INCLUSÃO DA INFRAESTRUTURA VERDE NO PLANEJAMENTO DAS CIDADES INCLUSION OF GREEN INFRASTRUCTURE IN CITIES PLANNING

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Texto

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INCLUSÃO DA INFRAESTRUTURA VERDE NO PLANEJAMENTO DAS CIDADES INCLUSION OF GREEN INFRASTRUCTURE IN CITIES PLANNING

RAFAELA SANTOS Medeiros ¹; Fabiana de Paula ²; Vivian Marian Rocha Florentino ³; Edson Maia Villela Filho ⁴

¹ Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCA GE - Curso de Arquitetura e Urbanismo – Ponta Grossa - PR – Brasil.

Email: rafa_medeir0s@outlook.com

² Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais - CESCAGE - Curso de Arquitetura e Urbanismo Ponta Grossa - PR – Brasil.

Email: fabipg15@gmail.com

³ Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais - CESCAGE - Curso de Arquitetura e Urbanismo Ponta Grossa - PR – Brasil.

Email: vivian-marian@hotmail.com

⁴ Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais - CESCAGE - Curso de Arquitetura e Urbanismo Ponta Grossa - PR – Brasil.

Email: edson.villela1@gmail.com

Resumo: Na atualidade são poucos projetos que consideram e integram a natureza

e as condições ecológicas locais afim de minimizar seus impactos ambientais. Aliados a não viabilização da conscientização da sociedade sobre sua importância gera ou agrava problemas de morfologia e drenagem urbana, já que o constante crescimento urbano das cidades aumenta cada vez mais o número de áreas impermeáveis. Assim surge a necessidade da utilização de sistemas alternativos aliados a construção civil e ao planejamento urbano, para que o desenvolvimento das cidades seja consciente e propício à sua resiliência, melhore e incremente a qualidade de vida na urbe, a qual é diretamente afetada por tais condições. O planejamento urbano deve respeitar o funcionamento e as características socioeconômicas e ambientais locais, bem como o uso do solo, o qual deve buscar a criação de espaços adequados ao bem-estar público. Deve se atentar as particularidades da região, como a qualidade do ar, água e dos sistemas de transporte, tanto em áreas urbanas, quanto rurais, integrando a comunicação e distribuição de serviços, buscando sempre que possível, viabilizar meios de transporte alternativos e sustentáveis, favorecendo as condições para qualidade de vida. Desta maneira, este estudo, utilizou-se de pesquisa bibliográfica e online para realização de um estudo acerca da implementação da infraestrutura verde nas cidades, destacando a importância do planejamento e integração desta.

Palavras-chave: Infraestrutura Verde. Planejamento Urbano. Resiliência

Abstract: There are currently few projects that consider and integrate the nature

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Combined with not making society aware of its importance, generates or aggravates problems of urban morphology and drainage, since the constant urban growth of cities increasingly increases the number of impermeable areas. Thus, the need arises for the use of alternative systems combined with civil construction and urban planning, so that the development of cities is conscious and conducive to their resilience, improving and increasing the quality of life in the city, which is directly affected by such conditions. Urban planning must respect the functioning and local socio-economic and environmental characteristics, as well as land use, always seeking to create spaces suitable for public well-being. Attention should be paid to the particularities of the region, such as the quality of air, water and transport systems, both in urban and rural areas, integrating communication and service distribution, seeking, whenever possible, to make alternative and sustainable means of transport feasible, favoring conditions for quality of life. Thus, this study used bibliographic and online research to conduct a study about the implementation of green infrastructure in cities, highlighting the importance of planning and integrating it.

Keywords. Green Infrastructure. Urban planning. Resilience.

INTRODUÇÃO

Segundo Hamdy, 2017 o planejamento urbano regional pode ser definido e conceituado como o planejamento do desenvolvimento em média ou larga escala em níveis arquitetônicos, infra estruturais, ecológicos, econômicos e até políticos, sendo um processo técnico que busca e se preocupa com o desenvolvimento e uso da terra, a proteção e uso do meio ambiente, o bem-estar público e morfologia do ambiente urbano.

Ainda segundo Hamdy, 2017, engloba as características do ar, água e da ordenação de transporte das áreas urbanas e rurais, assim como a comunicação e distribuição de serviços e sistemas. A forma urbana se transforma ao longo do tempo, se moldando e adaptando às novas características das sociedades e as suas respectivas ocupações, as quais atingem e modificam vários setores da infraestrutura.

