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IV EREEC João Pessoa - PB 19 a 21 de setembro de 2017

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19 a 21 de setembro de 2017

ANÁLISE DA PRESENÇA DE DISCIPLINAS DE EMPREENDEDORISMO

NOS CURSOS DE ENGENHARIA CIVIL DO RIO GRANDE DO NORTE

Adna Mayara de Medeiros Bezerra ([email protected]) Priscila Fonseca de Sousa ([email protected])

Resumo: Esse estudo tem como objetivo analisar a presença de disciplinas ofertadas para o curso de Engenharia Civil durante a graduação que incentivem direta ou indiretamente à construção de profi ssionais com perfi l empreendedor. Justifi ca-se o tema, pois o empreendedorismo mostra-se essencial para melhorar os índices de empregabilidade. A metodologia utilizada foi a técnica de análise de documentação por conteúdo. Para tanto, utilizou-se como objetos de análise as grades curriculares dos cursos de Engenharia Civil disponíveis nos sites de todas as universidades que oferecem tal curso no estado do Rio Grande do Norte (RN), no período de maio de 2017. O universo da pesquisa inclui a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Potiguar (UNP), a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a UniRN, a UniFacex e a Faculdade Maurício de Nassau (Uninassau). No entanto, a amostra utilizada excluiu a UNP, que não disponibiliza tal informação no site da instituição. Nos resultados constatou-se que são ofertadas em todas as universidades pelo menos uma disciplina obrigatória relacionada ao empreendedorismo. Verifi cou-se ainda, que as universidades privadas apresentaram maior porcentagem de disciplinas obrigatórias que estimulam a formação de um empreendedor, apresentando uma média de 4,37% da carga horária total do curso, enquanto as públicas apresentaram 2,72%. Nas conclusões, tornou-se possível afi rmar que, diante da importância do empreendedorismo, as universidades do RN não oferecem um número satisfatório de disciplinas relacionadas a tal área, o que pode causar prejuízo na formação dos engenheiros civis que almejem empreender seus próprios negócios.

Palavras-chave: Empreendedorismo. Engenharia civil. Grade curricular.

Abstract: This study aims to analyze the presence of subjects off ered for the Civil Engineering course during graduation that directly or indirectly encourage the construction of this professional with an entrepreneurial profi le. This is justifi ed because entrepreneurship is essential to improve employability rates. The methodology used was the documentation-by-content analysis technique. In order to do so, the curricular structure of Civil Engineering courses were used as the objects of analysis on the websites of all the universities that off er such a course in the state of Rio Grande do Norte, in the period of May 2017. The research universe includes the Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Potiguar (UNP), Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), UniRN, UniFacex and Faculdade Maurício de Nassau (Uninassau), however the sample used excluded the UNP, which does not provide such information on the institution’s website. In the results it was verifi ed that at least one compulsory discipline related to entrepreneurship is off ered in all the universities. It was also verifi ed that private universities presented a higher percentage of compulsory courses that stimulate the formation of an entrepreneur, presenting an average of 4.37% of the total course workload, while the public ones presented 2.72%. In the conclusions, it became possible to affi rm that, given the importance of entrepreneurship, RN universities do not off er a satisfactory number of disciplines related to entrepreneurship, which can cause prejudice in the training of civil engineers who want to start their own businesses.

Keywords: Entrepreneurship. Civil engineering. Curricular grade.

INTRODUÇÃO

A palavra empreendedorismo é utilizada para retratar o conjunto de procedimentos que tem a fi nalida-de nalida-de inalida-dentifi car oportunidanalida-des nalida-de mercado ou formas inovadoras nalida-de satisfazer os consumidores, bem como de criar e/ou desenvolver empreendimentos[7]. Para tanto é considerado possuir perfi l empreendedor, pessoas capazes de identifi car oportunidades e de obter os recursos necessários para viabilização do empreendimento, além disso, ser um indivíduo capaz de transformar conhecimentos e tecnologias em produtos e, com isso,

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de-senvolver inovações comercializáveis, apresentando, portanto, como características primordiais ser um bom coordenador e líder[5].

