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2.2.2 O Complexo do Barreiro (Grande Hotel e Termas de Araxá) Localizada a aproximadamente 5 km do centro da cidade de Araxá (PORTO,

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2.2.2 O Complexo do Barreiro (Grande Hotel e Termas de Araxá)

Localizada a aproximadamente 5 km do centro da cidade de Araxá (PORTO,

2005), a Estância do Barreiro foi formada na borda de um vulcão extinto, sobre um

solo que reúne várias propriedades terapêuticas. Depois de várias constatações e

estudos, em 1890 foi apresentada à Academia Nacional de Medicina, pelo

Conselheiro de Araxá J. M. Caminhoá, um estudo sobre as propriedades medicinais

das águas do Barreiro (In: http://www.ourominas.com.br/araxa/passeio.php).

Em 1912, foi construído pela Empresa das Águas o primeiro Balneário de

Araxá, bastante simples, formado por banheiros com divisões em madeira. Após três

anos, as fontes minerais do Barreiro foram doadas pelo município ao governo

estadual (In: http://www.ourominas.com.br/araxa/passeio.php). A pedra fundamental do Grande Hotel do Barreiro foi lançada em 1925. E os terrenos adjacentes, que

formam a Estância do Barreiro, também foram arrendados pelo Governo do Estado de

Minas Gerais para melhoramentos e atendimento ao turismo (In: http://www. ourominas. com.br/araxa/passeio.php).

Em 1934, foi decretada a desapropriação da área do Barreiro. Três anos

depois as obras do complexo foram reiniciadas pelo governador Benedito Valadares. Em 1944, o Balneário seria inaugurado com a presença do presidente Getúlio Vargas

(In: http://www.ourominas.com.br/araxa/passeio.php).

Foi elaborado um plano urbanístico para a implantação do complexo do

barreiro, sob a responsabilidade do urbanista Lincoln Continentino. A ambiciosa proposta para o complexo do Barreiro incluía ainda seis projetos arquitetônicos, sendo

quatro de responsabilidade do escritório técnico de Luís Signorelli: o edifício do

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(PORTO, 2005). Posteriormente, em 1945, seria acrescentada uma edificação para

abrigar a fonte sulfurosa Andrade Junior, com projeto modernista do arquiteto Francisco Bolonha, rodeada por jardins e pisos de mosaico desenhados por Roberto Burle Marx.

Figura 01: Planta cadastral da área do Barreiro (1977). Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, 2005, p. 190.

Figura 02: Fachada principal; Escritório Técnico de Luís Signorelli, desenho de Raphael Hardy Filho. Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, 2005, p. 202.

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Figuras 03 e 04: Edifício do Grande Hotel na época da construção. Fonte: Trabalho de Mestrado de Daniela Porto, 2005, p. 207.

O projeto para o Grande Hotel, como já foi mencionado, foi elaborado por Luiz

Signorelli em linguagem eclética com elementos que remetem à arquitetura

neocolonial, mais especificamente ao chamado estilo Missões, de origem norte

-americana. Com aproximadamente 45.000 m² de área construída no total, possui seis

pavimentos, além do porão e dos sótãos. A composição da construção se dá por meio

de um volume com planta em H, formado por um corpo longitudinal cortado por três

volumes transversais: o do centro abriga a recepção na frente e o salão de inverno

semi-circular nos fundos, enquanto os laterais comportam, na frente e atrás do corpo

principal, quatro grandes espaços de lazer: cine-teatro, cassino, salão de festas e

restaurante. A planta foi dividida em duas alas (leste e oeste); com distribuição

simétrica dos apartamentos e áreas de integração e estar entre os quartos (PORTO,

2005).

Enquanto os exteriores adotaram a linguagem neocolonial, vista como apropriada para compor o ambiente bucólico que se pretendia criar no complexo do

balneário, nos interiores o projeto do Escritório Técnico Luís Signorelli se pautou pelo

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foram revestidos em mármore de Carrara, e luxuoamente decorados com rico

mobiliário, lustres de cristal da Boêmia, janelas com cristais franceses bisotados,

obras de arte em afresco e vitrais. O cassino funcionou brevemente, até 1946, quando

os jogos de azar foram proibidos no Brasil.

Figura 05: Planta original do pavimento térreo do Grande Hotel. Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, 2005, p. 205.

Figura 06: Vista da entrada do Hotel e Figura 07: Hotel ao fundo e Termas à frente. Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, 2005, p. 205. e p. 201.

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Outro edifício que faz parte do complexo balneário do Barreiro são as Termas

de Araxá, inauguradas em 1942, dois anos antes da inauguração do hotel

propriamente dito; com 16 mil m², podem ser freqüentadas por não-hóspedes,

possuem instalações para banhos e tratamentos de beleza, com banheiras individuais

de diversos tipos, como por exemplo, para o célebre banho de lama; e uma piscina

emanatória, da qual saem vapores, com água radioativa sempre na temperatura de

37º, de efeito relaxante e revigorante. A piscina possui revestimento de azulejos

pintados à mão, e é protegida por grandes janelas de vidro que dão vista para os

jardins projetados por Burle Marx (PORTO, 2005).