“Em especial, as redes urbanas de arborização e de infraestrutura verde ou ecológica, que são diretamente afetadas pela crescente expansão urbana, que voltada ao uso de automóveis, gera uma construção de infraestruturas cinzas (vias, estacionamentos e outras superfícies impermeáveis), que ocasionam impactos recorrentes, como enchentes e deslizamentos, congestionamentos de trânsito, alto consumo de energia, emissão de gases de efeito estufa (GEE) e poluição generalizada” (Herzog, C., & Rosa, L, 2010).

Onde o sistema de urbanização habitual tem como estrutura o uso da infraestrutura cinza monofuncional, focada no automóvel: ruas visam à circulação de veículos; sistemas de esgotamento sanitário e drenagem objetivam se livrar da água e do esgoto o mais rápido possível; telhados servem apenas para proteger edificações e estacionamentos asfaltados são destinados a parar carros (Herzog, C., & Rosa, L, 2010).

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Desta forma, a humanidade está enfrentando uma crise ambiental nunca ocorrida na sua história, desde que a espécie se desenvolveu e as civilizações prosperaram a partir da engenhosidade e da exploração dos recursos naturais (Herzog, 2013). A crescente diminuição das áreas verdes afeta diretamente a qualidade de vida da população, a temperatura nos centros urbanos, a impermeabilização do solo a redução das áreas públicas adequadas ao lazer, entre demais fatores que se interligam com a morfologia urbana (Eckret, 2014).

O foco nas questões ambientais urbanas vem crescendo nos últimos anos e o tema está cada vez mais presente nas agendas e na discussão sobre formulação de políticas públicas dos países (Silva, S. 2017), uma vez que mais da metade da população mundial reside em cidades, sendo que no Brasil mais de oitenta por cento das pessoas residem em centros urbanos.

Os ecossistemas urbanos são sistemas abertos, dinâmicos, complexos e inter-relacionados, que requerem grandes quantidades de energia e matéria, com equivalente geração de resíduos e poluição (Herzog, C., & Rosa, L, 2010). Seus impactos ultrapassam barreiras geográficas, deixando um rastro, conhecido como pegada ecológica.

Este rastro pode ser mitigado pela aplicação da infraestrutura verde, que proporciona alternativas e métodos que consomem menos energia, não emitem gases de efeito estufa, capturam carbono, evitam a sedimentação dos corpos d’água, protegem e aumentam a biodiversidade, fornecem serviços ecossistêmicos no local, previnem ou diminuem a poluição das águas, do ar e do solo, entre outros benefícios (Elmqvist, 2010).

A infraestrutura cinza interfere e bloqueia as dinâmicas naturais, que além de ocasionar consequências como inundações e deslizamentos, suprime áreas naturais alagadas/alagáveis e florestadas que prestam serviços ecológicos insubstituíveis em áreas urbanas (Farr, 2007; Herzog, 2009).

Tendo em vista os dados citados o presente discorre acerca do uso de métodos da infraestrutura verde, apresentando possíveis maneiras ou locais para aplicação, bem como suas vantagens e desvantagens, apontando seus efeitos nos centros urbanos.

OBJETIVO

Este artigo busca e explicar o que é infraestrutura verde, elencar métodos de implementação em áreas já urbanizadas, assim como no planejamento urbano e regional das cidades e apontar suas vantagens e desvantagens.

JUSTIFICATIVA

As cidades são diretamente afetas pelas escolhas realizadas no planejamento, sendo vulneráveis aos efeitos causados pelas suas tipologias construtivas decorrentes, que frequentemente causam o agravamento de ocorrências climáticas, causando enchentes e outros problemas, como a

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degradação ou inequidade da pavimentação de passeios públicos, ausência ou inadequação da iluminação pública e conflitos em vias de tráfego.

Desta forma, a implementação de sistemas de infraestrutura verde é favorável para o desenvolvimento inteligente da urbe, onde a recuperação de arborização e elementos naturais, juntamente com sistemas estratégicos de drenagem, requalificando seus espaços e melhorando aspectos climáticos e físicos, causando uma melhor adequação da morfologia urbana as necessidades da população.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a realização do artigo, foi realizada uma revisão bibliográfica, verificando artigos, livros e sítios eletrônicos para levantamento de dados relacionados ao tema. Uma vez realizados os levantamentos iniciais, destacou-se e se discutiu pontos relevantes sobre a implantação e inclusão da infraestrutura verde nas cidades.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As atividades humanas acontecem na paisagem onde ocorrem os processos e fluxos naturais abióticos (geológicos e hidrológicos) e bióticos (biológicos), o planejamento de uma infraestrutura verde propicia a integração da natureza na cidade, de modo a que venha ser mais sustentável (Herzog, C., & Rosa, L, 2010). Acarretando em inúmeros benefícios para que as cidades sejam não apenas mais sustentáveis, mas mais resilientes para enfrentar os efeitos causados pelas mudanças climáticas (Ahern, 2009).

