Leonardo Magela Lopes Matoso * Mônica Betania Lopes Matoso **

Texto

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C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.11, n.1, p. 31-47, jan/abr. 2018 UMA PRÁTICA POSSIVEL?

Leonardo Magela Lopes Matoso * Mônica Betania Lopes Matoso **

RESUMO

Os exercícios físicos regulares são

quotidianamente sugeridos para gestantes que não se encontram em situações de risco, ou seja, que não possuem doenças de base ou advindas do processo gestacional. No entanto, poucas gestantes aderem a essa prática e muitas ainda têm receios e dúvidas quanto à segurança da sua realização. Diante disso, o objetivo geral deste artigo é analisar através da literatura as evidências cientificas que comprovam que o exercício físico durante a gravidez é uma prática possível. Trata-se de uma pesquisa aplicada, descritiva, oriunda de

documentos secundários, na modalidade

revisão integrativa, onde pesquisou-se no banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), sem limite de tempo disponível. Os resultados apontaram uma amostra de 39 artigos, no qual 29 eram da LILACS, 11 da BDENF e 1 da ScIELO, após avaliação dos títulos e resumos dos 39 artigos selecionados, foram excluídos os artigos repetidos nas bases de dados e selecionados dez artigos, no qual compõe esse estudo de revisão integrativa. Constatou-se que a prática de exercício físico para a gestante é de suma importância, uma vez que auxilia na respiração, no sistema cardíaco, na liberação de hormônios que reduzem estresse, depressão e causam relaxamento muscular, minimizando também as dores que são provenientes da gestação. No entanto, para iniciar os exercícios físicos ficou claro que é importante uma prescrição adequada do tipo de treino, pois a atividade pode causar malefícios sign ificativos na vida da mãe e do feto se forem realizadas de modo severo e sem acompanhamento.

* Enfermeiro. Especialista em Saúde e Segurança no Trabalho. Discente do Programa de Pós-Graduação – Mestrado Interdisciplinar em Cognição, Tecnologias e Instituições da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa). Discente de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern).

** Assistente Social. Especialista em Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. Especialista em Regulação em Saúde no Sistema Único de Saúde. Tem experiência na área da Assistência Social com ênfase na Atenção Básica e Especializada, Vigilância Socioassistencial, Monitoramento e Avaliação na assistência social.

Palavras-Chaves: Gestantes; Gravidez; Exercício Físico.

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1 INTRODUÇÃO

O processo gestacional é um processo fisiológico natural, no qual é apreendido pela sequência de eventos que levam a adaptações que ocorrem no corpo da mulher a partir da fertilização, ou seja, a partir do

concepto do óvulo com o

espermatozoide (COSTA; ASSIS,

2010).

Nessa ótica, as transformações que ocorrem no corpo da mulher estão relacionadas com a quantidade natura l de hormônios que são responsáveis, de forma contundente, pelas alterações fisiológicas e endócrinas, no organismo a sua nova condição. Essas alterações acabam por decair principalmente nos

sistemas cardiorrespiratório,

musculoesquelético e no metabolismo geral; não restringindo apenas aos órgãos, mas também à mecânica do corpo feminino, tais como alterações do centro de gravidade, da postura e do equilíbrio (KISNER; COLBY, 2015).

Caldas e Cezar (2001) revelam que muitas vezes essas alterações comprometem as atividades da vida diária dessas mulheres, e que a simples adoção do exercício físico auxiliaria na melhor adaptação dessas transformações. Entretanto, existiu uma época em que se acreditava que

os exercícios físicos, durante o processo gestacional não traziam benefícios positivos para mãe e o bebê. Hoje, mesmo com inúmeras pesquisas que revertem essa informação do senso comum que era carregada de tabus, ainda existem algumas pessoas, incluindo médicos, que por precaução não recomendam ou recomendam com restrições à prática.

Essa concepção acerca do hábito de praticar exercício físico está se modificando, pois hoje a atividade física deixou de ser uma prática,

eminentemente relacionada a

procedimentos estéticos e dotada de mitos, e passou a ser um recurso abundantemente utilizado por todas as

especialidades médicas como

instrumento para prevenção de

doenças, promoção de saúde e reabilitação de algumas enfermidades (CALDAS; CEZAR, 2001).