O empreendedorismo é considerado um motor do desenvolvimento econômico[5]. Portanto, na atual con-juntura do Brasil, onde a economia encontra-se em queda e a taxa de desemprego é considerada elevada, a ati-vidade empreendedora se mostra essencial no intuito de alavancar a economia novamente, pois de acordo com SARQUIS et al (2014) quanto maior a atividade empreendedora, menor a taxa de desemprego nos municípios. Somado a isso, de acordo com Global Entrepreneuship Monitor de 2015 (GEM), o sonho dos brasileiros em “ter seu próprio negócio” supera em percentual o de “fazer carreira em uma empresa”, o que mostra a cres-cente busca do brasileiro em querer empreender, quando ele deixa de se satisfazer em ser apenas empregado.

No entanto, no Brasil foi observado que as microempresas possuem uma taxa de mortalidade da ordem de 70% nos primeiros anos de vida[8], o que sugere falta de capacitação e conhecimento do mercado dos em-preendedores. Tal fato pode ser evidenciado pelo dado presente no GEM (2015), o qual mostra que no Per-fil dos Empreendedores Iniciais (TEA) houve uma queda no número de empreendedores por oportunidade, aqueles que abrem o próprio negócio quando encontram uma ocasião favorável para a abertura de um em-preendimento, enquanto aumentou de 29% (2014) para 44% (2015) a porcentagem de empreendedores por necessidade, os quais iniciam um empreendimento por falta de opções para o trabalho somado com a neces-sidade de renda para o sustento de suas famílias, logo são empreendedores com menor preparação e conhe-cimento de negócios.

Diante da importância do empreendedorismo para um bom desenvolvimento econômico e social de um país e, sendo as universidades as formadoras dos futuros profissionais que entrarão no mercado, torna-se opor-tuno analisar o suporte que as mesmas estão dando aos estudantes durante a graduação para a formação de um profissional com o famigerado perfil empreendedor. Nota-se tal relevância principalmente em relação aos dis-centes dos cursos das engenharias, considerando que é expressiva a porcentagem de alunos egressos dessa área que tem o intuito de iniciar o próprio negócio. Singularmente, no que se refere aos engenheiros civis, os quais frequentemente após finalizarem o curso buscam abrir suas próprias empresas, com o empreendimento princi-palmente de construtoras, escritórios de projeto, lojas de materiais de construção e concreteiras.

Esse estudo tem como objetivo geral analisar a presença de disciplinas de empreendedorismo nos cursos de engenharia civil do Rio Grande do Norte (RN), que durante a graduação incentivem direta ou indiretamen-te a construção de um profissional da engenharia civil com perfil empreendedor. Sendo consideradas discipli-nas que influenciem diretamente tal perfil aquelas que possuem o termo empreendedorismo na designação da disciplina, e foram consideradas que exercem influência indireta, os componentes curriculares que dão supor-tem à criação de empreendimentos, como as disciplinas da área de economia, contabilidade e administração.

Além disso, a pesquisa apresenta como objetivos específicos a análise da porcentagem de disciplinas obrigatórias relacionadas ao empreendedorismo, em relação à carga horária total nos cursos de engenharia ci-vil no RN. Bem como, realizar uma comparação entre universidades públicas e privadas do RN, verificando a média da carga horária de disciplinas obrigatórias relacionadas ao empreendedorismo em relação à carga ho-rária total do curso de engenharia civil.

1. METODOLOGIA

A pesquisa foi de caráter qualitativo através da técnica de análise de documentação por conteúdo. Sen-do utilizaSen-dos como objetos de análise as grades curriculares e/ou os projetos pedagógicos Sen-dos cursos (PPCs) de Engenharia Civil disponíveis nos sites de todas as universidades públicas e privadas que oferecem o curso no estado do Rio Grande do Norte. A pesquisa foi realizada durante o período de maio de 2017. Para tanto, foi contabilizado o número de disciplinas obrigatórias e optativas que estavam ligadas direta ou indiretamente ao empreendedorismo, foram consideradas como disciplinas que influenciem diretamente o perfil empreendedor aquelas que possuem o termo empreendedorismo na designação da disciplina, e foram consideradas que exer-cem influência indireta, os componentes curriculares que dão suporte à criação de empreendimentos, como as disciplinas da área de economia, contabilidade e administração. Foi realizando um estudo percentual destas disciplinas em relação à carga horária total do curso, bem como um estudo comparativo entre a porcentagem destas entre as universidades públicas e privadas. Os dados obtidos foram tabulados no programa Excel e ana-lisados por meio de frequência.