No hall de entrada do edifício das Termas foi instalado um conjunto de oito

vitrais pintados por Frank Urban, que reconstituem parte da história de Araxá, e, em

contraste ao colorido dos vitrais, o chão foi ornamentado por uma grande mandala de

oito pontos em mármore branco e preto. O andar superior possui oito quadros feitos

por Joaquim da Rocha Ferreira, os quais retratam a importância dos banhos desde os

tempos bíblicos (PORTO, 2005).

Figura 08: Hall das Termas e Figura 09: Fonte Dona Beja.

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A união entre os dois edifícios (termas e hotel) é feita por uma galeria elevada

com decoração composta por pinturas que retratam cidades mineiras, produzidas pelo

artista plástico Genesco Murta (PORTO, 2005).

Figura 10: Implantação do Grande Hotel e das Termas e Figura 11: Passarela suspensa e coberta. Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, 2005, p. 201 e p. 215.

Na frente do hotel está a Fonte Andrade Júnior, a qual comporta as fontes

alcalino-sulfurosas, com abrigo projetado pelo arquiteto Francisco Bolonha em linguagem modernista, com cobertura amebóide que remete à Casa de Baile da

Pampulha projetada pouco antes por Oscar Niemeyer. Em volta há um lago, jardins e

pisos de mosaico desenhados por Roberto Burle Marx. Possui bebedouros de águas

mineralizadas, carbonatada, sulfatada, radioativa e alcalina (In: http://pt.wikipedia.org/ wiki/Arax%C3%A1#Grande_Hotel_de_Arax.C3.A1).

Figuras 12 e 13: Fonte Andrade Júnior com lago e mosaico de Burle Marx Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, pp. 261 e 265.

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Um ambicioso projeto paisagistico para o Complexo do Barreiro foi elaborado por Burle Marx na década de 1940, sendo que anteriormente já existia um jardim

desenhado pela firma paulista de Reynaldo Dierberger na década de 1920, o qual foi

completamente removido durante a construção do complexo balneário. As obras de

implementação do novo projeto paisagístico continuaram até 1946, mesmo depois da

inauguração do complexo. Porém, aos poucos a execução das obras foi sendo

paralisada sem ser totalmente concluída (PORTO, 2005).

A partir dos anos 1950, assim como ocorreu com outros grandes complexos hoteleiros construídos para abrigar cassinos, o Grande Hotel de Araxá não conseguiu

manter a ocupação de alto padrão inicialmente prevista. Contudo, devido à sua

qualidade arquitetônica, as fachadas e as áreas comuns do hotel e das termas, com

as fontes Dona Beja e Andrade Junior, assim como o segundo andar do hotel, que abriga as suítes de luxo, e os jardins, foram tombadas pelo Patrimônio Histórico,

preservando, além da arquitetura e do paisagismo, os móveis e a decoração da época

de sua inauguração.

Figura 14: Detalhe do jardim do Hotel/Termas por Burle Marx e Figura 15: Desenho de Burle Marx. Fonte: Daniela Porto, Dissertação de Mestrado, p. 261 e p. 265.

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Após várias décadas de crise, o hotel passou a ser administrado pela rede

Tropical, do grupo Varig, que posteriormente o repassou à rede de hotéis mineira

Ouro Minas. Na segunda metade dos anos 1990 a rede Tropical (que já havia

recuperado o Hotel da Bahia em Salvador, projeto modernista de Paulo Antunes e Diógenes Rebouças) recuperou totalmente o complexo, reformando e modernizando

os apartamentos e implantando os conceitos contemporâneos de Resort e Spa. Os

cinco pavimentos superiores e sótão são agora ocupados por 308 quartos. No porão

existe uma galeria comercial que pode ser freqüentada não só pelos hóspedes como

também pelo público externo (PORTO, 2005).

Figura 16: Vista aérea do balneário.

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O Hotel ficou fechado a partir de 1994 e foi reaberto em 2001 após extensas

obras de recuperação e reforma, para as quais foi contratado o escritório Dávila

Arquitetura, de Belo Horizonte, responsável pela revitalização do Grande Hotel, das

Termas e de todo o Complexo do Barreiro. Nessa intervenção foram mantidos e

restaurados a arquitetura, o mobiliário e o estilo dos anos 1940 presente nas

fachadas, nas fontes e termas, nas áreas comuns do hotel e nas suítes do segundo

andar, além das obras de arte integradas à arquitetura, enquanto os demais

apartamentos, equipamentos e instalações foram modernizados. O antigo piso em

mármore de alta qualidade foi mantido quase na totalidade, assim como os corrimãos

e vários outros detalhes da decoração. Já as Termas foram reinauguradas em 1997.