De acordo com Nascimento et al. (2014) essas modificações no padrão de atividade física na população

em geral é um assunto da

contemporaneidade que acaba por suscitar uma gama de reflexões,

principalmente por causar

preocupações no governo diante dos

agravos à saúde da mulher,

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aumento do sedentarismo e das doenças metabólicas.

Corroborando com essa

assertiva, para a Organização Mundial da Saúde (OMS), citado no estudo de Velloso et al. (2015), adultos entre 18 e 64 anos deveriam praticar pelo menos 150 minutos por dia de atividade física moderada. Quando não for possível, os mesmos deveriam ter no mínimo 75 minutos por semana de atividades diárias, no intuito de minimizar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer de mama e cólon, bem como, depressão, além de ser essencial para o controle do corpo corporal.

Todavia, 31% da população mundial com idade menor ou igual há 15 anos exercem níveis de atividade física insuficiente, o que acarreta uma maior prevalência em países com alta renda e no público feminino. Nessa ótica, quando se refere a mulheres grávidas não é diferente, uma vez que a prevalência de gestantes ativas, a duração, a frequência e a intensidade dos exercícios são ainda menores do que nas mulheres adultas em geral (VELLOSO et al., 2015).

Tavares et al. (2009),

identificaram ao realizarem um estudo coorte com 118 gestantes no Nordeste, um índice reduzido de atividade física nas gestantes durante o período

gestacional, e 100% da amostra alcançou o padrão sedentário na 32 semana gestacional. Silva e Costa (2007), avaliando o nível de atividade física de 305 gestantes em no Município de Fortaleza no Estado do

Ceará, percebeu que 80% das

participantes da sua pesquisa

apresentaram condição classificada como padrão leve ou sedentário. Outro

estudo realizado por Domingues,

Barros e Matijasevich (2008) na região Sul do Brasil observou que apenas 4,7% foram classificadas como ativas durante toda a gestação.

Essas pesquisas empíricas que

foram supracitadas servem para

justificar a importância desse estudo e revelar as mudanças de paradigma em

relação às recomendações de

exercícios físicos durante a gestação, que passou a ser incentivada e até mesmo recomendada pelos guias e protocolos do American College of Obstetricians and Gynecologists

(NASCIMENTO et al., 2014).

Entretanto, afirma-se que a prática do exercício físico durante a gestação não é uma atividade rotineira, onde uma gama de estudos supracitados aponta essa falta de exercício físico durante o processo gestacional. Todavia, os fatores relacionados à prática de atividade física durante a gestação e os

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possíveis benefícios para a saúde da mãe e do feto ainda carecem de estudos teórico-empírico para um maior aprofundamento.

Com relação às várias

transformações que ocorrem durante a

trajetória gestacional, como as

mudanças hormonais e biomecânicas no corpo da mulher, Mann (2008)

revela que muitas vezes essas

mudanças hormonais podem resultar em desconforto ou dor, causando limitações durante a realização das Atividades da Vida Diária (AVDs) e profissional.

Entretanto, com relação a essas adaptações fisiológicas, as gestantes e quaisquer outros indivíduos acabam por se beneficiar da atividade física regular. Todavia, inúmeras gestantes optam por interromperem a atividade física rotineira, assim como, as atividades da vida diária, como (arrumar casa, sair, fazer comprar, ir para festas, etc.) quando descobrem que estão grávidas. Por outro lado, a adoção da pratica de exercícios físicos regulares antes da gestação ou mesmo no período pré-natal pode trazer benefícios significativos, bem como a

prevenção do desenvolvimento de

algumas doenças como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), obesidade materna, diabetes gestacional e

pré-eclâmpsia, entre outras (DUMITH et al., 2012).

