônaco, 1978); o moko da bananeira, cujo agente etiológico é a bactéria Pseudomonas solanacearum (Smith) Smith., raça 2; e o inseto Anthonomus grandis Boheman, o bicudo do algodoeiro, o qual causou per-das de até 100% em algumas regiões do país, principalmente no Nordeste. Recente-mente foram detectados dois novos patógenos da cultura de soja: o nematóide do cisto, Heterodera glycines I Ichinohe, em 1992 (Mendes & Dickson, 1993), e Diaporthe phaseolorum (Cke. & Ell) Sace. f. sp. meridionalis agente do cancro da haste, em 1988, que tornaram uma ameaça a essa cultura com níveis de perdas que vêm atingindo 100% em determinadas áreas (Yorinori, 1990). A mosca-branca, Bemisia tabaci raça B (=Bemisia argentifolii) entrou no país no início da década de 90, e hoje está disseminada em 17 estados da Federa-ção, atacando inúmeras culturas de impor-tância econômica. Os prejuízos causados

por essa praga já ultrapassam R $500 mi-lhões, porém o impacto causado no ambi-ente pelo uso excessivo de agrotóxicos é inestimável (M.R.V. de Oliveira, comunica-ção pessoal). A quarentena faz-se, então, imprescindível em todo o processo de intercâmbio de germoplasma.

Procedimentos quarentenários realiza-dos em germoplasma vegetal: As atividades de intercâmbio e quarentena realizadas pela Embrapa/Cenargen inicia-ram-se em 1976 (Warwick et al. 1983; Rocha et al. 1984, Marques et al. 1995), tendo movimentado até 1997, 324.712 acessos de germoplasma vegetal (Tabela 1) e impedi-do a introdução e disseminação de nume-rosas espécies de pragas exóticas no país (Batista et al., 1995; Mendes & Ferreira, 1994; Tenente et al., 1994 e 1996).

Inspeção no ponto de ingresso do germoplasma:

O Germoplasma, ao chegar, é inspeciona-do no ponto de ingresso, que pode ser um aeroporto, ou porto, correio ou posto de fronteira, por um inspetor da DFA. O inspe-tor examina as condições sanitárias e a documentação do material. Satisfeitas as exigências legais o material é liberado pela DFA para cumprir os procedimentos quarentenários no Cenargen.

Quarentena em germoplasma vegetal no Cenargen:

Os acessos de germoplasma, quando che-gam à Área de Intercâmbio e Quarentena de Germoplasma Vegetal (AIQ), do Cenargen, são examinados quanto a pre-sença de bactérias, fungos, nematóides, vírus, viróides, ácaros e insetos, em labora-tórios especializados, por uma equipe de fitopatologistas, entomologistas e técnicos com experiência em quarentena.

Laboratório de Entomologia: todo germoplasma vegetal é primeiramente exa-minado quanto a presença de ácaros e insetos. Os métodos utilizados são: inspe-ção visual, uso de refletor com lente de aumento, observação sob microscópio estereoscópio e peneiramento de sementes (para ácaros). A identificação das espécies

é baseada nas características morfológicas, utilizando-se para isso bibliografia especí-fica.

Laboratório de Nematologia - Material sen-do preparasen-do para análise de nematóides. O germoplasma, quando na forma de se-mentes, é sempre fumigado com fosfeto de alumínio (fosfina) por uma ou duas vezes,

dependendo do estágio de desenvolvi-mento das pragas contaminantes, enquan-to que os materiais introduzidos na forma de propagação vegetativa são tratados com solução de defensivos químicos.

Fitopatologia: As análises nos laboratórios de Micologia, Bacteriologia, Virologia e Nematologia são realizadas por amostragem, pois as técnicas utilizadas normalmente destroem os materiais. No caso de semen-tes, são retiradas amostras que variam de 2 a 10% para ser divididas entre os laborató-rios. Em outras formas de propagação vegetativa tais como bulbos, estacas, mu-das e rizomas, as análises são realizamu-das em 100% do material.

Laboratório de Micologia: Para detecção de fungos em sementes ou partes da planta, são utilizados os métodos tradicionais de plaqueamento em papel de filtro ou em meio de cultura, lavagem das sementes em água e sedimentação, aprovados pelo "International Seed Testing Association" (ISTA), e descritos detalhadamente em Mendes & Ferreira (1994). Técnicas de biologia molecular, tais como RFLP e RAPDS/ PCR, são ferramentas adicionais para ca-racterizar patógenos de trigo, milho e sorgo a nível de DNA genômico (Urben, 1994; Ferreira et al., 1996).

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Laboratório de Bacteriologia: Para a detecção de bactérias nas sementes são empregados os seguintes métodos: plantio de sementes em solo esterilizado dentro de câmara úmida para observação dos sinto-mas em plântulas; plantio de sementes em papel germinador e incubação a 100% de UR; e plaqueamento de extrato de semen-tes em meio seletivo (Schaad, 1982 e Bradbury, 1986). A identificação das espé-cies são baseadas em testes fisiológicos e bioquímicos.

Laboratório de Nematologia: Uma ou mais técnicas são empregadas rotineiramente para extração de nematóides de sementes, de solo ou de partes vegetativas, São elas: funil de Baermann modificado, peneiramento, centrifugação, flutuação, sistema de bandejas e exame direto sob microscópio estereoscópico (Southey, 1986; Zuckerman et al., 1970). As espécies são identificadas com base nas suas caracterís-ticas morfométricas e morfoanatômicas, de acordo com literatura específica (Mai et al., 1975; Tenente e Manso, 1987).