Favorece também a mitigação de impactos ambientais e a adaptação para enfrentar os problemas causados pelas alterações climáticas, como por exemplo: chuvas mais intensas e frequentes, aumento das temperaturas (ilhas de calor), desertificação, perda de biodiversidade, só para citar alguns (Ahern, 2009; Herzog, 2010).

O desenvolvimento da ecologia da paisagem (Forman e Godron, 1986; Forman,1995), que se desdobrou em ecologia urbana nos últimos anos levou ao entendimento de que a interação entre as pessoas e a natureza pode levar a uma mudança positiva no planejamento e adaptação das cidades (Alberti, 2008; Marzluff, 2008; Elmqvist, 2010; Forman, 2010).

A infraestrutura verde tem sido um dos temas que fazem parte dos planos “verdes” de longo prazo de inúmeras cidades. Elas procuram estimular a sua economia dentro do paradigma da sustentabilidade, e mitigar os seus impactos através da introdução de áreas verdes multifuncionais (Herzog, 2013).

Essa consiste em redes multifuncionais de fragmentos permeáveis e vegetados, preferencialmente arborizados (inclui ruas e propriedades públicas e privadas), interconectados que reestruturam o mosaico da paisagem (Herzog, C., & Rosa, L, 2010). Busca recuperar ou preservar os aspectos naturais e culturais de um local, respeitando suas características originais, para garantir a qualidade de vida na urbe, sendo conhecida ainda por infraestrutura ecológica.

É um conceito emergente baseado nos princípios da ecologia da paisagem de: estrutura, função e mudança. A forma do mosaico da paisagem depende não apenas de seus aspectos geobiofísicos, mas do uso e ocupação ao longo do tempo

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(Forman, 1995; Benedict e McMahon, 2006; Ahern, 2007).

“As árvores, essenciais na infraestrutura verde, têm funções ecológicas insubstituíveis, como: contribuir significativamente para prevenir erosão e assoreamento de corpos d’água; promover a infiltração das águas das chuvas, reduzindo o impacto das gotas que compactam o solo; capturar gases de efeito estufa; ser habitat para diversas espécies promovendo a biodiversidade, mitigar efeitos de ilhas de calor, para citar algumas” (Herzog, C., & Rosa, L, 2010).

O conceito “infraestrutura verde” vem sendo estudado e aplicado, tanto no Brasil como no exterior, como uma forma de reconciliação do ambiente construído com o ambiente natural, assim como uma ferramenta da sustentabilidade urbana (União Europeia, 2013). E a floresta urbana consiste no somatório de todas as árvores que se encontram na cidade, em parques e praças, ruas e fragmentos de matas (Hough, 1994; Newman et al., 2009).

No que diz respeito ao Brasil, a ocupação do território resulta de um planejamento urbano baseado em uma estrutura socialmente desigual de acesso à terra e às riquezas sociais, causando vários problemas, tais como a exclusão social e a periurbanização (SILVA, 2017). As reformas urbanas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX foram realizadas sem considerar os fatores sociais, culturais e ecológicos, dando início ao conflito entre urbanização, sociedade e meio físico (Lourenço, 2013).

Segundo o IBGE, entre 2000 e 2010, a população total aumentou em 20%, enquanto a população urbana cresceu 40%, principalmente nas nove áreas metropolitanas, habitadas por cerca de um terço da população. O instituto (IBGE) estima ainda que por volta de 2060 a população brasileira deverá atingir um total de 260 milhões de habitantes, regredindo após esse período.

Silva (2017), comenta que a rápida expansão resultante do atual processo de ocupação do solo, em sua maioria, sob um modelo de adensamento excessivo com a concentração de população em cidades e regiões metropolitanas sem infraestrutura, particularmente no que se refere à infraestrutura de transporte público de grande capacidade e ao saneamento, possibilitou concentração de indústrias, serviços e trabalhadores nas cidades o que, em conjunto à automação do campo, converteram o déficit habitacional, bem como a escassez de empregos, em mão de obra sem qualificação profissional, um dos maiores problemas sociais das cidades urbanizada.

Esse modelo cria problemas de trânsito trazendo dificuldade de locomoção com a ocupação muito adensada em áreas extensas, particularmente em regiões metropolitanas. Isso faz com que a população perca muito tempo em deslocamento (SILVA, 2017). Nesse contexto, a cidade pós-industrial brasileira vive um urbanismo onde prevalece a ausência da integração com a natureza e a perda do sentido sócio espacial entre os habitantes e a cidade (SILVA E ROMERO, 2010).