Diante dessa assertiva, pode-se supor que a falta de exercícios físicos durante a gestação ocorre por alguns fatores, dentre eles, falta de conhecimento sobre a possibilidade de exercer as atividades da vida diária plenamente, falta de orientação do profissional durante o pré-natal, medo relacionado às transformações no corpo da mulher durante esse período, dentre outros elementos.

No entanto, salienta-se que os

componentes da aptidão física

relacionados à saúde trazem inúmeros benefícios, tanto fisiológicos como psicológicos, ao ser humano; e para uma futura mamãe, proporciona além

dos conhecidos benefícios que

oferecem para todos os seres

humanos, vantagens significativas que garantem a saúde dela e do bebê,

como a melhora da qualidade

respiratória, melhora da circulação, do fortalecimento do sistema endócrino e

nervoso, combate à fadiga e a

distúrbios digestivos causados pela

gestação, oferece também

fortalecimento na musculatura das costas e pernas, melhora a flexibilidade gerada pela fase na qual a mulher se encontra (DUMITH et al., 2012). E

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encontram-se o alívio da depressão, o aumento da autoconfiança, a melhora da autoestima, a qualidade do sono e o equilíbrio do corpo, além de diminuir, um pouco, a ansiedade (SILVEIRA; SEGRE, 2012).

Sendo assim, adota-se como objetivo geral deste artigo analisar através da literatura científica as evidências cientifica que comprovam que o exercício físico durante a gravidez é uma prática possível.

2 MATÉRIAIS E MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa aplicada, de teor descritivo, oriundo de

documentos secundários, na

modalidade revisão integrativa da literatura, na qual tem por finalidade apresentar uma reflexão a respeito dos

princípios que fundamentam as

evidências cientificas que permeiam a prática de exercícios físicos durante a gravidez. Esse tipo de investigação

propõe reunir dados sobre um

determinado assunto a partir da literatura teórica e empírica com a finalidade de apreender melhor o fenômeno por meio da revisão de

conceitos, teorias e evidências

(WHITTEMORE; KNAFL, 2005).

É necessário ressaltar que para o desenvolvimento dessa pesquisa

foram percorridas as etapas da revisão integrativa proposta pelos autores supracitados, no qual seu delineamento acontece em seis fases que serão descritas a seguir.

1ª Fase - elaboração da pergunta norteadora: a definição da

pergunta norteadora é a fase mais importante da revisão, pois determina m quais serão os estudos incluídos, os meios adotados para a identificação e as informações coletadas de cada estudo selecionado (WHITTEMORE;

KNAFL, 2005). Sendo assim, a

pergunta que norteou esse estudo foi: quais as evidências cientificas que permeiam a prática de exercícios físicos durante a gravidez?

Fase - busca ou amostragem na literatura: na ótica de

Whittemore e Knafl (2005), essa fase encontra-se intimamente relacionada com a fase anterior, pois é aqui que se determina como a amostra será coletada, quais bancos de dados e quais critérios. Ressalta-se que os critérios de amostragem precisam garantir a representatividade da

amostra, sendo importantes

indicadores da confiabilidade e da fidedignidade dos resultados.

Nessa ótica, os critérios de inclusão desse estudo foram artigos,

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português que abordassem a gravidez e a prática do exercício físico. Salienta-se que devido à escasSalienta-sez de material

no idioma português, não foram

estabelecidos critérios relacionados ao

tempo de publicação. Infere-se

também, que a busca dos artigos ocorreu na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), no qual é um banco de dados

descentralizado que indexa as

seguintes bases de dados: Scientific Eletronic Library Online (ScIELO), Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Literatura Latino-Americana e do

Caribe em Ciências da Saúde

(LILACS), Coleciona Sus, MEDLINE e Litterature Scientifique em Santé

(LISSa). Foram utilizados para

subsidiar na busca dos artigos os

seguintes descritores: gravidez,

gestantes e exercícios físicos. Para complementar a busca optou-se pelo cruzamento entre os descritores:

gravidez AND exercício físico;

gestantes AND exercícios físicos, segundo os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS).

Salienta-se que como critérios

de exclusão optaram-se pelos

resumos, editoriais, cartas ao editor e artigos que não respondiam à questão norteadora que compôs esse estudo.