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O universo da pesquisa incluiu a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a Uni-RN, a UniFacex, a faculdade Maurício de Nassau (Uninassau) e a Universidade Potiguar (UNP), no entanto a amostra utilizada exclui a UNP, pelo fato desta não disponibi-lizar informação no site da instituição.

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Mediante análise dos resultados, percebeu-se que em todas as universidades há pelo menos uma dis-ciplina obrigatória relacionada ao empreendedorismo. No entanto, a porcentagem de disdis-ciplinas obrigatórias interligadas a esse tema em relação à carga horária total das grades curriculares, de forma geral, ainda é consi-derada baixa, conforme (Figura 1).

Figura 1.

Disciplinas obrigatórias relacionadas ao

empreendedorismo na carga horária total nos cursos de engenharia civil no RN

Fonte: Elaboração própria.

Notou-se que a UNIFACEX destacou-se consideravelmente na oferta de disciplinas obrigatórias dentre as demais universidades. Enquanto a UFRN demonstrou o menor percentual destes componentes. Resultados que podem indicar que as universidades privadas dão uma maior importância à formação de um profissional com capacidades empreendedoras, inserindo um maior número de disciplinas obrigatórias sobre essa temática na grade curricular do curso de engenharia civil.

Cabe ressaltar que na UFRN não foi expressivo o número de disciplinas obrigatórias que abordem o empreendedorismo, no entanto nessa universidade os estudantes possuem maior flexibilidade nas escolhas de seus horários e de disciplinas optativas, além de possuírem ampla variedade de componentes curriculares dis-poníveis pela universidade. Enquanto, de maneira geral, os graduandos das demais universidades, pelo que se observou, apresentam restrição na escolha das disciplinas optativas, sendo estas na maioria das vezes previa-mente escolhidas pela coordenação do curso. Fato que pode ter influenciado os resultados, já que apenas as disciplinas obrigatórias das grades curriculares foram levadas em consideração para esse estudo.

Verificou-se ainda, que as universidades privadas apresentaram maior porcentagem de disciplinas obriga-tórias que estimulam a formação de um empreendedor, na grade curricular, conforme demonstrado na (Figura 2).

Figura 2.

Média da carga horária de disciplinas obrigatórias relacionadas ao empreendedorismo, em relação à carga horária total, no curso de engenharia civil nas universidades públicas e privadas do RN

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Com base nos resultados obtidos, portanto, foi possível constatar que apesar de todos os cursos de enge-nharia civil do RN apresentarem pelo menos uma disciplina ligada ao empreendedorismo, a presença destas é usualmente pouco expressiva neste curso. Fato que pode impactar econômico e socialmente o país, pois o em-preendedorismo está inserido no centro da política econômica e industrial deste, permitindo que o país cresça economicamente e gere novos empregos para a população ativa[6]. Além disso, esses resultados podem afetar também os engenheiros civis egressos dessas universidades, tendo em vista que os conhecimentos acerca do empreendedorismo influenciam a intenção de criar um novo negócio, aumentando dessa forma, a possibilida-de possibilida-desses profissionais recém-formados inserirem-se no mercado possibilida-de trabalho. Bem como a ausência possibilida-dessa ca-pacidade empreendedora irá limitar a atuação desse profissinal, além de aumentar as chances de abertura de empreendimentos sem sucesso[6, 8].

CONCLUSÕES

Esse trabalho procurou compreender como o empreendedorismo estava sendo incentivado nos cursos de engenhara civil do Rio Grande do Norte, coletando dados que permitissem a visualização de números que mostrassem este dado.