A conservação e recuperação de áreas verdes no ambiente urbano, assim como o aumento da cobertura vegetal, por meio de tipologias construtivas favoráveis ao verde como parte integrante das edificações e do sistema de espaços livres e de circulação contribui para uma melhor qualidade de vida. E não há como pensar em qualidade de vida sem o contato direto com o verde, seja na zona rural ou nos grandes centros urbanos. A diferença é que na zona rural ele está naturalmente

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presente, enquanto em zonas urbanas muito adensadas vem perdendo espaço para o ambiente construído (SILVA, 2017).

Assim, se faz necessária a aplicação da infraestrutura verde, que consiste em intervenções de baixo impacto na paisagem e alto desempenho, com espaços multifuncionais e flexíveis, que possam exercer diferentes funções ao longo do tempo - adaptável às necessidades futuras (Herzog, C., & Rosa, L, 2010). Pode ser implantada em experiências locais que sejam safe-to-fail (seguras-para-falhar), sendo monitoradas para possíveis correções ao longo do tempo (Ahern, 2009).

Segundo Herzog, busca também por meios de transporte alternativos, menos ou não poluentes, para o estimulo de uma vida urbana mais ativa e saudável, promovendo o uso de energias renováveis sempre que possível. Esses espaços ganhos dos veículos são devolvidos para os cidadãos para que ruas voltem a ser lugares vivos, de encontros sociais e com comércio e serviços ativos (Jacobs, 1992). Algumas tipologias verdes já estão sendo introduzidas nas áreas urbanas com a finalidade de acrescer a cobertura vegetal nas superfícies verticais e horizontais ou ainda se integrando com a infraestrutura técnica das cidades. A própria população pode contribuir na reestruturação do verde escolhendo as opções que melhor se adaptam a sua realidade e necessidades. O setor da construção civil, também tem investido na aplicação de tais recursos, estudando novas alternativas que revertam certos efeitos destrutivos e utilizando materiais reciclados em suas construções (SILVA, 2017).

A implantação da infraestrutura verde na cidade pode ocorrer através de práticas simples, como o aumento do número de árvores ou a criação e recuperação de praças e parques com vegetação abundante e nativa, ou de telhados verdes e jardins verticais em projetos urbanos e residenciais.

“Para que o planejamento e projeto da infraestrutura verde sejam de fato eficientes e eficazes, é preciso ter uma abordagem sistêmica, abrangente e transdisciplinar. Depende de um levantamento detalhado dos aspectos abióticos, bióticos e culturais. Inicialmente é preciso fazer um mapeamento dos condicionantes geológicos, geomorfológicos, hídricos (de preferência ter a bacia hidrográfica como unidade de macroplanejamento), climáticos, da cobertura vegetal, dos sistemas de drenagem e esgotamento sanitário, e uso e ocupação do solo” (Herzog, C., & Rosa, L, 2010).

Outro ponto importante é o conhecimento da biodiversidade local, levantando dados e mapas, juntamente com o histórico local, tanto do uso e ocupação do solo, como das características socio culturais regionais. Uma vez que se conhece o local, o processo se torna mais dinâmico e flexível, sendo assim mais adequado as condições e necessidades locais, de modo que representa a mesma de maneira mais satisfatória, o que ajuda na manutenção desta.

Esse engajamento dos usuários no desenvolvimento do planejamento e projeto é essencial para que a infraestrutura verde seja sustentável no longo prazo (Ribeiro, 2001; Boucinhas, 2007; Costa et al., 2007). Idealmente, a infraestrutura verde deve ser planejada antes da ocupação, assim áreas frágeis e de grande valor ambiental podem ser conservadas, como: áreas alagadas, corredores ripários, encostas instáveis com risco de deslizamento e fragmentos de ecossistemas nativos (Herzog, C., & Rosa, L, 2010).

Alguns exemplos de alternativas a serem utilizadas são os jardins-de-chuva, as biovaletas, lagoas de infiltração (bacias de detenção de águas) e bacias de

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retenção, ou ainda, tetos e muros verdes, com vegetação local se possível, alagados construídos, pisos drenantes, entre outras.

No caso particular dos Jardins Verticais, eles possuem grande potencial estético e funcional, exercendo seu papel de aumentar a cobertura vegetal das cidades densas e proporcionar, ao mesmo tempo, conforto ambiental e visual (SILVA, 2017), pode ser cultivado ainda com plantas comestíveis, como temperos e afins.