A busca eletrônica inicial identificou 1.483 publicações. Ao

aplicar o critério de inclusão “texto completo” foram evidenciado 637 artigos. Em seguida, selecionado o segundo critério de inclusão – “textos

em português” – os resultados

apontaram uma amostra de 39 artigos, no qual 29 eram da LILACS, 11 da BDENF e 1 da ScIELO. A próxima etapa foi feita através da avaliação dos títulos e resumos dos 39 artigos selecionados. De posse desse material, procedeu-se para leitura esmiuçada de cada um deles, onde foi identificado 5 artigos que se repetiam em bases de dados diferentes. 7 artigos abordavam a prática do exercício físico depois da gravidez e 17 artigos trabalhavam

questões clinicas inerentes ao

processo gestacional, que atuavam em cima de doenças e traziam de forma mínima no corpo do trabalho a palavra “exercício” ou “atividade física”, ou seja, não discutia realmente a correlação do exercício físico com a gestação, por isso foram excluídos do estudo. Dessa forma, esse estudo está constituído de 10 artigos científicos que contemplam a proposta dessa revisão integrativa.

3ª Fase - coleta de dados:

essa fase consiste em elaborar um instrumento previamente capaz de assegurar que a totalidade dos dados relevantes seja extraída, minimizar o

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garantindo assim a precisão na checagem das informações. Diante disso, optou-se por construir um quadro sintético, contemplando os seguintes aspectos: autores, ano de publicação,

identificação do periódico de

publicação e objetivos.

4ª Fase - análise crítica dos estudos incluídos: para Whittemore e

Knafl (2005), essa etapa consiste em analisar os materiais que possuem “Prática Baseada em Evidências”, por meio dos sistemas de classificação de evidências cientificas, a saber: nível 1: evidências resultantes da meta-análise

de múltiplos estudos clínicos

controlados e randomizados; nível 2:

evidências obtidas em estudos

individuais com delineamento

experimental; nível 3: evidências de estudos quase-experimentais; nível 4: evidências de estudos descritivos (não -experimentais) ou com abordagem qualitativa; nível 5: evidências provenientes de relatos de caso ou de experiência e; nível 6: evidências baseadas em opiniões de especialistas. Sendo assim, os artigos trabalhados nesse estudo serão categorizados de acordo com seu nível de evidencia cientifica e descritos na tabela 2 de forma sucinta e objetiva.

5ª Fase - discussão dos resultados: esta fase trata-se da

interpretação e síntese dos resultados evidenciados, onde a foi realizada uma leitura crítica, ressaltando os aspectos mais significativos de cada artigo, a fim de não deixar passar itens importantes para a confiabilidade desse estudo.

6ª Fase - apresentação da revisão integrativa: para Whittemore e

Knafl (2005), essa etapa consiste na apresentação da revisão integrativa e a mesma precisa ser clara, completa e objetiva, para permitir ao leitor avaliar criticamente os resultados.

Nesse ínterim, a análise de dados foi desenvolvida a luz do

referencial teórico, no qual a

autenticidade de todas as referências e autores citados foi mantida de forma rigorosa, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT).

3 RESULTADOS

Foram analisados dez artigos que atenderam aos critérios de inclusão

previamente estabelecidos e que

abordaram a ótica da prática do exercício físico na gravidez. Tais artigos revelaram que o ano com maior número de publicações foi 2012. As publicações foram realizadas nos seguintes periódicos, a saber: Revista de Medicina de Minas Gerais, no qual possui classificação da qualis-capes

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em enfermagem como B3; no periódico da Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, cujo qualis-capes de enfermagem é B1; bem como a Revista Einstein. Houve artigo publicado também na Revista de Saúde Pública, onde o qualis-capes em enfermagem é A2. Já o artigo publicado no periódico da Revista Brasileira de Reumatologia, cuja modalidade é interdisciplinar,

possui qualis-capes B1, bem como a Revista Fisioterapia e Movimento. Por fim, os artigos publicados na revista Cinergis, Cereus. e Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício estão incorporadas na modalidade educação física e possuem qualis-capes B3. Os estudos que compõem a análise desta revisão estão dispostos no Quadro 1.