No caso do Grande Hotel de Araxá, tanto os elementos neocoloniais (hotel,

termas, Fonte Dona Beja) como os elementos modernistas (Fonte Andrade Junior, paisagismo) foram considerados como de importância histórica e valor arquitetônico,

e a recuperação do Complexo do Barreiro valorizou ao máximo os aspectos

remanescentes da ambientação de época, reconhecendo não só a necessidade de

sua preservação, mas também as qualidades duradouras do que foi realizado à

época, e o forte apelo turístico que poderia ser associado a esse acervo.

Assim como ocorreu no caso do Hotel Riviera em Havana, e com ainda maior cuidado por parte dos arrendatários e dos profissionais contratados para efetuar a

reciclagem dos edifícios, a intervenção tentou conciliar os requisitos de conforto e

contemporaneidade, segundo as atuais concepções de resorts e spas, com a

manutenção da integridade urbanística, arquitetônica, artística e paisagística do

complexo. Combinando visão comercial com preservacionismo, e não discriminando

entre os diferentes estilos presentes nas construções, constitui uma reciclagem

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2.3 Mudança e permanência: Porto Gênova e Estação da Luz em São Paulo

2.3.1 Porto Gênova

Figura 01: Vista noturna da intervenção no Porto de Gênova.

Fonte: <http://www.funivie.org/pagine/speciali/asc_genova_bigo/index.php?start=1> Acesso: 15.01.07.

Com a decadência do comércio naval acentuando-se ao longo do século XX,

Gênova perdeu o antigo esplendor dos tempos de seu império marítimo e tornou-se

uma cidade industrial e portuária de aspecto soturno e decadente. Seu centro

histórico, considerado como sendo um dos mais importantes da Itália e da Europa em

termos do patrimônio edificado, enfrentou um processo de desvalorização e

deterioração física, e passou a ser freqüentado por uma população marginalizada

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Como em outras cidades portuárias européias, essa situação foi encarada

como oportunidade para a implementação de um grande projeto urbano voltado à

recuperação do centro histórico, inserido nas políticas de planejamento estratégico

que ganharam força a partir dos anos 1980. O processo dito de revitalização iniciou

-se no início dos anos 1980 prevendo sua conclusão em 1992, quando foi realizada

uma grande Exposição como parte das comemorações dos 500 anos da primeira

viagem do navegante genovês Colombo à América. Enquanto componente mais

visível desse projeto, destacou-se a reforma do Porto Antigo, a cargo do arquiteto

Renzo Piano.

Esse porto, situado no coração da cidade e ocupando toda a baía, já havia sido

substituído em suas funções comerciais por um porto moderno, mais distante.

Atualmente o Porto Velho recebe as balsas de passageiros das linhas para a Córsega

e para a Sardenha, e alguns cruzeiros marítimos de turismo, enquanto cabe ao Porto

Novo atender à indústria pesada. A intervenção envolvia, portanto não apenas a

transformação da área, mas a recuperação de suas funções originais enquanto porto

marítimo, podendo ser considerada como um projeto de reciclagem em escala

urbana.

Figura 02: Palazzo San Giorgio e Figura 03: Monumento Ripa e o bairro Molo. Fonte: Renzo Piano Building Workshop, p. 97 e p. 111.

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O centro histórico do porto abriga a Ripa (construída em 1133) e o Palazzo San

Giorgio (construído em 1260), ambos de frente para o mar. O monumento Ripa é

constituído por um pórtico de 900 m de comprimento, construídos pelos mercadores.

Já o Palazzo San Giorgio, um edifício gótico, tornou-se a casa de alfândega e, em

1408, deu lugar ao Banco de San Giorgio, a principal instituição financeira de Gênova.

Como Gênova tinha falta de área para novas construções, acabou forçada a

adotar a verticalização. Os edifícios do núcleo central passaram a ter sete ou oito

andares e as ruas estreitas não permitiam a entrada de luz e ar fresco. Essa

configuração causava bolor e as condições fétidas já eram preocupantes nos séculos

XVII e XVIII.

Em 1835 o porto recebeu uma série de melhorias urbanísticas e de infra

-estrutura e foi iniciada a construção de um terraço de mármore sobre os depósitos e

casas de alfândega. Após meio século tudo isso foi demolido para ser construída a

estrada de ferro, que separou o porto da cidade, isolando-o da vida diária dos

cidadãos. Ao longo do século XX procedeu-se à reorganização de toda a extensão

das docas, com novos cais, piers, depósitos e edifícios industriais, além de três

estações ferroviárias. Em 1965 esta separação acabou se confirmando pela

construção de uma via elevada para automóveis, de frente para a Ripa e para o

Palazzo San Giorgio, o que na época já foi considerado como um ato de vandalismo.

Uma das mais velhas regiões de Gênova, datando do século XIII, tornou-se então

uma área de silos, armazéns e uso residencial de baixa renda. Essa situação de

negligência acentuou-se com a construção do elevado ou sopraelevata (BUCHANAN,

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