Canteiros Pluviais são jardins de pequena dimensão localizados em cotas mais baixas como parte integrante das calçadas de vias públicas ou de condomínios com o objetivo de receber águas do escoamento superficial proveniente de áreas impermeáveis (SILVA, 2017) e podem ser construídos de maneira pública ou privada.

Os jardins de chuva são similares aos canteiros pluviais, entretanto, este é construído incorporado à paisagem, no meio do caminho entre o sistema de drenagem e as localizações impermeáveis, fonte do escoamento superficial (SILVA, 2017), podem ser facilmente implantados, pois são parecidos com jardins comuns e desta forma é aceito mais facilmente pela população e órgãos públicos.

Há ainda a possibilidade de utilização de pavimentos permeáveis e semipermeáveis, os quais possuem maior capacidade de permeabilidade do que pavimentos tradicionais. Podem ser construídos com diferentes materiais e técnicas: asfalto poroso, concreto permeável, blocos intertravados semipermeáveis, brita e pedriscos, existem ainda os blocos de concreto vazados preenchidos com grama, popularmente conhecidos como piso-gramas ou concreto-gramas (SILVA, 2017).

As tipologias podem ser combinadas e utilizadas nos mais diversos projetos, desde escolas a ruas, sendo elas arborizadas ou de múltiplo uso (passeios, ciclovias e ciclofaixas, faixas especificas, etc.), também, a aplicação de estacionamentos drenantes, de parques lineares (ou de corredores verdes), a renaturalização de corpos d’água, entre outros. Podem se utilizar também sistemas como os de placas solares ou fotovoltaicas, aliando sempre que possível o uso de materiais que geram menos resíduo e tem maior aproveitamento energético a construção civil e ao crescimento da cidade.

Quando bem planejada, implementada e posteriormente, monitorada o sistema de infraestrutura verde pode se tornar o suporte para a resiliência das cidades. Pode ser um meio de adaptar e regenerar o tecido urbano de modo a torná-lo resiliente aos impactos causados pelas mudanças climáticas e também preparar para uma economia

de baixo carbono (Herzog, C., & Rosa, L, 2010). Pois aumenta a capacidade de resposta e recuperação a eventos climáticos, propicia mudança das fontes de energias poluentes ou de alto custo para fontes renováveis, promove a produção de alimentos perto da fonte consumidora, além de melhorar a saúde de seus habitantes ao possibilitar transportes ativos como caminhada e bicicleta (Herzog, 2010).

Entretanto, algumas destas tecnologias ainda tem um custo alto para a população geral, que nem sempre pode arcar com seus custos de implantação ou manutenção. Contudo cabe ao município o desenvolvimento e elaboração, aliados a execução de um Plano Diretor que inclua investimentos em drenagem urbana e infraestrura verde e se preocupe em conscientizar a população acerca da importância das áreas verdes no dia a dia.

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Toda tecnologia aplicada deve ser coerente com o clima do lugar, numa composição que se ajusta às demais estratégias bioclimáticas a serem aplicadas à edificação e à cidade. Dessa forma é necessário um equilíbrio entre planejamento urbano e social, com a conscientização e disseminação do conhecimento acerca do tema.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista os dados citados, quando bem planejado, implementado e posteriormente, monitorado o sistema de infraestrutura verde pode se tornar o pilar principal para a resiliência das cidades, resolvendo os problemas causados pela tipologia de ocupado do solo utilizada até então, ocasionando uma melhoria na qualidade de vida urbana.

Ainda vale ressaltar que a implementação de sistemas de infraestrutura verde é favorável para o desenvolvimento inteligente da urbe, onde a recuperação de arborização e elementos naturais, causa uma melhor adequação da morfologia urbana as necessidades da população. Ocorre também, a requalificação e preservação das águas, bem como de ecossistemas locais, ao mesmo tempo em que ameniza os efeitos do adensamento populacional urbano.

A utilização destes sistemas influi também na drenagem urbana, que é um problema bastante recorrente devido ao alto e crescente número de áreas impermeáveis nas cidades, pois auxilia no escoamento de águas pluviais, seja através de jardins, parques, bacias de escoamento, parques lineares (corredores ou cinturões verdes), canteiros, entre outros.

Tais instrumentos são propícios a criação e utilização de áreas de lazer no ambiente urbano, com sistemas interligados que permitem e promovem o deslocamento urbano através de meios alternativos, saudáveis e sustentáveis fazendo com que haja a reapropriação da cidade aos moradores.

Logo concluiu-se que práticas simples, como o aumento do número de árvores ou a criação e recuperação de praças e parques com vegetação abundante e nativa, ou o uso de telhados verdes e jardins verticais em projetos urbanos e residenciais podem melhorar drasticamente a qualidade de vida como um todo.

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