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Levantem âncoras! Re-discussão portuária!
Frederico Bussinger 29 Agosto 2016
“Não há bons ventos para barcos sem rumo” [Multi-citado milenar ditado chinês]
Não faz muito tempo, testemunhamos episódio pouco usual: empresários, trabalhadores e Governo, juntos, celebraram a aprovação
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm)da “Nova Lei dos Portos” (Lei nº 12.815/13
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/Lei/L12815.htm)). Vale lembrar, ela resultou da MP-595
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Mpv/595.htm) que foi anunciada (https://www.youtube.com/watch?v=QPWX0_3hcaU)como
“Programa de Investimentos em Logística para Portos” em concorrida solenidade no Palácio do Planalto, naquele 6/DEZ/2012.
Os trabalhadores, apesar de mobilizações contrárias
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm)no início e, até, algumas greves (01
(http://www.valor.com.br/brasil/2970982/em-estado-de-greve-sindicatos-de-santos-querem-alterar-mp-dos-portos), 02 (http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,estivadores-ameacam-greve-contra-mp-dos-portos,143197e), 03 (http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/portuarios-anunciam-greve-em-protesto-a-mp-dos-portos), 04 (http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRANSPORTE-E- TRANSITO/435552-PORTUARIOS-AMEACAM-GREVE-SE-NAO-HOUVER-MUDANCA-NA-MP-DOS-PORTOS.html), 05 (http://www.otempo.com.br/capa/economia/governo-admite-mudar-mp-dos-portos-e-greve-%C3%A9-suspensa-1.339673)), acabaram fazendo questão até de registrar o gran finale com um selfie (http://www.fnportuarios.org.br/wp-content/uploads/2013/05/Foto-senadores-e-portu%C3%A1rios-2.jpg)coletivo ante a mesa do Senado. E havia razão para tanto:
Num aceno tipo de “senta-que-o-leão-é-manso”, já partiram com a garantia de que “...todos os direitos dos trabalhadores estão preservados. Sem qualquer alteração na legislação trabalhista em vigor” (01
(http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/02/portuarios-cobram-mudanca-em-mp-que-regulamenta-setor.html), 02 (http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/para-gleisi-hoffmann-mp-dos-portos-nao-vai-privatizar-o-setor.html), 03 (http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/95784/Gleisi-defende-nova-MP-dos-portos.htm), 04 (http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/17/mp-dos-portos-e-avanco-mas-cria-desequilibrio-diz-especialista.htm), 05 (http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/02/26/20/sob-pressao-de-trabalhadores-portuarios-comissao-mista-comeca-a-discutir-mp-dos-portos)). Todavia, ao longo da tramitação (01
(http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-03-20/governo-admite-mudar-mp-dos-portos-para-evitar-paralisacao-de-trabalhadores), 02
(http://veja.abril.com.br/noticia/economia/governo-estuda-dar-beneficios-a-portuarios-em-troca-de-apoio-para-a-mp)), foram sendo incorporadas diversas “conquistas”, destacando-se o estabelecimento de renda mínima (art. 43 § único), de aposentadoria especial (art. 73), e inclusão da capatazia (trabalho em terra) entre as “exclusividades” e contratação no OGMO (art. 40 – caput). Mas, principalmente, a caracterização da capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância como “categoria diferenciada” (art. 40; § 4º - abrindo a possibilidade dos sindicatos representarem e negociarem tanto dentro como fora dos Portos Organizados).
