Porque penso ser meu dever e também, reconheço, por auto-estima, quero deixar algumas realidades que considero importantes, nomeadamente para soluções de curto prazo: 1 Empresas
Designação
2009
total de empresas*
1.085.222
empresas financeiras
24.316
sociedades
349.611
exportadoras
17.725
* inclui as empresas em nome individual INEBaixas qualificações de empregadores e funcionários marcaram o tecido produtivo português na última década. Um terço dos patrões só completou a instrução primária e 71% tem no máximo o 9.º ano de escolaridade. Este facto faz com que o acompanhamento das empresas com potencial exportador seja muito importante nomeadamente no que se refere aos mercados de destino.
empªs exportadoras
24.430
24.254
17.725
18.500
2 Peso das Micro, Pequenas e médias empresas2009
%
Sociedades
349.611
‐
a
.‐ 10 empº
302.808
86
b
10‐49 empº
40.135
12
c
50‐249 empº
5.780
1,65
d
.+ 250 empº
888
0,25
b+c+d
46.803
O número de empresas exportadoras diminui em relação ao ano anterior, de 2008, sendo a taxa de mortalidade empresarial bastante elevada nas pequenas e
médias empresas e igualmente se verifica a maior quebra de emprego em valor absoluto e relativo, representando cerca 36% do emprego das sociedades.
Após uma consulta rápida a alguns departamentos não foi possível chegar a uma conclusão, nem a nível regional, sobre o potencial exportador do nosso tecido empresarial, mas dos contactos que efectuei e da minha experiência estou certo que este potencial se concentra na faixa das pequenas e médias empresas. O apoio junto delas é que irá permitir um incremento da base exportadora das nossas exportações e dar mais sustentabilidade ao nosso comércio externo. Assim, os benefícios à exportação e consequente incremento de competitividade (TSU quando o custo do factor trabalho nas empresas exportadoras é de 15 %), deveriam ser dirigidos a estas empresas que vão aumentar o valor global das exportações. Do conhecimento do nosso tecido empresarial exportador, se o benefício à exportação não for do tipo “sucess fee” dificilmente os auxílios concedidos se vão reflectir na competitividade dos nossos produtos. Quando se diminuiu o IVA na restauração não se verificou o abaixamento dos seus preços. Creio que a competitividade deve ser endógena e não exógena. Mas um apoio sempre potencia a endogeneização!
5 Exportações
54% das exportações dependem de cerca de menos de 200 empresas num universo de sociedades de cerca de 350 000, eu diria que 80% das exportações provêm, tão somente de 928 empresas e como referi, nos últimos anos o número de pessoas colectivas com valores declarados (definição utilizada) que
exportavam diminuíram. Os valores globais de exportação ainda não atingiram os níveis de 2008.
Paralelamente, 80% da exportação portuguesa de bens por mercados, em 2010, tiveram como destino os seguintes mercados:
Espanha Alemanha França Reino Unido Angola Países Baixos Itália EUA Bélgica Brasil México Suécia Suíça
A Espanha representa cerca de 30% das nossas exportações e quando
consideradas individualmente as mais importantes regiões deste pais, estas têm as seguintes posições na estrutura das nossas exportações:
Rank 2010 Clientes 1 Espanha 2 Alemanha 3 França 4 Reino Unido 5 Angola Galicia Madrid Cataluña 6 Holanda 7 Itália 8 EUA 9 Bélgica Andalucía Castilla y León Com. Valenciana 10 Brasil 11 México 12 Suécia Castilla La Mancha 13 Suíça 14 Polónia Aragón Extremadura 15 Marrocos País Vasco 16 Turquia 17 Cabo Verde Navarra
* os dados das regiões espanholas foi elaborado com base nas suas compras a Portugal
Assim, o aumento das nossas exportações pode ter por base, e devido às necessidades de curto prazo:
• o apoio às grandes empresas de sempre (EDP, Vista Alegre, Vinhos Visabeira, Mota-Engil, Grupo Lena, Martifer, etc.) na sua diversificação de mercados. Estão nesta situação grande parte das 900 empresas que acima referi.