Quadro 1. Síntese dos artigos incluídos nesse estudo.

Ano Autor Titulo Periódico Objetivo

2016 ACENCIO, F.A. et al. Efeitos fisiológicos decorrentes do exercício físico no organismo materno durante a gestação Cinergis. Identificar os benefícios fisiológicos que a prática de exercício físico pode

proporcionar ao organismo materno, baseados em testes já realizados. 2015 VELLOSO, E. P.P. et al. Resposta materno-fetal resultante da prática de exercício físico durante a gravidez: uma revisão sistemática. Revista de Medicina de Minas Gerais. Realizar pesquisa bibliográfica sobre as alterações fisiológicas e exercícios físicos na gravidez bem como a

resposta fetal aos seus efeitos. 2014 NASCIMENTO, S.L. et al. Recomendações para a prática de exercício físico na gravidez: uma revisão crítica da literatura. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. A disseminação das recomendações existentes sobre exercício físico na gestação entre os profissionais de saúde que assistem às gestantes no Brasil, baseando-se em evidências científicas atualmente disponíveis.

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2012 SILVEIRA, L. C.; SEGRE, C. A.M. Exercício físico durante a gestação e sua influência no tipo de parto Revista Einstein. Verificar se o exercício físico de média intensidade, realizado durante a gestação, pode influenciar na via de parto, e observar a adesão ao exercício entre primigestas com diferentes níveis de escolaridade. 2012 DUMITH, S.C. et al. Verificar se o exercício físico de média intensidade, realizado durante a gestação, pode influenciar na via de parto, e observar a adesão ao exercício entre primigestas com diferentes níveis de escolaridade. Revista de Saúde Pública. Analisar fatores associados à prática de atividade física durante a gestação e sua relação com indicadores de saúde materno-infantil. 2012 BOTELHO, P. R.; MIRANDA, E.F. Principais recomendações sobre a prática de exercícios físicos durante a gestação Revista Cereus. Realizar um estudo bibliográfico sobre as principais recomendações de diferentes exercícios físicos para mulheres durante a gestação. 2011 LIMA, A.P. A importância do exercício físico durante o processo de gestação. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício Identificar a importância do exercício físico durante o processo de gestação, e mostrar alguns cuidados necessários em que se deve ter na prática

de exercícios com gestantes. 2008 MANN, L. et al. Dor lombo-pélvica e exercício físico durante a gestação Fisioterapia e Movimento Determinar a prevalência e as características da lombalgia em gestantes, bem como

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apontar possíveis fatores de risco relacionados a esta

dor e o efeito do exercício físico como meio de intervenção e prevenção em gestantes foram os objetivos do presente estudo. 2005 LIMA, F.R.; OLIVEIRA, N. Gravidez e Exercício Revista Brasileira de Reumatologia Atualizar os profissionais sobre os benefícios e riscos da prática esportiva durante a gravidez, no sentido de promover uma orientação segura e precisa para

suas pacientes grávidas 2004 LANDI, A.S.; BERTOLINI, M.M.G.; GUIMARÃES, P.O. Protocolo de atividade física para gestantes: estudo de caso. Cesumar. Verificar os resultados de um protocolo de exercícios fisioterapêuticos para gestantes.

Fonte: Quadro elaborado pela autora no ano de 2016.

Com relação aos níveis de evidência cientifica em cada artigo, identificou-se que cinco deles possuem nível 4, ou seja, são estudos descritivos (não-experimentais) ou com

abordagem qualitativa; e cinco, nível 5, que são artigos cuja evidências são provenientes de relatos de caso ou de experiência. Essas informações podem ser visualizadas no Quadro a seguir:

Quadro 2. Nível de evidências cientifica dos artigos trabalhados nesse estudo.