Mediante realização da pesquisa, tornou-se possível afirmar que, diante da importância do empreende-dorismo para os profissionais da área, as universidades do Rio Grande do Norte, em sua maioria, não oferecem um número satisfatório de componentes curriculares relacionados ao empreendedorismo. Fato que pode cau-sar prejuízo na formação e na vida profissional dos engenheiros civis que almejem empreender seus próprios negócios.

Essa pesquisa é relevante por fomentar o debate acerca da importância da presença do empreendedoris-mo nas grades curriculares dos cursos de graduação do RN, colaborando ainda para a ampliação do conheci-mento sobre o tema e auxiliando futuros estudos mais amplos acerca dessa temática, os quais podem abordar outros estados ou outras regiões do país, proporcionando uma visão mais abrangente, tendo em vista que o em-preendedorismo ainda é pouco estudado, mas que representa grande importância, uma vez que exerce signifi-cativa influência na economia do país.

É oportuno ressaltar que mesmo diante de toda cautela na metodologia de análise e na discussão dos re-sultados, devem ser consideradas algumas limitações que o estudo possui e não se deve tomar como definitivo o resultado encontrado, tendo em vista que há muitos fatores envolvidos, como a falta de acesso aos PPCs de algumas universidades e a todas as disciplinas optativas disponibilizadas nas faculdades privadas, que possibi-litam outras discussões mais aprofundadas sobre o tema.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] CENTRO UNIVERSITÁRIO DO RIO GRANDE DO NORTE. Grade curricular do curso de Engenharia

Civil. Natal: Uni-RN, 2014. Disponível em:

http://www.unirn.edu.br/2016/files/dde5d565ba418902317324f-4b64a212721471636.pdf. Acessado em: 25/05/2017.

[2] CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACEX. Grade curricular do curso de Engenharia Civil. Natal: Unifa-cex, 2012. Disponível em: http://unifacex.com.br/wp-content/uploads/2016/09/estru_civil.pdf. Acessado em: 25/05/2017.

[3] FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU. Grade curricular do curso de Engenharia Civil. Natal: Uninas-sau, 2016. Disponível em: https://vestibular.uninassau.edu.br/Curso.aspx?CursoId=26&CursoUnidadeId=0& MenuId=1&Cidade=Natal&UF=RN. Acessado em: 25/05/2017.

[4] GEM - Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil. Relatório Executivo. IBPQ/SE-BRAE/FGV. 2015. Disponível em: <http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRO-NUS/bds/bds.nsf/c6de907fe0574c8ccb36328e24b2412e/$File/5904.pdf>. Acessado em: 20/05/2017.

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[5] HARBI, S. E. e ANDERSON, A. R., 2010. Institutions and the shaping of different forms of entrepreneur-ship. Journal of Socio-Economics, 39 (3), p. 436-444.

[6] REVISTA PRODUÇÃO ONLINE. Florianópolis: Abepro, v. 14, n. 1, jan./mar. 2014. Disponível em: <http:// dx.doi.org/10.14488/1676-1901.v14.i1.1588>. Acesso em: 16 maio de 2013.

[7] SARQUIS, Aléssio Bessa et all. Empreendedorismo inovador no polo tecnológico de Florianópolis.

Revis-ta Eletrônica de Estratégia & Negócios, Florianopólis, v. 7, n. 3, p. 229-255, set./dez. 2014.

[8] SEBRAE. Sobrevivência das Empresas no Brasil. 2016. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/si-tes/PortalSebrae/estudos_pesquisas/taxa-de-sobrevivencia-das-empresas-no brasildestaque15,01e9f925817b3 410VgnVCM2000003c74010aRCRD>. Acesso em 26/05/2017.

[9] UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Grade curricular do curso de Engenharia

Civil. Natal: UFRN, 2016. Disponível em: https://sigaa.ufrn.br/sigaa/link/public/curso/curriculo/89606241.

Acessado em: 25/05/2017.

[10] UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO. Grade curricular do curso de Engenharia

Ci-vil. Mossoró: UFERSA, 2014. Disponível em: https://engciCi-vil.ufersa.edu.br/programa-de-disciplinas/.

Acessa-do em: 25/05/2017.

[11] UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Projeto político pedagógico do curso de

graduação em engenharia civil da UFRN. Natal: UFRN, 2010. Disponível em:

Referências

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