• o apoio às pequenas e médias empresas para aumentar significativamente a nossa base exportadora que tem vindo a reduzir-se drasticamente, conforme o s dados apresentados acima. Este apoio é de primordial importância com especial incidência no caso do mercado espanhol e em outros mercados de proximidade bem como nos PALOP’s.
• O auxílio às empresas portuguesas para avançarem para os mercados emergentes deve ser, principalmente ao nível das PMEs, fortemente
acompanhado com um serviço de consultoria que possa levar a bom porto esta saída para mercados um pouco mais distantes.
A experiência junto das empresas portuguesas, GEs e PMEs, faz notar de forma geral, a necessidade que estas têm em sentir que os mercados de destino são referência de um estratégia nacional e que podem ser acompanhadas a nível institucional nos seu primeiros passos.
Na sequência desta observação seria também importante introduzir uma
motivação para a criação de grupos de exportação de produtos complementares e ou da mesma fileira (como o caso da hotelaria), para criar massa critica na
presença nos mercados exteriores. A tentativa de criação deste grupo foi já por algumas vezes tentada, mas a dificuldade de associação dos nossos empresários tem sido o motivo de insucesso destes sindicatos de exportação que em Itália e Espanha tem obtido bastante êxito.
As Grandes empresas que foram ajudadas a exportar e a internacionalizar-se através do serviço público, têm a responsabilidade social de funcionar como motor para a internacionalização dos seus fornecedores portugueses e outras PMEs para os mercados onde estão implantados.
(ex. existem cerca de 100 empresas portuguesas na Polónia. Se cada uma delas contribuísse para a internacionalização de outra empresa portuguesa,
rapidamente e mesmo com um baixo grau de execução, se poderia aumentar a nossa presença na Polónia: produtos, serviços, empresas)
6. Substituição das Importações, IDE e IDPE
Para a sustentabilidade do nosso tecido industrial seria de adoptar uma versão actualizada duma politica de substituição de importações, promovendo uma
contracção das importações de modo a provocar uma maior utilização da indústria nacional.
Políticas de “consuma português”, maior rigor nas “exigências administrativas” para aprovação dos produtos a importar, apoios específicos a novos produtos com capacidade de substituir os importados, não exportar sem valor acrescentado (caso do calcário para a China) e outros, aliás como em alguns o países da UE subliminarmente realizam.
Paralelamente é da maior importância o lançamento de uma forte política de captação de investimento estrangeiro, que pode ser também complementar esta política atrás refeida.
O investimento estrangeiro é outro dos factores de grande importância para a alteração da nossa situação económica actual.
O processo de atracção de investimento, mais ainda porque muitos dos investidores actuais vêm de mercados que não são os tradicionais,
nomeadamente das economias emergentes, deveria ter uma perspectiva muito direccionada, regional e muito sectorial.
Sectores, áreas de negócio e/ ou regiões especificas do país deveriam ser
definidas como os motores do crescimento económico português no curto e médio prazo e destino principal do investimento nacional e estrangeiro.
Para estes motores económicos deveriam ser atraídos, de forma “pinpoint”,
investimentos, com base na sua performance para arrastar o crescimento, e retirar deles as áreas de baixo crescimento e que atrasam o desenvolvimento. Estes motores deveriam receber prioritariamente, por parte das entidades públicas e das grandes empresas, apoio financeiro, mão-de-obra especializada e um
acompanhamento público privilegiado (ex. CAAPIN).
Perde-se com esta politica alguma diversificação industrial, que era competitiva com os salários baixos.
Hoje não é possível ser competitivo desta forma, sendo necessário uma maior integração económica devido à globalização, caminhar para actividades de maior valor acrescentado e tecnologicamente intensivas e com alguma especialização, para criar massa crítica e uma interligação entre as empresas e o talento para retirar o maior benefício.
Assim focar num número restrito de motores de crescimento económico, podendo estabelecer, politicamente, prioridades de forma mais coerente e coordenada. Para criar um impacto sustentável o investimento tem que ser significativo; obtendo-se uma melhor percepção do valor nacional que se pode transmitir aos investidores estrangeiros e nacionais sendo necessário uma estrutura
administrativa de liderança mais directa que facilite a determinação de prioridades, a monitorização da performance de um número específico de sectores e a