Isolamento em meio de cultura específico para detecção de fungos.

Laboratório de Virologia: As seguintes técnicas são empregadas para a detecção e

aidentificação de vírus ou viróides: plantio de sementes em solo esterilizado em quarentenário para a observação se sinto-mas, uso de plantas indicadoras, sorologia (imunodifusão e ELISA), microscopia ele-trônica ("leaf deep", secções ultrafinas), R-PAGE (Reverse Polyacrylamide Gel Electrophoresis) e NASH (Nucleic Acid Spot Hybridization), descritos detalhadamente em Batista et al (1995). 3. Medidas quarentenárias

De acordo com o suplemento ao Diário Oficial nº 195, do Ministério da Agricultura, e do Abastecimento (Brasil, 1995), medidas fitossanitárias referem-se a "qualquer legis-lação, "standard", diretriz, recomendação ou procedimento oficial que tem o propó-sito de prevenir a introdução e/ou dissemi-nação de pragas quarentenárias, assim como o seu controle e erradicação" (Ferreira, 1997).

Comumente as restrições quarentenárias

impostas pelos regulamentos fitossanitários são consideradas como impedimento ao comércio internacional. Entretanto, a utili-zação de medidas quarentenárias coeren-tes com o risco que representa a importa-ção de cada produto, pode facilitar a comercialização entre os países (Ganapathi, 1994).

As medidas quarentenárias comumente uti-lizadas são: inspeção fitossanitária e interceptação de pragas em pontos de entrada, quarentena de pós-entrada e proi-bição, restrição ou requisição de tratamen-tos quarentenários para a importação de produtos provenientes de países onde es-pécies de pragas de importância quarentenária são assinaladas. Pode-se tam-bém solicitar que os produtos sejam prove-nientes de áreas livres de pragas (Brasil, 1995).

A inspeção fitossanitária é uma medida quarentenária que possibilita a interceptação de organismos nocivos associados ao ma-terial vegetal, assim que este chega ao país. A inspeção do material vegetal também fornece algumas informações para se esti-mar o risco que representa a importação de um dado produto de um país ou região. A identificação dos organismos detectados é de fundamental importância para se de-cidir sobre o procedimento que deve ser adotado em relação ao material importado. Quando pragas quarentenárias são detecta-das durante a inspeção de produtos, uma das três ações seguintes é normalmente tomada: realização de tratamentos, devolu-ção do lote importado ao país de origem ou destruição dos produtos infestados (Baker et al., 1993).

Para que um tratamento seja considerado quarentenário, todos os organismos associ-ados ao material vegetal devem receber doses letais sem que o material seja danifi-cado. São poucos os tratamentos que po-dem realmente alcançar os altos níveis de controle exigidos pelos regulamentos quarentenários. Tratamentos quarentenários efetivos podem auxiliar a evitar o movimen-to de pragas e facilitar as restrições impostas para a importação de produtos vegetais provenientes de países onde ocorrem pra-gas de importância quarentenária (MacDonald & Mills, 1994).

4. Pragas de importância quarentenária para o Brasil

As medidas quarentenárias são baseadas nas listas de pragas de importância quarentenária formuladas para cada país ou para grupo de países geograficamente próximos.

As pragas de importância quarentenária para o Brasil estão contidas nas listas A1 e A2 aprovadas pelo Comitê de Sanidade Vegetal dos países do Cone Sul (COSAVE), publicada no Diário Oficial (Brasil, 1996). As espécies incluídas nas listas A1 e A2

devem ser revisadas periodicamente, de-vendo ser incluídas e/ou retiradas as pra-gas, de acordo com relatos da literatura de novas ocorrências.

A lista A1 contém as espécies não registradas no Brasil e que podem vir a causar perdas econômicas às culturas, se introduzidas. Na lista A2, estão as pragas de distribuição geográfica localizada e que estão sob con-trole oficial.

Praga quarentenária: É qualquer espécie, raça ou biotipo de vegetal, animal ou agente patogênico nocivo a vegetais ou a produtos vegetais, ausente no país ou, se presente, não amplamente distribuída e sob controle oficial.

Praga de qualidade: A praga de qualidade ou nociva é uma praga não-quarentenária, que afeta diretamente o uso proposto dos vegetais ou produtos vegetais, causando perdas econômicas importantes.

Cada vez mais, enfatiza-se a importância dos países justificarem seus regulamentos fitossanitários. A meta atual é que os servi-ços de quarentena aprimorem o processo utilizado para identificar quais são as pra-gas para as quais as barreiras fitossanitárias são justificáveis, isto é , as que apresentam importância quarentenária, em meio aos milhares de organismos contra os quais as medidas fitossanitárias não podem ser bio-logicamente sustentadas. Por isso, o pro-cesso para determinação de quais as espé-cies que devem ser consideradas pragas

quarentenárias, deve ser claro e consistente (Hopper, 1991).

Preparação do teste NCM Elisa para detecção de vírus.

Para decidir que espécies serão definidas como pragas de importância quarentenária para um país ou região, uma série de informações deve ser considerada (EPPO, 1993). Por exemplo, é necessário avaliar o potencial das espécies exóticas em causar prejuízos no país em questão. Esse proces-so é o componente preliminar da Análise de Risco de Pragas (ARP) (Baker et al., 1993; Hopper, 1991 e 1993).

Referências

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