O setor empresarial foi o grande protagonista das mudanças e parceiro do Governo Federal na empreitada. Participou do processo e apoiou a formulação, a estratégia e a celeridade da aprovação da MP (01
(http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,setor-empresarial-manifesta-apoio-a-mp-dos-portos,147100e), 02
(http://noticias.r7.com/economia/noticias/entidades-setoriais-reafirmam-apoio-a-mp-dos-portos-20130417.html), 03 (http://www.valor.com.br/politica/3013916/para-cna-brasil-tera-apagao-portuario-se-mp-nao-aprovada), 04 (http://www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/noticias/mp-dos-portos-empresarios-apoiam-desenvolvimento-do-brasil), 05 (http://www.portaldaindustria.com.br/cni/imprensa/2013/05/1,13411/confederacao-nacional-da-industria-reforca-apoio-a-mp-dos-portos.html)). Esteve presente na tramitação e forneceu subsídios
(http://www2.camara.leg.br/a-camara/presidencia/noticias/presidente-recebe-sugestoes-da-agricultura-para-mp-dos-portos-1). Chegou a esboçar divisão (http://oglobo.globo.com/economia/empresarios-nao-chegam-acordo-sobre-mp-dos-portos-7632668)interna mas, quando a tramitação correu riscos de “morrer na praia”, esteve sempre a postos para anabolizar o processo; inclusive com ampla campanha (http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,fiesp-fara-campanha-para-aprovar-mp-dos-portos-na-camara,152272e)pela grande mídia (https://www.youtube.com/watch?v=ohhhvnXRmsw).
O Governo tinha mesmo o que (01
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm), 02
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm)) celebrar. E por, pelo menos, 2 razões: i) após longas e polarizadas discussões (01 (https://www.youtube.com/watch?
v=JSlsLdKsph4), 02 (https://www.youtube.com/watch?v=YnHov6iQab8)) (com direito até a galinhadas na madrugada –01
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm), 02
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm), 03
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm) - para manter as energias dos congressistas!), alguns impasses
(http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2013/05/o-impasse-na-mp-dos-portos1.html), forte empenho (01
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm), 02
(http://www.administradores.com.br/noticias/cotidiano/em-reuniao-dilma-cobra-empenho-para-aprovacao-de-mp-dos-portos/75557/), 03
(http://www.administradores.com.br/noticias/cotidiano/em-reuniao-dilma-cobra-empenho-para-aprovacao-de-mp-dos-portos/75557/)), e votações tensas (http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm)nas quais tentativas de modificação foram
sucessivamente derrotadas
(http://noticias.uol.com.br/album/2013/05/14/tumulto-faz-sessao-da-mp-dos-portos-ser-encerrada.htm), acabou por ter o que muitos consideram a maior das vitórias
(http://veja.abril.com.br/politica/apos-maratona-governo-consegue-salvar-mp-dos-portos/)congressuais do Governo-Dilma (e, talvez, o ponto de inflexão (http://www.valor.com.br/politica/3124022/governo-derrota-eduardo-cunha-em-votacao-da-mp-dos-portos)nas tensões Dilma-Cunha); ii) consumou (/colunistas/frederico-bussinger/72691-regulacao-portuaria-jogo-jogado)o objetivo que ensaiava desde a promulgação do Decreto nº 6.620/08
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6620.htm) (apesar dele ter sido “vendido” como motivado pela “solução do problema da carga própria”); qual seja, a hiper-centralização
(/colunistas/frederico-bussinger/81379-no-caminho-de-uma-autoridade-portuaria-nacional) do processo decisório.
Aliás, um dos momentos marcantes da tramitação legislativa, naquele 1º
semestre de 2013, foi justamente a discussão na Comissão Especial, centrada nesse tema, entre Eduardo Campos (então Governador de Pernambuco) e Gleisi Hoffmann (então Ministra-Chefe da Casa Civil – quartel general da MP).
Mas tudo isso já vai ficando na poeira da história...
Intrigantemente, pouco mais de 3 anos depois, insatisfações e críticas se
acumulam – aliás, muito cedo, já antes de completar seu 1º aniversário, a nova Lei ficou órfã (/colunistas/frederico-bussinger/82464-nova-lei-dos-portos-com-um-ano-ja-orfa)!
Trabalhadores, p.ex., por constatar que os efeitos da “categoria diferenciada” são aquém do esperado (principalmente em portos com Terminais de Uso Privado - TUPs contíguos) ou pela perda (http://g1.globo.com/sp/santos- regiao/noticia/2016/07/tst-tenta-acordo-no-porto-de-santos-e-pede-fim-das-greves-de-estivadores.html)de espaço dos TPA (avulsos); agora, inclusive, com julgado do TST.