Ano Nome Nível de Evidência

2016 ACENCIO, F.A. et al. Nível 5

2015 VELLOSO, E.P.P. et al. Nível 4

2014 NASCIMENTO, S.L. et al. Nível 4

2012 SILVEIRA, L.

C.; SEGRE, C.A.M. Nível 5

2012 BOTELHO, P.R.; MIRANDA, E.F. Nível 4

2012 DUMITH, S.C. et al. Nível 5

2011 LIMA, A.P. Nível 4

2008 MANN, L et al. Nível 4

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2004 LANDI, A.S.; BERTOLINI, M.M.G.; GUIMARÃES,

P.O. Nível 5

Fonte: Quadro elaborado pela autora no ano de 2016.

Verificou-se que todos os estudos possuem objetivos claros e

coesos, possibilitando um fácil

entendimento ao leitor. Cinco estudos foram realizados com dados primários por meio de pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Dentre os autores, quatro estudos foram

realizados por graduados em

enfermagem, dois graduados em

medicina, um em fisioterapia e três em educação física.

4 DISCUSSÃO

Os estudos elencados para compor essa revisão integrativa versão sobre alguns aspectos que beneficiam a prática da atividade física na gravidez, bem como, alertam para a prática adequada afim de não causar problemas durante os exercícios. De forma sintética, a prática dos exercícios físicos auxilia na prevenção da obesidade, diabetes, pré-eclâmpsia,

hipertensão crônica, depressão,

ansiedade e estresse.

Nascimento et al., (2014), defendem em seu estudo que as mudanças no estilo de vida, incluindo

orientações sobre ganho de peso adequado, dieta e exercícios físicos em intensidade leve a moderada, podem e devem ser prescritos para gestantes com sobrepeso e obesidade com

segurança, levando a resultados

maternos e fetais favoráveis.

Corroborando com os autores, Silveira e Segre (2012), sugerem que o

ganho de peso de gestantes

classificadas como obesas seja entre 5 e 9 kg, não mais que isso, pois pode trazer consequências graves para a criança, como diabetes, hipertensão e dislipidemias severas.

Já Landi, Bertolini e Guimarães (2004) realizaram um estudo com gestantes para testar um protocolo de exercícios físicos composto por uma sessão semanal de um exercício em intensidade leve (10 minutos de alongamento, 20 minutos de treino de resistência muscular e 10 minutos de relaxamento), somado a orientação de caminhada e orientações nutricionais, enquanto um grupo controle recebeu apenas a rotina padrão de pré-natal e

as orientações nutricionais. Os

pesquisadores revelaram que:

As mulheres iniciaram a prática de exercício em média com 17

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semanas e foram seguidas até o parto. No grupo intervenção, 48% das mulheres ganharam peso excessivamente versus 57% do grupo controle. As gestantes com sobrepeso no

grupo intervenção tiveram

menor ganho de peso total e no programa do que as com sobrepeso do grupo controle. Não houve diferença entre os

grupos com relação aos

resultados perinatais, como taxa de cesárea, peso de RN, idade gestacional ao nascer e Índice de Apgar, reforçando o conceito de que exercício físico adequado e supervisionado pode trazer benefícios para a saúde materna sem afetar negativamente a saúde fetal

(LANDI; BERTOLINI;

GUIMARÃES, 2004, p.65). Asseguro mostrar também que nos estudos de Acencio et al., (2016), Nascimento et al (2014) e Lima (2011) os mesmos defendem que o exercício físico é reconhecidamente parte do tratamento de diabéticos por aumentar a sensibilidade tecidual à insulina, melhorando o controle glicêmico. O exercício físico se associa à prevenção do Diabetes Gestacional e melhora o

controle glicêmico em todos os

trimestres. Recomenda-se que

gestantes com diabetes controlada realizem exercícios físicos aeróbicos e de resistência muscular para ajudar no controle glicêmico. Alguns cuidados devem ser tomados nesse caso, como fazer um adequado controle glicêmico capilar antes a após o exercício, ter um

carboidrato de rápida absorção

disponível no caso de hipoglicemia durante o exercício, evitar exercício no pico insulínico e realizar o exercício após as refeições, quando há maior disponibilidade de glicose circulante.

Velloso et al., (2015) e Mann et al., (2008) revelaram também que mulheres em período gestacional com diagnóstico ou até mesmo suspeita de pré-eclâmpsia precisam evitar a prática de exercícios físicos, uma vez que o exercício físico eleva a pressão arterial sistêmica, reduzindo assim, o fluxo uteroplacentário que já se encontra deficiente devido a doença de base da restante.

Na ótica de Mann et al. (2008), em gestante de baixo risco, a prática regular de exercício antes e no início da gestação está associada à diminuição do risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Na pesquisa feita por Acencio et al. (2016), mostraram que mulheres ativas antes da gestação têm 44% menos chance de desenvolver pré-eclâmpsia, enquanto que gestantes que se envolvem em atividades físicas têm 23% menos chance.

Reforçando a discussão dos

trabalhos supracitados sobre o

indicativo de pré-eclâmpsia, Dumith et al. (2011), sugerem que o repouso é um grande aliado para profilaxia do

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agravamento da hipertensão. Todavia, não foram identificadas evidências

cientificas que previna a sua

progressão para pré-eclâmpsia nem

que proporcione resultados mais

satisfatórios para o binômio mãe-filho. Atrelado a isso, o descanso prolongado

no leito aumenta de forma

preponderante o risco de trombose venosa periférica.

Corroborando com os autores supracitados, é imperativo afirmar que

a avaliação de treinamentos se

associando atividade aeróbica e de resistência, em dias alternados e com intensidade moderada, parece ser benéfica para a mãe e o feto em gestações não complicadas (VELLOSO et al., 2015).

Agencio et al. (2016) defendem que a prática de atividade física parece intensificar as adaptações metabólicas próprias da gravidez. Uma atividade física regular é capaz de manter ou melhorar o condicionamento físico, proporciona benefícios fisiológicos extras, tanto para a mãe, quanto para o

processo gestacional, portanto

inúmeros benefícios são

proporcionados pela prática de

atividade física durante a gestação,

reduzindo inúmeros riscos

gestacionais, como diabetes, doenças hipertensivas entre outras.

Já para Silveira e Segre (2012), outra possibilidade é o fato de que os

exercícios possam fortalecer a

musculatura abdominal, facilitando o segundo estágio do trabalho de parto e

evitando possível distorcia ou

prolongamento excessivo do trabalho de parto, condições que, por si só, indicariam a necessidade de um parto cesariano. Na população estudada por Silveira e Segre (2012), o programa de exercício durante a gestação teve influência sobre a via de parto, que se mostrou positiva em relação ao parto vaginal. Verificou-se, também, maior adesão à prática de exercícios pelas

grávidas com melhor nível de

escolaridade.

Quando se pratica exercícios apropriados ocorre uma melhora nas condições cardiorrespiratórias. O sangue que é transportado para a

placenta é responsável para o

fornecimento de oxigênio e nutrição ao bebê e um sistema cardiovascular saudável será muito benéfico para esse transporte, portanto o coração da gestante deve ser mais forte para bombear mais sangue para o feto e para seu próprio organismo (AGENCIO et al., 2016).

Na ótica de Dumith et al. (2012), a influência que determinados tipos de exercícios físicos, como

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ginástica aquática, natação, yoga e alongamentos, trazem benefícios para as gestantes, pois liberam hormônios como dopamina e serotonina que

auxiliam na redução de dores,

principalmente as lombares e cervicais, e promovem o relaxamento.

Salienta-se que o estudo de Lima e Oliveira (2005) evidenciou que a prática de exercícios físicos intensos pode trazer riscos potenciais para o feto, uma vez que reduz a oxigenação placentária causando hipóxia fetal, bem como riscos abdominais caso os

exercícios sejam aquáticos

(hidroginástica), pois promove a hipertermia gestacional. Esses fatores podem desencadear situações de estresse, restrição de crescimento fetal e até mesmo prematuridade e morte.