Empresários arrendatários (dentro dos Portos Organizados), que adotaram “perfil baixo” durante a tramitação da MP/Lei, procuram formas para também usufruírem das vantagens competitivas que o novo modelo propiciou aos TUPs: querem isonomia! E, como de praxe, ressuscitam velhas bandeiras de liberdade quase “ampla-geral-e-irrestrita”, privatização das Docas etc. (01
(/colunistas/frederico-bussinger/83454-portos-mudanca-da-lei-ou-da-constituicao), 02 (http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,para-tirar-os-portos-do-atoleiro-imp-,1694180), 03 (/colunistas/frederico-bussinger/86340-land-lord-port-de-novo-em-pauta-passando-o-brasil-a-limpo-iii), 04
(http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,um-desafio-aos-trabalhadores-portuarios,10000069082)). Aliás, vez por outra, falam
(http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,empresarios-querem-nova-lei-dos-portos,1550045)de “uma nova Lei dos Portos”.
Governo, tanto o que gestou a lei vigente como o por ora interino, preocupados porque o novo modelo não “entregou” o prometido, buscam saídas para
“destravar” o setor. O foco, a métrica são novos investimentos, seja em arrendamentos (novos e renovações antecipadas), TUPs, IP4, ETC ou dragagem.
Enfim, com motivações e objetivos diversos, tudo indica que, mais uma vez, estamos prestes a zarpar rumo a uma nova viagem reformadora!
Para que se minimize o risco de se repetirem erros das experiências anteriores, vale refletir sobre alguns aspectos. Um bom e consensado diagnóstico é
essencial:
1) A lei é consequência! A discussão necessária, e raramente feita, é de modelo. Estabelecido um modelo, a redação do texto legal ou normativo não chega a ser tão difícil.
2) Modificações pontuais, sem uma visão global do modelo, pode produzir colchas de retalhos ... como tem acontecido.
3) Clareza em relação ao modelo é importante até mesmo se a opção estratégica for de mudanças infraconstitucionais e/ou infra-legais: para que sucessivas decisões/modificações sejam harmônicas e não demandem re-trabalhos sobre re-re-trabalhos. Para que não se tenha que se voltar a discussões estruturais a cada década!3) As agendas ocultas precisam ser postas à mesa para viabilizar uma ampla, consistente e transparente discussão; essencial para
que a solução resultante tenha legitimidade: importante, inicialmente, para que uma eventual tramitação legislativa tenha mínimas chances de sucesso em um Congresso com agenda tão congestionada e nervos à flor da pele.
4) A utilização de experiências estrangeiras (as tais das boas práticas) demanda, desde logo, honestidade intelectual. Depois, precisam ser
contextualizadas institucional, econômica, política... e, até, culturalmente. Duas boas referências sobre o tema são: o manual do Banco Mundial de Reformas Portuárias (http://ppp.worldbank.org/public-private-partnership/library/port-reform-toolkit-ppiaf-world-bank-2nd-edition)e o relatório
(http://www.espo.be/publications/trends-in-eu-ports-governance-2016)de uma pesquisa da “European Sea Port Organization – ESPO” sobre governança portuária (agora com uma versão recém-lançada).
5) A gestão privada tem suas virtudes. Tão ou mais importante como ela, mostram as experiências mundo afora, é a autonomia portuária; a
descentralização do processo decisório... totalmente comprometidas com o modelo balizado pela Lei nº 12.815/13
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/Lei/L12815.htm).
6) Certamente a conjuntura política e econômica tem contribuído para o
insucesso de leilões portuários e para investimentos nos portos públicos. Mas não é (http://idelt.org.br/conjuntura-nao-e-unica-vila-dos-insucessos-de-leiloes-portuarios/) a única causa e, quiçá, nem a mais importante. Se fosse, os TUPs não estariam bombando; pois também sujeitos a ela. Há muito que precisa ser repensado (/colunistas/frederico-bussinger/88337-o-que-corrigir-nos-proximos-leiloes-portuarios)!
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Como na experiência do processo que resultou na Lei nº 8.630/93
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8630.htm) (a antiga “Lei dos Portos”), mais que sucessivas conversas bilaterais e de alcovas, o estabelecimento de uma mesa retangular (governos + usuários + empresários + trabalhadores) poderia ser um caminho (bem!) construtivo.
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