Cabe expor também que

existem evidências cientificas de que exercícios físicos moderados ao longo

do processo gestacional podem

aumentar o peso do bebê ao nascer. Por outro lado, caso seja feito

exercícios intensos e com uma

frequência maior, pode resultar em crianças com baixo peso ao nascer (LIMA; OLIVEIRA, 2005).

O exercício regular é

contraindicado em mulheres com as seguintes complicações, a saber: doença miocárdica descompensada,

insuficiência cardíaca congestiva,

tromboflebite, embolia pulmonar

recente, doença infecciosa aguda, risco

de parto prematuro, sangramento

uterino, e isoimunização grave (LIMA; OLIVEIRA, 2005).

Diante do exposto, percebe-se que a atividade física proporciona uma melhoria na qualidade de vida e no condicionamento físico da gestante. Entretanto, para se iniciar um programa de exercícios devem-se considerar a individualidade biológica e o estilo de vida da mulher, pois os exercícios intensos acabam por promover riscos para o feto ao invés de causar

benefícios (BOTELHO; MIRANDA,

2012).

Outro fator fundamental a ser considerada antes de se começar uma atividade física é a avaliação médica, além do acompanhamento regular de um profissional adequado (educador

físico e/ou fisioterapeuta). Os

profissionais devem atuar em conjunto durante todo o período gestacional e estar atentos a quaisquer reações

adversas que possam exigir a

interrupção da prática de exercícios. Apesar de todos os benefícios que o exercício físico proporciona para gestantes, a assiduidade à prática é muito baixa (BOTELHO; MIRANDA, 2012). Pode-se observar que grande

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parte da sociedade trata a gravidez como uma doença, mas essa afirmação é totalmente errada, pois a gestante deve levar um estilo de vida normal e realizar todas suas tarefas do cotidiano, inclusive a prática sistematizada de exercício físico (LIMA; OLIVEIRA, 2005).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do que foi discutido,

apreendeu-se que a prática de

exercício físico para a gestante é de suma importância, uma vez que auxilia na respiração, no sistema cardíaco, na liberação de hormônios que reduzem

estresse, depressão e causam

relaxamento muscular, minimizando

também as dores que são proveniente s da gestação. No entanto, para iniciar os exercícios físicos ficou claro que é importante uma prescrição adequada do tipo de treino, pois a atividade pode causar malefícios significativos na vida da mãe e do feto.

Sendo assim, explicito as dificuldades e limitações que foi desenvolver esse estudo, uma vez que durante a coleta de dados poucos materiais foram encontrados. Todavia, sugere-se que mais estudos sejam feitos, principalmente de caráter

teórico-empírico, para validarem

precisamente os benefícios e

malefícios da atividade física na gestação.

SCIENTIFIC EVIDENCE ABOUT PHYSICAL EXERCISES DURING PREGNANCY: A POSSIBLE PRACTICE?

ABSTRACT

The regular physical exercises are suggested daily for pregnant women who are not at risk, that is, that they do not have basic diseases or come from the gestational process. However, few pregnant women adhere to this practice and many still have fears and doubts about the safety of their achievement. Therefore, the general objective of this article is to analyze through the literature the scientific evidence that proves that physical exercise during pregnancy is a possible practice. This is an applied, descriptive research, derived from secondary documents, in the integrative review modality, where it was searched in the Virtual Health Library (VHL) database, with no time limit available. The results showed a sample of 39 articles, in which 29 were from LILACS, 11 from BDENF and 1 from ScIELO, after evaluation of the titles and abstracts of the 39 articles selected, articles were repeated in the databases and ten articles were selected, in the which composes this integrative review study. It was found that the practice of physical exercise for the pregnant woman is of paramount importance, since it aids in

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breathing, in the cardiac system, in the release of hormones that reduce stress, depression and cause muscle relaxation, also minimizing the pain that comes from gestation. However, to begin physical exercises it became clear that an appropriate prescription of the type of training is important because the activity can cause significant harm to the life of the mother and the fetus if performed in a severe and unmonitored way.

Keywords: Pregnant; Pregnancy; Physical exercise.

Artigo recebido em 12/12/2017 e aceito para publicação em 26/12/2017

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